26 de janeiro de 2009
DUAS HORAS SEM RESPIRAR! AH, QUEM DERA....
Fecham os olhos, param de respirar : quem olha pensa que estão mortos.
Duas horas sem respirar ! E de olhos fechados!
Confesso que morro de inveja dos crocodilos de água salgada.
Porque, se pudesse, eu também passaria duas horas de olhos fechados e sem respirar assim que começasse o Big Brother Brasil na TV.
Quando eu voltasse à tona, com certeza seria um ser humano melhor.
25 de janeiro de 2009
SAMBALÊLÊ
Apoiado!
....Mas o que dizer dos "sambas de enredo" ?
Pergunto-me: o engenho humano será, algum dia, capaz de produzir algo tão chato quanto ?
Duvido. São versos sem pé, sem cabeça e sem beleza, repetidos incessantemente por uma hora e meia, duas horas.
De vinte em vinte anos, um refrão se salva. Façam as contas. Não estou exagerando.
É por essas e outras que pretendo passar o carnaval numa cela desativada de Guantánamo.
É dez vezes mais divertido.
SOCORRO! HELP! VÊM AÍ AS MARCHINHAS DE CARNAVAL!
Porque vêm aí aqueles temidos concursos de marchinhas de carnaval: um lastimável desfile de melodias primárias e letras paupérrimas, em geral embaladas por trocadilhos infames e piadinhas machistas.
Marchinha de carnaval: coisa típica de sessentões de cabelo pintado, barriga proeminente e senso de ridículo nulo.
Deus, protegei nossos ouvidos.
Tais concursos podem sem listados, sem margem de erro, entre as mais baixas manifestações da "cultura" brasileira.
Mas é claro que há horrores piores.
Ontem à noite, ao zapear pelo lixo televisivo, o olheiro do Sopa de Tamanco viu, no canal 17, uma cena inenarrável: um sujeito de bandana cantava animadamente aquela música que diz "meu-iá-iá-meu-iô-iô".
Detalhe: o elemento requebrava os quadris. Com certeza, julgava-se "sexy".
Imaginem, por um instante, o resultado da conjunção entre melodia, bandana e letra. O resultado: o horror, o horror, o horror.
O grande e único problema da humanidade é que estes bípedes se alistam entre
os que, desde a mais tenra idade, se mostram incapazes de praticar um exercício que lhes garantiria pelo menos um instante de clarividência e iluminação.
É assim: primeiro, deveriam se postar diante de um espelho. Em seguida, com voz pausada, com cuidado para pronunciar cada sílaba com a devida clareza, deveriam recitar o mantra:
"Senhor dos céus: um dia, nasci. Respondei: por quê ? Para quê ? Em nome de quê?".
O silêncio da resposta se derramaria sobre todas as bandadas - e se estenderia por todos os séculos.
23 de janeiro de 2009
JUMENTO CONFESSO
22 de janeiro de 2009
ERRO DE DIGITAÇÃO ACONTECE NAS MELHORES FAMÍLIAS E NOS PIORES BLOGS: "SOU INOCENTE", GRITA O REDATOR, ENQUANTO É LEVADO PARA O CADAFALSO
Ou seja: parecia ser o caso de sujo falando de mal lavado.
Mas não!
Dessa vez, o que aconteceu foi puramente um erro de digitação.
É facílimo checar: em posts anteriores, a palavra tinha sido escrita corretamente inúmeras vezes. O Sopa de Tamanco não seria capaz de confundir "vos" com "voz".
Se confundisse, a redação desabaria. O autor do absurdo seria expulso do ambiente a chicotadas, sob aplausos. Nosso chefe imaginário aparecia na porta com um cinturão de balas pendurado nos dentes, duas bombas na mão esquerda e uma metralhadora giratória na direita.
Fuzilaria, sem piedade, o autor de tal absurdo, se o absurdo tivesse sido cometido. Mas não foi.
