Astafânio Carlos sempre foi uma figura tão macavenca que, ao nascer, em vez de chorar, ele olhou para o médico e ameaçou:
— Se tocar em mim, recorro ao Estatuto da Criança e do Adolescente, hein?
No colégio, enquanto todos os meninos seguravam a bolinha de gude entre o indicador e o polegar, ele a atirava pressionando o mínimo da mão esquerda sobre o médio da direita, e gritava:
— Curucucu, curucucu!
No futebol, rolava no chão às gargalhadas ao ver seu time perder um gol.
(Mais, aqui)
22 de novembro de 2007
DEUS, PROTEGEI-NOS DAS LETRAS DE DJAVAN!
Do blog de Walter Carrilho:
"Djavan é o cara responsável por versos como “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã”, que geram dezenas de monografias em cursos de letras e algumas câimbras no meu duodeno. Pois ele está de disco novo: “Matizes”. E para homenagear esse “poeta”, escrevi este texto em Djavanês.Cacatua, sol da manhã, um suco de maçã. Neste novo disco, Djavan, este filho do luar, revoada de pombos, araçá, Zimbabwe, inovou. Na canção “Imposto”, ele mostrou o seu lado indignado e engajado, parangolê, maracujá, nuvem no céu, em uma crítica à carga tributária:“IPVA, IPTU / CPMF forever / É tanto imposto / Que eu já nem sei!. (...) Eles nem tchum”
(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/search?q=djavan)
"Djavan é o cara responsável por versos como “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã”, que geram dezenas de monografias em cursos de letras e algumas câimbras no meu duodeno. Pois ele está de disco novo: “Matizes”. E para homenagear esse “poeta”, escrevi este texto em Djavanês.Cacatua, sol da manhã, um suco de maçã. Neste novo disco, Djavan, este filho do luar, revoada de pombos, araçá, Zimbabwe, inovou. Na canção “Imposto”, ele mostrou o seu lado indignado e engajado, parangolê, maracujá, nuvem no céu, em uma crítica à carga tributária:“IPVA, IPTU / CPMF forever / É tanto imposto / Que eu já nem sei!. (...) Eles nem tchum”
(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/search?q=djavan)
"Aquela voz de sub Nara Leão misturada com letras roubadas do diário de uma menina de 10 anos". Quem será ? Ora,Paula Toller!
"Pergunta aos leitores: uma pessoa que tem as manhas de cantar uma música com a frase “Quando ela cai no sofá, so far away” (sacou? So-fá = So-far... gênio, não?) merece continuar na carreira artística ou é melhor vender porta-incenso na esquina? As gravadoras preferem a primeira alternativa. Pior: ainda dão moral para a infeliz lançar um disco solo. É o caso da Paula Toller"
(aqui:
http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/solta-mais-uma-sub-nara-leo-na-chapa.html)
(aqui:
http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/solta-mais-uma-sub-nara-leo-na-chapa.html)
21 de novembro de 2007
PROCURA-SE : O MAIOR INIMIGO DO JORNALISMO
Uma verdade cientificamente comprovada e facilmente demonstrável: o maior inimigo do Jornalismo é o jornalista.
Pelo seguinte: o jornalista é o único ser bípede capaz de jogar sistematicamente histórias interessantes no lixo.
Quem achar que é exagero que pergunte a qualquer terráqueo que tenha passado quinze minutos numa redação.
Em breve, detalhes.
Pelo seguinte: o jornalista é o único ser bípede capaz de jogar sistematicamente histórias interessantes no lixo.
Quem achar que é exagero que pergunte a qualquer terráqueo que tenha passado quinze minutos numa redação.
Em breve, detalhes.
PRÍNCIPES SAUDITAS: OS ÚNICOS QUE AINDA CULTIVAM A GRANDE ARTE DA OSTENTAÇÃO !
"Fale-se o que se falar do islamismo, mas os saudi-sunitas são praticamente o único grupo humano que ainda cultiva a quase desaparecida arte de ser nababesca e acintosamente rico. Abandonada pelas pressões do politicamente correto e para não açular a inveja das massas, a antiqüissíma tradição da ostentação sem limites, que nos legou grandes obras de arte, como o Taj Mahal, já teria sumido da face da Terra se não fosse o esforço solitário e comovente de um pequena penca de biliardários príncipes sauditas que honram a máxima de que o show não pode parar. O mais notável deles, o príncipe Alwaleed bin Talal bin Abudulaziz al-Saud (Alá seja louvado!), acaba de adquirir - no maior astral, tranqüilãozinho da silva - um Airbus-A380, o maior avião do mundo, só para ele. A idéia é fazer um palácio voador - se achar clichê é porque você está com inveja"
(aqui: http://atorredemarfim.apostos.com/)
(aqui: http://atorredemarfim.apostos.com/)
13 LIVROS QUE JÁ ELOGIEI, MAS.....
Do site de Paulo Polzonoff :
"Antes da lista, um aviso. Não se trata de nada pessoal, ok? A gente passa por mudanças, ainda bem. E eu já estou cansado de dizer que, por causa destas mudanças, o gosto da gente muda. Além do mais, os livros que figuram nesta lista eu não os considerado necessariamente ruins. Só são livros pelos quais eu, sei lá por quê, perdi o interesse. Ou que eu, na época, elogiei por motivos errados. Aconteceu alguma coisa. Sempre acontece"
(aqui:
http://www.polzonoff.com.br/13-livros-que-eu-ja-elogiei-mas-que-hoje-sei-nao.htm#more-901)
"Antes da lista, um aviso. Não se trata de nada pessoal, ok? A gente passa por mudanças, ainda bem. E eu já estou cansado de dizer que, por causa destas mudanças, o gosto da gente muda. Além do mais, os livros que figuram nesta lista eu não os considerado necessariamente ruins. Só são livros pelos quais eu, sei lá por quê, perdi o interesse. Ou que eu, na época, elogiei por motivos errados. Aconteceu alguma coisa. Sempre acontece"
(aqui:
http://www.polzonoff.com.br/13-livros-que-eu-ja-elogiei-mas-que-hoje-sei-nao.htm#more-901)
RUI BARBOSA
— Boas tardes. Com quem poderia ter o prazer de estar a falar neste aprazível lar? E já me adianto a pedir perdão pela péssima e involuntária rima. Encontrar-se-á o dono da residência nela, hodiernamente?
— Quê?
— Pergunto se Vossa Senhoria acaso não saberia dizer-me se há alguém na habitação?
— Que habitação?
— Esta em que vos encontrais. Seria Vossa Senhoria o proprietário dela ou pertence a outrem tal prerrogativa?
— Depende. A senhora é da Receita?
— Não, porém, se me permite um rasteiro jeu de mot, como dizem os franceses, ou pun, caso Vossa Senhoria seja anglófila: possuo a receita para vosso sucesso. Isto, posto ser Vossa Senhoria o pater familias. Estou certa? É a Vossa Senhoria que procuro?
— Não, eu não sou o Rui Barbosa. A senhora pode me dizer do que se trata, hein?
(Mais, aqui)
— Quê?
— Pergunto se Vossa Senhoria acaso não saberia dizer-me se há alguém na habitação?
— Que habitação?
— Esta em que vos encontrais. Seria Vossa Senhoria o proprietário dela ou pertence a outrem tal prerrogativa?
— Depende. A senhora é da Receita?
— Não, porém, se me permite um rasteiro jeu de mot, como dizem os franceses, ou pun, caso Vossa Senhoria seja anglófila: possuo a receita para vosso sucesso. Isto, posto ser Vossa Senhoria o pater familias. Estou certa? É a Vossa Senhoria que procuro?
— Não, eu não sou o Rui Barbosa. A senhora pode me dizer do que se trata, hein?
(Mais, aqui)
LEI DA GRAVIDADE
Alcançada a segunda esquina, o placar era de seis a zero para a lei da gravidade e a força de atrito nem tinha entrado em campo ainda. Improperei Newton e o Parlamento inglês que aprovou medida tão arbitrária, sem a qual os objetos ainda hoje estariam todos flutuando por aí. E só não soltei um palavrão porque, exposta ao frio, minha língua estava tomada pela cãibra.
(Mais, aqui)
(Mais, aqui)
20 de novembro de 2007
GEOGRAFIA HUMANA
O mundo é habitado por três tipos de pessoas: as que fazem amizades ou inimizades por motivos ideológicos, as que assumem ideologias em função de amizades ou inimizades e as adultas.
SOBRE O ABORTO
Sou a favor do aborto, mas com restrições. Para mim, o procedimento só deveria ser permitido nos casos de fetos maiores de vinte anos que escutam heavy metal.
(Mais, aqui)
(Mais, aqui)
CRÔNICA DE UM QUEIJO ANUNCIADO
Do blog de Araken Vaz Galvão:
"Para que as poucas iguarias não chegassem deterioradas, saímos às cinco da manhã e fomos a Salvador, mais de 270 km, com o objetivo de colocar no Correio antes das 10 horas, para que chegasse ao menor prazo de tempo possível. Agora aqui estou ansioso, aguardando a notícia do recebimento. Sabendo que proporcionei a Marconi uma das maiores felicidades que um desterrado pode sentir, porque eu também já vivi situações análogas...Por isso – em uma canhestra citação de John Donne – não me pergunte o porquê do meu gesto. Porque mandei para mim..."
(Texto completo, aqui: http://arakenvaz.blogspot.com/)
"Para que as poucas iguarias não chegassem deterioradas, saímos às cinco da manhã e fomos a Salvador, mais de 270 km, com o objetivo de colocar no Correio antes das 10 horas, para que chegasse ao menor prazo de tempo possível. Agora aqui estou ansioso, aguardando a notícia do recebimento. Sabendo que proporcionei a Marconi uma das maiores felicidades que um desterrado pode sentir, porque eu também já vivi situações análogas...Por isso – em uma canhestra citação de John Donne – não me pergunte o porquê do meu gesto. Porque mandei para mim..."
(Texto completo, aqui: http://arakenvaz.blogspot.com/)
19 de novembro de 2007
CAMPANHA
Abraço a idéia de parar de tomar cerveja em protesto contra as propagandas idiotas das grandes cervejarias. Acho que a tomada de consciência por parte da sociedade começa com pequenos movimentos desse tipo. Em função do quê, anuncio: a partir de hoje, adeus cerveja, só bebo Nova Schin.
A regra de Goebbels
E aí, pessoal? Todo mundo vai comemorar o feriado racista amanhã? Ou será que eu, por ser branco, serei açoitado?
Hitler perdeu a guerra. Mas Goebbels não.
Hitler perdeu a guerra. Mas Goebbels não.
Zeca Hora
Alô, polícia!! O que vocês estão esperando para prender os publicitários que inventaram a tal Zeca Hora?
Foda. O cara não se contenta em ser cantor de pagode de péssima qualidade. Ainda invade a nossa casa com um termo de egoalcoólatra.
Foda. O cara não se contenta em ser cantor de pagode de péssima qualidade. Ainda invade a nossa casa com um termo de egoalcoólatra.
DIZEI, NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO ESPANTO!
Uma dúvida irremovível: dizei, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto, o que é que leva um ser bípede e falante a posar para uma revista de "celebridades" diante de uma mesa de café-da-manhã fake ? Qual é a força que move aquele aglomerado de ossos e músculos a fazer este papel ?
Dou-lhe meio século para achar uma resposta razoável.
Dou-lhe meio século para achar uma resposta razoável.
O SOPA DE TAMANCO SAI NA FRENTE: COMEÇA AQUI A GRANDE CAMPANHA "LEI SECA, JÁ!", EM PROTESTO CONTRA ANÚNCIOS IDIOTAS DE CERVEJA! ALISTE-SE AGORA!
Fiz um juramento inútil :nunca, jamais, sob hipótese alguma, comprarei uma garrafa de cerveja. É um protesto pessoal, inútil e intransferível contra a maciça campanha de idiotização coletiva movida pelos fabricantes de cerveja em conluio com publicitários metidos a engraçadinhos.
Não estou exagerando: os anúncios de cerveja são um insulto a tudo que possa parecer bom gosto, inteligência e humor.
Conselho às crianças: os melhores gestos são aqueles aparentemente inúteis. Em geral, são os únicos que valem a pena. Então, Lei Seca já ! Aliste-se agora!
O Sopa já fez a lista da estupidez. O Bar da Boa ( Deus do céu, o que é aquilo ?). "Zeca-Feira" ( ahg........). Quem foi o idiota que achou que alguém chamaria de "Zeca-Feira" o dia de beber cerveja ? Eis um exemplo clássico de publicitário tentando ( e não conseguindo) criar um bordão. Para dizer a verdade, criou: o bordão dos imbecis. Só um débil mental diplomado usaria a expressão "Zeca-Feira".
