4 de dezembro de 2007

MANICÔMIO

Trata-se o dr. Nicomar Lael de gente de hábitos os mais esquisitos, ainda que o leitor encontre quem diga ser eu o estranho e o dr. Nicomar Lael, pelo contrário, a mais normal das criaturas — coisa que contesto veementemente, só não tomando as medidas cabíveis porque a esta hora os portões do manicômio já estão fechados.

(Mais, aqui)

SUBDESENVOLVIDO

Que esperar de um país onde Marcelino Freire, Mirisola e Carpinejar são levados a sério?

(Mais, aqui)

PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE CELEBRIDADES: ALLEN, WOODY

Assim falava Moraes Neto:

"A máquina de relações públicas da distribuidora encarregada de lançar um filme de Woody Allen oferece uma entrevista exclusiva com o ator e diretor, na suíte de um hotel plantado às margens do Hyde Park, em Londres. Tento ser britanicamente pontual: chego na hora. A assessora me leva para uma ante-sala. Vai embora. Um minuto depois, chega o astro. É igual ao que se vê no cinema: tímido, esfrega as mãos enquanto fala, olha para o chão, solta tiradas geniais. É pálido como um boneco de cera. Pergunto se ele admira algum brasileiro. Tenho certeza de que Woody Allen – fanático por esportes – vai citar Pelé ou Romário ou Ronaldinho. Quebro a cara. Allen se declara apaixonado por Machado de Assis. Ganhou de presente uma versão inglesa de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Lá pelas tantas, diz que precisa fazer um filme atrás do outro, para não olhar para a “nuvem negra” que paira vinte e quatro horas sobre seus ombros – a morte. Tento consolá-lo. Digo que os filmes que ele faz serão estudados daqui a 50 anos, nas cinematecas. Woody Allen responde que não quer a imortalidade no futuro. “Quero agora, já, no meu apartamento”. Infelizmente, não posso ajudar".

(Mais, aqui)

POLIDOXIA

Na Renascença e na Antiguidade, a polimatia era regra entre sábios. A modernidade trouxe a figura do cientista especializado no seu ramo científico. A pós-modernidade e, especialmente, as revistas semanais, por sua vez, estimulam a polidoxia: o articulista é especialista em tudo, ainda que não saiba de nada.

(Mais, aqui)

3 de dezembro de 2007

AS OITO LETRAS LETAIS : DEZEMBRO

Pensei em me apresentar aos caros internautas tamanqueiros.

Não consigo articular sequer uma frase legível.

Motivo: faz setenta e duas horas que o peso de oito letras terríveis começou a esmagar o planeta. Oito letras letais: dezembro. O único consolo é que a desgraça se extingue em trinta e um dias.

Respiro fundo, faço de conta que não é comigo e saio latindo pela avenida, para ver se espanto as festinhas de amigo secreto, as listas de fim de ano e outros pequenos horrores da temporada.

Os latidos,como sempre,não surtem qualquer efeito sobre a realidade. Mas não há nada de mais útil a fazer, além de latir, latir, latir.


PS: Um desocupado me convidou a ficar escrevendo para este blog, quando me sobrasse tempo. Não sobra. Ainda assim, tentarei, entre três e quatro da manhã. Acionei meus informantes para descobrir qual era a audiência do blog. Disseram-me que algo em torno de duzentas almas diárias passam e penam por aqui. Há quem ache pouco. Ou pouquíssimo. Considero que duzentas almas penadas formam uma multidão incalculável. Decido, então, que, sempre que possível, subirei num tamborete imaginário, empunharei meu megafone enferrujado e bradarei a plenos pulmões nesta praça pública contra a irrevogável, a irrecorrível,a lastimável idiotia dos seres bípedes que entopem as lojas de dezembro e as mesas de restaurante para falar alto e brincar de amigo secreto.

BRASIL NA GUERRA DO VIETNÃ?

Assim falava Moraes Neto:

'"Não contei esta história no meu livro”, diz Gordon, autor do recém-lançado “A Segunda Chance do Brasil a Caminho do Primeiro Mundo”. Ao final de um depoimento gravado durante três horas ininterruptas no quarto 904 do Hotel Glória, no Rio, o ex-embaixador revelou detalhes inéditos sobre o dia em que entrou no Palácio do Planalto, em nome do presidente Lyndon Johnson, para pedir ao marechal Castelo Branco que o Brasil se engajasse numa guerra no sudeste asiático. Lincoln Gordon volta esta noite aos Estados Unidos, depois de cumprir um périplo por São Paulo,Rio de Janeiro,Brasília e Recife'.

(Mais, aqui)

PAUSA NAS TAMANCADAS. UM BELO E IMPRESSIONANTE BILHETE DE SUICÍDIO DEIXADO POR BYRON SARINHO

Byron Sarinho era um advogado e militante político. Combateu o regime militar. Era um dos principais articuladores de campanhas eleitorais da oposição. Comunista, elegeu-se vereador e deputado estadual depois da redemocratização do país. Eu o conheci. Impressionava pela vivacidade, pelo senso de comandoo, pelo ardor com que discutia política num Estado dividido entre esquerda e direita, como era Pernambuco.

Num gesto que até hoje causa perplexidade em quem o conheceu, ele preparou - na surdina, é óbvio - cada detalhe do suicídio: pagou todas as contas, transferiu bens para o nome de familiares, dispensou a visita da empregada,
sentou-se no sofá da sala do apartamento em que vivia sozinho, no décimo sexto andar de um edifício chamado Caeté, na rua da Aurora, no centro do Recife - e deu um tiro na boca,por volta das nove da manhã do dia doze de novembro de 2002. Tinha duas filhas. Não estava doente. Não enfrentava problemas financeiros. Não sofria de depressão ou algo parecido.

O motivo do suicídio: Byron tinha resolvido estabelecer para si um limite máximo de idade: sessenta anos. Não queria envelhecer. Não tinha disposição para enfrentar a decadência física.

Eis o texto que ele escreveu:

"Recife, novembro de 2002


Peço mil perdões a papai, às filhotas Ciça e Vic, a irmãs e demais parentes, amigos/as, companheiros/as, colegas. Sei que estou lhes causando perplexidade, aflição, dores, saudades. Mil perdões, repito. Mas tenho certeza de que, superado este choque de agora, todos compreenderão que fiz o melhor para vocês e para mim.

Um apelo: não procurem chifre em cabeça de cavalo, não há, no meu gesto, decepção, drama, loucura ou tragédia. Não existem problemas ou fatores específicos, em qualquer campo – profissional, afetivo, político, financeiro, de saúde, etc.. Não estou agindo movido por qualquer acontecimento súbito ou isolado. Trata-se, muito pelo contrário, do desfecho lógico de um longo processo, de uma atitude racional, tranqüilamente amadurecida e planejada.

Minha motivação é somente uma, e sobre ela já venho lhes falando/escrevendo há muito tempo: não quero, não devo e nem posso ficar (mais) velho. Não pela idade em si, mas pelo inevitável cortejo de privações, desconforto e sofrimento que ela traz particularmente para alguém como eu, que vive (e ainda vivo) sem suportar limites e restrições.

Vejam, por favor, as coisas por outro ângulo. Pensem no que todos estamos evitando: um velho pobretão, irritadiço e nostálgico da juventude. Na melhor hipótese, cheio de achaques; na pior, dependente ou até inválido. Vade retro! Este transtorno de agora, acreditem, é bem menor e mais passageiro do que o monumental estorvo que estou lhes poupando.

A verdade é que nunca me preparei para ser idoso. E se minha vida ainda está bem razoável – para um sessentão, óbvio – por que tenho que esperar o pior, para mim e para as pessoas queridas? A saída tem que ser agora, antes que eu ultrapasse a marca dos 60 anos.

Pensemos positivo, então. E aceitem um saudoso adeus, milhões de beijos do BYRON SARINHO.


Ps. Se, mesmo com os pouquíssimos bens que tenho, for imprescindível um inventariante, proponho que seja Sônia, minha irmã e comadre"



(aqui, outro texto em que Byron especula sobre as possíveis agruras da idade:

http://www.byronsarinho.com/byr-morte/morte-index.html)

NOSSO NOVO COLABORADOR

Conheço o dr. Nicomar Lael há cerca de 33 anos. Tempo suficiente para que nossa amizade tivesse pregado a paz, sido perseguida pelos hereges e morrido na cruz. No entanto, infelizmente, não foi o que aconteceu. Assim, sou obrigado a suportar o sujeito até nossos dias, sem que conte ao menos com um mísero seguidor.

