11 de setembro de 2008
É ASSIM ?
Eis que - de repente - ouço um ruído no fundo da redação. Apuro os ouvidos. Triste espetáculo: os senhores Tom Carneiro e Nicomar Lael trocam impropérios de variados calibres, para espanto dos nossos raros, raríssimos leitores.
É assim que o Sopa de Tamanco quer ressuscitar ? Com brigas na frente das crianças ? Vocês realmente acham que esta é a melhor maneira de voltar aos dias de glória ? - pergunto.
As paredes não respondem.
CONFISSÃO COMPROMETEDORA: UM CHORORÔ CHAMADO "ROSINHA, MINHA CANOA"
Depois, nenhum grande livro conseguiu provocar efeito semelhante : nem obras-primas imortais como Crime e Castigo nem Memórias Póstumas de Brás Cubas nem A Montanha Mágica.
Um psicanalista, por favor, para extrair uma conclusão qualquer deste capítulo lítero-lacrimejante de minha formação.
O MEU SILÊNCIO SERÁ ENCICLOPÉDICO: COBRIRÁ TODOS OS ASSUNTOS DE TODAS AS ÉPOCAS. JÁ NÃO TENHO NADA A DECLARAR
Ah, mera ilusão feita de álcool e leite....
Descobri que os textos aqui postados pelo sr. Nicomar Lael produzem efeito idêntico! São capazes de acionar, em meu estômago, o mecanismo que produz,primeiro, um leve,levíssimo mal-estar, irremediavelmente seguido de erupções de golfadas de vômito em quantidades industriais. Os vizinhos já se acostumaram com os ruídos produzidos por este movimento gastro-vomitivo. A trilha sonora da minha reação fisiológica aos absurdos do mundo já se incorporou à rotina das tardes sem fim do Leblon.
Por que abro por um instante uma fresta no muro que ergui em torno de minha privacidade para fazer esta confissão vomitiva ? É que me sinto compelido a explicar por que as diatribes do sr. Nicomar provocam reação física tão ostensiva.
Eis o que descobri: ao percorrer os textos do sr.Nicomar, constato, desolado, que ele recorre à mais infantil e inofensiva das armas para tentar chamar a atenção da platéia, como se fosse um adolescente literário marcado por cravos e espinhas estilísticas. O que ele faz ? Recorre a palavras de pouco uso para parecer sábio, mas tudo o que consegue é parecer parvo, além de provocar vômito, claro.
Eis as expressões que o sr. Parvo Lael cometeu ao tentar me agredir no último post:
"utilizar de meu vergalho em seu dorso pingue e lanudo"
"tornando inevitável a espadana de enfado"
"espaço irremediavelmente labrego e sensabor"
Minha paciência com o sr. Parvo Leal tropeçou na primeira frase, cambaleou na segunda e, finalmente, se esborrachou na terceira.
Já não gastarei munição com alvo tão pobre.
Direi apenas que a defesa indireta que o sr. Pascácio Leal faz dos usuários de expressões lamentáveis como "meu óculos" e "o óculos" serve de prova de que uns - os ignorantes - merecem o outro - o exibicionista. E vice-versa.
Feita esta declaração, dou por encerrada temporariamente a contenda. Recolho-me à minha poltrona aveludada para, entre um gole e outro de um chá importado de torrões arábicos, degustar os parágrafos imortais de "O Leopardo" até ser alvejado pelo sono, o inimigo número um da literatura.
Peço ao mundo que não me incomode. Já não tenho nada a declarar sobre nada. O meu silêncio será enciclopédico : cobrirá todos os assuntos de todas as épocas. É melhor assim.
VÃ TENTATIVA DE CONDICIONAR UMA AZÊMOLA (TEXTO EM MEMÓRIA DO ÚLTIMO NEURÔNIO DO SR. CARNEIRO)
Ao término do exercício de autoflagelação, ainda lutando para controlar os espasmos causados pelas cachamorradas desfechadas a cada linha pelo subautor contra a sensibilidade literária, o bom gosto e o vernáculo, volto os olhos azul-claros e meu conspecto plácido ao deus dos aristocratas e, parafraseando Agostinho, suplico: “Dai-me a paciência, mas não agora”.
De fato, que outra atitude digna alguém devidamente alfabetizado, ciente do pélago intelectual que o separa da malta e degredado em meio a selvagens e bárbaros da pior espécie — ou seja, os que se consideram letrados — poderia tomar? No entanto, bafejos de cristandade, em sua tarefa primacial de estabelecer regras de etiqueta e bom-tom, me convencem da necessidade de enodoar meu eminente estilo para oferecer o dedo mínimo da mão esquerda e esternutar uma pouca de lustração sobre o referido ovino.
Evitando abordar questões mais complexas, sempiternamente defesas a criaturas do estrato do Sr. Carneiro, atenho-me apenas a responder a sua singela pergunta — amostra verdadeiramente enternecedora de espírito imberbe —, a propósito do motivo de utilizar de meu vergalho em seu dorso pingue e lanudo sempre que me deparo com suas acanhotadas tentativas de denunciar o que, em linguagem de enxacoco, ele próprio chama de “ignorância de quem pronuncia coisas como ‘meu óculos’ e ‘o óculos’.”
O próprio boquejo desse tipo de indagação — terão notado os leitores que folhearam ao menos um livro além de O Pequeno Príncipe — evidencia os inúmeros degraus que me apartam do borra-papéis na hierarquia intelectiva, tornando inevitável a espadana de enfado e melancolia que reflui a minha alma e me envenena até a última partícula metafísica. Pelas razões expostas nos dois últimos parágrafos, entretanto, antes de ir ao banheiro vomitar e retornar ao nobre Pai da Igreja, de quem jamais deveria ter-me amovido, respiro fundo, tapo o nariz e concedo a resposta em uma única frase, cuidando fazê-lo nos termos mais rasteiros, de modo que possa ser compreendido até mesmo por ele — quer dizer, conservando-me ao nível dos parcos mecanismos cognitivos dos anelídeos.
Ó mais recente epifania do espírito imortal das bestas e deidades acéfalas, se lanho vossa estupidez com o látego de minha descrença na salvação dos pobres de QI é, simplesmente, para tentar o inatingível: aplacar a lhaneza dos debates neste espaço irremediavelmente labrego e sensabor.
Agora fala, toupeira. Compreendeu?
SOPA DE TAMANCO RIDES AGAIN
QUE GRANDE FALTA FAZ UM CONSELHEIRO NA HORA CERTA....
Que falta faz, oh Nossa Senhora Aparecida, alguém que....
1) cinco minutos antes do início dos shows, dissesse a Roberto Carlos que aquelas ombreiras, aquele cabelo de índia velha, aquele terninho azul são de um ridículo atroz. Se ele se livrasse desses apetrechos patéticos, só precisaria fazer outro grande favor à humanidade para ser absolvido: que jamais, nunca, never, sob hipótese alguma, voltasse a cantar aqueles versos capenguíssimos da chatíssima música "Emoções". Ninguém aguenta ouvir. Já deu o que tinha de dar. Pior do que "e as mesmas emoções sentindo" só aquele verso imortal - o do cachorro que latiu sorrindo. Au-au-rá-rá-rá. Deve ter sido assim.
Que falta faz, oh, Nossa Senhora das Dores, alguém que....
2) um minuto antes de o fotógrafo entrar em ação, dissesse a Milton Nascimento que aquelas trancinhas afro são de um atroz ridículo. Ficaram patéticas. O fato de serem afro não as redime.
