10 de dezembro de 2007
CAUSA MORTIS: PIOLHOS
O que é, o que é? Tudo o que vemos e pegamos nós deixamos para trás; tudo o que não vemos nem pegamos carregamos conosco.
Interpelado, o maior dos poetas, educador dos helenos, calou. E não porque quisesse, pode-se especular. Teria tentado, até não mais poder, decifrar o enigma. Mas, se quebrou a cabeça, a história não registrou que de sua cachola tenha saído qualquer deusa da sabedoria. Se ficou com uma pulga atrás da orelha, não se sabe. Mas dizem que a incapacidade de descobrir o que era claro para qualquer garoto desencadeou no Poeta uma angústia tão... homérica, que ele morreu.
Quase dá para ouvir o desdém de Heráclito: “Os homens se enganam no reconhecimento do que é óbvio, como Homero.”
SERIA MACHADO DE ASSIS INGLÊS?
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SÓCRATES E JESUS
Mas, experimentado em dialética desde os tempos de Ulisses, o mar o envolvia com líquidos argumentos por todos os lados e o fazia debater em vão. Ao final da peleja oratória, teria findado fatalmente por calar o filósofo. Isso, caso Jesus, que via a cena de longe, não tivesse falado:
— Levanta-te e anda!
— Ha! — respondeu o filósofo, ainda se afogando. — Pra você é fácil falar. Mas eu sou cético.
— Não, sua besta! Não se trata de milagre. É que a gente tá no raso. Já dá pé.
— Ah... — sorriu amarelo o zetético, cessando o desespero e fazendo em seguida o que o Mestre lhe havia dito.
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9 de dezembro de 2007
Rauschenberg: o picareta!
Numa das salas vi um objeto e pensei, uau!, pelo menos algo se salvou, está bem torneado e pintado. Chego perto. Era um extintor de incêndio. Perguntei à moça que lá trabalhava. Não, não fazia parte da exposição. Eu: ah, bem, está explicado.
Deve ter algo de muito errado numa exposição de arte cuja melhor obra é o extintor de incêndio do local.
Impressões de Lisboa
Estou em Lisboa desde 17 de outubro. Constato: há muitos brasileiros em Portugal. Não, mais: há brasileiros em excesso em Portugal. Vê-se o brasileiro imigrante há quilômetros de distância: é o que fala e ri mais alto; e o que cheira a Leite de Rosas. Conversei com alguns imigrantes que reclamaram de preconceito dos portugueses. O português médio e mais velho é tão preconceituoso e chato como o dos demais países. Ou você nunca teve um vizinho intolerável? De um sensanto imigrante brasileiro ouvi a seguinte sentença: “boa parte dos preconceitos contra os brasileiros foram provocados pelos próprios imigrantes brasileiros. Daí sofre todo mundo”.
Mas, divago. Voltando à vaca fria, o grande problema dos imigrantes brasileiros que vêm para cá ganhar a vida e mandar dinheiro para o Brasil é não estarem nem aí para a própria educação numa fase em que poderiam fazê-lo. Passam a ganhar melhor, trazem os filhos, compram carro novo e nada de se educarem. Nem digo educação formal. Falo de aprender sobre o país, provar novas comidas, bebidas, conhecer outros países, pessoas, culturas. Nadica de nada.
O que se faz, normalmente, é tentar criar um Brasil virtual em seus guetos, mesmo que os guetos sejam as próprias casas. Investem tempo e rendimentos nos famigerados churrascos de fim de semana em que o pagode é consumido em abundância com carne e cerveja. Falo dos imigrantes brasileiros em Portugal, mas lembro dos imigrantes brasileiros nos EUA, por exemplo, que sequer aprendem o inglês. E se você entra no perfil do Orkut estão todos lá exibindo seus carros novos e fotos de… churrascos com outros brasileiros. A Europa está muito preocupada com o avanço dos muçulmanos no Ocidente e se esquecem o grande perigo representado pelos imigrantes brasileiros que fazem churrasco com pagode no fim de semana. Imagine se esse negócio contamina toda a sociedade e, daqui a dois séculos, a Europa vire um grande pandeiro fedendo a carne queimada. Deus seja louvado.
Há imigrantes de outros países que se comportam de maneira bárbara? Sim, claro, já ouvi falar, mas não os conheço. E não os quero conhecer, ok?
8 de dezembro de 2007
HAVIA UM COTOCO NO MEIO DO CAMINHO
7 de dezembro de 2007
DOSSIÊ HISTÓRIA : JÁ NAS LIVRARIAS
Quer saber o que Bin Laden disse ao palestino que foi convocado por ele para uma série de encontros numa caverna no Afeganistão ? Quer saber como é que um insuspeito estudante de planejamento urbano, chamado Mohammed Atta, se transforma no chefe dos terroristas que cometeram o mais devastador ataque da história, no 11 de Setembro ? Quer saber o que dizem professores e colegas que conviveram com ele ? "E muito mais".
Acaba de chegar às livrarias "DOSSIÊ HISTÓRIA", livro-reportagem publicado pela Editora Globo: entrevistas publicadas na íntegra, sem cortes. Cenas de bastidores. A palavra de testemunhas e personagens de acontecimentos que abalaram o mundo.
CORRA, NICOMAR, CORRA, PARA ESCAPAR DE UM SEIKEN JODAN ZUKI
Botou o rabo entre as pernas e sumiu do mapa, silente como uma hematita.
Fez bem.
Deve estar se preparando para ir ver o show do Police, porque sabe que é o único lugar do planeta em que não correrá o risco de se encontrar com o abaixo assinado.
O Maracanã será cenário da grande procissão dos idiotas - tanto no palco quanto na platéia.
É bom que o sr. Nicomar escolha ir ao estádio, como medida extrema de proteção.
Se circular pelas ruas, correrá riscos.
Porque, caso ocorra um encontro entre o abaixo assinado e o malfadado impostor, já não haverá ofensas verbais a trocar : o sr. Nicomar correrá o risco de sentir na pele a tradução literal da expressão SEIKEN JODAN ZUKI.
Para quem não sabe: um golpe certeiro de karatê.
(maiores informações aqui: http://www.kyokushinkaikan.com.br/v2007/br/kihongeiko.htm)
FELICIDADE É COMER PÃO COM MUITA MANTEIGA E FALAR BESTEIRA SEM QUERER PARECER INTELIGENTE E PROFUNDO
"Sinto confessar, mas me falta a convivência com pessoas cujo único objetivo na vida é esta felicidade pequena e adorável. Uma felicidade que não busca se explicar com referências poéticas ou filosóficas. Uma felicidade que simplesmente é. Não éramos pessoas idiotas naquela casa. Cada qual, eu podia perceber, sabia-se dono de uma existência única, marcada por opiniões também únicas. Eram todas admiráveis por sua individualidade. Eram todas louváveis porque não procuravam o prazer pelo massacre do diverso.
