10 de dezembro de 2007

CAUSA MORTIS: PIOLHOS

Qualquer criança remelenta matava a charada. Mas não o grande Homero, a quem alguns fedelhos teriam ludibriado — logo a ele, tido como o mais sábio dos gregos.

O que é, o que é? Tudo o que vemos e pegamos nós deixamos para trás; tudo o que não vemos nem pegamos carregamos conosco.

Interpelado, o maior dos poetas, educador dos helenos, calou. E não porque quisesse, pode-se especular. Teria tentado, até não mais poder, decifrar o enigma. Mas, se quebrou a cabeça, a história não registrou que de sua cachola tenha saído qualquer deusa da sabedoria. Se ficou com uma pulga atrás da orelha, não se sabe. Mas dizem que a incapacidade de descobrir o que era claro para qualquer garoto desencadeou no Poeta uma angústia tão... homérica, que ele morreu.

Quase dá para ouvir o desdém de Heráclito: “Os homens se enganam no reconhecimento do que é óbvio, como Homero.”

SERIA MACHADO DE ASSIS INGLÊS?

Nada há de mais difícil para a filárgira compreensão do escritor brasileiro que a ironia. Para a maioria deles, trata-se de figura tão complexa quanto a anáfora ou a epístrofe: tem a intimidade defesa para além do conceito exposto num livro - não lido - de retórica ou teoria literária. Coisa espantosa para quem nasceu na terra de Machado de Assis. Se é que o velho não era inglês, bem entendido.

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SÓCRATES E JESUS

— Alguém me ajude! Socorro! Por favor, alguém me ajude! — expunha silogisticamente sua posição Sócrates.

Mas, experimentado em dialética desde os tempos de Ulisses, o mar o envolvia com líquidos argumentos por todos os lados e o fazia debater em vão. Ao final da peleja oratória, teria findado fatalmente por calar o filósofo. Isso, caso Jesus, que via a cena de longe, não tivesse falado:

— Levanta-te e anda!
— Ha! — respondeu o filósofo, ainda se afogando. — Pra você é fácil falar. Mas eu sou cético.
— Não, sua besta! Não se trata de milagre. É que a gente tá no raso. Já dá pé.
— Ah... — sorriu amarelo o zetético, cessando o desespero e fazendo em seguida o que o Mestre lhe havia dito.

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9 de dezembro de 2007

Rauschenberg: o picareta!

Mês passado, no Porto, fui com um amigo na Fundação de Serralves. Lá estava sendo realizada aexposição de Robert Rauschenberg. Dizer que aquele senhor é um picareta é usar eufemismo. O sujeito distribui um monte de caixa de papelão suja pelas paredes e chão, ora com uma corda enrolada, ora com uma bicicleta recém-saída de um atropelamento sério, e diz que aquilo é arte. As outras pessoas, estranho, concordam. O pior: tem gente que compra aquela bobagem.

Numa das salas vi um objeto e pensei, uau!, pelo menos algo se salvou, está bem torneado e pintado. Chego perto. Era um extintor de incêndio. Perguntei à moça que lá trabalhava. Não, não fazia parte da exposição. Eu: ah, bem, está explicado.

Deve ter algo de muito errado numa exposição de arte cuja melhor obra é o extintor de incêndio do local.

Impressões de Lisboa

Estou em Lisboa desde 17 de outubro. Constato: há muitos brasileiros em Portugal. Não, mais: há brasileiros em excesso em Portugal. Vê-se o brasileiro imigrante há quilômetros de distância: é o que fala e ri mais alto; e o que cheira a Leite de Rosas. Conversei com alguns imigrantes que reclamaram de preconceito dos portugueses. O português médio e mais velho é tão preconceituoso e chato como o dos demais países. Ou você nunca teve um vizinho intolerável? De um sensanto imigrante brasileiro ouvi a seguinte sentença: “boa parte dos preconceitos contra os brasileiros foram provocados pelos próprios imigrantes brasileiros. Daí sofre todo mundo”.

Mas, divago. Voltando à vaca fria, o grande problema dos imigrantes brasileiros que vêm para cá ganhar a vida e mandar dinheiro para o Brasil é não estarem nem aí para a própria educação numa fase em que poderiam fazê-lo. Passam a ganhar melhor, trazem os filhos, compram carro novo e nada de se educarem. Nem digo educação formal. Falo de aprender sobre o país, provar novas comidas, bebidas, conhecer outros países, pessoas, culturas. Nadica de nada.

O que se faz, normalmente, é tentar criar um Brasil virtual em seus guetos, mesmo que os guetos sejam as próprias casas. Investem tempo e rendimentos nos famigerados churrascos de fim de semana em que o pagode é consumido em abundância com carne e cerveja. Falo dos imigrantes brasileiros em Portugal, mas lembro dos imigrantes brasileiros nos EUA, por exemplo, que sequer aprendem o inglês. E se você entra no perfil do Orkut estão todos lá exibindo seus carros novos e fotos de… churrascos com outros brasileiros. A Europa está muito preocupada com o avanço dos muçulmanos no Ocidente e se esquecem o grande perigo representado pelos imigrantes brasileiros que fazem churrasco com pagode no fim de semana. Imagine se esse negócio contamina toda a sociedade e, daqui a dois séculos, a Europa vire um grande pandeiro fedendo a carne queimada. Deus seja louvado.

Há imigrantes de outros países que se comportam de maneira bárbara? Sim, claro, já ouvi falar, mas não os conheço. E não os quero conhecer, ok?

8 de dezembro de 2007

ÓBITO

Stockhausen morreu. Ufa! Já não era sem tempo.

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HAVIA UM COTOCO NO MEIO DO CAMINHO

Na minha época, SEIKEN JODAN ZUKI tinha outro nome e era muito praticado por meninos criados por vó e pessoas com sobrenome de caprinos em geral. Desprovido de massa encefálica -- além de estrias em local recôndito de sua anatomia--, a sra. Ovelha parte agora para outro exepediente: segundo entendi, me ameaça com um golpe de bunda. Não se emocione, dona Ovelha, a sra. não corre o menor risco, pois não vou revidar suas investidas. Caso queira um troca-troca de golpes do tipo, talvez seja melhor falar com Paulo Polzonoff Jr., também nosso colaborador, que atende pela carinhosa e significativa alcunha de Cotoco.

7 de dezembro de 2007

DOSSIÊ HISTÓRIA : JÁ NAS LIVRARIAS

Pausa para um anúncio. A causa é nobre.

Quer saber o que Bin Laden disse ao palestino que foi convocado por ele para uma série de encontros numa caverna no Afeganistão ? Quer saber como é que um insuspeito estudante de planejamento urbano, chamado Mohammed Atta, se transforma no chefe dos terroristas que cometeram o mais devastador ataque da história, no 11 de Setembro ? Quer saber o que dizem professores e colegas que conviveram com ele ? "E muito mais".

Acaba de chegar às livrarias "DOSSIÊ HISTÓRIA", livro-reportagem publicado pela Editora Globo: entrevistas publicadas na íntegra, sem cortes. Cenas de bastidores. A palavra de testemunhas e personagens de acontecimentos que abalaram o mundo.

CORRA, NICOMAR, CORRA, PARA ESCAPAR DE UM SEIKEN JODAN ZUKI

Depois de recorrer ao fracassado expediente de escrever sobre ópera apenas para parecer culto e profundo e,assim, enganar moçoilas incautas, o sr. Nicomar Lael não suportou o peso da admoestação pública a que foi submetido aqui, nesta Sopa.

Botou o rabo entre as pernas e sumiu do mapa, silente como uma hematita.

Fez bem.

Deve estar se preparando para ir ver o show do Police, porque sabe que é o único lugar do planeta em que não correrá o risco de se encontrar com o abaixo assinado.

O Maracanã será cenário da grande procissão dos idiotas - tanto no palco quanto na platéia.

É bom que o sr. Nicomar escolha ir ao estádio, como medida extrema de proteção.

Se circular pelas ruas, correrá riscos.

Porque, caso ocorra um encontro entre o abaixo assinado e o malfadado impostor, já não haverá ofensas verbais a trocar : o sr. Nicomar correrá o risco de sentir na pele a tradução literal da expressão SEIKEN JODAN ZUKI.

Para quem não sabe: um golpe certeiro de karatê.


(maiores informações aqui: http://www.kyokushinkaikan.com.br/v2007/br/kihongeiko.htm)

FELICIDADE É COMER PÃO COM MUITA MANTEIGA E FALAR BESTEIRA SEM QUERER PARECER INTELIGENTE E PROFUNDO

Do site de Paulo Polzonoff Jr. :

"Sinto confessar, mas me falta a convivência com pessoas cujo único objetivo na vida é esta felicidade pequena e adorável. Uma felicidade que não busca se explicar com referências poéticas ou filosóficas. Uma felicidade que simplesmente é. Não éramos pessoas idiotas naquela casa. Cada qual, eu podia perceber, sabia-se dono de uma existência única, marcada por opiniões também únicas. Eram todas admiráveis por sua individualidade. Eram todas louváveis porque não procuravam o prazer pelo massacre do diverso.
Naquela noite, fui feliz. Falei o que pensava sem medo do julgamento. Melhor: muitas vezes falei o que nem pensava. Ninguém levantou a voz. Ninguém fez cara feia. Ninguém engoliu uma opinião por medo. Ninguém emitiu sua opinião para se provar inteligente"


http://www.polzonoff.com.br/uma-genuina-e-destemida-felicidade.htm#more-920

INJUSTIÇA CONTRA O TALENTO BRASILEIRO

Oswaldo Montenegro deveria protestar veementemente. Vivem dizendo que ele é chato.
Mas o que dizer do insuportabilíssimo Police, este grupelho de senhores que, às portas da terceira idade, insistem em se comportar como se fossem idiotas de vinte ?