Que se danem as patrulhas politicamente corretas.
Que falta faz, oh, Nossa Senhora da Conceição, alguém que...
3) dois minutos antes do início da gravação da novela "A Favorita", dissesse àquele ator, José Mayer, que o papel de hippie velho escrito para ele pelo autor é uma das coisas mais patéticas já encenadas diante de uma câmera no Cone Sul da América e arredores.
Que falta faz, oh, Nossa Senhora do Bom Parto, alguém que....
4) dissesse a todos os artistas e celebridades em geral que, em nome de Deus, por favor, quando forem falar de alguém que morreu, jamais pronunciem idiotices indefensáveis do tipo: "Agora ele deve estar feliz lá no céu, ao lado de fulano, fulano e fulano....". Por que não ficam calados ? O defunto não deve estar feliz não, oh, paspalhos. O coração parou de bater; o sangue já não circula; os demais músculos estão irremediavelmente paralisados; os neurônios se dissolveram; a visão, o olfato, a audição, o tato,o paladar, tudo deixou de funcionar: o corpo virou uma carcaça inútil que, em lugares civilizados, é imediatamente cremada para não poluir a terra. O azul do céu é uma ilusão de ótica. Ainda que o céu religioso existisse, não haveria espaço para tanta gente. O inferno é outra invenção: não existe nada debaixo da terra. Então, parem de dizer idiotices supostamente poéticas quando forem falar dos mortos. É melhor é desejar a eles,sinceramente, uma cremação rápida. That´s all.
BRASIL, O PAÍS DE TODAS AS POSSIBILIDADES
QUANDO AS CANTORAS ABREM A BOCA PARA....FALAR
Ainda bem!
Alguém da platéia poderia lembrar da uma única e escassa frase original e interessante jamais dita por uma cantora à imprensa ?
Vocês têm dez anos para pensar.
PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI
INFORME SOBRE O RELINCHO DO SR. NICOMAR
Corri até a máquina, uma das poucas heranças maravilhosas que o Século XX nos legou (quase todo o resto poderia ser jogado na poubelle da história, especialmente os aparelhos de TV, habitados por jornalistas que fazem trocadilhos). Cheguei, por um átimo de segundo, a duvidar de minha sanidade: como pode uma máquina sem uso emitir repetidos relinchos ?
Logo descobri o óbvio encadeamento dos fatos: a cada vez que o sr. Nicomar Lael resolve dar sinal de vida, em forma de posts indigentes, os terminais sintonizados neste site emitem, automaticamente, retumbantes, cristalinos, claríssimos relinchos. É como se estivessem avisando ao planeta: correi, incréus, ateus, descrentes. Vinde ver esta maravilha: cavalos podem escrever,sim! Cavalos de todas as raças: andaluzes, anglo-árabes,appaloosas,berberes, crioulos e galicenos! Ah, o indescritível
rol de surpresas com que a natureza nos brinda a cada romper da manhã!
Não,não era uma ilusão auditiva: era uma manifestação internética do quadrúpede.
De toda forma, depois de espalhar imprecações por cada centímetro quadrado da tela do computador, a ponto de atingir com coices até o confrade Paulo Rubens, que caminhava, distraído, pelo local, o sr. Nicomar Lael não explicou que razões o levam a ter um ataque de fúria quadrúpede a cada vez que eu, zeloso guardião do que resta do idioma, denuncio a ignorância de quem pronuncia coisas como "meu óculos" e "o óculos".
Ah,o doce prazer de batalhar em guerras perdidas: é o que faço ao tentar, debalde, corrigir o mundo e a parvoíce alheia, tão bem representada na figura nicomariana.
Bem sei que chegarei ao fim da guerra com o corpo coberto de chagas, as botas enlameadas de cansaço e desilusão, o coração estilhaçado, os olhos fatigados pela contemplação de tanta impostura, as lanças dos infiéis apontadas para mim. Mas, a caminho do cadafalso, onde serei imolado pelos dardos da igonorância, repetirei, em voz baixa, o mantra que me move há décadas: "No pasarán! No pasarán! No pasarán!".
Não, sr. Nicomar, vossas parvoíces, vossos coices, vossa cegueira, vossa igonorância no pasáran !
O SEXO DOS ÓCULOS
Ele está, portanto, de volta: W. H. Auden. Não poderia faltar. Para o poeta, não se trata, como poderia parecer no caso, de uma discussão sobre o sexo dos óculos. Sem sua fantasia de abelhinha (de novo, vejam post antigo), ele adverte: "Um poeta tem apenas uma obrigação política, que é dar um exemplo do uso correto de sua língua mãe, que está sempre sendo corrompida."
Corolário (ou "axioma", se preferirem) de W. H. Auden: a força física prevalece quando as palavras perdem o significado.
Às armas, pois, senhores! Antes, porém, ao que interessa: nomes. Quem são os corruptores, os cegos para o plural? Como diria o poeta, we call a spade a spade.
REVISITANDO JOBIM
MEDIOCRIDADE
(Mais, aqui)
10 de setembro de 2008
QUE LÍNGUA SERÁ AQUELA ?
Motivo: ainda não encontrei um veterinário que pudesse traduzir aqueles grunhidos. Ou seja: transformá-los em sentenças compreensíveis por gente alfabetizada.
Ah, um veterinário. Que falta faz essa criatura, a única capaz de entender a linguagem dos irracionais....Mas, cedo ou tarde, há de aparecer um, para matar nossa curiosidade.
De qualquer maneira, causa-me espécie o fato de o sr. Nicomar ter um ataque hidrófobo (ou será bibliófobo ?) apenas porque ousei corrigir um erro cometido com assustadora frequência por tanta gente,inclusive a que porta diplomas e certificados : dizem "o óculos" e "meu óculos".
A reação do sr. Nicomar nos deixa uma lição que faria Pavlov soltar coquetéis Molotov de contentamento: a gente aprende que, a cada vez que alguém tenta corrigir um parvo como o sr. Nicomar, as cordas vocais da besta emitem um relincho característico.
Como é sábia a natureza...
A PROPÓSITO DOS RELINCHOS DO SR. TOM CARNEIRO
Exemplo claro do que fica acima dito nos é dado pelo agreste Sr. Tom Carneiro, cujo deslutre é de prístino conhecimento dos leitores deste Sopa de Tamanco. Guiado por sua obtusidade verdadeiramente cavalar, eis que agora o papalvo pretende-se esteio de certa campanha contra a utilização da expressão “o óculos”, como se fora ela grave índice da mediocridade pátria.
Ante parvoíce de tal monta, é inevitável que acorram a alguém minimamente instruído os famosos versos medievais da Festa dos Asnos:
Orientis partibus
Adventavit Asinus
Pulcher et fortissimus
Sarcinis aptissimus.
Hez, Sire Asnes, car chantez,
Belle bouche rechignez
(Traduzo livremente para incultos, quadrúpedes e parentes afins do Sr. Carneiro em geral, que certamente desconhecem, além do português, o francês e o latim: “Do Oriente vem o asno, belo e bravíssimo, próprio para suportar cargas. Levantai, Sr. Asno, e cantai. Abri vossa bela boca!”)
Afinal, a preocupação estéril com expressões consagradas pela ignávia da plebe, de que o próprio Sr. Carneiro faz parte, denota, quando menos, ser o indivíduo que a expõe portador de uma profunda nostalgia de galhos de árvores e refeições replenas de raízes e folhas.
