10 de outubro de 2007
DAS BELEZAS DA BÍBLIA
I Samuel (18, 27). Tradução: Centro Bíblico Católico.
A família do distintivo da ditadura
BEZERRO
Maomé pediu licença a Jesus e correu pra tomar um assento. Com o que a montanha deu um pequeno salto, que fez o céu tremer e talvez tenha ocasionado um ou outro choque entre galáxias.
Jesus caiu no chão, mas ascendeu rapidamente.
— Eu embaralho – disse Moisés. — Doze cartas pra cada?
— Seis! Ele pensa que ainda tá no deserto — explicou Abraão a Maomé, que sorriu e, olhando para Jesus, que observava o jogo de pé, a certa distância, perguntou:
— Não vai uma partidinha?
— Não.
— Motivos religiosos?
— Superstição. Nunca jogo contra quem tem contato privilegiado com anjos.
— E nosso quarto companheiro? — perguntou o árabe, dessa vez para Abraão.
— Ah, você sabe como ele é. Deve tá por aí, pensando na morte da bezerra.
— Bezerro? De ouro? — levantou-se furioso Moisés, que tinha acabado de distribuir as cartas. — Cadê? Vou jogá-lo no fogo agorinha! Isso é coisa de Arão!
(Texto completo, aqui)
9 de outubro de 2007
FALA, RENAN.
Lixo
E me arrependi. Ah, como me arrependi. Não sei dizer se o sanduíche é bom para os padrões dos maníacos pela lanchonete dos arcos dourados. Para os padrões de uma pessoa normal é um lixo. A única coisa que se salva no sanduíche é o frango empanado. Só de lembrar do molho eu sinto ânsia. O pão tem o mesmo gosto de um suculento isopor – embora a comparação, no caso do McDonald’s, esteja para lá de gasta.
O restante você lê aqui.
O DIA EM QUE JESUS ENCONTROU MAOMÉ
— Maomé? — falou Jesus, ainda mais incrédulo que seu interlocutor. — O que significa isso?
— “Aquele que é merecedor de elogios”, profeta.
— Não! Digo, o que é que você está fazendo aqui, no paraíso cristão?
— Ah, vim visitar os patriarcas, bater um papinho, jogar um pouco, pagar uns juros, essas coisas. O paraíso muçulmano tá insuportável, parece a Ásia.
— Muito karaokê?
— Nada, superpopulação. Tem tanto homem-bomba chegando por lá que a gente se encontra em escassez de virgens, atualmente.
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(Texto completo, aqui)
OUVIDO ABSOLUTO
Com relação à música, sou um verdadeiro Beethoven. Sobretudo no que tange à capacidade auditiva do compositor pouco antes de morrer.
HEREGE
Possuindo uma esplendorosa capacidade de orientação espacial, se fosse muçulmano estaria irremediavelmente condenado ao mármore do inferno. Não conseguiria fazer minhas orações, pois jamais saberia para que lado fica Meca.
8 de outubro de 2007
Novos ídolos da propaganda publicitária
NO PRINCÍPIO ERA O PINTO
E Deus sacou o pinto e, como não tivesse onde lavá-lo, separou as águas que estão debaixo do firmamento daquelas que estão por cima. E o pinto pairou sobre a face das águas. E Deus disse:
— Ui! — e se arrepiou todo, pois a água estava gelada.
Em seguida — porque, apesar de não ter subconsciente, é seguidor de Freud —, o Senhor colocou o pinto no lugar psicanaliticamente correto.
E o pinto achou bom:
— Que maravilha! Quanta diferença! Obrigado, Senhor.
E Deus replicou:
— Isso, vai se divertindo. Quero ver daqui a nove meses.
(Texto completo, aqui)
ANTÔNIO CÂNDIDO, O GRANDE CRÍTICO LITERÁRIO CHATO, CHATO, CHATO
Comentário de um visitante sobre o crítico Antônio Cândido- que tinha sido tachado de chato por outro internauta:
"Sua obra sobre a formação da literatura brasileira é interessante pelo material historiográfico que reúne; mas seus ensaios, gênero em que é comumente louvado, são maçantes, aborrecidíssimos. Falta-lhe um bem precioso: o entusiasmo, a vivacidade do estilo, a veia que se corporificam na ironia desassombrada e na maledicência sutil. Confesso que a coisa que mais me repugna em Antônio Cândido é o excesso de bom-mocismo literário; no interior, onde cresci, ele seria o genro ideal com que todo pai sonha: educado, fino, pudoroso, incapaz de uma ousadia que ofendesse a mais banal regra de etiqueta"
XUXA PATÉTICA
FALTA ALGUMA COISA EM "TROPA DE ELITE" : SANGUE, MALDADES, TORTURAS, MIOLOS ESPALHADOS, OLHOS VAZADOS, DEGOLAS, UNHAS ARRANCADAS, VÍSCERAS
"Eu queria era ver sangue. Muito sangue mesmo. Jorrando como nos Saw 1, 2, e 3, que espero que vocês conheçam. Queria assistir maldades horrendas. Queria torturas horripilantes. Gente estourando, miolos espalhados pelas paredes, olhos sendo vazados, estampidos de balas sacudindo minha sala (....) Cadê as degolas? Cadê o arrancar de unhas? Os olhos furados? As vísceras expostas? O garrote-vil? Problemas meus apenas?
Ou do espectador acostumado às manipulações do moderno cinema americano?"
Aqui, o texto completo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071008_ivanlessa_tp.shtml
O MITO DA CRIAÇÃO SOB A PERSPECTIVA DE UM PINTO
No princípio era a Vagina. E Deus disse:
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— Faça-se a penetração.
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Mas o pinto não se mexeu. E, cabisbaixo, perguntou:
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— Aquilo não tem dente?
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E Deus, em sua infinita sabedoria, deu uma mãozinha a ele. E, após trocar cinco dedos de prosa com o Senhor, o pinto levantou-se, triunfante. Mas, como só tem um olho, complicou-se e acabou entrando na porta errada. E o pinto disse:
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— Tá tudo escuro aqui!
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E Deus replicou:
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— Faça-se a luz!
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(Texto completo, aqui)
7 de outubro de 2007
Joãozinho de Elite
A ditadura e o que veio depois defecaram para segurança pública. A primeira, por desvio; o que veio depois, por se aproveitar do clima de com-tantos-problemas-pega-mal-investir-na-polícia e se omitir ou faturar no vácuo.
Quantos livros existem mesmo sobre a história do policiamento no Brasil?
Outro mérito contextual é o filme não tratar da poesia do pobre ou da angústia trágica ou cômica ou tragicômica da classe média.
Ele trata de um ramo do poder. Filmes brasileiros só enfrentam o tema poder na base do deboche. Quantos filmes brasileiros tratam do poder mesmo?
Uma coisa é ver o mundo do outro com os próprios olhos. Outra é ver o mundo do outro com os olhos do outro. 'Tropa' faz isto.
Quem reclama da truculência impune dos policiais do filme é aquele que quer o malfeitor punido quando a mamã, o papá ou a babá fecham o livro na iminência da vitória do soninho.
Quem urra de excitação diante do filme pensa que ele copia Rambo e que ser do Bope, de modo hollywoodiano, é sexy. É gente ao melhor estilo joãozinho, esperando, também, a vitória do soninho. Não conta no grande esquema das coisas.