Naquela noite, fui feliz. Falei o que pensava sem medo do julgamento. Melhor: muitas vezes falei o que nem pensava. Ninguém levantou a voz. Ninguém fez cara feia. Ninguém engoliu uma opinião por medo. Ninguém emitiu sua opinião para se provar inteligente"
http://www.polzonoff.com.br/uma-genuina-e-destemida-felicidade.htm#more-920
INJUSTIÇA CONTRA O TALENTO BRASILEIRO
Mas o que dizer do insuportabilíssimo Police, este grupelho de senhores que, às portas da terceira idade, insistem em se comportar como se fossem idiotas de vinte ?
Aliás, o que é pior? Roqueiro em fim de carreira ou quarentões e cinquentões que estacionaram na adolescência e tentam escrever e falar, a sério, sobre idiotas como os do Police?
É difícil saber.
Em todo caso, há uma certeza: a idade mental dessa gente é, no máximo, dezessete.
O número diz tudo.
UMA ENTREVISTA COM O MINOTAURO
— Bom, Apô, meu lado mais humano tá aqui, ó: ali temos os pés, aqui as coxas, o pinto...
— Não, não! Quer dizer, gostaria de saber o que você faz nos momentos de folga, por exemplo.
— Ah, eu gosto de comer uma virgem. Ou melhor, sete virgens.
— Assim, de cara? Você não toca uma lira, não toma uma cratera de vinho de Falerno, não passa uma cantada...?
— Bom, cantar eu canto. Veja bem, gosto muito daquela música do Monsueto: (cantando) “Mora... na mitologia...”
— Sei. E você curte a night?
— Não, prefiro curtir pela manhã. Abro meu coração com você, Apolodoro, que é um homem que tem história. Ultimamente, não tenho visto a luz no fim do túnel, sabe?
(Mais, aqui)
6 de dezembro de 2007
POLÊMICA ACABADA???
"La donna è mobile
Qual piuma al vento,
Muta d'accento
— e di pensiero.
Sempre un amabile,
Leggiadro viso,
In pianto o in riso,
— è menzognero.
È sempre misero
Chi a lei s'affida,
Chi le confida
— mal cauto il cuore!
Pur mai non sentesi
Felice appieno
Chi su quel seno
— non liba amore!"
EM NOME DA VERDADE, DENUNCIO O MIOLO MOLE
É uma lástima que ele, o acadêmico, tenha morrido, porque, se vivo fosse e se frequentasse blogs estúpidos como este, certamente se animaria a usar o apodo para definir, com toda propriedade, o sr. Nicomar Lael.
Por quê ? Por um motivo: assim como acontece com todos os moluscos anencéfalos dados a chiliques, o sr. Nicomar prefere recorrer a ofensas de natureza sexual para desqualificar aqueles que, como o abaixo assinado, ousam criticá-lo.
É um recurso baixo.
Ora, o sr. Nicomar publicou uma resenha estapafúrdia sobre um cantor de ópera porque queria,sim, parecer culto, esperto e cosmopolitano.
Debalde.
Não pareceu. Conseguiu apenas demonstrar aos frequentadores do Sopa de Tamanco o que sempre foi: um pavão multicolorido que passa a vida saracoteando para iludir incautos.
"Não passará!".
Não aqui.
Quanto às insinuações sexuais, declaro que venho de uma região macha.
O pernambucano mais afrescalhado que já existiu atendia pelo nome de Virgulino Ferreira, o Lampião.
Por aí dá para imaginar o resto.
Em minha terra, criança aprende a escovar dente assim: esfregando a ponta de uma faca peixeira no dente-de-leite.
Aos três anos de idade, já mamam em onça.
É assim que aprendem a exercer a pernambucância pelo resto da vida.
TRIREITO DE RESPOSTA
FIM DE POLÊMICA COM O TAMANQUEIRO ESTREANTE
Como se fosse o cachorro de Pavlov, o sr. Nicomar saliva - mas de raiva - a cada vez que alguém faz o mínimo reparo ao que ele escreveu.
Decerto, ele não entendeu que não há nomes intocáveis na redação do Sopa de Tamanco, ao contrário do que acontece em outros covis habitados por jornalistas.
Demonstrações gratuitas de erudição,como a que ele tentou fazer ao apreciar o desempenho de um cantor de ópera, soam descabidas neste espaço - que deve ser usado para tarefas mais nobres e honestas, como, por exemplo, chamar Xuxa de débil mental; Renan Calheiros de pulha; Lucélia Santos de sub-atriz; José Wilker de hiper-canastrão e o próprio Nicomar Leal de molusco de sexualidade indefinida.
Como se dizia no século passado, tenho dito.
DIREITO DE RESPOSTA
.....E O REI PELÉ ESTAVA NU
( relato completo aqui: www.geneton.com.br )
... E TEM MARCA DE BATOM ?
Abaixo, um retrato dessa época.

Noite de sábado. À mesa de um restaurante carioca na Avenida Atlântica, com as mãos espalmadas para baixo, ele desenha no ar, com um movimento ondulado e firme, o relevo de uma região paulistana que marcou sua vida. E explica como, toda madrugada, baixava sobre essa região localizada entre duas represas uma neblina densa, muito densa. Ele então fala da pista de corrida que deu fama ao lugar. Quem o ouve viaja no tempo e no espaço: autódromo de Interlagos, final da década de 50. E presta atenção ao que ele vai começar a contar. Trata-se de saber como ele conseguia abrir caminhos tão velozes através da cerração que tapava a vista de todos os pilotos, menos a dele. Bird Clemente: eis o nome do comandante daqueles vôos noturnos e quase cegos.
Ídolo de campeões como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, Bird marcou época no automobilismo brasileiro. Veloz, arrojado, habilidoso, dedicado, talentoso, audaz... A crônica esportiva enfileirava adjetivos para fazer jus ao volante campeão, enquanto ele deixava atrás de si filas de carros, alguns até mais potentes do que seu DKW ou sua berlineta Interlagos. “Berlinette”, como Bird prefere chamar.
