14 de janeiro de 2009

O ACORDO

Quem conta é o livreiro e editor Alberto Abreu.

O linguista, filólogo e historiador da "inculta e bela" Serafim da Silva Neto tinha uma opinião que gostava de repetir quando o assunto era uniformização ortográfica:

– Não me importa se 'gato' se escreve com x ou com n.
– Mas Serafim, 'gato' é com g!
– Ah é?

POR QUE O BIG BROTHER NÃO OFERECE UM PRÊMIO DE UM MILHÃO DE NEURÔNIOS PARA AQUELES CÉREBROS DESABITADOS ?

Aviso à praça que entrarei em período de hibernação.

Credores, saiam do caminho. Terráqueos, respeitem meu silêncio.

Daqui a quatro meses, quando o Big Brother Brasil tiver terminado, me acordem, por favor.

Por ora, desacordado, estarei livre de ter os tímpanos maltratados pelos gritos de "uh! uh!", pronunciados por aquele aglomerado de sumidades que buscam o prêmio de um milhão de reais.

Uma dúvida embalará meu sono, durante o período de devoção absoluta ao Deus Ócio : um prêmio de um milhão de neurônios não seria mais útil para aqueles cérebros desabitados ?

Com um milhão de neurônios injetados em seus cérebros, os Big Brotheres poderiam, aí sim, fazer alguma coisa de útil à humanidade, aqui fora. Quem sabe, um dia amealhariam um milhão de reais.

Mas rendo-me à força avassaladora dos fatos. O mundo não é assim, oh boy.

Apago a luz, desligo a TV para sempre, desconecto-me.
É hora de recolhimento.

Caminho, cabisbaixo, em direção aos meus aposentos.
Enquanto movo meu aglomerado disforme de ossos,músculos e tédios em direção à cama, pronuncio grunhidos ininteligíveis. Nem eu consigo decifrá-los.

Jogar ao ar imprecações balbuciadas em tom de voz inaudível faz parte do show que há décadas enceno para um único e lastimável espectador : eu mesmo.

Nesta caminhada de vinte e cinco passos, minha única companhia é minha ingenuidade, que há séculos puxo por uma coleira imaginária.

Os dois - eu e minha triste ingenuidade - dormiremos, a partir de agora, um sono profundo, intocado pelos bigs, pelos brothers e pelo Brasil.

Não há felicidade maior.

A PARTE MAIS BELA E COMOVENTE DO LIVRO "O JOGO DA AMARELINHA" É A FRASE FINAL: "COMPOSTO E IMPRESSO NAS OFICINAS DA NOVA FRONTEIRA S/A"

Do blog de Marconi Leal ( http://marconileal.opensadorselvagem.org/ ):



Lucano foi a primeira personalidade propriamente literária de que se tem notícia e o precursor do que conhecemos hoje como mundo artístico. Prova disso é que foi capaz de vender a própria mãe.
***
Tenho um amigo que começa O Jogo da Amarelinha na página três, pula para o prefácio, lê as orelhas, vai à quarta capa e daí por diante. Segundo ele, a parte mais bela e comovente da obra é a frase ao final: “Composto e impresso nas oficinas da Nova Fronteira S/A”
***
O problema da edição de bolso de Guerra e Paz é que para carregá-la você precisa colocar o bolso dentro de um carrinho de mão.
***
Tentaram fazer uma edição de bolso de A Montanha Mágica, mas o máximo que conseguiram foi uma edição de alforje.
***
O livro mais complexo que li até hoje foi o manual do motorista do meu carro.
***
O que mais admiro em Machado é o domínio da língua. Coisa tanto mais admirável quando se sabe que tinha epilepsia.
***
No que dependesse do meu amor a Joyce, o Bloomsday seria comemorado no mesmo dia do Halloween.
***
Dizem que as edições dos livros de Paulo Coelho em búlgaro e esloveno são perfeitas: não se entende nada do que está escrito.
***
O título de obra literária mais descritivo que conheço é Em Busca do Tempo Perdido. Há anos, pelo menos, tento recuperar o tempo que perdi ao lê-la.
***
Meus livros de cabeceira são o Houaiss, o Aurélio e o Vocabulário Ortográfico. Sobre eles coloco o abajur, um copo d’água e os livros que leio antes de dormir.

13 de janeiro de 2009

MUNDO PERRO



Jogávamos pelo empate. Saímos na frente. Veio o segundo tempo; veio o que veio. Mundo cão.

O complexo de vira-latas (Nelson Rodrigues dixit) seria superado oito anos depois. Mas para alguns ainda é impossível falar daquele 16 de julho no Maracanã. Pouco importa se nem viviam à época.

(Na imagem, Friaça abre o score na final da Copa do Mundo de 50.)

12 de janeiro de 2009

FRIAÇA : A PALAVRA DO ÚNICO BRASILEIRO QUE CONSEGUIU MARCAR UM GOL PELO BRASIL NUMA FINAL DE COPA DO MUNDO NO MARACANÃ ! UM SONHO !

O site www.geneton.com.br traz a íntegra do depoimento de Friaça ao repórter Geneton Moraes Neto:

O DEPOIMENTO COMPLETO DO ÚNICO BRASILEIRO QUE REALIZOU O SONHO DE MARCAR UM GOL NUMA FINAL DE COPA DO MUNDO NO MARACANÃ. A INCRÍVEL HISTÓRIA DO ARTILHEIRO QUE TEVE UMA CRISE DE AMNÉSIA DEPOIS DE PERDER UM TÍTULO QUE PARECIA CERTO. QUANDO ELE "VOLTO A SI", ESTAVA EMBAIXO DE UMA ÁRVORE, NUMA CIDADE DO INTERIOR"

*************

Friaça podia bater no peito: era o único brasileiro que realizou o sonho de todo jogador de futebol: marcar um gol pelo Brasil, numa final de Copa do Mundo, no Maracanã.
O autor da façanha morreu hoje, doze de janeiro de 2009, aos 84 anos.
Tive a chance de entrevistá-lo duas vezes.
Eis o que ouvi do jogador que entrou para a história do futebol graças a um gol inesquecível.