Aliás, o que é pior? Roqueiro em fim de carreira ou quarentões e cinquentões que estacionaram na adolescência e tentam escrever e falar, a sério, sobre idiotas como os do Police?

É difícil saber.

Em todo caso, há uma certeza: a idade mental dessa gente é, no máximo, dezessete.

O número diz tudo.

UMA ENTREVISTA COM O MINOTAURO

— Mino, independentemente do resultado do jogo de hoje, o fato é que você tem fãs espalhados por todas as ilhas, todo o mundo te teme. Tenho impressão de que o público se interessaria por ver seu lado mais humano...
— Bom, Apô, meu lado mais humano tá aqui, ó: ali temos os pés, aqui as coxas, o pinto...
— Não, não! Quer dizer, gostaria de saber o que você faz nos momentos de folga, por exemplo.
— Ah, eu gosto de comer uma virgem. Ou melhor, sete virgens.
— Assim, de cara? Você não toca uma lira, não toma uma cratera de vinho de Falerno, não passa uma cantada...?
— Bom, cantar eu canto. Veja bem, gosto muito daquela música do Monsueto: (cantando) “Mora... na mitologia...”
— Sei. E você curte a night?
— Não, prefiro curtir pela manhã. Abro meu coração com você, Apolodoro, que é um homem que tem história. Ultimamente, não tenho visto a luz no fim do túnel, sabe?

(Mais, aqui)

6 de dezembro de 2007

POLÊMICA ACABADA???

Sendo um animal de cultura inferior à de uma ostra partida em três pedaços, a sra. Ovelha acha que qualquer referência cultural é semostrismo. Fala-se em ópera e ela imagina ser isso o cúmulo da erudição. Ora, ora, dona Ovelha, que dirá a senhora quando começarmos a discutir a Escola de Frankfurt em alemão medieval? A quadrúpede ficou tão nervosa que se apressou a encerrar a contenda que estou tendo a generosidade de manter com ela, uma vez que só me permito entreveros com seres que dominem, ao menos razoavelmente, cinco línguas, além do português, dialeto nosso e dos macacos. Abaixo, em homenagem à senhora, posto a letra de "La donna è mobile". Caso queira a tradução, vá ao Google. Caso queira ouvir a letra que tão bem a descreve, aconselho a ária cantada pelo semi-alfabetizado Pavarotti. Assim, a senhora vai se sentir em casa.

"La donna è mobile
Qual piuma al vento,
Muta d'accento
— e di pensiero.
Sempre un amabile,
Leggiadro viso,
In pianto o in riso,
— è menzognero.
È sempre misero
Chi a lei s'affida,
Chi le confida
— mal cauto il cuore!
Pur mai non sentesi
Felice appieno
Chi su quel seno
— non liba amore!"

EM NOME DA VERDADE, DENUNCIO O MIOLO MOLE

O acadêmico Merchior uma vez acusou o cantante Caetano Veloso de ser um sub-intelectual de miolo mole.

É uma lástima que ele, o acadêmico, tenha morrido, porque, se vivo fosse e se frequentasse blogs estúpidos como este, certamente se animaria a usar o apodo para definir, com toda propriedade, o sr. Nicomar Lael.

Por quê ? Por um motivo: assim como acontece com todos os moluscos anencéfalos dados a chiliques, o sr. Nicomar prefere recorrer a ofensas de natureza sexual para desqualificar aqueles que, como o abaixo assinado, ousam criticá-lo.

É um recurso baixo.

Ora, o sr. Nicomar publicou uma resenha estapafúrdia sobre um cantor de ópera porque queria,sim, parecer culto, esperto e cosmopolitano.

Debalde.

Não pareceu. Conseguiu apenas demonstrar aos frequentadores do Sopa de Tamanco o que sempre foi: um pavão multicolorido que passa a vida saracoteando para iludir incautos.

"Não passará!".

Não aqui.

Quanto às insinuações sexuais, declaro que venho de uma região macha.

O pernambucano mais afrescalhado que já existiu atendia pelo nome de Virgulino Ferreira, o Lampião.

Por aí dá para imaginar o resto.

Em minha terra, criança aprende a escovar dente assim: esfregando a ponta de uma faca peixeira no dente-de-leite.

Aos três anos de idade, já mamam em onça.

É assim que aprendem a exercer a pernambucância pelo resto da vida.

TRIREITO DE RESPOSTA

No próximo churrasco que fizer, não esquecerei de colocar, além das carnes tradicionais, chorrilhos. Antes, ababosarei-os e os passarei no sal, claro.

FIM DE POLÊMICA COM O TAMANQUEIRO ESTREANTE

O sr. Nicomar Lael, novo e desastrado colaborador desta Sopa, padece do mal que acomete nove e meio entre dez supostos intelectuais brasilíndios: a incapacidade de receber críticas, por mais justas que sejam.

Como se fosse o cachorro de Pavlov, o sr. Nicomar saliva - mas de raiva - a cada vez que alguém faz o mínimo reparo ao que ele escreveu.

Decerto, ele não entendeu que não há nomes intocáveis na redação do Sopa de Tamanco, ao contrário do que acontece em outros covis habitados por jornalistas.

Demonstrações gratuitas de erudição,como a que ele tentou fazer ao apreciar o desempenho de um cantor de ópera, soam descabidas neste espaço - que deve ser usado para tarefas mais nobres e honestas, como, por exemplo, chamar Xuxa de débil mental; Renan Calheiros de pulha; Lucélia Santos de sub-atriz; José Wilker de hiper-canastrão e o próprio Nicomar Leal de molusco de sexualidade indefinida.

Como se dizia no século passado, tenho dito.

DIREITO DE RESPOSTA

Não bastasse este Sopa de Tamanco ter um nome dos mais ridículos, uma audiência das mais insignificantes e contar com um colaborador ababosado da monta do sr. Marconi Leal, eis que agora surge um tal de Tom Carneiro a escrever chorrilhos por aqui. Antes de mais nada, indico ao senhor Tom (de um sujeito que usa cognome desses, que esperar?) recente postagem do sr. Soares Silva a respeito de hierarquias e da inânia mental de alguns. Isso, quanto à palurdice. No que tange à falta de cultura, o máximo que posso dizer é que, dada a sua ignorância, o sr. Carneiro (não seria parente do Zé do Sítio do Picapau?) tem no máximo um escrínio cultural. O terrível, contudo, no caso de nosso apedeuto é sua tendência à prática homoerótica ou à pederastia passiva de baixo impacto, para usarmos de expressão politicamente correta. Sim, a verdade é que o sr. Carneiro, senhores, está mais para sra. Ovelha. Fiquem, portanto, os mais chegados convidados a fazer o papel de lobo. No que se refere a mim, vou-me embora, deixando apenas uma pergunta: se era para contratar estúrdio dessa espécie, por que não fomos atrás do Artur da Távola ou do Arthur Virgílio?

.....E O REI PELÉ ESTAVA NU

Pelé estava nu quando finalmente consegui vê-lo.


( relato completo aqui: www.geneton.com.br )

A ESSÊNCIA DO ÂMAGO DO ÍNTIMO DO JORNALISMO

Jornalismo é literatura feita por e para analfabetos.

... E TEM MARCA DE BATOM ?

Na semana em que editorias de esporte desperdiçam horas preciosas com uma cueca, vale a pena lembrar uma época em que o negócio dos pilotos era ganhar tempo, ainda que para isso precisassem correr riscos. Destemidos, eles tinham, no entanto, um grande medo, hoje meio sumido: o do ridículo.

Abaixo, um retrato dessa época.






Noite de sábado. À mesa de um restaurante carioca na Avenida Atlântica, com as mãos espalmadas para baixo, ele desenha no ar, com um movimento ondulado e firme, o relevo de uma região paulistana que marcou sua vida. E explica como, toda madrugada, baixava sobre essa região localizada entre duas represas uma neblina densa, muito densa. Ele então fala da pista de corrida que deu fama ao lugar. Quem o ouve viaja no tempo e no espaço: autódromo de Interlagos, final da década de 50. E presta atenção ao que ele vai começar a contar. Trata-se de saber como ele conseguia abrir caminhos tão velozes através da cerração que tapava a vista de todos os pilotos, menos a dele. Bird Clemente: eis o nome do comandante daqueles vôos noturnos e quase cegos.