Que esperar, no entanto, de uma mente de operário, vil trabalhador manual da escrita, cuja capacidade imagética é a mesma alcançada por uma lesma vítima de trepanação?
Ora, faça-nos um favor, Sr. Asno: vá alfabetizar-se ou corra até a esquina, ver se lá estou, a ler o meu Nietzsche no original. Mas, show a little respect e nos desobrigue de vosso relinchar, sim?
"MEU ÓCULOS" NÃO!
Já que a guerra é inútil, ofereço minha porção de inutilidade: a partir de hoje, a cada vez que alguém disser "meu óculos", repetirei, com voz inaudível, o mantra sugerido por Tom Carneiro.Assim: "a casa caiu, a casa caiu, a casa caiu..."
Depois, sairei sem ser notado.
CAMPANHA NACIONAL CONTRA "O ÓCULOS". OU: A GRANDE MARCHA DA IGNORÂNCIA AVANÇA POR NOSSOS CANAIS AUDITIVOS!
Atenção, apresentadores de TV, repórteres, médicos: não custa nada aplicar o plural quando ele é necessário! Não dói, não custa caro, não dá trabalho! O certo é "os óculos" ! Jamais, "o óculos" ou "um óculos" ou "meu óculos". Simples assim. Dizer "o óculos" ou "um óculos" é como dizer "a casas", "o carros", "o jornais". Mas, pela frequência com que gente "ilustrada" comete o erro bárbaro, tudo indica que aplicar um recurso tão básico quanto o plural é dificílimo....
Enquanto o Sopa uiva para o vento contra a praga do "o óculos", a GMI ( Grande Marcha da Ignorância) avança, impávida, por nossos canais auditivos...
A CASA CAIU - II ( OU: CAMPANHA NACIONAL CONTRA UMA PRAGA CHAMADA "O ÓCULOS")
Um dos repórteres disse, com toda clareza, "o óculos".
De repente,como num espasmo involuntário, minhas cordas vocais começaram a sussurrar,para meus botões fatigados, o mantra maldito: a casa caiu, a casa caiu, a casa caiu.
GRAMPOS EM BRASÍLIA
Claro, as desvantagens envolvem pobreza, ignorância, insegurança e frases de Caetano Veloso. Porém, não se pode negar que a libente interação entre as gentes de nossa pátria torna suportáveis, por exemplo, as maiores tragédias do dia-a-dia, como acordar com o Bom Dia Brasil e comentários do Alexandre Garcia.
(Texto completo aqui)
ORGIAS FILOSÓFICAS
Boehm, não fique Mach assim, porque recentemente foi inaugurado o nosso Orgias Filosóficas, estabelecimento adulto que Croce incrivelmente, Dee a Dee, Zaehner parar. Conosco, você vai se sentir como um Benjamin, um verdadeiro Rée.
Nossa filosofia é: todo mundo nous, sem Hobbes ou qualquer tipo de Adorno. Engels são barrados na portaria. Só aceitamos Putnam. Trata-se de fator Sêneca non. Dewey a quem Dewey.
(Texto completo, aqui)
8 de setembro de 2008
CAIU A CASA
A casa caiu. O conceito do Manhattan Connection sofreu uma queda de cinquenta pontos na EPF. Aos não iniciados: EPF significa Escala Paulo Francis de estima televisiva.
Fui dormir sussurrando aos meus cinco botões um mantra de três palavras : a casa caiu, a casa caiu, a casa caiu.
1 de setembro de 2008
11 de agosto de 2008
Bandidos brasileiros, estudantes brasileiros e Oscar Wilde em Portugal (duvida?)
Quinta passada dois brasileiros tentaram assaltar uma agência do Banco Espírito Santo (BES) num lugar chamado Campolide, aqui em Portugal (veja as fotos aqui). Depois de algumas horas de negociação sem solução os snipers da polícia atiraram, mataram um e feriram o outro, que está internado o hospital. Por quê conto essa história? Porque as reações mais indignadas que ouvi não foram dos portugueses, mas de estudantes brasileiros de mestrado que moram aqui. Todos manifestavam a revolta dos justos: “malandro em vez de trabalhar (e trabalho há) inventa de roubar. Se o preconceito contra brasileiro aqui já é uma merda, imagine agora?” É claro que a indignação leva ao exagero retórico, mas é interessante notar como brasileiros, digamos, qualificados (na comparação com a maioria dos imigrantes das Terras de Vera Cruz que vem para cá ser trabalhadores braçais) reagem a esse tipo de situação e ao preconceito contra os imigrantes brasileiros, preconceito esse que quase todos eles nunca sofreram diretamente.
Mas daí me pergunto? Ouvir de um português um entusiasmado “você nem parece brasileiro!” (como ouvi algumas vezes) não é uma forma de discriminação positiva? Eu costumo reagir com um muxoxo esnobe porque a frase é, na aparência, um elogio, mas na essência, um insulto que não ousa dizer o nome (para usar o aforismo do senhor Wilde).
Os portugueses adoram os brasileiros, costumo ouvir por aqui (estou em Lisboa desde outubro do ano passado). Mas os portugueses estão cansados dos imigrantes brasileiros mal-educados que fingem esquecer que estão num país que não o deles. No Brasil, a má-educação desses brasileiros é discriminada e reprovada, como aqui. Mas lá eles podem agir impunemente porque representam a si próprios. Eles têm o direito de ser os idiotas que são. E se cometerem crimes serão julgados e punidos. Num país estrangeiro o brasileiro não é dono de si próprio. Mesmo que não queira, mesmo que rejeite com todas as forças, mesmo que renegue a pátria por três vezes, como Pedro a Cristo, ele também representa os vícios e virtudes de sua nação. Os bandidos que tentaram assaltar o BES não eram apenas o Wellington Nazaré e o Nilson Souza (morto na ação); eram, acima de tudo, brasileiros que moravam ilegalmente em Portugal.
A indignação dos estudantes é uma reação demasiado humana: a agressividade é uma forma de estabelecer a diferença por causa do fator comum de ser brasileiro, que, em casos como esse, é uma espécie de marca da besta cravada na testa. Eu, pessoalmente, não me importo com a nacionalidade. Os idiotas são maioria em todos os lugares do mundo. Não tenho mais amigos no Brasil do que os que tenho aqui. Cinco amigos em cada lugar em que se mora é o máximo que uma existência civilizada suporta; é o máximo de gente que se pode reunir num restaurante e conversar sem que seja preciso berrar ou negligenciar qualquer um deles.
Os assaltantes eram brasileiros? Eram. É isso o que fica. Ser brasileiro é uma condição muito mais poderosa do que ser bandido.