O filme mostra uma cultura de orgulho policial criada no vácuo da ditadura. Inexiste polícia antiga sem orgulho. A nossa é antiga e não tem orgulho.
Logo, de modo perverso, ele faz pela polícia o que a tv e o cinema americanos fazem. A mídia americana tempera o orgulho da história do policiamento deles e do investimento que eventualmente a sociedade faz na sua preparação, no seu aprimoramento, no seu valor, enfim.
Quanto ganha mesmo a viúva do soldado morto em operação? Qual é mesmo o orçamento e a capacidade humana da corregedoria?
De modo brasileiro, temos algum orgulho na polícia paulista, por ter participado de revolução, e no Bope.
O orgulho gerado no Bope é uma distorção natural derivada da avacalhação geral das coisas nossas.
Somos sociedade que ou é hipócrita de maneira orwelliana - policiais e pobres que se matem uns aos outros, a gente tá fora - ou que não escolhe bons políticos; escolhemos políticos que não tratam de segurança pública, da qual não entendem mesmo; políticos que têm de gerir policiais jogados na fogueira armada por colegas que fornecem direta ou indiretamente armas pesadas aos traficantes; políticos que dão diploma de matador a facínoras uniformizados; a lista de mazelas é grande neste campo, nem vale a pena entrar nos temas outros que fazem um país ser definido como tal, ao menos para fins de segurança.
TdE é sensacional mesmo tendo personagens não exatamente complexos. Na verdade, são ralos.
Pode-se até dizer que não é crível, no enredo, a motivação dos dois aspirantes quando vão salvar o colega corrupto.
De todo modo o filme é um documentário da escrotidão da qual todo mundo faz parte.
As cenas de ação têm qualidade de direção.
O uso de atores desconhecidos, tirando o chefe, é perfeito: ajuda a dar distanciamento que o emprego de canastrões de bilheteria sempre arruina.
Mas gosto mesmo é do rame-rame da oficina do batalhão e do esquema do reboque. É o cotidiano do Brasil brasileiro, nada espetacular mas pateticamente terrível.
Tenho três amigos de infância, ainda amigos, amigos para sempre, na polícia. Dois são oficiais da PM, um é civil. TdE é um filme que eles vêem há 20 anos.
Duas histórias deles.
Um dos oficiais chegou ao seu primeiro batalhão, numa cidade do estado do Rio, e ouviu dos colegas: o pessoal quer saber se o senhor tá dentro ou tá fora. Ele: dentro ou fora de quê? O interlocutor: se o senhor estiver dentro, tá tudo certo, todo mês tá ali; se estiver fora, vai criar problema, porque o pessoal é desconfiado. Mais uma coisa: aqui na região de vez em quando tem preso foragido. A gente pega e mata. Mas antes de matar a gente traz pro senhor. Ele: pra quê? Pro preso pedir pela vida dele. Então eu posso mandar não matar?, concluiu meu chapa. Não pode. Ele: então por que vocês trazem o preso aqui? Pro senhor ser cúmplice.
O civil, certa feita, tomou um tiro durante uma incursão. Foi salvo pelo colete que vestia. Colete dele. Dado pela tia que morava nos Estados Unidos.
O "JORNALISMO QUASE" É MELHOR DO QUE O JORNALISMO BUROCRATA
A revista Flash News estampa na capa: "Luciano Huck Assassinado por Causa de Um Relógio". E logo abaixo: "Isso esteve muito perto de acontecer".
A capa já nasce como um clássico instantâneo do jornalismo. Porque, numa bela sacada, criou o jornalismo "quase".
O avião do presidente enfrenta uma turbulência sobre o Oceano Atlântico. Mas pousa em paz. A manchete pode ser : "Presidente Morre em Desastre Aéreo".
A seleção brasileira manda três boas na trave da Argentina, mas o jogo termina zero a zero. Manchete :"Brasil dá baile na Argentina".
É só botar, em letras menores, no pé da página, a ressalva lançada pela revista Flash :"Isso esteve muito perto de acontecer".
Sem ironia: parabéns ao editor que teve tal sacada.
Quem faz um esforço desses para viabilizar uma notícia entende dez vezes mais de jornalismo do que a multidão de jornalistas-burocratas que passam o dia inteiro, o dia inteiro, o dia inteiro procurando uma justificativa para "derrubar" uma reportagem. Conheço uns cinco mil. Se fosse fazer a lista, preencheria um catálogo telefônico.
Ou seja: são especialistas em jogar no lixo notícias, reportagens e personagens interessantes.
O "jornalismo quase" é mais defensável do que o jornalismo burocrata.
O Sopa já disse e repete : o maior, o mais nocivo, o mais pretensioso, o mais destrutivo, o mais risível, o mais indefensável inimigo do Jornalismo é..... o jornalista! Não existe outro.
Por que eles destróem, consistentemente, o que o jornalismo pode ter de interesse e vivacidade.
Depois, reclamam da debandada do público....
O diagnóstico é facílimo.

COMUNICAÇÃO NO ALÉM
— Pai Moisés, como vai o senhor? — falou Jesus, amparando o velho e conduzindo-o pelo antebraço para a praça.
— Co-co... co-co... co-co…
— Cocô? Ele quer fazer cocô?
— Co-co-mo… co-co-mo…
— O senhor come. O senhor quer comer, é isso?
— Co-co-me... co-co-me…
— Começa…?
Nesse instante, estacando o passo, Moisés virou-se enfezado para Jesus e deu uma forte pancada na cabeça do Messias com o cabo de seu cajado.
— Ai! Mas o que foi que eu fiz, pai?
— Ele não gosta que completem. Só permite isso a Aarão. E fala mais alto que ele é surdo — explicou Abraão.
(Texto completo, aqui)
NARIZINHO SÓ O DE JUQUINHA
APELO AOS LARÁPIOS DE SÃO PAULO
6 de outubro de 2007
NEM CHUCK NORRIS
— Qual é, cara? Eu sou macho. Muito macho. Mas não a ponto de meter minha mão naquela nojeirinha que fica no ralo quando a gente acaba de lavar a louça.
— Concordo. Até a masculinidade tem seus limites. Aquela nojeirinha nem o Chuck Norris.
— Será? O Chuck Norris não sei não, hein? Um homem de bigode e tudo...
— Sem luva? Duvido.
— Ah, sem luva nem um senador metia a mão naquela sujeira.
(Texto completo, aqui)
5 de outubro de 2007
"BAR DA BOA". O QUE É AQUILO, NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO ESPANTO ? PODE EXISTIR COISA MAIS PATÉTICA NO CONE SUL DA AMÉRICA ?
Em nome de todos os santos: quem inventou esta campanha do "Bar da Boa" continua solto ? Quanto a cervejaria pagou por aquilo ? Pode existir coisa mais chata na face da terra ?
GUANTÁNAMO NELES !
Refaço o mantra : a humanidade só será feliz no dia em que a prisão de Guantánamo puder receber jornalistas de todo o mundo que tenham sido,merecidamente, condenados à prisão perpétua pela Corte Internacional de Justiça de Haia por terem cometido o seguinte crime: provaram uma comida, olharam para a câmera com carinha de espanto e disseram : "Hum....Delícia!...".