Ídolo de campeões como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, Bird marcou época no automobilismo brasileiro. Veloz, arrojado, habilidoso, dedicado, talentoso, audaz... A crônica esportiva enfileirava adjetivos para fazer jus ao volante campeão, enquanto ele deixava atrás de si filas de carros, alguns até mais potentes do que seu DKW ou sua berlineta Interlagos. “Berlinette”, como Bird prefere chamar.

Bird Clemente prepara para 2008 um livro. É garantia de boas e bem contadas histórias, por quem as viveu e construiu. Mas nosso piloto não é só passado. Ainda ligado ao automobilismo e atento, ele acompanha, por exemplo, o desenvolvimento tecnológico na Fórmula 1. Mas lamenta o fato de muitos dos pilotos dessa categoria terem se transformado em meros “operadores de instrumentos”. “Hoje, muitos se escondem atrás do equipamento”, diz. E critica a ausência de risco nos autódromos muito travados, a falta de emoção. “Ninguém vai a uma tourada para ver o toureiro enfrentar um touro sem chifre”, conclui.

De volta à beira-mar. Muitos causos, dois chopes e um espaguete à bolonhesa depois, Bird deixa o restaurante Fiorentina. Já passa da meia-noite; logo mais, ele será homenageado no Alto da Boa Vista pelos 70 anos de idade que completa em 23 de dezembro. Precisa descansar: menos de 12 horas atrás, encarou a Via Dutra em direção ao Rio. Mas o papo ainda continua, enquanto Bird caminha pelas calçadas do Leme até o carro estacionado junto à praia. Ele fala de motores e saudades, camaradagem e truques, pilotos e pistas.

Bird Clemente entra no carro, mas é de carona que ele vai até o hotel, no Posto 6. Nada de punta-taccos ou derrapagens controladas – os power slides em que era mestre. Segue na frente. E, na madrugada que avança, Copacabana parece cobrir-se de uma neblina densa, muito densa. Como naquele autódromo paulistano.

(Na foto, o volante Bird Clemente toca um Bino Mark I no autódromo de Jacarepaguá no final da década de 60.)

O ESPÍRITO DA COISA

O sr.Nicomar Lael, recém-contratado por esta Sopa, talvez não tenha entendido o espírito da coisa.

Ao invés de distribuir tamancadas a torto e a direito no cocuruto dos impostores que povoam as telas de TV, as páginas de jornais e os sulcos dos CDs produzidos nesta república, o sr. Nicomar Lael prefere arrotar erudição divagando sobre a performance de remotos cantores de ópera.

"Não passará!".

O que é que ele quer, com esta exibição de suposto refinamento? Insinuar que seria capaz de dirigir um espetáculo de ópera ?

Imagino o que ele pretende: conseguir pela Lei Rouanet uma verba que deveria ser usada para financiar um espetáculo de ópera mas que, na verdade, terminaria financiando a compra de um apartamento na praia

(Por uma questão de justiça, diga-se que,para não despertar suspeitas sobre o desvio, o sr. Nicomar usaria as sobras da compra do apartamento para montar um patético espetáculo de ópera em que ele próprio,para economizar verba de produção,desfilaria durante quatro horas ininterruptas pelo palco do Municipal berrando feito louco de hospício frases ininteligíveis em aramaico).

A única crítica possível de um espetáculo de ópera é a seguinte: "Quando acabar o espetáculo, me acordem, porque não posso perder o último metrô".

Desvios de conduta como o exibido pelo recém-contratado explicam a crise sem precendentes que se abate sobre o Sopa de Tamanco.

Mas providências enérgicas serão tomadas.

SEMIÓLOGOS CHATÍSSIMOS, CORREI !

Os apocalípticos diziam que a palavra escrita estava morrendo, porque a pobre espécie humana estaria vivendo na civilização da imagem.

Mas aí surgiu a internet.

A boa notícia: nunca se escreveu tanto em tantos blogs, sites, portais, comunidades, chats.

A má notícia: nunca se escreveu tanta tolice, tanto lixo, tanta idiotice, tanta estupidez.

Semiólogos chatíssimos, correi! Há um assunto à espera de uma tese: valeu a pena a ressureição da escrita?

A PROPÓSITO DE CÉTICOS

Assim falava Moraes Neto:

"Céticos, tremei. Quem se recusa terminantemente a dar um mínimo crédito de confiança a ciganas ,videntes,adivinhos e outros habitantes da Terra da Premonição deve ficar longe da fita de vídeo que uma cigana chamada Esmeralda gravou,em dezembro de 1993,para o Fantástico. Porque esta fita pode ter o poder de abrir uma fresta no paredão de descrença que os céticos profissionais erguem em torno de si".

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ROCKWELL BLAKE

Assim falava Nicomar Lael:

"Gosto da interpretação que Rockwell Blake dá à “Dalla sua pace”, precisamente por tudo aquilo que os críticos nela detestam: o riso estúpido no rosto, o exagero, a voz vacilante. Quem quer que queira interpretar Don Ottavio tem que se equilibrar entre a parvoíce, a pusilanimidade do personagem e a sublimidade do sentimento que ele expressa naquele instante. Sem dúvida há vozes melhores para a ária. Também a interpretação de Winbergh tangencia esse equilíbrio, sem cometer os excessos. Mas o excedente, no caso de Blake, parece indicar o caminho. Por isso fico com ele".

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5 de dezembro de 2007

TESEU X MINOTAURO

— Muito bem, amigos helenos, eu sou Hesíodo e você está ligado na Rádio Atlas. (entra vinheta da rádio) “Rádio A-tla-tla-tlas. Levamos o mundo do esporte greco-romano até você. E levamos sobre os ombros”. (voltando a falar) Estamos aqui hoje em mais uma epopéia esportiva para transmitir direto de Creta aquele que é um clássico da mitologia contemporânea. Nesta tarde, a equipe de Teseu enfrenta a do Minotauro. Irá o herói ático derrotar a fera insular e interromper sua seqüência de vitórias que já dura anos? É o que todos se perguntam. Aqui, ao meu lado, o comentarista do hexâmetro abalizado, Eurípides. E então, Eurípides, que você acha do enfrentamento de logo mais?

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ANALFABETISMO CLÁSSICO

Existe o analfabetismo propriamente dito, o analfabetismo funcional e o analfabetismo clássico. Este último, categoria em que se encaixam os que pensam ter a literatura surgido a partir do “Ulisses” de Joyce.

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4 de dezembro de 2007

THIS IS THE END

O ano agoniza. A MPB também. Qual foi a última bela música nova que você ouviu ?

A curto prazo, não há salvação para os dois.

O PROBLEMA SÃO OS OUTROS SEIS BILHÕES

Do blog de Walter Carrilho:

"Um amigo meu cunhou uma frase ótima: “Tem um milhão de pessoas que eu gosto e admiro. O problema são os outros 6 bilhões. Esses atrapalham.” Concordo. Esses outros humanos estão aumentando exponencialmente. Por mais que eu tente ser otimista, há sempre cretinos se esforçando para que eu perca a esperança na humanidade"


aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com

PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE CELEBRIDADES: TAGUE, JAMES

Assim falava Moraes Neto:

"O assassinato do presidente John Kennedy, ao meio-dia e meia da sexta-feira 22 de novembro de 1963, teve uma vítima desconhecida: um passante – que só parou para ver a passagem da comitiva porque o trânsito estava engarrafado – foi ferido na bochecha pelo estilhaço de uma das balas disparadas pelo ex-fuzileiro naval Lee Oswald contra o presidente. Nome da vítima: James Tague. É citado no relatório oficial sobre a morte do Presidente.
Hoje, ele é comerciante de carros usados. Dá uma resposta afirmativa ao meu pedido de entrevista, feito por telefone. O encontro fica marcado para o único endereço que conheço em Dallas: o célebre Depósito de Livros Escolares do Texas. De uma janela, no sexto andar do Depósito de Livros, Lee Oswald esperou com um rifle nas mãos a passagem da comitiva presidencial.
Chego ao encontro na hora marcada. Como identificar James Tague?
Noto que um texano típico – devidamente paramentado com botas de cowboy – caminha de um lado para outro na calçada do Depósito de Livros. De vez em quando, me olha, como se quisesse adivinhar quem sou. Fico imaginando se aquele cowboy é o meu personagem.
Faço a pergunta: “Mister Tague?”
O cowboy estende a mão, abre o sorriso, diz que estava desconfiado de que eu era o tal repórter brasileiro que marcara o encontro por telefone.
Depois de apontar para a janela de onde saíram os tiros, caminha até uma cerca – que, segundo os crentes em teorias conspiratórias, serviu de esconderijo para o segundo atirador, jamais encontrado.
O cowboy vendedor de carros usados engrossa o coro dos que dizem que Lee Oswald foi o único assassino, mas deixa em aberto um pequeno espaço para a dúvida.
Quando pergunto se ele acha que um dia o “Crime do Século” será definitivamente esclarecido, o cowboy responde com uma palavra: “Não”.
Depois, troca cumprimentos, diz que precisa voltar ao trabalho e desaparece no começo da tarde de Dallas. Por um desses acasos que só acontecem uma vez num século, o anônimo cowboy texano foi testemunha e coadjuvante de um dos maiores crimes da história".

