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— O planeta tá todo de cabeça pra baixo. É furacão, ciclone, tsunami, calor fora de hora, jornais sem erros de português... Tudo errado. Como é que a gente vai colocar um menino no mundo assim?
— Antes de mais nada, Geraldo, não sei se você está inteirado sobre os recentes avanços da ciência, mas pra ter filho é preciso fazer sexo. Coisa que não anda muito freqüente aqui em casa desde que você se pôs a meditar sobre o futuro da humanidade. O que é um contra-senso, porque se todo mundo se pusesse a meditar sobre o futuro da humanidade como você, a humanidade simplesmente não teria futuro. Quando menos, por absoluta falta de esperma.
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(Texto completo, aqui)
30 de setembro de 2007
PERDENDO A VIRGINDADE
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Quando soltei o último suspiro, minha parceira, romântica, me disse mais uma frase amorosa:
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— Trinta paus.
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Passei o dinheiro a ela, que o recebeu carinhosamente, cuspindo de lado e coçando um furúnculo que tinha na virilha, e desci as escadas para o térreo. Orgulhoso.
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Tinha finalmente enfrentado o rito de passagem para a idade adulta, estava apto a encarar novos desafios e a aceitar novas responsabilidades. A principal das quais seria coçar minhas partes pudendas desesperadamente, a ponto de arrancar cada fio de pentelho e esticar o saco até o pescoço, pois fiquei com uma comichão nas partes baixas que durou semanas e só passou quando me aplicaram inúmeras e traumáticas injeções de Benzetacil.
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(Texto completo, aqui)
Quando soltei o último suspiro, minha parceira, romântica, me disse mais uma frase amorosa:
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— Trinta paus.
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Passei o dinheiro a ela, que o recebeu carinhosamente, cuspindo de lado e coçando um furúnculo que tinha na virilha, e desci as escadas para o térreo. Orgulhoso.
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Tinha finalmente enfrentado o rito de passagem para a idade adulta, estava apto a encarar novos desafios e a aceitar novas responsabilidades. A principal das quais seria coçar minhas partes pudendas desesperadamente, a ponto de arrancar cada fio de pentelho e esticar o saco até o pescoço, pois fiquei com uma comichão nas partes baixas que durou semanas e só passou quando me aplicaram inúmeras e traumáticas injeções de Benzetacil.
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(Texto completo, aqui)
SUTRAS DO CONDÔMINO IOGUE
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— Mestre, como faço para evitar ser arrastado ao fundo do poço?
— Confira se o elevador está no andar, meu filho.
— Mestre, como faço para evitar ser arrastado ao fundo do poço?
— Confira se o elevador está no andar, meu filho.
TONI MARQUES, O ZELOSO
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(Direito de resposta concedido ao Sr. Marconi Leal pelo Exmo. Sr. Juiz da Primeira Vara de Pau Grande, o Sr. Dr. Pinto Longuino, de acordo com a Lei 25cm/2007)
.
Diz o vulgo, apreciador de termos chulos, que a inveja é uma merda. Quanto a mim, não gosto de turpilóquios. O máximo que me permito em termos de pornofonia é falar César Maia três vezes e, ainda assim, em voz baixa, quando estou sozinho. Em suma, acho palavrão coisa de veado ou filho da puta escroto.
No entanto, não poderia me furtar de vir a público neste momento para dizer que a inveja é muito pior do que merda, senhores. Afinal, como todos sabem e o Gerald Thomas está aí para provar, merda não sabe escrever. Porém, movida por perfídias, infâmias, mentiras e diversos outros pleonasmos que uma consulta a um dicionário de sinônimos e termos afins poderia ajudar a listar aqui, a inveja é capaz de publicar vergonhosas inverdades, belazes blasfêmias e outras aliterações de igual poder destrutivo e semelhante gosto duvidoso.
Não me refiro a outra coisa senão ao post insidioso que o sr. Toni Marques escreveu ontem, no claro e proditor intuito de alvejar minha honra.
Ora, antes de mais nada, quero deixar bem claro que, conhecendo o preconceito dos cariocas contra paraíbas, mormente os baianos vindos de São Paulo e nascidos no Recife, e sabendo que visitaria o Leblon na noite da terça-feira última, me travesti de Carmem Miranda sim, mas com a evidente intenção de usar dos costumes locais, na vã tentativa de passar por um nativo. Já dizia o filósofo setecentista Vincent Matheus: “Em Roma, como os romenos”.
O que o sr. Toni Marques não diz, no entanto, é do ciúme doentio que nutre por Geneton Moraes Neto e da vida nababesca, de orgias e despudores, que leva na antiga capital da República.
Para começo de conversa, assim que entrei na Vênus Platinada ao lado do Mito, o sr. Toni Marques, doravante cognominado “o Zeloso”, parou imediatamente de dar tapinhas nas bundas das estagiárias (eis que o impudico, com a vida mansa que os anos de especulação da era Collor e um caso passageiro com Zélia Cardoso de Mello lhe proporcionaram, não precisando trabalhar, diverte-se o dia inteiro a assediar as aspirantes a jornalistas globais) e me lançou olhares rancorosos. Ficou tão tenso ao me ver em companhia de Geneton Moraes Neto que, ao ser apresentado a mim, cometeu um ato falho. Em vez do nome, disse:
— Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia. Prazer.
