19 de outubro de 2007
DAS BELEZAS DO MERCADO
Como seriam o Dilma Boy e a Serra Girl?
Obama Girl vs. Giuliani Girl
Posted Jul 16, 2007Obama Girl and her crew do battle with the girls from the GOP.
A POLÍCIA INGLESA PASSA BALA NO BRASILEIRO E DEPOIS VAI SOLUÇAR NO TRIBUNAL...
(Aqui, o texto completo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071019_ivanlessa_tp.shtml)
Em nome do bispo
Sejamos todos pop
Pensamento do dia
O Ministério da Educação recomenda
Os novos-ricos de Lula
O sexo das cabras
O recado do Maracanã
18 de outubro de 2007
O DEPUTADO DIZ "SEJE". A DEPUTADA DIZ QUE QUEM LÊ DISCURSO NÃO PRESTA. NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO ESPANTO, ROGAI POR NÓS!
Um arquiteto dizendo "seje" !!! Nome: Luiz Paulo.
Um profissional diplomado não pode pronunciar uma palavra que não existe na língua portuguesa. Não pode.
Zapeio. Uma deputada (nome: Renata do Posto) fala para um grupo de estudantes, numa TV a cabo, em programa gravado no plenário da Assembléia. Um estudante pergunta como é possível saber se um deputado é bom ou não. A deputada diz que basta observar um deputado discursando. Se ele estiver lendo o discurso, não presta. Se estiver falando sem consultar nenhum papel, é bom.
Parece mentira, mas é este o raciocínio da ilustríssima parlamentar: quem lê discurso não presta!!!
Ulisses Guimarães deu trinta e cinco voltas no túmulo.
Nossa Senhora do Perpétuo Espanto, rogai por nós.
Onde é que essa comédia de erros vai parar ?
O FUTURO É GRATUITO
Mônica Quem?
Bem feito pro jornalista burro e pra produção do programa, que insiste em tentar obter opiniões e informações destas sub-celebridades.
Aliás, se você tem acompanhado remota o noticiário, nem que seja pelo YouTube, como eu, repare na arrogância da moça. Resquícios do tempo de jornalista, por certo.
Mônica Veloso, Franklin Martins, Tereza Cruvinel. Por acaso a Globo recruta seus jornalistas pelo Catho?
prabéns pro mundo
Tio Galvão
Sim, porque eu me emocionei (não há uma contradição aqui?) com o coro de vozes que convidava o tio velho a tomar naquele lugar onde não bate sol.
Tios velhos - Elis Regina
Philips, de novo
Agora dá licença que eu vou ali vomitar. Até porque, ao contrário dos piauienses, eu almocei hoje.
Dos destinos turísticos
(Até porque fica no Maranhão, né?)
A DIFÍCIL ARTE DE AGRADAR AS DEUSAS
— Tá me chamando de vaca, feioso? — quis saber Afrodite.
— Não. O que digo é que uma vaca...
— De novo? Então você acha que minhas tetas são muito grandes? Ou é meu comportamento sexual que você crê devasso?
(Texto completo, aqui)
17 de outubro de 2007
POR QUE OS JORNAIS ESTÃO CAVANDO PACIENTEMENTE A PRÓPRIA SEPULTURA....
Se, amanhã pela manhã, os jornais trouxerem como destaque principal do título de esportes da primeira página a "informação" de que o Brasil ganhou de 5 a 0 do Equador, estará explicado - de novo! - por que a imprensa resolveu, "por livre e espontânea vontade", cavar a própria sepultura.
Faça-se o teste. É só passar o olhos nas primeiras páginas que daqui a algumas horas estarão colorindo as bancas.
Uma pergunta ficará flutuando no ar: Deus do céu, por que será que a esmagadora maioria dos jornais trata o leitor como se ele fosse um extra-terrestre surdo,mudo e cego -que acabou de desembarcar de um planeta remoto?
Não ocorre a nenhum editor a idéia de que noventa e oito vírgula cento dos leitores já obtiveram a primeira informação sobre o resultado do jogo pela TV, pelo rádio, pela miríade de sites ? Por que repetir nos títulos uma informação que, inevitavelmente, já é velha quando chega às bancas ?
Não seria tão fácil, tão simples, tão óbvio tentar olhar para a frente ? Com certeza, uma informação que não repetisse simplesmente o que todo mundo já sabe serviria para chamar a atenção do leitor, ao invés de despertar o habitual bocejo. Afinal, não é para "chamar a atenção" do leitor que os jornais existem ? Algo do tipo :"Depois da goleada no Maracanã, Dunga quer outros jogos no Rio"; "Seleção já promete repetir em São Paulo a goleada de ontem" ; "Ronaldinho, barrado por Dunga, pede vaga para jogo em São Paulo" ;"Seleção goleia mas Argentina lidera eliminatórias"; "Comportamento nota 10 do torcedor credencia o Maracanã como palco da Copa" etc.etc.etc. Qualquer estagiário faria uma lista de possíveis novas informações que poderiam merecer um título capaz de estimular minimamente a curiosidade do Senhor Leitor. Eis um bom exercício para as salas de aula dos cursos de Jornalismo.
Mas não: há noventa e nove vírgula nove por cento de chances de os jornais desta quinta anunciarem nos títulos de primeira página,como se fosse a novidade do século, a vitória do Brasil sobre o Equador.
Depois perguntam por que é que a imprensa de papel perde leitores.....
O caso me lembra o que vi uma vez em Londres,onde se fazem jornais de primeira qualidade:
um instituto tinha divulgado uma pesquisa de opinião que indicava a possível derrota dos conservadores nas eleições de 1997. A TV noticiara exaustivamente os números nos telejornais noturnos.
