12 de fevereiro de 2008

UMA THURMAN

Não sei vocês, rapazes. Quanto a mim, se o Senhor me propusesse que minha salvação dependeria de uma circuncisão com uma pedra afiada, ligaria para o diabo na mesma hora, oferecendo minha alma:

— Uma noite de sexo selvagem com a Uma Thurman e duas caixas de bourbon. E não se fala mais nisso.

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11 de fevereiro de 2008

CONTÍCULO RUSSO

"Ele era um respeitável militar de patente graduada e descendente de uma família nobre. Ela uma camponesa simplória e lindíssima! Ivanovitch, apesar de ter idade suficiente para as núpcias já algum tempo, era solteiro. A moça viçava em sua juventude e nas palavras do próprio Ivanovitch, 'Era uma flor do campo!'.

O interesse por Katuska, este era o apelido dela, causou escândalo. Mas como pode? Um nobre?! Katuska era filha de Vanka e Vania, antigos moradores na propriedade de Ivanovitch. Os pais, naturalmente, temeram as intenções do senhor. A mãe iniciou rezas por Santa Anastácia. Mas o senhor Ivanovitch, de fato tomado pela alma de um sátiro, quisera revestir sua licenciosidade das mais puras e castas formalidades, ocultando com palavras e ações suas reais pretensões."

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CPI

— Eu não fiz nada não, eu juro!
— Ah, não? Toma de novo! E essa, e mais essa. E então, refrescou a memória agora?
— Ai! Mas o que você tá fazendo? Quem são vocês, afinal?
— CPI.
— Ué? Mas eu nem sou filiado ao PT!
— CPI. Central de Patrulhamento Ideológico, canalha! Toma, toma!
— Ai! Isso dói. Cadê os meus direitos?
— Os seus direitos tão por aqui. Mas se continuar negando, vai perder os dois: o pé e a mão. Vai falar ou não vai, engraçadinho?
— Tudo bem, eu confesso: eu queria comprar aquela calcinha de renda.

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CLARICE LISPECTOR

"As the translator Gregory Rabassa famously put it: 'I was flabbergasted to meet that rare person who looked like Marlene Dietrich and wrote like Virginia Woolf'.”

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VARGAS

“Notei que as mãos do presidente eram macias,fofas.Getúlio só me cumprimentou na entrada.Terminou me dando as costas na saída.Simplesmente foi embora.Quando eu lhe passei um questionário - e ele viu que o que eu queria era uma entrevista - Getúlio se transfigurou.Aquela cara risonha despareceu.O homem virou uma fera.Jogou o papel assim,na mesa : “O senhor entrega isso ao doutor Lourival”. Em seguida,levantou-se daquela cadeirona pesada - e sumiu”.

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8 de fevereiro de 2008

O FUTURO DO BRASIL EM NOSSAS PATAS

Acabei por descobrir um artifício engenhoso para detonar a revolução educacional de que tanto o país necessita: o desmatamento de crianças e o aquecimento de analfabetos. Pensem bem: se brasileiros abnegados iniciassem a invadir escolas caindo aos pedaços para dar machadadas em crianças ou a entrar clandestinamente em asilos de velhinhos analfabetos para tocar fogo em suas dependências, dentro em pouco, no máximo cinco anos, o governo afinal perceberia a existência de um problema na Educação e, quiçá, na Previdência brasileiras.

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SPOILERS

"Pois aqui vale a pergunta: uma crítica pode conter spoilers? Ela tem permissão para estragar, no leitor, o prazer da descoberta?
Minha resposta é: sim."

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MORAES NETO, FRANCIS E A SOCIAL-DEMOCRACIA

"Você confessa hoje que tem simpatias pela social-democracia.O caminho para o Brasil pode ser esse ?

Francis - Certamente. A social-democracia é imperfeita - sem dúvida- mas é a coisa mais justa que há.Porque garante o mínimo necessário a quem não pode lutar pela sobrevivência e, ao mesmo tempo, permite que quem pode se expanda sem ditadura sem nada.Veja os países mais avançados do mundo : são os escandinavos. A própria Alemanha é uma social-democracia,a França ... E os Estados Unidos são uma social democracia - desorganizada,mas,se você falar assim nos Estados Unidos,eles acham que você é comunista.O que tem de auxílio às pessoas necessitadas é igual a qualquer social-democracia européia."