Não há anistia possível.
FUTEBOL FEMININO EM PORTUGAL
PÉSSIMOS REFRÕES MUSICAIS MELHORADOS
"STEPPLE BY STEPPLE, OOH, BABY, GONNA GET TO YOU GIRL"
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GRANDES VERSÍCULOS BÍBLICOS AVACALHADOS
"VINDE, AMIN, ÀS CRIANCINHAS"
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GRANDES DIÁLOGOS PARNASIANOS
— Cão tens Nabunda chamado.
— Dizer queres entendo que o.
— Em alto-mar saíste, navio de um naufragado.
— Sim, certo, prosseguir podes tu.
— Nabunda deixas ou o levas?
— Nabunda nada, não o relevas.
SEM PALAVRA
Por falar em Geneton, trata-se de um repórter obscuro. Nem o Word reconhece o seu nome.
COMO QUERER GENETONAR O QUE HÁ DE RUIM
Pelas barbas de Geneton, me digam: à exceção do time do Corinthians e das propagandas de banco, haverá no mundo algo mais calamitoso do que jornalista tentando ser engraçado e/ou espontâneo na TV?
PERGUNTA FEITA AOS CÉUS
Em nome de Nossa Senhora do Perpétuo Espanto: depois desta nova palhaçada ( ou seja: a destituição de dois senadores que se opunham ao circo armado para salvar a pele do "presidente do senado"), por que é que não mandam logo um camburão para lá ?
E SE...
Se, por escassas vinte e quatro horas, todas as TVs do mundo parassem de ladrar; se todos os jornais e revistas de todas as cidades do planeta sumissem provisoriamente; se todos os blogs de todos os continentes saíssem do ar; se as editoras parassem de despejar a cota diária de lançamentos na livrarias; se todos os sites estancassem de repente; se todo mundo em todos os lugares fizesse um voto de silêncio planetário nem que fosse por um dia; se, enfim, todas estas maravilhas acontecessem diante de nossas retinas descrentes, o Paraíso estaria instalado nesta esfera esvoaçante também conhecida pela alcunha de Terra.
A receita da felicidade terrena é simples assim. Mas inalcançável.
Que prossiga a barulheira, então.
4 de outubro de 2007
MACHISTAS NUM BOTECO
— Me admira tu, Ronildo, pensar uma coisa dessa. Sou da época em que ainda se usava o pinto nas relações sexuais, meu camarada. Naquele tempo, o crime ainda era criminalizado no Brasil.
— Ah, bom. Porque eu também sou assim. Essas invenções modernas... Por exemplo, o cortador de unha. Tem coisa mais imoral do que o cortador de unha?
— Indecente. Os casais não praticam mais hoje em dia o santo ritual da mulher cortando a unha do marido.
— E usando tesourinha.
— Tesourinha, claro. Isso era a base de todo casamento.
— Pelo menos dos sadios. Garçom, traz mais um chope!
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(Texto completo, aqui)
Zzzzzzzz
O SOPA RESSUSCITA
Depois de enfrentar uma crise de audiência que nos levou a contratar uma firma de auditoria para disgnosticar o problema, o Sopa de Tamanco volta aos poucos a voar em céu de brigadeiro. O número de acessos sobe para níveis razoáveis. Já dá para encher um avião daqueles grandes, pronto para cair a qualquer momento.
A crise provocou pelo menos uma baixa: irritado com a queda no número de acessos, um de nossos executivos engravatados demitiu sumariamente o primeiro faxineiro que apareceu pela frente.
O problema é que o faxineiro, como na piada antiga, não era contratado. Virou-se para o executivo e se vingou,na hora:
"Demitido uma ova! O senhor é que trate de arrumar seus papéis e desaparecer da minha frente agora! Já!".
Humilhado, o executivo fez as malas e foi embora.
O Sopa de Tamanco voltou, então, a funcionar sem problemas.
As contas estão em dia. Ou seja: todo mundo continua sem receber nada para escrever aqui. Não existe patrão, não existe empregado, não existe horário.
É uma revolução sem precedentes nas relações trabalhistas: o salário é um tapinha nas costas, dado no final do expediente por um mendigo que foi contratado exclusivamente para este fim,em troca de um sanduíche de mortadela com manteiga Turvo.
Agora vai!
A tática dos canalhas
As desculpas são um ataque. Em nenhum momento F. Wolff reconhece o erro. Ele dá uma série de justificativas. E, para piorar, ataca um leitor que o acusou de... plágio. Dá até os dados todo do leitor, o que, se não me engano, é grave delito de ética jornalísticas. Se bem que, sabemos, F. Wolff não liga para isso.
Aliás, desta história toda ficou a lição (para aqueles que ainda não tomaram conhecimento): o JB já era. Morreu. A total ausência de satisfação do jornal para com os leitores é grave sintoma de autismo jornalístico. O JB é um expoente desta arrogância que, infelizmente, esta disseminada. Jornalistas escrevem para jornalistas. O leitor que se dane.
Voltando ao Sr. Lobo, vale notar que ele faz parte de certa elite intelectual do País que reflete bem o caráter da nação. Repare que ele não abaixa a cabeça para o leitor, esta plebe intelectual, porque se acha acima dela. Conhecedor do bem e do mal, dono de vidas - se este tipo de gente toma o poder vai faltar muro. Incapazes de assumir um erro, são o que há de mais representativo da honra nacional.
O pior é que esta raça deixou um legado: mais e mais intelectuais de botequim arrogantes, incapazes de reconhecer um erro e de pedir desculpas. Pior: orgulhosos dos próprios defeitos. É gente que admira Jaguar pelo caso Simonal. O cartunista jamais pediu desculpas. Pelo contrário, arrebitou o nariz. Psicanaliticamente, entende-se: é a defesa dos baixos. Tática que boa parte das pessoas que cresceu sob a aura de (falsa) grandiosidade do Pasquim reproduz, como se fosse um exemplo de altivez moral.
SEXO ORTODOXO
— E como é que tu faz pra ela gozar?
— Ah, simples: vassoura, espanador...
— Como é que é, cara? Tu enfia um cabo de vassoura ou um espanador no... na... enfim, na tua mulher?
— Claro que não, rapá! Tá me estranhando? Eu sou tradicionalista, um homem à antiga. Só pratico o sexo ortodoxo, referendado pela Igreja.
— Pra fins de reprodução ou com crianças, então?
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(Texto completo, aqui)
LOS TRES AMIGOS
Tornando a andar, Moisés perguntou a Jesus:
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— E seu pa-pa-pai, Lu-Lúcifer?
— Lu-Lúcifer, pa-pa-pai Moi-se-sés?!
— Não liga. Ele tá meio... — explicou Abraão, girando o indicador ao redor da orelha. — Muito sol na cabeça. Além disso, segundo pesquisas recentes, o excesso de maná afeta a área do cérebro responsável pela memória e pela concentração.