7 de agosto de 2008
"PAULO FRANCIS FOI UM GÊNIO QUE VIVEU NA FAVELA DO JORNALISMO. QUIS ESCAPAR. MORREU ANTES"
"Jornalismo
Ouvi uma vez Fernando Morais dizer que quem não se interessa por Antônio Carlos Magalhães não devia ser jornalista, devia ir fazer outra coisa. Acho que esse é exatamente o problema com o jornalismo: um monte de gente que se interessa por Antônio Carlos Magalhães. Isso, e que são gentinha. Mesmo pessoas interessantes como Paulo Francis - cuja morte eu quase, quase chorei - quanto mais jornalista era, quanto mais da patota do Pasquim, mais acanalhado. Quem disse o que ele disse sobre Ruth Escobar (sim, ela mereceu) is no bloody gentleman. Vejo a vida de Paulo Francis como uma luta contra o jornalismo. Daí a sua depressão de dias, depois que seu romance não vendeu o quanto queria. Sentia a necessidade de escapar desse mundo acanalhado das redações, e suspeito que queria escapar até mesmo de alguns amigos, que entrarão para alguma espécie de história só porque tiveram a sorte de viver no mesmo bairro de um gênio. No final, se não me engano escrevendo sobre uma exposição de Matisse, Paulo Francis lamentou o tempo que tinha desperdiçado na vida, lendo e escrevendo sobre Kruschev, Jango, e outras bestas. Foi um gênio que viveu na favela do jornalismo. Quis escapar. Morreu antes. E até hoje os jornalistinhas brasileiros reclamam de seu pseudojornalismo - como se importasse se os seus textos seguiam ou não alguma espécie de cartilha infecta do que é jornalismo. Fico imaginando se um chefinho de redação o forçasse a escrever jornalismo de verdade; ah, as almas secas, cheirando a nicotina, que falam de jornalismo como se fosse uma ciência arcana. O que ele escreveu foi simplesmente as melhores linhas do jornalismo brasileiro, e se o jornalismo o renega, fica decapitado.
Mas enfim. De qualquer modo, juro que nunca fui tão feliz quanto depois que acabou a minha assinatura da Folha. Meu rosto ganhou uma distinção encantadora"
23 de julho de 2008
DE REPENTE, AS TRANCINHAS TOMAM O VÍDEO
Noticiário esportivo na TV. De repente, sem aviso prévio, uma figura se materizaliza.
Cabelo cheio de trancinhas. Brinco na orelha.
O que é aquilo ?
É Ronaldinho Gaúcho, crianças. Parem de chorar. Vão tomar um copo de água com açúcar.
O susto passa rápido.
ELES DEMORAM,MAS CHEGAM: OS TROCADILHOS NA TV!
Faça-se um bolão.
Quantas vezes a expressão "negócio da China" aparecerá em reportagens sobre aquele chatíssimo festival de disputas esportivas que assolarão os vídeos e as páginas dos jornais em agosto ?
a) 50 vezes
b) 75
c) 348
Uma cena típica: o atleta pobrinho ganha uma medalha. Uma voz melosa diz :
"trocar o chão de terra batida do interior do Nordeste pelo pódio de Pequim foi............um negócio da China"
As reticências indicam que haverá uma pausa irritante entre "foi" e "um negócio".
É assim. Sempre foi. E será.
POR QUE A HUMANIDADE É INVIÁVEL
estava zapeando quando vi, neste momento, meia-noite e meia, um cantor brega de cabelo pintado, brinco na orelha e um imenso rabo-de-cavalo cantando uma música cafoníssima em espanhol. Como se não bastasse o horror visual e auditivo, ele desabotou a camisa e exibiu o peito cabeludo, para parecer "sensual". Chama-se Elimar de Tal.
Nem faz vinte e quatro horas, eu já tinha visto Júnior, aquele irmão de Sandy, dando entrevista na platéia de um show da Família Lima. Um detalhe: ele exibia um corte de cabelo moicano.
Minhas retinas fatigadas jamais se recuperarão do duplo golpe: Elimar de Tal e Júnior de Tal. Dispenso-me de tecer maiores considerações sobre a Família Lima ( o que é aquilo, Deus do Céu ? Uma voz celestial me responde que "Família Lima" é a alcunha de um conglomerado de bípedes que guardam entre si três características básicas : são geneticamente interconectados pelos genes da chatice, usam - ou usavam - rabos-de-cavalo patéticos e vestem-se apropriadamente de luto para arrancar sons insuportáveis de violinos).
Ah, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto: eu me penitencio. A culpa foi minha. Quem mandou ficar zapeando ? Por que não usar este tempo passeando os olhos por um bom livro ? Mas, não. Preferi o risco de usar o controle remoto.
Resultado: confirmei, pela enésima vez, que a Humanidade é inviável.
17 de julho de 2008
PAULO FRANCIS, O QUE SABIA COMO ESCREVER SEM CAIR JAMAIS NA CHATICE
Ok : desde já, quero confessar ao distinto júri que sei do risco que corro ao usar a expressão “humildemente” num parágrafo que trata de Paulo Francis. As duas entidades, graças a Deus, eram incompatíveis: Francis e a humildade. Uma não se misturava com a outra. Eram como água e óleo. A referência a um lampejo de humildade em Francis deve produzir frouxos de riso em quem teve o privilégio de conhecê-lo. Mas, em nome da verdade factual, devo dizer que, sim, ao visitar a redação do Fantástico Francis teve um gesto de humildade. Ou seria gentileza ? Cravo nas duas alternativas. A imagem pública de “lobo hidrófobo” não combinava com o Paulo Francis no trato pessoal: um gentleman.
Paulo Francis tinha acabado de lançar um excelente livro memorialístico sobre o golpe de 1964, “Trinta Anos Esta Noite”. Eu tinha gravado uma longa entrevista com ele numa praça escondida nas proximidades do Jardim Botânico. Procurávamos um lugar razoavelmente silencioso para a gravação. O sucesso da busca foi parcial: crianças brincavam nas redondezas. As babás ficaram indiferentes à presença de Francis, mas pelo menos trataram de vigiar os passos de fedelhos que brincavam na praça.
Três anos depois, um ataque cardíaco fulminante matou o mais polêmico,o mais lido e o mais provocativo jornalista brasileiro, na manhã do dia quatro de fevereiro de 1997, em Nova York. Dizer que “Paulo Francis faz falta” virou um enorme lugar-comum. Mas é uma verdade puríssima: o texto de Francis faz uma falta imensa ao jornalismo brasileiro. Uma vez, ele escreveu: “Nossa imprensa: previsível, empolada, chata: como é chata, meu Deus...”. Em cem por cento dos casos, o que Francis escrevia escapava da chatice generalizada. Francis vivia reclamando de que era preciso criar no Brasil uma tradição: a de uma “prosa clara e instruída”. É o que há em outras culturas: a tradição de uma prosa clara e instruída, uma atividade que, no Brasil, tinha poucos cultores. Aqui, pensam que escrever difícil é escrever bem. Ledíssimo engano.
A contribuição que Paulo Francis deu para a criação de uma prosa jornalística “clara e instruída” ainda não foi devidamente avaliada. Onde é que estão os acadêmicos – que não tratam de demonstrar “cientificamente” esta herança ? É uma tarefa facílima. Ninguém precisava concordar com uma vírgula do que ele dizia. O importante é como ele dizia.
Livros como “O Afeto Que se Encerra” e “Trinta Anos Esta Noite” deveriam ser leitura obrigatória nas escolas de jornalismo – pela clareza cristalina, pela fluência absoluta, pelo ritmo agradabilíssimo do texto. É o que vale.
O nome de Francis voltou às páginas neste ano da graça de 2008 com o lançamento de um romance inédito que ele deixou, “Carne Viva”. É um presente para os fãs do auto-declarado “lobo hidrófobo” ( Uma vez, perguntei a ele como é que ele – que, quando criança, alegadamente exibia um ar de cão hidrófobo – se definiria na maturidade. Francis respondeu: “Que tal lobo hidrófobo” ? )
Publicado pelo selo Francis da Editora Landscape, este bem-vindo sinal de vida de Paulo Francis acaba de chegar às boas casas do ramo. Resenhistas já notaram que, quando personagens do romance abrem a boca para falar do estado geral das coisas, parece que é o próprio Francis quem fala. A “confusão” poderia parecer um defeito do romance. Mas eu diria que é uma virtude. Ainda bem que é possível ler de novo o que parece ser a voz de Francis. Há trechos do livro que – felizmente – parecem tirados da coluna fantástica que Francis publicou durante anos e anos na imprensa.
