11 de setembro de 2008

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI

Um segundo antes de me recolher à minha caverna, constato: o corte moicano no cabelo de Júnior, o ex-parceiro de Sandy, é a quadribilionésima evidência de que a humanidade não é viável. Nunca foi. Jamais será.

INFORME SOBRE O RELINCHO DO SR. NICOMAR

Há ilusões de ótica - e ilusões auditivas. É o que acabo de ter: uma indescritível ilusão auditiva. Tive a claríssima impressão de ter ouvido uma sucessão de relinchos, partidos do meu terminal de computador.

Corri até a máquina, uma das poucas heranças maravilhosas que o Século XX nos legou (quase todo o resto poderia ser jogado na poubelle da história, especialmente os aparelhos de TV, habitados por jornalistas que fazem trocadilhos). Cheguei, por um átimo de segundo, a duvidar de minha sanidade: como pode uma máquina sem uso emitir repetidos relinchos ?

Logo descobri o óbvio encadeamento dos fatos: a cada vez que o sr. Nicomar Lael resolve dar sinal de vida, em forma de posts indigentes, os terminais sintonizados neste site emitem, automaticamente, retumbantes, cristalinos, claríssimos relinchos. É como se estivessem avisando ao planeta: correi, incréus, ateus, descrentes. Vinde ver esta maravilha: cavalos podem escrever,sim! Cavalos de todas as raças: andaluzes, anglo-árabes,appaloosas,berberes, crioulos e galicenos! Ah, o indescritível
rol de surpresas com que a natureza nos brinda a cada romper da manhã!

Não,não era uma ilusão auditiva: era uma manifestação internética do quadrúpede.

De toda forma, depois de espalhar imprecações por cada centímetro quadrado da tela do computador, a ponto de atingir com coices até o confrade Paulo Rubens, que caminhava, distraído, pelo local, o sr. Nicomar Lael não explicou que razões o levam a ter um ataque de fúria quadrúpede a cada vez que eu, zeloso guardião do que resta do idioma, denuncio a ignorância de quem pronuncia coisas como "meu óculos" e "o óculos".

Ah,o doce prazer de batalhar em guerras perdidas: é o que faço ao tentar, debalde, corrigir o mundo e a parvoíce alheia, tão bem representada na figura nicomariana.

Bem sei que chegarei ao fim da guerra com o corpo coberto de chagas, as botas enlameadas de cansaço e desilusão, o coração estilhaçado, os olhos fatigados pela contemplação de tanta impostura, as lanças dos infiéis apontadas para mim. Mas, a caminho do cadafalso, onde serei imolado pelos dardos da igonorância, repetirei, em voz baixa, o mantra que me move há décadas: "No pasarán! No pasarán! No pasarán!".

Não, sr. Nicomar, vossas parvoíces, vossos coices, vossa cegueira, vossa igonorância no pasáran !

O SEXO DOS ÓCULOS

Ele esteve aqui em maio, quando falou sobre maníacos e behaviorismo. (Vejam os posts). Volta agora para dar pitaco nessa conversa de visionários em torno de um par de lentes, disputa em que se consegue fazer de axioma algo que se deriva – o que, aliás, já podemos considerar mais uma, talvez a maior, contribuição deste país de filósofos à cultura dos povos. Salve o Sopa!

Ele está, portanto, de volta: W. H. Auden. Não poderia faltar. Para o poeta, não se trata, como poderia parecer no caso, de uma discussão sobre o sexo dos óculos. Sem sua fantasia de abelhinha (de novo, vejam post antigo), ele adverte: "Um poeta tem apenas uma obrigação política, que é dar um exemplo do uso correto de sua língua mãe, que está sempre sendo corrompida."

Corolário (ou "axioma", se preferirem) de W. H. Auden: a força física prevalece quando as palavras perdem o significado.

Às armas, pois, senhores! Antes, porém, ao que interessa: nomes. Quem são os corruptores, os cegos para o plural? Como diria o poeta, we call a spade a spade.

REVISITANDO JOBIM

O Brasil é o único país do mundo onde puta goza, traficante cheira e crítico literário considera literatura o que Marcelino Freire e aquela gente da Mercearia São Pedro faz.

DEUS

Deus não é complexo. Complexo é Shakespeare. Deus é só complicado.

(Mais, aqui)

MEDIOCRIDADE

No Brasil, a mediocridade substituiu de tal modo a cultura erudita e o entretenimento enterrou tão completamente a arte superior que é preciso revisitar Hobbes. Aqui, o homem não passa do Lobão do homem.

(Mais, aqui)

10 de setembro de 2008

QUE LÍNGUA SERÁ AQUELA ?

Depois de ler a coleção de relinchos do sr. Nicomar, declaro-me temporariamente impossibilitado de oferecer uma resposta.

Motivo: ainda não encontrei um veterinário que pudesse traduzir aqueles grunhidos. Ou seja: transformá-los em sentenças compreensíveis por gente alfabetizada.

Ah, um veterinário. Que falta faz essa criatura, a única capaz de entender a linguagem dos irracionais....Mas, cedo ou tarde, há de aparecer um, para matar nossa curiosidade.

De qualquer maneira, causa-me espécie o fato de o sr. Nicomar ter um ataque hidrófobo (ou será bibliófobo ?) apenas porque ousei corrigir um erro cometido com assustadora frequência por tanta gente,inclusive a que porta diplomas e certificados : dizem "o óculos" e "meu óculos".

A reação do sr. Nicomar nos deixa uma lição que faria Pavlov soltar coquetéis Molotov de contentamento: a gente aprende que, a cada vez que alguém tenta corrigir um parvo como o sr. Nicomar, as cordas vocais da besta emitem um relincho característico.

Como é sábia a natureza...

A PROPÓSITO DOS RELINCHOS DO SR. TOM CARNEIRO

Dentre as verdades filosóficas absolutas, há uma precípua: a fundamental tentação de um ignorante é apontar a ignorância de seus pares, demonstrando, não raro, ao fazê-lo, grau de estultice infinitamente superior ao do sujeito por ele admoestado. Dela, deriva um segundo axioma: um ignorante jamais resiste a tentações.

Exemplo claro do que fica acima dito nos é dado pelo agreste Sr. Tom Carneiro, cujo deslutre é de prístino conhecimento dos leitores deste Sopa de Tamanco. Guiado por sua obtusidade verdadeiramente cavalar, eis que agora o papalvo pretende-se esteio de certa campanha contra a utilização da expressão “o óculos”, como se fora ela grave índice da mediocridade pátria.

Ante parvoíce de tal monta, é inevitável que acorram a alguém minimamente instruído os famosos versos medievais da Festa dos Asnos:

Orientis partibus
Adventavit Asinus
Pulcher et fortissimus
Sarcinis aptissimus.
Hez, Sire Asnes, car chantez,
Belle bouche rechignez

(Traduzo livremente para incultos, quadrúpedes e parentes afins do Sr. Carneiro em geral, que certamente desconhecem, além do português, o francês e o latim: “Do Oriente vem o asno, belo e bravíssimo, próprio para suportar cargas. Levantai, Sr. Asno, e cantai. Abri vossa bela boca!”)

Afinal, a preocupação estéril com expressões consagradas pela ignávia da plebe, de que o próprio Sr. Carneiro faz parte, denota, quando menos, ser o indivíduo que a expõe portador de uma profunda nostalgia de galhos de árvores e refeições replenas de raízes e folhas.

Que esperar, no entanto, de uma mente de operário, vil trabalhador manual da escrita, cuja capacidade imagética é a mesma alcançada por uma lesma vítima de trepanação?

Ora, faça-nos um favor, Sr. Asno: vá alfabetizar-se ou corra até a esquina, ver se lá estou, a ler o meu Nietzsche no original. Mas, show a little respect e nos desobrigue de vosso relinchar, sim?
.
Nicomar Lael

"MEU ÓCULOS" NÃO!

Interrompo uma atividade importantíssima - o ócio das férias - para prestar solidariedade irrestrita ao caro confrade Tom Carneiro na guerra inútil que ele acaba de declarar contra a disseminação de uma praga : gente que diz "meu óculos" ou "um óculos" ou "o óculos". Deus do céu: é tão difícil usar o plural na hora certa ? Por que não dizem "meus óculos" ou "uns óculos" ou "os óculos" ?

Já que a guerra é inútil, ofereço minha porção de inutilidade: a partir de hoje, a cada vez que alguém disser "meu óculos", repetirei, com voz inaudível, o mantra sugerido por Tom Carneiro.Assim: "a casa caiu, a casa caiu, a casa caiu..."

Depois, sairei sem ser notado.

CAMPANHA NACIONAL CONTRA "O ÓCULOS". OU: A GRANDE MARCHA DA IGNORÂNCIA AVANÇA POR NOSSOS CANAIS AUDITIVOS!

Não faz tempo, Jô Soares pronunciou "o óculos" no programa. Regina Casé, numa das "n" vezes em que esteve no Programa do Jô, também disse, claramente, "o óculos". Durante a transmissão de um jogo de volibol de praia na Olimpíada de Pequim, um repórter cometeu um tropeço feíssimo: ao vivo, para quem quisesse ouvir, ele soltou "o óculos" ao entrevistar o atleta brasileiro derrotado. Um médico (!!), supostamente alfabetizado, disse, em horário nobre, na TV, "o óculos". Demonstrou, assim, que pode até ter ouvido falar em algo chamado plural, mas é perfeitamente incapaz de diagnosticar um, quando solicitado pelo idioma.

Atenção, apresentadores de TV, repórteres, médicos: não custa nada aplicar o plural quando ele é necessário! Não dói, não custa caro, não dá trabalho! O certo é "os óculos" ! Jamais, "o óculos" ou "um óculos" ou "meu óculos". Simples assim. Dizer "o óculos" ou "um óculos" é como dizer "a casas", "o carros", "o jornais". Mas, pela frequência com que gente "ilustrada" comete o erro bárbaro, tudo indica que aplicar um recurso tão básico quanto o plural é dificílimo....

Enquanto o Sopa uiva para o vento contra a praga do "o óculos", a GMI ( Grande Marcha da Ignorância) avança, impávida, por nossos canais auditivos...

