4 de junho de 2008

IH, TÁ MÓ CRÁUDI !

Crowd at Coney Island, 1940



"Tenho horror à multidão. Chamo de multidão toda reunião de mais de seis pessoas. Quanto às imensas aglomerações humanas – lembro-me de uma fotografia de Weegee mostrando a praia de Coney Island num domingo – são para mim um verdadeiro mistério que me inspira terror."
(Luis Buñuel, Meu último suspiro)

3 de junho de 2008

UMA AULA DE JORNALISMO. O PROFESSOR É O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE

Depois de um breve intervalo de seis meses, quero declarar o seguinte aos senhores jurados: boemia, aqui me tens de regresso. Mas não para sempre, é claro.

Passo por este endereço tamancal para recomendar a leitura de uma entrevista que este locutor fez com o super-repórter Carl Bernstein, aquele que investigou a fundo o Escândalo de Watergate. A investigação, como se sabe, resultou na renúncia do então presidente americano, Richard Nixon.

Aqui:

http://www.geneton.com.br/archives/000275.html

A íntegra da entrevista foi publicada no livro "Dossiê História", à venda nas melhores casas do ramo.

Boa noite.

LAMENTO



"Tenho horror aos fotógrafos de jornal. Dois deles literalmente me atacaram um dia em que eu passeava na estrada nas proximidades de El Paular. Saltitando em torno de mim, não paravam de me fotografar, apesar de meu desejo de ficar só. Já estava muito velho para corrigi-los. Lamentei não estar armado."
(Luis Buñuel, Meu último suspiro)

24 de maio de 2008

... AD LOCUM TUUM


“Uma confissão: apesar de meu ódio à informação, gostaria de poder erguer-me dentre os mortos, a cada dez anos, caminhar até uma banca de jornais e comprar alguns. Não pediria mais nada. Com os jornais debaixo do braço, lívido, esbarrando nos muros, retornaria ao cemitério e leria os desastres do mundo, antes de tornar a dormir, satisfeito na proteção tranqüilizadora da sepultura.”
(Luis Buñuel, Meu último suspiro)

23 de maio de 2008

CONSIDERAÇÕES


Deus está morto.
Mas o Fluminense nasceu com a vocação da eternidade.

22 de maio de 2008

TNC, SPFC !


Tricolor só existe um. O resto é time de três cores.

21 de maio de 2008

“O BEHAVIORISMO FUNCIONA -- A TORTURA TAMBÉM.”

O pequeno Wystan
“Se me dessem o professor B. F. Skinner e drogas e apetrechos necessários, eu poderia fazer com que, em uma semana, ele recitasse o Código de Atanásio – em público. O problema com os behavioristas é que eles sempre conseguem excluir-se de suas teorias. Se todos os nossos atos são comportamento condicionado, certamente nossas teorias também o são.”
(W. H. Auden, em entrevista a Michael Newman. In: Os Escritores 2: as entrevistas históricas da Paris Review. Companhia das Letras, 1989)

WYSTAN H.

Wystan Hugh Auden


- O senhor conheceu algum louco?

- Claro. Conheci pessoas que perderam o juízo. Todos nós conhecemos. Pessoas que vão para o hospício e saem. Conheci várias pessoas maníaco-depressivas. Muitas vezes pensei no bem que poderia ser feito a elas se organizassem uma sociedade de maníaco-depressivos anônimos. Eles poderiam se reunir e fazer algum bem uns aos outros.

- Não acho que iria funcionar.

- Bem, todos têm seus altos e baixos!

(W. H. Auden, em entrevista a Michael Newman. In: Os Escritores 2: as entrevistas históricas da Paris Review. Companhia das Letras, 1989)

13 de maio de 2008

ENGAJADO



Que mais chocou o senhor? A revolta dos estudantes, a atitude dos professores, as greves e a crise social ou o desequilíbrio e a deliqüescência do Estado?

Raymond Aron:
“A deliqüescência do Estado me impressionou, talvez exageradamente. Era um pouco desencorajador ver que um Estado que se apresentava sob uma forma decente, respeitável, dava a sensação de desmoronar sob golpes tão fracos. A França estava tão centralizada, e no regime gaullista tudo se concentrava de tal forma na pessoa do general De Gaulle que se, por razões acidentais, a autoridade do general fosse atingida, era como se o conjunto fosse posto em questão. Era ridículo que as algazarras dos estudantes na primeira semana fossem abordadas por De Gaulle no Conselho de Ministros.”