O depoimento completo de Friaça foi publicado no nosso livro "DOSSIÊ 50', lançado em 2000 pela Editora Objetiva. É a única reportagem que traz a palavra de todos os jogadores que entraram em campo para enfrentar o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950. Esgotado, o livro virou "raridade". Mas pode ser encontrado em sebos.

Aqui, o capítulo dedicado a Friaça:


“FIZ UM A ZERO NA FINAL DA COPA.ALI NÓS JÁ ÉRAMOS DEUSES”

Albino Friaça Cardoso tinha vinte e cinco anos, oito meses e vinte e seis dias quando realizou o sonho máximo de todos os jogadores brasileiros de todas as épocas: fazer um gol numa final de Copa do Mundo dentro do Maracanã superlotado. O gol sai logo no primeiro minuto do segundo tempo. O Maracanã enlouquece. Friaça também. “A emoção foi tão grande que só me lembro de uma pessoa que veio me abraçar: César de Alencar, o locutor. Quando a bola estava lá dentro, ele gritou: “Friaça, você fez o gol!”. Naquela confusão, ele entrou em campo e me abraçou. Nós dois caímos dentro da grande área”. Louco de alegria, Friaça só se lembra com clareza do rosto de César de Alencar. “Passei uns trinta minutos fora de mim. Eu não acreditava que tinha feito o gol. Eu tinha potencial, mas estava ao lado de craques como Zizinho, Ademir e Jair. E logo eu é que fiz o gol”. Se o Brasil precisava apenas de um empate, então o jogo estava liquidado: a seleção ia ser campeã do mundo. “Ali, nós já éramos deuses”.

Friaça só não poderia imaginar que outras cenas inacreditáveis iriam acontecer ali – além da queda com César de Alencar dentro da grande área, numa explosão de alegria. Consumada a tragédia brasileira, diante da maior platéia até hoje reunida para um jogo de futebol, a dor da derrota desnorteou o autor do gol do Brasil.

“O trauma foi enorme. Vim para o Vasco. Fiquei, em companhia de outros jogadores, andando de noite em volta do campo, ali na pista. O assunto era um só: como é que a gente foi perder com um gol daqueles ?”.

Depois das voltas inúteis em torno do campo do Vasco na noite de domingo, Friaça pirou. “Só me lembro de que a gente subiu para o dormitório. Eram umas onze da noite. Troquei de roupa e me deitei. Não me lembro de nada do que aconteceu depois. Quando dei por mim, por incrível que pareça, eu estava em Teresópolis, no meu carro. Passei pela barreira, fui para um hotel. Quando me perguntaram: “Friaça, o que é que você quer?” Eu simplesmente não sabia onde estava. Só sabia que estava debaixo de uma jaqueira, no terreno do hotel. Não sei como é que saí com meu carro da concentração. Não sei como é que fui bater em Teresópolis. Um médico que era prefeito de Teresópolis é que me deu uma injeção. Comecei a saber onde é que estava uns dois dias depois. A a minha família,em Porciúncula,estava atrás de mim, sem saber onde é que eu estava. O pior é que eu também não sabia. De 64 quilos eu passei para 59”.

Quem tivesse a sorte de fazer gol pelo Brasil ganharia um terreno – era um dos prêmios aos futuros campeões do mundo. O artilheiro da finalíssima contra o Uruguai mereceria um prêmio extra – uma televisão, na época, um luxo para privilegiados. Quando finalmente descobriu em que país estava, depois do trauma da vitória do Uruguai, Friaça tentou receber o terreno e a televisão.
“A resposta que me deram foi: só se o Brasil tivesse vencido o jogo...”.

“Eu tinha confiança : a gente ganharia do Uruguai com facilidade.Cheguei a imaginar um placar de 2 ou 3 a 0 para o Brasil,pelo time que nós tínhamos e pelo time que o Uruguai tinha.A gente pode dizer que o Uruguai tinha um grande time,mas o Brasil era uma potência,uma força.O Brasil não pensava nem no empate.A gente não daria essa chance ao Uruguai.A verdade é que nós,os jogadores,estávamos tranquilos.A gente sabia que,se o time jogasse o que vinha jogando,dificilmente perderia.Se o tempo pudesse voltar,se o Brasil pudesse jogar dez vezes contra o Uruguai,ganharia nove.A seleção de cinquenta foi uma das maiores que o Brasil já teve.
A maior vingança que experimentei em minha carreira esportiva aconteceu um ano depois de nossa derrota na final da Copa de 50.O Vasco da Gama foi ao Uruguai jogar contra o Penarol. Ganhamos do Penarol – que tinha onze jogadores de seleção – dentro do Estádio Centenário.Repetimos a dose em outro jogo,aqui no Brasil.

Em 1950,nós estávamos engatinhando. Não estávamos preparados para ter um impacto tão grande quanto o que sofremos.O nosso time tinha um potencial muito maior do que o do time do Uruguai. O gol de empate do Uruguai,marcado por Schiaffino,teve um impacto grande sobre nosso time.Porque,até então,o jogo mais duro que tivemos tinha sido contra a Iugoslávia.Vencemos por 2 a 1,um jogo duro.
Diante dos outros,o Brasil jogava quase que a toque de música,como,depois,a seleção de 70.Era um time homogêneo.Quando o Uruguai fêz o gol de empate,sentimos um impacto.Há quem fale em Bigode.Mas fomos todos nós.

Não houve falha na armação tática do time.Ainda ouço até hoje que Obdulio Varela deu um tapa em Bigode. Não deu.Eu estava lá ! Pude sentir todo o problema.Bigode –é verdade- tinha dado uma entrada violenta.Aliás,violenta,não : uma entrada dura.Houve o impacto do juiz.Neste momento,Obdulio entrou em cena para separar. Mas não houve nada.

O que aconteceu,no gol,adiante,é que Bigode foi batido numa jogada,porque Ghiggia era um jogador de alta velocidade. Se Bigode foi batido pela alta velocidade de Ghiggia,então teria de contar com a cobertura de outro jogador. Não posso ficar falando.Não é o caso de a gente crucificar A, B ou C.Mas não houve cobertura.Como não houve cobertura,veio aquele impacto. Schiaffino,no lance do primeiro gol do Uruguai,foi muito feliz,como Ghiggia.Basta ver que o próprio Ghiggia diz que pegou a bola mal no pé.Fêz o gol no contra-pé de Barbosa,o nosso goleiro.Pegou a bola quase que com o bico da chuteira.Resultado : a bola entrou entre a trave e a perna esquerda de Barbosa.