A CASA CAIU - II ( OU: CAMPANHA NACIONAL CONTRA UMA PRAGA CHAMADA "O ÓCULOS")

Depois de ouvir um dos mesários do Manhattan Connection dizer, com todas as letras, "um óculos", eis que, no dia seguinte, segunda à noite, sintonizo a Rede Bandeirantes para acompanhar a edição semanal do CQC, um bom programa. Não demorou, a casa caiu de novo.
Um dos repórteres disse, com toda clareza, "o óculos".
De repente,como num espasmo involuntário, minhas cordas vocais começaram a sussurrar,para meus botões fatigados, o mantra maldito: a casa caiu, a casa caiu, a casa caiu.

GRAMPOS EM BRASÍLIA

Há inúmeras vantagens em se viver num país de povo cordial (o conceito, aqui, é usado no sentido empregado por doutores, ensaístas e articulistas; ou seja, no errado, que faz Sérgio Buarque toda vez que o ouve chutar involuntariamente Gilberto Freyre e puxar as orelhas de Caio Prado Júnior no Hades, aos gritos de “Me deixem voltar! Me deixem voltar!”).

Claro, as desvantagens envolvem pobreza, ignorância, insegurança e frases de Caetano Veloso. Porém, não se pode negar que a libente interação entre as gentes de nossa pátria torna suportáveis, por exemplo, as maiores tragédias do dia-a-dia, como acordar com o Bom Dia Brasil e comentários do Alexandre Garcia.

(Texto completo aqui)

ORGIAS FILOSÓFICAS

A coisa anda Husserl para o seu lado, Strauss certo? Você se encontra numa via-Crusius. Lee seus pensamentos? O desejo que você tem é Dessoir por aí, sem Humboldt certo, sem ter mais que engolir a doxa de ninguém, não é Maimon?

Boehm, não fique Mach assim, porque recentemente foi inaugurado o nosso Orgias Filosóficas, estabelecimento adulto que Croce incrivelmente, Dee a Dee, Zaehner parar. Conosco, você vai se sentir como um Benjamin, um verdadeiro Rée.

Nossa filosofia é: todo mundo nous, sem Hobbes ou qualquer tipo de Adorno. Engels são barrados na portaria. Só aceitamos Putnam. Trata-se de fator Sêneca non. Dewey a quem Dewey.

(Texto completo, aqui)

8 de setembro de 2008

CAIU A CASA

Eis que o espectador que vos fala estava postado diante do Manhattan Connection, Canal 41, pouco antes da meia-noite deste domingo. Lá pelas tantas, um dos mesários do programa, jornalista de respeito, tropeçou feio no idioma: disse, claramente, "um óculos".

A casa caiu. O conceito do Manhattan Connection sofreu uma queda de cinquenta pontos na EPF. Aos não iniciados: EPF significa Escala Paulo Francis de estima televisiva.

Fui dormir sussurrando aos meus cinco botões um mantra de três palavras : a casa caiu, a casa caiu, a casa caiu.

11 de agosto de 2008

Bandidos brasileiros, estudantes brasileiros e Oscar Wilde em Portugal (duvida?)

Quinta passada dois brasileiros tentaram assaltar uma agência do Banco Espírito Santo (BES) num lugar chamado Campolide, aqui em Portugal (veja as fotos aqui). Depois de algumas horas de negociação sem solução os snipers da polícia atiraram, mataram um e feriram o outro, que está internado o hospital. Por quê conto essa história? Porque as reações mais indignadas que ouvi não foram dos portugueses, mas de estudantes brasileiros de mestrado que moram aqui. Todos manifestavam a revolta dos justos: “malandro em vez de trabalhar (e trabalho há) inventa de roubar. Se o preconceito contra brasileiro aqui já é uma merda, imagine agora?” É claro que a indignação leva ao exagero retórico, mas é interessante notar como brasileiros, digamos, qualificados (na comparação com a maioria dos imigrantes das Terras de Vera Cruz que vem para cá ser trabalhadores braçais) reagem a esse tipo de situação e ao preconceito contra os imigrantes brasileiros, preconceito esse que quase todos eles nunca sofreram diretamente.

Mas daí me pergunto? Ouvir de um português um entusiasmado “você nem parece brasileiro!” (como ouvi algumas vezes) não é uma forma de discriminação positiva? Eu costumo reagir com um muxoxo esnobe porque a frase é, na aparência, um elogio, mas na essência, um insulto que não ousa dizer o nome (para usar o aforismo do senhor Wilde).

Os portugueses adoram os brasileiros, costumo ouvir por aqui (estou em Lisboa desde outubro do ano passado). Mas os portugueses estão cansados dos imigrantes brasileiros mal-educados que fingem esquecer que estão num país que não o deles. No Brasil, a má-educação desses brasileiros é discriminada e reprovada, como aqui. Mas lá eles podem agir impunemente porque representam a si próprios. Eles têm o direito de ser os idiotas que são. E se cometerem crimes serão julgados e punidos. Num país estrangeiro o brasileiro não é dono de si próprio. Mesmo que não queira, mesmo que rejeite com todas as forças, mesmo que renegue a pátria por três vezes, como Pedro a Cristo, ele também representa os vícios e virtudes de sua nação. Os bandidos que tentaram assaltar o BES não eram apenas o Wellington Nazaré e o Nilson Souza (morto na ação); eram, acima de tudo, brasileiros que moravam ilegalmente em Portugal.

A indignação dos estudantes é uma reação demasiado humana: a agressividade é uma forma de estabelecer a diferença por causa do fator comum de ser brasileiro, que, em casos como esse, é uma espécie de marca da besta cravada na testa. Eu, pessoalmente, não me importo com a nacionalidade. Os idiotas são maioria em todos os lugares do mundo. Não tenho mais amigos no Brasil do que os que tenho aqui. Cinco amigos em cada lugar em que se mora é o máximo que uma existência civilizada suporta; é o máximo de gente que se pode reunir num restaurante e conversar sem que seja preciso berrar ou negligenciar qualquer um deles.

Os assaltantes eram brasileiros? Eram. É isso o que fica. Ser brasileiro é uma condição muito mais poderosa do que ser bandido.

7 de agosto de 2008

"PAULO FRANCIS FOI UM GÊNIO QUE VIVEU NA FAVELA DO JORNALISMO. QUIS ESCAPAR. MORREU ANTES"

Do blog de Alexandre Soares Silva :


"Jornalismo
Ouvi uma vez Fernando Morais dizer que quem não se interessa por Antônio Carlos Magalhães não devia ser jornalista, devia ir fazer outra coisa. Acho que esse é exatamente o problema com o jornalismo: um monte de gente que se interessa por Antônio Carlos Magalhães. Isso, e que são gentinha. Mesmo pessoas interessantes como Paulo Francis - cuja morte eu quase, quase chorei - quanto mais jornalista era, quanto mais da patota do Pasquim, mais acanalhado. Quem disse o que ele disse sobre Ruth Escobar (sim, ela mereceu) is no bloody gentleman. Vejo a vida de Paulo Francis como uma luta contra o jornalismo. Daí a sua depressão de dias, depois que seu romance não vendeu o quanto queria. Sentia a necessidade de escapar desse mundo acanalhado das redações, e suspeito que queria escapar até mesmo de alguns amigos, que entrarão para alguma espécie de história só porque tiveram a sorte de viver no mesmo bairro de um gênio. No final, se não me engano escrevendo sobre uma exposição de Matisse, Paulo Francis lamentou o tempo que tinha desperdiçado na vida, lendo e escrevendo sobre Kruschev, Jango, e outras bestas. Foi um gênio que viveu na favela do jornalismo. Quis escapar. Morreu antes. E até hoje os jornalistinhas brasileiros reclamam de seu pseudojornalismo - como se importasse se os seus textos seguiam ou não alguma espécie de cartilha infecta do que é jornalismo. Fico imaginando se um chefinho de redação o forçasse a escrever jornalismo de verdade; ah, as almas secas, cheirando a nicotina, que falam de jornalismo como se fosse uma ciência arcana. O que ele escreveu foi simplesmente as melhores linhas do jornalismo brasileiro, e se o jornalismo o renega, fica decapitado.

Mas enfim. De qualquer modo, juro que nunca fui tão feliz quanto depois que acabou a minha assinatura da Folha. Meu rosto ganhou uma distinção encantadora"

23 de julho de 2008

DE REPENTE, AS TRANCINHAS TOMAM O VÍDEO


Noticiário esportivo na TV. De repente, sem aviso prévio, uma figura se materizaliza.

Cabelo cheio de trancinhas. Brinco na orelha.

O que é aquilo ?

É Ronaldinho Gaúcho, crianças. Parem de chorar. Vão tomar um copo de água com açúcar.

O susto passa rápido.

ELES DEMORAM,MAS CHEGAM: OS TROCADILHOS NA TV!

Aposto minha mão direita e meu cérebro ( que nem valem tanto) : já, já, começará o grande festival de trocadilhos em reportagens sobre as Olimpíadas.

Faça-se um bolão.

Quantas vezes a expressão "negócio da China" aparecerá em reportagens sobre aquele chatíssimo festival de disputas esportivas que assolarão os vídeos e as páginas dos jornais em agosto ?

a) 50 vezes
b) 75
c) 348


Uma cena típica: o atleta pobrinho ganha uma medalha. Uma voz melosa diz :

"trocar o chão de terra batida do interior do Nordeste pelo pódio de Pequim foi............um negócio da China"


As reticências indicam que haverá uma pausa irritante entre "foi" e "um negócio".

É assim. Sempre foi. E será.

POR QUE A HUMANIDADE É INVIÁVEL

Perdoai-me, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto. Humildemente, eu me ajoelho a vossos pés nesta noite invernal de julho para vos confessar dois pecados :

estava zapeando quando vi, neste momento, meia-noite e meia, um cantor brega de cabelo pintado, brinco na orelha e um imenso rabo-de-cavalo cantando uma música cafoníssima em espanhol. Como se não bastasse o horror visual e auditivo, ele desabotou a camisa e exibiu o peito cabeludo, para parecer "sensual". Chama-se Elimar de Tal.

Nem faz vinte e quatro horas, eu já tinha visto Júnior, aquele irmão de Sandy, dando entrevista na platéia de um show da Família Lima. Um detalhe: ele exibia um corte de cabelo moicano.