10 de maio de 2008

QUARENTA ANOS ESTA NOITE



“Não é uma revolução, isto não pode ser uma revolução. Ninguém foi morto. Para que haja revolução, alguém tem de morrer. Ora, o que acontece é que os estudantes foram para a rua. Eles chamam os policiais de SS, mas esses SS não matam ninguém. Não há seriedade nisso, não se trata de uma revolução.” (Alexandre Kojève; Paris, maio de 1968)

O ABENÇOADO


“O que pode ser pior que o fato de que seres humanos sejam declarados inimigos e condenados à morte, não por más ações ou delitos, mas porque são espíritos livres e que o patíbulo, espantalho para os maus, se converta no mais formoso teatro para dar o exemplo mais sublime de estoicismo e virtude?”

***

“Deixo que cada um viva de acordo com sua natureza e, quem deseje, possa morrer por sua salvação, com a condição de que eu possa viver para a verdade.”

(Baruch Spinoza)

ROSÁRIO DE... CITAÇÕES



Traste filosófico,
escritor obscurantista,
diabo néscio, monstro atroz,
idiota obcecado, fedelho miserável,
animal alienígena, homem louco e bêbado,
demente que merece ser internado em um manicômio,
salteador de estrada e assassino do bom senso e da ciência.

(De injúrias também se faz a glória de quem vive para a verdade.)

9 de maio de 2008

UM TAKE, UM TAPA



“Na Cidade do México, designado presidente honorário do Centro de Capacitação Cinematográfica, escola superior de cinema, um dia sou convidado para conhecer as instalações. Apresentam-me a quatro ou cinco professores. Entre estes, um rapaz corretamente vestido e ruborizando de timidez. Pergunto-lhe o que ensina. Ele me responde: ‘Semiologia da imagem clônica.’ Poderia matá-lo.” (Luis Buñuel, Meu último suspiro)

7 de maio de 2008

QUARENTA ANOS ESTE MÊS


“Esse súbito derivativo ao tédio quotidiano, a quase-revolução, antes representada do que feita, despertavam simpatia, e mesmo entusiasmo. Os tumultos de rua que degeneravam em motins, os choques entre manifestantes e a polícia, sempre acusada de violência, cumulavam de prazer os amantes do teatro de marionetes, ávidos dos infortúnios do policial; a alegre aventura dos jovens, que partem a cada noite para as manifestações, refrescava o coração dos adultos – enquanto estes não descobriam seu automóvel inutilizado.” (Raymond Aron, Memórias)

6 de maio de 2008

POLÊMICO VELHO DE GUERRA

Ao que interessa, à boa e antiga ordem das coisas:
"A guerra é pai de tudo e rei de tudo." (Heráclito de Éfeso)

27 de abril de 2008

A MAIOR COLEÇÃO DE ENTREVISTAS DA INTERNET BRASILEIRA ! ( OK: PODE SER EXAGERO, MAS VALE UMA VISITA...)

É aqui: entrevistas completas com o gênio Nélson Rodrigues, Paulo Francis, João Saldanha, Joel Silveira, Ivan Lessa, Pelé, Caetano Veloso & etc:

http://www.geneton.com.br

6 de março de 2008

Vir para Lisboa pela Espanha? Chuta que é macumba!



Matéria do Jornal Nacional diz que dois estudantes brasileiros de mestrado que seguiam para Lisboa foram detidos na Espanha, onde fizeram escala. Não dá para saber pela matéria qual foi o caso. A opinião dos pais e do representante da universidade onde ambos estão matriculados falam em preconceito. Pode ser, claro. Certeza mesmo, ninguém vai saber. A não ser que os responsáveis pela detenção, acometidos de uma profunda dor moral, comecem a gritar como um personagem de Nelson Rodrigues: "Sou um preconceituoso! Um grande pecador! Um grande pecador, ouviram bem?" Mas isso, claro, não vai acontecer.

Funcionários de governo que trabalham em embaixadas, setores de imigração ou quaisquer departamentos correlatos são gente, digamos, especiais. Agem ao sabor do humor do dia. Ou da hora. Ou do café que esfriou. São previsíveis em suas imprevisibilidades.

Conheço vários estudantes brasileiros que fizeram escala na Espanha antes de chegar aqui em Lisboa. Tudo certo, tudo normal. O máximo que um deles sofreu de abuso foi aturar o vizinho de cadeira cantarolando uma música do Julio Iglesias, o que me lembra a resposta do Francis quando perguntado se havia sido torturado durante a ditadura militar: "sim, o carcereiro ouvia Wanderléa o dia inteiro".