O que eu acho é que não houve uma cobertura certa no lance, já que se sabia que Ghiggia era um jogador de grande velocidade. Tinha pouco domínio de bola,mas era veloz.
Não acredito em falha técnica do treinador. Porque,desde o primeiro jogo,entramos da mesma maneira.Mas aconteceu o lance : Ghiggia recebia a bola e partia para cima de Bigode.Como era de alta velocidade,Ghiggia dava um chute lá pra frente e partia.Então,a cobertura era essencial.
Não estou crucificando ninguém.Mas estou dizendo o que faria : punha um jogador fazendo a cobertura.

Gravei bem o lance do meu gol contra o Uruguai,porque este é o tipo de coisa que a gente guarda.Eu tinha potência na perna direita,graças a Deus.Quando vi,Máspoli,o goleiro do Uruguai,tinha saído.Bati forte na entrada da área - do lado direito para o lado esquerdo.A bola entrou.O lance tinha nascido de uma combinação minha com Bauer.Assim : Bauer tocou para mim, eu toquei para o Zizinho – que tocou,na frente,para mim. Antes de entrar na área,bati na bola.Tive a felicidade de marcar !

Eu só tinha um pensamento : fiz o gol ! A única coisa que eu vi foi César de Alencar me abraçando.Caímos dentro da área.Passei uns trinta minutos fora de mim.Eu não acreditava: nós tínhamos craques como Zizinho,Ademir e Jair.Mas eu é que tinha feito o gol ! Em toda a vida,eu sempre fui muito frio, nunca tive medo de ninguém : eu era igual a todos. É uma das das vantagens que eu tinha -e tenho até hoje.

Quanto à recomendação que o nosso técnico fêz antes do jogo,é bom que se diga o seguinte : o que Flávio Costa não admitia a covardia,mas aceitava entradas firmes e duras,desde que fossem leais.Há uma diferença entre as duas coisas.Deslealdade é uma coisa,jogada dura é outra.
Se alguém pensou em tirar de campo um jogador como Obdulio Varela,foi bobagem.Porque Obdulio era um jogador vivo e manhoso : não ia cair numa dessas.Eu mesmo já passei por uma situação dessas. Gostava de jogo duro.Não cheguei a jogar quatro vezes no Vasco na mesma posição : ora era center-foward,ora ponta-esquerda,ora ponta-direita.ter four, ponta esquerda, ponta direita e gostava. Depois da Copa,joguei contra o Uruguai,como center-foward.Matias Gonzalez me disse : “Vou te botar pra fora da área !”.Eu disse : “Você me conhece ! Sou do estado do Rio ! Já joguei 4 vezes contra você.Vamos brigar até o fim do jogo.Você sabe que eu não corro do pau !”.

Antes do jogo,aquele assédio atrapalhou o descanso dos jogadores.Como era ano de eleiçãO,teve jogador que foi levado para passear.A seleção,então,não teve sossego,tranqüilidade.É por razões que eu digo que a seleção estava engatinhando,em 1950,porque não tinha uma vivência.Um exemplo: passamos quarenta e cinco dias em Araxá,sem comunicação alguma com nossas famílias. Depois que Paulo Machado de Carvalho e o falecido Geraldo José de Almeida foram para é que começamos a Ter contato.Acontecia o seguinte : nossas famílias não recebiam as cartas que a gente escrevia.

Não culpo Flávio Costa de jeito nenhum, porque ele era sozinho.Era Flávio Costa e Vicente Feola para tomar conta de vinte e cinco jogadores. Depois,ficaram vinte e dois.Hoje,existe uma comissão técnica.Mas quem fazia treinamento era Flávio Costa – tudo ele.A equipe era o roupeiro,dois massagistas,dois médicos e Vicente Feola,para ajudar.

Eu me lembro de lances que poderiam ter mudado a história do jogo.Eu era um jogador que tinha noção dos passes,principalmente os de perna direita. Houve um lance em que fiz um passe certeiro,para Ademir entrar de cabeça.Eu,naquele estado de nervos,tinha certeza de que Ademir,com a facilidade que tinha para jogar,faria o gol.Mas Ademir praticamente devolveu a bola para mim. A bola voltou na mesma direção ! Por aí,dá para ver o estado em que os jogadores do Brasil se encontravam,naquele momento,a dez,quinze minutos do fim da partida.Naquela altura,era tudo na base do “valha-me Deus”,porque ninguém entendia nada.

A gente tinha saído da concentração para o Maracanã às onze e quarenta e cinco.Chegamos ao estádio em torno de uma hora da tarde.Quando chegamos ao vestiário,encontramos colchão para todo mundo se deitar no chão.
Antes,quando a seleção estava concentrada no Joá,antes da mudança para São Januário,várias vezes tivemos de empurrar,em dia de treino,uma camionete enguiçada da Polícia Militar,uma daquelas que tinha a madeira pintada de amarelo e a lateria pintada de azul.

Durante a Copa,jogadores receberam camisa, corte de terno,relógios e lustres.Da Sexta para o sábado e do sábado para o domingo,dentro do bar do Vasco da Gama,na concentração em São Januário,eu assinei autógrafos como “capeão do mundo”.Assinei !
Tinha até comerciante envolvido.Hoje,jogador de futebol não faz um negócio desse se não receber uma importância. Mas eu assinei bolas,faixas,fotos,todo tipo de coisa.Já nem sei onde assinei...Quem fizesse o primeiro gol receberia um terreno,perto do Leblon.Quem fizesse o primeiro gol do Brasil contra o Uruguai iria ganhar uma televisão,uma novidade,na época.Fiz o gol.Nunca vi esse prêmio.Não ganhei terreno.Corri atrás,mas não adiantou nada.Quem ia dar os prêmios disse que não podia,porque o Brasil tinha perdido a Copa.A televisão ia ser prêmio de uma loja chamada A Exposição. Meu cunhado foi à loja,para saber do prêmio.Disseram : “Ah,não ! Só se o Brasil tivesse ganhado o jogo...”.
Logo em seguida,comprei uma televisão.