(Mais, aqui)

TRADIÇÃO

Machado poderia ter iniciado uma tradição literária no Brasil. Isso, se nossos escritores soubessem o que é literatura e não preferissem, em vez dela, o exercício de trocadilhos nauseantes.

(Mais, aqui)

2 de dezembro de 2007

GRANDES FRASES AVACALHADAS

"Nada mais tucano que um petista no poder. Nada mais petista que um tucano na oposição."

Oliveira Vianaeelapassabem

1 de dezembro de 2007

"COMO SERIA BOM TER UM ESCRAVO" PARA QUEBRAR OS GALHOS DA VIDA COTIDIANA....

De quem será esta queixa ?

"Desesperado na confusão linhas telefônicas, faxes, computador e televisão a cabo, sinceramente penso em como seria bom ter um escravo.Eu o trataria bem, não o maltrataria e não me aproveitaria dele de maneira degradante, apenas o usaria como dragomano para quebrar os galhos da vida cotidiana. Talvez até me lembrasse dele no meu testamento( se fosse "ela" seria perigoso). Lembro que, jovem, eu me envergonhava quando lia em Machado Assis um aristocrata dizendo :"Manda um moleque avisar a etc..."

(aqui, a identidade secreta do autor: http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/023409.html#more)

É DEZEMBRO ! ALEGRAI-VOS! COMEÇA O GRANDE FESTIVAL DAS CHATICES DE FIM DE ANO!

Ivan Lessa:

"Fim de ano. As chatices habituais. Trânsito difícil, senhoras carregadas de embrulhos no metrô, frio, noite começando a bocejar de sono já às cinco da tarde.
Jornais com pouco a noticiar e muito a anunciarem (“Papai Noel ficou maluco na Loja Tal!” “O supermercado Coisa Aquela está botando pra quebrar!”). A televisão guarda o quente para o começo do ano e prepara, ou nos prepara, como se fôssemos um peru de Natal, uma programação para crianças pouco dotadas em matéria de luzes: especiais comuníssimos, os filmes de sempre (Mary Poppins, A Noviça Rebelde, um festival Julie Andrews, enfim), anúncios de colônia e bilboquês eletrônicos"


aqui:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071130_ivanlessa_tp.shtml

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 6

"A consciência literária é gratuita, o dom de escrever não se adquire, mas uma convicção é conquistada (...) Cinco horas da manhã.Daqui a pouco, o dia começa a clarear. Levanto-me da máquina, o corpo dormente, espreguiço-me, vou até a janela. Todas as luzes do edifício fronteiro apagadas, os moradores estão dormindo na Santa Paz do Senhor - todos eles, como eu, pobres criaturas de Deus. Foi-se o medo de surpreender o mistério dessa gente, quisera agora comunicar-me com eles, saber de seus desejos e problemas, conhecê-los de perto, escrever sobre eles, quem sabe, talvez um romance, o meu romance"

FESTIVAL FERNANDO SABINO -5

...."Pelo menos vejo nos melhores filmes de ultimamente, desde Antonioni, com A Noite, ou Felini, com Doce Vida e Oito e Meio, até a mais recente realização de categoria do cinema brasileiro, um atendimento da minha necessidade de expressão romanesca muito maior do que qualquer romance hoje me possa dar. A possibilidade de uma obra de autoria coletiva em colaboração interdependente, ainda que sob a orientação de um só, me parece muito mais condizente com as exigências coletivas do nosso tempo"

(idem)

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 4

"...Talvez para mim, que sou filho ingrato. Mas permanecerá para sempre vivo nas páginas de Faulkner, Proust e outros grandes, cuja leitura jamais cheguei a terminar, para não falar em Dickens, Balzac e outros ancestrais, cuja leitura nem sequer iniciei. Eu, um literato, um escritor, um romancista em potencial: que em certa época de paranóia literária me pretendi um scholar e disparei a ler toda uma bibliografia sobre o fenômeno da literatura e nosso tempo - de I.A. Richards a C.M.Bowra ! Para mim, deve ter sido Kafka quem encerrou a questão. É possível que, depois dele, o romance esteja mesmo liquidado, vamos sair para outra. É possível que o cinema seja mesmo o mais autêntico meio de expressão do nosso tempo, ainda em seus primeiros passos"

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 3

....."Mas o melhor livro que já li na minha vida continua mesmo sendo "Winnetou", de Karl May :jamais romance algum me deslumbrará tanto como, aos onze anos, essa fabulosa história de aventuras. Hoje, para dizer a verdade, do que eu gosto mesmo é de um bom livro de aventuras reais de guerra :já li no mínimo uns cem - e nem em Saint-Exupéry encontrei tão boa literatura como no livro de Richard Hillary,por exemplo. Até já me esqueci que Gide existiu: o que me impressiona hoje é um bom documentário jornalístico sobre a situação da Argélia, a revolução cubana, a guerra no Vietnã, a vida de Churchill,o fenômeno Hitler, a santidadede João XXIII, o assassinato de Kennedy, o fundo do mar na visão de Jacques Costeau. Ou mesmo o relato de um crime em pretensiosa forma de romance, como o de Truman Capote, no entanto tão bem sucedido como excelente reportagem. O que significa isso ? Que o romance estará definitivamente ultrapassado como gênero literário ?"


(Idem)

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 2

"Escrever romance para quê, depois de Dostoiévski ? Para ser lido por quem ? Tenho horror à nouvelle vague. Alguns casos esporádicos ainda conseguem me impressionar: Nabokov, Durrel, Joseph Heller : Catch-22 é talvez a única coisa realmente nova surgida ultimamente em matéria de romance. Saul Bellow pode ser bom, as deixo para acabar um dia a leitura de "Herzog" - ai, meu Deus, qie preguiça. Em compensação, êta romance gostoso esse extraordinário "Coronel e o Lobisomem", de José Cândido Carvalho! Desde "Quincas Borba" que não leio nada com tamanho prazer a cada linha"

(Idem)

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 1

"Li as novelas de Henry James de ponta a ponta, para um dia acabar descobrindo, nas obras maiores, que o gênio do romance moderno era um chato. Outro gênio do romance me derrotou: não consegui ler "Ulisses", apesar de três obstinadas tentativas que me levaram tão somente até aquela impenetrável discussão sobre Hamlet na biblioteca: um doce para quem,além de Antônio Houaiss, me explicar do que se trata.E,como os demais que me afirmam ter lido o livro todo, e não somente o monólogo final, não preciso ir até o fim para saber que se trata de uma insuportável obra-prima"

(Fernando Sabino, num exemplar amarelado na revista MANCHETE DE 11 de março de 1967)

30 de novembro de 2007

Destino manifesto

E não é que o criador do clássico "2 girls, 1 cup" é fruto do ventre do nosso querido Brasil?

Marco Antonio Fiorito é o nome desse injustiçado Pasolini.

Está no Smoking Gun.

http://www.thesmokinggun.com/archive/years/2007/1130071onecup1.html

(O Blogger está bichado para fins de links.)

MORAES NETO, O UBERTOSO

Tendo colocado como meta para esta encarnação superar o pingue Balzac, eis que Geneton Moraes Neto, o popular Moraes Neto, lança mais um livro este ano (são seis, de acordo com minha última contagem).

Diferentemente do escritor francês, no entanto, Moraes, o popular Neto, não precisa escrever para ganhar dinheiro, já que tem o futuro garantido para mais sete gerações de sua descendência em função de deter onze por cento das ações com direito a voto das Organizações Globo.

Razão por que Neto, o popular Nê, pode se esmerar na escrita, gastando as horas do dia em que não está ocupado retocando a pintura da barba ou coçando com a unha do dedo mínimo partes pudendas de sua anatomia em exercícios de estilo de causar espanto a Bakhtin.

Por tudo o que deixo dito, vale comprar seu Dossiê História. Vão lá. Mulher feia paga e leva.

E se as razões acima não convenceram, que ao menos se faça por caridade: ajude N. a comprar mais um por cento da empresa do dr. Roberto. Ele detesta número ímpar.

LESSA

Ivan Lessa apud Moraes Neto:

"O QUE ACHO TRISTE É O FATO DE O MEU LIVRO SAIR!"