Tudo não passou de um tropeço involuntário - apenas um "z" digitado no lugar do "s" - na longa, árdua, terrível, acidentada e infinita batalha contra o Festival de Jumentalidades que Assola o País.
Aqui, ninguém diz "sombrancelha" nem "o óculos".
O último que disse foi imolado diante dos colegas: teve de engolir, página por página, um exemplar inteiro do Dicionário Houaiss, até tombar, inerte, vítima de indigestão tipográfica.
Quando nosso chefe descobriu que a vítima do castigo não fazia parte do exército de combatentes do Sopa de Tamanco (era apenas um contínuo que veio perguntar se alguém queria comprar "um óculos de sol"), era tarde. O castigo já tinha sido, injustamente, aplicado. Como consolo, o chefe providenciou uma cremação de luxo para o contínuo. A solenidade foi abrilhantada por um idiota tocando músicas de Roberto Carlos ao piano. Inesquecível.
O sacrifício de um inocente é sempre motivo de justa lamentação. Mas, como nem tudo se perde, a redação do Sopa de Tamanco guardará, por toda a eternidade, a lição e o exemplo: é assim que nosso chefe trata os que tratam o idioma pátrio a pontapés.
Nossa redação aprendeu, ali, que um país se faz com homens e livros - pouco importa que sejam homens inocentes devorando livros indigestos como castigo.
Assim, a atenta leitora do blog do nosso colega Vasconcelos pode ficar tranquila: tudo não passou de um lamentável - se bem que banal e compreensível - erro de digitação.
Como disse um javali dez segundos antes de ser devorado por um tigre gigantesco num daqueles documentários do National Geographic : a luta continua.
UM TIMAÇO DE ENTREVISTADOS ENTRA EM CAMPO!
ENTREVISTA COMPLETAS COM NELSON RODRIGUES, CHICO BUARQUE, IVAN LESSA, PAULO FRANCIS, CARL BERNSTEIN ( O REPÓRTER QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS), JOÃO SALDANHA, PELÉ, FRANCISCO JULIÃO ( O LÍDER DAS LIGAS CAMPONESAS DOS ANOS SESSENTA), LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA ( AINDA SINDICALISTA), JOSÉ SARAMAGO ETC.ETC.ETC.
O MAPA DA MINA:
http://www.geneton.com.br
E MAIS:
*A VERDADE SOBRE COMO BRIZOLA SAIU DO BRASIL EM 1964: A PALAVRA DA ÚNICA TESTEMUNHA OCULAR DA CENA!
*A CONFISSÃO FINAL DE JÂNIO QUADROS SOBRE A RENÚNCIA: DOENTE, NUMA CAMA DE HOSPITAL, ELE REVELA TUDO AO NETO
*A INCRÍVEL HISTÓRIA DO ÚNICO BRASILEIRO QUE VIVEU A GLÓRIA DE MARCAR UM GOL NUMA FINAL DE COPA DO MUNDO DIANTE DO MARACANÃ LOTADO. DEPOIS DE PERDER A COPA, ELE TEVE UMA CRISE DE AMNÉSIA"
JOGADOR NÃO PRECISA NECESSARIAMENTE FALAR INGLÊS. PRECISA JOGAR. MAS.....
MAS NÃO.
O ELEMENTO FALOU EM INGLÊS.
JUMENTALIDADE!
PEQUENA PAUSA NA CAMPANHA CONTRA A JUMENTALIDADE : UM DESPACHO DO CAMPO DE BATALHA NA GUERRA CONTRA.....MOSQUITOS!
Aqui em Santa Cecília a natureza é fértil e abundante: acordamos com o trinar bucólico dos ônibus, vamos dormir com o melodioso piar da banda Kalypso no bar da esquina e ao cair da tarde temos epifanias escutando o afável gorjear dos vendedores de ovo e laranja.