A devoção do sr. Toni Marques ao Mito é tal que chegou ao cúmulo de doar os próprios cabelos a ele. Sim, senhores, creiam-me: a barba de Geneton Moraes Neto nada mais é do que um implante dos pêlos da cabeça do Zeloso.
Isso, quanto ao ciúme. No que tange à vida nababesca de outstanding representante de nossa elite irresponsável, basta dizer que o sr. Toni Marques, em cujo coche particular fomos ao já alhures citado Alvaro’s, mantém a sua disposição vassalos de libré e perucas importadas de Versalhes — segundo consta, o preço das mesmas são de fazer um rei perder a cabeça. Ele próprio cultiva um bigodinho à Luís XIV e usa anéis de ouro em tal profusão que fariam a alíquota do quinto parecer a da CPMF.
Na famosa noite em que fomos ao Alvaro’s, vestido de seda marroquina dos pés à cabeça e acendendo cigarros búlgaros em notas de euro, enquanto chupitava seu absinto com um torrão de açúcar derretido por uma pedra de gelo sobre uma colher perfurada, fazia de um dos escravos supedâneo e distribuía, entre um gole e outro, jatos de urina pelos pés dos garçons.
Dono de uma erudição maior que a de Paulo Francis ou, se quiserem, de um Paulo Francis que checasse as citações antes de publicá-las, o sr. Toni Marques passou a noite inteira declamando Baudelaire, Blake, Pushkin e Lorca, de memória e no original, estendendo o copo para o alto, com o olhar perdido no infinito, voz de barítono e coçando o saco com a mão livre, posto que seu hedonismo o fez contrair chatos de tal envergadura como só se vira antes na Idade da Pedra.
Minto mais, digo, muito mais ainda poderia declarar sobre a nefasta figura do sr. Toni Marques. Mas me calo por respeito. Por isso e também porque ele me deu uma grana, além de informações privilegiadas sobre a Bolsa.
Caso duvidem da minha versão, perguntem ao Mito. E ele próprio, imácula temunha ocular da história que é, poderá confirmá-la.
(Direito de resposta concedido ao Sr. Marconi Leal pelo Exmo. Sr. Juiz da Primeira Vara de Pau Grande, o Sr. Dr. Pinto Longuino, de acordo com a Lei 25cm/2007)
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Diz o vulgo, apreciador de termos chulos, que a inveja é uma merda. Quanto a mim, não gosto de turpilóquios. O máximo que me permito em termos de pornofonia é falar César Maia três vezes e, ainda assim, em voz baixa, quando estou sozinho. Em suma, acho palavrão coisa de veado ou filho da puta escroto.
No entanto, não poderia me furtar de vir a público neste momento para dizer que a inveja é muito pior do que merda, senhores. Afinal, como todos sabem e o Gerald Thomas está aí para provar, merda não sabe escrever. Porém, movida por perfídias, infâmias, mentiras e diversos outros pleonasmos que uma consulta a um dicionário de sinônimos e termos afins poderia ajudar a listar aqui, a inveja é capaz de publicar vergonhosas inverdades, belazes blasfêmias e outras aliterações de igual poder destrutivo e semelhante gosto duvidoso.
Não me refiro a outra coisa senão ao post insidioso que o sr. Toni Marques escreveu ontem, no claro e proditor intuito de alvejar minha honra.
Ora, antes de mais nada, quero deixar bem claro que, conhecendo o preconceito dos cariocas contra paraíbas, mormente os baianos vindos de São Paulo e nascidos no Recife, e sabendo que visitaria o Leblon na noite da terça-feira última, me travesti de Carmem Miranda sim, mas com a evidente intenção de usar dos costumes locais, na vã tentativa de passar por um nativo. Já dizia o filósofo setecentista Vincent Matheus: “Em Roma, como os romenos”.
O que o sr. Toni Marques não diz, no entanto, é do ciúme doentio que nutre por Geneton Moraes Neto e da vida nababesca, de orgias e despudores, que leva na antiga capital da República.
Para começo de conversa, assim que entrei na Vênus Platinada ao lado do Mito, o sr. Toni Marques, doravante cognominado “o Zeloso”, parou imediatamente de dar tapinhas nas bundas das estagiárias (eis que o impudico, com a vida mansa que os anos de especulação da era Collor e um caso passageiro com Zélia Cardoso de Mello lhe proporcionaram, não precisando trabalhar, diverte-se o dia inteiro a assediar as aspirantes a jornalistas globais) e me lançou olhares rancorosos. Ficou tão tenso ao me ver em companhia de Geneton Moraes Neto que, ao ser apresentado a mim, cometeu um ato falho. Em vez do nome, disse:
— Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia. Prazer.
A devoção do sr. Toni Marques ao Mito é tal que chegou ao cúmulo de doar os próprios cabelos a ele. Sim, senhores, creiam-me: a barba de Geneton Moraes Neto nada mais é do que um implante dos pêlos da cabeça do Zeloso.
Isso, quanto ao ciúme. No que tange à vida nababesca de outstanding representante de nossa elite irresponsável, basta dizer que o sr. Toni Marques, em cujo coche particular fomos ao já alhures citado Alvaro’s, mantém a sua disposição vassalos de libré e perucas importadas de Versalhes — segundo consta, o preço das mesmas são de fazer um rei perder a cabeça. Ele próprio cultiva um bigodinho à Luís XIV e usa anéis de ouro em tal profusão que fariam a alíquota do quinto parecer a da CPMF.