Durante a Copa,houve uma reunião entre os jogadores,para discutir a divisão de prêmios que eram oferecidos à seleção.Decidiu-se que ia se fazer um leilão dos objetos.Pelo seguinte : havia no grupo jogadores que não tinham condições físicas ou técnicas de jogar.Como não jogavam,corriam o risco de não receber prêmios.Então,combinou-se com nossa “diretoria”,formada por Augusto,Nílton Santos,Castilho e Noronha,o seguinte : tudo o que cada um recebesse seria leiloado.Houve,então,uma pequena desavença sobre como é que se ia dividir um lustre de cristal,oferecido por uma loja.Flávio Costa entrou na discussão para acalmar o pessoal.

Mas o pior,para mim,veio quando o jogo acabou.Vim para o Vasco. Ficamos eu,Bauer, Rui e o Noronha andando em volta do campo,na pista do do Vasco. : é a momento mais duro que tive em minha vida.Dali,subimos para o dormitório. O assunto era um só : como é que nós fomos perder com um gol daqueles ? Ficou aquela “conversa de bêbado”,sem fim nem começo.
Só sei que subi para o dormitório ás onze horas.Não me lembro de mais nada,não sei de mais nada. Quando eu dei por mim,estava em Teresópolis ! Uma pessoa do hotel me perguntava: “Friaça, o que é que você quer?” E eu nem sabia onde estava !.Só sei que estava debaixo de uma jaqueira,num hotel...Fui sozinho para lá.Não como é que pedi ao porteiro para sair,não sei como é que cheguei a Teresópolis.De manhã,o porteiro do hotel foi chamar o prefeito de Teresópolis – que eu conhecia.Tomei injeção,passei uns dois dias com ele. Honestamente,não sei o que eu tomei,mas fiquei apagado. Depois é que me refiz,comecei a saber onde é que eu estava e o que é que tinha feito.A minha família estava me procurando no Rio e em São Paulo,porque não sabia onde é que eu estava.Mas eu mesmo também não sabia ! Depois de chegar finalmente a Porciúncula,terra da minha família,eu me comuniquei com o Rio e com São Paulo.Eu tinha 64 quilos.Passei para 59.

Devo ter ido para Teresópolis porque sempre que tinha uma folga gostava de ficar quieto lá.Nunca gostei de confusão.Eu queria era tranquilidade.
O que vi no vestiário do Brasil,assim que acabou o jogo,foi só choro.Não se via outra coisa,a não ser gente se abraçando,chorando,lamentando.Os mais frios sofrem mais.Quem desabafa sente um alívio.quem não desabafa fica sofrendo.Nosso vestiário - desculpe a expressão – virou um cemitério.Era só gente se lastimando,como num velório.
Quando acabou tudo,eu pedia muito a Deus que eu jogasse outra vez contra o Uruguai.Terminei jogando – e ganhando,pelo Vasco : 3 a 1 em Montevidéu,2 a 0 aqui.
Não adiantava querer sonhar.Eu queria ir à forra.O Vasco chegou debaixo de cavalaria,mas ganhou.
Jogadores da seleção brasileira de 50 - que tinham condições de crescer na carreira - só regrediram depois da Copa.Antes,éramos deuses.
Nós,os jogadores,sofremos em todos os cantos,porque para onde a gente ia,ouvia só duas palavras : Obdulio,Uruguai "

8 de janeiro de 2009

PAUSA PARA UM REFRESCO: AS AVENTURAS DO COVER DE NELSON NED PELOS SERTÕES DO BRASIL

Há um novo blog na praça:

http://poeirasemaltomar.blogspot.com

É o bilionésimo blog a dar sinal de vida no Planeta Internet. Chegará o dia em que haverá um blog para cada leitor. Porque nenhum leitor é capaz de dar conta de tantos blogs.

O Poeiras é assinado pelos ex-tamanqueiros Amin Stepple e Roberto Borges.

"O COVER DE NELSON NED" é da lavra de Stepple. Divirtam-se:



Pachula sempre viveu no circo. Na verdade, a troupe o adotou aos sete anos de idade, quando o encontrou escondido num trailer, numa das temporadas pelo sertão baiano. A infância se passou no trato dos animais e no picadeiro, a única escola desse artista nato. Com o tempo, Pachula aprendeu todos os truques que o transformaram numa das atrações do Circo Babilônia. Com o talento compactado em um metro e oito centímetros de altura, era o único anão do divertido grupo de palhaços. As piadas e os pastelões arrancavam gargalhadas e garantiam a bilheteria. A caravana do Babilônia cansou de contar quantas vezes percorreu o mapa empoeirado do Brasil. Mas, um dia, o público sumiu de vez, aprisionado pela luz azulada das novelas.

--- Cansei da vida na lona.

Repetia Pachula, a iludir a si mesmo, sem admitir que o espetáculo acabara. Às vezes o anão cedia à nostalgia. Lembrava do circo indo de cidade em cidade, dos tempos impermanentes da vida nômade. Sacrificada, diga-se, mas refúgio seguro contra o tédio. Os aplausos da distinta platéia recompensavam a falta de conforto, os riscos e até os amores abandonados.

--- O público sabe reconhecer o verdadeiro artista.Disso Pachula não tinha dúvida, nada de queixas. Amores abandonados? Sim, lona que se arma e desarma num terreno baldio. Ao contrário dele, a grande paixão de Pachula não tinha medo de altura: a trapezista Denise. Loura de um metro e oitenta, sorriso aberto, confiante de quem jamais teme a morte. Artista perfeita, de gestos precisos, impulsos matemáticos.

E mais: quentíssima na cama.Confidenciava o amante Pachula. Aliás, as aptidões de Denise nos lances do trapézio sexual quase causam uma tragédia. Certa noite, entusiasmada, a trapezista, com suas coxas grossas e firmes acostumadas aos desafios das alturas, deu uma prolongada “chave de pernas” em Pachula. O anão por pouco, muito pouco, não morreu asfixiado entre as pernas da namorada.

___Cheguei a ficar roxo!Com o fim das jornadas circenses, Denise conquistou para si um destino de folhetim: desapareceu na estrada com um caixeiro-viajante. Pachula, dono de voz bonita e potente, decidiu sobreviver como cover do cantor Nelson Ned. As apresentações nos bares davam uns trocados e algumas refeições. Numa noite, ele foi apresentado a um empresário de shows. De lábia sedutora, Mário Aciolly convenceu Pachula de que ele era um produto artístico fácil de vender. O que faltava?