Se fosse no Brasil, os jornais dariam, no dia seguinte, na primeira página, um título como "Ibope dá vantagem ao PT". Ou algo assim. Ou seja :os jornais repetiriam algo que o leitor interessado em política com certeza já sabia.
O que fez o jornalaço Daily Telegraph ? Deu a informação da maneira mais criativa possível. Publicou na primeira página uma bela ( e enorme) foto do então primeiro-ministro John Major sozinho, na porta do número dez da Downing Street, a residência oficial do chefe do governo. O pesquisa indicava que o partido de Major estava cotadíssimo para perder a eleição, o que, afinal, viria a acontecer semanas depois.
A manchete do jornal: "Este homem pensa que vai vencer a eleição".
Não é por acaso que a imprensa inglesa de qualidade é o que é.
Também não é por acaso que nossa imprensa é o que Paulo Francis passou os últimos anos de vida dizendo: "Previsível, empolada, chata. Meu Deus, como é chata".
Não teria chegado a hora de uma autocrítica violenta, uma virada de mesa, uma aposta na criatividade ? Por que os jornais continuam com a cabeça enterrada na areia, sem olhar para a paisagem em volta ?
Ainda há tempo para tentar sacudir a poeira - nem que seja em sinal de respeito à paciência dos leitores....
Help!
Grandes evangelhos avacalhados
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'Opus Dei inaugura Escritório de Comunicação em São Paulo
'A Prelazia conta, a partir de agora, com um canal direto e permanente com os jornalistas de todo o Brasil.
'Com o objetivo de informar a imprensa sobre a missão e as atividades da Prelazia, o Opus Dei inaugurou, em São Paulo, seu Escritório de Comunicação no Brasil.'
CURIOSIDADE MÉDICA
Pitoresco.
CONSELHO BASEADO NA SIMPLES OBSERVAÇÃO DA PAISAGEM HUMANA
a) chama TV de "telinha"
b) desenha um sinal de aspas no ar com dois dedos de cada mão
c) acrescentou uma letra ao nome por sugestão de um numerólogo
d) chama o marido de "maridão", o filho de "filhão" ou, se for o caso, a mulher de "amorzão"
e) usa rabo-de-cavalo
f) alguma vez na vida já usou ou pensou em usar bandana
g) desfila de camiseta na rua para mostrar aos outros os músculos marombados
i) toma cafezinho com o dedo mindinho estirado
É pule de dez: o cheque é sem fundos.
CADÊ O CEGUINHO FOTÓGRAFO ?
(Dica para a Interpol: chama-se Evgen Bavcar. Vive em Paris. Já passou pelo Brasil)
Lastimavelmente, a Interpol não se manifestou até agora.
Resultado: o ceguinho fotógrafo continua pontificando sobre enquadramento.
O post original:
11 de Junho de 2007
OS POLITICAMENTE CORRETOS E NOSSA GRANDE COMÉDIA DE ERROS
Desde que a praga politicamente correta tomou de assalto as mentes simplistas, pega mal dizer que o feio é feio, a gorda é gorda, o negão é negão, o gay é gay, o branquelo é branquelo, o burro é burro, o bêbado é bêbado, o idiota é idiota.
Qual é o problema?"Pega mal" dizer que um cego não pode ser fotógrafo. Mas peço licença à patrulha para dizer: não pode! Vi outro dia um fotógrafo cego pontificando na TV sobre enquadramento. Falava francês, claro ( não há língua que se preste tanto a imposturas intelectuais).Cego falando de fotografia é algo tão grave e despropositado quanto este locutor participando de desfile de moda.
Fiz aos meus botões a pergunta que todos fazem na surdina : por que é que o fotógrafo ceguinho não arranja outra profissão? Por que não aprende música? Por quê? Por que precisa aparecer na televisão falando de enquadramento fotográfico? Por quê? Por quê?Os meus botões se quedaram silentes.
Diante da mudez de meus botões, desisto de lançar perguntas ao vento sobre o fotógrafo ceguinho e a miríade de personagens absurdos que compõem,com ele, o elenco desta nossa grande comédia de erros. Quem sabe, o melhor é deixar que o circo planetário siga adiante, sem ser importunado.Como diria Drummond no mais belo poema já escrito em território brasileiro, "A Máquina do Mundo":....."e a máquina do mundo, repelida,/se foi miudamente recompondo/ enquanto eu, avaliando o que perdera,/ seguia vagaroso/ de mãos pensas"
Boletim dos sarcófagos
Os porões imitam a sétima arte
Vigiar e punir, mas sem calcinha
DOS LIMITES IMPOSTOS PELAS MULHERES
— Eu aceito tudo num homem, Robertantônio, tudo! Traição, amantes, mentiras, falsidades de toda ordem. Pelada aos domingos, até, eu aceito. Idas à manicure. Ejaculação precoce. Agora, cortar o queijo com a serra do pão, não, hein! Aí já é demais pra mim! Isso é caso pra divórcio!
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(Texto completo, aqui)
16 de outubro de 2007
CRISE SEM PRECEDENTES NA PUBLICIDADE BRASILÍNDIA!
Como diria Jaqueline Kennedy recolhendo os miolos do marido naquele carro em Dallas, "oh, no!".
A CATINGA DA RESTINGA
A palavra mais feia do Brasil é restinga. A segunda é catinga. Por esta razão, jamais moverei uma palha pela salvação da Restinga de Marambaia - que, aliás, não precisa dos préstimos deste bípede. Tudo certo, então.
TV Tamanco e o túnel russo
Russian Tunnel of Death
Posted May 03, 2006This is what happens when the temperature reaches minus 38 degrees in a Russian tunnel.