Na famosa noite em que fomos ao Alvaro’s, vestido de seda marroquina dos pés à cabeça e acendendo cigarros búlgaros em notas de euro, enquanto chupitava seu absinto com um torrão de açúcar derretido por uma pedra de gelo sobre uma colher perfurada, fazia de um dos escravos supedâneo e distribuía, entre um gole e outro, jatos de urina pelos pés dos garçons.
Dono de uma erudição maior que a de Paulo Francis ou, se quiserem, de um Paulo Francis que checasse as citações antes de publicá-las, o sr. Toni Marques passou a noite inteira declamando Baudelaire, Blake, Pushkin e Lorca, de memória e no original, estendendo o copo para o alto, com o olhar perdido no infinito, voz de barítono e coçando o saco com a mão livre, posto que seu hedonismo o fez contrair chatos de tal envergadura como só se vira antes na Idade da Pedra.
Minto mais, digo, muito mais ainda poderia declarar sobre a nefasta figura do sr. Toni Marques. Mas me calo por respeito. Por isso e também porque ele me deu uma grana, além de informações privilegiadas sobre a Bolsa.
Caso duvidem da minha versão, perguntem ao Mito. E ele próprio, imácula temunha ocular da história que é, poderá confirmá-la.
29 de setembro de 2007
Aviso os leitores - O encontro da Lenda e do Mito
Queridas duas centenas de acessadores:
Confesso ter testemunhado o encontro dos comensais beletristas Geneton Moraes Neto, doravante denominado Mito, e Marconi Leal, doravante chamado Lenda.
Lenda e Mito jantaram juntos, e, meninos, eu vi.
Mito estava impecável, como é de seu feitio: o cachimbo de madrepérola, o foulard com estampas stalinistas, o robe de cetim de Burma a esconder a proverbial musculatura em mangas de camisa, as calças ao melhor estilo gaúcho, as chinelas do ursinho Puff - tudo era de uma harmonia que me fez escrever sonetos em forma de SMS, disparados para a Polícia Federal, que porém se recusou a participar do convescote.
Lenda, por seu turno, não poderia ter sido mais feliz. Jamais estivera em São Sebastião do Rio de Janeiro. Talvez por isto tenha preferido trajar-se de Carmem Miranda, o que entusiasmou alguns circunstantes, a ponto de eu ter tido muito trabalho para convencer os operosos emissários do hospital Pinel de que tudo não passava de uma micareta intelectual.
A troca de gentilezas teve a intensidade de um judô de grávidas.
A sofreguidão com que Mito e Lenda devoraram vetustas receitas do Alvaro's - restaurante milenar do Leblon, milenar se levada em conta a Idade Média de seus freqüentadores - faria Josué de Castro esbofetear faquires.
O olhar retinto dos camarões ali sorvidos me assombrava. Era acusador.
As repetidas idas ao banheiro trouxeram um refrescante clima de Teatro do Oprimido ao ambiente.
As audaciosas observações atiradas ao ar provocaram náuseas sartreanas no comitê de garçons escalados para cuidar de Lenda e Mito. Consta que dois se demitiram.
Foi uma noite memorável.
Lembro-me da dificuldade de divisar a despedida aliterativa: meu caro e amacordiano Marconi, generoso Geneton, um jeton de pessoa!
Meus olhos estavam nublados, não de estupor, mas por causa da névoa formada pela garbosa exaustão da cozinha do referido estabelecimento.
Por isto chorei copiosamente, e não por causa do chope assaz aguado, como queriam alguns dos detratores do Mito e da Lenda que se aglomeraram na esquina do Alvaro's assim que correu a notícia - pelas ruas que um dia avacalharão Manoel Carlos - desse encontro de titãs pernambucanos.
Agora, contrito, deixo as duas centenas de leitores do SDT com tais teasers.
Passarei dias tentando me certificar da suposta capacidade narrativa que venha a recriar, à maneira do Cirque de Soleil e de Tereza Cruvinel, um encontro que não se via desde o casamento dos então futuros pais de Madeleine.
Só assim virá a determinação de registrar o gênio vivo.
Ou virá o abandono completo da tolice que seria gravar para sempre impressões de tamanha e utópica reunião.
Confesso ter testemunhado o encontro dos comensais beletristas Geneton Moraes Neto, doravante denominado Mito, e Marconi Leal, doravante chamado Lenda.
Lenda e Mito jantaram juntos, e, meninos, eu vi.
Mito estava impecável, como é de seu feitio: o cachimbo de madrepérola, o foulard com estampas stalinistas, o robe de cetim de Burma a esconder a proverbial musculatura em mangas de camisa, as calças ao melhor estilo gaúcho, as chinelas do ursinho Puff - tudo era de uma harmonia que me fez escrever sonetos em forma de SMS, disparados para a Polícia Federal, que porém se recusou a participar do convescote.
Lenda, por seu turno, não poderia ter sido mais feliz. Jamais estivera em São Sebastião do Rio de Janeiro. Talvez por isto tenha preferido trajar-se de Carmem Miranda, o que entusiasmou alguns circunstantes, a ponto de eu ter tido muito trabalho para convencer os operosos emissários do hospital Pinel de que tudo não passava de uma micareta intelectual.
A troca de gentilezas teve a intensidade de um judô de grávidas.