Minhas retinas fatigadas jamais se recuperarão do duplo golpe: Elimar de Tal e Júnior de Tal. Dispenso-me de tecer maiores considerações sobre a Família Lima ( o que é aquilo, Deus do Céu ? Uma voz celestial me responde que "Família Lima" é a alcunha de um conglomerado de bípedes que guardam entre si três características básicas : são geneticamente interconectados pelos genes da chatice, usam - ou usavam - rabos-de-cavalo patéticos e vestem-se apropriadamente de luto para arrancar sons insuportáveis de violinos).

Ah, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto: eu me penitencio. A culpa foi minha. Quem mandou ficar zapeando ? Por que não usar este tempo passeando os olhos por um bom livro ? Mas, não. Preferi o risco de usar o controle remoto.

Resultado: confirmei, pela enésima vez, que a Humanidade é inviável.

17 de julho de 2008

PAULO FRANCIS, O QUE SABIA COMO ESCREVER SEM CAIR JAMAIS NA CHATICE

Quando Paulo Francis entrou na redação do Fantástico, para uma “visita de cortesia”, produziu em torno si uma onda de silêncio que misturava curiosidade e reverência. O homem era uma estrela. Mas, “humildemente”, veio agradecer o destaque o programa tinha dado, na véspera, à entrevista que fiz com ele.

Ok : desde já, quero confessar ao distinto júri que sei do risco que corro ao usar a expressão “humildemente” num parágrafo que trata de Paulo Francis. As duas entidades, graças a Deus, eram incompatíveis: Francis e a humildade. Uma não se misturava com a outra. Eram como água e óleo. A referência a um lampejo de humildade em Francis deve produzir frouxos de riso em quem teve o privilégio de conhecê-lo. Mas, em nome da verdade factual, devo dizer que, sim, ao visitar a redação do Fantástico Francis teve um gesto de humildade. Ou seria gentileza ? Cravo nas duas alternativas. A imagem pública de “lobo hidrófobo” não combinava com o Paulo Francis no trato pessoal: um gentleman.

Paulo Francis tinha acabado de lançar um excelente livro memorialístico sobre o golpe de 1964, “Trinta Anos Esta Noite”. Eu tinha gravado uma longa entrevista com ele numa praça escondida nas proximidades do Jardim Botânico. Procurávamos um lugar razoavelmente silencioso para a gravação. O sucesso da busca foi parcial: crianças brincavam nas redondezas. As babás ficaram indiferentes à presença de Francis, mas pelo menos trataram de vigiar os passos de fedelhos que brincavam na praça.

Três anos depois, um ataque cardíaco fulminante matou o mais polêmico,o mais lido e o mais provocativo jornalista brasileiro, na manhã do dia quatro de fevereiro de 1997, em Nova York. Dizer que “Paulo Francis faz falta” virou um enorme lugar-comum. Mas é uma verdade puríssima: o texto de Francis faz uma falta imensa ao jornalismo brasileiro. Uma vez, ele escreveu: “Nossa imprensa: previsível, empolada, chata: como é chata, meu Deus...”. Em cem por cento dos casos, o que Francis escrevia escapava da chatice generalizada. Francis vivia reclamando de que era preciso criar no Brasil uma tradição: a de uma “prosa clara e instruída”. É o que há em outras culturas: a tradição de uma prosa clara e instruída, uma atividade que, no Brasil, tinha poucos cultores. Aqui, pensam que escrever difícil é escrever bem. Ledíssimo engano.

A contribuição que Paulo Francis deu para a criação de uma prosa jornalística “clara e instruída” ainda não foi devidamente avaliada. Onde é que estão os acadêmicos – que não tratam de demonstrar “cientificamente” esta herança ? É uma tarefa facílima. Ninguém precisava concordar com uma vírgula do que ele dizia. O importante é como ele dizia.

Livros como “O Afeto Que se Encerra” e “Trinta Anos Esta Noite” deveriam ser leitura obrigatória nas escolas de jornalismo – pela clareza cristalina, pela fluência absoluta, pelo ritmo agradabilíssimo do texto. É o que vale.
O nome de Francis voltou às páginas neste ano da graça de 2008 com o lançamento de um romance inédito que ele deixou, “Carne Viva”. É um presente para os fãs do auto-declarado “lobo hidrófobo” ( Uma vez, perguntei a ele como é que ele – que, quando criança, alegadamente exibia um ar de cão hidrófobo – se definiria na maturidade. Francis respondeu: “Que tal lobo hidrófobo” ? )


Publicado pelo selo Francis da Editora Landscape, este bem-vindo sinal de vida de Paulo Francis acaba de chegar às boas casas do ramo. Resenhistas já notaram que, quando personagens do romance abrem a boca para falar do estado geral das coisas, parece que é o próprio Francis quem fala. A “confusão” poderia parecer um defeito do romance. Mas eu diria que é uma virtude. Ainda bem que é possível ler de novo o que parece ser a voz de Francis. Há trechos do livro que – felizmente – parecem tirados da coluna fantástica que Francis publicou durante anos e anos na imprensa.
Trechos de “Carne Viva” :

“Em que mundo vive essa gente ? Numa fantasia de fraternidade, que se fosse levada a sério voltaríamos todos à lavoura, ao arado, à carroça de bois. Cobiça é o que faz o mundo girar. Quando a cobiça é saciada, e nunca o é completamente, pessoas como Sua Exa. E your obedient servant investem em empregos, filantropia e arte”

“Tinha ido a algumas noites de autógrafos de personalidades que Temístocles queria agradar,como políticos, autores de memórias, e ficava na fila conversando e, discretamente, namorando, se valesse a pena. Perguntou a um diplomata e escritor, Gilberto Amado, se um livro, pelo qual estavam esperando o jamegão do autor, iria vender. Ele sorriu e disse que “venderia o que vender aqui”, uns quase duzentos exemplares. O resto seria dado”.

“Chega de falar mal do Brasil. Não há países, nações. Há ambientes, pessoas, a maneira que nos conduzimos com nossos amigos, parentes e relações. Se formos uma pessoa de bem, e só o bem é radical, como escreveu Hannah Arendt, não há por que não levar uma vida boa, enquanto tivermos saúde e não deixarmos que nossa vontade seja violada ou espatifada”.

16 de julho de 2008

JOVEM, ALISTE-SE NA GRANDE GUERRA CONTRA O NADO SINCRONIZADO!

O confrade GMN (quem mandou não estudar ? se tivesse estudado, o bicho estaria hoje exercendo alguma profissão realmente útil, em vez de passar a vida cometendo jornalismo impunemente...) lançou, diante da meia dúzia de leitores deste blog, um ataque contra as praticantes de nado sincronizado.

Devo dizer que discordo.

O ataque não esteve à altura da enormidade do horror que é o nado sincronizado, uma modalidade esportiva incrivelmente admitida nos jogos olímpicos.

Se houvesse justiça no planeta, não apenas os praticantes mas, especialmente, os espectadores do nado sincronizado deveriam ser objeto de asco, pena e desprezo perpétuos por parte de todos os viventes.

O aviso fica dado: todos alertas! As Olimpíadas vêm aí! Protejam as crianças! Cuidado com o nado sincronizado : não deixem que elas sejam surpreendidas pelo espetáculo dantesco daqueles pezinhos se movendo ridiculamente na superfície da água!

12 de julho de 2008

SOCORRO ! OS PEZINHOS DO NADO SINCRONIZADO VÊM AÍ!

Socorro ! Tirem as crianças da sala ! Tranquem as portas ! Contratem seguranças particulares !

Motivo: as Olimpíadas vêm aí. Com elas, duas desgraças que assolam nossos olhos e ouvidos de quatro em quatro anos: o festival de subliteratura que jorra dos vídeos e dos páginas em reportagens sobre "superação". Haja textinho pauperriminho descrevendo a saguinha de menininho pobrinho que andava cinquentinha quilômetros para treinar para a maratona. Como diria Jaqueline Kennedy ao recolher os miolos do marido estilhaçados pelas balas de Lee Oswald em Dallas: "Oh, no!".

O mais assustador : o espetáculo do nado sincronizado. Ah, Nossa Senhora do Espanho: o que é que faz seres bípedes, mamíferos, supostamente cerebrados, ficarem de cabeça para baixo dentro de uma piscina enquanto movem os pés sincronicamente diante dos olhos atônitos do planeta ?

Se crianças inocentes e desprevenidas pousarem os olhos na TV justamente neste momento, o que é que pensarão sobre a espécie humana ? Por que fazê-las carregar , pelo resto de seus dias, traumas de que jamais se livrarão ? Quantos mil reais os pais terão de gastar, depois, com psicólogos que serão convocados para a vã tarefa de trazê-las de volta à sanidade ? O prejuízo, para os cofres privados e também para os públicos, é "inestimável".

Os riscos a que se expõem os espectadores das competições de nado sincronizado são,portanto, gravíssimos.

Prefiro um bom filme do velho e infalível Fred Kruger.

É mais divertido.

E menos assustador.

Pior do que assistir a um espetáculo de nado sincronizado, só há uma cena : ver um jornalista pontificando sobre o que é que interessa e o que é que não interessa ao distinto público.

É triste mas é de matar de rir.

Eu mesmo dou dez voltas na tumba, a cada vez que testemunho uma cena dessas.

A vida pode ser engraçada. Quem disse que não ?

10 de julho de 2008

PERGUNTAS, CONSIDERAÇÕES E APELOS NUM DIA DE SOL MORNO

1. Em nome de todos os santos, pelo amor de Deus, alguém precisa avisar a repórteres de TV que o trocadilho é o lixo do texto. O maior engano da história do jornalismo - impresso ou televisivo - é imaginar que trocadilhos são capazes de dar "qualidade" a um texto capenga. Não dão. São, em noventa e nove por cento dos casos, infames. Deveriam ser sumariamente banidos, em nome do bem estar dos ouvidos alheios. Mas, não. Transformaram-se em peste televisiva. A saída: tirar o som quando trocadilhistas dão sinal de vida. Ou mudar de canal. Ou, o que é ainda melhor, desligar a TV, que, a bem da verdade, não passa de um eletrodoméstico metido a besta.