LENHA NA FOGUEIRA DO DEBATE SOBRE "TROPA DE ELITE": "BANDIDO É BANDIDO, NÃO UMA VÍTIMA DO CAPITALISMO SELVAGEM"
"Nas entrelinhas das cenas de violência (que no fundo chocam apenas nossos intelequituais), a mensagem que passa é bem maior: desponta novamente no horizonte a idéia de que bandido é bandido, não uma vítima do capitalismo selvagem – e que as vítimas, na verdade, somos nós, os homens de bem. Isto não é ideologia: isto são fatos.
Iabadabadabaduuu! O mocinho está de volta à cena. Até que enfim!"
(aqui: http://antoniofernandoborges.com/)
"NASCI ME ACHANDO SUPERIOR AO OBSTRETA"
"Eu sempre penso que sou superior aos outros, e isso desde criança; nasci me achando superior ao obstetra, que vi pela cara que devia ser leitor de biografias de governadores ou algo assim, e quando ele me estapeou a bunda meu monoculinho caiu de humilhação e espanto"
(aqui: http://soaressilva.wunderblogs.com/)
15 de outubro de 2007
O PAU COME NO ARRAIAL LÍTERO-JORNALÍSTICO BRITÂNICO....
"Escritores, críticos e acadêmicos em geral, ficam quietos em seus cantos, mas quando partem para a grossura, saiam da frente":
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071015_ivanlessa_tp.shtml
Faltou alguém na multidão
14 de outubro de 2007
A RAIZ NOBRE DO SOBRENOME MORAES NETO

GENETON MORAES NETO X CARL BERNSTEIN: A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
O sr. Toni Marques, apesar de notório fautor de inverdades e perpetuador de aleivosias, talvez numa crise moral semelhante à que acometeu Santo Agostinho, mas motivada por um maior número de doenças venéreas, conseguiu dois posts abaixo retratar com fidelidade o ocorrido no já afamado encontro entre GMN (Greenwich Meridian Neto) e Carl Bernstein.
Porém, como é de seu costume, faltou-lhe coragem suficiente para ir adiante e relatar o final da noite. Quanto a mim, brioso como poucas vezes se viu no Ocidente desde a morte de Alexandre, o Grande — que, como todos sabem, foi assassinado no século XXI de nossa era por Oliver Stone —, poderia seguir em frente e revelar detalhes capazes de rebaixar o Marquês de Sade a simples barão.
Se não o faço, isso se deve única e exclusivamente a, profundo leitor de Proust, ter-me aconchegado nos seios de Madeleine, uma das cortesãs francesas presentes ao encontro, de maneira a desfrutar pela primeira vez na vida de iguaria orçada na casa dos cinco mil dólares.
Quando dei por mim, ou melhor, quando Madeleine deu por mim, já eram dez horas da manhã e flanávamos pelo Viaduto do Chá, sob a aprazível garoa paulistana, com um uísque 48 anos semibebido nas mãos e algumas ostras, lagostas e porções de caviar que conseguimos trazer num farnel, ocultando-o dos agentes da CIA, do Mossad e demais oficiais que faziam a segurança do local à paisana.
De maneira que, infelizmente, só me resta a pergunta: será que Geneton Moraes Neto, popularmente conhecido como Mito, já nesta primeira parte da entrevista, que vai ao ar hoje, às onze da noite, na Globonews, com reprise na segunda-feira às onze e meia da manhã e cinco e meia da tarde, terá a honradez de revelar tudo o que se passou entre ele e Carl (para os íntimos) naquele memorável dia?
A conferir, leitores. Eu e Madeleine já forramos a mesa com os acepipes adquiridos na brilhante festa, esperando ansiosos pelo programa.
13 de outubro de 2007
Sobre Mito e Carl Bernstein
Elevaram simplesmente estando frente a frente, lado a lado e em todas as combinações permitidas quando piadas corporais são encenadas por seres superiores num salão digno de reunir a nata da sociedade civil do nosso querido país.
Estava lá o Capitão Nascimento, envergando a camiseta vermelha e a sunga de salva-vidas que fazem a delícia das viúvas do nobre bairro da Urca, onde ocorreu a longa noite dos cristais de metadona.
O jovem Pároco do Rosário, sucessor do Bispo do Rosário, tecia um manto invisível, no qual sua persistência artística insistia em tentar bordar caricaturas de Mito e Bernstein, para deleite dos convivas mais sensíveis.
Já o pré-candidato democrata Barack Obama, em visita clandestina a São Sebastião do Rio de Janeiro (sempre modesto, o Obama), jogava truco numa roda abrilhantada pelos intelectuais Luciano Huck, Bruna Surfistinha e Mangabeira Unger.
A sra. Mônica Veloso autografava cópias piratas da 'Playboy', numa tenda armada em plena varanda.
Os srs. Caetano Veloso e Gilberto Gil, vestidos de maneira mínimo-tropicalista, divertiam-se a valer, na mesma varanda, graças à pequena piscina de gel em que puderam matar saudades de seus tempos de jovens lutadores de wrestling.
Ainda na varanda, na qual acampavam diversos integrantes do MST, uma banca da Febraban distribuía empréstimos, prometendo juros camaradas.
A classe política nativa se fazia presente, por obra e graça do senador José Sarney. Sempre traquinas quando não diante das lentes, o senador atirava marimbondos de fogo num telão de LCD armado sob o patrocínio da Gamecorp.
A Gamecorp tinha todo o interesse na exposição da engenhoca naquela reunião.
A próspera empresa convencera o sr. Sarney a adaptar toda a sua obra literária para os consoles do Nintendo Wii, inovando os conceitos de literatura-força e de literatura-arte. E ali estava a projeção cabal do gênio humano.