Agora, para acrescentar mau gosto à estupidez, uma nova peça da campanha da cerveja usa o ator de "Tropa de Elite" num trocadilho infame com o verbo "matar".
Justiça se faça: as agências que produzem estes anúncios de cerveja não são as únicas a chamar os leitores e telespectadores de idiotas.
Dou uma navegada em blogs. Há outros blogs chamando a atenção para um anúncio que já foi tema de um comentário aqui no Sopa de Tamanco: o da Toyota, em página dupla na "Veja" dessa semana.
O gênio que escreveu o texto disse lá que o importante é "encarar de frente".
Quantos mil dólares a Toyota terá pago por esta frase ?
Nós estamos todos enganados ou nunca, na história deste país, houve tantos anúncios estúpidos em série ?
O pior de tudo não são os anúncios em si. É ver publicitários falando como se fossem gênios.
( a luz amarela acendeu desde que, há algum tempo, vi um publicitário de blusinha justa passar uma hora e meia - verdade! - tentando demonstrar a um auditório de estudantes a genialidade de um anúncio em que uma tartaruga faz embaixadinha com uma lata de cerveja......Pensei com meus botões : eis o fim da civilização ocidental, tal como era conhecida até hoje). Tudo bem que, num momento de escassez de inspiração, um publicitário invente um anúncio em que uma tartaruga faz embaixada com a lata. Mas, em nome de Nossa Senhora do Perpétuo Espanto, por favor, não venham nos dizer que aquilo é uma obra de arte.
O tempo só veio confirmar que, desde então, as coisas pioraram sensivelmente.
DOM PEDRO II VAI PARA O TRONO OU NÃO VAI ?
Do site de Paulo Polzonoff Jr:
"A passagem que mais me impressionou no livro foi a descrição, por visitantes estrangeiros, do que era a Corte no Rio de Janeiro do século XIX. Não havia pompa. A segurança era precária. Os banquetes eram chinfrins. A família real vivia como uma família de classe média. Era, de fato, um casa imperial de terceiro mundo.
Não tenho qualquer inclinação monarquista. Mas não pude deixar de me enternecer pela figura de D. Pedro II"
aqui:
http://www.polzonoff.com.br/eu-e-pedro-pedro-e-eu.htm#more-906
"A passagem que mais me impressionou no livro foi a descrição, por visitantes estrangeiros, do que era a Corte no Rio de Janeiro do século XIX. Não havia pompa. A segurança era precária. Os banquetes eram chinfrins. A família real vivia como uma família de classe média. Era, de fato, um casa imperial de terceiro mundo.
Não tenho qualquer inclinação monarquista. Mas não pude deixar de me enternecer pela figura de D. Pedro II"
aqui:
http://www.polzonoff.com.br/eu-e-pedro-pedro-e-eu.htm#more-906
O OLHAR ESTÚPIDO DOS PEIXES, A BOSTA DO CAMELO & O PETRÓLEO DO BRASIL....
Ivan Lessa:
"O Brasil acaba de descobrir petróleo. Muito petróleo. Para desgosto dos cínicos pouco patriotas. O petróleo da Arábia Saudita fica debaixo da areia, logo depois de quem passa pela bosta de camelo. O petróleo do Brasil fica no mar e, até agora, naquelas profundas próximas ao Rio de Janeiro, só os peixes o encaravam com aqueles olhões estúpidos sem nada entender"
aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071119_ivanlessa.shtml
"O Brasil acaba de descobrir petróleo. Muito petróleo. Para desgosto dos cínicos pouco patriotas. O petróleo da Arábia Saudita fica debaixo da areia, logo depois de quem passa pela bosta de camelo. O petróleo do Brasil fica no mar e, até agora, naquelas profundas próximas ao Rio de Janeiro, só os peixes o encaravam com aqueles olhões estúpidos sem nada entender"
aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071119_ivanlessa.shtml
Disseram que eu voltei americanizado...
O Brasil seria assim se nossos grevistas tivessem criatividade. Enquanto isso não acontece, vagabundos ocupam o Planalto.
16 de novembro de 2007
MUNDO ANIMAL
O crítico literário é o único bípede autotrófico de óculos de que se tem notícia: alimenta-se do próprio ego. Seu habitat artificial são as mesas de discussão, as noites de autógrafo e outros ambientes inóspitos. Tem o corpo dividido em língua, tronco e membros.
(Mais, aqui)
(Mais, aqui)
GALA RALA
A revista British Journal of Medicine divulgou que o estado dos espermatozóides dos europeus deixa muito a desejar. Um estudo feito com amostras de esperma de milhares de habitantes do Velho Continente revela que não só existem menos gâmetas masculinos - a redução é já de metade (de 113 milhões por litro passou-se para 66 milhões), como a sua qualidade tem vindo a piorar, com resultados visíveis nas taxas de infertilidade.
14 de novembro de 2007
DICA DE LEITURA: "AFINAL, O QUE VIEMOS FAZER EM PARIS ?" ACABA DE CHEGAR ÀS LIVRARIAS
Acaba de sair do forno uma delícia de livro. Título: "Afinal, o que Viemos Fazer em Paris ?". Autor: Alberto Villas. Editora: Globo. Para quem não ligou o autor à obra: Alberto Villas, jornalista, revelou-se um memorialista "de mão-cheia" em "O Mundo Acabou". Ali, ele mistura memória pessoal com memória social com talento, leveza, humor - e competência.
Agora, em "Afinal, o Que Viemos Fazer em Paris", ele parte para uma nova empreitada memorialística sobre um período riquíssimo que viveu: um exílio voluntário em Paris, a partir do início dos anos setenta, época em que os militares diziam para o Brasil o que o Rei da Espanha disse para o presidente da Venezuela outro dia: "Por que não te calas ?".
O projeto gráfico do livro é um show. Os textos, divididos em blocos, fluem sem atropelo. Bom livro, afinal de contas, é o que dá prazer de ler. "Afinal, o que Viemos Fazer em Paris? " dá. É o que basta. Comecei a ler. Não dá vontade de parar.
O livro funciona como uma "madeleine", aquele gatilho que desperta imediatamente uma fileira de lembranças. Em um minuto, volto no tempo para 1980, ano em que o locutor que vos fala embarcou, também em "exílio" voluntário, rumo a Paris.
Eu me lembro do primeiro choque térmico e cultural: um amigo - que morava com a namorada australiana no terceiro andar de um prédio em ruínas desprovido de chuveiro num ruela sem movimento - organizava, uma vez por semana, uma "expedição" rumo aos chuveiros públicos. Íamos a pé. Cada um levava uma toalha, o sabonete, o desodorante e uma muda de roupa embrulhados num saco plástico. Lá, em troca de um punhado de francos, o forasteiro podia tomar banho cronometrado: dez minutos depois de ligado o chuveiro, o fiscal batia na porta para avisar que chega, a fila estava grande, era preciso dar lugar ao africano que esperava a hora de mergulhar na ducha.
Eu me lembro de Manoel, um brasileiro que passava doze horas por dia trancado num quarto insalubre de hotel tocando num fagote as Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos. Uma vez, ele bateu na porta do meu quarto de madrugada para avisar que conseguira o grande feito: tinha finalmente descoberto como fazer os telefones públicos da Place D´Italie ligarem de graça para o Brasil. Corremos para as cabines telefônicas na madrugada gelada. Passamos seis horas usando o orelhão. Só saímos quando o dia amanhecia. Merci bien, France Telecom! Deus te pague! Um brasileiro descarado ainda tentava teorizar sobre o absurdo que cometíamos nas cabines telefônicas : "Os países ricos vivem explorando o Terceiro Mundo. É hora de a gente receber alguma coisa de volta!".
Eu me lembro de ter visto Bob Dylan cantando "Like a Rolling Stone" num estádio enquanto um grupo de holandeses incendiava os pulmões de haxixe a um passo de onde eu estava, no meio do gramado, assustado com a desfaçatez. A polícia não notou a fumaça dos holandeses. Gravei imagens mudas e tremidas de Bob Dylan com uma câmera Super-8. Nunca as usei para nada.
Eu me lembro de ter visto Pelé dando a volta olímpica no estádio para agradecer o título de Atleta do Século, antes de um jogo da seleção brasileira contra a da França. O Brasil ganhou.
Eu me lembro de ter testemunhado a aparição de um Glauber Rocha com rosto inchado e cara de sono, numa sala de cinema perto da Gare de Lyon, para uma sessão privê de A Idade da Terra, numa manhã de sábado de inverno.
Eu me lembro de ter olhado com algum deslumbramento para o festival de pichações políticas nas paredes da Universidade de Nanterre, no meu primeiro dia de aula de um curso de Cinema que jamais concluí. Uma das pichações mais visíveis convocava: "Aliste-se no Partido Comunista!". Naquela época, o Partido Comunista ainda era clandestino no Brasil. Eu nunca tinha visto algo assim numa universidade brasileira. Pensei: "Democracia!".
Eu me lembro de um brasileiro que não sabia quase nada de francês comentando, espantado, que nunca tinha visto tanta escola de garçom como em Paris. "Não é à toa que os restaurantes franceses são tão badalados. Com tanta escola de garçom desse jeito...". O brasileiro só não sabia que aquilo era Escola para Meninos ( "garçons", em francês). Nada a ver com garçom de restaurante.
Eu me lembro de ter arranjado dois empregos, ambos, claro, clandestinos: o primeiro como camareiro de um hotel numa rua chamada Champollion, ao lado da Sorbonne, no coração do Quartier Latin. Era duro fazer vinte e seis camas nos dias azuis de verão, em que o hotel ficava lotado de americanos e japoneses que comiam pão nos quartos e, para meu desespero, espalhavam farelo pelo carpete, o que exigia um trabalho extra com o aspirador de pé.Uma semana depois de me aceitar como camareiro, o dono de hotel, um homem chamado Ortega, fez uma confissão inconfessável: disse-me que, se o hóspede só passasse uma noite no hotel, eu não deveria trocar o lençol da cama. Bastava inverter o lado do lençol, esticá-lo ao máximo para dar ao próximo hóspede a impressão de limpeza e pronto. O dono queria economizar energia da máquina de lavar. O segundo emprego foi como motorista de uma família rica que tinha um filho "excepcional", Douglas. Já era um rapaz. Não falava nem andava. Meu trabalho era embrulhar Douglas num saco de dormir para protegê-lo do frio, carregá-lo nos braços dentro de um elevador minúsculo e levá-lo de carro até a um hospital que ficava a uns quarenta minutos de Paris. A rua em que a família morava se chamava Yvette. O metrô: Jasmin. Nem carteira de motorista internacional eu tinha. Só a brasileira - que não valia na França. Um dia, a polícia se aproximou do carro. Gelei até a alma. Mas, quando viram o menino, os guardas se retiraram, sem nos importunar. Intimamente, eu vibrava: "Deus é brasileiro!". Se um guarda cismasse de me pedir a carteira de motorista, era problema na certa.
Eu me lembro de ter visto um bêbado anunciando, sozinho, para os frequentadores de um café, perto do Boulevard Saint Michel : "O grande ator americano Steve McQueen morreu!". O bêbado tinha acabado de ler a notícia num jornal. Eram sete da manhã. Eu estava lá para tomar um café apressado, porque pouco depois teria de me apresentar à "Prefeitura de Polícia" para tentar renovar meu visto. Fiquei lembrando das velhas sessões no Cinema da Torre,no Recife: a platéia batia palmas a cada vez que Steve McQueen escapava de soldados nazistas.O filme se chamava "Fugindo do Inferno". Agora, um bêbado me dava a notícia de que o meu ídolo das matinês estava morto.
Agora, em "Afinal, o Que Viemos Fazer em Paris", ele parte para uma nova empreitada memorialística sobre um período riquíssimo que viveu: um exílio voluntário em Paris, a partir do início dos anos setenta, época em que os militares diziam para o Brasil o que o Rei da Espanha disse para o presidente da Venezuela outro dia: "Por que não te calas ?".
O projeto gráfico do livro é um show. Os textos, divididos em blocos, fluem sem atropelo. Bom livro, afinal de contas, é o que dá prazer de ler. "Afinal, o que Viemos Fazer em Paris? " dá. É o que basta. Comecei a ler. Não dá vontade de parar.