(Mais, aqui)

CABRERA

Cabrera Infante apud Moraes Neto:

''Mas a adesão de García Márquez a Fidel Castro é posterior à leitura que fiz de 'Cem Anos de Solidão'! Se me interesso tanto por Jorge Luis Borges, não poderia me interessar por 'Cem Anos de Solidão', um livro folclórico. Se o problema é encontrar um livro que trabalhe com elementos sul-americanos surpreendentes, então prefiro 'Grande Sertão: Veredas.'"

(Mais, aqui)

29 de novembro de 2007

ESPÍRITO

Com a aproximação da Guerra dos Trinta Anos, René Descartes decide alistar-se no exército bávaro. Faz muito frio no acampamento, e ele se enfurna num quarto quente feito estufa, onde se isola. Às voltas consigo mesmo, entretido com seus pensamentos, vive a experiência filosófica que descreveria mais tarde no Discurso do Método.

Quem lembra o fato, quatro séculos depois, é Bertrand Russell, que aproveita a ocasião para a tirada: "Sócrates costumava meditar um dia inteiro na neve, mas a mente de Descartes só funcionava quando ele estava aquecido."

DE RASPÃO

França, final da década de 30. Um pequeno e seleto grupo se dedica à leitura de textos de Kant. Entre eles, Alexandre Kojève e Eric Weil, que às vezes se estendem em controvérsias vagas. "Um ou outro, o que estava claramente sem razão, argumentava incansavelmente." Quem lembra é Raymond Aron, que fazia parte da turma.

No tabuleiro


'Loolah's Family Scolarship'


Quase 34% dos brazucas radicados nas terras que eram do Citibank - agora são um pouquinho de Abu Dhabi - estão na pobreza ou perto dela, diz o Centro para Estudos de Imigração.

Somos piores que os iranianos, os poloneses e os filipinos.

PRECONCEITO SEXUAL

— Ai, meu pé!
— Você diz isso por preconceito.
— Como? Você pisou no meu pé, Armina!
— Tudo bem. Mas precisava reagir desse jeito?
— Você preferia que eu dissesse “uh”, por acaso? Uh, continua doendo! Foi bem no ded...
— Não é o “ai”, Botero, é a maneira como você fala.
— Que é que você disse? Ai, digo, uh, essa agora foi...
— Eu disse que esse seu “ai” tá carregado de preconceito sexual.
— Se tem uma coisa contra a qual não tenho preconceito é sexo, Armina. Pelo contrário, gosto muito. Você é que às vezes...
— Preconceito contra o sexo! Machismo! Você é contra o meu sexo!
— Se é o que eu prefiro!

(Mais, aqui)

28 de novembro de 2007

DESCULPAS...

... ou cada um tem o Renan que merece.

TV Tamanco - Ação afirmativa no tráfico

UM ANTI-PRÊMIO PARA NORMAN MAILER....

O site da BBC Brasil informa:

"Mailer ganha prêmio por pior descrição de sexo

O escritor americano Norman Mailer, morto no início deste mês, foi o vencedor do prêmio 'Bad Sex in Fiction Award', pela pior descrição de um ato sexual na literatura de ficção em inglês.
Mailer foi agraciado com o prêmio, distribuído pela revista de literatura britânica The Literary Review, por um trecho de sua última obra, The Castle in the Forest, ainda sem tradução no Brasil".

(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071128_mailersexo_ba.shtml)


Uma dúvida: o que aconteceria se o prêmio fosse estendido para autores de língua portuguesa ?

O CLUBE DOS PEZINHOS NAS POLTRONAS TENTA CONTATO COM TERRÁQUEOS

Assim falava Moraes Neto:

"Bato o olho na televisão. A participante de uma roda de conversa tira o sapato e põe os pés na poltrona, durante todo o programa. Meus botões me perguntam : 'É para parecer livre e informal'?"

(Mais, aqui)

POBRES DE ESPÍRITO

Se tem uma passagem bíblica com que não posso concordar é aquela que afirma estarem salvos os pobres de espírito. Não caberia tanta gente no Céu.

(Mais, aqui)

REGINA CASÉ ( OU MELHOR: REGINA CASEBRE), EXPLORADORA DOS POBRES E OPRIMIDOS

Quando é que os pobres do mundo vão finalmente se unir par processar Regina Casebre (o apelido genial foi dado por Reinaldo Azevedo, no site da Veja) por exploração de imagem, demagogia baratíssima e apologia da péssima qualidade artística ?

COMO DIFERENCIAR XUXA DE SASHA: A QUE FALA COM VOZ DE RETARDADA É XUXA....

Do blog de Walter Carrilho:

"Sasha, a filha da Xuxa (atenção, esta frase é um ótimo trava-língua), deve ser o primeiro resultado do cruzamento entre um ser assexuado (Xuxa) e um animal acéfalo (Luciano Szafir). O cruzamento teve a participação providencial de uma Marlene Matos (um animal ainda não classificado pela biologia), mas isso não conta. Há boatos de que Sasha é, na verdade, uma boneca Barbie que adquiriu vida.Sasha é muito parecida com a mãe. Algumas pessoas acham difícil diferenciar uma da outra. É muito fácil: basta colocá-las lado a lado. A que fala com voz de retardada costuma ser a Xuxa. Sasha é uma celebridade precoce. Deu a sua primeira entrevista para a Revista Contigo quando ainda era um feto– a revista voltou a entrevistá-la aos 9 anos, momento em que revelou ter contado com a ajuda da mãe para comprar o seu primeiro sutiã. A mãe também pretende comprar dois diretores globais e um favelado para distrair a filha"

(aqui:http://waltercarrilho.blogspot.com/2007_09_01_archive.html)

IVAN LESSA: "NÃO É MAU TER UM ARCEBISPO. TIVEMOS DOM HÉLDER CÂMARA. DEPOIS, PASSOU"

Aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071128_ivanlessa_tp.shtml

TV Tamanco - A partir de hoy!

UM NOVO ESTAMENTO SOCIAL: OS RICOS POBRES

A Vila Madalena é o lugar freqüentado pelos pobres mais ricos de São Paulo. Por pobre rico, entenda-se aquele que trocaria seu loft e sua Mercedes do ano por uma bicicleta e um barraco na Zona Leste, desde que a Zona Leste fosse freqüentada por pobres tão ricos quanto ele.

O pobre rico não vai a Moema porque é bairro de burguês. Como não-burguês, ele prefere, por exemplo, pagar R$ 7,00 para entrar num fundo de quintal atulhado de gente (ou similar), onde o churrasquinho, pelo preço exorbitante, deveria ser feito de endríago.

(Mais, aqui)

A CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO O PETISMO

E Marx suspirou e catou dois piolhos da barba para se acalmar. E em seguida, no escuro mesmo, fez uma parede. E separou uma parede da outra e ambas do teto. E, após alguma deliberação, fez o sindicato e achou bom. E foi este o milésimo primeiro dia da criação.

— Agorra, o luiz, porrr favorrr.

E lhe trouxeram o Lula. E Lula disse:

— Nunca antes na história desse país.

E Marx irritou-se:

— O luiz, apertem o interruptorr porr amorr de... do... Light! Turn the light on! Now! I’m loosing my opium of the people!

(Mais, aqui)

ABORTO ESPONTÂNEO

A exemplo do papa, só aceito o aborto se for espontâneo. Ninguém deve forçar a mãe a ir à clínica sem que ela queira.

(Mais, aqui)

27 de novembro de 2007

UM TRATO NA LÓGICA

Áustria, década de 40. Um grupo de universitários, Paul Feyerabend à frente, organiza seminários onde se discutem fundamentos de teorias científicas. Tema principal: o problema da existência do mundo exterior.

De passagem pela cidade, um filósofo muito influente nas rodas ilustradas da capital austríaca é convidado para ajudá-los na discussão. Ele é especial.

É chegada a hora. Feyerabend expõe para uma audiência de eminentes filósofos e cientistas um resumo das investigações em curso naquela sociedade estudantil , espécie de versão júnior do Círculo de Viena. Não satisfeito, dá algumas sugestões de como prosseguir com os trabalhos.

Ato contínuo, o convidado especial (que chegara com mais de uma hora de atraso) interrompe, da platéia, o palestrante. E exclama: "Pára! Assim não dá!" É Ludwig Wittgenstein, poucos minutos depois de chegar ao auditório.