Bird Clemente prepara para 2008 um livro. É garantia de boas e bem contadas histórias, por quem as viveu e construiu. Mas nosso piloto não é só passado. Ainda ligado ao automobilismo e atento, ele acompanha, por exemplo, o desenvolvimento tecnológico na Fórmula 1. Mas lamenta o fato de muitos dos pilotos dessa categoria terem se transformado em meros “operadores de instrumentos”. “Hoje, muitos se escondem atrás do equipamento”, diz. E critica a ausência de risco nos autódromos muito travados, a falta de emoção. “Ninguém vai a uma tourada para ver o toureiro enfrentar um touro sem chifre”, conclui.
De volta à beira-mar. Muitos causos, dois chopes e um espaguete à bolonhesa depois, Bird deixa o restaurante Fiorentina. Já passa da meia-noite; logo mais, ele será homenageado no Alto da Boa Vista pelos 70 anos de idade que completa em 23 de dezembro. Precisa descansar: menos de 12 horas atrás, encarou a Via Dutra em direção ao Rio. Mas o papo ainda continua, enquanto Bird caminha pelas calçadas do Leme até o carro estacionado junto à praia. Ele fala de motores e saudades, camaradagem e truques, pilotos e pistas.
Bird Clemente entra no carro, mas é de carona que ele vai até o hotel, no Posto 6. Nada de punta-taccos ou derrapagens controladas – os power slides em que era mestre. Segue na frente. E, na madrugada que avança, Copacabana parece cobrir-se de uma neblina densa, muito densa. Como naquele autódromo paulistano.
(Na foto, o volante Bird Clemente toca um Bino Mark I no autódromo de Jacarepaguá no final da década de 60.)
O ESPÍRITO DA COISA
Ao invés de distribuir tamancadas a torto e a direito no cocuruto dos impostores que povoam as telas de TV, as páginas de jornais e os sulcos dos CDs produzidos nesta república, o sr. Nicomar Lael prefere arrotar erudição divagando sobre a performance de remotos cantores de ópera.
"Não passará!".
O que é que ele quer, com esta exibição de suposto refinamento? Insinuar que seria capaz de dirigir um espetáculo de ópera ?
Imagino o que ele pretende: conseguir pela Lei Rouanet uma verba que deveria ser usada para financiar um espetáculo de ópera mas que, na verdade, terminaria financiando a compra de um apartamento na praia
(Por uma questão de justiça, diga-se que,para não despertar suspeitas sobre o desvio, o sr. Nicomar usaria as sobras da compra do apartamento para montar um patético espetáculo de ópera em que ele próprio,para economizar verba de produção,desfilaria durante quatro horas ininterruptas pelo palco do Municipal berrando feito louco de hospício frases ininteligíveis em aramaico).
A única crítica possível de um espetáculo de ópera é a seguinte: "Quando acabar o espetáculo, me acordem, porque não posso perder o último metrô".
Desvios de conduta como o exibido pelo recém-contratado explicam a crise sem precendentes que se abate sobre o Sopa de Tamanco.
Mas providências enérgicas serão tomadas.
SEMIÓLOGOS CHATÍSSIMOS, CORREI !
Mas aí surgiu a internet.
A boa notícia: nunca se escreveu tanto em tantos blogs, sites, portais, comunidades, chats.
A má notícia: nunca se escreveu tanta tolice, tanto lixo, tanta idiotice, tanta estupidez.
Semiólogos chatíssimos, correi! Há um assunto à espera de uma tese: valeu a pena a ressureição da escrita?
A PROPÓSITO DE CÉTICOS
"Céticos, tremei. Quem se recusa terminantemente a dar um mínimo crédito de confiança a ciganas ,videntes,adivinhos e outros habitantes da Terra da Premonição deve ficar longe da fita de vídeo que uma cigana chamada Esmeralda gravou,em dezembro de 1993,para o Fantástico. Porque esta fita pode ter o poder de abrir uma fresta no paredão de descrença que os céticos profissionais erguem em torno de si".
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ROCKWELL BLAKE
"Gosto da interpretação que Rockwell Blake dá à “Dalla sua pace”, precisamente por tudo aquilo que os críticos nela detestam: o riso estúpido no rosto, o exagero, a voz vacilante. Quem quer que queira interpretar Don Ottavio tem que se equilibrar entre a parvoíce, a pusilanimidade do personagem e a sublimidade do sentimento que ele expressa naquele instante. Sem dúvida há vozes melhores para a ária. Também a interpretação de Winbergh tangencia esse equilíbrio, sem cometer os excessos. Mas o excedente, no caso de Blake, parece indicar o caminho. Por isso fico com ele".
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5 de dezembro de 2007
TESEU X MINOTAURO
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ANALFABETISMO CLÁSSICO
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4 de dezembro de 2007
THIS IS THE END
A curto prazo, não há salvação para os dois.
O PROBLEMA SÃO OS OUTROS SEIS BILHÕES
"Um amigo meu cunhou uma frase ótima: “Tem um milhão de pessoas que eu gosto e admiro. O problema são os outros 6 bilhões. Esses atrapalham.” Concordo. Esses outros humanos estão aumentando exponencialmente. Por mais que eu tente ser otimista, há sempre cretinos se esforçando para que eu perca a esperança na humanidade"
aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com
PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE CELEBRIDADES: TAGUE, JAMES
"O assassinato do presidente John Kennedy, ao meio-dia e meia da sexta-feira 22 de novembro de 1963, teve uma vítima desconhecida: um passante – que só parou para ver a passagem da comitiva porque o trânsito estava engarrafado – foi ferido na bochecha pelo estilhaço de uma das balas disparadas pelo ex-fuzileiro naval Lee Oswald contra o presidente. Nome da vítima: James Tague. É citado no relatório oficial sobre a morte do Presidente.
Hoje, ele é comerciante de carros usados. Dá uma resposta afirmativa ao meu pedido de entrevista, feito por telefone. O encontro fica marcado para o único endereço que conheço em Dallas: o célebre Depósito de Livros Escolares do Texas. De uma janela, no sexto andar do Depósito de Livros, Lee Oswald esperou com um rifle nas mãos a passagem da comitiva presidencial.
Chego ao encontro na hora marcada. Como identificar James Tague?
Noto que um texano típico – devidamente paramentado com botas de cowboy – caminha de um lado para outro na calçada do Depósito de Livros. De vez em quando, me olha, como se quisesse adivinhar quem sou. Fico imaginando se aquele cowboy é o meu personagem.
Faço a pergunta: “Mister Tague?”
O cowboy estende a mão, abre o sorriso, diz que estava desconfiado de que eu era o tal repórter brasileiro que marcara o encontro por telefone.