O livro funciona como uma "madeleine", aquele gatilho que desperta imediatamente uma fileira de lembranças. Em um minuto, volto no tempo para 1980, ano em que o locutor que vos fala embarcou, também em "exílio" voluntário, rumo a Paris.
Eu me lembro do primeiro choque térmico e cultural: um amigo - que morava com a namorada australiana no terceiro andar de um prédio em ruínas desprovido de chuveiro num ruela sem movimento - organizava, uma vez por semana, uma "expedição" rumo aos chuveiros públicos. Íamos a pé. Cada um levava uma toalha, o sabonete, o desodorante e uma muda de roupa embrulhados num saco plástico. Lá, em troca de um punhado de francos, o forasteiro podia tomar banho cronometrado: dez minutos depois de ligado o chuveiro, o fiscal batia na porta para avisar que chega, a fila estava grande, era preciso dar lugar ao africano que esperava a hora de mergulhar na ducha.
Eu me lembro de Manoel, um brasileiro que passava doze horas por dia trancado num quarto insalubre de hotel tocando num fagote as Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos. Uma vez, ele bateu na porta do meu quarto de madrugada para avisar que conseguira o grande feito: tinha finalmente descoberto como fazer os telefones públicos da Place D´Italie ligarem de graça para o Brasil. Corremos para as cabines telefônicas na madrugada gelada. Passamos seis horas usando o orelhão. Só saímos quando o dia amanhecia. Merci bien, France Telecom! Deus te pague! Um brasileiro descarado ainda tentava teorizar sobre o absurdo que cometíamos nas cabines telefônicas : "Os países ricos vivem explorando o Terceiro Mundo. É hora de a gente receber alguma coisa de volta!".
Eu me lembro de ter visto Bob Dylan cantando "Like a Rolling Stone" num estádio enquanto um grupo de holandeses incendiava os pulmões de haxixe a um passo de onde eu estava, no meio do gramado, assustado com a desfaçatez. A polícia não notou a fumaça dos holandeses. Gravei imagens mudas e tremidas de Bob Dylan com uma câmera Super-8. Nunca as usei para nada.
Eu me lembro de ter visto Pelé dando a volta olímpica no estádio para agradecer o título de Atleta do Século, antes de um jogo da seleção brasileira contra a da França. O Brasil ganhou.
Eu me lembro de ter testemunhado a aparição de um Glauber Rocha com rosto inchado e cara de sono, numa sala de cinema perto da Gare de Lyon, para uma sessão privê de A Idade da Terra, numa manhã de sábado de inverno.
Eu me lembro de ter olhado com algum deslumbramento para o festival de pichações políticas nas paredes da Universidade de Nanterre, no meu primeiro dia de aula de um curso de Cinema que jamais concluí. Uma das pichações mais visíveis convocava: "Aliste-se no Partido Comunista!". Naquela época, o Partido Comunista ainda era clandestino no Brasil. Eu nunca tinha visto algo assim numa universidade brasileira. Pensei: "Democracia!".
Eu me lembro de um brasileiro que não sabia quase nada de francês comentando, espantado, que nunca tinha visto tanta escola de garçom como em Paris. "Não é à toa que os restaurantes franceses são tão badalados. Com tanta escola de garçom desse jeito...". O brasileiro só não sabia que aquilo era Escola para Meninos ( "garçons", em francês). Nada a ver com garçom de restaurante.
Eu me lembro de ter arranjado dois empregos, ambos, claro, clandestinos: o primeiro como camareiro de um hotel numa rua chamada Champollion, ao lado da Sorbonne, no coração do Quartier Latin. Era duro fazer vinte e seis camas nos dias azuis de verão, em que o hotel ficava lotado de americanos e japoneses que comiam pão nos quartos e, para meu desespero, espalhavam farelo pelo carpete, o que exigia um trabalho extra com o aspirador de pé.Uma semana depois de me aceitar como camareiro, o dono de hotel, um homem chamado Ortega, fez uma confissão inconfessável: disse-me que, se o hóspede só passasse uma noite no hotel, eu não deveria trocar o lençol da cama. Bastava inverter o lado do lençol, esticá-lo ao máximo para dar ao próximo hóspede a impressão de limpeza e pronto. O dono queria economizar energia da máquina de lavar. O segundo emprego foi como motorista de uma família rica que tinha um filho "excepcional", Douglas. Já era um rapaz. Não falava nem andava. Meu trabalho era embrulhar Douglas num saco de dormir para protegê-lo do frio, carregá-lo nos braços dentro de um elevador minúsculo e levá-lo de carro até a um hospital que ficava a uns quarenta minutos de Paris. A rua em que a família morava se chamava Yvette. O metrô: Jasmin. Nem carteira de motorista internacional eu tinha. Só a brasileira - que não valia na França. Um dia, a polícia se aproximou do carro. Gelei até a alma. Mas, quando viram o menino, os guardas se retiraram, sem nos importunar. Intimamente, eu vibrava: "Deus é brasileiro!". Se um guarda cismasse de me pedir a carteira de motorista, era problema na certa.
Eu me lembro de ter visto um bêbado anunciando, sozinho, para os frequentadores de um café, perto do Boulevard Saint Michel : "O grande ator americano Steve McQueen morreu!". O bêbado tinha acabado de ler a notícia num jornal. Eram sete da manhã. Eu estava lá para tomar um café apressado, porque pouco depois teria de me apresentar à "Prefeitura de Polícia" para tentar renovar meu visto. Fiquei lembrando das velhas sessões no Cinema da Torre,no Recife: a platéia batia palmas a cada vez que Steve McQueen escapava de soldados nazistas.O filme se chamava "Fugindo do Inferno". Agora, um bêbado me dava a notícia de que o meu ídolo das matinês estava morto.
O café estava mergulhado em fumaça. Lá fora, fazia um frio de rachar. Era novembro, se não engano.
Eu sabia o que estava fazendo em Paris: sem imaginar, tinha viajado doze horas de avião para, meses depois, ouvir um bêbado me dizer que Steven McQueen tinha morrido. C´est la vie.
O que é que o livro "Afinal,o que Viemos Fazer em Paris? " tem a ver com essas cenas todas ?
Tudo e nada. Livro bom é o que acende um rastilho de lembranças. É o que a nova investida memorialística de Villas acaba de fazer.
Bola na rede.
UM NOVO ESPORTE OLÍMPICO PODE ESTAR NASCENDO!
"Como qualquer head shrinker recomendaria, tenho resolvido de maneira criativa uma das minhas grandes pequenas irritações. Sabem aquelas gentes que, logo após descer pela escada rolante, ficam paradas na frente, ponderando o Grande Mistério da Existência, de costas para a legião de pessoas que vem descendo? Sim, vocês sabem -e certamente já se esgueiraram por aquela ínfima fresta entre o imbecil parado no final da escada (identificado, deste ponto em diante, pela sigla IPFE) e o corrimão rolante, para evitar um desastroso efeito dominó de grandes proporções.
Para evitar isso, concebi um novo esporte, saudável e divertido, que consiste em: a) aprender a identificar um IPFE em segundos, tão logo ele se poste à sua frente na escada rolante; b) descer a escada com a perna esquerda reta e a direita flexionada num ângulo de no mínimo 45 graus, de modo a aterrissar com o pé exatamente no meio das costas do IPFE. O efeito plástico é coisa linda de ver, digna de filme do Bruce Lee -e, modestamente, estou ficando tão bom nesse negócio que outro dia, num desses xópins, fiz strike numa família inteira de IPFEs. Em verdade vos digo: se em 2028 isso virar esporte olímpico, não terei vivido em vão"
(aqui: http://puragoiaba.apostos.com/)
Para evitar isso, concebi um novo esporte, saudável e divertido, que consiste em: a) aprender a identificar um IPFE em segundos, tão logo ele se poste à sua frente na escada rolante; b) descer a escada com a perna esquerda reta e a direita flexionada num ângulo de no mínimo 45 graus, de modo a aterrissar com o pé exatamente no meio das costas do IPFE. O efeito plástico é coisa linda de ver, digna de filme do Bruce Lee -e, modestamente, estou ficando tão bom nesse negócio que outro dia, num desses xópins, fiz strike numa família inteira de IPFEs. Em verdade vos digo: se em 2028 isso virar esporte olímpico, não terei vivido em vão"
(aqui: http://puragoiaba.apostos.com/)
13 de novembro de 2007
INFORMAÇÃO MÉDICA SOBRE MEIO SÉCULO DE CIGARRO NA BOCA
Ivan Lessa:
"Em novembro de 2001, parei de fumar, após uns bons (ou maus) 50 anos, de cigarrinho no canto da boca"
(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071112_ivanlessa_tp.shtml)
"Em novembro de 2001, parei de fumar, após uns bons (ou maus) 50 anos, de cigarrinho no canto da boca"
(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071112_ivanlessa_tp.shtml)
"ERA FÁCIL E BOM SER MEDÍOCRE"
Do site de Paulo Polzonoff:
"Naquele tempo havia ídolos. Simplesmente porque os ídolos são peça fundamental do delicioso mundo medíocre. Em Pasárgada morarão Marisa Monte e Geraldo Vandré. Ao lado há a casinha dos poetas: Manuel Bandeira afaga um porquinho da índia; Drummond admira as pedras no meio do caminho; Vinícius tem seus versos declamados eternamente por Camila Morgado; Quintana passa o dia entre o passarão e o passarinho. Todos eles fazem parte de um bairro todo especial deste lugar onde moram todos os ídolos das multidões.
Não pense que os condeno. Sou sincero: sinto saudades. Era fácil e bom ser medíocre"
(aqui: http://www.polzonoff.com.br/simplicidade-mediocridade-felicidade.htm)
"Naquele tempo havia ídolos. Simplesmente porque os ídolos são peça fundamental do delicioso mundo medíocre. Em Pasárgada morarão Marisa Monte e Geraldo Vandré. Ao lado há a casinha dos poetas: Manuel Bandeira afaga um porquinho da índia; Drummond admira as pedras no meio do caminho; Vinícius tem seus versos declamados eternamente por Camila Morgado; Quintana passa o dia entre o passarão e o passarinho. Todos eles fazem parte de um bairro todo especial deste lugar onde moram todos os ídolos das multidões.
Não pense que os condeno. Sou sincero: sinto saudades. Era fácil e bom ser medíocre"
(aqui: http://www.polzonoff.com.br/simplicidade-mediocridade-felicidade.htm)
12 de novembro de 2007
ENGANAÇÃO
No último round, vimos Heráclito chamar o célebre Pitágoras de erudito sem inteligência. Aprender muitas coisas, advertiu, não dá inteligência a ninguém. Ocorre que nenhum grego praticara a investigação científica tanto quanto Pitágoras, que, tendo lido muito e de grandes sábios, reclamou para si mesmo sabedoria maior que a de qualquer um. Quem conta a história é o próprio Heráclito, para quem essa sabedoria não passava de... fraude.
PERGUNTA FEITA AO HADES
Quantos quilos de Will Self, Brad Buchanan, Don DeLillo, Pat Barker, Tim O’Brian, Kazuo Ishiguro, Philip Roth e congêneres valem um hexâmetro de Ovídio?
(Mais, aqui)
(Mais, aqui)
REMUNERA-SE BEM
Sumiu desta redação há alguns dias o jornalista Tony Marques. Quem tiver alguma informação que ajude a encontrá-lo, por favor, pedimos que se cale. Remunera-se bem.
BOLSA-LIVRO
Segundo Polzonoff, o governo do Chile tem um programa de fornecimento gratuito de livros para seus cidadãos. Proponho medida semelhante aos comentaristas do SDT. Distribuiremos àqueles que vierem à redação, livros de autores anônimos ou sem sobrenome. Permitiremos o uso de máscaras.
NO ÔNIBUS
-- Expõe o analfabetismo funcional dele por aí.
-- Como assim?
-- Lê textos, não entende e comenta.
-- Uhm. E não tem vergonha?
-- Não, faz isso anonimamente.
-- Como assim?
-- Lê textos, não entende e comenta.
-- Uhm. E não tem vergonha?
-- Não, faz isso anonimamente.
DEMOCRACIA
Sexta-feira assisti à entrevista de Arnaldo Jabor no Jô Soares. Sim, às vezes também assisto ao Amaury Jr., caros leitores. E não perco o Roda Viva. Trata-se de um ato sagrado para mim: a autoflagelação.
Jabor comunga com Caetano Veloso de uma característica ímpar, que sempre me impressionou: ambos são capazes de dizer algo absolutamente genial num instante e, no seguinte, a maior idiotice jamais ouvida. Talvez o fato se relacione aos hemisférios cerebrais. No caso de Jabor, claro, pois, como se sabe, o baiano nasceu desprovido deles.