2. Pode existir, sob o sol do Brasil, assunto mais chato do que essas discussões infindáveis sobre se Capitu traiu ou não traiu Bentinho ? Não pode. "Se vivo estivesse", Machado de Assis certamente exalaria um suspiro de tédio diante dessas contendas inúteis. Aliás, por que diabos chamam Machado de Assis de "Bruxo" ? Isso é coisa de jornalista desocupado ( ou um deslize de Carlos Drummond, autor de um poema em que recorre ao título maldito ao falar de Machado de Assis)

A esse respeito, louve-se a atitude de Augusto Nunes: não faz tempo, ele notou, no Jornal do Brasil, que jamais, em tempo algum, os moradores dos estados banhados pelo São Francisco chamaram o rio de "Velho Chico". Mas é inevitável: o rio será sempre chamado de "Velho Chico" naquelas reportagens em geral publicadas nas chatíssimas edições dominicais dos nossos jornalões. Alguém já imaginou um morador "ribeirinho" dizendo: "Vou ali tomar um banho no Velho Chico. Volto já! ". Não. É inimaginável.

"Velho Chico" ? "Bruxo do Cosme Velho" ? Trocadilhinhos na TV ? Ah, não.
Rendo-me de uma vez por todas à crença de que não há remédio para a humanidade.

Primeiro, eu desconfiava. Olhava de soslaio para a espécie humana e ruminava: "São todos patéticos - inclusive eu, é claro".

Hoje, a desconfiança evoluiu para uma certeza pétrea, irremovível, irrevogável: tudo não passa de um circo sem sentido, somos todos ridiculamente patéticos, chamamos Machado de Assis de "Bruxo do Cosme Velho" e o Rio São Francisco de "Velho Chico" - e fica o dito pelo não dito. Nenhum raio cai sobre nossa cabeça, nenhuma bomba de hidrogêneo desaba sobre nossas carcaças para animar a festa.

É assim. Sempre foi. Mas, como contrapeso a esse infindável somatório de equívocos, fica o registro de que Luiza Brunet, com todo respeito, continua bonita. E gostosa.

4 de julho de 2008

PELO AMOR DE DEUS, "UM ÓCULOS" NÃO!

Lá vinha eu, entretido com o noticiário da rádio, quando, sem aviso prévio, a locutora ( ou "âncora") começa a falar sobre o roubo dos óculos da estátua de Carlos Drummond de Andrade.



Aos forasteiros, diga-se, aliás, que o Rio de Janeiro é a única cidade do mundo em que se roubam óculos de estátuas....



Quando começa a comentar o ocorrido, a âncora da emissora de rádio fala de "um óculos". Depois, repete a barbaridade duas, três, quatro vezes: "Um óculos....".



Deus do céu: fico pensando que profissão é esta, o Jornalismo, em que um ser humano passa quatro anos na faculdade e sai pelo planeta dizendo "um óculos".



Lástima: gente que não sabe diferenciar um plural de um singular acha-se perfeitamente preparada para transmitir a nós, ouvintes otários, as notícias do mundo.



Comigo não, violão.



Desligo o rádio.



Passo a relinchar alegremente. O ruído do relincho faz menos mal aos ouvidos do que alguém dizendo "um óculos".

Gente que não deve nada à língua, como cantores de pagode, zagueiros centrais,
celebridades que posam para a Caras, pode até dizer "um óculos" impunemente.
E certamente diz, satisfeita com a própria ignorância.

Mas jornalista que fala - e escreve - para o público não pode cometer tais barbaridades.

É simples assim: não pode. Porque a língua é o instrumento de trabalho de quem escreve. Não pode nem deve ser pisoteada publicamente por quem, em tese, teria a obrigação de zelar por ela.

O rádio continuará desligado.



13 de junho de 2008

QUANDO? ONTEM


“Tenho a forte sensação de estar condenado ao estágio subseqüente do inferno, pelo impedimento de retirar livros da biblioteca. Inimaginável: anteontem, no dia 10 de junho de 42, iniciou-se uma nova fase, ainda pior. Muita coisa ainda está obscura pela inquietação, pela preocupação com o andar de baixo, pelos montes de louça para lavar, o dia passa rápido. Porém, quando a rotina se normalizar, como preencher o vazio? Por enquanto, estamos sob constante tensão. Tudo é escondido o mais depressa possível, depois de ser usado – realmente tudo, baralho de paciência, canetas, envelopes, qualquer migalha de comida – e tudo é procurado arduamente em seguida. Antes de encher o cachimbo, olho pela janela se há algo suspeito. Nenhum animal pode ser tão ameaçado, estar tão apavorado.”

Victor Klemperer, Diários 1933-1945

12 de junho de 2008

DAS COISAS MENOS IMPORTANTES DA VIDA, O FUTEBOL É A MAIS IMPORTANTE. VIVA O SPORT CLUBE DO RECIFE !


Sou tentado a concordar com os que dizem que há qualquer coisa de infância-não-superada na paixão pelo futebol. Concordo. Idem com quem disse que, das coisas menos importantes da vida, o futebol é a mais importante.

Feitas estas declarações de princípios, lanço aos céus um pequeno apelo:
calai-vos, flamenguistas, corinthianos, vascaínos, palmeirenses, santistas, sampaulinos,botafoguenses, tricolores, atleticanos, cruzeirenses, colorados, gremistas e demais devotos de religiões nascidas fora dos limites da Ilha do Retiro. Nem que seja por um dia, calai-vos em silêncio reverente, porque o Sport Club do Recife será, para sempre, campeão do Brasil de 2008.



QUANDO? ONTEM

“Delekat, o teólogo, foi suspenso do cargo. Mutschmann solicitou que ele viesse pessoalmente e exigiu que ministrasse suas aulas mais de acordo com o nacional-socialismo. Delekat objetou que não poderia consultar nenhum programa de partido e deveria ouvir sua consciência. Em vista disso, o interventor terminou a audiência com quatro palavras: ‘O senhor é atrevido!’ E isso resultou na suspensão. Agora, todo o departamento de ciências culturais será dissolvido; em seu lugar, mantém-se uma seção de ciências políticas e nela, destacado e seguro, Stepun. Contei o que me foi relatado a respeito de Stepun. Sim, a velha senhora Stepun, a mãe, é uma senhora muito intrigante e mantém sempre um círculo de jovens ao seu redor que, evidentemente, cumpre um serviço de delações, também no curso dos professores.”
Victor Klemperer, Diários 1933-1945 (anotação de 11 de junho de 1942)

5 de junho de 2008

DUAS SUPER-ENTREVISTAS : COM O HOMEM QUE SOLTOU A BOMBA ATÔMICA E COM O MÉDICO QUE MATA!

DEPOIS NÃO DIGAM QUE NÃO AVISEI.

O HOMEM QUE SOLTOU A BOMBA ATÔMICA EM HIROSHIMA:

http://www.geneton.com.br/archives/000277.html



O MÉDICO QUE AJUDA OS PACIENTES A MORRER:

http://www.geneton.com.br/archives/000278.html


NELSON RODRIGUES REVISITADO

Poucos se deram conta, mas o fato é que teve início há algumas semanas a era dos idiotas da subjetividade.

O Parmeira perdeu – não foi o Sport que ganhou.
O São Paulo Fashion Week (weak?) perdeu – não foi o Tricolor que venceu.

Fiquem, pois, à vontade: juntem-se aos cronistas do Clarín. (Ver post abaixo.)


Em tempo: a expressão "São Paulo Fashion Week" foi usada aqui com permissão. Seu criador é o jornalista Leandro Augusto Silveira.

... Y DEBIÓ GANAR




No título deste post, o que deu no site do Clarín.
Na foto acima, um argentino que entende de bola: Conca.

(Em tempo: 45 anos depois, um clube brasileiro volta a silenciar os bosteros.)

4 de junho de 2008

PERGUNTA FEITA AO VENTO ( PARA NÃO PERDER O COSTUME)

A MULHER MELANCIA CONTINUA SOLTA ?

IH, TÁ MÓ CRÁUDI !

Crowd at Coney Island, 1940



"Tenho horror à multidão. Chamo de multidão toda reunião de mais de seis pessoas. Quanto às imensas aglomerações humanas – lembro-me de uma fotografia de Weegee mostrando a praia de Coney Island num domingo – são para mim um verdadeiro mistério que me inspira terror."
(Luis Buñuel, Meu último suspiro)

3 de junho de 2008

UMA AULA DE JORNALISMO. O PROFESSOR É O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE

Depois de um breve intervalo de seis meses, quero declarar o seguinte aos senhores jurados: boemia, aqui me tens de regresso. Mas não para sempre, é claro.

Passo por este endereço tamancal para recomendar a leitura de uma entrevista que este locutor fez com o super-repórter Carl Bernstein, aquele que investigou a fundo o Escândalo de Watergate. A investigação, como se sabe, resultou na renúncia do então presidente americano, Richard Nixon.

Aqui:

http://www.geneton.com.br/archives/000275.html

A íntegra da entrevista foi publicada no livro "Dossiê História", à venda nas melhores casas do ramo.

Boa noite.

LAMENTO



"Tenho horror aos fotógrafos de jornal. Dois deles literalmente me atacaram um dia em que eu passeava na estrada nas proximidades de El Paular. Saltitando em torno de mim, não paravam de me fotografar, apesar de meu desejo de ficar só. Já estava muito velho para corrigi-los. Lamentei não estar armado."
(Luis Buñuel, Meu último suspiro)

24 de maio de 2008

... AD LOCUM TUUM


“Uma confissão: apesar de meu ódio à informação, gostaria de poder erguer-me dentre os mortos, a cada dez anos, caminhar até uma banca de jornais e comprar alguns. Não pediria mais nada. Com os jornais debaixo do braço, lívido, esbarrando nos muros, retornaria ao cemitério e leria os desastres do mundo, antes de tornar a dormir, satisfeito na proteção tranqüilizadora da sepultura.”
(Luis Buñuel, Meu último suspiro)

23 de maio de 2008

CONSIDERAÇÕES


Deus está morto.
Mas o Fluminense nasceu com a vocação da eternidade.

22 de maio de 2008

TNC, SPFC !


Tricolor só existe um. O resto é time de três cores.

21 de maio de 2008

“O BEHAVIORISMO FUNCIONA -- A TORTURA TAMBÉM.”