Trechos de “Carne Viva” :
“Em que mundo vive essa gente ? Numa fantasia de fraternidade, que se fosse levada a sério voltaríamos todos à lavoura, ao arado, à carroça de bois. Cobiça é o que faz o mundo girar. Quando a cobiça é saciada, e nunca o é completamente, pessoas como Sua Exa. E your obedient servant investem em empregos, filantropia e arte”
“Tinha ido a algumas noites de autógrafos de personalidades que Temístocles queria agradar,como políticos, autores de memórias, e ficava na fila conversando e, discretamente, namorando, se valesse a pena. Perguntou a um diplomata e escritor, Gilberto Amado, se um livro, pelo qual estavam esperando o jamegão do autor, iria vender. Ele sorriu e disse que “venderia o que vender aqui”, uns quase duzentos exemplares. O resto seria dado”.
“Chega de falar mal do Brasil. Não há países, nações. Há ambientes, pessoas, a maneira que nos conduzimos com nossos amigos, parentes e relações. Se formos uma pessoa de bem, e só o bem é radical, como escreveu Hannah Arendt, não há por que não levar uma vida boa, enquanto tivermos saúde e não deixarmos que nossa vontade seja violada ou espatifada”.
16 de julho de 2008
JOVEM, ALISTE-SE NA GRANDE GUERRA CONTRA O NADO SINCRONIZADO!
Devo dizer que discordo.
O ataque não esteve à altura da enormidade do horror que é o nado sincronizado, uma modalidade esportiva incrivelmente admitida nos jogos olímpicos.
Se houvesse justiça no planeta, não apenas os praticantes mas, especialmente, os espectadores do nado sincronizado deveriam ser objeto de asco, pena e desprezo perpétuos por parte de todos os viventes.
O aviso fica dado: todos alertas! As Olimpíadas vêm aí! Protejam as crianças! Cuidado com o nado sincronizado : não deixem que elas sejam surpreendidas pelo espetáculo dantesco daqueles pezinhos se movendo ridiculamente na superfície da água!
12 de julho de 2008
SOCORRO ! OS PEZINHOS DO NADO SINCRONIZADO VÊM AÍ!
Motivo: as Olimpíadas vêm aí. Com elas, duas desgraças que assolam nossos olhos e ouvidos de quatro em quatro anos: o festival de subliteratura que jorra dos vídeos e dos páginas em reportagens sobre "superação". Haja textinho pauperriminho descrevendo a saguinha de menininho pobrinho que andava cinquentinha quilômetros para treinar para a maratona. Como diria Jaqueline Kennedy ao recolher os miolos do marido estilhaçados pelas balas de Lee Oswald em Dallas: "Oh, no!".
O mais assustador : o espetáculo do nado sincronizado. Ah, Nossa Senhora do Espanho: o que é que faz seres bípedes, mamíferos, supostamente cerebrados, ficarem de cabeça para baixo dentro de uma piscina enquanto movem os pés sincronicamente diante dos olhos atônitos do planeta ?
Se crianças inocentes e desprevenidas pousarem os olhos na TV justamente neste momento, o que é que pensarão sobre a espécie humana ? Por que fazê-las carregar , pelo resto de seus dias, traumas de que jamais se livrarão ? Quantos mil reais os pais terão de gastar, depois, com psicólogos que serão convocados para a vã tarefa de trazê-las de volta à sanidade ? O prejuízo, para os cofres privados e também para os públicos, é "inestimável".
Os riscos a que se expõem os espectadores das competições de nado sincronizado são,portanto, gravíssimos.
Prefiro um bom filme do velho e infalível Fred Kruger.
É mais divertido.
E menos assustador.
Pior do que assistir a um espetáculo de nado sincronizado, só há uma cena : ver um jornalista pontificando sobre o que é que interessa e o que é que não interessa ao distinto público.
É triste mas é de matar de rir.
Eu mesmo dou dez voltas na tumba, a cada vez que testemunho uma cena dessas.
A vida pode ser engraçada. Quem disse que não ?
10 de julho de 2008
PERGUNTAS, CONSIDERAÇÕES E APELOS NUM DIA DE SOL MORNO
2. Pode existir, sob o sol do Brasil, assunto mais chato do que essas discussões infindáveis sobre se Capitu traiu ou não traiu Bentinho ? Não pode. "Se vivo estivesse", Machado de Assis certamente exalaria um suspiro de tédio diante dessas contendas inúteis. Aliás, por que diabos chamam Machado de Assis de "Bruxo" ? Isso é coisa de jornalista desocupado ( ou um deslize de Carlos Drummond, autor de um poema em que recorre ao título maldito ao falar de Machado de Assis)
A esse respeito, louve-se a atitude de Augusto Nunes: não faz tempo, ele notou, no Jornal do Brasil, que jamais, em tempo algum, os moradores dos estados banhados pelo São Francisco chamaram o rio de "Velho Chico". Mas é inevitável: o rio será sempre chamado de "Velho Chico" naquelas reportagens em geral publicadas nas chatíssimas edições dominicais dos nossos jornalões. Alguém já imaginou um morador "ribeirinho" dizendo: "Vou ali tomar um banho no Velho Chico. Volto já! ". Não. É inimaginável.
"Velho Chico" ? "Bruxo do Cosme Velho" ? Trocadilhinhos na TV ? Ah, não.
Rendo-me de uma vez por todas à crença de que não há remédio para a humanidade.
Primeiro, eu desconfiava. Olhava de soslaio para a espécie humana e ruminava: "São todos patéticos - inclusive eu, é claro".
Hoje, a desconfiança evoluiu para uma certeza pétrea, irremovível, irrevogável: tudo não passa de um circo sem sentido, somos todos ridiculamente patéticos, chamamos Machado de Assis de "Bruxo do Cosme Velho" e o Rio São Francisco de "Velho Chico" - e fica o dito pelo não dito. Nenhum raio cai sobre nossa cabeça, nenhuma bomba de hidrogêneo desaba sobre nossas carcaças para animar a festa.
É assim. Sempre foi. Mas, como contrapeso a esse infindável somatório de equívocos, fica o registro de que Luiza Brunet, com todo respeito, continua bonita. E gostosa.
4 de julho de 2008
PELO AMOR DE DEUS, "UM ÓCULOS" NÃO!
Aos forasteiros, diga-se, aliás, que o Rio de Janeiro é a única cidade do mundo em que se roubam óculos de estátuas....
Quando começa a comentar o ocorrido, a âncora da emissora de rádio fala de "um óculos". Depois, repete a barbaridade duas, três, quatro vezes: "Um óculos....".
Deus do céu: fico pensando que profissão é esta, o Jornalismo, em que um ser humano passa quatro anos na faculdade e sai pelo planeta dizendo "um óculos".
Lástima: gente que não sabe diferenciar um plural de um singular acha-se perfeitamente preparada para transmitir a nós, ouvintes otários, as notícias do mundo.
Comigo não, violão.
Desligo o rádio.
Passo a relinchar alegremente. O ruído do relincho faz menos mal aos ouvidos do que alguém dizendo "um óculos".
Gente que não deve nada à língua, como cantores de pagode, zagueiros centrais,
celebridades que posam para a Caras, pode até dizer "um óculos" impunemente.