DOSSIÊ HISTÓRIA, O LIVRO-REPORTAGEM: A PALAVRA DE TESTEMUNHAS E PERSONAGENS DE FATOS QUE ABALARAM O MUNDO!

O locutor-que-vos-fala interrompe a programação normal para dar uma notícia que parece movida por interesse próprio, mas não é. O leitor caridoso pode se interessar também!

Chega às livrarias esta semana o DOSSIÊ HISTÓRIA , um livro-reportagem que traz o que a TV, por absoluta falta de tempo, não mostra: depoimentos completos, na íntegra, sem qualquer corte. Cenas de bastidores. O que se esconde por trás das reportagens. Os personagens do livro-reportagem são testemunhas e personagens de acontecimentos que, literalmente, abalaram o mundo.

O DOSSIÊ HISTÓRIA - um lançamento da Editora Globo - traz depoimentos do professor de Mohammed Atta, o estudante de aparência pacata que viria a se transformar no chefe dos terroristas que perpetraram o maior ataque terrorista da história, o 11 de Setembro. Atta, um egípcio, chegou à Alemanha para estudar arquitetura. Terminou recrutado por um olheiro da Al-Qaeda. Virou um terrorista suicida. Além do professor, o livro publica entrevistas completas com gente que conviveu intimamente com Mohammed Atta: um retrato falado do super-terrorista.

Você vai encontrar também, no DOSSIÊ HISTÓRIA, um depoimento do palestino que ouviu os segredos de Bin Laden numa caverna no Afeganistão. O que Bin Laden terá dito a ele ? E mais: uma entrevista com o agente alemão que tentou mas não conseguiu salvar os atletas israelenses atacados por terroristas palestinos nas Olimpíadas de Munique; as confissões do ex-soldado nazista que, aos oitenta e cinco anos, fala sem meias palavras sobre as atrocidades que cometeu;
o desabafo do filho de um carrasco nazista que até hoje faz companha contra o pai; o drama da mulher que descobriu que tinha um criminoso de guerra na família. Também: a palavra do militante que causou escândalo na Europa ao declarar que estaria disposto a se sacrificar como homem-bomba. Por fim, o DOSSIÊ HISTÓRIA traz um capítulo extra com um personagem que dá um aula de jornalismo: o "jornalista que derrubou um presidente".

Sou suspeitíssimo para falar, mas, dou um palpite: vale a pena embarcar nesta expedição rumo aos bastidores da história.

DOSSIÊ HISTÓRIA não é tese nem análise. É cem por cento reportagem. O jornalismo vive de quê ? De memória. O papel do repórter, como se sabe, é tentar reconstituir da melhor maneira possível o que aconteceu de importante. Não existe fonte melhor do que a palavra de quem viu e ouviu.

E a palavra de quem viu e ouviu é justamente o que você encontrará em DOSSIÊ HISTÓRIA - que começa a chegar agora às melhores casas do ramo.

Fim do intervalo.

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3223440

Agora vai!

'Brasil muda de patamar e ingressa em grupo de alto IDH, aponta ONU'

'"Nós somos abençoados por Deus", afirma Lula sobre PNUD

'Morador de rua pode ter sido atacado por rival, afirma polícia'

'Para delegado, garota presa com homens no PA "tem debilidade mental"'

'PM morre baleado durante operação em favela do Rio'

'Morre bebê abandonado em lata de lixo na Grande São Paulo'

TV Tamanco - Autoridades baianas promovem jogo pela paz nos estádios

Gross phrasen afacalhäden

'O ESTÁDIO DE FUTEBOL É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS.'

Jacques Richard Wagner, compositor de 'O baiano voador' ('Der fliegende Baiänen')

DEPOIMENTO

"Meus problemas começaram já na alfabetização, quando descobri que meu time se chamava Coritiba. O time ser ruim, tudo bem. O negócio é aquele 'o', pô."

Paulo Polzonoff Jr., atriz e modelo.

"OS INGLESES NÃO SÃO SÉRIOS"

Burgess apud Moraes Neto:

"A crítica é um negócio, uma ocupação, um metier, algo que os críticos fazem para viver. Sempre se esperou dos críticos da Inglaterra que divirtam os leitores e sejam "criativos" e destrutivos - não que eles façam o que deveriam fazer: estabelecer o que é um livro e examiná-lo seriamente. O que os críticos fazem não é sério.

Vou além: os ingleses não são sérios. Trocam qualquer coisa por uma boa risada, porque têm um grande senso de humor (Burgess fala dos ingleses na terceira pessoa do plural, sem se incluir). Acontece que este senso de humor é excessivo. Os franceses levam as coisas demasiadamente a sério. Já os ingleses não levam nada a sério o bastante."

(Mais, aqui)

NEGO E REPILO

A postagem anterior do sr. Polzonoff é uma mentira deslavada. Aqui em casa não tem telefone. Eu quero é ver sangue.

PITNAZIS

"Ninguém perguntou, mas declaro, diante deste egrégio tribunal, que tenho horror a cachorros. Os bichos só são toleráveis em cinema. Não existe nada pior que cachorro fungando a perna dos outros dentro de elevador. Se houvesse justiça neste planeta desperdiçado, quem botasse cachorro dentro de elevador pegaria cinco anos de cadeia automaticamente, sem direito a apelação."

(Mais, aqui)

A bipoladidade é uma merda

Há cinco minutos toca o telefone aqui em casa:

- Paulo?
- Eu, claro. Você ligou no meu celular, animal.
- Sou eu, Marconi.
- É o único animal com quem falo.
- Você tá chateado com o que eu escrevi? - pergunta ele. - Foi brincadeira!

Depois o cara me escreve isso daqui. Pode?

Caros leitores, tudo aqui é brincadeira. Nós nos amamos e vamos fundar uma comunidade hippie baseada nos preceitos da tamancada ética. Please. E sobre meu texto sobre o fim das amizades, caramba, não tem nada a ver com o Sr. Marconi Leal. O texto foi escrito há mais de uma semana.

Extra! Extra!

Fausto Wolff anuncia seu próximo lançamento. Vai se chamar O Subpensamento Vivo de Fausto Wolff. Imperdível!

"Realmente este livro é uma maravilha! Escrevê-lo foi muito fácil. Com este negócio de computador, basta usar três teclas, combinadas: ctrl, c e v.", declarou o monstro sagrado do jornalismo de esquerda brasileiro.

Melô do dia

(para Marconi Leal, claro)

Adocica,
meu amor,
adocica.
Adocica,
meu amor,
a minha vida
ô!

Reparem como, genialmente, adocica rima com adocica e, depois, com vida. E como amor rima com ô.

Doe agora ou cale-se para sempre

Queridos leitores,

Precisamos de sua contribuição financeira. Nosso querido colaborador, amigo e, infelizmente, humorista Marconi Leal precisa de tratamento médico. O pobre-diabo nasceu com uma doença incurável que só agora está se manifestando em sua forma mais agressiva. A doença, sem nome para os leigos, é causada por um vírus que se aloja na criança assim que ela vem ao mundo, o Burricis recifensis. O tratamento é feito à base de muito mandacaru e pau-do-índio. A chance de sucesso, infelizmente, é de 2%. Mas precisamos tentar.

Aceitamos cartões de crédito, claro.

COITADO

Só existe uma condição pior do que a do maníaco depressivo: a do sujeito que acha que tudo o que se escreve no mundo se relaciona com ele.

UIA! PAULO POLZONOFF DANDO UMA DE HUMORISTA!

Tendo escrito mais um de seus ““ensaios”” (as aspas a mais são necessárias, acredite, leitor), pérola do adocicamento digna de página da Veja, Polzonoff quer dar agora uma de humorista.

Na tentativa de ser engraçado, faz o que ele próprio condena: contextualiza. Respostas à altura da ignorância apontada? Pra quê, se a gente pode usar Chico Anysio como escora?

O homem-que-escreve-crônicas-que-chama-de-ensaios é superior a isso. Como não seria convincente se fazendo de inteligente, tenta o humor, com péssimas conseqüências para os leitores.

Te aquieta, Cotoco. Melhor voltar a publicar livros do Alexandre Silva.

Pesos & Medidas

Só tem uma coisa pior do que cara que escreve sombrancelha: cara que escreve estadunidense.