Por sinal, o dispositivo instalado pela Gamecorp pôde permitir o desnudamento de uma até então desconhecida qualidade do eterno companheiro Bob Woodward. Ele entrou ao vivo, diretamente de um dos 269 lavabos da Casa Branca, para desfazer de vez os boatos de que ignoraria a umbigada e o lundu.
Enquanto, pelo microfone, o colunista Diogo Mainardi cantarolava sucessos de Zeca Pagodinho, o sr. Woodward requebrava, solerte, toda a história do samba. Sem dizer palavra.
Na cozinha, o imortal Zé Bonitinho penteava as sobrancelhas da sra. Malu Mader.
A sra. Luciana Gimenez, mais introspectiva, sorvia cada página de uma edição em esperanto de 'Ulysses'. Ela estava sentada na sala, numa poltrona dos Irmãos Campana, feita de urnas eletrônicas.
Num lance de ousadia do cerimonial da festa, o buffet instigava, posto que era servido pela Cia. de Dança Deborah Colker, mediante trapézios que dinamizavam as bandejas e borrifavam o champagne e salpicavam hours d'ouevres de modo magistral.
A Banda Calypso tentava animar os já animados presentes, reclamando da necessidade de o couvert artístico só poder ser pago com cartão de crédito.
O Coro dos Canarinhos de Petrópolis comportava-se à altura do evento, trancado no closet da anfitriã, sem maiores alardes.
A decoração, toda ela a cargo da Procuradoria, harmonizava elementos do Banestado, da Máfia dos Sanguessugas e da Operação Hurricane.
Havia, por exemplo, um bicheiro empalhado num canto da sala.
Seringas cravadas nas paredes, notas de dólares arranjadas à guisa de móbiles que fariam Alexander Calder se mudar para a Oficina Brennand, colarinhos brancos arrematando pescoços de alcaçuz - que magnífico ambiente para o tão esperado encontro de Mito e Carl Bernstein.
Moças modernas demonstravam a naturalidade intrínseca dos silvícolas praianos, enquanto representantes da Clínica Pitanguy verificavam a gravidade do atmosfera a um só tempo lúbrica e erudita, sob os protestos da também clandestina artista Yoko Ono.
A sra. Ono teimava em bailar nua para chamar a atenção da elite para a fome que grassa no submundo.
Os integrantes do MST tratavam de acompanhar o protesto, recolhendo os fios de Miojo que a artista atirava ao léu.
Comovida com a performance, a sra. Marlene Mattos chorava, sentada no sofá revestido de penas de ave-do-paraíso.
Uma projeção holográfica do poeta Bruno Tolentino fazia rimas de improviso, a partir de textos de Reinaldo Azevedo, acompanhada pelo maestro Isaac Karabtchevsky, que alegremente batucava uma caixa de fósforos vienenses.
Foi quando Mito e Carl Bersntein adentraram o salão.
A Banda Calypso, já resignada diante do problema do couvert artístico, atacou de fox-trot.
Carl Bernstein imediatamente tirou Mito para dançar.
A dupla foi saudada por uma salva de aplausos que os agentes do SDT puxaram em vão.
Sem perder a fleugma, os srs. Paulo Polzonoff Jr., Amin Stepple, Marconi Leal e este que subscreve o post desistiram das palmas e tornaram a dialogar com as moças modernas, que entretanto só tinham olhos para os saltos do sr. Chiquinho Scarpa.
Subitamente deprimido, o sr. Marconi Leal trocou-se: abandonou as vestimentas de Ronald McDonald - ele acreditava estar em pleno Tríduo Momesco - e tornou a travestir-se de Carmem Miranda, na esperança de assim galvanizar o interesse dos circunstantes. Infelizmente o estratagema revelou-se inútil.
Foi preciso o Capitão Nascimento aplicar todo o arsenal de psicologia que lhe deu fama para desgrudar o sr. Marconi Leal da garrafa de Teacher's.
Mito e Carl Bernstein evoluíram graciosamente, a despeito das sucessivas rasteiras que Mito aplicou no repórter derrubador.
Mito era capaz de rodopios inauditos, como se não estivesse trajando seu pesado aparato de cavaleiro medieval.
Bernstein, por seu turno, tinha nas ceroulas cáqui e nos pés descalços uma leveza de vestal entre cangaceiros.
A mútua patolagem energizou o ambiente.
Todos os convidados preencheram a pista de dança, no afã de seguir os passos da maior dupla de jornalistas a que a Urca jamais assistira. Um único senão: os estudantes de jornalismo pisoteados em função do referido afã.
Quando a contradança teve de ser encerrada, a pedidos de uma delegação da ONU que, de passagem marcada para Myanmar, por engano viera parar em São Sebastião do Rio de Janeiro, a poesia já estava escrita no ar.
O desfecho da noite, os leitores deverão dar asas à imaginação para compor. Por recomendação médica, e por aconselhamento de meu rábula, abstenho-me de enfrentar tamanha epopéia até o fim.
Uma antiga tese e o filme
Daniel Filho, rebaixado de patente
Tropa de pirataria
Mais de quarenta anos de solidão
Parabelo ou falobelo na mão?
O DIA EM QUE BERNSTEIN TENTOU PASSAR A MÃO NA BUNDA DE MORAES NETO
E outra. O que, por modéstia, o Mito não diz é que Bernstein lhe afirmou, impressionado, ao final da entrevista: "Você é muito bom no que faz. É uma das melhores entrevistas que já dei para TV". Isso e também tentou passar a mão na bunda de Geneton que, como bom pernambucano, se encostou na parede.
A primeira parte da entrevista vai ao ar amanhã, às onze da noite, na Globonews, dentro da série "Dossiê História", com reprise na segunda-feira às onze e meia da manhã e cinco e meia da tarde.