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MANICÔMIO

Trata-se o dr. Nicomar Lael de gente de hábitos os mais esquisitos, ainda que o leitor encontre quem diga ser eu o estranho e o dr. Nicomar Lael, pelo contrário, a mais normal das criaturas — coisa que contesto veementemente, só não tomando as medidas cabíveis porque a esta hora os portões do manicômio já estão fechados.

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SUBDESENVOLVIDO

Que esperar de um país onde Marcelino Freire, Mirisola e Carpinejar são levados a sério?

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PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE CELEBRIDADES: ALLEN, WOODY

Assim falava Moraes Neto:

"A máquina de relações públicas da distribuidora encarregada de lançar um filme de Woody Allen oferece uma entrevista exclusiva com o ator e diretor, na suíte de um hotel plantado às margens do Hyde Park, em Londres. Tento ser britanicamente pontual: chego na hora. A assessora me leva para uma ante-sala. Vai embora. Um minuto depois, chega o astro. É igual ao que se vê no cinema: tímido, esfrega as mãos enquanto fala, olha para o chão, solta tiradas geniais. É pálido como um boneco de cera. Pergunto se ele admira algum brasileiro. Tenho certeza de que Woody Allen – fanático por esportes – vai citar Pelé ou Romário ou Ronaldinho. Quebro a cara. Allen se declara apaixonado por Machado de Assis. Ganhou de presente uma versão inglesa de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Lá pelas tantas, diz que precisa fazer um filme atrás do outro, para não olhar para a “nuvem negra” que paira vinte e quatro horas sobre seus ombros – a morte. Tento consolá-lo. Digo que os filmes que ele faz serão estudados daqui a 50 anos, nas cinematecas. Woody Allen responde que não quer a imortalidade no futuro. “Quero agora, já, no meu apartamento”. Infelizmente, não posso ajudar".

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POLIDOXIA

Na Renascença e na Antiguidade, a polimatia era regra entre sábios. A modernidade trouxe a figura do cientista especializado no seu ramo científico. A pós-modernidade e, especialmente, as revistas semanais, por sua vez, estimulam a polidoxia: o articulista é especialista em tudo, ainda que não saiba de nada.

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3 de dezembro de 2007

AS OITO LETRAS LETAIS : DEZEMBRO

Pensei em me apresentar aos caros internautas tamanqueiros.

Não consigo articular sequer uma frase legível.

Motivo: faz setenta e duas horas que o peso de oito letras terríveis começou a esmagar o planeta. Oito letras letais: dezembro. O único consolo é que a desgraça se extingue em trinta e um dias.

Respiro fundo, faço de conta que não é comigo e saio latindo pela avenida, para ver se espanto as festinhas de amigo secreto, as listas de fim de ano e outros pequenos horrores da temporada.

Os latidos,como sempre,não surtem qualquer efeito sobre a realidade. Mas não há nada de mais útil a fazer, além de latir, latir, latir.


PS: Um desocupado me convidou a ficar escrevendo para este blog, quando me sobrasse tempo. Não sobra. Ainda assim, tentarei, entre três e quatro da manhã. Acionei meus informantes para descobrir qual era a audiência do blog. Disseram-me que algo em torno de duzentas almas diárias passam e penam por aqui. Há quem ache pouco. Ou pouquíssimo. Considero que duzentas almas penadas formam uma multidão incalculável. Decido, então, que, sempre que possível, subirei num tamborete imaginário, empunharei meu megafone enferrujado e bradarei a plenos pulmões nesta praça pública contra a irrevogável, a irrecorrível,a lastimável idiotia dos seres bípedes que entopem as lojas de dezembro e as mesas de restaurante para falar alto e brincar de amigo secreto.

BRASIL NA GUERRA DO VIETNÃ?

Assim falava Moraes Neto:

'"Não contei esta história no meu livro”, diz Gordon, autor do recém-lançado “A Segunda Chance do Brasil a Caminho do Primeiro Mundo”. Ao final de um depoimento gravado durante três horas ininterruptas no quarto 904 do Hotel Glória, no Rio, o ex-embaixador revelou detalhes inéditos sobre o dia em que entrou no Palácio do Planalto, em nome do presidente Lyndon Johnson, para pedir ao marechal Castelo Branco que o Brasil se engajasse numa guerra no sudeste asiático. Lincoln Gordon volta esta noite aos Estados Unidos, depois de cumprir um périplo por São Paulo,Rio de Janeiro,Brasília e Recife'.

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PAUSA NAS TAMANCADAS. UM BELO E IMPRESSIONANTE BILHETE DE SUICÍDIO DEIXADO POR BYRON SARINHO

Byron Sarinho era um advogado e militante político. Combateu o regime militar. Era um dos principais articuladores de campanhas eleitorais da oposição. Comunista, elegeu-se vereador e deputado estadual depois da redemocratização do país. Eu o conheci. Impressionava pela vivacidade, pelo senso de comandoo, pelo ardor com que discutia política num Estado dividido entre esquerda e direita, como era Pernambuco.

Num gesto que até hoje causa perplexidade em quem o conheceu, ele preparou - na surdina, é óbvio - cada detalhe do suicídio: pagou todas as contas, transferiu bens para o nome de familiares, dispensou a visita da empregada,
sentou-se no sofá da sala do apartamento em que vivia sozinho, no décimo sexto andar de um edifício chamado Caeté, na rua da Aurora, no centro do Recife - e deu um tiro na boca,por volta das nove da manhã do dia doze de novembro de 2002. Tinha duas filhas. Não estava doente. Não enfrentava problemas financeiros. Não sofria de depressão ou algo parecido.

O motivo do suicídio: Byron tinha resolvido estabelecer para si um limite máximo de idade: sessenta anos. Não queria envelhecer. Não tinha disposição para enfrentar a decadência física.

Eis o texto que ele escreveu:

"Recife, novembro de 2002


Peço mil perdões a papai, às filhotas Ciça e Vic, a irmãs e demais parentes, amigos/as, companheiros/as, colegas. Sei que estou lhes causando perplexidade, aflição, dores, saudades. Mil perdões, repito. Mas tenho certeza de que, superado este choque de agora, todos compreenderão que fiz o melhor para vocês e para mim.

Um apelo: não procurem chifre em cabeça de cavalo, não há, no meu gesto, decepção, drama, loucura ou tragédia. Não existem problemas ou fatores específicos, em qualquer campo – profissional, afetivo, político, financeiro, de saúde, etc.. Não estou agindo movido por qualquer acontecimento súbito ou isolado. Trata-se, muito pelo contrário, do desfecho lógico de um longo processo, de uma atitude racional, tranqüilamente amadurecida e planejada.

Minha motivação é somente uma, e sobre ela já venho lhes falando/escrevendo há muito tempo: não quero, não devo e nem posso ficar (mais) velho. Não pela idade em si, mas pelo inevitável cortejo de privações, desconforto e sofrimento que ela traz particularmente para alguém como eu, que vive (e ainda vivo) sem suportar limites e restrições.

Vejam, por favor, as coisas por outro ângulo. Pensem no que todos estamos evitando: um velho pobretão, irritadiço e nostálgico da juventude. Na melhor hipótese, cheio de achaques; na pior, dependente ou até inválido. Vade retro! Este transtorno de agora, acreditem, é bem menor e mais passageiro do que o monumental estorvo que estou lhes poupando.

A verdade é que nunca me preparei para ser idoso. E se minha vida ainda está bem razoável – para um sessentão, óbvio – por que tenho que esperar o pior, para mim e para as pessoas queridas? A saída tem que ser agora, antes que eu ultrapasse a marca dos 60 anos.

Pensemos positivo, então. E aceitem um saudoso adeus, milhões de beijos do BYRON SARINHO.


Ps. Se, mesmo com os pouquíssimos bens que tenho, for imprescindível um inventariante, proponho que seja Sônia, minha irmã e comadre"



(aqui, outro texto em que Byron especula sobre as possíveis agruras da idade:

http://www.byronsarinho.com/byr-morte/morte-index.html)

NOSSO NOVO COLABORADOR

Conheço o dr. Nicomar Lael há cerca de 33 anos. Tempo suficiente para que nossa amizade tivesse pregado a paz, sido perseguida pelos hereges e morrido na cruz. No entanto, infelizmente, não foi o que aconteceu. Assim, sou obrigado a suportar o sujeito até nossos dias, sem que conte ao menos com um mísero seguidor.

(Mais, aqui)

TRADIÇÃO

Machado poderia ter iniciado uma tradição literária no Brasil. Isso, se nossos escritores soubessem o que é literatura e não preferissem, em vez dela, o exercício de trocadilhos nauseantes.

(Mais, aqui)

2 de dezembro de 2007

GRANDES FRASES AVACALHADAS

"Nada mais tucano que um petista no poder. Nada mais petista que um tucano na oposição."

Oliveira Vianaeelapassabem

1 de dezembro de 2007

"COMO SERIA BOM TER UM ESCRAVO" PARA QUEBRAR OS GALHOS DA VIDA COTIDIANA....