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(Texto completo, aqui)
O DIA EM QUE DRUMMND POLZONOFFIOU
Em seu "Dossiê Drummond", Geneton Moraes Neto, o popular Mito, também conhecido pela alcunha de Bola de Boliche, transcreve com exclusividade uma entrevista engraçadíssima e absolutamente informal que a namorada de CDA, Lygia Fernandes, fez com o poeta. Depois, é a vez do poeta entrevistá-la. Em ambos os casos, Carlos (para os íntimos) usa de uma ironia deliciosa, muitas vezes picante. Reproduzo abaixo um trecho da parte em que ele está fazendo as vezes de repórter. De repente, tem um surto agudo de polzonoffianismo (no bom sentido do termo) e aproveita pra esculhambar a dance music.
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CDA: As pessoas não dançam. As pessoas se mexem, não conversam. Não sentem nenhum prazer estético. Obedecem como bonecos a uma ordem de pular. Pular, não: se mexer.
LF: Você pode não gostar, mas gosto muito de pular.
CDA: Não. Eu nunca fui...
LF: Gosto muito de dançar, mas a dança de hoje não é uma dança como a de antigamente; a gente ficava colado um no outro, de rostinho.
CDA: Perdão! O que você chama de dança de hoje não é dança. É alguma coisa de gestos, mas dança não é, de maneira nenhuma.
LF: Mas eu gosto...
CDA: É um mínimo de ritmo.
LF: A gente acompanha com o corpo esse ritmo...
CDA: É um ritmo elementar, não tem nenhuma sutileza. As pessoas desaprenderam a dançar. Uma herança milenar que veio da Grécia hoje não é mais respeitada nem conhecida. As pessoas fazem gestos mecânicos, atuam como bonecos, como marionetes, obedecendo a uma ordem de uma empresa de cerveja, ou refrigerante, ou cigarro, qualquer coisa. (...) Pensam que se divertem... Porque não têm nenhuma necessidade interior. Não sabem nada, não conhecem nada, não querem nada...
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Coitado de Drummond. Viver numa época assim não deve ter sido fácil. É uma pena que o vate não tenha durado mais algumas décadas. Suspeito que se encantaria com as atuais raves. E com Rick e Renner.
3 de outubro de 2007
Amazon e Penguin abriram uma vaga de Paulo Coelho
AS MÃOS SUJAS DO SANGUE DAS MATÉRIAS
Se eu tivesse um mínimo de talento dramatúrgico, um dia faria uma peça pretensamente psicanalítica sobre o Ente Jornalístico.
O que é este Ente ?
É o sujeito que resolve exercer uma profissão que, bem ou mal, desperta no "público externo" uma discreta fascinação : jornalista seria aquele ser bípede que, rendido à formidável riqueza dos fatos e dos personagens, passa a vida tentando descrever da maneira mais atraente possível tudo o que viu e ouviu. Simples assim.
Parece, mas não é não.
Porque o Ente Jornalístico, quando desembarca numa redação, logo se transforma numa terrível MMM: Máquina de Matar Matérias.
Há um caminhão de exceções, claro, mas as redações estão povoadas por este ser estapafúrdio: o Jornalista especializado em matar o Jornalismo.
As mãos desses entes estão sujas do sangue das reportagens que eles trituraram.
Como eu ia dizendo quando fui interrompido por mim mesmo: se eu tivesse um mínimo de talento dramatúrgico, faria uma peça pretensamente psicanalítica sobre o tal Ente.
Mas não. Porque me falta o talento dramatúrgico. E jamais pus minhas patas num consultório de psicanálise.
Desisto da empreitada, a tempo.
Vou fazer algo um milhão de vezes mais útil: tomar uma Coca-Cola com limão e checar se a lua saiu hoje.
Arrudando
'Vamos estar a resolver o problema assim que for possível', declarou o governador.
A ARTE DE PEDIR DESCULPAS
Sou insuspeito para falar. Tenho simpatia pelos dois lados em guerra.
Eu me lembro de que desde os anos setenta lia Fausto Wolff nas páginas do Pasquim. Sempre gostei. Nem faz tanto tempo, fui surpreendido com uma referência super-generosa que o próprio Fausto Wolff fez ao locutor-que-vos-fala numa entrevista em que tratava de jornalismo. Descobri há pouco o formidável talento de Marconi Leal como autor de textos de humor. Não é um gênero nada fácil. Basta ver o resultado catastrófico de textos pretensamente engraçadinhos cometidos por jornalistas ( quem me chamou a atenção para o show de bola de Mr. Leal num recanto da Internet foi o co-tamanqueiro Toni Marques, desbravador atentíssimo dos mares virtuais).
A história toda da publicação de um texto de Marconi Leal numa coluna assinada por Fausto Wolff no Jornal do Brasil parece que chegou a um desfecho nesta quarta-feira. Fausto Wolff fez um pedido de desculpas público, no Caderno B.
Quero ser cem por cento sincero: acho que o pedido de desculpas ficou abaixo do tamanho da presepada cometida.
O pedido de desculpas deveria ter sido mais explícito, mais cristalino, mais indiscutível, mais irrevogável, mais direto, mais estrondoso, mais indubitável. Deveria estar logo na primeira linha do primeiro parágrafo, em negrito, com letras maiúsculas.
É difícil pedir desculpas. É dificílimo aceitar. É um gesto que transita entre ressentimentos, raiva e mágoa. Páro por aqui, para não soar como autor daqueles textos que a gente lê em revistas na sala de espera do dentista, enquanto ouve, ameaçador, o ruído da broca invadindo o esmalte do coitado que nos precedeu no cadafalso.
Justamente porque é tão difícil, o pedido de desculpas precisa ser claríssimo. Como diria Alex, o personagem genial de "A Laranja Mecânica", claro como um lago límpido num dia de verão, Sir.
Contribuições da imprensa carioca - MVTP
"Desculpas especialíssimas ao Marconi Leal, na esperança de não ter piorado muito a sua obra, mas, se o fiz, foi por crer que se tratasse de uma piada de domínio público ou de autoria de outrem."
Nasce mais um clássico da crônica policial de São Sebanistão: o Texto Perdido.
E, conseqüentemente, surge o Movimento das Vítimas do Texto Perdido.
- Soube da Marcinha não? Levou um texto perdido no meio dos cornos! Em plena luz do dia!
- Onde? Onde?
- Cinelândia. Saindo do Odeon, olha só que ironia...
- Ela tá bem?
- Os médicos não acharam nada, mas o que ela tomou foi um soneto pesado, inspirado no funk de favela, cheio de métrica quebrada, onomatopéias, palavrões, uma loucura.
- Tem certeza de que não foi aquele jovem poeta, o da ONG de literatura? Tal de ADA, né?, Amigos dos Artigos... Ele andou se engraçando com ela...
- Já chequei. O jovem poeta descolou um patrocínio da Petrobras pra levar poesia contemporânea brasileira às periferias de Caracas. Tá fora.
- Bom, então o culpado vai passar batido. Com a quantidade de gente sensível que freqüenta o Odeon... Como é que tá a cabeça dela?
- Tá abatida, vendo TV a cabo o tempo todo pra ver ser a cabeça desincha.
- Que coisa. Vítima da literatura marginal, logo a Marcinha...
- Assim que ela ficar boa, a gente vai armar um lance legal pra marcar posição contra essa violência literária toda. Tipo abraçar a Academia Brasileira de Letras ou a Biblioteca Nacional, não sei.