Mulher bonita não paga. Feia também não.
GIGANTES DEFINIÇÕES GEOGRÁFICAS ADORMECIDAS: BRASIL
DEUS E O PINTO
— É muito sujo.
— Ha! Você precisa ver quando eu criar o Congresso brasileiro.
— Além disso, fede, é quente, mal-iluminado...
— Espere só até conhecer o Recife.
— ... e apertado demais.
— Apertado! O que não é a falta de parâmetros. Tente passar o mês com um salário mínimo no futuro Brasil.
— Além do mais, dói pra entrar.
— Que é que você queria? Qual seria a graça caso não houvesse dor pra, depois, se alcançar o prazer? Olha... isso dá até uma bela teologia, hein? Taí, você me deu uma idéia. Vou inspirar um livro nesse sentido. Mas peraí, dói? Onde é que você... Burronaldo! Você tá no lugar errado! Seu jumentildo! Sai já daí!
(Texto completo, aqui)
12 de outubro de 2007
CARA A CARA COM O REPÓRTER QUE OBRIGOU UM PRESIDENTE A RENUNCIAR
O abaixo-assinado teve a chance de entrevistar longamente "o repórter que derrubou um presidente" : Carl Bernstein, famoso internacionlmente por ter publicado, em parceria com Bob Woodward, no Washington Post, reportagens investigativas que, no fim das contas, forçaram o presidente americano Richard Nixon a renunciar, em agosto de 1974.
A primeira parte da entrevista vai ao ar neste domingo, às onze da noite, na Globonews, dentro da série "Dossiê História" ( com reprise na segunda-feira às onze e meia da manhã e cinco e meia da tarde).
Informou o Departamento de Chamadas do Sopa de Tamanco.
Final feliz
DIREITCHO DE RESPOSTA
< ironia>
O Sr. Marconi Leal se acha muito inteligente e capaz de um humor que eu não compreendo, certamente porque sou ignorante, mas não percebe que há outro tipo de inteligência - a inteligência que leva pessoas analfabetas a exercer altos cargos no Poder Executivo.
Não posso deixar ainda de citar Deus, Jesus, Ave Maria e José, que num dos livros da Bíblia deixa muito claro, para quem quiser ler: "Quem é ignorante é que é feliz". Ou coisa assim.
Espero que, da próxima vez, se próxima vez houver, o Sr. Marconi Leal se mostre mais carinhoso com o povo sofrido desta terra, sobretudo com o povo sofrido do sertão nordestino, que tanto sofre com as secas e os desmandos da oligarquia cafeeira na região.
Vida longa ao Che!
< /ironia>
DAS MARAVIA DA INTERNETE
FRASE MÁGICA
— Eu, me comportar? E desde quando eu não me comporto na presença de estranhos?
— Quer a lista por ordem alfabética ou cronológica?
— Tudo bem. Admito que aqui e ali, uma ou duas vezes, me excedi no álcool. Mas nada que tenha provocado grandes problemas.
— Ah, você acha que arrancar o lustre da casa da Lucinha e sair pela sala rodando ele sobre a cabeça e cantando Beto Barbosa é algo a que todos estão acostumados?
— Não foi Beto Barbosa, foi Marquinhos Moura. E a fiação tava meio velha, você mesma viu.
— Tava, claro, ninguém tinha tentado brincar de rodeio com o lustre antes. Isso pra não falar da vez que você pisou no bolo de aniversário da Maria Rita.
— Também, onde já se viu colocar o bolo na mesinha de centro, um lugar onde todo mundo sobe pra dar cambalhota?
— Vê se tu te comporta, pelo amor de Deus! E lembra que tu tomou aquele antialérgico. O remédio intensifica o efeito do álcool, Marconi.
— Mulher, pra que o nervosismo? Tá tudo sob controle.
— Ai!
— Que foi agora?
— Tu disse a frase mágica!
(Texto completo: aqui, aqui e aqui)
11 de outubro de 2007
UM BELO SISTEMA
POEMA À MODA DO BOCA DO INFERNO
Não 'tou aqui para negar
Bela era a escrava Agar
De quem Abrão chupou o... selo.
Porém, Abrão não pôde dar
O que em Azot o nosso Deus
Sangrou dos pobres filisteus.
Perdoem-me se eu aqui trelo.
Tanto Jonatas como Golias
Perderam, rápido, as cabeças
— aquele primeiro, às avessas —
Pelo rei Davi, naqueles dias.
Melhor dirá o que não tropeça:
“Antes no alto da cruz me pregas
Do que perco minhas lindas homógrafas”.
Dou adeus a quem nisso porfia.
No entanto, de novo cá eu volto
Ao assunto, apenas mais um instante.
Como alhures dizia a cartomante:
“O futuro, amigo, não é solto”.
Nisso não entra culpa do amante.
Ora, se de Davi o ser amado
Se acha neste sodomítico estado
É, sim, por ter um nome allegro molto.
(Mais, aqui)
É duro fugir do óbvio
O Brasil é o país das obviedades. E elas giram em torno das mesmas coisas, sempre: novela, futebol e pau no Congresso Nacional. Ok, antigamente o pau na política era mais amplo, mas agora que os petistas assumiram o poder o brasileiro parece ter percebido que sua relação com o governo está mais para novela e futebol do que para política propriamente dita.
Dar uma tamancada em mim também é algo de uma obviedade assustadora. Minha cabeça dói de tanto que me autoflagelo. Melhor passar.
Artistas? Jornalistas? Tudo muito óbvio. Hoje o G1 estampou o Nobel de Literatura sob a rública: "vitória feminina". Que coisa mais demodé. Até porque 11 mulheres já ganharam o Nobel de Literatura. Se bem que o estagiário que deu a manchete não deve sequer saber o que é este tal de Nobel.