E certamente diz, satisfeita com a própria ignorância.
Mas jornalista que fala - e escreve - para o público não pode cometer tais barbaridades.
É simples assim: não pode. Porque a língua é o instrumento de trabalho de quem escreve. Não pode nem deve ser pisoteada publicamente por quem, em tese, teria a obrigação de zelar por ela.
O rádio continuará desligado.
13 de junho de 2008
QUANDO? ONTEM

“Tenho a forte sensação de estar condenado ao estágio subseqüente do inferno, pelo impedimento de retirar livros da biblioteca. Inimaginável: anteontem, no dia 10 de junho de 42, iniciou-se uma nova fase, ainda pior. Muita coisa ainda está obscura pela inquietação, pela preocupação com o andar de baixo, pelos montes de louça para lavar, o dia passa rápido. Porém, quando a rotina se normalizar, como preencher o vazio? Por enquanto, estamos sob constante tensão. Tudo é escondido o mais depressa possível, depois de ser usado – realmente tudo, baralho de paciência, canetas, envelopes, qualquer migalha de comida – e tudo é procurado arduamente em seguida. Antes de encher o cachimbo, olho pela janela se há algo suspeito. Nenhum animal pode ser tão ameaçado, estar tão apavorado.”
Victor Klemperer, Diários 1933-1945
12 de junho de 2008
DAS COISAS MENOS IMPORTANTES DA VIDA, O FUTEBOL É A MAIS IMPORTANTE. VIVA O SPORT CLUBE DO RECIFE !
Sou tentado a concordar com os que dizem que há qualquer coisa de infância-não-superada na paixão pelo futebol. Concordo. Idem com quem disse que, das coisas menos importantes da vida, o futebol é a mais importante.
Feitas estas declarações de princípios, lanço aos céus um pequeno apelo:
calai-vos, flamenguistas, corinthianos, vascaínos, palmeirenses, santistas, sampaulinos,botafoguenses, tricolores, atleticanos, cruzeirenses, colorados, gremistas e demais devotos de religiões nascidas fora dos limites da Ilha do Retiro. Nem que seja por um dia, calai-vos em silêncio reverente, porque o Sport Club do Recife será, para sempre, campeão do Brasil de 2008.
QUANDO? ONTEM
5 de junho de 2008
DUAS SUPER-ENTREVISTAS : COM O HOMEM QUE SOLTOU A BOMBA ATÔMICA E COM O MÉDICO QUE MATA!
O HOMEM QUE SOLTOU A BOMBA ATÔMICA EM HIROSHIMA:
http://www.geneton.com.br/archives/000277.html
O MÉDICO QUE AJUDA OS PACIENTES A MORRER:
http://www.geneton.com.br/archives/000278.html
NELSON RODRIGUES REVISITADO
O Parmeira perdeu – não foi o Sport que ganhou.
O São Paulo Fashion Week (weak?) perdeu – não foi o Tricolor que venceu.
Fiquem, pois, à vontade: juntem-se aos cronistas do Clarín. (Ver post abaixo.)
Em tempo: a expressão "São Paulo Fashion Week" foi usada aqui com permissão. Seu criador é o jornalista Leandro Augusto Silveira.
... Y DEBIÓ GANAR
4 de junho de 2008
IH, TÁ MÓ CRÁUDI !
3 de junho de 2008
UMA AULA DE JORNALISMO. O PROFESSOR É O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE
Passo por este endereço tamancal para recomendar a leitura de uma entrevista que este locutor fez com o super-repórter Carl Bernstein, aquele que investigou a fundo o Escândalo de Watergate. A investigação, como se sabe, resultou na renúncia do então presidente americano, Richard Nixon.
Aqui:
http://www.geneton.com.br/archives/000275.html
A íntegra da entrevista foi publicada no livro "Dossiê História", à venda nas melhores casas do ramo.
Boa noite.
LAMENTO

"Tenho horror aos fotógrafos de jornal. Dois deles literalmente me atacaram um dia em que eu passeava na estrada nas proximidades de El Paular. Saltitando em torno de mim, não paravam de me fotografar, apesar de meu desejo de ficar só. Já estava muito velho para corrigi-los. Lamentei não estar armado."
24 de maio de 2008
... AD LOCUM TUUM

23 de maio de 2008
22 de maio de 2008
21 de maio de 2008
“O BEHAVIORISMO FUNCIONA -- A TORTURA TAMBÉM.”
WYSTAN H.
- O senhor conheceu algum louco?
- Claro. Conheci pessoas que perderam o juízo. Todos nós conhecemos. Pessoas que vão para o hospício e saem. Conheci várias pessoas maníaco-depressivas. Muitas vezes pensei no bem que poderia ser feito a elas se organizassem uma sociedade de maníaco-depressivos anônimos. Eles poderiam se reunir e fazer algum bem uns aos outros.
- Não acho que iria funcionar.
- Bem, todos têm seus altos e baixos!
(W. H. Auden, em entrevista a Michael Newman. In: Os Escritores 2: as entrevistas históricas da Paris Review. Companhia das Letras, 1989)
13 de maio de 2008
ENGAJADO

10 de maio de 2008
QUARENTA ANOS ESTA NOITE

O ABENÇOADO

“O que pode ser pior que o fato de que seres humanos sejam declarados inimigos e condenados à morte, não por más ações ou delitos, mas porque são espíritos livres e que o patíbulo, espantalho para os maus, se converta no mais formoso teatro para dar o exemplo mais sublime de estoicismo e virtude?”
***
(Baruch Spinoza)
ROSÁRIO DE... CITAÇÕES

Traste filosófico,
escritor obscurantista,
diabo néscio, monstro atroz,
idiota obcecado, fedelho miserável,
animal alienígena, homem louco e bêbado,
demente que merece ser internado em um manicômio,
salteador de estrada e assassino do bom senso e da ciência.
(De injúrias também se faz a glória de quem vive para a verdade.)
9 de maio de 2008
UM TAKE, UM TAPA

7 de maio de 2008
QUARENTA ANOS ESTE MÊS

6 de maio de 2008
POLÊMICO VELHO DE GUERRA
27 de abril de 2008
A MAIOR COLEÇÃO DE ENTREVISTAS DA INTERNET BRASILEIRA ! ( OK: PODE SER EXAGERO, MAS VALE UMA VISITA...)
http://www.geneton.com.br
6 de março de 2008
Vir para Lisboa pela Espanha? Chuta que é macumba!
Matéria do Jornal Nacional diz que dois estudantes brasileiros de mestrado que seguiam para Lisboa foram detidos na Espanha, onde fizeram escala. Não dá para saber pela matéria qual foi o caso. A opinião dos pais e do representante da universidade onde ambos estão matriculados falam em preconceito. Pode ser, claro. Certeza mesmo, ninguém vai saber. A não ser que os responsáveis pela detenção, acometidos de uma profunda dor moral, comecem a gritar como um personagem de Nelson Rodrigues: "Sou um preconceituoso! Um grande pecador! Um grande pecador, ouviram bem?" Mas isso, claro, não vai acontecer.
Funcionários de governo que trabalham em embaixadas, setores de imigração ou quaisquer departamentos correlatos são gente, digamos, especiais. Agem ao sabor do humor do dia. Ou da hora. Ou do café que esfriou. São previsíveis em suas imprevisibilidades.