2 de outubro de 2007
NOTÍCIA FRESCA SOBRE O PLÁGIO
Aos que, sem muito o que fazer, desejem notícias frescas sobre o já internacional affair Marconi Leal x Jornal do Brasil/Fausto Wolff, favor entrar aqui.
LEANDRO OU LEONARDO ?
Zap. Uma mesa-redonda na MTV. Instala-se a dúvida: quem morreu ? Leandro ou Leonardo ? Toda vez que, por algum motivo, alguém cita o nome da dupla, a pergunta ressurge.
Sério: é uma das grandes dúvidas brasileiras.
O resto já foi resolvido.
INFORMAÇÃO RELEVANTE SOBRE O SUPER-REPÓRTER CARL BERNSTEIN
UM ADENDO AO POST ANTERIOR ("FURO INTERNACIONAL DO SOPA DE TAMANCO: O DIA EM QUE O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE AMERICANO TOCOU GUITARRA NUMA MADRUGADA DO RIO DE JANEIRO"): O REPÓRTER CARL BERNSTEIN - AQUELE QUE FUÇOU O ESCÂNDALO DE WATERGATE ATÉ DETONAR O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, RICHARD NIXON - TAMBÉM TOCOU "LA BAMBA" , NA MADRUGADA DE ANTEONTEM, AO FIM DE UM JANTAR NUM CASARÃO NA URCA.
EM NOME DA FIDELIDADE AOS FATOS, QUE SEJA FEITO O REGISTRO.
"PARA BAILAR LA BAMBA / SE NECESITA UNA POCA DE GRACIA".
Flagrantes deflagrados
ARRUDANDO A VOLTA DO GERÚNDIO
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL - PERGUNTE A WEB CAMARGO
SERÁ O FIM?
ATENÇÃO! Dentro em breve, segundo parece, teremos novidades com relação ao já famoso caso Marconi x JB (os que chegaram agora, confiram). Até o meio-dia devo publicar informações que podem dar o desfecho do imbróglio, além de prestar alguns esclarecimentos aos leitores. Aguardem.
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(Texto completo, aqui)
MOISÉS, ABRAÃO, JESUS: O ENCONTRO
Moisés se aproximou de Jesus e de Abraão lentamente, apoiado em seu cajado. Ao chegar no ponto onde os dois estavam, disse numa voz sumida:
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— Je-je-je-su-sus? Que ale... que ale... que alegri... que ale...
— Que alegria revê-lo – emendou Abraão, impaciente, para Jesus. E depois, sussurrando: – Imagine a agonia dos hebreus no deserto esperando que ele acabasse de ler os dez mandamentos! Não é à toa que demoraram quarenta anos pra chegar em Canaã!
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(Texto completo, aqui)
1 de outubro de 2007
Sutras do condômino iogue
- A hamornia, meu filho, é o jeito de a morena do 101 rebolar quando vem à piscina.
O gerúndio é nosso!
Vejamos as repercussões, na sociedade civil, de tão patriótica matéria:
"A caminhar e a cantar e a seguir a canção", limitou-se a dizer Geraldo Vandré.
"Morreu na contramão a atrapalhar o tráfego", afirmou Chico Buarque, por intermédio de sua assessoria de impresa.
"Nem a foder", sentenciou o cantor e compositor Lobão.
Pornopropinas multinacionais I
Pornopropinas multinacionais II
Friday night the biggest porn studio in Sao Paulo was raided by police for the second time in less than 2 weeks.
Owned by an American and fronted by a Brazilian, the studio has been in existence for several years, to my knowledge they comply with all local laws, they have all of the permits and legal requirements to be in business and I know that they have been paying a monthly fee to the local police, so what happened?
The first raid was apparently nothing, money changed hands and business continued but Friday was different. A friend who was on his way to the studio around 11 pm said that there were between 4 and 6 police cars outside and around 20 policemen with guns drawn inside, the huge electric doors were wide open and he could see actors and crew members lined up against the wall with their hands on their heads.
This is not how things usually happen here.
Recently many of the night clubs/whore houses (all operating legally) have been shut down, nobody seems to know why or even if there is a connection to what happened here, I and everyone else is totally mystified, when I find out more I will let you know.
Grandes poemas avacalhados
SERIA RENAN UM NOVO CATÃO, O CENSOR, SEGUNDO O JB?
Quase três horas da tarde e nada. Nem mesmo a faxineira do JB me ligou a respeito do PLÁGIO ESCANDALOSO de um texto meu que o jornal publicou ontem na coluna de Fausto Wolff (acompanhe abaixo). Fico curioso: como terá sido a cobertura do caso Renan Calheiros pelo diário carioca? Ao final da votação, terá publicado um editorial saudando os senadores e seu comportamento ético?
ÉTICA PARA JORNALISTAS
Quase uma hora da tarde e ninguém, absolutamente ninguém do Jornal do Brasil me mandou um e-mail sobre o PLÁGIO ESCANDALOSO de que fui vítima nas páginas do diário, através da mão esquerda de Fausto Wolff. Isso, apesar de ter enviado inúmeras mensagens, a inúmeros funcionários da casa desde o início da noite de ontem. Os expertos, por favor, me respondam: que será que eles ensinam nas escolas de jornalismo do Rio?
Grandes títulos avacalhados
A atuação da tropa do Ibope é questionada quando seus homens invadem uma redação para estourar a boca-de-fama de um traficante de direitos autorais do Rio de Janeiro.
TEXTO PIRATA NO JORNAL DO BRASIL
Alertado pelo leitor Carlos Alberto Saraiva, fiz algo impensável neste domingo: comprei um jornal. Pior, um jornal carioca. Pior ainda: o JB. Sim, senhores, a autoflagelação não deixa de ser um hábito louvável. Mas não era essa a minha intenção ao adquirir o referido diário.
Acontece que Carlos me informou ser o texto de Fausto Wolff publicado em sua coluna no “Caderno B” do referido diário neste fatídico 30 de setembro de 2007, um plágio de certo texto meu.
Qual não foi minha surpresa, portanto, ao ler a folha e constatar que também os escritores nacionais estão seguindo os novos padrões éticos de nossa querida nação, fazendo uso de caixa baixa dois ou, em bom delubês, diálogos de campanha não contabilizados?
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Também vocês, se não tiverem muito o que fazer, peço que ajudem o vosso criado enviando e-mails para o Jornal do Brasil, acusando a pequena, leve desatenção do colunista...
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(Siga lendo, aqui)
Grandes títulos avacalhados
Dos ridículos de ser brasileiro
Só mesmo Lula pra chamar esta escumalha de elite.
PLÁGIO! PLÁGIO! PLÁGIO!
Em sua coluna deste domingo no Jornal do Brasil, o escritor Fausto Wolff simplesmente usou uma crônica minha, com quase todos os pontos e as vírgulas, sem me dar o crédito. Fez isso como se o texto fosse dele e não estivesse cometendo delito algum ao utilizar a produção intelectual de outrem.
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Comparem vocês mesmos. Aqui, o texto do JB, saído ontem, 30 de setembro. Aqui, o meu, publicado no dia 16 de abril deste ano (cinco meses e meio atrás, portanto) e devidamente registrado na Biblioteca Nacional.
Só descobri a fraude graças ao Carlos Alberto Saraiva, que fez a gentileza de me avisar. Peço encarecidamente aos leitores do SDT que divulguem o ocorrido o mais que possam, denunciem o caso, escrevam ao jornal, gritem pela janela. Mais informações, aqui.