E mais: matéria sobre fiéis em Aparecida do Norte, com a tradicional foto de algum pobre-diabo carregando uma cruz. * bocejo * Horário de verão. * bocejo * Mulher de motorista de carreta diz que marido não teve culpa. * bocejo *
O jornalismo no Brasil tem sido um longo bocejo.
Será que um dia vamos dar uma tamancada em algo verdadeiramente relevante?
O CAPITALISMO BRASILEIRO É UMA OBRA DE FICÇÃO ATRAVANCANDO O MERCADO EDITORIAL
Antonio Fernando Borges:
"Cada vez mais envolvido com livros e editoras, a cantilena que mais tenho ouvido bate sempre numa tecla: a da “incipiência e fragilidade do nosso mercado editorial”…
(...) Incipiente e frágil é o próprio capitalismo, tão mal instaurado entre nós.
(Tão atacado… Tão denunciado… Tão inexistente!)"
(aqui, o texto completo: http://antoniofernandoborges.com/)
REMÉDIO PARA GRIPE FORTE :IMAGINAR UM DISCO SÓ COM MÚSICAS SOBRE CHUVA
Ivan Lessa, drrubado por uma gripe desgraçada:
"Depressões beirando o suicídio nos cantos escuros do apartamento. Que são muitos. Ir de um quarto para outro, bem devagar, arrastando os pés e falando sozinho (não muito alto) é recomendável. Pensamentos deprimentes no lugar do xarope Fontoura.
Uma chegada na janela para ver o mundo normal lá fora. Chove, Tudo me leva à cama. Menos o sono. Como não dá para dormir, deito-me no sofá da sala e fico besteando de olhos fechados. Cama de tarde, em dia de semana, aborrece não só gatos como gente também.
Brinco com minha cabeça. Faço o que faço nas viagens mais longas de avião: vou “produzindo” álbuns de música popular, aqueles que muita gente boa gosta de chamar de “conceituais”.
Um álbum de 12 faixas só com a chuva como tema. Mole. Tito Madi ganhando disparado. Promessa, de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy (“pedi pra chover...”), abre o lado B (em gripes, trabalho com vinil). Depois vou de nome de mulher. Brasileiras e americanas. De Nancy (com Orlando Silva) a Nancy (com Sinatra). Presentes Stella by starlight, Aurora e Cadê Mimi".
Aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071010_ivanlessa_tp.shtml
NÃO CANTO, COMO O REI DAVI
Davi se fez de louco.
Não soube o rei tampouco
Agir como o Pai quis:
Da mulher ele fez pouco
Pensando ser a fada
De Jonatas, na espada,
Sentou como uma atriz.
Já lá em Aquimelec,
Homem tão sem coração,
Comeu da proposição,
Fez também, ai, que meleca!
Vejam só que o rapagão
Logo ao filho de Saul
Desejou dar o... Diz' tu,
Mais não falo da boneca.
(Poema profano completo, aqui)
10 de outubro de 2007
GRANDES CONCEITOS LITERÁRIOS DE BOTEQUIM
É ou não de crescer cabelo na mão?
Coisa bonita - Mês da Herança Hispânica
DAS BELEZAS DA BÍBLIA
I Samuel (18, 27). Tradução: Centro Bíblico Católico.
A família do distintivo da ditadura
BEZERRO
Maomé pediu licença a Jesus e correu pra tomar um assento. Com o que a montanha deu um pequeno salto, que fez o céu tremer e talvez tenha ocasionado um ou outro choque entre galáxias.
Jesus caiu no chão, mas ascendeu rapidamente.
— Eu embaralho – disse Moisés. — Doze cartas pra cada?
— Seis! Ele pensa que ainda tá no deserto — explicou Abraão a Maomé, que sorriu e, olhando para Jesus, que observava o jogo de pé, a certa distância, perguntou:
— Não vai uma partidinha?
— Não.
— Motivos religiosos?
— Superstição. Nunca jogo contra quem tem contato privilegiado com anjos.
— E nosso quarto companheiro? — perguntou o árabe, dessa vez para Abraão.
— Ah, você sabe como ele é. Deve tá por aí, pensando na morte da bezerra.
— Bezerro? De ouro? — levantou-se furioso Moisés, que tinha acabado de distribuir as cartas. — Cadê? Vou jogá-lo no fogo agorinha! Isso é coisa de Arão!
(Texto completo, aqui)
9 de outubro de 2007
FALA, RENAN.
Lixo
E me arrependi. Ah, como me arrependi. Não sei dizer se o sanduíche é bom para os padrões dos maníacos pela lanchonete dos arcos dourados. Para os padrões de uma pessoa normal é um lixo. A única coisa que se salva no sanduíche é o frango empanado. Só de lembrar do molho eu sinto ânsia. O pão tem o mesmo gosto de um suculento isopor – embora a comparação, no caso do McDonald’s, esteja para lá de gasta.
O restante você lê aqui.
O DIA EM QUE JESUS ENCONTROU MAOMÉ
— Maomé? — falou Jesus, ainda mais incrédulo que seu interlocutor. — O que significa isso?
— “Aquele que é merecedor de elogios”, profeta.
— Não! Digo, o que é que você está fazendo aqui, no paraíso cristão?
— Ah, vim visitar os patriarcas, bater um papinho, jogar um pouco, pagar uns juros, essas coisas. O paraíso muçulmano tá insuportável, parece a Ásia.
— Muito karaokê?
— Nada, superpopulação. Tem tanto homem-bomba chegando por lá que a gente se encontra em escassez de virgens, atualmente.