--Ninguém imita com tanta perfeição Nelson Ned. Ao ouvi-lo pela primeira vez, confesso que pensei que era o próprio Nelson. Além do mais, você é a cara dele e do mesmo tamanho. A partir de agora, você é o Nelson Ned.

Em pouco tempo, o esperto Mário Aciolly agendou vários espetáculos em cidades do interior. O show tinha forte apelo publicitário: “A VOLTA DE NELSON NED”. Casa sempre cheia, Pachula arrasava na interpretação dos sucessos de Nelson Ned.

___Vamos ficar ricos, milionários.É o que se lia no olho grande e gordo do empresário, eufórico por ter fechado mais uma longa turnê, agora pelo interior da Paraíba.Em Zabelê, terceira cidade programada do show “A VOLTA DE NELSON NED”, logo todos os ingressos foram vendidos. O empresário descobriu que até fã-clube o pequeno grande cantor brasileiro tinha em Zabelê. Gripado e febril, Pachula não estava na melhor forma. Tentou adiar a apresentação, mas Aciolly, receoso do prejuízo com a devolução dos ingresso, não concordou.­­­

___ Vai cantar de qualquer jeito.Iniciado o show, Pachula esqueceu algumas das letras do repertório, provocando risos e piadas na platéia. A situação se complicou ao desafinar quando começou a cantar “eu hoje estou tão triste, eu precisava tanto conversar com Deus...”, um clássico que sempre levava o público às lágrimas. Um gaiato não se conteve e gritou:

___ Esse anão não é Nelson Ned, porra nenhuma. Nelson Ned é menor do que ele uns quinze centímetros.Logo, outro, de chapéu de couro, berrou:

---Sai daí, toco de gente. Vai enrolar tua mãe.Do fundo do salão lotado, uma mulher, de cabelo oxigenado, vestida com pouquíssima roupa, esbravejou:

___Esse anão não canta nada. É do Paraguai, é do Paraguai!Era a senha que faltava para a massa avançar, enfurecida, sobre o palco, à caça do anão.Na delegacia de Zabelê, Pachula passou duas semanas detido. Tempo suficiente para se recuperar dos hematomas e voltar a exercitar a voz. Ajudaram-no as longas serenatas incentivadas pelos outros presos e pela lua imaginária das canções populares. Nem os meganhas escondiam a emoção quando ouviam a voz aveludada de Pachula clamar, entre as grades enferrujadas, que “precisava tanto conversar com Deus...”Na manhã em que foi solto, o anão recebeu como consolo um dos maiores elogios de sua curta carreira. Elogio sincero, sincero, do comissário de plantão:­­­­­

__Você, Pachula, canta bem melhor do que Nelson Ned.

2 de janeiro de 2009

DE ACORDO


O emprego em 2009. Eis o que mais preocupa nossos legisladores. Os legisladores do idioma, entenda-se. E o emprego de que se fala é o do hífen, está claro.

(Do hífen – até quando este acento agudo? Ate quando?)

Enquanto se aguardam outros decretos, enquanto observamos legislarem em causa própria, acordemos: não vamos economizar em dicionarios da lingua, vocabularios ortograficos e lexicos do portugues. Nao.



Na imagem, flagrante do "imperador da língua portuguesa" tomado por dúvida paralisante no instante em que firmaria um sermãozinho: "E agora? Com acento agudo ou circunflexo? Raios! E pitombas! Mas o sobrenome vai com ipsilone, num quero nem sabê!"

30 de dezembro de 2008

TESTE PARA SELEÇÃO DE JORNALISTAS

Uma sugestão aos responsáveis pelos departamentos de pessoal das empresas jornalísticas: depois de pesquisas que se arrastaram por meses, os especialistas do Sopa de Tamanco conseguiram montar um teste infalível para seleção de candidatos a vagas nas redações.

O candidato ao emprego deve ficar imóvel durante três minutos, diante um fiscal da empresa.

Se, ao final deste prazo, o candidato não latir nem relinchar deve ser sumariamente eliminado, porque não serve para a profissão jornalística.

Se, no entanto, o candidato emitir latidos e relinchos terá provado que é jornalista legítimo. Deve ser imediatamente contratado.

Porque mostrou estar preparado para ingressar nas redações brasileiras e produzir os jornais, revistas e programas de TV mais chatos do mundo.

15 PONTOS BÁSICOS PARA ENTENDER POR QUE DEUS NÃO É BRASILEIRO E PROVAVELMENTE NÃO TORCE PELO FLAMENGO

1. Se Deus fosse brasileiro, para começo de conversa, o sol não nasceria para todos, apenas para quem tivesse assinatura mensal, cujo preço seria o equivalente ao valor do sol pela cotação islandesa, multiplicado pela massa de Júpiter e dividido em prestações de acordo com o ano lunar.

Isso, caso você assinasse o pacote premium, que garantiria o direito a ver cinco cores, bronzear dois braços e uma perna, colocar seis cuecas no varal para secar (varal não incluído no preço) e fazer fotossíntese à vontade (promoção por tempo limitado). Outras propriedades e funções da luz poderiam ser compradas em raios individuais pelo sistema de pay-per-sun, que funcionaria ou não, a depender da sua fé nas atendentes de telemarketing.
.
O pacote básico permitiria apenas fritar um ovo no cimento e queimar uma resma de papel com uma lupa. Porém, misericordioso, Deus pensaria nos mais humildes e encarregaria uma falange de anjos de vender baratinho o gato solar, gambiarra que, reaproveitando a luz da lua, incluiria também os serviços de segurança, fornecimento de gás natural e comércio de maná e espadas flamejantes.