Brasil, um país livre como... a China

O MP está de olho no Programa do Jô. Não, não por causa da qualidade do programa, e sim porque Jô Soares, durante uma entrevista sobre alguma coisa que citava aquela delicada e linda operação a seco que se faz nas meninas negras da gráfica para remover o (inútil) clitóris, o apresentador aparentemente fez uma piada.

Sim, meus amigos, uma perigosa piada.

Pelo que li, o MP "investiga se houve preconceito". Caramba, eu não sabia que era proibido ter preconceito. Quero dizer, será que eu vou ter mesmo que ouvir o próximo disco da Maria Rita para dizer aos meus amigos que é uma porcaria? Sim, porque saber de antemão é um preconceito.

Ou melhor, pré-conceito, como preferiria Décio Pig-natari.

Está lançada a campanha: DEIXEM O JÔ EM PAZ.

(Por mais que eu, pessoalmente, não goste do Jô.)

Uia!

Marconi Leal dando uma de inteligente? Citando até o sábio filósofo Chico Anysio, quase tão grande em importante quanto Caetano Veloso. Tremei!

O contexto é a mais bela desculpa intelectual do século XX. Serve para tudo. O genocídio dos judeus na Segunda Grande Guerra? "Você tem que entender o contexto". A grande fome durante a Revolução Cultural na China? "Mas aquilo aconteceu em determinado contexto..."

Os modernistas de 22 eram uns ingênuos. Queriam a liberdade. Eu era assim também quando tinha 17 anos. Pré-hippies, eles achavam que tudo que fosse uma regra era um problema. Daí a frase de Mário de Andrade.

O problema, aliás, nem é a frase, e sim o uso que se faz dela para se justificar toda a liberalidade possível.

Mas é o que dá o cara ser alimentado com mandacaru quando é criança. Vira humorista. Coitado.

EUCLIDES INAUGURA CATEGORIA CORNOLÓGICA: CORNO-ESCRITOR

Do blog de Serbão:

"Não bastasse estudiosos revelarem que, na verdade, a imperatriz do Egito Cleópatra era uma baranga...que o Brasil iniciou sua Independência numa cagada imperial...e que, ao contrário da lenda urbana, não foi o presidente francês Charles de Gaulle que percebeu que o Brasil não é um país sério... ...agora o pessoal vem virar a história da morte do Euclides da Cunha. Recapitulando: o autor de "Os Sertões" era bom de pena, mas péssimo de pontaria. Quando passou a usar peruca de touro, pegou um revólver e foi vingar a honra."

(Mais, aqui)

REPÚBLICA

Tudo bem que na República de Platão não havia poetas. Mas também não havia jornalistas.

(Mais, aqui)

26 de novembro de 2007

ORDER AND PROGRESS

Só existe um tipo mais americano que o próprio estadunidense: o brasileiro em férias nos Estados Unidos.

POLÊMICA CASEIRA

Aqui, Polzonoff, com a costumeira habilidade, tenta estabelecer diferenças entre crônica e ensaio. Para mim – e exploro o sentimento de amizade que nutro por ele para dizê-lo –, trata-se de uma estupidez sem tamanho.

Antes de mais nada, para falar da definição marioandradiana seria preciso contextualizá-la. Não entender que Mário de Andrade está marcando espaço quando escreve isso em pleno Modernismo é falta grave e o infrator deveria perder quatorze pontos no diploma.

Pior, não perceber, por exemplo, que “Paulo Francis e eu no Metropolitan Museum of Art”, entre outros textos do seu livro "A face oculta de Nova York", enquadra-se no estilo elevado da crônica brasileira significa ao menos uma coisa: não ter lido “A Cidade Vazia” de Sabino. Além de me permitir citar Chico Anysio, que disse certa vez a respeito de Pelé: “Jamais vi alguém fazer tão bem aquilo de que entende tão pouco”.

Mas há quem concorde com Polzonoff. O leitor que julgue por si mesmo.

A CENA MAIS PATÉTICA DO MUNDO

A ex-"namorada" do ex-presidente do Senado publica um livro em que diz que um ficava olhando nos fundos dos olhos do outro, enquanto ouviam música:

"Nossa música marcante foi a do filme "Lisbela e o Prisioneiro". Misturávamos as nossas vozes com a do Caetano e cantávamos, baixinho, olhando no fundo dos olhos do outro: "Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer, e te querendo eu vou tentando me encontrar...".

Como diriam os ingleses num momento de espanto, "gosh!!!".

Independentemente de qualquer outro tipo de julgamento, a leitura deste parágrafo, reproduzido hoje em blogs e colunas, me trouxe à lembrança a cena mais patética que já presenciei desde que pus as patas neste planeta. Uma vez, num restaurante a quilo cheio de gente, um marmanjo e a acompanhante ficaram exatamente assim: um olhando nos olhos do outro, por intermináveis minutos, sem dizer palavra, com ar de pombinhos. ...

Se aquela menininha que fazia ponta antigamente nos Trapalhões reaparecesse ali, no restaurante, com toda certeza diria : "Bíiito....".

Se Nélson Rodrigues ressuscitasse, diria o que disse uma vez numa redação: "Patético!!!".

Garçons se movimentavam levemente constrangidos, ao redor da mesa, à espera de que o casal de pombinhos resolvesse parar a encenação para pedir um refrigerante, por exemplo.

Vizinhos de mesa bem que tiveram vontade mas guardaram para si, educadamente, a vontade de dizer : "Já começou a ficar ridículo. Se não for incômodo, vocês poderiam, por favor, ligar para o Departamento de Senso de Ridículo para pedir que eles mandem socorro imediatamente ? ".

Mas não. Ficaram todos calados. Todo mundo olhando de lado e fazendo de conta que a cena não era patética.

A espécie humana - já disseram - é inviável.

Sempre foi.

E será.

Satã e Murdoch

Do Borowitz Report:

"The lawsuit filed yesterday by O.J. Simpson publisher Judith Regan against her former employer, Rupert Murdoch, has created a “difficult personal dilemma for me,” Satan said in a press conference today. For the Prince of Darkness, who has had longstanding ties to both Ms. Regan and Mr. Murdoch, the lawsuit “leaves me feeling very much caught in the middle,” Satan told reporters."

(Mais, aqui)

"JAMAIS TIVE A MENOR VONTADE DE POSSUIR UM QUADRO DE PICASSO"

Paul Johnson apud Moraes Neto:

“A nova forma de totalitarismo – a Mentalidade Politicamente Correta – é, inteiramente, uma invenção universitária”.

“O que me provoca reflexões sombrias é a lembrança de todo o desperdício produzido pelo modernismo. Perdemos duas gerações – meio-século - na busca pela feiúra. Talentos da pintura, desenho e escultura se perderam”.

“Nunca fui a um concerto de música pop ou a um jogo de futebol, nunca acompanhei novela de TV, nunca vi “A Ratoeira” ou “E o Vento Levou”, nunca concluí a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, nunca li a revista “The Economist” ou “Time Out”, nunca tive um carro,nunca passei do limite da conta bancária,nunca compareci a tribunal. Ninguém nunca me ofereceu drogas,convidou-me para uma orgia ou me vendeu um contraceptivo. Jamais tive a menor vontade de possuir um quadro de Picasso, ter uma Ferrari, vestir um Armani ou morar em Aspen”.

(Mais, aqui)

A INTIMIDADE DAS ATRIZES....

Do blog de Walter Carrilho, "Jornalismo Boçal":

"A revista Contigo colocou a Deborah Secco na capa para anunciar uma matéria que revela a “intimidade” da atriz. Pergunto: e ainda existe alguma intimidade para ser revelada? Em uma pessoa que aparece semanalmente nessas revistas e que estrelou duas edições da Playboy? Só se mostrarem um diagrama do sistema reprodutor"

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/voc-no-est-nem-mas-eles-publicam-assim.html)

O LESTE EUROPEU INVADE OS DOMÍNIOS DA RAINHA DA INGLATERRA...