Não raro, um carro equipado com Car System se perde do bando e nos embala com seu doce chilrar, característico das aves canoras, que se prolonga infinitamente até que a gravação fique rouca ou comesse a tossir.
De madrugada, somos despertados pelo suave farfalhar dos travestis e seu coro harmônico, insultando os clientes em lúdicos concertos de palavrões. No horário do almoço, a fagueira horda de passantes invariavelmente solta seus guinchos graciosos, repletando nosso espírito ao som de: “Assalto! Pega! Ladrão!”
Também temos nossos quadrúpedes, como o dono da oficina aqui do lado e seu salutar costume de testar motores à meia-noite. Além de nosso vizinho de cima, que pelos agradáveis barulhos que produz deduzimos trabalhar com adestramento de elefantes.
Logo se vê, portanto, que sou pessoa acostumada a conviver com animais, tendo inclusive o hábito de visitar meu cunhado nos finais de semana. Contudo, talvez por ter nascido pouco depois do paleolítico, desconhecia as dificuldades de socialização com criaturas pré-históricas, caso dos pernilongos de nosso bairro.
Comecei a achar que os pernilongos de Santa Cecília não eram mosquitos como quaisquer outros quando, certo dia, passei repelente para me proteger e um deles morreu. De rir. Com o hábito, descobri que os bichinhos não só comem o produto, como dão preferência aos da Johnson.
Para terem uma idéia da gravidade do problema, digo tão-somente que toda vez que essas afáveis criaturas aparecem por aqui, escuta-se a trilha sonora dos Gremlins. Quando fazem vôos de reconhecimento, trauteiam a Cavalgada das Valquírias. E outro dia pequei uma lendo o meu Petrônio.
Já tentei de tudo para mantê-las afastadas. Dentre outras coisas, distribuí dezenas de incensos pela casa, mas fui vítima de um terrível efeito colateral — comecei a cantar Hare Hare, Hare Krishna — e parei. Procurei usar então aqueles aparelhinhos com pastilhas e descobri que 35 enfiados em todas as tomadas e benjamins nossos, mais dois ou três do vizinho, resolviam. Porém, desenvolvi intensa alergia às contas de luz. Como último recurso, coloquei o disco natalino da Simone. Elas gostaram.
De maneira que desde que o verão começou venho distribuindo meu tempo entre coçar a pele, ver bolhas vermelhas crescerem e ler e reler o Gênesis, xingando de trás para frente, na versão católica e na luterana, toda a genealogia de Noé.
Especialmente ontem, tenho certeza de que os insetos vieram aqui para casa depois de fumar maconha, porque estavam obviamente de larica. Notei que haviam ultrapassado todos os limites ao ver um deles com turbante e camisa do Bin Laden, e resolvi ligar para a portaria:
— Antonio, você por acaso não teria aí um revólver?
— Vixe Maria, seu Marcônio, tá brigando com o pessoal da igreja de novo? — perguntou o porteiro, um rapaz muito prestativo, recém-chegado de Marte e, ao que parece, sofrendo ainda com o jet lag.
— Revólver, eu disse, não bazuca. É pros mosquitos. Tem ou não tem? Fala logo que desde Antonio até bazuca já engoli dois.
— Muriçoca? Ah, seu Marcônio, mas isso de muriçoca é só a gente não dar atenção.
Eis aí, gente esnobe, quanto vale a ciência popular. Graças às palavras desse ente evoluído, venho me dedicando à grata tarefa de fingir que não vejo os mosquitos ou de desviar o assunto para política quando me mordem: “Bem, como dizia Hobbes, o homem é o mosquito do homem” etc.
E desde que passei a empregar o artifício, a situação melhorou bastante. As picadas continuam as mesmas, é verdade, mas já consegui que os bichinhos, em crise de consciência, devolvessem minha mulher e a geladeira.