Na entrevista de que falo, Jabor estava muito agradável e teve um gesto dos mais dignos quando disse não ter opinião formada sobre a obrigatoriedade do imposto sindical. “Não sei”, falou, coisa que jamais escutei na televisão, lugar por excelência de gênios conhecedores de Tudo, a Enciclopédia do Conhecimento.
(Aliás, o próprio Jabor faz parte de um fenômeno cultural mais amplo e bastante disseminado atualmente na imprensa. Na Renascença e na Antiguidade, a polimatia era regra entre sábios. A modernidade trouxe a figura do cientista especializado no seu ramo científico. A pós-modernidade, por sua vez, estimula a polidoxia: o sujeito é especialista em tudo, ainda que não saiba de nada.)
A dada altura da entrevista, o comentarista político soltou uma daquelas inverdades que, de tão repetidas, acabam perdendo o prefixo: o governo FHC enfrentou ferrenha oposição do PT, enquanto a oposição ao atual governo é pífia.
Minha memória não é boa, caros... caros... Enfim, minha memória não é boa, mas eu me lembro, por acaso, de que foi no período FHC que se cunhou a expressão “rolo compressor do governo” para a aprovação pura e simples das matérias de interesse do Planalto no Congresso. Afinal, a base governista contava nada menos que com os três maiores partidos da Casa. Podia aprovar o que bem queria, inclusive enterrar uma série de CPIs.
Por outro lado, o PT não tinha o tamanho que tem hoje. Fazia barulho, mas o resultado prático de sua oposição era praticamente nulo. A não ser em matérias de interesse do governo que se encontravam mais à esquerda no espectro ideológico e não encontravam eco na base aliada, o governo não era forçado a conversar com a oposição.
No governo FHC se aprovou pelo menos uma aberração política e jurídica: a reeleição para beneficiar políticos no exercício do cargo, coisa que até o faxineiro do Congresso sabe inconstitucional. Isso, para não se falar na suposta compra de votos para aprová-la. Suposta, claro, pois não houve CPI. Tampouco o assunto foi aprofundado pela mídia.
A mídia, em tempos de democracia, talvez nunca tenha sido tão condescendente com um governante. FHC encantava os jornalistas. Um ou outro colunista, sim, descia a lenha no Príncipe. Nos artigos de opinião, permitia-se. Nas matérias, no entanto... Basta dizer que até hoje é tabu nas redações um simples caso extraconjugal que FHC teve com uma jornalista.
Ora, alguém é tão ingênuo a ponto de achar que mensalão ou coisa que o valha é obra deste governo? O que este governo tem de diferente do de FHC, além do pouco domínio do idioma, é justamente aquele que talvez seja seu único mérito: é investigado. Exaustivamente investigado. Pelo Congresso, pela mídia.
A partir de matérias aprofundadas, por exemplo, a imprensa transformou a denúncia inicial de Roberto Jefferson em um escândalo sem precedentes. Sem precedentes, porque jornais e revistas fizeram seu papel: investigaram, denunciaram, aproveitaram-se do operoso trabalho parlamentar, que conseguiu criar uma CPI.
Aliás, neste governo foram criadas várias. No governo FHC, a impressão é de que nada se investigava: nem o Congresso, nem a imprensa, nem o Ministério Público. O Procurador-Geral da República então tinha a alcunha de “engavetador-geral”. Ou a memória de vocês é pior do que a minha?
Paremos, portanto, de repetir tolices — não é preciso, o atual presidente já as diz em abundância — e sejamos honestos: apesar do PT e a despeito da inoperância, o governo petista é garantia, ao menos, de que nem toda a sujeira endêmica que atravanca o país há séculos será empurrada para debaixo do tapete. Ainda que isso independa de sua vontade, claro.
(Comentários sobre como esta postagem é petista ou direitista, por favor, encaminhem ao nosso editor.)
Jabor comunga com Caetano Veloso de uma característica ímpar, que sempre me impressionou: ambos são capazes de dizer algo absolutamente genial num instante e, no seguinte, a maior idiotice jamais ouvida. Talvez o fato se relacione aos hemisférios cerebrais. No caso de Jabor, claro, pois, como se sabe, o baiano nasceu desprovido deles.
Na entrevista de que falo, Jabor estava muito agradável e teve um gesto dos mais dignos quando disse não ter opinião formada sobre a obrigatoriedade do imposto sindical. “Não sei”, falou, coisa que jamais escutei na televisão, lugar por excelência de gênios conhecedores de Tudo, a Enciclopédia do Conhecimento.
(Aliás, o próprio Jabor faz parte de um fenômeno cultural mais amplo e bastante disseminado atualmente na imprensa. Na Renascença e na Antiguidade, a polimatia era regra entre sábios. A modernidade trouxe a figura do cientista especializado no seu ramo científico. A pós-modernidade, por sua vez, estimula a polidoxia: o sujeito é especialista em tudo, ainda que não saiba de nada.)
A dada altura da entrevista, o comentarista político soltou uma daquelas inverdades que, de tão repetidas, acabam perdendo o prefixo: o governo FHC enfrentou ferrenha oposição do PT, enquanto a oposição ao atual governo é pífia.
Minha memória não é boa, caros... caros... Enfim, minha memória não é boa, mas eu me lembro, por acaso, de que foi no período FHC que se cunhou a expressão “rolo compressor do governo” para a aprovação pura e simples das matérias de interesse do Planalto no Congresso. Afinal, a base governista contava nada menos que com os três maiores partidos da Casa. Podia aprovar o que bem queria, inclusive enterrar uma série de CPIs.
Por outro lado, o PT não tinha o tamanho que tem hoje. Fazia barulho, mas o resultado prático de sua oposição era praticamente nulo. A não ser em matérias de interesse do governo que se encontravam mais à esquerda no espectro ideológico e não encontravam eco na base aliada, o governo não era forçado a conversar com a oposição.
No governo FHC se aprovou pelo menos uma aberração política e jurídica: a reeleição para beneficiar políticos no exercício do cargo, coisa que até o faxineiro do Congresso sabe inconstitucional. Isso, para não se falar na suposta compra de votos para aprová-la. Suposta, claro, pois não houve CPI. Tampouco o assunto foi aprofundado pela mídia.
A mídia, em tempos de democracia, talvez nunca tenha sido tão condescendente com um governante. FHC encantava os jornalistas. Um ou outro colunista, sim, descia a lenha no Príncipe. Nos artigos de opinião, permitia-se. Nas matérias, no entanto... Basta dizer que até hoje é tabu nas redações um simples caso extraconjugal que FHC teve com uma jornalista.
Ora, alguém é tão ingênuo a ponto de achar que mensalão ou coisa que o valha é obra deste governo? O que este governo tem de diferente do de FHC, além do pouco domínio do idioma, é justamente aquele que talvez seja seu único mérito: é investigado. Exaustivamente investigado. Pelo Congresso, pela mídia.
A partir de matérias aprofundadas, por exemplo, a imprensa transformou a denúncia inicial de Roberto Jefferson em um escândalo sem precedentes. Sem precedentes, porque jornais e revistas fizeram seu papel: investigaram, denunciaram, aproveitaram-se do operoso trabalho parlamentar, que conseguiu criar uma CPI.
Aliás, neste governo foram criadas várias. No governo FHC, a impressão é de que nada se investigava: nem o Congresso, nem a imprensa, nem o Ministério Público. O Procurador-Geral da República então tinha a alcunha de “engavetador-geral”. Ou a memória de vocês é pior do que a minha?
Paremos, portanto, de repetir tolices — não é preciso, o atual presidente já as diz em abundância — e sejamos honestos: apesar do PT e a despeito da inoperância, o governo petista é garantia, ao menos, de que nem toda a sujeira endêmica que atravanca o país há séculos será empurrada para debaixo do tapete. Ainda que isso independa de sua vontade, claro.
(Comentários sobre como esta postagem é petista ou direitista, por favor, encaminhem ao nosso editor.)
LITERATURA NOVA
Para agradar a amigos que reclamam da minha neofobia literária, resolvi comprar os últimos romances publicados. E confesso que gostei. Aliás, não foi surpresa. Sempre fui fã da literatura do século XIX.
(Mais, aqui)
(Mais, aqui)
10 de novembro de 2007
CRISE SEM PRECEDENTES NA PUBLICIDADE BRASILEIRA
O Sopa de Tamanco já escreveu que a publicidade brasileira enfrenta uma crise sem precedentes - que se arrasta por anos e anos. Parece exagero. Não é não.
É só ligar a TV, abrir os jornais ou passar os olhos nos anúncios das revistas.
Um anúncio do jornal o Estado de S.Paulo, publicado faz anos, trazia uma vírgula entre sujeito e verbo, erro inadmissível em redatores que, com certeza, se julgam gênios. O texto dizia algo como "e o Estadão, continua....".
Tempos depois, a agência que atende ao mesmíssimo Estado de S.Paulo lança um dos slogans mais idiotas de todos os tempos - aquele que elogia quem "pensa Ão". É o tipo da tentativa fracassadíssima e pouco inspirada de criar um bordão. Mas somente idiotas seriam capazes de dizer coisas como :"Vou ler um livro de fulano. Deve ser bom, porque ele pensa Ão".
Ah, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, rogai por nós todos.
O que dizer dos anúncios dessas campanhas de cervejas ? O que é o "Bar da Boa"? Que coisa estúpida, falsa e artificialíssima! E o "Zeca-Feira" ? Eis outra tentativa de criar um bordão que nem o mais rematado dos idiotas seria capaz de repetir.
Agora, as revistas semanais expõem um anúncio de página dupla da fábrica de automóveis Toyota.
O texto do anúncio, publicado em espaço nobilíssimo da revista Veja dessa semana :"Determinação é encarar os obstáculos de frente"
Encarar de frente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Há alguma outra maneira de encarar qualquer coisa - que não seja de frente ?
O Dicionário Aurélio informa : "encarar: olhar de frente".
Custava tanto o redator dar uma checada no Nosso Pai, o dicionário?
Qualquer aluno de primeiro grau que escrevesse algo como "encarar de frente" seria repreendido pela professorinha.
Quantos mil dólares a agência terá cobrado para conceber frase tão brilhante ?
O princípio se aplica aos anúncios de cerveja, à campanha do jornal etc.etc.
O pior é que há quem pague por estes anúncios.
Quem disse que nasce um otário a cada minuto no planeta nunca teve tanta razão.
É só ligar a TV, abrir os jornais ou passar os olhos nos anúncios das revistas.
Um anúncio do jornal o Estado de S.Paulo, publicado faz anos, trazia uma vírgula entre sujeito e verbo, erro inadmissível em redatores que, com certeza, se julgam gênios. O texto dizia algo como "e o Estadão, continua....".
Tempos depois, a agência que atende ao mesmíssimo Estado de S.Paulo lança um dos slogans mais idiotas de todos os tempos - aquele que elogia quem "pensa Ão". É o tipo da tentativa fracassadíssima e pouco inspirada de criar um bordão. Mas somente idiotas seriam capazes de dizer coisas como :"Vou ler um livro de fulano. Deve ser bom, porque ele pensa Ão".
Ah, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, rogai por nós todos.
O que dizer dos anúncios dessas campanhas de cervejas ? O que é o "Bar da Boa"? Que coisa estúpida, falsa e artificialíssima! E o "Zeca-Feira" ? Eis outra tentativa de criar um bordão que nem o mais rematado dos idiotas seria capaz de repetir.
Agora, as revistas semanais expõem um anúncio de página dupla da fábrica de automóveis Toyota.
O texto do anúncio, publicado em espaço nobilíssimo da revista Veja dessa semana :"Determinação é encarar os obstáculos de frente"
Encarar de frente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Há alguma outra maneira de encarar qualquer coisa - que não seja de frente ?
O Dicionário Aurélio informa : "encarar: olhar de frente".
Custava tanto o redator dar uma checada no Nosso Pai, o dicionário?
Qualquer aluno de primeiro grau que escrevesse algo como "encarar de frente" seria repreendido pela professorinha.
Quantos mil dólares a agência terá cobrado para conceber frase tão brilhante ?
O princípio se aplica aos anúncios de cerveja, à campanha do jornal etc.etc.
O pior é que há quem pague por estes anúncios.
Quem disse que nasce um otário a cada minuto no planeta nunca teve tanta razão.
O MAL QUE O ALCOOLISMO CAUSA AO JORNALISMO AMERICANO
O alcoolismo continua fazendo mal ao jornalismo.