O pequeno Wystan
“Se me dessem o professor B. F. Skinner e drogas e apetrechos necessários, eu poderia fazer com que, em uma semana, ele recitasse o Código de Atanásio – em público. O problema com os behavioristas é que eles sempre conseguem excluir-se de suas teorias. Se todos os nossos atos são comportamento condicionado, certamente nossas teorias também o são.”
(W. H. Auden, em entrevista a Michael Newman. In: Os Escritores 2: as entrevistas históricas da Paris Review. Companhia das Letras, 1989)

WYSTAN H.

Wystan Hugh Auden


- O senhor conheceu algum louco?

- Claro. Conheci pessoas que perderam o juízo. Todos nós conhecemos. Pessoas que vão para o hospício e saem. Conheci várias pessoas maníaco-depressivas. Muitas vezes pensei no bem que poderia ser feito a elas se organizassem uma sociedade de maníaco-depressivos anônimos. Eles poderiam se reunir e fazer algum bem uns aos outros.

- Não acho que iria funcionar.

- Bem, todos têm seus altos e baixos!

(W. H. Auden, em entrevista a Michael Newman. In: Os Escritores 2: as entrevistas históricas da Paris Review. Companhia das Letras, 1989)

13 de maio de 2008

ENGAJADO



Que mais chocou o senhor? A revolta dos estudantes, a atitude dos professores, as greves e a crise social ou o desequilíbrio e a deliqüescência do Estado?

Raymond Aron:
“A deliqüescência do Estado me impressionou, talvez exageradamente. Era um pouco desencorajador ver que um Estado que se apresentava sob uma forma decente, respeitável, dava a sensação de desmoronar sob golpes tão fracos. A França estava tão centralizada, e no regime gaullista tudo se concentrava de tal forma na pessoa do general De Gaulle que se, por razões acidentais, a autoridade do general fosse atingida, era como se o conjunto fosse posto em questão. Era ridículo que as algazarras dos estudantes na primeira semana fossem abordadas por De Gaulle no Conselho de Ministros.”

10 de maio de 2008

QUARENTA ANOS ESTA NOITE



“Não é uma revolução, isto não pode ser uma revolução. Ninguém foi morto. Para que haja revolução, alguém tem de morrer. Ora, o que acontece é que os estudantes foram para a rua. Eles chamam os policiais de SS, mas esses SS não matam ninguém. Não há seriedade nisso, não se trata de uma revolução.” (Alexandre Kojève; Paris, maio de 1968)

O ABENÇOADO


“O que pode ser pior que o fato de que seres humanos sejam declarados inimigos e condenados à morte, não por más ações ou delitos, mas porque são espíritos livres e que o patíbulo, espantalho para os maus, se converta no mais formoso teatro para dar o exemplo mais sublime de estoicismo e virtude?”

***

“Deixo que cada um viva de acordo com sua natureza e, quem deseje, possa morrer por sua salvação, com a condição de que eu possa viver para a verdade.”

(Baruch Spinoza)

ROSÁRIO DE... CITAÇÕES



Traste filosófico,
escritor obscurantista,
diabo néscio, monstro atroz,
idiota obcecado, fedelho miserável,
animal alienígena, homem louco e bêbado,
demente que merece ser internado em um manicômio,
salteador de estrada e assassino do bom senso e da ciência.

(De injúrias também se faz a glória de quem vive para a verdade.)

9 de maio de 2008

UM TAKE, UM TAPA



“Na Cidade do México, designado presidente honorário do Centro de Capacitação Cinematográfica, escola superior de cinema, um dia sou convidado para conhecer as instalações. Apresentam-me a quatro ou cinco professores. Entre estes, um rapaz corretamente vestido e ruborizando de timidez. Pergunto-lhe o que ensina. Ele me responde: ‘Semiologia da imagem clônica.’ Poderia matá-lo.” (Luis Buñuel, Meu último suspiro)

7 de maio de 2008

QUARENTA ANOS ESTE MÊS


“Esse súbito derivativo ao tédio quotidiano, a quase-revolução, antes representada do que feita, despertavam simpatia, e mesmo entusiasmo. Os tumultos de rua que degeneravam em motins, os choques entre manifestantes e a polícia, sempre acusada de violência, cumulavam de prazer os amantes do teatro de marionetes, ávidos dos infortúnios do policial; a alegre aventura dos jovens, que partem a cada noite para as manifestações, refrescava o coração dos adultos – enquanto estes não descobriam seu automóvel inutilizado.” (Raymond Aron, Memórias)

6 de maio de 2008

POLÊMICO VELHO DE GUERRA

Ao que interessa, à boa e antiga ordem das coisas:
"A guerra é pai de tudo e rei de tudo." (Heráclito de Éfeso)

27 de abril de 2008

A MAIOR COLEÇÃO DE ENTREVISTAS DA INTERNET BRASILEIRA ! ( OK: PODE SER EXAGERO, MAS VALE UMA VISITA...)

É aqui: entrevistas completas com o gênio Nélson Rodrigues, Paulo Francis, João Saldanha, Joel Silveira, Ivan Lessa, Pelé, Caetano Veloso & etc:

http://www.geneton.com.br

6 de março de 2008

Vir para Lisboa pela Espanha? Chuta que é macumba!



Matéria do Jornal Nacional diz que dois estudantes brasileiros de mestrado que seguiam para Lisboa foram detidos na Espanha, onde fizeram escala. Não dá para saber pela matéria qual foi o caso. A opinião dos pais e do representante da universidade onde ambos estão matriculados falam em preconceito. Pode ser, claro. Certeza mesmo, ninguém vai saber. A não ser que os responsáveis pela detenção, acometidos de uma profunda dor moral, comecem a gritar como um personagem de Nelson Rodrigues: "Sou um preconceituoso! Um grande pecador! Um grande pecador, ouviram bem?" Mas isso, claro, não vai acontecer.

Funcionários de governo que trabalham em embaixadas, setores de imigração ou quaisquer departamentos correlatos são gente, digamos, especiais. Agem ao sabor do humor do dia. Ou da hora. Ou do café que esfriou. São previsíveis em suas imprevisibilidades.

Conheço vários estudantes brasileiros que fizeram escala na Espanha antes de chegar aqui em Lisboa. Tudo certo, tudo normal. O máximo que um deles sofreu de abuso foi aturar o vizinho de cadeira cantarolando uma música do Julio Iglesias, o que me lembra a resposta do Francis quando perguntado se havia sido torturado durante a ditadura militar: "sim, o carcereiro ouvia Wanderléa o dia inteiro".

EXTRA! EXTRA! Novo romance de Paulo Francis!

paulo-francis9.JPG

Quando li pela primeira vez os romances de Paulo Francis fiquei angustiado. Angústia provocada pelo turbilhão de salitre e breu (copyright William Blake) que jorrava do Cabeça de papel e Cabeça de negro. Os dois volumes foram todos rabiscados. Muitas vezes tinha que voltar páginas para entender personagens que entravam e saíam sem qualquer explicação, aceno, bye, bye, so long, farewell.

Deixei os livros dormindo alguns anos na estante. Ainda ficava incomodado por não ter conseguido entrar nos romances. E só se insiste dessa forma, antes de considerar o escritor uma besta sem talento, se se pensar que há algo de valor escondido pela linguagem alucinada e inside joke de uma época que não a sua. O que fiz? Abria os livros em qualquer página e lia o parágrafo no qual a vista primeiro focalizava. O parágrafo levava a outro e lá ia Garschagen atravessando mais páginas do que deveria. “Do que deveria” porque a idéia era ler os romances de forma fragmentada, como extratos do Diário da Corte. Deu certo, comigo.

Leio hoje na Folha (assinante) sobre o lançamento do romance que Francis deixou escrito. Se for como os outros, lerei o livro inteiro para depois aproveitá-lo em doses homeopáticas. Ter Francis, o precursor dos blogues de qualidade, em evidência é sempre bom, sempre civiliza.

O livro-confusão de Francis

Chega às livrarias “Carne Viva”, romance inédito de Paulo Francis que teve sua publicação adiada por mais de dez anos e sofreu modificações

Paulo Francis na redação da Folha, em 1982; livro inédito “Carne Viva’ chega às livrarias no próximo dia 15, com mudanças feitas nos originais deixados pelo autor

MARCOS STRECKER
DA REPORTAGEM LOCAL

Waaal… Demorou dez anos, mas finalmente ficou pronto. Chega às livrarias no próximo dia 15 o aguardado romance inédito de Paulo Francis (1930-1997), prometido há mais de uma década e que fecharia o ciclo iniciado com “Cabeça de Papel” e “Cabeça de Negro”. Antes mesmo da sua publicação, “Carne Viva” já tem uma longa história. A começar pelo título, que originalmente seria “Jogando Cantos Felizes”.

"Quem quer democracia? Na minha é R$ 20, só R$ 20!"

É assim que governos democráticos resolvem questões diplomáticas:

06/03/2008 - 08h28
da Folha Online

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a crise diplomática com a Colômbia pode afetar o comércio bilateral e insinuou que poderia nacionalizar empresas colombianas no país.

“Vamos fazer o mapa das empresas colombianas na Venezuela. Poderíamos nacionalizá-las (…) e as que temos lá na Colômbia teremos de vendê-las”, disse.

“Tudo o que pudemos alcançar, chegamos a US$ 6 bilhões de intercâmbio comercial, veio abaixo”, afirmou em entrevista coletiva após uma reunião com o presidente equatoriano, Rafael Correa.

Chávez disse que a Venezuela prepara medidas para evitar que a crise diplomática, provocada pela operação de tropas colombianas no Equador para atacar as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), afete as economias de Caracas e Quito.

“Façamos um convênio comercial porque não podemos depender nem de um grão de arroz da Colômbia”, propôs Chávez a Correa, que chegou a Caracas na noite desta quarta-feira, na terceira etapa de uma viagem por vários países latino-americanos para buscar apoio.

29 de fevereiro de 2008

Quando nos falta a piada falta tudo

A vida em Lisboa anda corrida Está cada dia mais difícil cuidar de tudo e garantir o uísque das crianças. Para não deixar o caro Marconi Leal falando sozinho vim aqui dar um alô.

Daí já era, digamos, difícil ler sobre a política de Terras de Vera Cruz. Do outro lado do Atlântico a coisa fica um tanto quanto nonsense, se é que vocês me entendem. E nem é a sensação que achei que fosse sentir: de que o país não existe. É de saber que existe e tem um presidente dessa envergadura e circunferência, se é que vocês me entendem.