De quem será esta queixa ?

"Desesperado na confusão linhas telefônicas, faxes, computador e televisão a cabo, sinceramente penso em como seria bom ter um escravo.Eu o trataria bem, não o maltrataria e não me aproveitaria dele de maneira degradante, apenas o usaria como dragomano para quebrar os galhos da vida cotidiana. Talvez até me lembrasse dele no meu testamento( se fosse "ela" seria perigoso). Lembro que, jovem, eu me envergonhava quando lia em Machado Assis um aristocrata dizendo :"Manda um moleque avisar a etc..."

(aqui, a identidade secreta do autor: http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/023409.html#more)

É DEZEMBRO ! ALEGRAI-VOS! COMEÇA O GRANDE FESTIVAL DAS CHATICES DE FIM DE ANO!

Ivan Lessa:

"Fim de ano. As chatices habituais. Trânsito difícil, senhoras carregadas de embrulhos no metrô, frio, noite começando a bocejar de sono já às cinco da tarde.
Jornais com pouco a noticiar e muito a anunciarem (“Papai Noel ficou maluco na Loja Tal!” “O supermercado Coisa Aquela está botando pra quebrar!”). A televisão guarda o quente para o começo do ano e prepara, ou nos prepara, como se fôssemos um peru de Natal, uma programação para crianças pouco dotadas em matéria de luzes: especiais comuníssimos, os filmes de sempre (Mary Poppins, A Noviça Rebelde, um festival Julie Andrews, enfim), anúncios de colônia e bilboquês eletrônicos"


aqui:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071130_ivanlessa_tp.shtml

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 6

"A consciência literária é gratuita, o dom de escrever não se adquire, mas uma convicção é conquistada (...) Cinco horas da manhã.Daqui a pouco, o dia começa a clarear. Levanto-me da máquina, o corpo dormente, espreguiço-me, vou até a janela. Todas as luzes do edifício fronteiro apagadas, os moradores estão dormindo na Santa Paz do Senhor - todos eles, como eu, pobres criaturas de Deus. Foi-se o medo de surpreender o mistério dessa gente, quisera agora comunicar-me com eles, saber de seus desejos e problemas, conhecê-los de perto, escrever sobre eles, quem sabe, talvez um romance, o meu romance"

FESTIVAL FERNANDO SABINO -5

...."Pelo menos vejo nos melhores filmes de ultimamente, desde Antonioni, com A Noite, ou Felini, com Doce Vida e Oito e Meio, até a mais recente realização de categoria do cinema brasileiro, um atendimento da minha necessidade de expressão romanesca muito maior do que qualquer romance hoje me possa dar. A possibilidade de uma obra de autoria coletiva em colaboração interdependente, ainda que sob a orientação de um só, me parece muito mais condizente com as exigências coletivas do nosso tempo"

(idem)

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 4

"...Talvez para mim, que sou filho ingrato. Mas permanecerá para sempre vivo nas páginas de Faulkner, Proust e outros grandes, cuja leitura jamais cheguei a terminar, para não falar em Dickens, Balzac e outros ancestrais, cuja leitura nem sequer iniciei. Eu, um literato, um escritor, um romancista em potencial: que em certa época de paranóia literária me pretendi um scholar e disparei a ler toda uma bibliografia sobre o fenômeno da literatura e nosso tempo - de I.A. Richards a C.M.Bowra ! Para mim, deve ter sido Kafka quem encerrou a questão. É possível que, depois dele, o romance esteja mesmo liquidado, vamos sair para outra. É possível que o cinema seja mesmo o mais autêntico meio de expressão do nosso tempo, ainda em seus primeiros passos"

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 3

....."Mas o melhor livro que já li na minha vida continua mesmo sendo "Winnetou", de Karl May :jamais romance algum me deslumbrará tanto como, aos onze anos, essa fabulosa história de aventuras. Hoje, para dizer a verdade, do que eu gosto mesmo é de um bom livro de aventuras reais de guerra :já li no mínimo uns cem - e nem em Saint-Exupéry encontrei tão boa literatura como no livro de Richard Hillary,por exemplo. Até já me esqueci que Gide existiu: o que me impressiona hoje é um bom documentário jornalístico sobre a situação da Argélia, a revolução cubana, a guerra no Vietnã, a vida de Churchill,o fenômeno Hitler, a santidadede João XXIII, o assassinato de Kennedy, o fundo do mar na visão de Jacques Costeau. Ou mesmo o relato de um crime em pretensiosa forma de romance, como o de Truman Capote, no entanto tão bem sucedido como excelente reportagem. O que significa isso ? Que o romance estará definitivamente ultrapassado como gênero literário ?"


(Idem)

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 2

"Escrever romance para quê, depois de Dostoiévski ? Para ser lido por quem ? Tenho horror à nouvelle vague. Alguns casos esporádicos ainda conseguem me impressionar: Nabokov, Durrel, Joseph Heller : Catch-22 é talvez a única coisa realmente nova surgida ultimamente em matéria de romance. Saul Bellow pode ser bom, as deixo para acabar um dia a leitura de "Herzog" - ai, meu Deus, qie preguiça. Em compensação, êta romance gostoso esse extraordinário "Coronel e o Lobisomem", de José Cândido Carvalho! Desde "Quincas Borba" que não leio nada com tamanho prazer a cada linha"

(Idem)

FESTIVAL FERNANDO SABINO - 1

"Li as novelas de Henry James de ponta a ponta, para um dia acabar descobrindo, nas obras maiores, que o gênio do romance moderno era um chato. Outro gênio do romance me derrotou: não consegui ler "Ulisses", apesar de três obstinadas tentativas que me levaram tão somente até aquela impenetrável discussão sobre Hamlet na biblioteca: um doce para quem,além de Antônio Houaiss, me explicar do que se trata.E,como os demais que me afirmam ter lido o livro todo, e não somente o monólogo final, não preciso ir até o fim para saber que se trata de uma insuportável obra-prima"

(Fernando Sabino, num exemplar amarelado na revista MANCHETE DE 11 de março de 1967)

30 de novembro de 2007

Destino manifesto

E não é que o criador do clássico "2 girls, 1 cup" é fruto do ventre do nosso querido Brasil?

Marco Antonio Fiorito é o nome desse injustiçado Pasolini.

Está no Smoking Gun.

http://www.thesmokinggun.com/archive/years/2007/1130071onecup1.html

(O Blogger está bichado para fins de links.)

MORAES NETO, O UBERTOSO

Tendo colocado como meta para esta encarnação superar o pingue Balzac, eis que Geneton Moraes Neto, o popular Moraes Neto, lança mais um livro este ano (são seis, de acordo com minha última contagem).

Diferentemente do escritor francês, no entanto, Moraes, o popular Neto, não precisa escrever para ganhar dinheiro, já que tem o futuro garantido para mais sete gerações de sua descendência em função de deter onze por cento das ações com direito a voto das Organizações Globo.

Razão por que Neto, o popular Nê, pode se esmerar na escrita, gastando as horas do dia em que não está ocupado retocando a pintura da barba ou coçando com a unha do dedo mínimo partes pudendas de sua anatomia em exercícios de estilo de causar espanto a Bakhtin.

Por tudo o que deixo dito, vale comprar seu Dossiê História. Vão lá. Mulher feia paga e leva.

E se as razões acima não convenceram, que ao menos se faça por caridade: ajude N. a comprar mais um por cento da empresa do dr. Roberto. Ele detesta número ímpar.

LESSA

Ivan Lessa apud Moraes Neto:

"O QUE ACHO TRISTE É O FATO DE O MEU LIVRO SAIR!"

(Mais, aqui)

CABRERA

Cabrera Infante apud Moraes Neto:

''Mas a adesão de García Márquez a Fidel Castro é posterior à leitura que fiz de 'Cem Anos de Solidão'! Se me interesso tanto por Jorge Luis Borges, não poderia me interessar por 'Cem Anos de Solidão', um livro folclórico. Se o problema é encontrar um livro que trabalhe com elementos sul-americanos surpreendentes, então prefiro 'Grande Sertão: Veredas.'"

(Mais, aqui)

29 de novembro de 2007

ESPÍRITO

Com a aproximação da Guerra dos Trinta Anos, René Descartes decide alistar-se no exército bávaro. Faz muito frio no acampamento, e ele se enfurna num quarto quente feito estufa, onde se isola. Às voltas consigo mesmo, entretido com seus pensamentos, vive a experiência filosófica que descreveria mais tarde no Discurso do Método.

Quem lembra o fato, quatro séculos depois, é Bertrand Russell, que aproveita a ocasião para a tirada: "Sócrates costumava meditar um dia inteiro na neve, mas a mente de Descartes só funcionava quando ele estava aquecido."

DE RASPÃO

França, final da década de 30. Um pequeno e seleto grupo se dedica à leitura de textos de Kant. Entre eles, Alexandre Kojève e Eric Weil, que às vezes se estendem em controvérsias vagas. "Um ou outro, o que estava claramente sem razão, argumentava incansavelmente." Quem lembra é Raymond Aron, que fazia parte da turma.