A sofreguidão com que Mito e Lenda devoraram vetustas receitas do Alvaro's - restaurante milenar do Leblon, milenar se levada em conta a Idade Média de seus freqüentadores - faria Josué de Castro esbofetear faquires.
O olhar retinto dos camarões ali sorvidos me assombrava. Era acusador.
As repetidas idas ao banheiro trouxeram um refrescante clima de Teatro do Oprimido ao ambiente.
As audaciosas observações atiradas ao ar provocaram náuseas sartreanas no comitê de garçons escalados para cuidar de Lenda e Mito. Consta que dois se demitiram.
Foi uma noite memorável.
Lembro-me da dificuldade de divisar a despedida aliterativa: meu caro e amacordiano Marconi, generoso Geneton, um jeton de pessoa!
Meus olhos estavam nublados, não de estupor, mas por causa da névoa formada pela garbosa exaustão da cozinha do referido estabelecimento.
Por isto chorei copiosamente, e não por causa do chope assaz aguado, como queriam alguns dos detratores do Mito e da Lenda que se aglomeraram na esquina do Alvaro's assim que correu a notícia - pelas ruas que um dia avacalharão Manoel Carlos - desse encontro de titãs pernambucanos.
Agora, contrito, deixo as duas centenas de leitores do SDT com tais teasers.
Passarei dias tentando me certificar da suposta capacidade narrativa que venha a recriar, à maneira do Cirque de Soleil e de Tereza Cruvinel, um encontro que não se via desde o casamento dos então futuros pais de Madeleine.
Só assim virá a determinação de registrar o gênio vivo.
Ou virá o abandono completo da tolice que seria gravar para sempre impressões de tamanha e utópica reunião.
Da série 'Comigo ninguém iPod'
- O Sarney disse que o Lula poderia ter sido personagem de Raquel de Queiroz, José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos.
- Hein?
- Hein?
DOM PEDRO II, POETA MODERNISTA ANTES DO MODERNISMO...
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O verso modernista de Dom Pedro II :"Grande, como é grande a Ilha Grande".
Paulo Francis nota que, na época, o verso foi tido como estúpido, mas "é puro modernismo".
Aqui:
http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/023272.html#more
O verso modernista de Dom Pedro II :"Grande, como é grande a Ilha Grande".
Paulo Francis nota que, na época, o verso foi tido como estúpido, mas "é puro modernismo".
Aqui:
http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/023272.html#more
Sutras do condômino iogue
- Mestre, o que é a morte?
- É aquilo que vai acontecer aos poodles da Dona Isaurinha do 21 do bloco 2, já, já.
- É aquilo que vai acontecer aos poodles da Dona Isaurinha do 21 do bloco 2, já, já.
Exclusivo: Marconi não viu a Fábrica de Genetons
RIO - Enviado especial da chacota ao Jardim Botânico, o humorista Marconi Leal também causou espécie ao adentrar a casamata número um da TV aberta. Causou Marconi tanta espécie - salivou feito buldogue, assoviou qual sagüi, saltitou como um lêmure, tudo isso simplesmente por estar diante do homem-mito -, que o humorista não foi capaz de entrever o verdadeiro esquema por trás do mito-homem Geneton Moraes Neto.
A Fábrica de Genetons.
Engendra-se na casamata número um da TV aberta um laboratório capaz de reproduzir Genetons em cativeiro. Aquele porte altivo, aquela inteligência de enxadrista aeroespacial, aquela barba grisalha como as noites enluaradas do Recife - sim, amigos, a clonagem humana já é uma realidade no Brasil.
Todas as inumeráveis qualidades do jornalista Geneton Moraes Neto estão sendo copiadas no subsolo da sala que ele divide com o neto de Mengele, o sobrinho bastardo de Che Guevara, os herdeiros cariocas de Elvis Presley e um punhado de editorialistas desempregados que se refugiaram na cadeira ao lado.
Em breve, muito breve, milhões de estudantes de jornalismo acreditarão que Geneton Moraes Neto tem o dom da ubiqüidade - hoje está simultaneamente em Casablanca, na Casa Amarela, na Casa Branca e na casinha.
Tsk, tsk.
Na verdade, seus clones é que estarão distribuindo entrevistas bombásticas pelo mundo.
A Fábrica de Genetons.
Engendra-se na casamata número um da TV aberta um laboratório capaz de reproduzir Genetons em cativeiro. Aquele porte altivo, aquela inteligência de enxadrista aeroespacial, aquela barba grisalha como as noites enluaradas do Recife - sim, amigos, a clonagem humana já é uma realidade no Brasil.
Todas as inumeráveis qualidades do jornalista Geneton Moraes Neto estão sendo copiadas no subsolo da sala que ele divide com o neto de Mengele, o sobrinho bastardo de Che Guevara, os herdeiros cariocas de Elvis Presley e um punhado de editorialistas desempregados que se refugiaram na cadeira ao lado.
Em breve, muito breve, milhões de estudantes de jornalismo acreditarão que Geneton Moraes Neto tem o dom da ubiqüidade - hoje está simultaneamente em Casablanca, na Casa Amarela, na Casa Branca e na casinha.
Tsk, tsk.
Na verdade, seus clones é que estarão distribuindo entrevistas bombásticas pelo mundo.