Ivan Lessa dá notícias de Londres:

"As igrejas católicas britânicas, que andavam quase que às moscas (católicas, mas moscas), estão agora repletas de poloneses, lituanos, letões etc. Deve-se a eles também o aumento da extrema direita, o tráfico de armas baratas, a heroína barata, a proliferação de moedas falsas e, para encerrar com fecho de ouro, a paquera grossa, ou seja, eles passam a mão nas senhoras e senhoritas locais alegando, quando presos, que isso é um costume comum na terra deles.
Espero ter, se não esclarecido tudo, ao menos semeado mais confusão. Assim emigra a Humanidade"

(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071126_ivanlessa_tp.shtml)

"A BLOGOSFERA É FEITA DE MIRAGENS"

Do blog de Antonio Fernando Borges:

"Minha amiga mais paulista (embora já não more por lá) ligou-me bem cedo, um dia, trêmula com a novidade:
“Eu o encontrei, Borges. Quando menos esperava, eu o encontrei. Tudo misterioso, coisa do acaso, como eu prefiro.”
Contou-me, então: estava escolhendo livros num sebo da Cidade Velha quando o reconheceu (pela foto no site): ele mesmo!, ali, em pessoa! Seu blogueiro favorito. O autor daqueles textos exatos, tão cheios de informação e de estilo. Um modelo a seguir (repetiu três vezes), que ela ao menos tentaria seguir, assim que se animasse a entrar na grande festa virtual.
* * *
“Lá estava ele, Borges, fuçando as bandejas de ofertas, com seus olhos de lince — mais triste do que na foto do blog, é verdade. Mas fotos são só fotos, não é mesmo? E ele era ele, para quê exigir mais?”
Nem pensou duas vezes: tentou imediatamente a abordagem.
* * *
Mas quem reconhece seu ídolo quando o encontra ao acaso, sem máscara? Do moço risonho e de olhar inteligente da foto do blog, havia muito pouco ali, na figura tímida, assustada e enfermiça que fuçava no meio da poeira com olhos gulosos e infantis.
“Quanta decepção, Borges! A tal de blogosfera é feita de miragens…”

(aqui, o texto completo: http://antoniofernandoborges.com/)

PETISMO

No princípio era a mais-valia e Marx disse:

— Que la assemblée soit!

Porque vinha numa péssima tradução francesa. E ninguém entendeu, já que o lumpemproletariado estava falando muito alto e poucos dominavam o idioma.

E Marx impacientou-se:

— Ach! Hágase la cita, carajo!

E todos correram ao dicionário português-espanhol, mas a consulta demorou um pouco, pois houve alguma discussão sobre se a ordem alfabética deveria ser respeitada ou segui-la seria um passo neoliberal.

(Mais, aqui)

25 de novembro de 2007

VALE ESPANCAR?

Seus poemas, mais do que obra literária inspirada (pelas musas), serviam como manual de conduta — para quem não fosse bárbaro, claro. Quando se referem a ele, historiadores falam ora de "autoridade incontestada", ora de "enciclopedista tribal". Isso para não mencionar o talento narrativo. Mas, ao contar histórias, ele não fazia apenas descrever. Prescrevia. Noutras palavras: acima dele, ninguém; abaixo, todo um povo.

Persiste sua influência? Bem, ainda invocam seu nome ou de um seu personagem para descrever um perrengue que parece não acabar ou um porre daqueles.


De acordo com Platão, seu inimigo declarado, ele foi o educador dos gregos. E o que dizia Heráclito do Poeta? "Homero deveria ser expulso dos jogos públicos e castigado com bastonadas."

"VIAJAR É BEBER EM OUTRO LUGAR"

Do blog de Franciel:

"O jurista, filósofo e meu amigo Iuri Vasconcelos Barros de Brito desenvolveu o seguinte e abalizado axioma sobre a questão dos deslocamentos espaciais: 'Viajar é beber em outro lugar'."

(Mais, aqui)

MASOQUISMO

Cogitei aderir ao homossexualismo passivo, mas um problema de fundo me impediu de levar a empreitada adiante. Hemorróidas. E como sexo com outro homem poderia até encarar com naturalidade, mas sou contra o masoquismo — a não ser quando absolutamente obrigatório, como votar para deputado; ou por razões afetivas, como torcer pelo Sport —, a opção estava de antemão descartada.

(Mais, aqui)

24 de novembro de 2007

OUTRA COISA

O governo FHC era poliglota. Deixava roubar em seis línguas.

23 de novembro de 2007

Nome é destino (é o que eu sempre digo)

Vocês devem ter lido, mas, mesmo assim, passo aqui rapidamente, pois ainda estou de recesso devido a minha mudança para Lisboa, para comentar a seguinte matéria publicada na Folha (assinante) de quinta-feira:

Bolsistas brasileiros em ato pró-Chávez

A manifestação a favor da reforma constitucional teve ontem o reforço de um ruidoso grupo de universitários brasileiros que estuda na Venezuela com bolsas de estudos do governo Hugo Chávez. Com uma bandeira brasileira para se abrigar do sol e uma batucada improvisada, os cerca de 20 estudantes traziam também bonés, camisetas e bandeirolas dos movimentos sociais às quais pertencem, como o MST e o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), todos ligados à Via Campesina, movimento internacional que reúne organizações pró-reforma agrária. “Estamos aqui porque apoiamos o processo e vamos contribuir com o que for possível”, diz a estudante de medicina Lucicléia Soares, 21, de Conceição do Araguaia (PA), filiada ao Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). “A soberania tem de estar no povo. Se o povo quiser, tira o Chávez”, diz a colega Vaubéria Macêdo, 22, ao defender o ponto mais debatido da reforma, a reeleição indefinida para presidente. Originária de Nova Olinda (CE) e ligada à Pastoral da Juventude Rural, ela acha que o presidente venezuelano precisa de mais tempo: “As pessoas que apóiam o capitalismo ainda estão muito fortes, a revolução precisa de tempo”. Lucicléia e Vaubéria contam que chegaram a Caracas há sete meses para estudar medicina na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), projeto criado em Cuba. O grupo conta ao todo com 66 brasileiros. Todos recebem uma bolsa integral do governo venezuelano e devem ficar no país durante os sete anos do curso.

Nosso grande filósofo Nelson Rodrigues estava certíssimo: nome é destino. Eu fiquei tentado a simplesmente escrever: mas se eu me chamasse Lucicléia ou Vaubéria também devotaria minha vida a causas ignóbeis, como uma reação ao trauma de ter recebido tais nomes. Mas isso não seria justo com as outras Lucicléias ou Vaubérias (será que existem outras?) que nunca apoiariam um aspirante a ditador (”tá de sacanagem, aspira?”), mesmo que financiada por alguns tostões que lhes garantissem os estudos.

As duas moças recebem para estudar o que grande parte da população venezuelana não ganha trabalhando duro. O que é pior: essa parte da população que trabalha duro - e cujos filhos, muitas vezes, não pode freqüentar uma universidade por falta de grana - financiam as brasileirinhas que nunca pagaram um vintém na Venezuela. É justo?

O povo da Venezuela podia exigir que os estrangeiros que fossem no país estudar com bolsa dediquem alguns anos de suas vidas atendendo gratuitamente a população que bancou suas faculdades. Mas sabem o que vão fazer as brasileirinhas após a formatura? Voltar para o Brasil, certamente, abrir seus próprios consultórios e, horror! horror!, se integrarem ao capitalismo que tanto odeiam.

Lucicléias ou Vaubérias, tanto faz, se nome é destino, façam que seus destinos não sejam equivalentes a seus nomes.

(PS: Volto à labuta blogal no dia 1 de dezembro)

BENZETACIL

Segundo especialistas, a injeção de Benzetacil, quando devidamente aplicada, provoca a dor mais pungente e duradoura sobrelevada pelo homem desde a expulsão do Paraíso ou, pelo menos, a derrota para a Itália na Copa de 82.

Instrumento de tortura precito pela Corte Internacional de Haia, para alguns historiadores teria sido com uma seringa cheia da substância e não com o veneno de uma cobra que Cleópatra teria se suicidado. Para outros, foi a arma que Bruto e seus comparsas usaram para assassinar César no Senado. Ocasião em que, ao contrário do comumente divulgado, o imperador teria dito:

— Sem xilocaína, Bruto?

(Mais, aqui)

O GRANDE SHOW DO POLICE

Há uma grande promoção em andamento: "Quer assistir ao show do Police de graça ?".

Resposta: não!

Nem de graça nem pagando.

E AGORA, A ESCALAÇÃO COMPLETA DO SPORT CLUBE DO RECIFE DE 1968 !!