Depois de apontar para a janela de onde saíram os tiros, caminha até uma cerca – que, segundo os crentes em teorias conspiratórias, serviu de esconderijo para o segundo atirador, jamais encontrado.
O cowboy vendedor de carros usados engrossa o coro dos que dizem que Lee Oswald foi o único assassino, mas deixa em aberto um pequeno espaço para a dúvida.
Quando pergunto se ele acha que um dia o “Crime do Século” será definitivamente esclarecido, o cowboy responde com uma palavra: “Não”.
Depois, troca cumprimentos, diz que precisa voltar ao trabalho e desaparece no começo da tarde de Dallas. Por um desses acasos que só acontecem uma vez num século, o anônimo cowboy texano foi testemunha e coadjuvante de um dos maiores crimes da história".
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MANICÔMIO
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SUBDESENVOLVIDO
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PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE CELEBRIDADES: ALLEN, WOODY
"A máquina de relações públicas da distribuidora encarregada de lançar um filme de Woody Allen oferece uma entrevista exclusiva com o ator e diretor, na suíte de um hotel plantado às margens do Hyde Park, em Londres. Tento ser britanicamente pontual: chego na hora. A assessora me leva para uma ante-sala. Vai embora. Um minuto depois, chega o astro. É igual ao que se vê no cinema: tímido, esfrega as mãos enquanto fala, olha para o chão, solta tiradas geniais. É pálido como um boneco de cera. Pergunto se ele admira algum brasileiro. Tenho certeza de que Woody Allen – fanático por esportes – vai citar Pelé ou Romário ou Ronaldinho. Quebro a cara. Allen se declara apaixonado por Machado de Assis. Ganhou de presente uma versão inglesa de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Lá pelas tantas, diz que precisa fazer um filme atrás do outro, para não olhar para a “nuvem negra” que paira vinte e quatro horas sobre seus ombros – a morte. Tento consolá-lo. Digo que os filmes que ele faz serão estudados daqui a 50 anos, nas cinematecas. Woody Allen responde que não quer a imortalidade no futuro. “Quero agora, já, no meu apartamento”. Infelizmente, não posso ajudar".
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POLIDOXIA
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3 de dezembro de 2007
AS OITO LETRAS LETAIS : DEZEMBRO
Não consigo articular sequer uma frase legível.
Motivo: faz setenta e duas horas que o peso de oito letras terríveis começou a esmagar o planeta. Oito letras letais: dezembro. O único consolo é que a desgraça se extingue em trinta e um dias.
Respiro fundo, faço de conta que não é comigo e saio latindo pela avenida, para ver se espanto as festinhas de amigo secreto, as listas de fim de ano e outros pequenos horrores da temporada.
Os latidos,como sempre,não surtem qualquer efeito sobre a realidade. Mas não há nada de mais útil a fazer, além de latir, latir, latir.
PS: Um desocupado me convidou a ficar escrevendo para este blog, quando me sobrasse tempo. Não sobra. Ainda assim, tentarei, entre três e quatro da manhã. Acionei meus informantes para descobrir qual era a audiência do blog. Disseram-me que algo em torno de duzentas almas diárias passam e penam por aqui. Há quem ache pouco. Ou pouquíssimo. Considero que duzentas almas penadas formam uma multidão incalculável. Decido, então, que, sempre que possível, subirei num tamborete imaginário, empunharei meu megafone enferrujado e bradarei a plenos pulmões nesta praça pública contra a irrevogável, a irrecorrível,a lastimável idiotia dos seres bípedes que entopem as lojas de dezembro e as mesas de restaurante para falar alto e brincar de amigo secreto.
BRASIL NA GUERRA DO VIETNÃ?
'"Não contei esta história no meu livro”, diz Gordon, autor do recém-lançado “A Segunda Chance do Brasil a Caminho do Primeiro Mundo”. Ao final de um depoimento gravado durante três horas ininterruptas no quarto 904 do Hotel Glória, no Rio, o ex-embaixador revelou detalhes inéditos sobre o dia em que entrou no Palácio do Planalto, em nome do presidente Lyndon Johnson, para pedir ao marechal Castelo Branco que o Brasil se engajasse numa guerra no sudeste asiático. Lincoln Gordon volta esta noite aos Estados Unidos, depois de cumprir um périplo por São Paulo,Rio de Janeiro,Brasília e Recife'.
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PAUSA NAS TAMANCADAS. UM BELO E IMPRESSIONANTE BILHETE DE SUICÍDIO DEIXADO POR BYRON SARINHO
Num gesto que até hoje causa perplexidade em quem o conheceu, ele preparou - na surdina, é óbvio - cada detalhe do suicídio: pagou todas as contas, transferiu bens para o nome de familiares, dispensou a visita da empregada,
sentou-se no sofá da sala do apartamento em que vivia sozinho, no décimo sexto andar de um edifício chamado Caeté, na rua da Aurora, no centro do Recife - e deu um tiro na boca,por volta das nove da manhã do dia doze de novembro de 2002. Tinha duas filhas. Não estava doente. Não enfrentava problemas financeiros. Não sofria de depressão ou algo parecido.
O motivo do suicídio: Byron tinha resolvido estabelecer para si um limite máximo de idade: sessenta anos. Não queria envelhecer. Não tinha disposição para enfrentar a decadência física.
Eis o texto que ele escreveu:
"Recife, novembro de 2002
Peço mil perdões a papai, às filhotas Ciça e Vic, a irmãs e demais parentes, amigos/as, companheiros/as, colegas. Sei que estou lhes causando perplexidade, aflição, dores, saudades. Mil perdões, repito. Mas tenho certeza de que, superado este choque de agora, todos compreenderão que fiz o melhor para vocês e para mim.
Um apelo: não procurem chifre em cabeça de cavalo, não há, no meu gesto, decepção, drama, loucura ou tragédia. Não existem problemas ou fatores específicos, em qualquer campo – profissional, afetivo, político, financeiro, de saúde, etc.. Não estou agindo movido por qualquer acontecimento súbito ou isolado. Trata-se, muito pelo contrário, do desfecho lógico de um longo processo, de uma atitude racional, tranqüilamente amadurecida e planejada.
Minha motivação é somente uma, e sobre ela já venho lhes falando/escrevendo há muito tempo: não quero, não devo e nem posso ficar (mais) velho. Não pela idade em si, mas pelo inevitável cortejo de privações, desconforto e sofrimento que ela traz particularmente para alguém como eu, que vive (e ainda vivo) sem suportar limites e restrições.