2. Se Deus fosse brasileiro, as catástrofes naturais não atingiriam a todos indiscriminadamente. Com algum dinheiro por fora, avisaria os eleitos, com antecedência, da chegada de um furacão, de uma tempestade, de uma nevasca ou de uma sogra. Abriria um instituto de meteorologia através de um laranja, ficaria milionário e acabaria numa CPI, graças a denúncias do Espírito Santo, inconformado por não ter se envolvido na negociata. Subitamente elevado à categoria de herói nacional, o Espírito Santo posaria nu para a G Magazine e Deus fugiria para a Europa.
.
3. Se Deus fosse brasileiro, as estações seriam 37, mas alguns juristas defenderiam a existência de 42; outros, de 29; outros, ainda, de 76; enquanto a OAB fecharia o caso em 11 ou 315, a depender da comissão. O que não significaria muito, porque, no final, só duas seriam observadas na prática: o Verão 1 e o Verão 2, não se sabendo exatamente sua ordem, data de início ou tempo de duração.
.

CHUCK NORRIS É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ, EXCETO TALVEZ UM OU DOIS DENTES

No princípio destruiu Chuck os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia, porque Chuck dera um golpe de kick boxing nela e com uma cotovelada mandara as trevas para longe, arrastando o pobre Espírito de Deus, que pairava sobre a face das águas. E Chuck estapeou a face das águas e afogou o Espírito de Deus no abismo, para ele deixar de ser besta.

E disse Chuck: “Faça-se a luz, motherfucker”, e a luz, que é ajuizada, se fez. E viu Chuck que a luz era boa para levar umas porradas, e saiu desferindo cascudos em fótons, prótons, elétrons e demais partículas subatômicas que apareciam pela frente. E com um coice apartou a luz das trevas; e Chuck chamou à luz Fucking Dia, e às trevas Fucking Noite.
.
(Texto completo, aqui)

COM A MORTE DE DEUS, PSDB PERDE UM FILIADO

Mataram Deus no século XIX com dois ou três sofismas na cabeça e seis silogismos à queima-roupa. O episódio foi semelhante ao do assassinato de César, com a diferença fundamental de que Deus não estava no Senado e, que saiba, não sofria de epilepsia. O ponto de contato é que ambos tinham a mesma mania de grandeza, apesar de o divino Júlio deter obviamente mais poder.

O Senhor passeava tranqüilo sobre a face das águas quando Nietzsche, que tinha entrado no Paraíso à socapa, com a intenção de matar Sócrates, deparou-se com Platão, banhando-se num lago de águas cristalinas e pensando: “Se o lago do mundo ideal é assim, imagina o lago do mundo ideal do mundo ideal!”
.
(Texto completo, aqui)

29 de dezembro de 2008

CAMPANHA CONTRA O ANÚNCIO "SOMBRANCELHA"

Venho, através desta, declarar meu sincero e inútil apoio à campanha do Sopa de Tamanco contra os anúncios que, veiculados em horário nobre, trazem absurdos como "sombrancelha".

O Sopa já tinha chamado a atenção dos caros internautas para outros absurdos, como o texto de um anúncio de carro, em página nobre da Veja, que trazia a pérola "encarar de frente".

Quem escreve "encarar de frente" deveria sair algemado da agência de publicidade.

Mas, não.

Deve ter cobrado uma nota para escrever tal preciosidade....

Não é má vontade com publicitários em geral, não.

Mas aposto uma boiada:

os gênios que criaram o anúncio "sombrancelha"....

a) consideram-se mal pagos. Devem achar que merecem um salário muitíssimo maior
b) é provável que usem gel no cabelo
c) contrabandeiam uma palavra ou expressão em inglês a cada duas frases que pronunciam
d) acham sinceramente geniais os belos anúncios que concebem

Faço estas suposições porque um dia um de nossos confrades do Sopa teve a chance de ver uma cena inesquecível numa faculdade de jornalismo: um publicitário, com blusinha preta bem justa e gel no cabelo, exibiu, como se fosse uma obra de arte digna do teto da Capela Sistina, o anúncio de uma cerveja em que uma tartaruga fazia umas embaixadas com uma lata. O rapaz tinha criado o anúncio. Falava da peça publicitária, a sério, como se estivesse discorrendo sobre as consequências da descoberta da penicilina.

Um silêncio de pedra percorreu o auditório.

Deus do céu - devem ter pensado os espectadores. O cúmulo do ridículo acaba de ser batido.

Eu diria à platéia, se tivesse a chance de me materializar na penúltima fileira: sim, tens toda razão, oh, caros circunstantes ! ( eu sabia que um dia teria a chance de chamar outros bípedes de "circunstantes")! O recorde do ridículo foi batido, aqui, inapelavelmente, sem que o autor da façanha ao menos desconfie do feito que acabou de cometer!

A conferência do gênio publicitário seguiu até o fim.

C´est la vie.

A ÚNICA TESTEMUNHA OCULAR REVELA COMO BRIZOLA SAIU DO BRASIL EM 1964!

O depoimento completo aqui:


http://www.geneton.com.br/archives/000306.html

JOVEM, ALISTE-SE NESTA CAMPANHA, ESPALHE A CORRENTE PELA INTERNET, MOBILIZE SEUS VIZINHOS: QUEM SERÁ O AUTOR DO ANÚNCIO "SOMBRANCELHA" ?

A CAMPANHA LANÇADA PELO SOPA DE TAMANCO - PARA TENTAR IDENTIFICAR QUEM FOI O GÊNIO QUE BOLOU O ANÚNCIO DE REFRESCO EM PÓ GULA FRUTS EM QUE A ATRIZ CAROLINA DIECKMANN PRONUNCIA, COM TODA CLAREZA, A PALAVRA "SOMBRANCELHA" - GANHA UM APOIO DE PESO.

NÉLSON VASCONCELOS ADERIU À CORRENTE, NO PRESTIGIOSO GLOBO ON LINE:


http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/nelson/


PODE PARECER IMPLICÂNCIA. NÃO É. O COLETIVO DO SOPA DE TAMANCO CONSIDERA INTOLERÁVEL O FATO DE UM ANÚNCIO - VEICULADO EM HORÁRIO NOBRE - TRAZER TAL ATENTADO AO IDIOMA.

É SIMPLES ASSIM: A PALAVRA "SOMBRANCELHA" NÃO EXISTE NA LÍNGUA PORTUGUESA. É UM ERRO CAVALAR. COMO TAL, NÃO PODERIA SER DITA NUM ANÚNCIO VEICULADO NAS TVS.

PROPAGANDEADO NA TV, O ATENTADO AO IDIOMA CORRE O RISCO DE SE ESPALHAR FEITO ERVA DANINHA.