Sou capaz de citar de memória a escalação completa do time do Sport Clube do Recife de 1968: Miltão; Baixa, Bibiu, Gílson e Altair: Válter e Vadinho; Dema, Zezinho, Acelino e Fernando Lima.

Faz quase quarenta anos que tento encontrar algum uso para esta lista de nomes.

Não encontrei até agora.

Nunca apareceu a chance de ir a um programa de televisão para responder à pergunta fatal que me daria um milhão de reais em prêmio: quem era o ponta-esquerda do time do Sport que ganhou o Nordestão de 1968 ?

Eu diria, depois de uma pausa dramática de quinze segundos: "Fernando Lima!".

O apresentador exclamaria: "Absolutamente certo!!!".

Com o dinheiro do prêmio, eu iria morar numa casa de quarto e sala na zona rural de Santa Maria da Boa Vista, sem celular e, principalmente, sem televisão. Lá, passaria o resto dos anos à espera de uma visita da Charlotte Rampling dos anos setenta, miraculosamente rediviva.

Charlotte não apareceria, é claro. O dinheiro um dia iria se acabar.

E eu teria de me inscrever de novo num programa de perguntas-e-respostas,em que um apresentador faria a pergunta fatal:

quem era o médio-volante do time do Náutico que foi vice-campeão da Taça Brasil de 1967 ?

Depois de dezoito segundos de pausa, eu diria : "Rafael!".

O apresentador diria: "Absolutamente certo!".

E começaria tudo de novo.

QUANDO É QUE OS FILMES DE AÇÃO VOLTARÃO A SER APENAS FILMES DE AÇÃO ?

Do site de Paulo Polzonoff:

"Sem querer, Tropa de Elite me fez pensar na necessidade de despolitizar a vida cotidiana. O que deu margem para um sonho, um desejo, uma quimera (mas não uma utopia): a de que um filme de ação volte a ser – por Deus! – apenas um bom filme de ação. Com direito a pipoca, jujubas, beijo e risadas"


(aqui: http://www.polzonoff.com.br/o-tiro-que-saiu-pela-culatra-2.htm#more-912)

O APELIDO DO ANO: "REGINA CASEBRE". VIVE INCOMODANDO OS POBRES

"O bom-mocismo bocó na dramaturgia televisiva anda insuportável. Todo mundo quer ser Regina Casebre, a exaltar o saber natural e telúrico da periferia"


(aqui: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/11/um-texto-de-aguinaldo-silva-com-boca.html)

"ROCK STARS FICARIAM SOSSEGADOS NAS JAULAS - TOMANDO OVERDOSE PARA A DIVERSÃO DA GURIZADA. ISSO IMPEDIRIA QUE ELES COMETESSEM DESASTRES"

Do blog de Water Carrilho:

"A gente coloca macacos no zoológico para evitar que eles barbarizem por aí. Isso permite que as famílias possam observá-los em segurança, enquanto eles jogam bosta uns nos outros. Podíamos fazer o mesmo com alguns de nossos rock-stars. Eles ficariam sossegados nas jaulas, tomando overdose para a diversão da gurizada. Isso impediria que eles cometessem desastres como o filme “O Magnata”, que chegou aos cinemas na sexta-feira passada.O filme foi parcialmente escrito por Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr".

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/)

PAULO FRANCIS: "QUERO ESCREVER QUALQUER COISA QUE NÃO SE EVAPORE"

Paulo Francis:

"Continuo andando. Esse dia devo ter andando uns cinquenta quarteirões.Confesso um certo prazer de estar vivo, de ter sobrevivido aos horrores de imaginação que o contato com médicos sempre me provoca, em particular para operações. A morte deve ser como a anestesia geral. Estamos aqui um dia e de repente apagamos. That´s all, folks.

(...) Quero escrever qualquer coisa que não se evapore como as milhões de palavras escritas que já deitei mundo afora. Sabendo que cedo ou tarde vou desaparecer, ainda assim, paradoxalmente, quero de alguma forma deixar um traço da minha passagem, que honre o meu nome e de meus amigos e das pessoas que gostam de mim"


(aqui:http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/023386.html#more)

BATEU, LEVOU

Em "Mondo Cane" (ver post abaixo), vimos a porca torcer o rabo. Agora, as invectivas de parte a parte ameaçam descambar para o arranca-rabo propriamente dito. Xenófanes fez caricatura de Pitágoras, filósofo para quem os diálogos não deveriam transformar amigos em inimigos. Fazer, pela conversa, inimigos virarem amigos? É outro o papo que Heráclito procura. Para ele, Xenófanes merece o mesmo tratamento dado a Pitágoras: a erudição não os tornou inteligentes. Estúpidos — os dois.

CÍCERO

Disse Cícero em certa ansa: “A dor pode ser severa ou suave. Quando suave, é facilmente suportada. Quando severa, é sem dúvida breve”. Donde podemos tirar três conclusões. Em primeiro lugar, que eu preciso consultar o dicionário para descobrir o significado da palavra “ansa”. Em segundo lugar, que provavelmente o orador romano usou a frase na tentativa de convencer sua parceira a fazer sexo anal. E, por fim, que para ter uma idéia tão equivocada a respeito da dor, ele nunca havia tomado uma injeção de Benzetacil.

(Mais, aqui)

22 de novembro de 2007

MONDO CANE

Ao se referir a Pitágoras, a historiografia fala de um poder espiritual comparável ao de Sócrates. Antecipando o mestre de Platão, Pitágoras fez da alma a preocupação central da filosofia. A alma e seu destino depois da morte. Separada do corpo, ele acreditava, as almas podiam reencarnar em qualquer corpo, o que chamavam de "metempsicose". Conforme os méritos, voltava-se ao mundo material sob esta ou aquela pele, literalmente. Qualquer uma. A de um cão, por exemplo. Para Pitágoras, os animais teriam em comum com os homens a alma. Foi aí que o bicho pegou e a porca torceu o rabo.

Xenófanes, outro pré-socrático, achou graça da conversa. E ridicularizou Pitágoras, contando a história em que o super-sábio pede que parem de bater num pequeno cachorro ao reconhecer no ganido do bicho a voz de um... amigo. Digno de caricatura? Xenófanes parece dizer que sim.

GENETON É CO-RESPONSÁVEL PELO OBITUÁRIO DA VELHINHA DE TAUBATÉ

No dia 23 de dezembro de 1987, em pleno governo Sarney, o Jornal do Brasil publicava entrevista de Geneton Moraes Neto com Luis Fernando Verissimo sobre a futura “morte” da Velhinha de Taubaté, personagem do gaúcho.

A certa altura, o repórter pergunta:

— Por que você vai dar um sumiço na Velhinha de Taubaté?

Ao que o escritor responde:

— Nem a Velhinha de Taubaté acredita mais no governo. Vou aposentá-la. Ela não vem se manifestando porque já não acredita em nada.

Geneton insiste:

— A Velhinha de Taubaté vai se despedir do público ou vai sumir em silêncio?

E o humorista diz:

— Você acaba de me dar uma idéia. Talvez a Velhinha de Taubaté faça uma ultima aparição, para dizer que já não acredita em nada. Não sei ainda como será a despedida.

Quase vinte anos depois, a 25 de agosto de 2005, esquerda no poder com o ex-metalúrgico Lula presidente, Verissimo publicaria a crônica “Velhinha de Taubaté (1915-2005)”, em que, pondo em prática a idéia sugerida pela pergunta de Geneton, anuncia o falecimento da personagem.

A entrevista pode ser lida aqui. A crônica, apud Noblat, aqui.

MODINHA

Ao contrário dos outros, Astafânio Carlos aprendeu a tocar violão. Quando pediam Legião Urbana, atacava de Villa-Lobos, tendo sido expulso mais de uma vez pelo próprio dono do bar ao executar uma modinha que ficou popularmente conhecida na universidade como “Garçom, a Conta”.

(Mais, aqui)

A PRAGA INTERATIVA : CHEGA DE PESQUISAS INÚTEIS!

Meus neurônios, provavelmente combalidos por falta de uso, não retiveram a informação. "Falha nossa". Não me lembro onde, mas, com certeza, li há algum tempo o desabafo de um leitor/ telespectador que dizia o seguinte: não existe coisa mais chata do que este festival interminável
de pesquisas inúteis em todos os sites,todos os portais,em dezenas de programas de TV.