UM CLÁSSICO DA JUMENTALIDADE : A INCRÍVEL RESPOSTA DA CANDIDATA EM BUSCA DE UM PRÊMIO
O apresentador pergunta:
"Que órgãos humanos ficam alojados em cavidades ósseas chamadas órbitas ?"
A candidata responde:
"Astronautas!"
Aconteceu. Não é lenda.
O SOPA DE TAMANCO RECEBE A ADESÃO DO BLOG DE NELSON VASCONCELOS NA CAMPANHA NACIONAL CONTRA A JUMENTALIDADE ! JOVEM, ALISTE-SE NESTAS FILEIRAS!
O endereço:
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/nelson/
Sério: toda vez que o blog de Nelson faz uma citação dessas, o número de acessos do moribundo Sopa de Tamanco dá um salto.
Como se diz lá em Caruaru, "thank you very much, my friend!".
Quando nossa assembléia de acionistas se reunir no fim do ano para tratar da distribuição de lucros, o nome do patrono Nelson Vasconcelos será lembrado:
um panetone em boas condições de uso será devidamente despachado para a redação do Globo.
Nelson também ficou vivamente impressionado com a comovente demonstração de jumentalidade feita por uma atendente do serviço telefônico do Banco do Brasil:
a sumidade encerrou o atendimento porque um dado fornecido pelo cliente durante os "procedimentos de segurança" estava em contradição com os registros do banco.
(ver post abaixo: atendimento telefônico do Banco do Brasil bate recorde mundial de jumentalidade)
O cliente teve de ir pessoalmente à agência para esclarecer a situação.
O gerente acessou o sistema.
Os dois - o cliente e o gerente - arregalaram os olhos, espantados, ao descobrirem que, no registro do atendimento, a moça informara o motivo da interrupção:
o cliente informara que nascera "no Recife". Mas a ficha dizia que ele tinha nascido "em Pernambuco".
Em resumo: a moça achava que Pernambuco era o nome de outra cidade - que nada tinha a ver com o Recife....
A jumentalidade triunfa de novo.
Um dos leitores do blog de Nelson Vasconcelos faz uma interessantíssima divagação sobre jumentalidade, cavalice, asnice e coisas do gênero.
Não percam.
É hora de deflagrar uma campanha nacional contra as demonstrações de jumentalidade.
O Sopa deTamanco não foge à luta: nestes últimos dias, nosso bravo site denunciou o anúncio de Gula Fruts em que a atriz Carolina Dieckmann pronuncia, com toda clareza, uma palavra que jamais existiu: "sombrancelha!".
Dá pena: como é possível que não tenha aparecido uma alma caridosa para dizer, ao diretor do comercial, à atriz, à equipe, que o certo é "sobrancelha" ?
Mas a jumentalidade vai ao ar, em horário nobre!
Quem terá sido capaz de produzir um anúncio em que se pronuncia tal absurdo?
Igualmente, o Sopa de Tamanco denunciou um site que publicou, na manchete,
uma aberração: "o óculos".
O guerrilheiro do Sopa de Tamanco ligou para o site! A moça que atendeu pronunciou a frase que entrou para os anais do jornalismo virtual brasileiro:
"Mas aqui a gente usa assim: "o" óculos!".
Ou seja: a sumidade não fazia idéia de que dizer "o óculos" é, como bem lembrou outro post aqui do Sopa, a mesmíssima coisa que dizer "a casas".
Jumentalidade em estado bruto!
Mas o erro foi corrigido.
Volaremos a informar, a qualquer momento ou em edição extraordinária.
Sim, também cometemos nossas jumentalidades.
Mas nossos exércitos esfarrapados lutarão até o último homem contra a jumentalidade, a asnice, a cavalice e a toupeirice que consomem o Brasil como se fossem ervas daninhas!
"Sombrancelha" não! "O" óculos não! Dizer que Recife não é Pernambuco não!
Nossos canhões entrarão em ação em resposta a agressões infames como estas!
Não passarão!