Vejam, por favor, as coisas por outro ângulo. Pensem no que todos estamos evitando: um velho pobretão, irritadiço e nostálgico da juventude. Na melhor hipótese, cheio de achaques; na pior, dependente ou até inválido. Vade retro! Este transtorno de agora, acreditem, é bem menor e mais passageiro do que o monumental estorvo que estou lhes poupando.
A verdade é que nunca me preparei para ser idoso. E se minha vida ainda está bem razoável – para um sessentão, óbvio – por que tenho que esperar o pior, para mim e para as pessoas queridas? A saída tem que ser agora, antes que eu ultrapasse a marca dos 60 anos.
Pensemos positivo, então. E aceitem um saudoso adeus, milhões de beijos do BYRON SARINHO.
Ps. Se, mesmo com os pouquíssimos bens que tenho, for imprescindível um inventariante, proponho que seja Sônia, minha irmã e comadre"
(aqui, outro texto em que Byron especula sobre as possíveis agruras da idade:
http://www.byronsarinho.com/byr-morte/morte-index.html)
NOSSO NOVO COLABORADOR
(Mais, aqui)
2 de dezembro de 2007
GRANDES FRASES AVACALHADAS
1 de dezembro de 2007
"COMO SERIA BOM TER UM ESCRAVO" PARA QUEBRAR OS GALHOS DA VIDA COTIDIANA....
"Desesperado na confusão linhas telefônicas, faxes, computador e televisão a cabo, sinceramente penso em como seria bom ter um escravo.Eu o trataria bem, não o maltrataria e não me aproveitaria dele de maneira degradante, apenas o usaria como dragomano para quebrar os galhos da vida cotidiana. Talvez até me lembrasse dele no meu testamento( se fosse "ela" seria perigoso). Lembro que, jovem, eu me envergonhava quando lia em Machado Assis um aristocrata dizendo :"Manda um moleque avisar a etc..."
(aqui, a identidade secreta do autor: http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/023409.html#more)
É DEZEMBRO ! ALEGRAI-VOS! COMEÇA O GRANDE FESTIVAL DAS CHATICES DE FIM DE ANO!
"Fim de ano. As chatices habituais. Trânsito difícil, senhoras carregadas de embrulhos no metrô, frio, noite começando a bocejar de sono já às cinco da tarde.
Jornais com pouco a noticiar e muito a anunciarem (“Papai Noel ficou maluco na Loja Tal!” “O supermercado Coisa Aquela está botando pra quebrar!”). A televisão guarda o quente para o começo do ano e prepara, ou nos prepara, como se fôssemos um peru de Natal, uma programação para crianças pouco dotadas em matéria de luzes: especiais comuníssimos, os filmes de sempre (Mary Poppins, A Noviça Rebelde, um festival Julie Andrews, enfim), anúncios de colônia e bilboquês eletrônicos"
aqui:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071130_ivanlessa_tp.shtml
FESTIVAL FERNANDO SABINO - 6
FESTIVAL FERNANDO SABINO -5
(idem)
FESTIVAL FERNANDO SABINO - 4
FESTIVAL FERNANDO SABINO - 3
(Idem)
FESTIVAL FERNANDO SABINO - 2
(Idem)
FESTIVAL FERNANDO SABINO - 1
(Fernando Sabino, num exemplar amarelado na revista MANCHETE DE 11 de março de 1967)
30 de novembro de 2007
Destino manifesto
Marco Antonio Fiorito é o nome desse injustiçado Pasolini.
Está no Smoking Gun.
http://www.thesmokinggun.com/archive/years/2007/1130071onecup1.html
(O Blogger está bichado para fins de links.)
MORAES NETO, O UBERTOSO
Tendo colocado como meta para esta encarnação superar o pingue Balzac, eis que Geneton Moraes Neto, o popular Moraes Neto, lança mais um livro este ano (são seis, de acordo com minha última contagem).Diferentemente do escritor francês, no entanto, Moraes, o popular Neto, não precisa escrever para ganhar dinheiro, já que tem o futuro garantido para mais sete gerações de sua descendência em função de deter onze por cento das ações com direito a voto das Organizações Globo.
Razão por que Neto, o popular Nê, pode se esmerar na escrita, gastando as horas do dia em que não está ocupado retocando a pintura da barba ou coçando com a unha do dedo mínimo partes pudendas de sua anatomia em exercícios de estilo de causar espanto a Bakhtin.
Por tudo o que deixo dito, vale comprar seu Dossiê História. Vão lá. Mulher feia paga e leva.
E se as razões acima não convenceram, que ao menos se faça por caridade: ajude N. a comprar mais um por cento da empresa do dr. Roberto. Ele detesta número ímpar.
CABRERA
''Mas a adesão de García Márquez a Fidel Castro é posterior à leitura que fiz de 'Cem Anos de Solidão'! Se me interesso tanto por Jorge Luis Borges, não poderia me interessar por 'Cem Anos de Solidão', um livro folclórico. Se o problema é encontrar um livro que trabalhe com elementos sul-americanos surpreendentes, então prefiro 'Grande Sertão: Veredas.'"
(Mais, aqui)
29 de novembro de 2007
ESPÍRITO
Quem lembra o fato, quatro séculos depois, é Bertrand Russell, que aproveita a ocasião para a tirada: "Sócrates costumava meditar um dia inteiro na neve, mas a mente de Descartes só funcionava quando ele estava aquecido."
DE RASPÃO
'Loolah's Family Scolarship'

Somos piores que os iranianos, os poloneses e os filipinos.
PRECONCEITO SEXUAL
— Você diz isso por preconceito.
— Como? Você pisou no meu pé, Armina!
— Tudo bem. Mas precisava reagir desse jeito?
— Você preferia que eu dissesse “uh”, por acaso? Uh, continua doendo! Foi bem no ded...
— Não é o “ai”, Botero, é a maneira como você fala.
— Que é que você disse? Ai, digo, uh, essa agora foi...
— Eu disse que esse seu “ai” tá carregado de preconceito sexual.
— Se tem uma coisa contra a qual não tenho preconceito é sexo, Armina. Pelo contrário, gosto muito. Você é que às vezes...
— Preconceito contra o sexo! Machismo! Você é contra o meu sexo!
— Se é o que eu prefiro!
(Mais, aqui)
28 de novembro de 2007
UM ANTI-PRÊMIO PARA NORMAN MAILER....
"Mailer ganha prêmio por pior descrição de sexo
O escritor americano Norman Mailer, morto no início deste mês, foi o vencedor do prêmio 'Bad Sex in Fiction Award', pela pior descrição de um ato sexual na literatura de ficção em inglês.