Exemplo: o crítico da revista Time que elogiou um disco do cantor Max de Castro com toda certeza estava sob influência de doses maciças de álcool.
Só pode ter sido.
Exemplo: o crítico da revista Time que elogiou um disco do cantor Max de Castro com toda certeza estava sob influência de doses maciças de álcool.
Só pode ter sido.
A NOITE EM QUE NORMAN MAILER CONSTATOU A VITÓRIA DA IMAGEM SOBRE A PALAVRA. E FEZ UMA CONFISSÃO: ACREDITAVA EM REENCARNAÇÃO!
Aqui, o locutor-que-vos-fala descreve aquela que foi uma das últimas aparições públicas de Norman Mailer- que morreu,hoje, em Nova York. A notícia da morte,por insuficiência renal, foi divulgada faz poucos minutos:
http://www.geneton.com.br/archives/000174.html
http://www.geneton.com.br/archives/000174.html
9 de novembro de 2007
NOTÍCIAS DA ILHA DE EDIÇÃO: PAULO FRANCIS RECLAMA DA SÍNDROME DA BANDA DE MÚSICA, UM DOS MALES DO BRASIL
Vejo uma fita antiga na ilha de edição.Data da gravação: 1980. Em visita ao Rio, Paulo Francis grava uma entrevista:
"Sempre houve no Brasil uma tendência ao conformismo e à "banda de música" em torno de celebridades. Mas toda cultura precisa é de um grande conflito. É preciso haver grandes críticos - pessoas que realmente ataquem os autores, ataquem os atores, por exemplo. Eu era "comprador de brigas" pelo seguinte: ia ver uma peça de teatro, não gostava, dizia que era uma porcaria. E o autor brigava comigo...."
"Sempre houve no Brasil uma tendência ao conformismo e à "banda de música" em torno de celebridades. Mas toda cultura precisa é de um grande conflito. É preciso haver grandes críticos - pessoas que realmente ataquem os autores, ataquem os atores, por exemplo. Eu era "comprador de brigas" pelo seguinte: ia ver uma peça de teatro, não gostava, dizia que era uma porcaria. E o autor brigava comigo...."
EXCLUSIVO: ENCONTRADO FILHO BASTARDO DE GENETON MORAES NETO E YOKO ONO
Novamente com exclusividade, nos adiantamos a todos os outros órgãos de imprensa e publicamos ao lado a imagem que, nos meios jornalísticos, era mais aguardada que a do filho bastardo de FHC. Com vocês, o filho bastardo de Geneton Moraes Neto e Yoko Ono: Geneton Moraes Neto Jr.Notem a mistura de traços da mãe e do pai. Sobretudo a barba, que não nega a origem paterna. Quem escutou o garoto, disse que ele fala japonês com sotaque pernambucano. Em vez de “arigatô”, por exemplo, diz “arigató”.
.
A foto foi tirada no cativeiro onde o rapaz é mantido, em péssimas condições de higiene, de maneira a preservar a fama do casal. Nela, vemos o momento em que um médico contratado especialmente para o serviço, após entrar de olhos vendados no recinto, examina o jovem Moraes. Pedimos desculpas aos leitores pela baixa qualidade da imagem, mas foi o que conseguimos, acreditem, em situação tão precária.
EXTRA! EXTRA! REPÓRTER DO SDT É ASSEDIADO SEXUALMENTE POR YOKO ONO!!!
A verdade só veio à tona agora. A viúva negra dos Beatles é uma caçadora voraz. Em uma entrevista realizada em Brasília, há alguns anos, Yoko Ono tentou conquistar Geneton Moraes Neto.
Isto mesmo. Geneton, ingênuo, fez apenas uma pergunta à Super Viúva sobre John Lennon. Ela, sentindo nas partes pudentas saudades do marido, não hesitou: meteu a mão na coxa do repórter.
Estavam numa suíte decadente do Hotel Nacional. Cenário perfeito para este tipo de atentado ao pudor.
Acham que eu minto? Pois então leia o relato pela boca do assustado e ingênuo repórter:
- "Quando toquei no assunto John Lennon, ele pousou delicadamente a mão sobre minha coxa e disse: 'Quem sabe, em outra oportunidade falamos deste assunto- que é muito vasto'."
Depois, falaram da floresta, numa clara alusão às matas fechadas nipo-japonesas! Orgulhoso mas tímido, GMN não quis se pronunciar sobre a vastidão do seu assunto pernambucano.
Isto mesmo. Geneton, ingênuo, fez apenas uma pergunta à Super Viúva sobre John Lennon. Ela, sentindo nas partes pudentas saudades do marido, não hesitou: meteu a mão na coxa do repórter.
Estavam numa suíte decadente do Hotel Nacional. Cenário perfeito para este tipo de atentado ao pudor.
Acham que eu minto? Pois então leia o relato pela boca do assustado e ingênuo repórter:
- "Quando toquei no assunto John Lennon, ele pousou delicadamente a mão sobre minha coxa e disse: 'Quem sabe, em outra oportunidade falamos deste assunto- que é muito vasto'."
Depois, falaram da floresta, numa clara alusão às matas fechadas nipo-japonesas! Orgulhoso mas tímido, GMN não quis se pronunciar sobre a vastidão do seu assunto pernambucano.
FOFOCA POLÍTICA, A SER CHECADA DAQUI A DOIS ANOS
O Sopa de Tamanco não é blog de fofoca política. Mas vale o mero registro, a ser conferido daqui a dois anos, em 2009,quando a campanha para a sucessão presidencial de 2010 estiver pegando fogo.
Uma figura que sempre teve acesso do sr.Luiz Inácio Lula da Silva desde os tempos em que o dito era sindicalista em São Bernardo do Campo nos disse, num jantar, em São Paulo, no ano passado, o seguinte:
"Pelo amor de Deus, o que vou dizer eu não ouvi da boca de Lula. Mas, pelo que observei nos últimos tempos, se ele for escolher dentro do PT um candidato a presidente, ele apostará em Dilma Roussef".
Eu me lembrei desse comentário quando vi nos jornais que Lula escalou a ministra para anunciar a descoberta de uma reserva gigante de petróleo no Brasil. O objetivo da escalação: dar "visibilidade" à Dona Dilma.
A fofoca faz sentido.
Uma figura que sempre teve acesso do sr.Luiz Inácio Lula da Silva desde os tempos em que o dito era sindicalista em São Bernardo do Campo nos disse, num jantar, em São Paulo, no ano passado, o seguinte:
"Pelo amor de Deus, o que vou dizer eu não ouvi da boca de Lula. Mas, pelo que observei nos últimos tempos, se ele for escolher dentro do PT um candidato a presidente, ele apostará em Dilma Roussef".
Eu me lembrei desse comentário quando vi nos jornais que Lula escalou a ministra para anunciar a descoberta de uma reserva gigante de petróleo no Brasil. O objetivo da escalação: dar "visibilidade" à Dona Dilma.
A fofoca faz sentido.
OFÍCIO
Não tenho aptidão ou habilidade para coisa alguma, nada. Qualquer dia, em nome da sobrevivência, serei forçado a abraçar a carreira de artista plástico contemporâneo.
EM BRASÍLIA, COM A VIÚVA ONO
Carecem de qualquer fundamento os boatos de que este tamanqueiro vai entrevistar a septuagenária viúva Ono durante a passagem da dita cuja por terras paulistanas.
Já entrevistei, uma vez, em Brasília. Eu me lembro de que ela disse platitudes sobre a paz e a harmonia universais. Não quis falar do ex-beatle. Quando toquei no assunto John Lennon, ele pousou delicadamente a mão sobre minha coxa e disse: "Quem sabe, em outra oportunidade falamos deste assunto- que é muito vasto". Declarou-se preocupada com a Amazônia.
A viúva Ono ocupava a suíte meio decadente do Hotel Nacional. Lá pelas tantas, foi à janela, para contemplar Brasília.
O que mais ?
Quando desci, vi a mãe de Glauber Rocha tomando suco numa mesa à beira da piscina.
Corri para o aeroporto para pegar o avião. Como sempre acontece quando me dirijo a qualquer aeroporto, tinha certeza absoluta de que iria morrer num desastre aéreo.
Não morri, pelo visto.
Já entrevistei, uma vez, em Brasília. Eu me lembro de que ela disse platitudes sobre a paz e a harmonia universais. Não quis falar do ex-beatle. Quando toquei no assunto John Lennon, ele pousou delicadamente a mão sobre minha coxa e disse: "Quem sabe, em outra oportunidade falamos deste assunto- que é muito vasto". Declarou-se preocupada com a Amazônia.
A viúva Ono ocupava a suíte meio decadente do Hotel Nacional. Lá pelas tantas, foi à janela, para contemplar Brasília.
O que mais ?
Quando desci, vi a mãe de Glauber Rocha tomando suco numa mesa à beira da piscina.
Corri para o aeroporto para pegar o avião. Como sempre acontece quando me dirijo a qualquer aeroporto, tinha certeza absoluta de que iria morrer num desastre aéreo.
Não morri, pelo visto.
NINGUÉM VAI FICAR MENOS INTELIGENTE SE PERDER O ÚLTIMO LANÇAMENTO....
Do site de Paulo Polzonoff:
"Ao ler a famosa lista de livros recomendados por Paulo Francis, por exemplo, saí praguejando contra tudo e contra todos porque, ora, porque aos catorze anos eu não tinha lido Crime e Castigo. E também porque não existia (não existe ainda hoje) uma edição completa de Ascensão e Queda do Império Romano. Como eu poderia viver sem isso? Como um dia eu poderia alcançar o Nirvana sem esta base?
Hoje eu passo incólume pela prateleira dos lançamentos nas livrarias. Gostaria muito de ler As Benevolentes, mas, quer saber?, fica para a próxima encarnação. Ou para quando e se eu tiver uma hepatite ou coisa do gênero. Até que me dá uma vontadezinha de ir ao cinema ver a mais recente produção franco-indiana, mas, só de pensar na fila e no preço e na falta de educação das pessoas… Melhor esperar o DVD. Continuo gostando de balé contemporâneo e é mesmo bem legal assistir ao Grupo Corpo, mas, sinceramente, não vou ficar menos inteligente (ou mais burro – uma questão de perspectiva) por causa disso"
(aqui, o texto completo:
http://www.polzonoff.com.br/o-mau-legado-de-paulo-francis.htm#more-895)
"Ao ler a famosa lista de livros recomendados por Paulo Francis, por exemplo, saí praguejando contra tudo e contra todos porque, ora, porque aos catorze anos eu não tinha lido Crime e Castigo. E também porque não existia (não existe ainda hoje) uma edição completa de Ascensão e Queda do Império Romano. Como eu poderia viver sem isso? Como um dia eu poderia alcançar o Nirvana sem esta base?
Hoje eu passo incólume pela prateleira dos lançamentos nas livrarias. Gostaria muito de ler As Benevolentes, mas, quer saber?, fica para a próxima encarnação. Ou para quando e se eu tiver uma hepatite ou coisa do gênero. Até que me dá uma vontadezinha de ir ao cinema ver a mais recente produção franco-indiana, mas, só de pensar na fila e no preço e na falta de educação das pessoas… Melhor esperar o DVD. Continuo gostando de balé contemporâneo e é mesmo bem legal assistir ao Grupo Corpo, mas, sinceramente, não vou ficar menos inteligente (ou mais burro – uma questão de perspectiva) por causa disso"
(aqui, o texto completo:
http://www.polzonoff.com.br/o-mau-legado-de-paulo-francis.htm#more-895)
CONFIRMADO
GMN, o popular Greenwich Mean Neto, repórter e mito, já confirmou entrevista com Yoko Ono, ex-esposa e fanha.
O SDT apurou e revela agora com exclusividade aos seus leitores qual será a primeira pergunta do jornalista-mor da nação para a mulher que tenta — e consegue — vender gato por arte.
— Na opinião da senhora, jacaré no seco anda? — perguntará Moraes Neto que, poliglota, além do idioma de Akira Kurosawa, domina ainda as 59 línguas faladas pelo falecido João Paulo II, mais o swahili, o aramaico, o enxacoco e o lulês.
Aguardem. A entrevista será de arregalar os olhos. Menos os da Yoko, claro.
O SDT apurou e revela agora com exclusividade aos seus leitores qual será a primeira pergunta do jornalista-mor da nação para a mulher que tenta — e consegue — vender gato por arte.
— Na opinião da senhora, jacaré no seco anda? — perguntará Moraes Neto que, poliglota, além do idioma de Akira Kurosawa, domina ainda as 59 línguas faladas pelo falecido João Paulo II, mais o swahili, o aramaico, o enxacoco e o lulês.