21 de janeiro de 2009
DE ACCÔRDO
SOBRE CETÁCEOS (E ALGUMAS CADEIRAS)

ANIMAR PASPALHOS NA DISNEY É SINAL DE INTELIGÊNCIA SUPERIOR OU DE ESTUPIDEZ INCURÁVEL ?
O locutor informa que os golfinhos são "muito inteligentes".
Imediatamente, uma dúvida devastadora sacode meus mares interiores:
quais são, afinal, os tão falados sinais de inteligência dos golfinhos ? Passar a vida se movimentando pra lá e pra cá no fundo do mar, sem destino certo, é sintoma de inteligência refinada ?
Pior: que tal ficar divertindo platéias de paspalhos na Disney ?
É o que os golfinhos fazem, há décadas, sem reclamar.
Cabe a pergunta: tais atitudes não seriam indícios claríssimos de estupidez ?
Eu cravaria, sem dúvida nenhuma: são, sim.
ATENDIMENTO TELEFÔNICO DO BANCO DO BRASIL BATE RECORDE MUNDIAL DE JUMENTALIDADE : "CLIENTE NASCEU NO RECIFE, NÃO EM PERNAMBUCO!"
(aliás, por que não ?)
O abaixo assinado acaba de ser vítima do mais espetacular caso de ignorância já registrado num atendimento telefônico de um banco.
A atendente do Banco Brasil faz as perguntas de praxe, em nome da "segurança" do cliente.
Lá pelas tantas, interrompe o atendimento. Diz que tenho de ir à agência. "Há um dado que não coincide com o cadastro".
Uma dúvida assola este pobre cliente: que erro tão absurdo eu terei cometido ? Terei me esquecido do meu nome ? Terei dado o número de telefone errado ? Terei confundido o nome da minha mãe ?
Peço que a atendente me informe qual foi o meu erro. Mas ela insiste: terei de "comparecer pessoalmente" a uma agência.
Compareço. Perco uma hora do meu tempo.
O gerente acessa o registro do atendimento feito por telefone.
E eis que se materializa diante de nossos olhos incrédulos um dos mais formidáveis casos de jumentalidade(*) já cometidos por uma atendente:
lá, ela informa que o atendimento tinha sido interrompido porque eu informei que tinha nascido "do Recife". Mas, no cadastro, consta que eu tinha nascido "em Pernambuco".
Ou seja: a distinta anta acha que existe uma cidade chamada Recife e outra chamada Pernambuco.
Nem desconfia de que quem nasce no Recife nasce, "automaticamente", em Pernambuco!
Célere, ela interrompeu o atendimento.
Não pude fazer a operação bancária por telefone simplesmente porque a cavalgadura acha que Recife é uma coisa; Pernambuco é outra, completamente diferente.
A bem da verdade, devo dizer que notei uma sombra de constrangimento no olhar do gerente que me atendeu pessoalmente: ele também ficou espantado ao descobrir que um atendimento telefônico fora interrompido porque uma funcionária achou que "Pernambuco" era o nome de uma cidade e "Recife" de outra.
Agora, quando precisar do atendimento telefônico, passarei a relinchar assim que ouvir o "alô" do outro lado.
Somente assim serei perfeitamente compreendido.
---------
(*) Aos não familiarizados com o reino animal: "jumentalidade" é uma gradação da "cavalice". A diferença é que a cavalice em geral vem acompanhada de maus modos.
Já a jumentalidade é uma demonstração escandalosa de ignorância: pode ser exercida da maneira mais suave possível, como é o caso da atendente que tomou providências urgentes porque achava que Recife não fica em Pernambuco.
20 de janeiro de 2009
JORNALISTA É AQUELE BICHO QUE ESCREVE (OU DIZ) "O ÓCULOS", FAZ TROCADILHOS INQUALIFICÁVEIS - E SE ACHA O MÁXIMO....A PLATÉIA PEDE LICENÇA PARA RIR
De tão repetido, o erro terminará entronizado, com toda justiça, no já lotadíssimo Grande Panteão da Ignorância.