JÁ NÃO BASTA A IMENSA LEGIÃO DE ARTISTAS, JORNALISTAS (!), APRESENTADORES & ASSEMELHADOS QUE PRONUNCIAM IMPUNEMENTE A EXPRESSÃO "O ÓCULOS" ?

E O QUE DIZER DOS QUE DIZEM "PRA MIM VER" ?

O PIOR É QUE É GENTE QUE, EM TESE, DEVERIA ZELAR MINIMAMENTE PELA LÍNGUA, PORQUE USA MEIOS DE COMUNICAÇÃO.

O CASO DE UM ANÚNCIO É MAIS GRAVE.

PELO SEGUINTE: PARA QUE FOSSE LEVADO AO AR, O ANÚNCIO FOI ENSAIADO, FILMADO, REVISADO, EDITADO E APROVADO !!

NÃO APARECEU UMA SÓ VOZ PARA DIZER: "PAREM AS MÁQUINAS! DIZER "SOMBRANCELHA" É DAR UM CHUTE NO OUVIDO DOS OUTROS!".

NÃO. O ANÚNCIO CHEGOU AO HORÁRIO NOBRE.

A GRANDE MARCHA PELA DISSEMINAÇÃO DA IGNORÂNCIA DEU UM PASSO ADIANTE.

27 de dezembro de 2008

SOPA DE TAMANCO LANÇA MOBILIZAÇÃO NACIONAL: QUEM TERÁ FEITO O ANÚNCIO EM QUE A ATRIZ CAROLINA DIECKMANN DIZ "SOMBRANCELHA" ?

Nãó é a primeira prova de ignorância cometida em anúncio. Não será a última. Mas fica sempre a dúvida: como é que alguém - seja lá quem for - faz um anúncio em que se comete um erro tão estúpido de português ?

Como é que alguém que tenha passado do primeiro ano do ensino fundamental pode produzir e veicular um anúncio que traz, clara e límpida, a palavra "SOMBRANCELHA"?

Pois é o que a atriz Carolina Dieckmann diz, com todas letras, no fim do anúncio.

O Sopa quer saber: quem são os pais da criança ? Quem fez a tal peça ?

O produto anunciado chama-se Gula Fruts. O fabricante ( basta fazer uma busca rápida no Google) é a Gulozitos.

As buscam continuam.

26 de dezembro de 2008

UM ABSURDO EM HORÁRIO NOBRE: ANÚNCIO DE REFRESCO CHAMADO GULA FRUTS FALA EM "SOMBRANCELHA". SOMBRANCELHA! QUEM SERÁ O PAI DA CRIANÇA?

Um atentado aos ouvidos vai ao ar diariamente nas tvs, em horário nobre : o anúncio de um refresco em pó chamado Gula Fruts, com a atriz Carolina Dieckmann.

Os bravos investigadores do Sopa de Tamanco tentaram descobrir quem foi a agência de publicidade responsável pela pérola, mas não há indicação no site da empresa. Lá, informam que o anúncio foi produzido por uma empresa "conceituadíssima".

Deus do Céu, que empresa "conceituadíssima" é essa que produz um anúncio em que uma atriz diz, claramente, com todas as letras, uma palavra que não existe em nenhum dicionário ? A palavra é "SOMBRANCELHA" !!!!

Ninguém, nenhuma alma caridosa se deu ao trabalho de dizer ao gênio autor do texto que o certo é "sobrancelha". Simples assim. Mas os autores da peça publicitária com certeza imaginaram que o certo é "sombrancelha". Afinal, aqueles pelos que ornam os olhos devem produzir sombra....

O absurdo foi gravado, editado, aprovado e, pior, veiculado.

Resultado: nossos ouvidos desprevenidos são obrigados a ouvir, sem aviso prévio, a "SOMBRANCELHA".

Pergunta-se: quanto o autor do texto terá cobrado ?

Crianças que ouvem tal estupidez vão achar que a palavra "sombrancelha" existe. Se não existisse, não estaria num anúncio que deve ter custado uma nota.

Quem procurar no You Tube vai encontrar o atentado.


21 de dezembro de 2008

JÂNIO QUADROS: A REVELAÇÃO FINAL SOBRE A RENÚNCIA

Do site geneton.com.br

http://www.geneton.com.br/archives/000308.html :

A PALAVRA FINAL SOBRE A RENÚNCIA : DEITADO NUMA CAMA DE HOSPITAL, JÂNIO QUADRO REVELA OS MOTIVOS DO GESTO

A mais sincera confissão já feita por Jânio Quadros sobre os reais motivos que o levaram a renunciar à Presidência da Republica no dia 25 de agosto de 1961 somente foi publicada em 1995,em escassas sete páginas de uma calhamaço lancado por uma editora desconhecida de São Paulo em louvor ao ex-presidente.

Organizado por Jânio Quadros Neto e Eduardo Lobo Botelho Gualazzi,o livro ‘’Jânio Quadros : Memorial à Historia do Brasil’’ é, na verdade,um bem nutrido album de recortes sobre o homem. Grande parte das 340 páginas do livro,publicado pela Editora Rideel, é ocupada pela republicação de reportagens originalmente aparecidas em jornais e revistas sobre a figura esquisita de JQ.

A porção laudatória do livro é leitura recomendável apenas a janistas de carteirinha. O ‘’Memorial’’ traz,no entanto,um capítulo importante : a confissão que Jânio, já doente,fez ao neto,num quarto do Hospital Israelita Albert Einstein,no dia 25 de agosto de 1991, no trigésimo aniversário da renúncia.

Jânio morreria no dia 16 de fevereiro de 1992, aos 75 anos de idade. O neto fez segredo sobre o que ouviu. Somente publicou as palavras do avô quatro anos depois. Ao contrário do que fazia diante dos jornalistas - a quem respondia com frases grandiloquentes mas pouco objetivas sobre a renúncia - Jânio Quadros disse ao neto, sem rodeios e sem meias palavras, que renunciou simplesmente porque tinha certeza de que o povo,os militares e os governadores o levariam de volta ao poder. Nâo levaram.

Talvez porque já pressentisse o fim próximo,Janio admite,diante do neto,pela primeira vez,que a renúncia foi ‘’o maior fracasso político da história republicana do Pais,o maior erro que cometi’’.A já vasta bibliografia sobre a renúncia ganhou, assim, um acréscimo fundamental, feito pelo proprio Jânio - a única pessoa que poderia explicar o enigma. Desta vez, a explicação parece clara.