Ninguém consegue navegar tranquilo sem ser importunado por um chato invisível que quer saber: você passaria as férias na Nicarágua ? Você usa açúcar ou adoçante ? Quantos copos de água você bebe por dia ? Pais devem deixar os filhos saírem sozinhos de madrugada ? O presidente deve ter outro mandato ? A China deve mandar um astronauta para a lua ? Quantas horas por dia você dorme ? A ONU deve se mudar de Nova York ? E blá-blá-blá.

Qual é o valor dessas pesquisas ? Nenhum. O que significam ? Nada. Quem aprenderá alguma coisa com elas ? Ninguém.

Mas pode fazer o teste: dê uma passada num site qualquer de notícias. Lá estarão as tais enquetes, à espera de que algum desocupado as responda.

Perda de tempo.

Por falar em enquete: você acha que a Venezuela deve ou não entrar no Mercosul ? E Luana Piovani ? Deve ou não processar a turma do Pânico na TV ?

ENQUETE MUNDIAL DA BBC

O site da BBC faz uma enquete:

"Você deixaria de comer carne para beneficiar o meio ambiente ?"

É óbvio que não. Que pergunta !

Uma picanha bem passada, por favor.

ASTAFÂNIO CARLOS

Astafânio Carlos sempre foi uma figura tão macavenca que, ao nascer, em vez de chorar, ele olhou para o médico e ameaçou:

— Se tocar em mim, recorro ao Estatuto da Criança e do Adolescente, hein?

No colégio, enquanto todos os meninos seguravam a bolinha de gude entre o indicador e o polegar, ele a atirava pressionando o mínimo da mão esquerda sobre o médio da direita, e gritava:

— Curucucu, curucucu!

No futebol, rolava no chão às gargalhadas ao ver seu time perder um gol.

(Mais, aqui)

DEUS, PROTEGEI-NOS DAS LETRAS DE DJAVAN!

Do blog de Walter Carrilho:

"Djavan é o cara responsável por versos como “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã”, que geram dezenas de monografias em cursos de letras e algumas câimbras no meu duodeno. Pois ele está de disco novo: “Matizes”. E para homenagear esse “poeta”, escrevi este texto em Djavanês.Cacatua, sol da manhã, um suco de maçã. Neste novo disco, Djavan, este filho do luar, revoada de pombos, araçá, Zimbabwe, inovou. Na canção “Imposto”, ele mostrou o seu lado indignado e engajado, parangolê, maracujá, nuvem no céu, em uma crítica à carga tributária:“IPVA, IPTU / CPMF forever / É tanto imposto / Que eu já nem sei!. (...) Eles nem tchum”

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/search?q=djavan)

"Aquela voz de sub Nara Leão misturada com letras roubadas do diário de uma menina de 10 anos". Quem será ? Ora,Paula Toller!

"Pergunta aos leitores: uma pessoa que tem as manhas de cantar uma música com a frase “Quando ela cai no sofá, so far away” (sacou? So-fá = So-far... gênio, não?) merece continuar na carreira artística ou é melhor vender porta-incenso na esquina? As gravadoras preferem a primeira alternativa. Pior: ainda dão moral para a infeliz lançar um disco solo. É o caso da Paula Toller"

(aqui:
http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/solta-mais-uma-sub-nara-leo-na-chapa.html)

21 de novembro de 2007

PROCURA-SE : O MAIOR INIMIGO DO JORNALISMO

Uma verdade cientificamente comprovada e facilmente demonstrável: o maior inimigo do Jornalismo é o jornalista.

Pelo seguinte: o jornalista é o único ser bípede capaz de jogar sistematicamente histórias interessantes no lixo.

Quem achar que é exagero que pergunte a qualquer terráqueo que tenha passado quinze minutos numa redação.

Em breve, detalhes.

PERGUNTA FEITA AOS CÉUS

Ivete Sangalo continua solta ?

PRÍNCIPES SAUDITAS: OS ÚNICOS QUE AINDA CULTIVAM A GRANDE ARTE DA OSTENTAÇÃO !

"Fale-se o que se falar do islamismo, mas os saudi-sunitas são praticamente o único grupo humano que ainda cultiva a quase desaparecida arte de ser nababesca e acintosamente rico. Abandonada pelas pressões do politicamente correto e para não açular a inveja das massas, a antiqüissíma tradição da ostentação sem limites, que nos legou grandes obras de arte, como o Taj Mahal, já teria sumido da face da Terra se não fosse o esforço solitário e comovente de um pequena penca de biliardários príncipes sauditas que honram a máxima de que o show não pode parar. O mais notável deles, o príncipe Alwaleed bin Talal bin Abudulaziz al-Saud (Alá seja louvado!), acaba de adquirir - no maior astral, tranqüilãozinho da silva - um Airbus-A380, o maior avião do mundo, só para ele. A idéia é fazer um palácio voador - se achar clichê é porque você está com inveja"

(aqui: http://atorredemarfim.apostos.com/)

13 LIVROS QUE JÁ ELOGIEI, MAS.....

Do site de Paulo Polzonoff :

"Antes da lista, um aviso. Não se trata de nada pessoal, ok? A gente passa por mudanças, ainda bem. E eu já estou cansado de dizer que, por causa destas mudanças, o gosto da gente muda. Além do mais, os livros que figuram nesta lista eu não os considerado necessariamente ruins. Só são livros pelos quais eu, sei lá por quê, perdi o interesse. Ou que eu, na época, elogiei por motivos errados. Aconteceu alguma coisa. Sempre acontece"


(aqui:
http://www.polzonoff.com.br/13-livros-que-eu-ja-elogiei-mas-que-hoje-sei-nao.htm#more-901)

RUI BARBOSA

— Boas tardes. Com quem poderia ter o prazer de estar a falar neste aprazível lar? E já me adianto a pedir perdão pela péssima e involuntária rima. Encontrar-se-á o dono da residência nela, hodiernamente?
— Quê?
— Pergunto se Vossa Senhoria acaso não saberia dizer-me se há alguém na habitação?
— Que habitação?
— Esta em que vos encontrais. Seria Vossa Senhoria o proprietário dela ou pertence a outrem tal prerrogativa?
— Depende. A senhora é da Receita?
— Não, porém, se me permite um rasteiro jeu de mot, como dizem os franceses, ou pun, caso Vossa Senhoria seja anglófila: possuo a receita para vosso sucesso. Isto, posto ser Vossa Senhoria o pater familias. Estou certa? É a Vossa Senhoria que procuro?
— Não, eu não sou o Rui Barbosa. A senhora pode me dizer do que se trata, hein?

(Mais, aqui)

LEI DA GRAVIDADE

Alcançada a segunda esquina, o placar era de seis a zero para a lei da gravidade e a força de atrito nem tinha entrado em campo ainda. Improperei Newton e o Parlamento inglês que aprovou medida tão arbitrária, sem a qual os objetos ainda hoje estariam todos flutuando por aí. E só não soltei um palavrão porque, exposta ao frio, minha língua estava tomada pela cãibra.

(Mais, aqui)

PENSAMENTO POSITIVO PARA ENFRENTAR A VOLTA DO FERIADÃO

Deus é apenas o Diabo sem superego.

20 de novembro de 2007

GEOGRAFIA HUMANA

O mundo é habitado por três tipos de pessoas: as que fazem amizades ou inimizades por motivos ideológicos, as que assumem ideologias em função de amizades ou inimizades e as adultas.

SOBRE O ABORTO

Sou a favor do aborto, mas com restrições. Para mim, o procedimento só deveria ser permitido nos casos de fetos maiores de vinte anos que escutam heavy metal.

(Mais, aqui)

CRÔNICA DE UM QUEIJO ANUNCIADO

Do blog de Araken Vaz Galvão:


"Para que as poucas iguarias não chegassem deterioradas, saímos às cinco da manhã e fomos a Salvador, mais de 270 km, com o objetivo de colocar no Correio antes das 10 horas, para que chegasse ao menor prazo de tempo possível. Agora aqui estou ansioso, aguardando a notícia do recebimento. Sabendo que proporcionei a Marconi uma das maiores felicidades que um desterrado pode sentir, porque eu também já vivi situações análogas...Por isso – em uma canhestra citação de John Donne – não me pergunte o porquê do meu gesto. Porque mandei para mim..."


(Texto completo, aqui: http://arakenvaz.blogspot.com/)