Já vi repórter cobrindo evento internacional dizendo "o óculos" ao vivo.
Descobri faz séculos. Hoje, tenho certeza absoluta: não existe, na face da terra, profissão que reúna gente tão pretensiosa.
Se jornalistas pretensiosos oferecessem ao coitado do público um trabalho de alto nível, se fossem capazes de construir frases realmente legíveis, se tivessem o poder de exercer uma mínima originalidade, se conseguissem articular uma pergunta decente a um entrevistado, eu me calaria por todos os séculos & séculos.
Mas, não. Jornalismo é uma profissão habitada por gente que diz e escreve "o óculos" ou, em momentos de intensa inspiração, faz trocadilhos inqualificáveis. E se acha o máximo!
Em duas palavras: não dá.
Como diria o confrade Tom Carneiro, "quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá-quá".
Resta-nos rir desbragadamente.
Não há outra saída.
Faço uma confissão íntima e inútil: deixei de voltar a um oculista que disse "o óculos" durante uma consulta.
Pensei com meus esfarrapados botões: como confiar meus olhos a um médico que não sabe usar o plural ?
Não voltei.
Eu me lembrei de uma antiga entrevista que fiz com o escritor Autran Dourado. Lá pelas tantas, ele dizia que não confiava num médico ou num engenheiro que não
soubesse manusear a língua com um mínimo de habilidade.
O escritor argumentava : se um profissional supostamente qualificado - como um médico - não sabe como usar as palavras, não saberá manusear um bisturi, por exemplo.
A dúvida é legítima.
Uma vez, numa longa entrevista que me concedeu, o jornalista Evandro Carlos de Andrade fez uma confissão interessante: disse-me que parava imediatamente de ler uma notícia de jornal quando o redator (ou repórter) cometia algum absurdo.
O raciocínio do experientíssimo jornalista: se o autor daquele texto é incapaz de respeitar as regras básicas da escrita, não é confiável como fonte de informação. Ponto.
Corretíssimo.
19 de janeiro de 2009
A CAMPANHA NACIONAL DO SOPA DE TAMANCO CONTRA A IGNORÂNCIA DOS JORNALISTAS - LOGO ELES, QUE VIVEM RECLAMANDO DE LEITORES IGNORANTES....
( Abre parêntese. O Sopa de Tamanco vem, há tempos, fazendo uma inútil campanha contra a disseminação deste erro crasso: quem escreve "um óculos" simplesmente não sabe o que é plural ou singular. Porque escrever "um óculos" é a mesmíssima coisa de escrever "uma casas" ou "um carros".
Tais demonstrações de ignorância, típicas de quem habita o já superpovoado território da Burrolândia, soariam engraçadas se saídas da boca inocente de uma criança de dois anos e meio. Mas, cometidas por jornalistas, são de fazer chorar.
Como um profissional pago para zelar pela língua ( sim! é esta uma das funções de quem fala e escreve em público!) pode ignorar que uma das palavras mais usadas do idioma exige o artigo no plural ? Fecha parêntese).
Pois bem: a Patrulha da Sopa de Tamanco teve a imensa pachorra de telefonar para o plantão do site para dizer que o redator tinha cometido um erro colossal na manchete.
Uma voz de mulher atende. O patrulheiro do Sopa diz: pega mal, malíssimo um site tão visitado expor, na manchete, tal barbaridade: "um óculos!".
A moça faz um silêncio do outro lado da linha. Devia estar pensando: "Que leitor ignorante!".
De repente, pronuncia a frase que pode ser tomada, desde já, como o epitáfio do jornalismo virtual do Cone Sul da América:
- Mas aqui a gente usa assim: é "o" óculos....