No tabuleiro


'Loolah's Family Scolarship'


Quase 34% dos brazucas radicados nas terras que eram do Citibank - agora são um pouquinho de Abu Dhabi - estão na pobreza ou perto dela, diz o Centro para Estudos de Imigração.

Somos piores que os iranianos, os poloneses e os filipinos.

PRECONCEITO SEXUAL

— Ai, meu pé!
— Você diz isso por preconceito.
— Como? Você pisou no meu pé, Armina!
— Tudo bem. Mas precisava reagir desse jeito?
— Você preferia que eu dissesse “uh”, por acaso? Uh, continua doendo! Foi bem no ded...
— Não é o “ai”, Botero, é a maneira como você fala.
— Que é que você disse? Ai, digo, uh, essa agora foi...
— Eu disse que esse seu “ai” tá carregado de preconceito sexual.
— Se tem uma coisa contra a qual não tenho preconceito é sexo, Armina. Pelo contrário, gosto muito. Você é que às vezes...
— Preconceito contra o sexo! Machismo! Você é contra o meu sexo!
— Se é o que eu prefiro!

(Mais, aqui)

28 de novembro de 2007

DESCULPAS...

... ou cada um tem o Renan que merece.

TV Tamanco - Ação afirmativa no tráfico

UM ANTI-PRÊMIO PARA NORMAN MAILER....

O site da BBC Brasil informa:

"Mailer ganha prêmio por pior descrição de sexo

O escritor americano Norman Mailer, morto no início deste mês, foi o vencedor do prêmio 'Bad Sex in Fiction Award', pela pior descrição de um ato sexual na literatura de ficção em inglês.
Mailer foi agraciado com o prêmio, distribuído pela revista de literatura britânica The Literary Review, por um trecho de sua última obra, The Castle in the Forest, ainda sem tradução no Brasil".

(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071128_mailersexo_ba.shtml)


Uma dúvida: o que aconteceria se o prêmio fosse estendido para autores de língua portuguesa ?

O CLUBE DOS PEZINHOS NAS POLTRONAS TENTA CONTATO COM TERRÁQUEOS

Assim falava Moraes Neto:

"Bato o olho na televisão. A participante de uma roda de conversa tira o sapato e põe os pés na poltrona, durante todo o programa. Meus botões me perguntam : 'É para parecer livre e informal'?"

(Mais, aqui)

POBRES DE ESPÍRITO

Se tem uma passagem bíblica com que não posso concordar é aquela que afirma estarem salvos os pobres de espírito. Não caberia tanta gente no Céu.

(Mais, aqui)

REGINA CASÉ ( OU MELHOR: REGINA CASEBRE), EXPLORADORA DOS POBRES E OPRIMIDOS

Quando é que os pobres do mundo vão finalmente se unir par processar Regina Casebre (o apelido genial foi dado por Reinaldo Azevedo, no site da Veja) por exploração de imagem, demagogia baratíssima e apologia da péssima qualidade artística ?

COMO DIFERENCIAR XUXA DE SASHA: A QUE FALA COM VOZ DE RETARDADA É XUXA....

Do blog de Walter Carrilho:

"Sasha, a filha da Xuxa (atenção, esta frase é um ótimo trava-língua), deve ser o primeiro resultado do cruzamento entre um ser assexuado (Xuxa) e um animal acéfalo (Luciano Szafir). O cruzamento teve a participação providencial de uma Marlene Matos (um animal ainda não classificado pela biologia), mas isso não conta. Há boatos de que Sasha é, na verdade, uma boneca Barbie que adquiriu vida.Sasha é muito parecida com a mãe. Algumas pessoas acham difícil diferenciar uma da outra. É muito fácil: basta colocá-las lado a lado. A que fala com voz de retardada costuma ser a Xuxa. Sasha é uma celebridade precoce. Deu a sua primeira entrevista para a Revista Contigo quando ainda era um feto– a revista voltou a entrevistá-la aos 9 anos, momento em que revelou ter contado com a ajuda da mãe para comprar o seu primeiro sutiã. A mãe também pretende comprar dois diretores globais e um favelado para distrair a filha"

(aqui:http://waltercarrilho.blogspot.com/2007_09_01_archive.html)

IVAN LESSA: "NÃO É MAU TER UM ARCEBISPO. TIVEMOS DOM HÉLDER CÂMARA. DEPOIS, PASSOU"

Aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071128_ivanlessa_tp.shtml

TV Tamanco - A partir de hoy!

UM NOVO ESTAMENTO SOCIAL: OS RICOS POBRES

A Vila Madalena é o lugar freqüentado pelos pobres mais ricos de São Paulo. Por pobre rico, entenda-se aquele que trocaria seu loft e sua Mercedes do ano por uma bicicleta e um barraco na Zona Leste, desde que a Zona Leste fosse freqüentada por pobres tão ricos quanto ele.

O pobre rico não vai a Moema porque é bairro de burguês. Como não-burguês, ele prefere, por exemplo, pagar R$ 7,00 para entrar num fundo de quintal atulhado de gente (ou similar), onde o churrasquinho, pelo preço exorbitante, deveria ser feito de endríago.

(Mais, aqui)

A CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO O PETISMO

E Marx suspirou e catou dois piolhos da barba para se acalmar. E em seguida, no escuro mesmo, fez uma parede. E separou uma parede da outra e ambas do teto. E, após alguma deliberação, fez o sindicato e achou bom. E foi este o milésimo primeiro dia da criação.

— Agorra, o luiz, porrr favorrr.

E lhe trouxeram o Lula. E Lula disse:

— Nunca antes na história desse país.

E Marx irritou-se:

— O luiz, apertem o interruptorr porr amorr de... do... Light! Turn the light on! Now! I’m loosing my opium of the people!

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ABORTO ESPONTÂNEO

A exemplo do papa, só aceito o aborto se for espontâneo. Ninguém deve forçar a mãe a ir à clínica sem que ela queira.

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27 de novembro de 2007

UM TRATO NA LÓGICA

Áustria, década de 40. Um grupo de universitários, Paul Feyerabend à frente, organiza seminários onde se discutem fundamentos de teorias científicas. Tema principal: o problema da existência do mundo exterior.

De passagem pela cidade, um filósofo muito influente nas rodas ilustradas da capital austríaca é convidado para ajudá-los na discussão. Ele é especial.

É chegada a hora. Feyerabend expõe para uma audiência de eminentes filósofos e cientistas um resumo das investigações em curso naquela sociedade estudantil , espécie de versão júnior do Círculo de Viena. Não satisfeito, dá algumas sugestões de como prosseguir com os trabalhos.

Ato contínuo, o convidado especial (que chegara com mais de uma hora de atraso) interrompe, da platéia, o palestrante. E exclama: "Pára! Assim não dá!" É Ludwig Wittgenstein, poucos minutos depois de chegar ao auditório.

DOSSIÊ HISTÓRIA, O LIVRO-REPORTAGEM: A PALAVRA DE TESTEMUNHAS E PERSONAGENS DE FATOS QUE ABALARAM O MUNDO!

O locutor-que-vos-fala interrompe a programação normal para dar uma notícia que parece movida por interesse próprio, mas não é. O leitor caridoso pode se interessar também!

Chega às livrarias esta semana o DOSSIÊ HISTÓRIA , um livro-reportagem que traz o que a TV, por absoluta falta de tempo, não mostra: depoimentos completos, na íntegra, sem qualquer corte. Cenas de bastidores. O que se esconde por trás das reportagens. Os personagens do livro-reportagem são testemunhas e personagens de acontecimentos que, literalmente, abalaram o mundo.

O DOSSIÊ HISTÓRIA - um lançamento da Editora Globo - traz depoimentos do professor de Mohammed Atta, o estudante de aparência pacata que viria a se transformar no chefe dos terroristas que perpetraram o maior ataque terrorista da história, o 11 de Setembro. Atta, um egípcio, chegou à Alemanha para estudar arquitetura. Terminou recrutado por um olheiro da Al-Qaeda. Virou um terrorista suicida. Além do professor, o livro publica entrevistas completas com gente que conviveu intimamente com Mohammed Atta: um retrato falado do super-terrorista.

Você vai encontrar também, no DOSSIÊ HISTÓRIA, um depoimento do palestino que ouviu os segredos de Bin Laden numa caverna no Afeganistão. O que Bin Laden terá dito a ele ? E mais: uma entrevista com o agente alemão que tentou mas não conseguiu salvar os atletas israelenses atacados por terroristas palestinos nas Olimpíadas de Munique; as confissões do ex-soldado nazista que, aos oitenta e cinco anos, fala sem meias palavras sobre as atrocidades que cometeu;
o desabafo do filho de um carrasco nazista que até hoje faz companha contra o pai; o drama da mulher que descobriu que tinha um criminoso de guerra na família. Também: a palavra do militante que causou escândalo na Europa ao declarar que estaria disposto a se sacrificar como homem-bomba. Por fim, o DOSSIÊ HISTÓRIA traz um capítulo extra com um personagem que dá um aula de jornalismo: o "jornalista que derrubou um presidente".