30 de setembro de 2007
Aprende, Jô, sua mula!
Ei, ei, ei, David Letterman é rei!
Com mil demônios! Terá Fausto Wolff vendido a alma a Marconi Leal?
http://marconileal.blogspot.com/2007/04/assalto.html
Eis o que está na coluna de Fausto Wolff de hoje, 30 de setembro deste ano:
http://jbonline.terra.com.br/editorias/cultura/papel/2007/09/30/cultura20070930004.html
Terá sido erro de paginação?
Vamos às transcrições.
Marconi Leal, "Assalto":
- Alô? Quem tá falando?
- É o ladrão.
- Desculpe, não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?
- Não, os funcionário tá tudo como refém.
- Eu entendo. Trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil. Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?
- Impossível. Eles tá amordaçado.
- Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?
- Claro que, não, meu amigo. Quanta inguinorância! O chefe tá na cadeia, que é um lugar mais seguro pra se comandar um assalto.
- Bom... Sabe o que que é? Eu tenho uma conta...
- Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero.
- Não, isso eu já sabia. Eu sou professor. O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.
- Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um seqüestro. Pra saber de juro é melhor tu ligar pra Brasília.
- Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia... Mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.
- Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!
- Longe de mim. Que é um assalto, eu sei perfeitamente. Mas queria saber o número preciso. Seis por cento, sete por cento?
- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
- Ah, já tava esperando. Vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
- Não... Eu... Peraí, bacana, que hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho. (um minuto depois) Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
- Puxa, que incrível!
- Tu achava que era menos?
- Não, achava que era isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço, pelo telefone, em menos de meia hora e sem ouvir Für Elise.
- Quer saber? Fui com a tua cara. Dei umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
- Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?
- Nadinha. Tá acertado.
- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa...- Ih, sujou! (tiros, gritos) A polícia!
- Polícia? Que polícia? Alô? Alô?
- (sinal de ocupado)
- Alô?... Droga! Maldito Estado. Sempre intervindo nas relações entre homens de bem!
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Fausto Wolff, "Papo de velho, ladrão e intermediário":
O sujeito já passava da meia-idade. Era um velho boa-pinta que descobrira isso há pouco tempo e tentava agir de conseqüência, mas algumas coisas traíam o tempo que carregava nas costas. Não que isso tivesse importância para ele nem que pudesse surpreendê-lo em atitude geriátrica. Esquecer de puxar o zíper das calças, por exemplo. Julgar que o último pingo havia desaparecido na privada, mas não... esperara pacientemente pra decolar nas calças e ainda convidara alguns primos e amigos.
De qualquer modo, não era um cara ranzinza. Quando queria uma informação, aproximava-se da pessoa e perguntava em voz clara, pois era meio surdo, e a pessoa: "Não precisa berrar que eu não sou surdo". Assim ia levando sua vidinha, sempre de short e camisa sem gola, pois trabalhava em casa e, pensava ele, sempre podia pedir a grana que lhe deviam pelos dez anos que passara no exterior, voltando com quase 40 para trabalhar na grande imprensa à época, O Pasquim.
Sua mulher lhe dissera que precisava fazer alguma coisa e ele respondia que faria esta coisa quando ficasse velho, embora soubesse que já estava velho. Era jornalista e escrevia uma crônica diária para seu jornal. Usava o computador como se ela fosse a Olivetti que o acompanhou por quase 50 anos. Não ousava mexer em qualquer tecla com a qual não tivesse muita intimidade, com medo de que o mundo explodisse ou o computador derretesse na sua cara.
Uma vez por semana seu neto de oito anos passava por lá e dava uma geral no dinossauro, como o chamava. Com exceção dos políticos, dos banqueiros, dos latifundiários, dos publicitários das novelas de TV, dos pastores eletrônicos, gostava de quase tudo, menos dos robôs que falam ao telefone.
Outro dia, esquecera-se do tempo conversando com o AP dos Santos e agora temia que não conseguiria mais falar com a bela coroa, secretária do banco.
- Quem fala? - perguntou.
Uma voz de homem respondeu:
- É o ladrão.
- Desculpe, mas eu não queria falar com o dono do banco.
- Dona Wilza, a gerenta, está aí?
- Deve estar com os outros reféns.
- Entendo - disse o velho. Ganham o mínimo para fazer o máximo. (Pausa) Será que não poderia dar uma palavrinha com um deles?
- Não vai dar. Estão todos amordaçados.
- Entendi. Gestão moderna. Fizeram alguma crítica e calaram a boca deles. Não tem nenhum chefe por aí?
- Claro que não! Quanta ignorância. O chefe está na sua cela, no presídio, que é o melhor lugar para se chefiar um assalto.
- O negócio é o seguinte, eu tenho uma conta aí...
- Não tem mais. Sinto muito, mas estamos levando tudo. O saldo da tua conta agora é zero.
- Não tinha muito mais do que isso. A informação que quero é sobre juros.
- Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno, assalto a banco, vez ou outra um seqüestro. Para saber de juro é melhor tu ligar pra Brasília.
- Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que estão cobrando por um voto hoje em dia... Mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa. Meu nome é Fausto Wolff... é.... com dois efes.
- Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!
- Longe de mim. Que é um assalto, eu sei perfeitamente. Mas queria saber o número preciso. Seis por cento, sete por cento?
- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
- Ah, já estava esperando. Vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
- Não... Eu... Peraí, bacana, que hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho. (Um minuto depois) Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
- Puxa, que incrível!
- Tu achava que era menos?
- Não, achava que era isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço, pelo telefone, em menos de meia hora e sem ouvir Pour Elise.
- Quer saber? Fui com a tua cara. Dei umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
- Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?
- Não vai ter de comprar picles. Tá acertado.
- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa...
- Ih, sujou! (tiros, gritos) A polícia!
- Polícia? Que polícia? Alô? Alô? (sinal de ocupado).
- Alô?... Droga! Maldito Estado. Sempre se intrometendo nas relações entre homens de bem!
Um minuto de Marcel Marceau em Myanmar
Sabedorias do darwinismo platônico
- Por que ainda se noticiam os problemas de um ex-Polegar?
- Pode ser um aviso de que, no Brasil, o fim do polegar opositor está próximo.
MARCEL MARCEU PORNÔ
Direito de tréplica
FALTOU HOMBRIDADE EM CAMPO
O MEL DO BANCO DO NORDESTE
FURO INTERNACIONAL DO SOPA DE TAMANCO: O DIA EM QUE O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE AMERICANO TOCOU GUITARRA NUMA MADRUGADA DO RIO DE JANEIRO



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Uma cena inimaginável na noite do Rio de Janeiro: o repórter que derrubou o presidente dos Estados Unidos empunha uma guitarra de madrugada na Urca para tocar rock-and-roll.
Aconteceu agora há pouco, diante de uma reduzidíssima platéia. Quando o concerto improvisado do repórter mais famoso do mundo acabou, há quarenta minutos, o público era formado por exatamente seis espectadores, sentados diante da fera. O abaixo-assinado, enviado especial do Sopa de Tamanco, testemunhou a cena. É ouro puro!