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7 de fevereiro de 2008

HITLER

"Estou confuso. Sou um adorador da liberdade total e irrestrita de expressão. Mas, de algum modo, meu instinto dizia que aquela decisão autoritária estava certa. Mas como?!, eu me perguntava. Como uma decisão autoritária pode estar certa? Por princípios meus, nenhuma decisão autoritária é certa. Mas aquela…"

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CONSELHO

“Um bom amigo me sugeria: ponha por escrito o que pretende dizer. Pus. Assim todos vocês terão a oportunidade de verificar que pronuncio mediocridades tanto de improviso quanto por escrito”

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CENTRO

Eu era um feliz morador de Moema, dos poucos bairros paulistanos onde ainda é possível ver flora e fauna: passarinhos que acordam você pela manhã, árvores que se espalham pelas ruas e jumentos que compram pão ao cair da tarde, chamando Lula de ladrão e, coerentemente, votando de quatro em quatro anos em Maluf.

Ao contrário dos torneios medievais, no entanto, a vida não é justa. E os credores, seres sem coração, levam tudo ao pé da letra de câmbio. De maneira que tive de me mudar recentemente para Santa Cecília, localidade perto do centro. Pelo menos é o que me dizem, e eu, cujo senso de localização se assemelha ao de um hebreu no deserto, acredito. Deve se situar, ao menos, ali pelo segundo ou terceiro círculo.

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NHONHONGA

— Como assim? Separou por quê, cara? Vocês pareciam se dar tão bem...
— A Marly, ela...
— Quer um filho? Toca a bola, toca a bola!
— Que nada! Você não vai acreditar.
— Te traiu?
— Pior. Muito pior. Chuta! Pra fora... A Marly... A Marly me chamou de “Nhonhonga”, cara. Pronto, disse.
— Nononga?
— Antes fosse! “Nhonhonga” mesmo. Com “h” e tudo.
— Peraí, bicho, tu tá me dizendo que separou porque a Marly te colocou um apelido? Ih, lá vem o contra-ataque!
— Desarmou. Apelido? “Nhonhonga”? Isso é apelido que se me apresente? Se ainda fosse “Xurungo” ou “Pitoca”... “Nhonhonga” não dá! Não tem volta.

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SINDICATO

— Alô? É o senhor Adroaldo?
— Infelizmente.
— Senhor Adroaldo, nós estamos com sua sogra, sua mulher e seus três filhos. Isso aqui é um seqüestro, tá me entendendo?
— Que absurdo! Deve tá havendo algum engano.
— Como assim? O senhor não tem mulher e filhos?
— Ter, tenho. Mas eu já fui seqüestrado semana passada, companheiro. Duas semanas atrás, foi a minha mãe. Isso já é abuso. Vou ligar pro sindicato de vocês!

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28 de janeiro de 2008

DA GÁVEA

Senhores, este blog encontra-se à deriva. Homem reverente e amante dos clássicos, ainda tentei amarrar nosso capitão, o sr. Moraes Neto, no mastro da embarcação. Mas eis que o sujeito conseguiu escapar a tempo e se mandou para Olísipo, salvando a tintura das barbas. Quanto aos demais colaboradores, fugiram a nado e atualmente se dedicam a tarefas menos sórdidas, como catar piolhos em sacos escrotais de mendigos e atuar como filé para leões em circos. Mando este post dentro desta garrafa na esperança de encontrar algum leitor. Caso consiga, gostaria de glub, dizer que glub, eu glub, glub, glub...

23 de janeiro de 2008

FUNK ARMORIAL

18 de janeiro de 2008

CINEMA NACIONAL

Por mais que se fale mal dele, a verdade é que o cinema brasileiro tem uma grande virtude. O preço impeditivo dos ingressos.

"TALVEZ A MÚSICA POPULAR SEJA UMA ARTE DE JUVENTUDE"

É o que diz Unanimidade Nacional a Geneton Moraes Neto. Quanto a mim, depois de escutar Jorge Vercilo, Ana Carolina, Zélia Duncan e congêneres, não estou tão seguro sobre a pertinência da aplicação da palavra “arte” à MPB. Confira a entrevista aqui.

COMUNICAÇÃO

— É um escritor pós-moderno, mistura várias linguagens no seu romance.
— Sei. Teatro, poesia, literatura...
— Não. Português, espanhol e enxacoco.

GERUNDISMO

Em sua crônica de hoje, Paulo Polzonoff Jr. vai estar falando sobre o gerundismo e vai estar defendendo o seu uso. Segundo soube, seu próximo texto vai estar sendo sobre as vantagens de se votar em Lula. Os leitores podem estar lendo aqui.

VÁ AO TEATRO. MAS NÃO ME CHAME

Alguém me chama para assistir a um certo espetáculo teatral que mistura festa, sarau, intervenção, comédia, farsa, instalação, performance e happening. Se a todas essas manifestações acrescentasse a empalação dos autores, eu iria lá ver.