Sou suspeitíssimo para falar, mas, dou um palpite: vale a pena embarcar nesta expedição rumo aos bastidores da história.

DOSSIÊ HISTÓRIA não é tese nem análise. É cem por cento reportagem. O jornalismo vive de quê ? De memória. O papel do repórter, como se sabe, é tentar reconstituir da melhor maneira possível o que aconteceu de importante. Não existe fonte melhor do que a palavra de quem viu e ouviu.

E a palavra de quem viu e ouviu é justamente o que você encontrará em DOSSIÊ HISTÓRIA - que começa a chegar agora às melhores casas do ramo.

Fim do intervalo.

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3223440

Agora vai!

'Brasil muda de patamar e ingressa em grupo de alto IDH, aponta ONU'

'"Nós somos abençoados por Deus", afirma Lula sobre PNUD

'Morador de rua pode ter sido atacado por rival, afirma polícia'

'Para delegado, garota presa com homens no PA "tem debilidade mental"'

'PM morre baleado durante operação em favela do Rio'

'Morre bebê abandonado em lata de lixo na Grande São Paulo'

TV Tamanco - Autoridades baianas promovem jogo pela paz nos estádios

Gross phrasen afacalhäden

'O ESTÁDIO DE FUTEBOL É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS.'

Jacques Richard Wagner, compositor de 'O baiano voador' ('Der fliegende Baiänen')

DEPOIMENTO

"Meus problemas começaram já na alfabetização, quando descobri que meu time se chamava Coritiba. O time ser ruim, tudo bem. O negócio é aquele 'o', pô."

Paulo Polzonoff Jr., atriz e modelo.

"OS INGLESES NÃO SÃO SÉRIOS"

Burgess apud Moraes Neto:

"A crítica é um negócio, uma ocupação, um metier, algo que os críticos fazem para viver. Sempre se esperou dos críticos da Inglaterra que divirtam os leitores e sejam "criativos" e destrutivos - não que eles façam o que deveriam fazer: estabelecer o que é um livro e examiná-lo seriamente. O que os críticos fazem não é sério.

Vou além: os ingleses não são sérios. Trocam qualquer coisa por uma boa risada, porque têm um grande senso de humor (Burgess fala dos ingleses na terceira pessoa do plural, sem se incluir). Acontece que este senso de humor é excessivo. Os franceses levam as coisas demasiadamente a sério. Já os ingleses não levam nada a sério o bastante."

(Mais, aqui)

NEGO E REPILO

A postagem anterior do sr. Polzonoff é uma mentira deslavada. Aqui em casa não tem telefone. Eu quero é ver sangue.

PITNAZIS

"Ninguém perguntou, mas declaro, diante deste egrégio tribunal, que tenho horror a cachorros. Os bichos só são toleráveis em cinema. Não existe nada pior que cachorro fungando a perna dos outros dentro de elevador. Se houvesse justiça neste planeta desperdiçado, quem botasse cachorro dentro de elevador pegaria cinco anos de cadeia automaticamente, sem direito a apelação."

(Mais, aqui)

A bipoladidade é uma merda

Há cinco minutos toca o telefone aqui em casa:

- Paulo?
- Eu, claro. Você ligou no meu celular, animal.
- Sou eu, Marconi.
- É o único animal com quem falo.
- Você tá chateado com o que eu escrevi? - pergunta ele. - Foi brincadeira!

Depois o cara me escreve isso daqui. Pode?

Caros leitores, tudo aqui é brincadeira. Nós nos amamos e vamos fundar uma comunidade hippie baseada nos preceitos da tamancada ética. Please. E sobre meu texto sobre o fim das amizades, caramba, não tem nada a ver com o Sr. Marconi Leal. O texto foi escrito há mais de uma semana.

Extra! Extra!

Fausto Wolff anuncia seu próximo lançamento. Vai se chamar O Subpensamento Vivo de Fausto Wolff. Imperdível!

"Realmente este livro é uma maravilha! Escrevê-lo foi muito fácil. Com este negócio de computador, basta usar três teclas, combinadas: ctrl, c e v.", declarou o monstro sagrado do jornalismo de esquerda brasileiro.

Melô do dia

(para Marconi Leal, claro)

Adocica,
meu amor,
adocica.
Adocica,
meu amor,
a minha vida
ô!

Reparem como, genialmente, adocica rima com adocica e, depois, com vida. E como amor rima com ô.

Doe agora ou cale-se para sempre

Queridos leitores,

Precisamos de sua contribuição financeira. Nosso querido colaborador, amigo e, infelizmente, humorista Marconi Leal precisa de tratamento médico. O pobre-diabo nasceu com uma doença incurável que só agora está se manifestando em sua forma mais agressiva. A doença, sem nome para os leigos, é causada por um vírus que se aloja na criança assim que ela vem ao mundo, o Burricis recifensis. O tratamento é feito à base de muito mandacaru e pau-do-índio. A chance de sucesso, infelizmente, é de 2%. Mas precisamos tentar.

Aceitamos cartões de crédito, claro.

COITADO

Só existe uma condição pior do que a do maníaco depressivo: a do sujeito que acha que tudo o que se escreve no mundo se relaciona com ele.

UIA! PAULO POLZONOFF DANDO UMA DE HUMORISTA!

Tendo escrito mais um de seus ““ensaios”” (as aspas a mais são necessárias, acredite, leitor), pérola do adocicamento digna de página da Veja, Polzonoff quer dar agora uma de humorista.

Na tentativa de ser engraçado, faz o que ele próprio condena: contextualiza. Respostas à altura da ignorância apontada? Pra quê, se a gente pode usar Chico Anysio como escora?

O homem-que-escreve-crônicas-que-chama-de-ensaios é superior a isso. Como não seria convincente se fazendo de inteligente, tenta o humor, com péssimas conseqüências para os leitores.

Te aquieta, Cotoco. Melhor voltar a publicar livros do Alexandre Silva.

Pesos & Medidas

Só tem uma coisa pior do que cara que escreve sombrancelha: cara que escreve estadunidense.

Brasil, um país livre como... a China

O MP está de olho no Programa do Jô. Não, não por causa da qualidade do programa, e sim porque Jô Soares, durante uma entrevista sobre alguma coisa que citava aquela delicada e linda operação a seco que se faz nas meninas negras da gráfica para remover o (inútil) clitóris, o apresentador aparentemente fez uma piada.

Sim, meus amigos, uma perigosa piada.

Pelo que li, o MP "investiga se houve preconceito". Caramba, eu não sabia que era proibido ter preconceito. Quero dizer, será que eu vou ter mesmo que ouvir o próximo disco da Maria Rita para dizer aos meus amigos que é uma porcaria? Sim, porque saber de antemão é um preconceito.

Ou melhor, pré-conceito, como preferiria Décio Pig-natari.

Está lançada a campanha: DEIXEM O JÔ EM PAZ.

(Por mais que eu, pessoalmente, não goste do Jô.)

Uia!

Marconi Leal dando uma de inteligente? Citando até o sábio filósofo Chico Anysio, quase tão grande em importante quanto Caetano Veloso. Tremei!

O contexto é a mais bela desculpa intelectual do século XX. Serve para tudo. O genocídio dos judeus na Segunda Grande Guerra? "Você tem que entender o contexto". A grande fome durante a Revolução Cultural na China? "Mas aquilo aconteceu em determinado contexto..."

Os modernistas de 22 eram uns ingênuos. Queriam a liberdade. Eu era assim também quando tinha 17 anos. Pré-hippies, eles achavam que tudo que fosse uma regra era um problema. Daí a frase de Mário de Andrade.

O problema, aliás, nem é a frase, e sim o uso que se faz dela para se justificar toda a liberalidade possível.

Mas é o que dá o cara ser alimentado com mandacaru quando é criança. Vira humorista. Coitado.

EUCLIDES INAUGURA CATEGORIA CORNOLÓGICA: CORNO-ESCRITOR

Do blog de Serbão:

"Não bastasse estudiosos revelarem que, na verdade, a imperatriz do Egito Cleópatra era uma baranga...que o Brasil iniciou sua Independência numa cagada imperial...e que, ao contrário da lenda urbana, não foi o presidente francês Charles de Gaulle que percebeu que o Brasil não é um país sério... ...agora o pessoal vem virar a história da morte do Euclides da Cunha. Recapitulando: o autor de "Os Sertões" era bom de pena, mas péssimo de pontaria. Quando passou a usar peruca de touro, pegou um revólver e foi vingar a honra."

(Mais, aqui)

REPÚBLICA

Tudo bem que na República de Platão não havia poetas. Mas também não havia jornalistas.

(Mais, aqui)

26 de novembro de 2007

ORDER AND PROGRESS

Só existe um tipo mais americano que o próprio estadunidense: o brasileiro em férias nos Estados Unidos.

POLÊMICA CASEIRA

Aqui, Polzonoff, com a costumeira habilidade, tenta estabelecer diferenças entre crônica e ensaio. Para mim – e exploro o sentimento de amizade que nutro por ele para dizê-lo –, trata-se de uma estupidez sem tamanho.