Aguardem. A entrevista será de arregalar os olhos. Menos os da Yoko, claro.
POLIMATIA
Bom de briga, Heráclito chamou Pitágoras de príncipe dos impostores.
O “rei dos tagarelas” acusou o golpe? Não é de Heráclito a acusação de impostor? Tampouco se refere ela ao “ancestral dos charlatães”?
Pitagóricos de todas as tendências, defendei a memória de vosso mestre – cuja autoridade de sábio invocais com o apaziguador “ele disse”, que põe fim a debates e acaba com as dúvidas. Roma locuta?
Para Heráclito, a causa não é finda: “Ter um saber extenso e variado não instrui a inteligência. Do contrário, teria instruído Pitágoras.”
O “rei dos tagarelas” acusou o golpe? Não é de Heráclito a acusação de impostor? Tampouco se refere ela ao “ancestral dos charlatães”?
Pitagóricos de todas as tendências, defendei a memória de vosso mestre – cuja autoridade de sábio invocais com o apaziguador “ele disse”, que põe fim a debates e acaba com as dúvidas. Roma locuta?
Para Heráclito, a causa não é finda: “Ter um saber extenso e variado não instrui a inteligência. Do contrário, teria instruído Pitágoras.”
A TAÇA DO MUNDO É NOSSA. COM EMPREITEIRA, NÃO HÁ QUEM POSSA
Faz três semanas que faço e refaço as contas: dá para calcular qual vai ser o tamanho da roubalheira das empreiteiras na construção dos estádios para a Copa do Mundo brasileira ? Dá para imaginar o que será pago de propinas a administradores, políticos e apaniguados corruptos ? Quantas amantes receberão dinheiro vivo em envelopes pardos ?
Não é implicância nem delírio: um levantamento superficial revelará que as empreiteiras estão envolvidas em dez em cada dez escândalos de roubalheira cabeluda acontecida nas últimas décadas.
Corrupto é ladrão. Corruptor também.
Não há máquina de calcular que dê conta do trabalho.
Não é implicância nem delírio: um levantamento superficial revelará que as empreiteiras estão envolvidas em dez em cada dez escândalos de roubalheira cabeluda acontecida nas últimas décadas.
Corrupto é ladrão. Corruptor também.
Não há máquina de calcular que dê conta do trabalho.
DA GENEROSIDADE DIVINA
Se Deus fosse realmente generoso como dizem os crentes, teria ao menos caprichado mais na produção de endorfinas.
Será?
!!!!!!Depois de entrevisar o bêbado loser que deixou de ser um Beatle. Depois de entrevistar o homem que derrubou um presidente. Depois de acompanhar Gorbachev em seu (dele, Gorbachev) ocaso, Geneton Moraes Neto, ao saber que Yoko Ono está no Brasil, prometeu cantar Ne Me Quitte Pas para a viúva de John Lennon!!!!!!!
Em retribuição, Yoko Ono prometeu fazer uma performance envolvendo maracatus e Imagine, do finado.
- Vai ser uma coisa linda - profetizou Caetano Veloso.
Em retribuição, Yoko Ono prometeu fazer uma performance envolvendo maracatus e Imagine, do finado.
- Vai ser uma coisa linda - profetizou Caetano Veloso.
Fundo do poço
Yoko Ono está no Brasil para fazer uma exposição de arte vagabunda, digo, contemporânea.
É o fundo do poço. Para ela e para nós.
É o fundo do poço. Para ela e para nós.
Das ambições nacionais
Ontem, durante o anúncio de um super campo de petróleo, o presidente da Petrobrás fez previsões sobre a posição do Brasil no ranking mundial.
- Algo entre a Venezuela e a Nigéria.
Maravilha, hein?
- Algo entre a Venezuela e a Nigéria.
Maravilha, hein?
ALGUMA COISA ACONTECE NO MEU PULMÃO
Em São Paulo, saber se o céu existe não é uma questão metafísica, mas puramente astronômica. De um lado, somos beneficiados pelo fato de uma agência estadual regular rigidamente a qualidade desse elemento imprescindível, evitando que não entre muito oxigênio em sua composição. De outro, contamos com um fator econômico ancilar: o oxigênio paulista é tão pobre que não consegue passar no pedágio da Dutra.
(Mais, aqui)
(Mais, aqui)
8 de novembro de 2007
VIOLÊNCIA ANTIGA
fALAM MUITO DA violência que impera na Cidade Maravilhosa - o Rio de Janeiro. Esse assunto é coisa antiga e vem de muito longe. Em 1900, o poeta Raimundo Correia, em carta dirigida ao escritor Assis Brasil, escrevia: «A estatística criminal do Rio de Janeiro aterroriza. Todos os dias são portas arrombadas, assaltos em pleno dia, roubos, assassinatos. Nunca se viu tão grande falta de segurança pessoal, de justiça e de moralidade pública. Os cidadãos precisam andar armados para se defenderem já que a polícia não os defende, e fazer justiça por suas próprias mãos já que não podem contar com a dos tribunais do país, que é demorada e tão cara e dispendiosa, que só os ricos e poderão obter». Fim de citação.
DOS MISTÉRIOS DA FÉ
Sou agnóstico, com alguma — pouca — propensão à crença. Isso, se a televisão estiver desligada.
ESCONDIDO TU ESTÁS
Deus está em tudo, é verdade. Mas confesso que gosto mais dele quando vem em cápsulas de 20 mg de Fluoxetina.
AOS MAGISTRADOS DO BRASIL, A SINGELA HOMENAGEM DO SDT
"Marchands de grec! marchands de latin! cuistres! dogues!
Philistins! magisters! je vous hais, pédagogues!
Car, dans votre aplomb grave, infaillible, hébété,
Vous niez l'idéal, la grâce et la beauté!
Car vos textes, vos lois, vos règles sont fossiles!
Car, avec l'air profond, vous êtes imbéciles!"
(V. Hugo em "Les Contemplations", XIII)
Philistins! magisters! je vous hais, pédagogues!
Car, dans votre aplomb grave, infaillible, hébété,
Vous niez l'idéal, la grâce et la beauté!
Car vos textes, vos lois, vos règles sont fossiles!
Car, avec l'air profond, vous êtes imbéciles!"
(V. Hugo em "Les Contemplations", XIII)
A NETA DE TOLSTOI, AOS NOVENTA ANOS, REMAVA TODO DIA - E DIZIA QUE O PAI ACHAVA "GUERRA E PAZ" UMA INFANTILIDADE.....
Lucas Mendes sobre um encontro surrealista com a neta de Leon Tolstoi:
"Depois de muita relutância, concordou em me dar uma entrevista na casa onde ficava a Fundação Tolstói, a 60 quilômetros ao norte de Nova York. Ela estava com 90 anos (morreu com 95) e remava todos os dias.
Eu me sentei na proa do barco, a presidente da Fundação, Tatiana, na popa, e ela, no banco do meio, remava e contava histórias.
Neste momento há uma batalha nos Estados Unidos sobre duas novas traduções de Guerra e Paz. Os críticos e acadêmicos têm debates apaixonados, mas o velho Tolstói não entraria nesta briga.
"Papai tinha 40 anos e se entusiasmou quando escreveu Guerra e Paz, mas achava que não era um romance como Anna Karenina que escreveu depois, com quase 50 anos. A partir daí se interessou por pacifismo e filosofia e perdeu completamente o interesse pela literatura. Vinha gente de toda Rússia e de outros países falar com ele sobre Guerra e Paz e ele não tinha o menor interesse, paciência, nem lembrava dos personagens. Achava aquilo uma infantilidade e apagou tudo da memória."
aqui, o texto completo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071108_lucasmendes_ac.shtml
"Depois de muita relutância, concordou em me dar uma entrevista na casa onde ficava a Fundação Tolstói, a 60 quilômetros ao norte de Nova York. Ela estava com 90 anos (morreu com 95) e remava todos os dias.
Eu me sentei na proa do barco, a presidente da Fundação, Tatiana, na popa, e ela, no banco do meio, remava e contava histórias.
Neste momento há uma batalha nos Estados Unidos sobre duas novas traduções de Guerra e Paz. Os críticos e acadêmicos têm debates apaixonados, mas o velho Tolstói não entraria nesta briga.
"Papai tinha 40 anos e se entusiasmou quando escreveu Guerra e Paz, mas achava que não era um romance como Anna Karenina que escreveu depois, com quase 50 anos. A partir daí se interessou por pacifismo e filosofia e perdeu completamente o interesse pela literatura. Vinha gente de toda Rússia e de outros países falar com ele sobre Guerra e Paz e ele não tinha o menor interesse, paciência, nem lembrava dos personagens. Achava aquilo uma infantilidade e apagou tudo da memória."
aqui, o texto completo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071108_lucasmendes_ac.shtml
....OS QUE ESCREVEM LIVROS E ARRISCAM A VIDA EM VIAGENS DE AVIÃO PARA DIVULGÁ-LOS....
Do site de Paulo Polzonoff:
"O que mais admiro nos ateus é que eles têm diante de si este cenário funesto e mesmo assim continuam a viver suas vidas medíocres. Alguns até mesmo trabalham doze ou catorze horas por dia. Outros escrevem livros e arriscam suas existências em viagens de avião para divulgá-los"
Texto completo aqui:
http://www.polzonoff.com.br/remotamente-ateu.htm#more-891
"O que mais admiro nos ateus é que eles têm diante de si este cenário funesto e mesmo assim continuam a viver suas vidas medíocres. Alguns até mesmo trabalham doze ou catorze horas por dia. Outros escrevem livros e arriscam suas existências em viagens de avião para divulgá-los"
Texto completo aqui:
http://www.polzonoff.com.br/remotamente-ateu.htm#more-891
CARY GRANT E RANDOLPH SCOTT
Calma, patrulha politicamente pink. Não estou fazendo julgamento de valor, mas apenas dizendo: depois que foi publicado que Cary Grant, o galã conquistador, tinha um romance com Randolph Scott, aquele caubói dos faroestes (!), passei a achar que tudo era possível sob o sol.
Nem o filho de Wilson Simonal cantando é capaz de me assustar.
Nem o filho de Wilson Simonal cantando é capaz de me assustar.
BAIXA FILOSOFIA
Já disse, volto a confessar: jamais me recuperei do impacto causado pela descoberta de que cerca de oitenta por cento do corpo humano é água pura.
Água!
Quem seria capaz de levar a sério uma água falante ?
É o que somos: águas falantes.
Não há filósofo que dê jeito nesta precariedade líquida.
Desisto.
Vou passear. É melhor.
Quando passar em frente a uma delegacia, aproveitarei para fazer as perguntas que realmente importam : o senhor sabe dizer se Fábio Júnior continua solto ? E aquela locutora que anuncia os horários de vôo no aeroporto com voz suspirante de paciente na UTI pensando que é sensual? Continua solta ?
Dizei, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto !
Água!
Quem seria capaz de levar a sério uma água falante ?
É o que somos: águas falantes.
Não há filósofo que dê jeito nesta precariedade líquida.
Desisto.
Vou passear. É melhor.
Quando passar em frente a uma delegacia, aproveitarei para fazer as perguntas que realmente importam : o senhor sabe dizer se Fábio Júnior continua solto ? E aquela locutora que anuncia os horários de vôo no aeroporto com voz suspirante de paciente na UTI pensando que é sensual? Continua solta ?
Dizei, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto !
ATENÇÃO, TODOS OS CARROS! ATENÇÃO, TODOS OS CARROS! FRANCO-ATIRADOR VISTO NAS REDONDEZAS! É UM NOVO TAMANQUEIRO!
Tamanqueiros de norte a sul do planeta: o Sopa de Tamanco vos apresenta um novo franco-atirador - que, a partir de agora, passa a disparar seus petardos nesta terra de ninguém ( ver post abaixo). Chama-se Paulo Rubens Sampaio. Dorme abraçado a tomos de Filosofia. Quando se olha no espelho de manhã, poliglota que é, dá bom-dia a si mesmo em alemão, sem sotaque. Pratica o Jornalismo como ganha-pão, mas viveria da Filosofia, se a Filosofia enchesse barriga de alguém. Não enche. Mas pelo menos dá a ele a chance de conviver com Pitágoras, Heráclito e outros tipos deste naipe e divagar com olhar embevecido, nos fins de tarde, sobre as cogitações dos filósofos pré-socráticos, até que um editor apareça com um chicote na mão para cobrar: "Cadê a porra do texto de cinco linhas que você ficou de fazer ? Quer filosofar ? Vai morar nas ruínas do Partenon!".