Um detalhe inacreditável - que revela como as redações brasileiras são povoadas por uma incrível quantidade de burocratas que vivem assassinando o jornalismo : a confissão final de Jânio mereceu destaque zero nas páginas da imprensa brasileira,o que é estranho, além de lamentável.

A imprensa - que passou três décadas perguntando a Jânio Quadros por que é que ele renunciou - resolve deixar passar em brancas nuvens a confissão final do ex-presidente sobre a renúncia, acontecimento fundamental na historia recente do Brasil.

Tamanha desatenção parece ser um subproduto típico de uma doença facilmente detectável nas redações - a Síndrome da Frigidez Editorial .Joga-se noticia no lixo como quem se descarta de um copo de papel sujo de café . Leigos na profissao podem estranhar, mas a verdade é que há notícias que precisam enfrentar uma corrida de obstáculos dentro das próprias redações, antes de merecerem a graça suprema de serem publicadas.! Isto não tem absolutamente nada a ver com disponibilidade de espaço, mas com competência, faro jornalístico.

Se a última palavra do um presidente sobre um fato importantíssimo não merece uma linha sequer em jornais e revistas que passaram anos e anos falando sobre a renúncia, então há qualquer coisa de podre no Reino de Gutemberg. Quem paga a conta, obviamente, é o leitor, a quem se sonegam informações.

O caso da confissão de Jânio sobre a renúncia é exemplar : a informação fica restrita aos magros três mil exemplares do livro do neto. E os milhares,milhares e milhares de leitores de jornais e revistas,onde ficam ? A ver navios. É como dizia o velho Paulo Francis: "Nossa imprensa: previsível, empolada, chata. Como é chata, meu Deus!".
Eis trechos do diálogo entre o ex-presidente e o neto,no hospital.As palavras de Jânio não deixam margem de dúvidas sobre a renúncia :

-‘’Quando assumi a presidência, eu não sabia da verdadeira situação político-econômica do País. A minha renúncia era para ter sido uma articulação : nunca imaginei que ela seria de fato aceita e executada. Renunciei à minha candidatura à presidencia, em 1960. A renúncia não foi aceita. Voltei com mais fôlego e força. Meu ato de 25 de agosto de 1961 foi uma estratégia política que não deu certo, uma tentativa de governabilidade. Também foi o maior fracasso político da história republicana do país, o maior erro que cometi(...)Tudo foi muito bem planejado e organizado. Eu mandei João Goulart (N:vice-presidente) em missão oficial à China, no lugar mais longe possível. Assim,ele não estaria no Brasil para assumir ou fazer articulações políticas. Escrevi a carta da renúncia no dia 19 de agosto e entreguei ao ministro da Justica, Oscar Pedroso Horta,no dia 22. Eu acreditava que não haveria ninguém para assumir a presidência. Pensei que os militares,os governadores e,principalmente,o povo nunca aceitariam a minha renúncia e exigiriam que eu ficasse no poder. Jango era,na época,semelhante a Lula : completamente inaceitável para a elite. Achei que era impossével que ele assumisse, porque todos iriam implorar para que eu ficasse(...) Renunciei no dia do soldado porque quis senbilizar os militares e conseguir o apoio das Forças Armadas. Era para ter criado um certo clima político. Imaginei que,em primeiro lugar,o povo iria às ruas, seguido pelos militares. Os dois me chamariam de volta. Fiquei com a faixa presidencial até o dia 26. Achei que voltaria de Santos para Brasília na glória. Ao renunciar, pedi um voto de confianca à minha permanencia no poder. Isso é feito frequentemente pelos primeiros-ministros na Inglaterra.Fui reprovado.O País pagou um preço muito alto. Deu tudo errado’’.

EI-LO



Cordeiro em pele de lobo, isso sim.


20 de dezembro de 2008

CONVITE PARA VER SHOW DA MADONNA !

Gosto de uma música de Madonna: Like a Prayer. Mas, entre gostar de uma música e ver um show completo, existe uma diferença maior do que o fosso constatado pelos cientistas no cérebro de Xuxa.

De qualquer maneira, eu aceitaria de bom grado um convite para ver o show de Madonna do começo ao fim, num camarote vip, desde que, em troca, eu recebesse um cheque em branco de Antônio Ermírio de Moraes para gastar no fim de semana em São Paulo, quatro diárias na suíte presidencial do Macksoud Plaza, quatrocentas toalhas brancas, uma personal trainner, trinta e cinco caixas de Coca-Cola, oitocentos e trinta chocolates Diamante Negro e trezentos mil reais, cash, para despesas imprevistas.

Tive a pachorra de encaminhar as exigências para os promotores do show. Engraçado: eles não responderam até agora. Deve ter acontecido alguma coisa com o carteiro.

Diante da falta de resposta, cancelei a viagem.

Deixo para a próxima. Mas continuo perguntando ao teto: Deus do Céu, aponte uma escassa frase inteligente já pronunciada por esta mulherzinha afetada, antipática, má cantora e compositora de uma música só.

Aos cinquenta anos, veste-se, pateticamente, como se tivesse dezoito. É tão sensual quanto uma maçaneta.

Toda vez que fala exibe aquele ar lastimável de quem comeu doce de côco podre.

Refaço, então, as contas: eu iria, sim, em troca de quinhentos e trinta e cinco mil reais, cash.

Não vai rolar.

A GRANDE MARCHA MUNDIAL DA IMBECILIDADE

É claro, animal : é óbvio que há exceções, raríssimas, mas gente que comete os seguintes pecados faz parte da Grande Conspiração dos Imbecis, uma confraria avassaladora que domina a tudo e a todos no planeta:


1) gente que diz "amo de paixão"

2) gente que manda "um beijo no coração"

3) gente que diz "êita nós"...

3) gente que, ao cometer um erro banal no meio de uma frase, diz "minto" antes de continuar a falar...

4) gente que fala, ri, canta e relincha alto em lugares públicos, especialmente restaurantes

A lista daria para preencher dez enciclopédias britânicas.

Em breve, continua, aqui, no nobre espaço da Sopa de Tamanco.