Aos que nasceram ontem :Carl Bernstein é o repórter que, em dupla com Bob Woodward, entrou para a história ao cobrir o Escândalo de Watergate, entre 1972 e 1974. Do fim da história todos se lembram: as reportagens da dupla provaram que o governo Nixon estava envolvido na espionagem de adversários. Depois de negar até o fim o envolvimento do governo no chamado Escândalo de Watergate ( o arrombamento de um escritório do Partido Democrata no Edifício Watergate), o presidente Nixon foi obrigado a renunciar. Nunca na história americana um presidente tinha renunciado.
Ao final de uma recepção oferecida a ele por Ana Maria Tornaghi num casarão na Urca, Carl Bernstein - de passagem pelo Rio depois de fazer uma conferência em São Paulo na Câmara Americana de Comércio - surpreendeu a todos: pegou uma guitarra, cantou e tocou pérolas como "Sweet Little Sixteen", "Love is Strange" ( música gravada por Paul McCartney no começo dos anos setenta), a bela "Goodnight, Irene" ( folclore americano, regravada "n" vezes por feras como Little Richard) ,Bye,Bye Love" ( aquela que diz "Bye bye, happiness /Hello, loneliness /I think I´m gonna cry") e "Blue Sued Shoes".
Bernstein já foi crítico de rock. Tinha vinte anos em 1964. Ou seja: é um legítimo representante da geração que dançou ao som de Elvis Presley. A bem da verdade,diga-se que, como cantor, Bernstein é um excelente repórter. Como instrumentista, dá para o gasto. Se tivesse tentado a carreira nos palcos, estaria hoje tocando num boate do Alabama.
A família é chegada a música: um dos dois filhos de Bernstein é músico numa banda "punk-rock" chamada The Actual.
Quando acabou de tocar, o super-repórter disse ao abaixo-assinado: "Hey, você tem uma matéria!".
Eu já estava ligeiramente constrangido: em São Paulo, tinha seguido os passos de Bernstein durante a conferência na Câmara Americana de Comércio. Acompanhei a entrevista coletiva. Gravei uma longa exclusiva. Tirei fotos. Pedi autógrafo num livro ( não é coisa que entrevistador faça normalmente com entrevistado. Mas, desculpe, Bernstein é meu ídolo profissional há séculos). Aqui no Rio, o assédio se repetia. Não seria hora de parar a "caçada" ? Minha porção chacal me soprou : não!
Um músico que tinha sido convidado para animar a noite no casarão na Urca terminou fazendo dupla com Bernstein. Chama-se Lê Andrade, paulista, 34 anos, há nove radicado no Rio. Quando o improviso dos dois acabou, Andrade estava nas nuvens: "Fazer dupla com ele ! Eu nunca pensei". Assim o músico resumiu a performance de Bernstein: "Que pessoa simples! Que pessoa feliz!".
O locutor-que-vos-fala entrevistou longamente Bernstein em São Paulo (a entrevista irá ao ar nas próximas semanas num programa especial na Globonews. Avisaremos aqui). Ao fim da entrevista, satisfeito com o jogo de perguntas-e-respostas, o generoso Bernstein me fez, diante da câmera, o maior elogio que ouvi na minha vida profissional. Pensei comigo : ok, stranger, agora já posso ir morar num rancho em Santa Maria da Boa Vista.
Em seguida, me pediu meus contatos: telefone, e-mail, celular. Perguntou se eu estaria no Rio nos próximos dias. Eu disse que sim. Pensei que o gesto de Bernstein fosse apenas uma daquelas cortesias que caem no esquecimento cinco minutos depois.
Sorte minha: não foi.
Neste sábado, quando abro o computador, o que é que pisca na tela ? Um e-mail de Carl Bernstein me convidando para um jantar. Dei uma saída. Quando chego em casa, nova surpresa: um recado na secretária eletrônica. Bernstein em pessoa. Por fim, quando pego o celular,outro recado do homem. Dois recados nos telefones, dois e-mails ( ele mandaria outro). O convite já não era um convite: era uma convocação.
Fui. Ganhei outro autógrafo, em que ele chama nossa entrevista de "terrific". Brincalhão, faz uma ressalva : diz que tinha adorado a gravação da entrevista, mas quer ver como é que ela seria editada. Tranquilizo-o: pretendo usar na íntegra, sem cortes, porque em TVs a cabo, como a Globonews, os entrevistados podem falar. Ficou de me passar um endereço, porque queria receber uma cópia da fita, em casa, em Nova York. Prometo, claro, despachar uma cópia em DVD. Juro por Nossa Senhora do Perpétuo Espanto que mandarei.
Próximo assunto: falamos sobre a possível publicação no Brasil da última empreitada jornalística de Bernstein: a biografia de Hilary Clinton. Bernstein gostaria de ver lançado no Brasil o livro que acabou de lançar com fanfarras nos Estados Unidos.
Comento com a fera: uma boa data para o possível lançamento seria em meados do ano que vem, quando a campanha eleitoral americana começar a pegar fogo. O mundo inteiro acompanhará o duelo eleitoral pela sucessão de Bush. Bernstein concorda: junho é uma boa data. Lá pelas tantas, repito que ele nem de longe as "cifras" do mercado editorial brasileiro podem ser comparadas com as do mercado editorial americano. Bernstein concorda. Informa que a biografia como a de Hilary Clinton já sai com uma primeira fornada de 250 mil exemplares. Fiquei de fazer contatos (informais) com uma editora. Não sou agente literário, mas, neste caso, vale a exceção...
O espírito de repórter de Bernstein se manifesta a toda hora : em meio à recepção, ele sai perguntando aos convidados quem é que gosta e quem é que não gosta da Catedral Metropolitana do Rio. Tinha visitado a Catedral. Pelo visto, gostou. Mas ficou impressionado com a quantidade de gente que fala mal do prédio. "Você gosta da Catedral? Você gosta da Catedral", é o que repete. Depois, a cada vez que é apresentado a alguém, repete em voz alta o nome do convidado.
A uma jornalista em início de carreira, Clara Passi, que aproveitou a chance para perguntar qual seria o primeiro conselho que ele daria a um iniciante, Bernstein respondeu: "O repórter precisa saber ouvir!". Depois, aconselhou a ela que visse a entrevista que será mostrada na TV, porque ali ele dá "a explicação completa para esta pergunta".
A mulher de Berstein, uma loura altíssima, que dançou enquanto o marido tirava acordes da guitarra, disse que ele tem mania de fazer perguntas.
Pudera.
"Quando volto do supermercado, ele fica me perguntando o que é que comprei e onde fica a loja", ela diz. Informa que Hilary Clinton não aceitou dar uma entrevista para o livro que o marido estava preparando. "Carl trabalha há oito anos neste projeto. De início, Hilary disse que iria dar uma entrevista. Mas, depois que ela resolveu que iria tentar a candidatura á presidência, desistiu de falar".
Mr Bernstein não ficou a ver navios. A principal personagem do livro desistira da entrevista, mas ele levou adiante o projeto.
Passaram pelo casarão da Urca, "entre outros", o língua ferina Diogo Mainardi (uma boa chance para matar saudades de Paulo Francis), Chico Caruso, Argemiro Ferreira, o editor Geraldo Jordão e Gilberto Braga, no primeiro compromisso pós "Paraíso Tropical" ( um dia o Sopa de Tamanco terminaria publicando uma nota com jeito de coluna social....).