Antes de mais nada, para falar da definição marioandradiana seria preciso contextualizá-la. Não entender que Mário de Andrade está marcando espaço quando escreve isso em pleno Modernismo é falta grave e o infrator deveria perder quatorze pontos no diploma.

Pior, não perceber, por exemplo, que “Paulo Francis e eu no Metropolitan Museum of Art”, entre outros textos do seu livro "A face oculta de Nova York", enquadra-se no estilo elevado da crônica brasileira significa ao menos uma coisa: não ter lido “A Cidade Vazia” de Sabino. Além de me permitir citar Chico Anysio, que disse certa vez a respeito de Pelé: “Jamais vi alguém fazer tão bem aquilo de que entende tão pouco”.

Mas há quem concorde com Polzonoff. O leitor que julgue por si mesmo.

A CENA MAIS PATÉTICA DO MUNDO

A ex-"namorada" do ex-presidente do Senado publica um livro em que diz que um ficava olhando nos fundos dos olhos do outro, enquanto ouviam música:

"Nossa música marcante foi a do filme "Lisbela e o Prisioneiro". Misturávamos as nossas vozes com a do Caetano e cantávamos, baixinho, olhando no fundo dos olhos do outro: "Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer, e te querendo eu vou tentando me encontrar...".

Como diriam os ingleses num momento de espanto, "gosh!!!".

Independentemente de qualquer outro tipo de julgamento, a leitura deste parágrafo, reproduzido hoje em blogs e colunas, me trouxe à lembrança a cena mais patética que já presenciei desde que pus as patas neste planeta. Uma vez, num restaurante a quilo cheio de gente, um marmanjo e a acompanhante ficaram exatamente assim: um olhando nos olhos do outro, por intermináveis minutos, sem dizer palavra, com ar de pombinhos. ...

Se aquela menininha que fazia ponta antigamente nos Trapalhões reaparecesse ali, no restaurante, com toda certeza diria : "Bíiito....".

Se Nélson Rodrigues ressuscitasse, diria o que disse uma vez numa redação: "Patético!!!".

Garçons se movimentavam levemente constrangidos, ao redor da mesa, à espera de que o casal de pombinhos resolvesse parar a encenação para pedir um refrigerante, por exemplo.

Vizinhos de mesa bem que tiveram vontade mas guardaram para si, educadamente, a vontade de dizer : "Já começou a ficar ridículo. Se não for incômodo, vocês poderiam, por favor, ligar para o Departamento de Senso de Ridículo para pedir que eles mandem socorro imediatamente ? ".

Mas não. Ficaram todos calados. Todo mundo olhando de lado e fazendo de conta que a cena não era patética.

A espécie humana - já disseram - é inviável.

Sempre foi.

E será.

Satã e Murdoch

Do Borowitz Report:

"The lawsuit filed yesterday by O.J. Simpson publisher Judith Regan against her former employer, Rupert Murdoch, has created a “difficult personal dilemma for me,” Satan said in a press conference today. For the Prince of Darkness, who has had longstanding ties to both Ms. Regan and Mr. Murdoch, the lawsuit “leaves me feeling very much caught in the middle,” Satan told reporters."

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"JAMAIS TIVE A MENOR VONTADE DE POSSUIR UM QUADRO DE PICASSO"

Paul Johnson apud Moraes Neto:

“A nova forma de totalitarismo – a Mentalidade Politicamente Correta – é, inteiramente, uma invenção universitária”.

“O que me provoca reflexões sombrias é a lembrança de todo o desperdício produzido pelo modernismo. Perdemos duas gerações – meio-século - na busca pela feiúra. Talentos da pintura, desenho e escultura se perderam”.

“Nunca fui a um concerto de música pop ou a um jogo de futebol, nunca acompanhei novela de TV, nunca vi “A Ratoeira” ou “E o Vento Levou”, nunca concluí a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, nunca li a revista “The Economist” ou “Time Out”, nunca tive um carro,nunca passei do limite da conta bancária,nunca compareci a tribunal. Ninguém nunca me ofereceu drogas,convidou-me para uma orgia ou me vendeu um contraceptivo. Jamais tive a menor vontade de possuir um quadro de Picasso, ter uma Ferrari, vestir um Armani ou morar em Aspen”.

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A INTIMIDADE DAS ATRIZES....

Do blog de Walter Carrilho, "Jornalismo Boçal":

"A revista Contigo colocou a Deborah Secco na capa para anunciar uma matéria que revela a “intimidade” da atriz. Pergunto: e ainda existe alguma intimidade para ser revelada? Em uma pessoa que aparece semanalmente nessas revistas e que estrelou duas edições da Playboy? Só se mostrarem um diagrama do sistema reprodutor"

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/voc-no-est-nem-mas-eles-publicam-assim.html)

O LESTE EUROPEU INVADE OS DOMÍNIOS DA RAINHA DA INGLATERRA...

Ivan Lessa dá notícias de Londres:

"As igrejas católicas britânicas, que andavam quase que às moscas (católicas, mas moscas), estão agora repletas de poloneses, lituanos, letões etc. Deve-se a eles também o aumento da extrema direita, o tráfico de armas baratas, a heroína barata, a proliferação de moedas falsas e, para encerrar com fecho de ouro, a paquera grossa, ou seja, eles passam a mão nas senhoras e senhoritas locais alegando, quando presos, que isso é um costume comum na terra deles.
Espero ter, se não esclarecido tudo, ao menos semeado mais confusão. Assim emigra a Humanidade"

(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071126_ivanlessa_tp.shtml)

"A BLOGOSFERA É FEITA DE MIRAGENS"

Do blog de Antonio Fernando Borges:

"Minha amiga mais paulista (embora já não more por lá) ligou-me bem cedo, um dia, trêmula com a novidade:
“Eu o encontrei, Borges. Quando menos esperava, eu o encontrei. Tudo misterioso, coisa do acaso, como eu prefiro.”
Contou-me, então: estava escolhendo livros num sebo da Cidade Velha quando o reconheceu (pela foto no site): ele mesmo!, ali, em pessoa! Seu blogueiro favorito. O autor daqueles textos exatos, tão cheios de informação e de estilo. Um modelo a seguir (repetiu três vezes), que ela ao menos tentaria seguir, assim que se animasse a entrar na grande festa virtual.
* * *
“Lá estava ele, Borges, fuçando as bandejas de ofertas, com seus olhos de lince — mais triste do que na foto do blog, é verdade. Mas fotos são só fotos, não é mesmo? E ele era ele, para quê exigir mais?”
Nem pensou duas vezes: tentou imediatamente a abordagem.
* * *
Mas quem reconhece seu ídolo quando o encontra ao acaso, sem máscara? Do moço risonho e de olhar inteligente da foto do blog, havia muito pouco ali, na figura tímida, assustada e enfermiça que fuçava no meio da poeira com olhos gulosos e infantis.
“Quanta decepção, Borges! A tal de blogosfera é feita de miragens…”

(aqui, o texto completo: http://antoniofernandoborges.com/)

PETISMO

No princípio era a mais-valia e Marx disse:

— Que la assemblée soit!

Porque vinha numa péssima tradução francesa. E ninguém entendeu, já que o lumpemproletariado estava falando muito alto e poucos dominavam o idioma.

E Marx impacientou-se:

— Ach! Hágase la cita, carajo!

E todos correram ao dicionário português-espanhol, mas a consulta demorou um pouco, pois houve alguma discussão sobre se a ordem alfabética deveria ser respeitada ou segui-la seria um passo neoliberal.

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25 de novembro de 2007

VALE ESPANCAR?

Seus poemas, mais do que obra literária inspirada (pelas musas), serviam como manual de conduta — para quem não fosse bárbaro, claro. Quando se referem a ele, historiadores falam ora de "autoridade incontestada", ora de "enciclopedista tribal". Isso para não mencionar o talento narrativo. Mas, ao contar histórias, ele não fazia apenas descrever. Prescrevia. Noutras palavras: acima dele, ninguém; abaixo, todo um povo.

Persiste sua influência? Bem, ainda invocam seu nome ou de um seu personagem para descrever um perrengue que parece não acabar ou um porre daqueles.


De acordo com Platão, seu inimigo declarado, ele foi o educador dos gregos. E o que dizia Heráclito do Poeta? "Homero deveria ser expulso dos jogos públicos e castigado com bastonadas."

"VIAJAR É BEBER EM OUTRO LUGAR"

Do blog de Franciel:

"O jurista, filósofo e meu amigo Iuri Vasconcelos Barros de Brito desenvolveu o seguinte e abalizado axioma sobre a questão dos deslocamentos espaciais: 'Viajar é beber em outro lugar'."

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MASOQUISMO

Cogitei aderir ao homossexualismo passivo, mas um problema de fundo me impediu de levar a empreitada adiante. Hemorróidas. E como sexo com outro homem poderia até encarar com naturalidade, mas sou contra o masoquismo — a não ser quando absolutamente obrigatório, como votar para deputado; ou por razões afetivas, como torcer pelo Sport —, a opção estava de antemão descartada.

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