Sopa de Tamanco também é cultura.
Aqui, você aprende tudo, absolutamente tudo que é inútil.
Mas pelo menos é divertido.
Sopa de Tamanco também é cultura.
Aqui, você aprende tudo, absolutamente tudo que é inútil.
Mas pelo menos é divertido.
PRÍNCIPE DOS IMPOSTORES
Ele criou uma espécie de escola, ou seita, à qual se devem os primeiros progressos da matemática, de acordo com Aristóteles. Atribui-se a ele, por exemplo, famoso teorema que ensinam às crianças — ou costumavam ensinar...
Não deixou obra escrita; reservava os resultados de suas indagações aos iniciados. Figura ainda hoje misteriosa, permanece envolto em lendas; é quase um segredo. Mas aparece com destaque na "Escola de Atenas", de Rafael, rodeado por discípulos talentosos.
Entre suas conquistas, contam-se a descoberta de que a harmonia musical é determinada por proporções matemáticas e a noção de que fenômenos físicos podem ser entendidos à luz do cálculo. Tinha, por assim dizer, uma devoção religiosa pelos números — princípio de todas as coisas, elemento primordial da realidade. Isso não impediu que seus discípulos descobrissem a incomensurabilidade da diagonal do quadrado com o lado deste mesmo quadrado — escândalo para quem pretendia explicar o Todo com números inteiros, mas avanço para a ciência. Além de matemático, geômetra. Ia dos pontos às linhas; destas passava aos planos; daí aos sólidos. Para ele, tudo era número: 1, 2, 3, 4.
Não bastasse isso, sustentou que a Terra era uma esfera, falou do movimento harmônico dos planetas e da vida humana nesse concerto. De quebra, a tradição inaugurada por ele é berço da medicina científica.
Sim, estamos diante de Pitágoras, o da soma dos quadrados dos catetos. Um gigante na história das idéias.
Não para Heráclito, que o teria chamado de "príncipe dos impostores". Esse não foi a único golpe desferido, mas bastou para que fosse aberta a contagem.
O prezado leitor quer um pouco de história da filosofia? Deseja acompanhar a peleja? Então se prepare: calce as luvas de boxe. Porque assistir à luta é o mesmo que participar dela.
Até o próximo round!
Não deixou obra escrita; reservava os resultados de suas indagações aos iniciados. Figura ainda hoje misteriosa, permanece envolto em lendas; é quase um segredo. Mas aparece com destaque na "Escola de Atenas", de Rafael, rodeado por discípulos talentosos.
Entre suas conquistas, contam-se a descoberta de que a harmonia musical é determinada por proporções matemáticas e a noção de que fenômenos físicos podem ser entendidos à luz do cálculo. Tinha, por assim dizer, uma devoção religiosa pelos números — princípio de todas as coisas, elemento primordial da realidade. Isso não impediu que seus discípulos descobrissem a incomensurabilidade da diagonal do quadrado com o lado deste mesmo quadrado — escândalo para quem pretendia explicar o Todo com números inteiros, mas avanço para a ciência. Além de matemático, geômetra. Ia dos pontos às linhas; destas passava aos planos; daí aos sólidos. Para ele, tudo era número: 1, 2, 3, 4.
Não bastasse isso, sustentou que a Terra era uma esfera, falou do movimento harmônico dos planetas e da vida humana nesse concerto. De quebra, a tradição inaugurada por ele é berço da medicina científica.
Sim, estamos diante de Pitágoras, o da soma dos quadrados dos catetos. Um gigante na história das idéias.
Não para Heráclito, que o teria chamado de "príncipe dos impostores". Esse não foi a único golpe desferido, mas bastou para que fosse aberta a contagem.
O prezado leitor quer um pouco de história da filosofia? Deseja acompanhar a peleja? Então se prepare: calce as luvas de boxe. Porque assistir à luta é o mesmo que participar dela.
Até o próximo round!
DIÁRIO DE UM HOMEM OPEROSO
Segundo Sun Tzu, fazer supermercado é uma atividade de caráter bélico que pode ser dividida em cinco etapas: recolher as mercadorias, levá-las à caixa mais vazia, ultrapassar a velhinha que segue a passos lentos com o mesmo objetivo, pagar e, por fim, trazer os artigos adquiridos para casa.
Das cinco, a primeira e a segunda causam dor moral. A terceira é perigosa, pois sempre há a possibilidade de a velhinha saber caratê. E a quarta provoca dor física. A única de que me desincumbo com facilidade e sem reclamar é a última. Afinal, moramos a três quadras da loja e há entregadores para fazer o serviço. Não que fique de mãos abanando. Vocês precisam ver a habilidade com que forneço o endereço de casa.
(Mais, aqui)
Das cinco, a primeira e a segunda causam dor moral. A terceira é perigosa, pois sempre há a possibilidade de a velhinha saber caratê. E a quarta provoca dor física. A única de que me desincumbo com facilidade e sem reclamar é a última. Afinal, moramos a três quadras da loja e há entregadores para fazer o serviço. Não que fique de mãos abanando. Vocês precisam ver a habilidade com que forneço o endereço de casa.
(Mais, aqui)
SOBRE PRODUTOS E HOMENS
Uma alternativa para quem não gosta de fazer compras seria os produtos virem caminhando ou rolando sozinhos até nossas residências. Dessa maneira, teríamos apenas o trabalho de deixar a porta aberta e, eventualmente, prestar auxílio a uma lata de extrato de tomate mais desastrada que não conseguisse escalar o armário.
Mas, apesar de não falarem — um evidente sinal de superioridade —, aparentemente as mercadorias são mais atrasadas que o ser humano (há certa disputa nos meios científicos sobre se ministros do atual governo entram na classificação). O que aprenderam até agora em matéria de cinética foi cair das gôndolas, causando maior prejuízo ao cliente.
(Mais, aqui)
Mas, apesar de não falarem — um evidente sinal de superioridade —, aparentemente as mercadorias são mais atrasadas que o ser humano (há certa disputa nos meios científicos sobre se ministros do atual governo entram na classificação). O que aprenderam até agora em matéria de cinética foi cair das gôndolas, causando maior prejuízo ao cliente.
(Mais, aqui)
7 de novembro de 2007
A TRILHA SONORA DO INFERNO
Rock francês.
A trilha sonora do inferno deve ser esta, com certeza.
Quando eu chegar lá, mando notícias dizendo se as suspeitas se cofirmaram.
A trilha sonora do inferno deve ser esta, com certeza.
Quando eu chegar lá, mando notícias dizendo se as suspeitas se cofirmaram.
EM BREVE, NAS MELHORES CASAS DO RAMO, O LIVRO "DOSSIÊ HISTÓRIA"
Quando foi flagrado inventando declarações chorosas supostamente feitas pela viúva de um soldado britânico morto na Guerra das Malvinas, o editor de um tablóide sensacionalista inglês respondeu algo na linha: "Ok,a gente não ouviu a viúva. Mas, se a gente tivesse conseguido ouvir a viúva, vocês acham que ela diria o quê ? Exatamente o que a gente publicou : "ele era um ótimo pai, vai fazer falta". Além de tudo, se a gente não publicasse, quem publicaria, já que ela não falou com ninguém? Cumprimos nossa missão: a de manter o leitor bem informado!".
O código de ética do Sopa de Tamanco permite propaganda em causa própria, desde que não envolva autopropinas em dinheiro vivo.
Assim, o locutor que vos fala pede licença para anunciar que, nas próximas semanas, chega às livrarias o "DOSSIÊ HISTÓRIA", pela Editora Globo.
O livro traz a íntegra de entrevistas gravadas com personagens e testemunhas de fatos que mudaram a história: o capítulo mais extenso é uma expedição pela trilha dos terroristas do 11 de Setembro em Hamburgo,na Alemanha. Como é que um estudante de Arquitetura, recrutado pela Al Qaeda na Alemanha, se tornou o líder dos terroristas suicidas que usaram aviões de passageiros como mísseis nos Estados Unidos? Também : o relato do palestino que ouviu os segredos de Bin Laden numa caverna no Afeganistão ; o depoimento do agente que tentou mas não conseguiu salvar os atletas israelenses no atentado nas Olimpíadas de Munique; a história do filho de um carrasco nazista que até hoje faz campanha contra o pai, enforcado no Tribunal de Nuremberg.
Entrevistas completas. Cenas de bastidores. Sem cortes.
A grande maioria dos títulos que chegam às livrarias não ganha um mísero registro na imprensa.
Como diria o editor do tablóide britânico, o Sopa de Tamanco publica logo a notícia sobre o DOSSIÊ HISTÓRIA pelo seguinte motivo: se a gente não publicasse, quem publicaria ? Cumprimos nossa missão: a de manter o leitor bem informado!
O código de ética do Sopa de Tamanco permite propaganda em causa própria, desde que não envolva autopropinas em dinheiro vivo.
Assim, o locutor que vos fala pede licença para anunciar que, nas próximas semanas, chega às livrarias o "DOSSIÊ HISTÓRIA", pela Editora Globo.
O livro traz a íntegra de entrevistas gravadas com personagens e testemunhas de fatos que mudaram a história: o capítulo mais extenso é uma expedição pela trilha dos terroristas do 11 de Setembro em Hamburgo,na Alemanha. Como é que um estudante de Arquitetura, recrutado pela Al Qaeda na Alemanha, se tornou o líder dos terroristas suicidas que usaram aviões de passageiros como mísseis nos Estados Unidos? Também : o relato do palestino que ouviu os segredos de Bin Laden numa caverna no Afeganistão ; o depoimento do agente que tentou mas não conseguiu salvar os atletas israelenses no atentado nas Olimpíadas de Munique; a história do filho de um carrasco nazista que até hoje faz campanha contra o pai, enforcado no Tribunal de Nuremberg.
Entrevistas completas. Cenas de bastidores. Sem cortes.
A grande maioria dos títulos que chegam às livrarias não ganha um mísero registro na imprensa.
Como diria o editor do tablóide britânico, o Sopa de Tamanco publica logo a notícia sobre o DOSSIÊ HISTÓRIA pelo seguinte motivo: se a gente não publicasse, quem publicaria ? Cumprimos nossa missão: a de manter o leitor bem informado!
ENQUANTO ISSO NA GRÉCIA (2)
-- Segundo a pitonisa, haverá uma ilha, daqui a mais de dois mil anos, que ficará famosa em todo o mundo.
-- É Creta?
-- Não.
-- É Chipre?
-- Não.
-- É Lesbos?
-- Não, essa só vai ficar conhecida no meio musical brasileiro mesmo. A ilha em questão vai ser governada por um ditador barbudo...
-- Ah, Hécuba.
-- É Creta?
-- Não.
-- É Chipre?
-- Não.
-- É Lesbos?
-- Não, essa só vai ficar conhecida no meio musical brasileiro mesmo. A ilha em questão vai ser governada por um ditador barbudo...
-- Ah, Hécuba.
DIREITO DE RESPOSTA
(Concedido pelo Exmo. Sr. Dr. Juiz Salamaleque II, da vara de Pesca-BA, ao Ilmo. Sr. Carlinhos Brown, de acordo com a lei 171/2006.)
"Uuoou. Carcatecocucê. Aloiá. Aloiá. Babumbemba. Borô. Cará. Caraquetecê. Ulu. Ululu. Ululupaiera. Ãodessão. Onemoretime. Patumbê. Patumbê."
"Uuoou. Carcatecocucê. Aloiá. Aloiá. Babumbemba. Borô. Cará. Caraquetecê. Ulu. Ululu. Ululupaiera. Ãodessão. Onemoretime. Patumbê. Patumbê."
DAS BELEZAS DO AMOR
Para fazer supermercado, conto com a inestimável ajuda de minha cônjuge. Afinal, senão a primeira — não menosprezemos o coçar as costas um do outro —, uma das bases eviternas do casamento saudável é, sem dúvida, ter alguém para fazer feira conosco.
Nos dias em que meu bem está de TPM, então, sua prestança duplica. Vendo a bravura com que recolhe as provisões, posso atestar: estivesse ela ao lado de El Cid, os mouros não apenas teriam sido expulsos da península ibérica, mas perdido também o Oriente Médio, todo o norte da África e mais dois territórios a sua escolha.
(Mais, aqui)
Nos dias em que meu bem está de TPM, então, sua prestança duplica. Vendo a bravura com que recolhe as provisões, posso atestar: estivesse ela ao lado de El Cid, os mouros não apenas teriam sido expulsos da península ibérica, mas perdido também o Oriente Médio, todo o norte da África e mais dois territórios a sua escolha.