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(Texto completo, aqui)
OUVIDO ABSOLUTO
Com relação à música, sou um verdadeiro Beethoven. Sobretudo no que tange à capacidade auditiva do compositor pouco antes de morrer.
HEREGE
Possuindo uma esplendorosa capacidade de orientação espacial, se fosse muçulmano estaria irremediavelmente condenado ao mármore do inferno. Não conseguiria fazer minhas orações, pois jamais saberia para que lado fica Meca.
8 de outubro de 2007
Novos ídolos da propaganda publicitária
NO PRINCÍPIO ERA O PINTO
E Deus sacou o pinto e, como não tivesse onde lavá-lo, separou as águas que estão debaixo do firmamento daquelas que estão por cima. E o pinto pairou sobre a face das águas. E Deus disse:
— Ui! — e se arrepiou todo, pois a água estava gelada.
Em seguida — porque, apesar de não ter subconsciente, é seguidor de Freud —, o Senhor colocou o pinto no lugar psicanaliticamente correto.
E o pinto achou bom:
— Que maravilha! Quanta diferença! Obrigado, Senhor.
E Deus replicou:
— Isso, vai se divertindo. Quero ver daqui a nove meses.
(Texto completo, aqui)
ANTÔNIO CÂNDIDO, O GRANDE CRÍTICO LITERÁRIO CHATO, CHATO, CHATO
Comentário de um visitante sobre o crítico Antônio Cândido- que tinha sido tachado de chato por outro internauta:
"Sua obra sobre a formação da literatura brasileira é interessante pelo material historiográfico que reúne; mas seus ensaios, gênero em que é comumente louvado, são maçantes, aborrecidíssimos. Falta-lhe um bem precioso: o entusiasmo, a vivacidade do estilo, a veia que se corporificam na ironia desassombrada e na maledicência sutil. Confesso que a coisa que mais me repugna em Antônio Cândido é o excesso de bom-mocismo literário; no interior, onde cresci, ele seria o genro ideal com que todo pai sonha: educado, fino, pudoroso, incapaz de uma ousadia que ofendesse a mais banal regra de etiqueta"
XUXA PATÉTICA
FALTA ALGUMA COISA EM "TROPA DE ELITE" : SANGUE, MALDADES, TORTURAS, MIOLOS ESPALHADOS, OLHOS VAZADOS, DEGOLAS, UNHAS ARRANCADAS, VÍSCERAS
"Eu queria era ver sangue. Muito sangue mesmo. Jorrando como nos Saw 1, 2, e 3, que espero que vocês conheçam. Queria assistir maldades horrendas. Queria torturas horripilantes. Gente estourando, miolos espalhados pelas paredes, olhos sendo vazados, estampidos de balas sacudindo minha sala (....) Cadê as degolas? Cadê o arrancar de unhas? Os olhos furados? As vísceras expostas? O garrote-vil? Problemas meus apenas?
Ou do espectador acostumado às manipulações do moderno cinema americano?"
Aqui, o texto completo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071008_ivanlessa_tp.shtml
O MITO DA CRIAÇÃO SOB A PERSPECTIVA DE UM PINTO
No princípio era a Vagina. E Deus disse:
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— Faça-se a penetração.
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Mas o pinto não se mexeu. E, cabisbaixo, perguntou:
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— Aquilo não tem dente?
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E Deus, em sua infinita sabedoria, deu uma mãozinha a ele. E, após trocar cinco dedos de prosa com o Senhor, o pinto levantou-se, triunfante. Mas, como só tem um olho, complicou-se e acabou entrando na porta errada. E o pinto disse:
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— Tá tudo escuro aqui!
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E Deus replicou:
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— Faça-se a luz!
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(Texto completo, aqui)
7 de outubro de 2007
Joãozinho de Elite
A ditadura e o que veio depois defecaram para segurança pública. A primeira, por desvio; o que veio depois, por se aproveitar do clima de com-tantos-problemas-pega-mal-investir-na-polícia e se omitir ou faturar no vácuo.
Quantos livros existem mesmo sobre a história do policiamento no Brasil?
Outro mérito contextual é o filme não tratar da poesia do pobre ou da angústia trágica ou cômica ou tragicômica da classe média.
Ele trata de um ramo do poder. Filmes brasileiros só enfrentam o tema poder na base do deboche. Quantos filmes brasileiros tratam do poder mesmo?
Uma coisa é ver o mundo do outro com os próprios olhos. Outra é ver o mundo do outro com os olhos do outro. 'Tropa' faz isto.
Quem reclama da truculência impune dos policiais do filme é aquele que quer o malfeitor punido quando a mamã, o papá ou a babá fecham o livro na iminência da vitória do soninho.
Quem urra de excitação diante do filme pensa que ele copia Rambo e que ser do Bope, de modo hollywoodiano, é sexy. É gente ao melhor estilo joãozinho, esperando, também, a vitória do soninho. Não conta no grande esquema das coisas.
O filme mostra uma cultura de orgulho policial criada no vácuo da ditadura. Inexiste polícia antiga sem orgulho. A nossa é antiga e não tem orgulho.
Logo, de modo perverso, ele faz pela polícia o que a tv e o cinema americanos fazem. A mídia americana tempera o orgulho da história do policiamento deles e do investimento que eventualmente a sociedade faz na sua preparação, no seu aprimoramento, no seu valor, enfim.
Quanto ganha mesmo a viúva do soldado morto em operação? Qual é mesmo o orçamento e a capacidade humana da corregedoria?
De modo brasileiro, temos algum orgulho na polícia paulista, por ter participado de revolução, e no Bope.
O orgulho gerado no Bope é uma distorção natural derivada da avacalhação geral das coisas nossas.