Mailer foi agraciado com o prêmio, distribuído pela revista de literatura britânica The Literary Review, por um trecho de sua última obra, The Castle in the Forest, ainda sem tradução no Brasil".
(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071128_mailersexo_ba.shtml)
Uma dúvida: o que aconteceria se o prêmio fosse estendido para autores de língua portuguesa ?
O CLUBE DOS PEZINHOS NAS POLTRONAS TENTA CONTATO COM TERRÁQUEOS
"Bato o olho na televisão. A participante de uma roda de conversa tira o sapato e põe os pés na poltrona, durante todo o programa. Meus botões me perguntam : 'É para parecer livre e informal'?"
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POBRES DE ESPÍRITO
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REGINA CASÉ ( OU MELHOR: REGINA CASEBRE), EXPLORADORA DOS POBRES E OPRIMIDOS
COMO DIFERENCIAR XUXA DE SASHA: A QUE FALA COM VOZ DE RETARDADA É XUXA....
"Sasha, a filha da Xuxa (atenção, esta frase é um ótimo trava-língua), deve ser o primeiro resultado do cruzamento entre um ser assexuado (Xuxa) e um animal acéfalo (Luciano Szafir). O cruzamento teve a participação providencial de uma Marlene Matos (um animal ainda não classificado pela biologia), mas isso não conta. Há boatos de que Sasha é, na verdade, uma boneca Barbie que adquiriu vida.Sasha é muito parecida com a mãe. Algumas pessoas acham difícil diferenciar uma da outra. É muito fácil: basta colocá-las lado a lado. A que fala com voz de retardada costuma ser a Xuxa. Sasha é uma celebridade precoce. Deu a sua primeira entrevista para a Revista Contigo quando ainda era um feto– a revista voltou a entrevistá-la aos 9 anos, momento em que revelou ter contado com a ajuda da mãe para comprar o seu primeiro sutiã. A mãe também pretende comprar dois diretores globais e um favelado para distrair a filha"
(aqui:http://waltercarrilho.blogspot.com/2007_09_01_archive.html)
UM NOVO ESTAMENTO SOCIAL: OS RICOS POBRES
O pobre rico não vai a Moema porque é bairro de burguês. Como não-burguês, ele prefere, por exemplo, pagar R$ 7,00 para entrar num fundo de quintal atulhado de gente (ou similar), onde o churrasquinho, pelo preço exorbitante, deveria ser feito de endríago.
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A CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO O PETISMO
— Agorra, o luiz, porrr favorrr.
E lhe trouxeram o Lula. E Lula disse:
— Nunca antes na história desse país.
E Marx irritou-se:
— O luiz, apertem o interruptorr porr amorr de... do... Light! Turn the light on! Now! I’m loosing my opium of the people!
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ABORTO ESPONTÂNEO
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27 de novembro de 2007
UM TRATO NA LÓGICA
De passagem pela cidade, um filósofo muito influente nas rodas ilustradas da capital austríaca é convidado para ajudá-los na discussão. Ele é especial.
É chegada a hora. Feyerabend expõe para uma audiência de eminentes filósofos e cientistas um resumo das investigações em curso naquela sociedade estudantil , espécie de versão júnior do Círculo de Viena. Não satisfeito, dá algumas sugestões de como prosseguir com os trabalhos.
Ato contínuo, o convidado especial (que chegara com mais de uma hora de atraso) interrompe, da platéia, o palestrante. E exclama: "Pára! Assim não dá!" É Ludwig Wittgenstein, poucos minutos depois de chegar ao auditório.
DOSSIÊ HISTÓRIA, O LIVRO-REPORTAGEM: A PALAVRA DE TESTEMUNHAS E PERSONAGENS DE FATOS QUE ABALARAM O MUNDO!
Chega às livrarias esta semana o DOSSIÊ HISTÓRIA , um livro-reportagem que traz o que a TV, por absoluta falta de tempo, não mostra: depoimentos completos, na íntegra, sem qualquer corte. Cenas de bastidores. O que se esconde por trás das reportagens. Os personagens do livro-reportagem são testemunhas e personagens de acontecimentos que, literalmente, abalaram o mundo.
O DOSSIÊ HISTÓRIA - um lançamento da Editora Globo - traz depoimentos do professor de Mohammed Atta, o estudante de aparência pacata que viria a se transformar no chefe dos terroristas que perpetraram o maior ataque terrorista da história, o 11 de Setembro. Atta, um egípcio, chegou à Alemanha para estudar arquitetura. Terminou recrutado por um olheiro da Al-Qaeda. Virou um terrorista suicida. Além do professor, o livro publica entrevistas completas com gente que conviveu intimamente com Mohammed Atta: um retrato falado do super-terrorista.
Você vai encontrar também, no DOSSIÊ HISTÓRIA, um depoimento do palestino que ouviu os segredos de Bin Laden numa caverna no Afeganistão. O que Bin Laden terá dito a ele ? E mais: uma entrevista com o agente alemão que tentou mas não conseguiu salvar os atletas israelenses atacados por terroristas palestinos nas Olimpíadas de Munique; as confissões do ex-soldado nazista que, aos oitenta e cinco anos, fala sem meias palavras sobre as atrocidades que cometeu;
o desabafo do filho de um carrasco nazista que até hoje faz companha contra o pai; o drama da mulher que descobriu que tinha um criminoso de guerra na família. Também: a palavra do militante que causou escândalo na Europa ao declarar que estaria disposto a se sacrificar como homem-bomba. Por fim, o DOSSIÊ HISTÓRIA traz um capítulo extra com um personagem que dá um aula de jornalismo: o "jornalista que derrubou um presidente".
Sou suspeitíssimo para falar, mas, dou um palpite: vale a pena embarcar nesta expedição rumo aos bastidores da história.
DOSSIÊ HISTÓRIA não é tese nem análise. É cem por cento reportagem. O jornalismo vive de quê ? De memória. O papel do repórter, como se sabe, é tentar reconstituir da melhor maneira possível o que aconteceu de importante. Não existe fonte melhor do que a palavra de quem viu e ouviu.
E a palavra de quem viu e ouviu é justamente o que você encontrará em DOSSIÊ HISTÓRIA - que começa a chegar agora às melhores casas do ramo.
Fim do intervalo.
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3223440
Agora vai!