Um dos graves sintomas de que algo não anda nada bem em Terras de Vera Cruz é que a política deixou de ser motivo para piada. Saímos da realidade eminentemente brasileira para adentrarmos numa desolação tão profunda quanto trágica.

A piada, mesmo nos piores momentos do país, nos serve como termômetro. Se falta a piada é porque está faltando algo maior e mais importante. O Brasil, também, pode acabar, não com uma explosão, mas com um lamento (copyright T. S. Eliot).

25 de fevereiro de 2008

ENFIM

"A VIDA, NO FIM DAS CONTAS, NÃO PASSA DE UMA GLORIOSA COLEÇÃO DE INUTILIDADES".

(Mais, aqui)

CONGRESSO INTERGALÁCTICO

Ali, o nobre deputado Pacóvio dos Santos, de Cudomundópolis do Sul, após receber dinheiro de um lobista, apresentaria uma emenda, defendendo que o planeta não perdesse seu status. A bancada do cometa Harley, sustentada por grandes empreiteiros, logo se inflamaria, exigindo o mesmo tipo de tratamento para o corpo celeste de sua predileção.

Então, pensando na futura instalação de uma Assembléia Legislativa em Urano, um grupo de congressistas apoiaria todas as iniciativas acima, contanto que Júpiter passasse imediatamente à categoria de sol.

(Mais, aqui)

NOJO

"Uma geração de cínicos. É isto que somos. Sentado na cama, assistindo a Juno, eu tive um pouco de nojo de mim. Minto. Não era exatamente um auto-nojo. Digamos que meu estômago estava embrulhado por causa de uma pizza e também por perceber que eu e minha geração havíamos sido talhados na profunda descrença no ser humano. Há quem se orgulhe disso. Algo humanamente compreensível, como se verá".

(Mais, aqui)

14 de fevereiro de 2008

CONFISSÕES DE UM REPÓRTER BARBUDO

"Sou um projeto de ruína . Meu velocímetro profissional já registra três décadas de rodagem por redações. É um bocado. Quem mandou não estudar Medicina ? A hora de dizer “chega” vai se aproximando. Todo jornalista deveria mudar radicalmente de atividade depois de dez anos de exercício profissional. Somente assim não correria o risco de se habituar ao papel de figurante do espetáculo patético encenado em redações por gente que se considera cem vezes mais importante do que realmente é".

(Mais, aqui)

CONFISSÕES DE UM DESOCUPADO GLABRO

Meu pacifismo tem um limite: a leitura de algumas páginas de Heródoto ou Plutarco. Bom, confesso que este último também me dá uma vontade irresistível de enrolar um lençol ao redor do corpo, colocar algumas folhas de louro no cabelo e descair a mão com um gritinho, dizendo:

— Afe, César! Que aqueduto grande você tem!

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13 de fevereiro de 2008

ALPINISTAS

“Não quero parecer ranzinza,mas alguém pode me dizer para que servem os alpinistas ? Por que aqueles idiotas não pegam um avião para olhar as montanhas do alto,em vez de tentar a subida ridiculamente amarrados em cordas ? . Eu jamais compraria um carro de um alpinista.Não se pode confiar em seres que não têm senso de ridículo”.

(Mais, aqui)

TELEVISÃO

— Sr. Onofre, eu sou o agente Jonas e esse aqui o agente Nunes. Nós estamos entrevistando os moradores das redondezas, porque houve uma ironia hedionda no bairro ontem à noite e procuramos o culpado. O senhor reconhece esse homem aqui no retrato?
— Voltaire? Digo, vou teire que pensar um pouco... Essa peruca, esse bastão, esse nariz... Não, não, nunca vi mais nobre.
— O senhor pensava ontem à noite, entre as 20 e 22 horas?
— Ih, nada. Tenho evitado. A última vez que eu pensei deu uma dor de cabeça dos diabos. Troquei pela televisão.

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PROBLEMA DE CLASSE

"De onde vem este ódio à classe-média? Lembro-me agora daqueles burgueses da Semana de 22 escrevendo poemas de ódio à pequena-burguesia. Ou ainda de Luis Fernando Veríssimo, o escritor preferido da classe-média, espinafrando a dita-cuja. Isto sem falar nos autores jovens, que já nasceram com esta raiva entranhada.

"Uma boa amiga me diz que classe-média nada tem a ver com dinheiro ou falta dele. É um estado de espírito. É aquela coisa de comprar o mesmo carro, de ter o mesmo cachorro, de comer nos mesmos restaurantes e de ver os mesmos filmes e sobre eles falar a mesma coisa. Não discordo. É uma das facetas, sim. Mas, ainda, vale a pergunta: por que tanto ódio à classe-média?"

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12 de fevereiro de 2008

MÁRIO DE ANDRADE

"Era insuportável,um viadão, vivia cercado de garotos, todo pachola.Uma vez,escreveu uma crítica sobre um livro.Disse : “Este realmente é um bom contista,não é um Joel Silveira qualquer”.Aliás,devo ser a única pessoal do Brasil que nunca recebeu uma carta de Mário de Andrade.Todo mundo recebeu.Não me empolga.A poesia de Mário de Andrade é muito ruim, os contos são uma coisa tradicional, aquele negócio de folclore.Detesto folclore !"

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UMA THURMAN

Não sei vocês, rapazes. Quanto a mim, se o Senhor me propusesse que minha salvação dependeria de uma circuncisão com uma pedra afiada, ligaria para o diabo na mesma hora, oferecendo minha alma:

— Uma noite de sexo selvagem com a Uma Thurman e duas caixas de bourbon. E não se fala mais nisso.

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11 de fevereiro de 2008

CONTÍCULO RUSSO

"Ele era um respeitável militar de patente graduada e descendente de uma família nobre. Ela uma camponesa simplória e lindíssima! Ivanovitch, apesar de ter idade suficiente para as núpcias já algum tempo, era solteiro. A moça viçava em sua juventude e nas palavras do próprio Ivanovitch, 'Era uma flor do campo!'.

O interesse por Katuska, este era o apelido dela, causou escândalo. Mas como pode? Um nobre?! Katuska era filha de Vanka e Vania, antigos moradores na propriedade de Ivanovitch. Os pais, naturalmente, temeram as intenções do senhor. A mãe iniciou rezas por Santa Anastácia. Mas o senhor Ivanovitch, de fato tomado pela alma de um sátiro, quisera revestir sua licenciosidade das mais puras e castas formalidades, ocultando com palavras e ações suas reais pretensões."

(Mais, aqui)

CPI

— Eu não fiz nada não, eu juro!
— Ah, não? Toma de novo! E essa, e mais essa. E então, refrescou a memória agora?
— Ai! Mas o que você tá fazendo? Quem são vocês, afinal?
— CPI.
— Ué? Mas eu nem sou filiado ao PT!
— CPI. Central de Patrulhamento Ideológico, canalha! Toma, toma!
— Ai! Isso dói. Cadê os meus direitos?
— Os seus direitos tão por aqui. Mas se continuar negando, vai perder os dois: o pé e a mão. Vai falar ou não vai, engraçadinho?
— Tudo bem, eu confesso: eu queria comprar aquela calcinha de renda.

(Mais, aqui)

CLARICE LISPECTOR

"As the translator Gregory Rabassa famously put it: 'I was flabbergasted to meet that rare person who looked like Marlene Dietrich and wrote like Virginia Woolf'.”

(Mais, aqui)

VARGAS

“Notei que as mãos do presidente eram macias,fofas.Getúlio só me cumprimentou na entrada.Terminou me dando as costas na saída.Simplesmente foi embora.Quando eu lhe passei um questionário - e ele viu que o que eu queria era uma entrevista - Getúlio se transfigurou.Aquela cara risonha despareceu.O homem virou uma fera.Jogou o papel assim,na mesa : “O senhor entrega isso ao doutor Lourival”. Em seguida,levantou-se daquela cadeirona pesada - e sumiu”.

(Mais, aqui)

8 de fevereiro de 2008

O FUTURO DO BRASIL EM NOSSAS PATAS

Acabei por descobrir um artifício engenhoso para detonar a revolução educacional de que tanto o país necessita: o desmatamento de crianças e o aquecimento de analfabetos. Pensem bem: se brasileiros abnegados iniciassem a invadir escolas caindo aos pedaços para dar machadadas em crianças ou a entrar clandestinamente em asilos de velhinhos analfabetos para tocar fogo em suas dependências, dentro em pouco, no máximo cinco anos, o governo afinal perceberia a existência de um problema na Educação e, quiçá, na Previdência brasileiras.

(Mais, aqui)

SPOILERS

"Pois aqui vale a pergunta: uma crítica pode conter spoilers? Ela tem permissão para estragar, no leitor, o prazer da descoberta?
Minha resposta é: sim."

(Mais, aqui)

MORAES NETO, FRANCIS E A SOCIAL-DEMOCRACIA

"Você confessa hoje que tem simpatias pela social-democracia.O caminho para o Brasil pode ser esse ?

Francis - Certamente. A social-democracia é imperfeita - sem dúvida- mas é a coisa mais justa que há.Porque garante o mínimo necessário a quem não pode lutar pela sobrevivência e, ao mesmo tempo, permite que quem pode se expanda sem ditadura sem nada.Veja os países mais avançados do mundo : são os escandinavos. A própria Alemanha é uma social-democracia,a França ... E os Estados Unidos são uma social democracia - desorganizada,mas,se você falar assim nos Estados Unidos,eles acham que você é comunista.O que tem de auxílio às pessoas necessitadas é igual a qualquer social-democracia européia."

(Mais, aqui)

7 de fevereiro de 2008

HITLER

"Estou confuso. Sou um adorador da liberdade total e irrestrita de expressão. Mas, de algum modo, meu instinto dizia que aquela decisão autoritária estava certa. Mas como?!, eu me perguntava. Como uma decisão autoritária pode estar certa? Por princípios meus, nenhuma decisão autoritária é certa. Mas aquela…"

(Mais, aqui)

CONSELHO

“Um bom amigo me sugeria: ponha por escrito o que pretende dizer. Pus. Assim todos vocês terão a oportunidade de verificar que pronuncio mediocridades tanto de improviso quanto por escrito”

(Mais, aqui)

CENTRO

Eu era um feliz morador de Moema, dos poucos bairros paulistanos onde ainda é possível ver flora e fauna: passarinhos que acordam você pela manhã, árvores que se espalham pelas ruas e jumentos que compram pão ao cair da tarde, chamando Lula de ladrão e, coerentemente, votando de quatro em quatro anos em Maluf.