28 de setembro de 2007
DA IMPORTÂNCIA DA ARTE
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Suor escorria da minha testa, o coração disparava, os minutos iam se passando e nada. Repassei de memória todas as edições da Playboy na década de 80 até então, pensei em colegas de classe, professoras, em Capitu, She-Ha e até na Emília do Sítio do Picapau Amarelo. A certa altura, esgotada a galeria de imagens femininas, dei a batalha como irremediavelmente perdida.
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E é aqui que digo a vocês, leitores ignaros e sem cultura: como já afirmava Anísio Teixeira, a arte salva o homem. No meu caso específico, foi a arte cinematográfica. Mais exatamente, uma cena do filme “Rio Babilônia” em que Denise Dumont está nua na piscina.
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(Texto completo, aqui)
Suor escorria da minha testa, o coração disparava, os minutos iam se passando e nada. Repassei de memória todas as edições da Playboy na década de 80 até então, pensei em colegas de classe, professoras, em Capitu, She-Ha e até na Emília do Sítio do Picapau Amarelo. A certa altura, esgotada a galeria de imagens femininas, dei a batalha como irremediavelmente perdida.
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E é aqui que digo a vocês, leitores ignaros e sem cultura: como já afirmava Anísio Teixeira, a arte salva o homem. No meu caso específico, foi a arte cinematográfica. Mais exatamente, uma cena do filme “Rio Babilônia” em que Denise Dumont está nua na piscina.
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(Texto completo, aqui)
GENETON: O HOMEM, O MITO
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Terça-feira estive na Globo do Rio e voltei para São Paulo verdadeiramente “incrível”, como se diz no Recife. Eis que durante todos esses anos acreditava estar o dr. Roberto Marinho por trás dos eventos históricos mais importantes de nosso país. Mas descobri, boquiaberto, que dr. Roberto era apenas um testa-de-ferro. O verdadeiro comandante dos destinos nacionais se chama Geneton Moraes Neto.
Na entrada da TV Globo, no Jardim Botânico, uma imensa estátua de Geneton foi erguida. Ali, estudantes de jornalismo de todo o Brasil vêm em peregrinação e, silenciosos e respeitosos, com lencinhos Kleenex nas mãos, permanecem fitando a imagem do mestre, eventualmente deixando cair um fio de baba.
Ao entrar com o Geneton de carne e osso no prédio, pude perceber os olhares extasiados dos funcionários à sua passagem. Faxineiras pedindo autógrafos, porteiros querendo arrancar um fio de cabelo do mito.
Mas o verdadeiramente impressionante foi ouvir, assim que Geneton cruzou a porta de vidro que dá acesso à redação do Fantástico, longas fanfarras, enquanto um tapete vermelho lhe era cuidadosamente estendido.
Ao vê-lo, Glória Maria imediatamente gritou, abanando os braços, como se diante de Leonardo DiCaprio: “É ele, gentche! É ele! Ai, gentche, é ele!”. Repórteres antigos da Vênus Platinada faziam uma reverência com a cabeça. Outros, se ajoelhavam.
Toni Marques, que trabalha com Geneton e estava presente, pode confirmar tudo. Ali dentro, ouvi declarações escabrosas sobre a atuação de Geneton na formulação das diretrizes políticas da empresa. Só para se ter uma idéia, escutei à boca miúda, de fonte confiável, ter sido aquele debate Lula x Collor de 1989 — que, segundo se diz, influiu na eleição deste último para presidente da República — editado por ninguém menos que Geneton Moraes Neto.
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Isso e muitas outras coisas me foram reveladas, coisas capazes de fazer Ulysses Guimarães retornar do fundo das águas. Mas, mais não digo, por temer represálias.
Terça-feira estive na Globo do Rio e voltei para São Paulo verdadeiramente “incrível”, como se diz no Recife. Eis que durante todos esses anos acreditava estar o dr. Roberto Marinho por trás dos eventos históricos mais importantes de nosso país. Mas descobri, boquiaberto, que dr. Roberto era apenas um testa-de-ferro. O verdadeiro comandante dos destinos nacionais se chama Geneton Moraes Neto.
Na entrada da TV Globo, no Jardim Botânico, uma imensa estátua de Geneton foi erguida. Ali, estudantes de jornalismo de todo o Brasil vêm em peregrinação e, silenciosos e respeitosos, com lencinhos Kleenex nas mãos, permanecem fitando a imagem do mestre, eventualmente deixando cair um fio de baba.
Ao entrar com o Geneton de carne e osso no prédio, pude perceber os olhares extasiados dos funcionários à sua passagem. Faxineiras pedindo autógrafos, porteiros querendo arrancar um fio de cabelo do mito.
Mas o verdadeiramente impressionante foi ouvir, assim que Geneton cruzou a porta de vidro que dá acesso à redação do Fantástico, longas fanfarras, enquanto um tapete vermelho lhe era cuidadosamente estendido.
Ao vê-lo, Glória Maria imediatamente gritou, abanando os braços, como se diante de Leonardo DiCaprio: “É ele, gentche! É ele! Ai, gentche, é ele!”. Repórteres antigos da Vênus Platinada faziam uma reverência com a cabeça. Outros, se ajoelhavam.
Toni Marques, que trabalha com Geneton e estava presente, pode confirmar tudo. Ali dentro, ouvi declarações escabrosas sobre a atuação de Geneton na formulação das diretrizes políticas da empresa. Só para se ter uma idéia, escutei à boca miúda, de fonte confiável, ter sido aquele debate Lula x Collor de 1989 — que, segundo se diz, influiu na eleição deste último para presidente da República — editado por ninguém menos que Geneton Moraes Neto.