'"Nós somos abençoados por Deus", afirma Lula sobre PNUD
'Morador de rua pode ter sido atacado por rival, afirma polícia'
'Para delegado, garota presa com homens no PA "tem debilidade mental"'
'PM morre baleado durante operação em favela do Rio'
'Morre bebê abandonado em lata de lixo na Grande São Paulo'
Gross phrasen afacalhäden
DEPOIMENTO
"OS INGLESES NÃO SÃO SÉRIOS"
"A crítica é um negócio, uma ocupação, um metier, algo que os críticos fazem para viver. Sempre se esperou dos críticos da Inglaterra que divirtam os leitores e sejam "criativos" e destrutivos - não que eles façam o que deveriam fazer: estabelecer o que é um livro e examiná-lo seriamente. O que os críticos fazem não é sério.
Vou além: os ingleses não são sérios. Trocam qualquer coisa por uma boa risada, porque têm um grande senso de humor (Burgess fala dos ingleses na terceira pessoa do plural, sem se incluir). Acontece que este senso de humor é excessivo. Os franceses levam as coisas demasiadamente a sério. Já os ingleses não levam nada a sério o bastante."
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NEGO E REPILO
PITNAZIS
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A bipoladidade é uma merda
- Paulo?
- Eu, claro. Você ligou no meu celular, animal.
- Sou eu, Marconi.
- É o único animal com quem falo.
- Você tá chateado com o que eu escrevi? - pergunta ele. - Foi brincadeira!
Depois o cara me escreve isso daqui. Pode?
Caros leitores, tudo aqui é brincadeira. Nós nos amamos e vamos fundar uma comunidade hippie baseada nos preceitos da tamancada ética. Please. E sobre meu texto sobre o fim das amizades, caramba, não tem nada a ver com o Sr. Marconi Leal. O texto foi escrito há mais de uma semana.
Extra! Extra!
"Realmente este livro é uma maravilha! Escrevê-lo foi muito fácil. Com este negócio de computador, basta usar três teclas, combinadas: ctrl, c e v.", declarou o monstro sagrado do jornalismo de esquerda brasileiro.
Melô do dia
Adocica,
meu amor,
adocica.
Adocica,
meu amor,
a minha vida
ô!
Reparem como, genialmente, adocica rima com adocica e, depois, com vida. E como amor rima com ô.
Doe agora ou cale-se para sempre
Precisamos de sua contribuição financeira. Nosso querido colaborador, amigo e, infelizmente, humorista Marconi Leal precisa de tratamento médico. O pobre-diabo nasceu com uma doença incurável que só agora está se manifestando em sua forma mais agressiva. A doença, sem nome para os leigos, é causada por um vírus que se aloja na criança assim que ela vem ao mundo, o Burricis recifensis. O tratamento é feito à base de muito mandacaru e pau-do-índio. A chance de sucesso, infelizmente, é de 2%. Mas precisamos tentar.
Aceitamos cartões de crédito, claro.
COITADO
UIA! PAULO POLZONOFF DANDO UMA DE HUMORISTA!
Na tentativa de ser engraçado, faz o que ele próprio condena: contextualiza. Respostas à altura da ignorância apontada? Pra quê, se a gente pode usar Chico Anysio como escora?
O homem-que-escreve-crônicas-que-chama-de-ensaios é superior a isso. Como não seria convincente se fazendo de inteligente, tenta o humor, com péssimas conseqüências para os leitores.
Te aquieta, Cotoco. Melhor voltar a publicar livros do Alexandre Silva.
Pesos & Medidas
Brasil, um país livre como... a China
Sim, meus amigos, uma perigosa piada.
Pelo que li, o MP "investiga se houve preconceito". Caramba, eu não sabia que era proibido ter preconceito. Quero dizer, será que eu vou ter mesmo que ouvir o próximo disco da Maria Rita para dizer aos meus amigos que é uma porcaria? Sim, porque saber de antemão é um preconceito.
Ou melhor, pré-conceito, como preferiria Décio Pig-natari.
Está lançada a campanha: DEIXEM O JÔ EM PAZ.
(Por mais que eu, pessoalmente, não goste do Jô.)
Uia!
O contexto é a mais bela desculpa intelectual do século XX. Serve para tudo. O genocídio dos judeus na Segunda Grande Guerra? "Você tem que entender o contexto". A grande fome durante a Revolução Cultural na China? "Mas aquilo aconteceu em determinado contexto..."
Os modernistas de 22 eram uns ingênuos. Queriam a liberdade. Eu era assim também quando tinha 17 anos. Pré-hippies, eles achavam que tudo que fosse uma regra era um problema. Daí a frase de Mário de Andrade.
O problema, aliás, nem é a frase, e sim o uso que se faz dela para se justificar toda a liberalidade possível.
Mas é o que dá o cara ser alimentado com mandacaru quando é criança. Vira humorista. Coitado.
EUCLIDES INAUGURA CATEGORIA CORNOLÓGICA: CORNO-ESCRITOR
"Não bastasse estudiosos revelarem que, na verdade, a imperatriz do Egito Cleópatra era uma baranga...que o Brasil iniciou sua Independência numa cagada imperial...e que, ao contrário da lenda urbana, não foi o presidente francês Charles de Gaulle que percebeu que o Brasil não é um país sério... ...agora o pessoal vem virar a história da morte do Euclides da Cunha. Recapitulando: o autor de "Os Sertões" era bom de pena, mas péssimo de pontaria. Quando passou a usar peruca de touro, pegou um revólver e foi vingar a honra."
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26 de novembro de 2007
ORDER AND PROGRESS
POLÊMICA CASEIRA
Antes de mais nada, para falar da definição marioandradiana seria preciso contextualizá-la. Não entender que Mário de Andrade está marcando espaço quando escreve isso em pleno Modernismo é falta grave e o infrator deveria perder quatorze pontos no diploma.
Pior, não perceber, por exemplo, que “Paulo Francis e eu no Metropolitan Museum of Art”, entre outros textos do seu livro "A face oculta de Nova York", enquadra-se no estilo elevado da crônica brasileira significa ao menos uma coisa: não ter lido “A Cidade Vazia” de Sabino. Além de me permitir citar Chico Anysio, que disse certa vez a respeito de Pelé: “Jamais vi alguém fazer tão bem aquilo de que entende tão pouco”.
Mas há quem concorde com Polzonoff. O leitor que julgue por si mesmo.
A CENA MAIS PATÉTICA DO MUNDO
"Nossa música marcante foi a do filme "Lisbela e o Prisioneiro". Misturávamos as nossas vozes com a do Caetano e cantávamos, baixinho, olhando no fundo dos olhos do outro: "Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer, e te querendo eu vou tentando me encontrar...".
Como diriam os ingleses num momento de espanto, "gosh!!!".