Conheço vários estudantes brasileiros que fizeram escala na Espanha antes de chegar aqui em Lisboa. Tudo certo, tudo normal. O máximo que um deles sofreu de abuso foi aturar o vizinho de cadeira cantarolando uma música do Julio Iglesias, o que me lembra a resposta do Francis quando perguntado se havia sido torturado durante a ditadura militar: "sim, o carcereiro ouvia Wanderléa o dia inteiro".
EXTRA! EXTRA! Novo romance de Paulo Francis!
Quando li pela primeira vez os romances de Paulo Francis fiquei angustiado. Angústia provocada pelo turbilhão de salitre e breu (copyright William Blake) que jorrava do Cabeça de papel e Cabeça de negro. Os dois volumes foram todos rabiscados. Muitas vezes tinha que voltar páginas para entender personagens que entravam e saíam sem qualquer explicação, aceno, bye, bye, so long, farewell.
Deixei os livros dormindo alguns anos na estante. Ainda ficava incomodado por não ter conseguido entrar nos romances. E só se insiste dessa forma, antes de considerar o escritor uma besta sem talento, se se pensar que há algo de valor escondido pela linguagem alucinada e inside joke de uma época que não a sua. O que fiz? Abria os livros em qualquer página e lia o parágrafo no qual a vista primeiro focalizava. O parágrafo levava a outro e lá ia Garschagen atravessando mais páginas do que deveria. “Do que deveria” porque a idéia era ler os romances de forma fragmentada, como extratos do Diário da Corte. Deu certo, comigo.
Leio hoje na Folha (assinante) sobre o lançamento do romance que Francis deixou escrito. Se for como os outros, lerei o livro inteiro para depois aproveitá-lo em doses homeopáticas. Ter Francis, o precursor dos blogues de qualidade, em evidência é sempre bom, sempre civiliza.
O livro-confusão de Francis
Chega às livrarias “Carne Viva”, romance inédito de Paulo Francis que teve sua publicação adiada por mais de dez anos e sofreu modificações
Paulo Francis na redação da Folha, em 1982; livro inédito “Carne Viva’ chega às livrarias no próximo dia 15, com mudanças feitas nos originais deixados pelo autor
MARCOS STRECKER
DA REPORTAGEM LOCALWaaal… Demorou dez anos, mas finalmente ficou pronto. Chega às livrarias no próximo dia 15 o aguardado romance inédito de Paulo Francis (1930-1997), prometido há mais de uma década e que fecharia o ciclo iniciado com “Cabeça de Papel” e “Cabeça de Negro”. Antes mesmo da sua publicação, “Carne Viva” já tem uma longa história. A começar pelo título, que originalmente seria “Jogando Cantos Felizes”.
"Quem quer democracia? Na minha é R$ 20, só R$ 20!"
É assim que governos democráticos resolvem questões diplomáticas:
06/03/2008 - 08h28da Folha OnlineO presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a crise diplomática com a Colômbia pode afetar o comércio bilateral e insinuou que poderia nacionalizar empresas colombianas no país.
“Vamos fazer o mapa das empresas colombianas na Venezuela. Poderíamos nacionalizá-las (…) e as que temos lá na Colômbia teremos de vendê-las”, disse.
“Tudo o que pudemos alcançar, chegamos a US$ 6 bilhões de intercâmbio comercial, veio abaixo”, afirmou em entrevista coletiva após uma reunião com o presidente equatoriano, Rafael Correa.
Chávez disse que a Venezuela prepara medidas para evitar que a crise diplomática, provocada pela operação de tropas colombianas no Equador para atacar as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), afete as economias de Caracas e Quito.
“Façamos um convênio comercial porque não podemos depender nem de um grão de arroz da Colômbia”, propôs Chávez a Correa, que chegou a Caracas na noite desta quarta-feira, na terceira etapa de uma viagem por vários países latino-americanos para buscar apoio.
29 de fevereiro de 2008
Quando nos falta a piada falta tudo
Daí já era, digamos, difícil ler sobre a política de Terras de Vera Cruz. Do outro lado do Atlântico a coisa fica um tanto quanto nonsense, se é que vocês me entendem. E nem é a sensação que achei que fosse sentir: de que o país não existe. É de saber que existe e tem um presidente dessa envergadura e circunferência, se é que vocês me entendem.
Um dos graves sintomas de que algo não anda nada bem em Terras de Vera Cruz é que a política deixou de ser motivo para piada. Saímos da realidade eminentemente brasileira para adentrarmos numa desolação tão profunda quanto trágica.
A piada, mesmo nos piores momentos do país, nos serve como termômetro. Se falta a piada é porque está faltando algo maior e mais importante. O Brasil, também, pode acabar, não com uma explosão, mas com um lamento (copyright T. S. Eliot).
25 de fevereiro de 2008
CONGRESSO INTERGALÁCTICO
Então, pensando na futura instalação de uma Assembléia Legislativa em Urano, um grupo de congressistas apoiaria todas as iniciativas acima, contanto que Júpiter passasse imediatamente à categoria de sol.
(Mais, aqui)
NOJO
(Mais, aqui)
14 de fevereiro de 2008
CONFISSÕES DE UM REPÓRTER BARBUDO
(Mais, aqui)
CONFISSÕES DE UM DESOCUPADO GLABRO
— Afe, César! Que aqueduto grande você tem!
(Mais, aqui)
13 de fevereiro de 2008
ALPINISTAS
(Mais, aqui)
TELEVISÃO
— Voltaire? Digo, vou teire que pensar um pouco... Essa peruca, esse bastão, esse nariz... Não, não, nunca vi mais nobre.
— O senhor pensava ontem à noite, entre as 20 e 22 horas?
— Ih, nada. Tenho evitado. A última vez que eu pensei deu uma dor de cabeça dos diabos. Troquei pela televisão.
(Mais, aqui)
PROBLEMA DE CLASSE
"Uma boa amiga me diz que classe-média nada tem a ver com dinheiro ou falta dele. É um estado de espírito. É aquela coisa de comprar o mesmo carro, de ter o mesmo cachorro, de comer nos mesmos restaurantes e de ver os mesmos filmes e sobre eles falar a mesma coisa. Não discordo. É uma das facetas, sim. Mas, ainda, vale a pergunta: por que tanto ódio à classe-média?"
(Mais, aqui)
12 de fevereiro de 2008
MÁRIO DE ANDRADE
(Mais, aqui)
UMA THURMAN
— Uma noite de sexo selvagem com a Uma Thurman e duas caixas de bourbon. E não se fala mais nisso.
(Mais, aqui)
11 de fevereiro de 2008
CONTÍCULO RUSSO
O interesse por Katuska, este era o apelido dela, causou escândalo. Mas como pode? Um nobre?! Katuska era filha de Vanka e Vania, antigos moradores na propriedade de Ivanovitch. Os pais, naturalmente, temeram as intenções do senhor. A mãe iniciou rezas por Santa Anastácia. Mas o senhor Ivanovitch, de fato tomado pela alma de um sátiro, quisera revestir sua licenciosidade das mais puras e castas formalidades, ocultando com palavras e ações suas reais pretensões."
(Mais, aqui)
CPI
— Ah, não? Toma de novo! E essa, e mais essa. E então, refrescou a memória agora?
— Ai! Mas o que você tá fazendo? Quem são vocês, afinal?
— CPI.
— Ué? Mas eu nem sou filiado ao PT!
— CPI. Central de Patrulhamento Ideológico, canalha! Toma, toma!
— Ai! Isso dói. Cadê os meus direitos?