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Isso e muitas outras coisas me foram reveladas, coisas capazes de fazer Ulysses Guimarães retornar do fundo das águas. Mas, mais não digo, por temer represálias.
HOJE, COMO ONTEM
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PERGUNTA: A poesia brasileira hoje é ruim, segundo o senhor diz. De quem é a culpa?
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RESPOSTA: A culpa não é de ninguém. Os tempos estão ruins. É um fenômeno universal, uma espécie de deterioração dos conceitos e do sentimento estético. Em qualquer país do mundo é a mesma porcaria! E não só em poesia como em literatura em geral, nas artes plásticas e até na música. É uma cacofonia de sons que não me parece que seja uma coisa agradável ao ouvido ou à vista. É um fenômeno universal, porque, com a massificação dos meios de comunicação, tudo ficou igual no mundo inteiro.
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(Carlos Drummond de Andrade, no livro "Dossiê Drummond", de Geneton Moraes Neto. Imperdível.)
PERGUNTA: A poesia brasileira hoje é ruim, segundo o senhor diz. De quem é a culpa?
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RESPOSTA: A culpa não é de ninguém. Os tempos estão ruins. É um fenômeno universal, uma espécie de deterioração dos conceitos e do sentimento estético. Em qualquer país do mundo é a mesma porcaria! E não só em poesia como em literatura em geral, nas artes plásticas e até na música. É uma cacofonia de sons que não me parece que seja uma coisa agradável ao ouvido ou à vista. É um fenômeno universal, porque, com a massificação dos meios de comunicação, tudo ficou igual no mundo inteiro.
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(Carlos Drummond de Andrade, no livro "Dossiê Drummond", de Geneton Moraes Neto. Imperdível.)
BOCA PRA QUE TE QUERO
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Sem dúvida, a novel utilizava o maxilar com tanta perícia quanto Cícero. No entanto, os helenos não encontraram mais empecilhos para conquistar o Ílio do que a dita senhorita na tentativa de recompor minha virilidade. Tanto assim que, após aquele dia, a expressão “gastar saliva” ganhou uma conotação inteiramente nova aos meus ouvidos.
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(Texto completo, aqui)
Sem dúvida, a novel utilizava o maxilar com tanta perícia quanto Cícero. No entanto, os helenos não encontraram mais empecilhos para conquistar o Ílio do que a dita senhorita na tentativa de recompor minha virilidade. Tanto assim que, após aquele dia, a expressão “gastar saliva” ganhou uma conotação inteiramente nova aos meus ouvidos.
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(Texto completo, aqui)
NOTÍCIAS DA "MARATONA BERNSTEIN": UM DIA NO ENCALÇO DO REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE
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Tive esta semana o privilégio de ouvir um dos meus ídolos profissionais ( meu e da torcida do Flamengo) : Carl Bernstein, o repórter que, em parceria com Bob Woodward, investigou o Escândalo de Watergate. Fazia anos que eu esperava por uma chance de entrevistá-lo.
Aos recém-nascidos: a dupla Bernstein-Woodward provou que o governo do presidente americano Richard Nixon estava envolvido em operações de espionagem de adversários políticos. Tudo começou quando um bando de mercenários arrombou um escritório do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington. O caso parecia, à primeira vista, uma mera escaramuça de gatunos sem importância.
Mas a persistência dos dois repórteres - que de início nem foram levados a sério - terminou expondo o fio da meada. Resultado: a crise provocada pelo chamado Escândalo Watergate adquiriu proporções bíblicas. Nunca na história americana um presidente tinha renunciado. Richard Nixon renunciou.
Bernstein e Woodward se transformaram em ídolos. Não era para menos.
Em apenas vinte e quatro meses, a vida dos dois virou de cabeça para baixo. Um perfil de Bernstein publicado nos Estados Unidos resume bem o que aconteceu : em dois anos, ele saltou da condição de "repórter de cidade" para o de super-celebridade. Uma cena ilustra a mudança de status : Dustin Hoffmann passou a frequentar a redação do Washington Post, para observar os trejeitos do repórter. Logo depois, o super-ator encarnou Carl Bernstein no (emocionante) filme "Todos os Homens do Presidente".
Ouvi Carl Bernstein três vezes esta semana em São Paulo - primeiro, numa conferência na Câmara Americana de Comércio; em seguida, numa coletiva; por fim, numa longa entrevista exclusiva.
Lá pelas tantas, ao falar do nível da imprensa, ele perguntou quantos na platéia tinham ouvido falar de Paris Hilton, a patricinha débil mental que virou "celebridade" apenas por ser "celebridade". Nunca fez nada de notável na vida.
A maioria dos ouvintes levantou a mão. É óbvio que a maioria conhecia a idiota.
Bernstein foi irônico: nem havia o que comentar. A imprensa criou um monstro.
Em seguida, o repórter fez uma nova pesquisa informal. Quantos ali na platéia achavam correta a intervenção americana no Iraque ? Somente um Cristo levantou a mão. Berstein acha que a administração Bush é "a mais desastrosa da história americana moderna". Os Estados Unidos vão demorar décadas para se recuperar. O super-repórter diz que o ataque ao Afeganistão pode ter sido um golpe contra o terror. Mas a invasão do Iraque, não. "O Iraque era um estado totalitário. Não era um estado terrorista".