Somos sociedade que ou é hipócrita de maneira orwelliana - policiais e pobres que se matem uns aos outros, a gente tá fora - ou que não escolhe bons políticos; escolhemos políticos que não tratam de segurança pública, da qual não entendem mesmo; políticos que têm de gerir policiais jogados na fogueira armada por colegas que fornecem direta ou indiretamente armas pesadas aos traficantes; políticos que dão diploma de matador a facínoras uniformizados; a lista de mazelas é grande neste campo, nem vale a pena entrar nos temas outros que fazem um país ser definido como tal, ao menos para fins de segurança.
TdE é sensacional mesmo tendo personagens não exatamente complexos. Na verdade, são ralos.
Pode-se até dizer que não é crível, no enredo, a motivação dos dois aspirantes quando vão salvar o colega corrupto.
De todo modo o filme é um documentário da escrotidão da qual todo mundo faz parte.
As cenas de ação têm qualidade de direção.
O uso de atores desconhecidos, tirando o chefe, é perfeito: ajuda a dar distanciamento que o emprego de canastrões de bilheteria sempre arruina.
Mas gosto mesmo é do rame-rame da oficina do batalhão e do esquema do reboque. É o cotidiano do Brasil brasileiro, nada espetacular mas pateticamente terrível.
Tenho três amigos de infância, ainda amigos, amigos para sempre, na polícia. Dois são oficiais da PM, um é civil. TdE é um filme que eles vêem há 20 anos.
Duas histórias deles.
Um dos oficiais chegou ao seu primeiro batalhão, numa cidade do estado do Rio, e ouviu dos colegas: o pessoal quer saber se o senhor tá dentro ou tá fora. Ele: dentro ou fora de quê? O interlocutor: se o senhor estiver dentro, tá tudo certo, todo mês tá ali; se estiver fora, vai criar problema, porque o pessoal é desconfiado. Mais uma coisa: aqui na região de vez em quando tem preso foragido. A gente pega e mata. Mas antes de matar a gente traz pro senhor. Ele: pra quê? Pro preso pedir pela vida dele. Então eu posso mandar não matar?, concluiu meu chapa. Não pode. Ele: então por que vocês trazem o preso aqui? Pro senhor ser cúmplice.
O civil, certa feita, tomou um tiro durante uma incursão. Foi salvo pelo colete que vestia. Colete dele. Dado pela tia que morava nos Estados Unidos.
O "JORNALISMO QUASE" É MELHOR DO QUE O JORNALISMO BUROCRATA
A revista Flash News estampa na capa: "Luciano Huck Assassinado por Causa de Um Relógio". E logo abaixo: "Isso esteve muito perto de acontecer".
A capa já nasce como um clássico instantâneo do jornalismo. Porque, numa bela sacada, criou o jornalismo "quase".
O avião do presidente enfrenta uma turbulência sobre o Oceano Atlântico. Mas pousa em paz. A manchete pode ser : "Presidente Morre em Desastre Aéreo".
A seleção brasileira manda três boas na trave da Argentina, mas o jogo termina zero a zero. Manchete :"Brasil dá baile na Argentina".
É só botar, em letras menores, no pé da página, a ressalva lançada pela revista Flash :"Isso esteve muito perto de acontecer".
Sem ironia: parabéns ao editor que teve tal sacada.
Quem faz um esforço desses para viabilizar uma notícia entende dez vezes mais de jornalismo do que a multidão de jornalistas-burocratas que passam o dia inteiro, o dia inteiro, o dia inteiro procurando uma justificativa para "derrubar" uma reportagem. Conheço uns cinco mil. Se fosse fazer a lista, preencheria um catálogo telefônico.
Ou seja: são especialistas em jogar no lixo notícias, reportagens e personagens interessantes.
O "jornalismo quase" é mais defensável do que o jornalismo burocrata.
O Sopa já disse e repete : o maior, o mais nocivo, o mais pretensioso, o mais destrutivo, o mais risível, o mais indefensável inimigo do Jornalismo é..... o jornalista! Não existe outro.
Por que eles destróem, consistentemente, o que o jornalismo pode ter de interesse e vivacidade.
Depois, reclamam da debandada do público....
O diagnóstico é facílimo.

COMUNICAÇÃO NO ALÉM
— Pai Moisés, como vai o senhor? — falou Jesus, amparando o velho e conduzindo-o pelo antebraço para a praça.
— Co-co... co-co... co-co…
— Cocô? Ele quer fazer cocô?
— Co-co-mo… co-co-mo…
— O senhor come. O senhor quer comer, é isso?
— Co-co-me... co-co-me…
— Começa…?
Nesse instante, estacando o passo, Moisés virou-se enfezado para Jesus e deu uma forte pancada na cabeça do Messias com o cabo de seu cajado.
— Ai! Mas o que foi que eu fiz, pai?
— Ele não gosta que completem. Só permite isso a Aarão. E fala mais alto que ele é surdo — explicou Abraão.
(Texto completo, aqui)
NARIZINHO SÓ O DE JUQUINHA
APELO AOS LARÁPIOS DE SÃO PAULO
6 de outubro de 2007
NEM CHUCK NORRIS
— Qual é, cara? Eu sou macho. Muito macho. Mas não a ponto de meter minha mão naquela nojeirinha que fica no ralo quando a gente acaba de lavar a louça.
— Concordo. Até a masculinidade tem seus limites. Aquela nojeirinha nem o Chuck Norris.
— Será? O Chuck Norris não sei não, hein? Um homem de bigode e tudo...
— Sem luva? Duvido.
— Ah, sem luva nem um senador metia a mão naquela sujeira.
(Texto completo, aqui)