Aqui, imagens (precárias, aquilo não era hora de incomodar o homem de novo) de Carl Bernstein cantando "Good Night, Irene":
Informou em edição extraordinária o Plantão do Sopa de Tamanco, o primeiro com as últimas.
E você? O que é que acha da Catedral ?
ADVOGADO DO DIABO (OU TIRANDO O DOMINGO PARA ESPICAÇAR GENETONS E GARSCHAGENS)
Se letra de música não fosse poema, dever-se-ia jogar fora toda a tradição lírica da Grécia Antiga.
GRANDES VERSOS AVACHALHADOS
'AMO TANTO E DE MIANMAR, ACHO QUE ELA É POLÍCIA'
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DIÁLOGOS DE CASAL
— O planeta tá todo de cabeça pra baixo. É furacão, ciclone, tsunami, calor fora de hora, jornais sem erros de português... Tudo errado. Como é que a gente vai colocar um menino no mundo assim?
— Antes de mais nada, Geraldo, não sei se você está inteirado sobre os recentes avanços da ciência, mas pra ter filho é preciso fazer sexo. Coisa que não anda muito freqüente aqui em casa desde que você se pôs a meditar sobre o futuro da humanidade. O que é um contra-senso, porque se todo mundo se pusesse a meditar sobre o futuro da humanidade como você, a humanidade simplesmente não teria futuro. Quando menos, por absoluta falta de esperma.
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(Texto completo, aqui)
PERDENDO A VIRGINDADE
Quando soltei o último suspiro, minha parceira, romântica, me disse mais uma frase amorosa:
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— Trinta paus.
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Passei o dinheiro a ela, que o recebeu carinhosamente, cuspindo de lado e coçando um furúnculo que tinha na virilha, e desci as escadas para o térreo. Orgulhoso.
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Tinha finalmente enfrentado o rito de passagem para a idade adulta, estava apto a encarar novos desafios e a aceitar novas responsabilidades. A principal das quais seria coçar minhas partes pudendas desesperadamente, a ponto de arrancar cada fio de pentelho e esticar o saco até o pescoço, pois fiquei com uma comichão nas partes baixas que durou semanas e só passou quando me aplicaram inúmeras e traumáticas injeções de Benzetacil.
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(Texto completo, aqui)
SUTRAS DO CONDÔMINO IOGUE
— Mestre, como faço para evitar ser arrastado ao fundo do poço?
— Confira se o elevador está no andar, meu filho.
TONI MARQUES, O ZELOSO
(Direito de resposta concedido ao Sr. Marconi Leal pelo Exmo. Sr. Juiz da Primeira Vara de Pau Grande, o Sr. Dr. Pinto Longuino, de acordo com a Lei 25cm/2007)
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Diz o vulgo, apreciador de termos chulos, que a inveja é uma merda. Quanto a mim, não gosto de turpilóquios. O máximo que me permito em termos de pornofonia é falar César Maia três vezes e, ainda assim, em voz baixa, quando estou sozinho. Em suma, acho palavrão coisa de veado ou filho da puta escroto.
No entanto, não poderia me furtar de vir a público neste momento para dizer que a inveja é muito pior do que merda, senhores. Afinal, como todos sabem e o Gerald Thomas está aí para provar, merda não sabe escrever. Porém, movida por perfídias, infâmias, mentiras e diversos outros pleonasmos que uma consulta a um dicionário de sinônimos e termos afins poderia ajudar a listar aqui, a inveja é capaz de publicar vergonhosas inverdades, belazes blasfêmias e outras aliterações de igual poder destrutivo e semelhante gosto duvidoso.
Não me refiro a outra coisa senão ao post insidioso que o sr. Toni Marques escreveu ontem, no claro e proditor intuito de alvejar minha honra.
Ora, antes de mais nada, quero deixar bem claro que, conhecendo o preconceito dos cariocas contra paraíbas, mormente os baianos vindos de São Paulo e nascidos no Recife, e sabendo que visitaria o Leblon na noite da terça-feira última, me travesti de Carmem Miranda sim, mas com a evidente intenção de usar dos costumes locais, na vã tentativa de passar por um nativo. Já dizia o filósofo setecentista Vincent Matheus: “Em Roma, como os romenos”.
O que o sr. Toni Marques não diz, no entanto, é do ciúme doentio que nutre por Geneton Moraes Neto e da vida nababesca, de orgias e despudores, que leva na antiga capital da República.
Para começo de conversa, assim que entrei na Vênus Platinada ao lado do Mito, o sr. Toni Marques, doravante cognominado “o Zeloso”, parou imediatamente de dar tapinhas nas bundas das estagiárias (eis que o impudico, com a vida mansa que os anos de especulação da era Collor e um caso passageiro com Zélia Cardoso de Mello lhe proporcionaram, não precisando trabalhar, diverte-se o dia inteiro a assediar as aspirantes a jornalistas globais) e me lançou olhares rancorosos. Ficou tão tenso ao me ver em companhia de Geneton Moraes Neto que, ao ser apresentado a mim, cometeu um ato falho. Em vez do nome, disse:
— Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia. Prazer.
A devoção do sr. Toni Marques ao Mito é tal que chegou ao cúmulo de doar os próprios cabelos a ele. Sim, senhores, creiam-me: a barba de Geneton Moraes Neto nada mais é do que um implante dos pêlos da cabeça do Zeloso.
Isso, quanto ao ciúme. No que tange à vida nababesca de outstanding representante de nossa elite irresponsável, basta dizer que o sr. Toni Marques, em cujo coche particular fomos ao já alhures citado Alvaro’s, mantém a sua disposição vassalos de libré e perucas importadas de Versalhes — segundo consta, o preço das mesmas são de fazer um rei perder a cabeça. Ele próprio cultiva um bigodinho à Luís XIV e usa anéis de ouro em tal profusão que fariam a alíquota do quinto parecer a da CPMF.
Na famosa noite em que fomos ao Alvaro’s, vestido de seda marroquina dos pés à cabeça e acendendo cigarros búlgaros em notas de euro, enquanto chupitava seu absinto com um torrão de açúcar derretido por uma pedra de gelo sobre uma colher perfurada, fazia de um dos escravos supedâneo e distribuía, entre um gole e outro, jatos de urina pelos pés dos garçons.
Dono de uma erudição maior que a de Paulo Francis ou, se quiserem, de um Paulo Francis que checasse as citações antes de publicá-las, o sr. Toni Marques passou a noite inteira declamando Baudelaire, Blake, Pushkin e Lorca, de memória e no original, estendendo o copo para o alto, com o olhar perdido no infinito, voz de barítono e coçando o saco com a mão livre, posto que seu hedonismo o fez contrair chatos de tal envergadura como só se vira antes na Idade da Pedra.
Minto mais, digo, muito mais ainda poderia declarar sobre a nefasta figura do sr. Toni Marques. Mas me calo por respeito. Por isso e também porque ele me deu uma grana, além de informações privilegiadas sobre a Bolsa.
Caso duvidem da minha versão, perguntem ao Mito. E ele próprio, imácula temunha ocular da história que é, poderá confirmá-la.