Ao contrário dos torneios medievais, no entanto, a vida não é justa. E os credores, seres sem coração, levam tudo ao pé da letra de câmbio. De maneira que tive de me mudar recentemente para Santa Cecília, localidade perto do centro. Pelo menos é o que me dizem, e eu, cujo senso de localização se assemelha ao de um hebreu no deserto, acredito. Deve se situar, ao menos, ali pelo segundo ou terceiro círculo.

(Mais, aqui)

NHONHONGA

— Como assim? Separou por quê, cara? Vocês pareciam se dar tão bem...
— A Marly, ela...
— Quer um filho? Toca a bola, toca a bola!
— Que nada! Você não vai acreditar.
— Te traiu?
— Pior. Muito pior. Chuta! Pra fora... A Marly... A Marly me chamou de “Nhonhonga”, cara. Pronto, disse.
— Nononga?
— Antes fosse! “Nhonhonga” mesmo. Com “h” e tudo.
— Peraí, bicho, tu tá me dizendo que separou porque a Marly te colocou um apelido? Ih, lá vem o contra-ataque!
— Desarmou. Apelido? “Nhonhonga”? Isso é apelido que se me apresente? Se ainda fosse “Xurungo” ou “Pitoca”... “Nhonhonga” não dá! Não tem volta.

(Mais, aqui)

SINDICATO

— Alô? É o senhor Adroaldo?
— Infelizmente.
— Senhor Adroaldo, nós estamos com sua sogra, sua mulher e seus três filhos. Isso aqui é um seqüestro, tá me entendendo?
— Que absurdo! Deve tá havendo algum engano.
— Como assim? O senhor não tem mulher e filhos?
— Ter, tenho. Mas eu já fui seqüestrado semana passada, companheiro. Duas semanas atrás, foi a minha mãe. Isso já é abuso. Vou ligar pro sindicato de vocês!

(Mais, aqui)

28 de janeiro de 2008

DA GÁVEA

Senhores, este blog encontra-se à deriva. Homem reverente e amante dos clássicos, ainda tentei amarrar nosso capitão, o sr. Moraes Neto, no mastro da embarcação. Mas eis que o sujeito conseguiu escapar a tempo e se mandou para Olísipo, salvando a tintura das barbas. Quanto aos demais colaboradores, fugiram a nado e atualmente se dedicam a tarefas menos sórdidas, como catar piolhos em sacos escrotais de mendigos e atuar como filé para leões em circos. Mando este post dentro desta garrafa na esperança de encontrar algum leitor. Caso consiga, gostaria de glub, dizer que glub, eu glub, glub, glub...

23 de janeiro de 2008

FUNK ARMORIAL

18 de janeiro de 2008

CINEMA NACIONAL

Por mais que se fale mal dele, a verdade é que o cinema brasileiro tem uma grande virtude. O preço impeditivo dos ingressos.

"TALVEZ A MÚSICA POPULAR SEJA UMA ARTE DE JUVENTUDE"

É o que diz Unanimidade Nacional a Geneton Moraes Neto. Quanto a mim, depois de escutar Jorge Vercilo, Ana Carolina, Zélia Duncan e congêneres, não estou tão seguro sobre a pertinência da aplicação da palavra “arte” à MPB. Confira a entrevista aqui.

COMUNICAÇÃO

— É um escritor pós-moderno, mistura várias linguagens no seu romance.
— Sei. Teatro, poesia, literatura...
— Não. Português, espanhol e enxacoco.

GERUNDISMO

Em sua crônica de hoje, Paulo Polzonoff Jr. vai estar falando sobre o gerundismo e vai estar defendendo o seu uso. Segundo soube, seu próximo texto vai estar sendo sobre as vantagens de se votar em Lula. Os leitores podem estar lendo aqui.

VÁ AO TEATRO. MAS NÃO ME CHAME

Alguém me chama para assistir a um certo espetáculo teatral que mistura festa, sarau, intervenção, comédia, farsa, instalação, performance e happening. Se a todas essas manifestações acrescentasse a empalação dos autores, eu iria lá ver.

17 de janeiro de 2008

COMUNISMO

— Sou a favor do comunismo em seu último estágio.
— A ausência completa de Estado?
— Não. A volta ao capitalismo.

HILLARY

"Saying that she has learned valuable lessons from her victory in the New Hampshire primary, Sen. Hillary Clinton (D-NY) today announced that she was scheduling an official crying jag for the eve of the South Carolina primary on January 26."

(Mais, aqui)

MORAES NETO ENTREVISTA SARAMAGO

"Um dos primeiros mandamentos do Manual de Boas Maneiras Jornalísticas diz que repórter que se preza não deve escrever na primeira pessoa. Por que não? Peço licença aos Guardiões da Profissão para cometer um pequena confidência,na primeira pessoa do singular : sempre alimentei o desejo de entrevistar um Prêmio Nobel de Literatura.

"Se eu vasculhasse minhas florestas interiores em busca de uma explicação razoável para esta pequena obsessão,certamente voltaria da expedição de mãos vazias. Não encontro nenhuma justificativa para o desejo de entrevistar um Nobel ,além da óbvia curiosidade jornalística. Quem sabe, o que me movia era a curiosidade de ouvir a palavra desse espécime raro : um intelectual milionário.Afinal,a conta bancária dos felizardos agraciados pelo Prêmio Nobel recebe uma injeção substancial – algo em torno de um milhão de dólares.Mas este é um motivo inconfessável, além de tolo : não há notícia de nenhum Nobel de Literatura que,depois embolsar a grana, tenha de repente se transformado num desses novos- ricos semi-analfabetos que povoam as páginas de revistas como a Caras com seus sorrisos de mil dentes,pele bronzeada pelo ócio da Côte D’Azur e prataria cuidadosamente exposta na sala de estar para as lentes dos fotógrafos. É gente que juraria de pés juntos que Ezra Pound é nome de creme de beleza. Para felicidade geral da Literatura,a Academia Sueca não provocou,até agora,nenhuma transmutação dessa espécie."

(Mais, aqui)

OTIMISMO

— As coisas poderiam ser piores.
— Como?
— Já pensou se o Brasil tem um sistema de leis consuetudinário?

15 de janeiro de 2008

COMO RECEBER UM LIVRO EM CASA ( OU NA RUA OU NO CARRO OU NO ÔNIBUS) EM APENAS SESSENTA SEGUNDOS !

Um dia, cedo ou tarde, iriam inventar um "equipamento de leitura" sem fios, portátil, leve, prático, um concorrente de peso para o livro. Não é um computador, claro. O ritual funciona assim : com este equipamento na mão, o cliente acessa uma super-livraria virtual, escolhe um livro, aperta um botão e.....pronto. O texto integral do livro se materializa, claro e nítido, na tela do tal equipamento. Em qualquer lugar do planeta, o leitor terá acesso a um livro em sessenta segundos! Detalhe: o livro acessado virtualmente custa uma fração do preço do livro de papel.

Diante deste egrégio tribunal, confesso minha ignorância. Eu não sabia que tal aparelho já existia. Mas existe! Não precisa ser conectado a computador. Não usa fio. Não precisa de provedor de Internet. O proprietário não precisa ficar pagando assinatura mensal. O nome da traquitana é Kindle. É uma invenção da Amazon. Noventa mil títulos já estão disponíveis. O preço de cada título: 9,99 dólares, em média. Além de receber livros em sessenta segundos, quem tiver um kindle pode acessar, também, os principais jornais americanos, franceses e alemães. New York Times, por exemplo. Ou Washington Post.

Lançado pela Amazon, o aparelho já se esgotou. Leitores aguardam na lista de espera.

Os incréus podem acessar, aqui, um vídeo que mostra como esta aparente maravilha funciona. Eu não sabia que esta traquitana existia:

http://www.amazon.com/gp/product/B000FI73MA/ref=kinw_clar_clar_1


Podem espalhar.

Qual será a grande novidade da semana que vem ?

"ASSOCIAMOS A FELICIDADE A UMA ALEGRIA QUE É ESTETICAMENTE ULTRAJANTE"

Do site de Paulo Polzonoff Jr, em excelente resenha a propósito da adaptação cinematográfica do livro "Reparação" :


"Vale a pergunta à la Oprah Winfrey (até porque dissociar a literatura da vida é uma demonstração de arrogância a que não me proponho): será que também recusamos a felicidade mais óbvia justamente porque a consideramos esteticamente pobre? Alguém já disse que não há nada mais elegante do que um homem triste. Associamos, ainda, a felicidade a uma alegria que é esteticamente ultrajante: sempre exagerada, colorida demais, a ponto de parecer agressiva. Será que a felicidade real e possível é de fato algo que rejeitamos instintivamente, porque a associamos a algo menor?"

http://www.polzonoff.com.br/uma-obra-prima-em-papel-e-em-imagens.htm#more-1026

HÁ ALGO DE TERRIVELMENTE ERRADO COM QUEM GOSTA DE CITAR FOUCAULT, DERRIDA, BARTHES & CIA LTDA

Do blog de Alexandre Soares Silva:

"Solenemente digo que há algo errado com o gosto de alguém que cita Foucault, Derrida, Barthes, Kristeva etc muito empolgado. Não é só a razão dele que está escangalhada, é o gosto.
E que há algo errado com o gosto de qualquer um que tenha se interessado por comunismo por mais do que três anos. E com a alma também"

aqui:
http://soaressilva.wunderblogs.com/

14 de janeiro de 2008

GRANDES VERSOS AVACHALHADOS

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o tímpano."

Olavo Bilac, poeta e surdo.

Uma mentalidade autoritária

Acabei de ler que o Ministério da Justiça recebeu 14 reclamações de pessoas que se acham atingidas pelo programa Big Brother Brasil. Algumas dizem que o programa incentiva o consumo de álcool.

As reclamações são manifestações de uma mentalidade autoritária. Pessoas civilizadas, quando se sentem incomodadas com algo na televisão, fazem uma coisa muito simples: desligam o aparelho e mudam de canal.