Independentemente de qualquer outro tipo de julgamento, a leitura deste parágrafo, reproduzido hoje em blogs e colunas, me trouxe à lembrança a cena mais patética que já presenciei desde que pus as patas neste planeta. Uma vez, num restaurante a quilo cheio de gente, um marmanjo e a acompanhante ficaram exatamente assim: um olhando nos olhos do outro, por intermináveis minutos, sem dizer palavra, com ar de pombinhos. ...
Se aquela menininha que fazia ponta antigamente nos Trapalhões reaparecesse ali, no restaurante, com toda certeza diria : "Bíiito....".
Se Nélson Rodrigues ressuscitasse, diria o que disse uma vez numa redação: "Patético!!!".
Garçons se movimentavam levemente constrangidos, ao redor da mesa, à espera de que o casal de pombinhos resolvesse parar a encenação para pedir um refrigerante, por exemplo.
Vizinhos de mesa bem que tiveram vontade mas guardaram para si, educadamente, a vontade de dizer : "Já começou a ficar ridículo. Se não for incômodo, vocês poderiam, por favor, ligar para o Departamento de Senso de Ridículo para pedir que eles mandem socorro imediatamente ? ".
Mas não. Ficaram todos calados. Todo mundo olhando de lado e fazendo de conta que a cena não era patética.
A espécie humana - já disseram - é inviável.
Sempre foi.
E será.
Satã e Murdoch
"The lawsuit filed yesterday by O.J. Simpson publisher Judith Regan against her former employer, Rupert Murdoch, has created a “difficult personal dilemma for me,” Satan said in a press conference today. For the Prince of Darkness, who has had longstanding ties to both Ms. Regan and Mr. Murdoch, the lawsuit “leaves me feeling very much caught in the middle,” Satan told reporters."
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"JAMAIS TIVE A MENOR VONTADE DE POSSUIR UM QUADRO DE PICASSO"
“A nova forma de totalitarismo – a Mentalidade Politicamente Correta – é, inteiramente, uma invenção universitária”.
“O que me provoca reflexões sombrias é a lembrança de todo o desperdício produzido pelo modernismo. Perdemos duas gerações – meio-século - na busca pela feiúra. Talentos da pintura, desenho e escultura se perderam”.
“Nunca fui a um concerto de música pop ou a um jogo de futebol, nunca acompanhei novela de TV, nunca vi “A Ratoeira” ou “E o Vento Levou”, nunca concluí a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, nunca li a revista “The Economist” ou “Time Out”, nunca tive um carro,nunca passei do limite da conta bancária,nunca compareci a tribunal. Ninguém nunca me ofereceu drogas,convidou-me para uma orgia ou me vendeu um contraceptivo. Jamais tive a menor vontade de possuir um quadro de Picasso, ter uma Ferrari, vestir um Armani ou morar em Aspen”.
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A INTIMIDADE DAS ATRIZES....
"A revista Contigo colocou a Deborah Secco na capa para anunciar uma matéria que revela a “intimidade” da atriz. Pergunto: e ainda existe alguma intimidade para ser revelada? Em uma pessoa que aparece semanalmente nessas revistas e que estrelou duas edições da Playboy? Só se mostrarem um diagrama do sistema reprodutor"
(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/voc-no-est-nem-mas-eles-publicam-assim.html)
O LESTE EUROPEU INVADE OS DOMÍNIOS DA RAINHA DA INGLATERRA...
"As igrejas católicas britânicas, que andavam quase que às moscas (católicas, mas moscas), estão agora repletas de poloneses, lituanos, letões etc. Deve-se a eles também o aumento da extrema direita, o tráfico de armas baratas, a heroína barata, a proliferação de moedas falsas e, para encerrar com fecho de ouro, a paquera grossa, ou seja, eles passam a mão nas senhoras e senhoritas locais alegando, quando presos, que isso é um costume comum na terra deles.
Espero ter, se não esclarecido tudo, ao menos semeado mais confusão. Assim emigra a Humanidade"
(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071126_ivanlessa_tp.shtml)
"A BLOGOSFERA É FEITA DE MIRAGENS"
"Minha amiga mais paulista (embora já não more por lá) ligou-me bem cedo, um dia, trêmula com a novidade:
“Eu o encontrei, Borges. Quando menos esperava, eu o encontrei. Tudo misterioso, coisa do acaso, como eu prefiro.”
Contou-me, então: estava escolhendo livros num sebo da Cidade Velha quando o reconheceu (pela foto no site): ele mesmo!, ali, em pessoa! Seu blogueiro favorito. O autor daqueles textos exatos, tão cheios de informação e de estilo. Um modelo a seguir (repetiu três vezes), que ela ao menos tentaria seguir, assim que se animasse a entrar na grande festa virtual.
* * *
“Lá estava ele, Borges, fuçando as bandejas de ofertas, com seus olhos de lince — mais triste do que na foto do blog, é verdade. Mas fotos são só fotos, não é mesmo? E ele era ele, para quê exigir mais?”
Nem pensou duas vezes: tentou imediatamente a abordagem.
* * *
Mas quem reconhece seu ídolo quando o encontra ao acaso, sem máscara? Do moço risonho e de olhar inteligente da foto do blog, havia muito pouco ali, na figura tímida, assustada e enfermiça que fuçava no meio da poeira com olhos gulosos e infantis.
“Quanta decepção, Borges! A tal de blogosfera é feita de miragens…”
(aqui, o texto completo: http://antoniofernandoborges.com/)
PETISMO
— Que la assemblée soit!
Porque vinha numa péssima tradução francesa. E ninguém entendeu, já que o lumpemproletariado estava falando muito alto e poucos dominavam o idioma.
E Marx impacientou-se:
— Ach! Hágase la cita, carajo!
E todos correram ao dicionário português-espanhol, mas a consulta demorou um pouco, pois houve alguma discussão sobre se a ordem alfabética deveria ser respeitada ou segui-la seria um passo neoliberal.
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25 de novembro de 2007
VALE ESPANCAR?
Persiste sua influência? Bem, ainda invocam seu nome ou de um seu personagem para descrever um perrengue que parece não acabar ou um porre daqueles.
De acordo com Platão, seu inimigo declarado, ele foi o educador dos gregos. E o que dizia Heráclito do Poeta? "Homero deveria ser expulso dos jogos públicos e castigado com bastonadas."
"VIAJAR É BEBER EM OUTRO LUGAR"
"O jurista, filósofo e meu amigo Iuri Vasconcelos Barros de Brito desenvolveu o seguinte e abalizado axioma sobre a questão dos deslocamentos espaciais: 'Viajar é beber em outro lugar'."
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MASOQUISMO
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