EXTRA! EXTRA! Novo romance de Paulo Francis!

paulo-francis9.JPG

Quando li pela primeira vez os romances de Paulo Francis fiquei angustiado. Angústia provocada pelo turbilhão de salitre e breu (copyright William Blake) que jorrava do Cabeça de papel e Cabeça de negro. Os dois volumes foram todos rabiscados. Muitas vezes tinha que voltar páginas para entender personagens que entravam e saíam sem qualquer explicação, aceno, bye, bye, so long, farewell.

Deixei os livros dormindo alguns anos na estante. Ainda ficava incomodado por não ter conseguido entrar nos romances. E só se insiste dessa forma, antes de considerar o escritor uma besta sem talento, se se pensar que há algo de valor escondido pela linguagem alucinada e inside joke de uma época que não a sua. O que fiz? Abria os livros em qualquer página e lia o parágrafo no qual a vista primeiro focalizava. O parágrafo levava a outro e lá ia Garschagen atravessando mais páginas do que deveria. “Do que deveria” porque a idéia era ler os romances de forma fragmentada, como extratos do Diário da Corte. Deu certo, comigo.

Leio hoje na Folha (assinante) sobre o lançamento do romance que Francis deixou escrito. Se for como os outros, lerei o livro inteiro para depois aproveitá-lo em doses homeopáticas. Ter Francis, o precursor dos blogues de qualidade, em evidência é sempre bom, sempre civiliza.

O livro-confusão de Francis

Chega às livrarias “Carne Viva”, romance inédito de Paulo Francis que teve sua publicação adiada por mais de dez anos e sofreu modificações

Paulo Francis na redação da Folha, em 1982; livro inédito “Carne Viva’ chega às livrarias no próximo dia 15, com mudanças feitas nos originais deixados pelo autor

MARCOS STRECKER
DA REPORTAGEM LOCAL

Waaal… Demorou dez anos, mas finalmente ficou pronto. Chega às livrarias no próximo dia 15 o aguardado romance inédito de Paulo Francis (1930-1997), prometido há mais de uma década e que fecharia o ciclo iniciado com “Cabeça de Papel” e “Cabeça de Negro”. Antes mesmo da sua publicação, “Carne Viva” já tem uma longa história. A começar pelo título, que originalmente seria “Jogando Cantos Felizes”.

"Quem quer democracia? Na minha é R$ 20, só R$ 20!"

É assim que governos democráticos resolvem questões diplomáticas:

06/03/2008 - 08h28
da Folha Online

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a crise diplomática com a Colômbia pode afetar o comércio bilateral e insinuou que poderia nacionalizar empresas colombianas no país.

“Vamos fazer o mapa das empresas colombianas na Venezuela. Poderíamos nacionalizá-las (…) e as que temos lá na Colômbia teremos de vendê-las”, disse.

“Tudo o que pudemos alcançar, chegamos a US$ 6 bilhões de intercâmbio comercial, veio abaixo”, afirmou em entrevista coletiva após uma reunião com o presidente equatoriano, Rafael Correa.

Chávez disse que a Venezuela prepara medidas para evitar que a crise diplomática, provocada pela operação de tropas colombianas no Equador para atacar as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), afete as economias de Caracas e Quito.

“Façamos um convênio comercial porque não podemos depender nem de um grão de arroz da Colômbia”, propôs Chávez a Correa, que chegou a Caracas na noite desta quarta-feira, na terceira etapa de uma viagem por vários países latino-americanos para buscar apoio.

29 de fevereiro de 2008

Quando nos falta a piada falta tudo

A vida em Lisboa anda corrida Está cada dia mais difícil cuidar de tudo e garantir o uísque das crianças. Para não deixar o caro Marconi Leal falando sozinho vim aqui dar um alô.

Daí já era, digamos, difícil ler sobre a política de Terras de Vera Cruz. Do outro lado do Atlântico a coisa fica um tanto quanto nonsense, se é que vocês me entendem. E nem é a sensação que achei que fosse sentir: de que o país não existe. É de saber que existe e tem um presidente dessa envergadura e circunferência, se é que vocês me entendem.

Um dos graves sintomas de que algo não anda nada bem em Terras de Vera Cruz é que a política deixou de ser motivo para piada. Saímos da realidade eminentemente brasileira para adentrarmos numa desolação tão profunda quanto trágica.

A piada, mesmo nos piores momentos do país, nos serve como termômetro. Se falta a piada é porque está faltando algo maior e mais importante. O Brasil, também, pode acabar, não com uma explosão, mas com um lamento (copyright T. S. Eliot).