Em breve, detalhes da minha Maratona Bernstein, o ídolo de todo repórter que se preze.
Tive esta semana o privilégio de ouvir um dos meus ídolos profissionais ( meu e da torcida do Flamengo) : Carl Bernstein, o repórter que, em parceria com Bob Woodward, investigou o Escândalo de Watergate. Fazia anos que eu esperava por uma chance de entrevistá-lo.
Aos recém-nascidos: a dupla Bernstein-Woodward provou que o governo do presidente americano Richard Nixon estava envolvido em operações de espionagem de adversários políticos. Tudo começou quando um bando de mercenários arrombou um escritório do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington. O caso parecia, à primeira vista, uma mera escaramuça de gatunos sem importância.
Mas a persistência dos dois repórteres - que de início nem foram levados a sério - terminou expondo o fio da meada. Resultado: a crise provocada pelo chamado Escândalo Watergate adquiriu proporções bíblicas. Nunca na história americana um presidente tinha renunciado. Richard Nixon renunciou.
Bernstein e Woodward se transformaram em ídolos. Não era para menos.
Em apenas vinte e quatro meses, a vida dos dois virou de cabeça para baixo. Um perfil de Bernstein publicado nos Estados Unidos resume bem o que aconteceu : em dois anos, ele saltou da condição de "repórter de cidade" para o de super-celebridade. Uma cena ilustra a mudança de status : Dustin Hoffmann passou a frequentar a redação do Washington Post, para observar os trejeitos do repórter. Logo depois, o super-ator encarnou Carl Bernstein no (emocionante) filme "Todos os Homens do Presidente".
Ouvi Carl Bernstein três vezes esta semana em São Paulo - primeiro, numa conferência na Câmara Americana de Comércio; em seguida, numa coletiva; por fim, numa longa entrevista exclusiva.
Lá pelas tantas, ao falar do nível da imprensa, ele perguntou quantos na platéia tinham ouvido falar de Paris Hilton, a patricinha débil mental que virou "celebridade" apenas por ser "celebridade". Nunca fez nada de notável na vida.
A maioria dos ouvintes levantou a mão. É óbvio que a maioria conhecia a idiota.
Bernstein foi irônico: nem havia o que comentar. A imprensa criou um monstro.
Em seguida, o repórter fez uma nova pesquisa informal. Quantos ali na platéia achavam correta a intervenção americana no Iraque ? Somente um Cristo levantou a mão. Berstein acha que a administração Bush é "a mais desastrosa da história americana moderna". Os Estados Unidos vão demorar décadas para se recuperar. O super-repórter diz que o ataque ao Afeganistão pode ter sido um golpe contra o terror. Mas a invasão do Iraque, não. "O Iraque era um estado totalitário. Não era um estado terrorista".
Em breve, detalhes da minha Maratona Bernstein, o ídolo de todo repórter que se preze.
SOBRE JORNALISMOS E JORNALISTAS - 2
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Depois de observar durante três décadas e meia os movimentos das mandíbulas dos seres bípedes que povoam as redações, posso declarar em cartório, com firma reconhecida, o seguinte: não há meio termo; só existem dois tipos de jornalistas. Os ruins - que, diante de uma boa história, perguntam : mas por que publicar ? E os bons - que preferem sempre perguntar: e por que não ?
Os primeiros são maioria esmagadora.
Feita esta constatação, fecho a cortina, apago a luz do meu teatro mambembe, caminho por entre poltronas vazias e pego a direção da rua:
é lá que estão as grandes histórias, os grandes personagens, as grandes vitórias e os grandes fracassos que, em tese, deveriam alimentar o jornalismo.
Em tese.
Depois de observar durante três décadas e meia os movimentos das mandíbulas dos seres bípedes que povoam as redações, posso declarar em cartório, com firma reconhecida, o seguinte: não há meio termo; só existem dois tipos de jornalistas. Os ruins - que, diante de uma boa história, perguntam : mas por que publicar ? E os bons - que preferem sempre perguntar: e por que não ?
Os primeiros são maioria esmagadora.
Feita esta constatação, fecho a cortina, apago a luz do meu teatro mambembe, caminho por entre poltronas vazias e pego a direção da rua:
é lá que estão as grandes histórias, os grandes personagens, as grandes vitórias e os grandes fracassos que, em tese, deveriam alimentar o jornalismo.
Em tese.
DESCOBERTO O GRANDE INIMIGO DA NOTÍCIA! É ELE, O JORNALISTA!
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Jornalista: o grande, o irremovível, o intransigente, o impermeável, o indiscutível, o plenipotenciário inimigo da notícia.
Parece uma frase para impressionar leigos,mas é a mais cristalina verdade:
o maior inimigo da notícia é o jornalista, sim!
É este o motivo que leva jornais,revistas e programas de TV a padecerem de chatice congênita.
Há exceções, claro. Mas quem já passou quinze minutos numa redação sabe que "jornalista" tido como eficiente não é aquele que reúne o melhor de suas forças para levar ao público histórias, cenas e personagens interessantes. Não ! Claro que não! "Jornalista" de verdade é aquele que passa vinte e três horas por dia procurando um motivo para NÃO publicar uma história. Vive com uma espingarda imaginária nas mãos, pronto para disparar um petardo que ferirá de morte a primeira história interessante que passar pela frente.