É por estas e outras que eu sempre digo que Hitler perdeu a guerra, mas não Goebbels. Ninguém me ouve…

A RONDA LITERÁRIA INFORMA: RUBEM FONSECA DESFILA NA RUA COM OS ORIGINAIS DE UM LIVRO DEBAIXO DO BRAÇO

Flagrante literário: o locutor-que-vos-fala viu o escritor Rubem Fonseca transitando sozinho por uma rua do Leblon - para ser exato: pela esquina da Ataulfo de Paiva com a General Urquiza - com os originais encadernados de um livro embaixo do braço. A primeira página, visível, exibia emendas feitas com caneta. Não foi possível distinguir o nome do autor da obra inédita. Não deu tempo. Quando este bisbilhoteiro tentava disfarçadamente decifrar o título, o portador dos originais se escafedeu, discreto, sem notar, no entanto, que tinha sido observado.

Em nome da precisão jornalística, portanto, o Sopa de Tamanco não pode informar se os originais eram da lavra do próprio Fonseca ou se eram de algum autor que tenha submetido a obra à apreciação do ilustre literato.

Novas informações a qualquer momento.

PESQUISA DE OPINIÃO

O Natal passou sem disco novo de Roberto Carlos.

Quem sentiu falta que levante a pata esquerda, por favor.

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três.....Ninguém se manifestou.

Já se esperava.

ATENÇÃO, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE! O BRASIL PEDE SOCORRO !

Alguém já ligou ou escreveu para a Organização Mundial da Saúde ( OMS) para saber se já inventaram um instrumento capaz de medir o grau de idiotia de BBBs ?
O endereço: Avenue Appia 20. Genebra, Suíça. Telefone: (41 22) 791 2111. Fax.: (41 22) 791 3111.

JORNALISTAS, CUIDADO COM A "SÍNDROME DA FRIGIDEZ EDITORIAL"! É UMA DOENÇA FATAL PARA A PROFISSÃO

O Sopa de Tamanco informa que o nosso distinto colaborador Paulo Polzonoff Jr acaba de postar, no site www.polzonoff.com.br, uma entrevista com o confrade Geneton Moraes Neto, a propósito do lançamento do livro-reportagem "DOSSIÊ HISTÓRIA" .

Trechos:

"Jornalistas que se deixam contaminar pelo tédio estão mortos para a profissão. Deveriam procurar outra atividade, com urgência. Assim, deixariam de maltratar a notícia, deixariam de jogar no lixo histórias interessantes, deixariam de sonegar informações aos leitores. O bom jornalista é o que olha a vida como se estivesse vendo tudo pela primeira vez. Não há exceção a essa regra"


"Talvez tudo tenha nascido da curiosidade que sempre tive sobre – por exemplo – personagens que viveram ou testemunharam grandes acontecimentos. É sempre fascinante ouvi-los. Tomara que eu não perca esta curiosidade. Porque, aí, eu terei sucumbido a uma doença terrível que grassa nas redações: a Síndrome da Frigidez Editorial. É uma doença que contamina as células de jornalistas entediados que acham que nada é interessante, nada deve ser relatado, nada é notícia. Coitados"

"Se fosse dar um palpite, diria que o livro não vai acabar. Já dura séculos. Eu diria que é a maior invenção humana: portátil, relativamente barato ( pelo preço de um vatapá posso comprar um Thomas Mann), acessível, manuseável, perfeito. O surgimento de uma mídia não quer dizer necessariamente que as outras vão desaparecer. A TV não matou o rádio. O cinema não matou a TV. Nada matou o livro. Pode ser que um dia surja um livro eletrônico imbatível, mas, por enquanto, o monitor não é o lugar ideal para trezentas páginas de texto. Quanto aos jornais impressos, eu tinha certeza de que eles também não desapareceriam. Mas hoje uma dúvida incandescente consome minhas florestas interiores. Tenho a impressão de que os jornais, ao repetir mecanicamente o que nós já soubemos na véspera pela internet e pela tv, estão cavando a própria sepultura. O incrível é que caminham para o buraco “por livre e espontânea vontade”


aqui, a íntegra:
http://www.polzonoff.com.br/entrevista-com-geneton-moraes-neto.htm#more-1016

Entrevista com Geneton Moraes Neto

Muitas perguntas e muitas respostas. Como deve ser. Aqui.

12 de janeiro de 2008

A PERGUNTA QUE NINGUÉM FAZ: POR QUE RECUPERARAM UM QUADRO TÃO FEIO ?

Do blog de Paulo Polzonoff ( http://www.polzonoff.com.br/) :

"Por que recuperaram um quadro tão feio?
Eu acho que este quadro do Portinari que voltou ao Masp ficaria bem melhor lá numa casinha da Zona Leste. Que coisa mais horrorosa!"

DOSSIÊ HISTÓRIA & OS PERSONAGENS DE GRANDES AVENTURAS

Do blogueiro Waldir Leite , em http://www.waldirleite.blogspot.com :

O VERÃO DE 2008 :"Leio sem parar o livro Dossiê História. Bonito e muito bem editado, é uma reunião de oito reportagens de Geneton Moraes Neto, um dos grandes jornalistas brasileiros. O livro reflete o talento de um digno representante de sua profissão. As matérias têm um profundo senso de jornalismo. Os personagens enfocados foram muito bem escolhidos, na medida em que cada um traz em sua história pessoal fatos de profundo interesse público. E Geneton percebe isso de um modo inteligente ao traduzir para o leitor a importância daqueles personagens para a história contemporânea. São oito capítulos e oito reportagens. No primeiro capítulo, na redação de um pequeno jornal em Londres, Geneton conversa com Abdel Bari Atwan, o homem que entrevistou Bin Laden. A partir desse encontro, o repórter brasileiro criou uma matéria jornalistíca que faz parecer que estamos diante de um texto do Ian Fleming para um dos romances de James Bond. Há tensão, suspense, e um “quê” de guerra fria. Os personagens parecem dentro de uma trama de ficção muito bem arquitetada. Mas, infelizmente, aquilo é o mundo real. É jornalismo. Leia um trecho a seguir:

"Atwan bate no peito: diz que os três dias que passou em companhia de Bin Laden em Tora Bora o transformaram no jornalista que mais tempo ficou com o líder da Al-Qaeda, antes ou depois do 11 de Setembro. Quem é, afinal, esse homem a quem Bin Laden fez tantas confidências, antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. Abdel Bari Atwan é um palestino, nascido na Faixa de Gaza. Radicado na Inglaterra, dirige um jornal de língua árabe que é publicado em Londres, o Al-Quds al-Arabi. A chance de um encontro face a face com Bin Laden nas montanhas de Tora Bora nasceu depois de um convite da Al-Qaeda.Não por acaso, Atwan se tornou especialista em Bin Laden. Aceitou nosso pedido de entrevista, mas demonstrou ser um homem desconfiado. Vive olhando para os lados, como se estivesse se guardando contra a investida de algum intruso imaginário. Sobre a mesa de trabalho, ao lado do teclado do computador, mantém um terço islâmico ao alcance da mão, para quando quiser enviar aos céus uma prece a Alá. O bigode é de Saddam Hussein.. Os cabelos devem ter passado por uma tintura rejuvenescedora. Jornais publicaram que Osama Bin Laden chegou a andar com um cartão de visita de Atwan no bolso. Atwan já declarou, escreveu e repetiu que não endossa nem apóia a “agenda da Al-Qaeda”. Mas é certo que o encontro nas montanhas de Tora Bora serviu para estabelçecer uma relação de confiança entre o bigodudo Atwan e o candidato a califa Osama Bin Laden".

Os demais personagens do livro são figuras instigantes. Há pessoas que conviveram de perto com Mohammed Atta, o imigrante egípcio que se transformou no líder dos terroristas suicidas do 11 de setembro. Carl Bernstein, um dos repórteres do caso Watergate. O militante palestino que causou escândalo ao declarar que estava disposto a explodir como homem-bomba. Um octagenário soldado nazista que fala das atrocidades cometidas nos campos de batalha. O filho que vive em guerra contra o pai. E também o relato de uma mulher que descobriu um terível segredo de família. Histórias reais que Geneton conta para o leitor com o talento de um grande repórter. Na apresentação do livro o autor diz que se considera “um pequeno tarefeiro da memória. Porque, em última instância, a memória é a grande matéria-prima do jornalismo”. É isso aí!"


posted by Waldir Leite

10 de janeiro de 2008

MONGES

Não entendo esses monges tibetanos. Tanto esforço para chegar ao que a gente consegue com um ou dois comprimidos de Lexotan!

7 de janeiro de 2008

CADÊ O DINHEIRO QUE NÃO FOI PAGO A PELÉ ?

O trabalho de repórter dá, a seres anônimos como o que assina esta nota, a chance de viver, por um punhado de minutos ( ou horas, se o dia for de sorte) , situações inusitadas. Já andei de van, pelas ruas de Nova Iorque, em companhia do Rei do Futebol, o sr. Pelé. Lá pelas tantas, fora da entrevista, ele diz que levou "uma volta" do mais conhecido produtor de cinema do Brasil. O Rei reclamava de que o homem não lhe tinha pago integralmente o dinheiro devido pelo lançamento de um vídeo.

O sinal abriu. A vã segue em frente, para o local de uma gravação. Diante da câmera, o Rei mede as palavras. Não é tão venenoso quanto na van. Compreende-se.

"DOSSIÊ HISTÓRIA" : A VOZ DE QUEM VIU ( JÁ NAS BOAS CASAS DO RAMO...)

Depois de um breve e ensolarado verão, o locutor-que-vos-fala dá uma passada neste terreno quase desértico para fazer, descaradamente, propaganda em causa própria. Quer ler um relato completo feito por gente que conviveu com os terroristas que executaram o maior ataque da história, o 11 de Setembro? É só passar nas boas casas do ramo ou encomendar pela Internet o "DOSSIÊ HISTÓRIA".

O livro traz, também, um depoimento de um ex-soldado nazista que, ao contrário do que acontece com outros veteranos que cometeram atrocidades em nome de Hitler, resolveu quebrar o silêncio para se livrar de seus fantasmas.


aqui : http://globolivros.globo.com/busca_detalhesprodutos.asp?pgTipo=COLECOES&idProduto=1041