— Os seus direitos tão por aqui. Mas se continuar negando, vai perder os dois: o pé e a mão. Vai falar ou não vai, engraçadinho?
— Tudo bem, eu confesso: eu queria comprar aquela calcinha de renda.
(Mais, aqui)
CLARICE LISPECTOR
(Mais, aqui)
VARGAS
(Mais, aqui)
8 de fevereiro de 2008
O FUTURO DO BRASIL EM NOSSAS PATAS
(Mais, aqui)
MORAES NETO, FRANCIS E A SOCIAL-DEMOCRACIA
Francis - Certamente. A social-democracia é imperfeita - sem dúvida- mas é a coisa mais justa que há.Porque garante o mínimo necessário a quem não pode lutar pela sobrevivência e, ao mesmo tempo, permite que quem pode se expanda sem ditadura sem nada.Veja os países mais avançados do mundo : são os escandinavos. A própria Alemanha é uma social-democracia,a França ... E os Estados Unidos são uma social democracia - desorganizada,mas,se você falar assim nos Estados Unidos,eles acham que você é comunista.O que tem de auxílio às pessoas necessitadas é igual a qualquer social-democracia européia."
(Mais, aqui)
7 de fevereiro de 2008
HITLER
(Mais, aqui)
CENTRO
Ao contrário dos torneios medievais, no entanto, a vida não é justa. E os credores, seres sem coração, levam tudo ao pé da letra de câmbio. De maneira que tive de me mudar recentemente para Santa Cecília, localidade perto do centro. Pelo menos é o que me dizem, e eu, cujo senso de localização se assemelha ao de um hebreu no deserto, acredito. Deve se situar, ao menos, ali pelo segundo ou terceiro círculo.
(Mais, aqui)
NHONHONGA
— A Marly, ela...
— Quer um filho? Toca a bola, toca a bola!
— Que nada! Você não vai acreditar.
— Te traiu?
— Pior. Muito pior. Chuta! Pra fora... A Marly... A Marly me chamou de “Nhonhonga”, cara. Pronto, disse.
— Nononga?
— Antes fosse! “Nhonhonga” mesmo. Com “h” e tudo.
— Peraí, bicho, tu tá me dizendo que separou porque a Marly te colocou um apelido? Ih, lá vem o contra-ataque!
— Desarmou. Apelido? “Nhonhonga”? Isso é apelido que se me apresente? Se ainda fosse “Xurungo” ou “Pitoca”... “Nhonhonga” não dá! Não tem volta.
(Mais, aqui)
SINDICATO
— Infelizmente.
— Senhor Adroaldo, nós estamos com sua sogra, sua mulher e seus três filhos. Isso aqui é um seqüestro, tá me entendendo?
— Que absurdo! Deve tá havendo algum engano.
— Como assim? O senhor não tem mulher e filhos?
— Ter, tenho. Mas eu já fui seqüestrado semana passada, companheiro. Duas semanas atrás, foi a minha mãe. Isso já é abuso. Vou ligar pro sindicato de vocês!
(Mais, aqui)
28 de janeiro de 2008
DA GÁVEA
23 de janeiro de 2008
18 de janeiro de 2008
CINEMA NACIONAL
"TALVEZ A MÚSICA POPULAR SEJA UMA ARTE DE JUVENTUDE"
COMUNICAÇÃO
— Sei. Teatro, poesia, literatura...
— Não. Português, espanhol e enxacoco.
GERUNDISMO
VÁ AO TEATRO. MAS NÃO ME CHAME
17 de janeiro de 2008
COMUNISMO
— A ausência completa de Estado?
— Não. A volta ao capitalismo.
MORAES NETO ENTREVISTA SARAMAGO
"Se eu vasculhasse minhas florestas interiores em busca de uma explicação razoável para esta pequena obsessão,certamente voltaria da expedição de mãos vazias. Não encontro nenhuma justificativa para o desejo de entrevistar um Nobel ,além da óbvia curiosidade jornalística. Quem sabe, o que me movia era a curiosidade de ouvir a palavra desse espécime raro : um intelectual milionário.Afinal,a conta bancária dos felizardos agraciados pelo Prêmio Nobel recebe uma injeção substancial – algo em torno de um milhão de dólares.Mas este é um motivo inconfessável, além de tolo : não há notícia de nenhum Nobel de Literatura que,depois embolsar a grana, tenha de repente se transformado num desses novos- ricos semi-analfabetos que povoam as páginas de revistas como a Caras com seus sorrisos de mil dentes,pele bronzeada pelo ócio da Côte D’Azur e prataria cuidadosamente exposta na sala de estar para as lentes dos fotógrafos. É gente que juraria de pés juntos que Ezra Pound é nome de creme de beleza. Para felicidade geral da Literatura,a Academia Sueca não provocou,até agora,nenhuma transmutação dessa espécie."
(Mais, aqui)
OTIMISMO
— Como?
— Já pensou se o Brasil tem um sistema de leis consuetudinário?
15 de janeiro de 2008
COMO RECEBER UM LIVRO EM CASA ( OU NA RUA OU NO CARRO OU NO ÔNIBUS) EM APENAS SESSENTA SEGUNDOS !
Diante deste egrégio tribunal, confesso minha ignorância. Eu não sabia que tal aparelho já existia. Mas existe! Não precisa ser conectado a computador. Não usa fio. Não precisa de provedor de Internet. O proprietário não precisa ficar pagando assinatura mensal. O nome da traquitana é Kindle. É uma invenção da Amazon. Noventa mil títulos já estão disponíveis. O preço de cada título: 9,99 dólares, em média. Além de receber livros em sessenta segundos, quem tiver um kindle pode acessar, também, os principais jornais americanos, franceses e alemães. New York Times, por exemplo. Ou Washington Post.
Lançado pela Amazon, o aparelho já se esgotou. Leitores aguardam na lista de espera.
Os incréus podem acessar, aqui, um vídeo que mostra como esta aparente maravilha funciona. Eu não sabia que esta traquitana existia:
http://www.amazon.com/gp/product/B000FI73MA/ref=kinw_clar_clar_1
Podem espalhar.
Qual será a grande novidade da semana que vem ?
"ASSOCIAMOS A FELICIDADE A UMA ALEGRIA QUE É ESTETICAMENTE ULTRAJANTE"
"Vale a pergunta à la Oprah Winfrey (até porque dissociar a literatura da vida é uma demonstração de arrogância a que não me proponho): será que também recusamos a felicidade mais óbvia justamente porque a consideramos esteticamente pobre? Alguém já disse que não há nada mais elegante do que um homem triste. Associamos, ainda, a felicidade a uma alegria que é esteticamente ultrajante: sempre exagerada, colorida demais, a ponto de parecer agressiva. Será que a felicidade real e possível é de fato algo que rejeitamos instintivamente, porque a associamos a algo menor?"
http://www.polzonoff.com.br/uma-obra-prima-em-papel-e-em-imagens.htm#more-1026
HÁ ALGO DE TERRIVELMENTE ERRADO COM QUEM GOSTA DE CITAR FOUCAULT, DERRIDA, BARTHES & CIA LTDA
"Solenemente digo que há algo errado com o gosto de alguém que cita Foucault, Derrida, Barthes, Kristeva etc muito empolgado. Não é só a razão dele que está escangalhada, é o gosto.
E que há algo errado com o gosto de qualquer um que tenha se interessado por comunismo por mais do que três anos. E com a alma também"
aqui:
http://soaressilva.wunderblogs.com/