As crianças não acreditarão, mas é exatamente assim que as redações funcionam.
"Jornalista" cria uma escala de valores absurda - que só existe na cabeça de jornalistas - para exterminar reportagens : "não vale", "não é nova", "já saiu em outro jornal", "qual é o gancho ?".
O "jornalista" acha que o leitor ou telespectador é um maníaco que lê todos os jornais, todas as revistas e vê todos os programas. Basta que uma história qualquer - por melhor que seja - saia na página dezoito de um jornal "concorrente". Pronto. Acabou. Deve ser solenemente ignorada. O resultado? A história é abatida a tiros ali, antes de nascer. O leitor ( ou telespectador) fica a ver navios.
Em resumo: o maior pecado do jornalista é fazer jornal ( ou revista ou TV) para jornalista. Não para o leitor ou telespectador. O resultado ? A epidemia de chatice jornalística que se espalha, feito metástase.
Uma reportagem só chega às mãos do leitor - ou aos olhos e ouvidos do telespectador - depois de enfrentar uma terrível, desgastante e patética corrida de obstáculos dentro das redações. Quando, finalmente, chega a público, exibe a aparência de um bicho ferido, maltratado, destroçado pelas garras dos exterminadores de matérias.
Com um atraso de três décadas e meia, faço uma oração para Nossa Senhora do Espanto e constato : não, esta não é minha tribo.
Procuro uma atividade mais útil : que tal - por exemplo - fiscal de animais de grande porte ? ( diz a lenda que existia este cargo na folha de pagamentos de uma prefeitura pernambucana). Ou observador de aviões em trânsito ? Ou, quem sabe, fabricante de bolhas de sabão.
Fiquei de pensar.
Jornalista: o grande, o irremovível, o intransigente, o impermeável, o indiscutível, o plenipotenciário inimigo da notícia.
Parece uma frase para impressionar leigos,mas é a mais cristalina verdade:
o maior inimigo da notícia é o jornalista, sim!
É este o motivo que leva jornais,revistas e programas de TV a padecerem de chatice congênita.
Há exceções, claro. Mas quem já passou quinze minutos numa redação sabe que "jornalista" tido como eficiente não é aquele que reúne o melhor de suas forças para levar ao público histórias, cenas e personagens interessantes. Não ! Claro que não! "Jornalista" de verdade é aquele que passa vinte e três horas por dia procurando um motivo para NÃO publicar uma história. Vive com uma espingarda imaginária nas mãos, pronto para disparar um petardo que ferirá de morte a primeira história interessante que passar pela frente.
As crianças não acreditarão, mas é exatamente assim que as redações funcionam.
"Jornalista" cria uma escala de valores absurda - que só existe na cabeça de jornalistas - para exterminar reportagens : "não vale", "não é nova", "já saiu em outro jornal", "qual é o gancho ?".
O "jornalista" acha que o leitor ou telespectador é um maníaco que lê todos os jornais, todas as revistas e vê todos os programas. Basta que uma história qualquer - por melhor que seja - saia na página dezoito de um jornal "concorrente". Pronto. Acabou. Deve ser solenemente ignorada. O resultado? A história é abatida a tiros ali, antes de nascer. O leitor ( ou telespectador) fica a ver navios.
Em resumo: o maior pecado do jornalista é fazer jornal ( ou revista ou TV) para jornalista. Não para o leitor ou telespectador. O resultado ? A epidemia de chatice jornalística que se espalha, feito metástase.
Uma reportagem só chega às mãos do leitor - ou aos olhos e ouvidos do telespectador - depois de enfrentar uma terrível, desgastante e patética corrida de obstáculos dentro das redações. Quando, finalmente, chega a público, exibe a aparência de um bicho ferido, maltratado, destroçado pelas garras dos exterminadores de matérias.
Com um atraso de três décadas e meia, faço uma oração para Nossa Senhora do Espanto e constato : não, esta não é minha tribo.
Procuro uma atividade mais útil : que tal - por exemplo - fiscal de animais de grande porte ? ( diz a lenda que existia este cargo na folha de pagamentos de uma prefeitura pernambucana). Ou observador de aviões em trânsito ? Ou, quem sabe, fabricante de bolhas de sabão.
Fiquei de pensar.
"MIANMAR" É NOME DE CINEMA, NÃO DE PAÍS!
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Ivan Lessa pergunta por que mudam os nomes dos países:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/09/070928_ivanlessa_tp.shtml
Ivan Lessa pergunta por que mudam os nomes dos países:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/09/070928_ivanlessa_tp.shtml
BOA DE BOCA
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Ela então soltou um suspiro de enfaro, próprio das cocotes. Em seguida, tratou de tentar reanimar meu aparelho reprodutor. E a verdade é que, se o ditado está certo ao afirmar que quem tem boca vai a Roma, aquela mulher certamente já deu pelo menos cinco voltas em torno do globo.
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(Texto completo, aqui)
Ela então soltou um suspiro de enfaro, próprio das cocotes. Em seguida, tratou de tentar reanimar meu aparelho reprodutor. E a verdade é que, se o ditado está certo ao afirmar que quem tem boca vai a Roma, aquela mulher certamente já deu pelo menos cinco voltas em torno do globo.
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(Texto completo, aqui)
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