Fuzilado pela resposta, o patrulheiro do Sopa de Tamanco escapa por pouco de ter um enfarte fulminante mas ainda encontra, em suas florestas interiores, fôlego para argumentar com a moça: dizer coisas como "um óculos", "o óculos", "meu óculos" não é errado: é erradíssimo! Pegue um dicionário para ver!
A moça agradece. Desliga o telefone.
Com toda certeza, deve ter ido consultar o dicionário ou, quem sabe, teve a modéstia de perguntar a um vizinho de mesa.
Cinco minutos depois, o título foi consertado. O site baniu o "um óculos" da manchete. Um novo título, com o artigo no plural diante da palavra óculos, foi prontamente parido no plantão de sábado.
A guerra do Sopa de Tamanco contra a GMI, a Grande Marcha da Ignorância que avança, célere, pelas redações, é inglória.
Mas não custa nada soltar tiros - ainda que de festim - de vez em quando.
O locutor que vos fala já viu gente que ocupava cargos de chefia em redações dizer, com todas as letras, coisas como "traz aqui o texto pra mim ver".
Ah, jornalistas....Como já se disse em outro artigo: que gentinha pretensiosa....
Gente que diz "o óculos" e "pra mim ver" deveria,para o bem do Brasil, estar vendendo abacaxi na beira das rodovias.
Jamais, nunca, never, sob hipótese alguma, deveria estar falando ou escrevendo em público. Porque tudo o que estas cavalgaduras fazem é jogar estrume em quantidades industriais em nossas retinas ou canais auditivos jã tão fatigados.
15 de janeiro de 2009
PELO AMOR DE DEUS, QUEM É ISABELI FONTANA ? QUEM É MAURÍCIO PARANHOS ? O QUE FAZ UM SER HUMANO PISAR NUM EVENTO CHAMADO FASHION RIO ?
FAZ OITO HORAS QUE O LOCUTOR QUE VOS FALA RI DESCONTROLADAMENTE.
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
O MOTIVO : UMA CENA DESCRITA NO SEGUNDO CADERNO DA EDIÇÃO DE HOJE DE O GLOBO ( 15 DE JANEIRO DO ANO DA GRAÇA DE 2009).
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
UMA NOTA INFORMA QUE A SUMIDADE INTELECTUAL CHAMADA ISABELI FONTANA
(UM DAQUELES SERES BÍPEDES QUE DESFILAM DESENGOÇADOS EM PASSARELAS, SOB OLHARES DE GENTE DESOCUPADA) MANDOU AVISAR, ANTES DE UM DESFILE, QUE NÃO, NÃO FALARIA AOS JORNALISTAS.
OU MELHOR: SÓ RECEBERIA "TRÊS IMPRENSAS POR CINCO MINUTOS" NO CAMARIM.
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
"TRÊS IMPRENSAS" !
O JORNAL INFORMA QUE UM LEÃO DE CHÁCARA IDENTIFICADO COMO MAURÍCIO PARANHOS AVISOU QUE CADA JORNALISTA SÓ TERIA DIREITO A FICAR TRINTA SEGUNDOS DIANTE DA SUMIDADE.
"TRINTA SEGUNDOS, HEIN! NEM UM MILÉSIMO A MAIS!", É O QUE ELE DISSE, SEGUNDO REGISTRA A COLUNA "GENTE BOA".
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
NÃO TENHO A MENOR DÚVIDA: EIS UM INDÍCIO CLARÍSSIMO DO FIM DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL, TAL COMO SE CONHECIA ATÉ HOJE.
PERGUNTA-SE: EM NOME DE TODOS OS SANTOS, QUEM É ISABELI FONTANA ?
DUVIDO QUE EXISTA, EM TODA A FACE DA TERRA, UM MÍSERO HABITANTE QUE JÁ TENHA OUVIDO UMA DECLARAÇÃO INTERESSANTE OU UMA FRASE ORIGINAL PRONUNCIADA PELA MODELO ( POR UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA, DIGA-SE QUE A INANIÇÃO INTELECTUAL É EXTENSIVA A SEUS PARES).