(Mais, aqui)
O fim de uma era
A 'New York' anunciou que não mais publicará anúncio de 'acompanhantes', 'modelos' e demais eufemismos do sexo alugado.
Torna-se, assim, a 15ª publicação dos EUA a fazê-lo.
Pergunta: nas hostes impressas do nosso querido catolicismo tropical, tudo na mesma?
Torna-se, assim, a 15ª publicação dos EUA a fazê-lo.
Pergunta: nas hostes impressas do nosso querido catolicismo tropical, tudo na mesma?
UM "DIVISOR DE ÁGUAS": JÁ É POSSÍVEL CONSULTAR JORNAIS DO SÉCULO DEZOITO NA INTERNET!
Não, não é Moisés abrindo caminho pelo mar Vermelho. É a imprensa inglesa "marcando época". Pela primeira vez, todas as edições de jornais que já existem há séculos estarão disponíveis para consulta para internautas de qualquer parte do planeta, em troca de módicos preços.
As edições do Guardian publicadas desde 1821 e a do Observer desde 1791 já estão liberadas para consulta. "Cada página, cada artigo, cada anúncio", anuncia o site dos jornais.
Em breve, todas as edições de todos os grandes jornais estarão ao alcance da ponta dos dedos, no teclado de um computador.
Aqui, Ivan Lessa bate palmas para a novidade:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071107_ivanlessa.shtml
Em breve, ninguém precisará sair de casa para fazer nada.
Vai estar tudo no monitor.
As edições do Guardian publicadas desde 1821 e a do Observer desde 1791 já estão liberadas para consulta. "Cada página, cada artigo, cada anúncio", anuncia o site dos jornais.
Em breve, todas as edições de todos os grandes jornais estarão ao alcance da ponta dos dedos, no teclado de um computador.
Aqui, Ivan Lessa bate palmas para a novidade:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071107_ivanlessa.shtml
Em breve, ninguém precisará sair de casa para fazer nada.
Vai estar tudo no monitor.
Enquanto isso, na Grécia...
- Você gosta de teatro?
- Só de peças antigas?
- Antigas? Antigas mesmo?
- Antigona.
- Só de peças antigas?
- Antigas? Antigas mesmo?
- Antigona.
CADÊ O ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL ?
Uma dúvida singela: antes de lançar discos de Carlinhos Brown no mercado as gravadoras fazem, antes, um Estudo de Impacto Ambiental ?
OS ESPANHÓIS IORUBÁS
Declaração de mister Carlinhos Brown no Segundo Caderno do Globo de hoje:
-Quando canto em iorubá, os espanhóis sabem do que se trata. Aqui, pensam que é onomatopéia.
De fato, qualquer criança em Madrid sabe que, por exemplo, a palavra dezessete em iorubá é éjìdinlógún ( acabei de ver na Wikipedia).
Nunca foi tão fácil ser entendido em Madrid.
-Quando canto em iorubá, os espanhóis sabem do que se trata. Aqui, pensam que é onomatopéia.
De fato, qualquer criança em Madrid sabe que, por exemplo, a palavra dezessete em iorubá é éjìdinlógún ( acabei de ver na Wikipedia).
Nunca foi tão fácil ser entendido em Madrid.
SUPERMERCADOS
Fazer supermercado é, para mim, um gênero incontroverso e ainda não catalogado de tortura. Com a diferença de que a gente não sente cosquinhas. Em compensação, não precisa pagar na saída.
Excetuando-se a ida a uma palestra do Gilberto Kassab, ignoro o que mais pode haver de tão calino e humilhante quanto passar uma hora empurrando um carrinho e enfiando produtos dentro dele.
No entanto, como espécime dos mais involuídos da cadeia alimentar, o ser humano necessita de enorme variedade de comidas para sobreviver. Tivéssemos atingido o estágio das plantas e no máximo procuraríamos um supermercado em dias de pouco sol. Ainda assim, só utilizaríamos as prateleiras das lâmpadas.
(Mais, aqui)
Excetuando-se a ida a uma palestra do Gilberto Kassab, ignoro o que mais pode haver de tão calino e humilhante quanto passar uma hora empurrando um carrinho e enfiando produtos dentro dele.
No entanto, como espécime dos mais involuídos da cadeia alimentar, o ser humano necessita de enorme variedade de comidas para sobreviver. Tivéssemos atingido o estágio das plantas e no máximo procuraríamos um supermercado em dias de pouco sol. Ainda assim, só utilizaríamos as prateleiras das lâmpadas.
(Mais, aqui)
TELEMARKETING
— Então o senhor não vai querer estar adquirindo a promoção, sr. Silogésio?
— Não, Nadja, obrigado.
— E eu poderia estar sabendo o porquê?
— Depende. Você tá usando “por que” junto ou separado?
— O quê?
— “O quê” com ou sem circunflexo?
(Mais, aqui)
— Não, Nadja, obrigado.
— E eu poderia estar sabendo o porquê?
— Depende. Você tá usando “por que” junto ou separado?
— O quê?
— “O quê” com ou sem circunflexo?
(Mais, aqui)
6 de novembro de 2007
ABORTO
Sou a favor do aborto, mas com restrições. Para mim, o procedimento só deveria ser permitido nos casos de fetos maiores de quinze anos que falem "um plus a mais" ou "a nível de".
A PRAGA AVANÇA
.
A inominável praga do gerundismo ( "vou estar falando"; "vou estar providenciando") acaba de invadir outro terreno: o grupo Tortura Nunca Mais.
Ao dar entrevista ao rádio, na manhã desta terça-feira, o porta-voz do Tortura Nunca Mais usou e abusou do "vamos estar fazendo" e coisas parecidas. Doeu nos ouvidos. Tortura pura.
Nem os bem-intencionados escaparam da praga.
A casa caiu.
A inominável praga do gerundismo ( "vou estar falando"; "vou estar providenciando") acaba de invadir outro terreno: o grupo Tortura Nunca Mais.
Ao dar entrevista ao rádio, na manhã desta terça-feira, o porta-voz do Tortura Nunca Mais usou e abusou do "vamos estar fazendo" e coisas parecidas. Doeu nos ouvidos. Tortura pura.
Nem os bem-intencionados escaparam da praga.
A casa caiu.
A MELHOR TV DO MUNDO
Quando todo mundo pensava que a TV estava com os dias contados diante do surgimento de outras mídias, eis que a salvação surge na Alemanha: acaba de ser anunciada a criação de um canal que só tratará de um tema- a morte. Os anúncios, óbvio, serão,todos, fúnebres. Diversão garantida!
aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071106_canalalemao.shtml
aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071106_canalalemao.shtml
MUNDO ANIMAL
O crítico literário é uma criatura que vive em mesas de discussão, lançamentos de livros e outros ambientes inóspitos. Seu corpo se divide em língua, tronco e membros.
O DIA DA VINGANÇA
— Bom dia, senhor. Tudo bem? Aqui é a Nadja, da ***. Com quem eu vou estar falando, por favor?
— Olha, Nadja, com quem você vai falar por favor, eu não sei. Agora, que você deveria, por obrigação, estar falando com Celso Cunha, Rocha Lima ou qualquer outra gramática do tipo, não resta a menor dúvida.
— Desculpe, senhor, não entendi. O senhor poderia estar repetindo?
— Eu, não, que já passei pelo segundo grau. Agora você, Nadja, pelo visto, deveria repetir pelo menos umas cinco vezes a quarta série do ensino fundamental.
— Como, senhor?
— Se quiser comer, tanto melhor. Grama, gramática, o radical é praticamente o mesmo, de maneira que você não mudará muito sua dieta.
(Mais, aqui)
— Olha, Nadja, com quem você vai falar por favor, eu não sei. Agora, que você deveria, por obrigação, estar falando com Celso Cunha, Rocha Lima ou qualquer outra gramática do tipo, não resta a menor dúvida.
— Desculpe, senhor, não entendi. O senhor poderia estar repetindo?
— Eu, não, que já passei pelo segundo grau. Agora você, Nadja, pelo visto, deveria repetir pelo menos umas cinco vezes a quarta série do ensino fundamental.
— Como, senhor?
— Se quiser comer, tanto melhor. Grama, gramática, o radical é praticamente o mesmo, de maneira que você não mudará muito sua dieta.
(Mais, aqui)
MORA NA PSICOLOGIA
PROMOTOR: O que é que se parte e se reparte e fica sempre do mesmo tamanho?
ADVOGADO: Uhm... Meu cliente diz que é amor de esposa, excelência.
PROMOTOR: Ha, ha, ha. Errou, excelência! É amor de mãe!
JUIZ: Ah!... Que pena, sr. Édipo!
(Mais, aqui)
ADVOGADO: Uhm... Meu cliente diz que é amor de esposa, excelência.
PROMOTOR: Ha, ha, ha. Errou, excelência! É amor de mãe!
JUIZ: Ah!... Que pena, sr. Édipo!
(Mais, aqui)
5 de novembro de 2007
CICLOS
O Brasil já teve o ciclo da cana, do café, do ouro e da borracha, todos extintos. Permanece apenas o da corrupção, ciclo vicioso.
REDAÇÃO EM FESTA
Dando prosseguimento a sua sanha pela conquista dos meios de comunicação nacionais, da Ásia, Oceania e mais dois territórios a sua escolha, o Mito, Geneton Moraes Neto, participa hoje, às 18 horas, de um chat no site da Globo News. Confiram.
Toda a redação está em festa (menos Paulo Polzonoff Jr., claro). Livres do guante do dublê de carrasco e chefe, vamos para casa mais cedo hoje.
Toda a redação está em festa (menos Paulo Polzonoff Jr., claro). Livres do guante do dublê de carrasco e chefe, vamos para casa mais cedo hoje.
MITOLOGIA
Apesar de pródiga em inventar tragédias, nem mesmo a mitologia greco-romana chegou a projetar o cúmulo de tortura que representa morar diante de um prédio em construção.
ÉDIPO NO BANCO DOS RÉUS
PROMOTOR: Matou o pai e manteve intercurso sexual com a mãe, excelência.
ADVOGADO: Protesto. Meu cliente é um personagem mitológico, excelência. O caso dele deve ser levado às Eríneas e não a um tribunal comum.
PROMOTOR: Personagem mitológico o Maluf também é, meu filho, e nem por isso...
CORO: Ó Édipo, qual será teu futuro? Ó Édipo, homem assinalado pelos deuses! Ó Édipo, que será de ti?
JUIZ: Peço que a acusação observe o linguajar no tribunal. Nada de palavrões.
(Mais, aqui)
ADVOGADO: Protesto. Meu cliente é um personagem mitológico, excelência. O caso dele deve ser levado às Eríneas e não a um tribunal comum.
PROMOTOR: Personagem mitológico o Maluf também é, meu filho, e nem por isso...
CORO: Ó Édipo, qual será teu futuro? Ó Édipo, homem assinalado pelos deuses! Ó Édipo, que será de ti?
JUIZ: Peço que a acusação observe o linguajar no tribunal. Nada de palavrões.
(Mais, aqui)
NO PRINCÍPIO ERA A BOLA
Então Deus soprou do seu apito. E o jogador de futebol correu e, com classe, chutou a bola no ângulo. Mas o diabo foi lá e defendeu. E Deus, em sua equanimidade, mandou voltar o lance. Mas o diabo contestou:
— Roubo não, hein? Eu nem me mexi!
E Deus, em sua infinita bondade, deu um cartão amarelo para o diabo. E o diabo insistiu:
— Que marmelada! Só porque é o dono da bola!
E Deus reagiu e, com um cartão vermelho, mandou o diabo para o fogo eterno mais cedo. E o primeiro jogador chutou e marcou. E Deus comemorou:
— Goool! Rá-rá, ru-ru, o Paraíso é nosso! Rá-rá, ru-ru, o Paraíso é nosso!
(Mais, aqui)
— Roubo não, hein? Eu nem me mexi!
E Deus, em sua infinita bondade, deu um cartão amarelo para o diabo. E o diabo insistiu:
— Que marmelada! Só porque é o dono da bola!
E Deus reagiu e, com um cartão vermelho, mandou o diabo para o fogo eterno mais cedo. E o primeiro jogador chutou e marcou. E Deus comemorou:
— Goool! Rá-rá, ru-ru, o Paraíso é nosso! Rá-rá, ru-ru, o Paraíso é nosso!
(Mais, aqui)
Assinar:
Postagens (Atom)