UM JORNALISTA NÃO PRECISARIA PASSAR TRINTA SEGUNDOS DIANTE DA INTELECTUAL FONTANI: AINDA QUE PASSASSE SESSENTA HORAS OUVINDO A ENTIDADE DISCURSAR SOBRE TUDO E SOBRE TODOS, DIFICILMENTE VOLTARIA PARA A REDAÇÃO COM UMA FRASE APROVEITÁVEL.
UM ASSESSOR INFORMAVA QUE A SRA. FONTANA ANDA ARREDIA DESDE QUE SE SEPAROU.
JURO POR SANTA BÁRBARA QUE EU JAMAIS SOUBE QUE ELA UM DIA ESTEVE CASADA - SEJA LÁ COM QUEM FOR.
A BEM DA VERDADE, DEVE-SE PERGUNTAR: QUEM VERDADEIRAMENTE ESTARIA INTERESSADO EM SABER DO ESTADO CIVIL DA SENHORA MODELO ?
MAS, COMO NEM TUDO SE PERDE NESTE CIRCO DE HORRORES, RESTA O HUMOR INVOLUNTÁRIO PRODUZIDO PELOS PERSONAGENS: AS CENAS PROTAGONIZADAS PELA MODELO E PELO LEÃO-DE-CHÁCARA SÃO IMPAGÁVEIS.
"TRINTA SEGUNDOS! NEM UM MILÉSIMO A MAIS!".
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
SE A PERSONALIDADE A SER OUVIDA SE CHAMASSE ALBERT ENSTEIN, OS REPÓRTERES PODERIAM, ATÉ, SE SUJEITAR AO DESCALABRO.
MAS.....FICAR DIANTE DE UMA MODELO POR TRINTA SEGUNDOS NA ESPERANÇA DE OUVIR ALGO DE INTERESSANTE (OU DE ORIGINAL OU DE MEMORÁVEL) É TÃO INÚTIL, TÃO RIDÍCULO E TÃO PATÉTICO QUANTO ENXUGAR GELO.
É UMA CURIOSIDADE QUE CULTIVO HÁ DÉCADAS: QUE TIPO DE GENTE SERÁ ESSA ? DE QUE MATERIAL É FEITO O CÉREBRO DESSAS SUB-CELEBRIDADES E SEUS LEÕES-DE-CHÁCARA ?
UM DIA, DESCOBRIREI.
ENQUANTO O MISTÉRIO NÃO SE RESOLVE, RESTA RIR A BANDEIRAS DESPREGADAS.
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
"TRÊS IMPRENSAS!"
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
"TRINTA SEGUNDOS! NEM UM MILÉSIMO A MAIS!"
QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ.
IN MEMORIAM
Planta baixa do Estádio do Maracanã, com todos os caminhos – invisíveis alguns –que levavam ao gol de Barbosa.Horas depois do jogo, Obdulio Varela correu a noite carioca. Envergando um terno sóbrio (na época não existia o verbo "vestir"), tropeçava aqui e acolá num bêbedo (ainda não tinham inventado o bêbado) que lambia o meio-fio. Parou no Bar Brasil. O bar estava cheio. O bar estava vazio. Mas havia quem vagasse entre as cadeiras como quem procurasse um relógio ainda não inventado. E sem atinar o porquê da busca.
Como recebera o bicho adiantado, el gran capitán pagou uma rodada para todos. Não sem antes pedir licença – para evitar qualquer mal-entendido. Não houve brinde, não houve briga, não houve... O que houve? Não se sabe. Mas consta um garçom, patrício del negro jefe, ter ouvido o que Obdulio balbuciou ao deixar a casa: "Mundo perro." Teria derramado uma lágrima que lhe correu o peito por dentro. Mas sorriu. E um céu cor de tecido se abriu para ele na noite da Lapa.

