Estes caras aqui estão querendo fazer um livro contendo textos sobre qualquer coisa. Uma das seções é de resenhas. Sobre qualquer coisa.
Línqui.
11 de julho de 2007
Por um Brasil menos bovino e mais produtivo
Do G1:
'Começa distribuição de anticoncepcionais em terminais e metrôs'
Sugestão construtiva: distribuir também no Congresso e nos aeroportos, por razões diferentes, porém com o mesmo fim.
'Começa distribuição de anticoncepcionais em terminais e metrôs'
Sugestão construtiva: distribuir também no Congresso e nos aeroportos, por razões diferentes, porém com o mesmo fim.
O BRASIL PRECISA DE UMA PROSA "CLARA E INSTRUÍDA" JÁ ! ( OU: POR QUE PAULO FRANCIS MERECE SER RELIDO)
.
Já avisei. Mas aperto a campainha de novo, para acordar os desavisados: o livro do ano, por enquanto, é um relançamento. Título do bicho: "O Afeto Que se Encerra", nova edição da quase autobiografia escrita por Paulo Francis em 1980.
Correi às livrarias, físicas ou virtuais, oh incréu! É tarefa urgente!
A maior contribuição de Paulo Francis ao jornalismo brasileiro não foram as tiradas politicamente incorretas, as pirraças, os ataques, os chiliques.
Era tudo ótimo.
Mas o "maior legado" de PF, como se diz na tribuna das câmaras de vereadores, foi ter dado uma grande contribuição para que se consolide no Brasil a tradição de uma "prosa clara e instruída".
Não é pouco, num país em que sempre houve confusão entre escrever bem e escrever difícil. Basta passar os olhos sobre os textos produzidos por nossos advogados: se esta república fosse realmente uma democracia, eles deveriam receber voz de prisão por agressões repetidas à comunicabilidade. Idem para noventa por cento dos autores de teses acadêmicas. Idem para críticos literários ilegíveis. Ia faltar espaço no Carandiru, se o presídio ainda existisse ( em tempo: a expressão "prosa clara e instruída" é da lavra de Francis).
A construção de uma "prosa clara e instruída" num país infestado de bacharelices é um trabalho lento, uma tarefa coletiva, um edifício que se ergue tilojo por tijolo, geração após geração.
Jovem jornalista, aliste-se no Exército dos Defensores do Texto Claro e Instruído.
Vista a farda. Estufe o peito. Bata continência para o general Francis ( e um punhado de outros).
A influência do texto de Francis sobre as novas gerações é cem por cento benéfica, portanto.
O que ele dizia sobre nossos jornais um dia pode deixar de ser verdade,
se os cultores da "prosa clara e instruída" se multiplicarem a cada geração:
"Nossa imprensa: empolada, previsível, chata. Como é chata, meu Deus".
Tomara que eu tenha citado certo.
Fiz minha boa ação do dia: recomendar "O Afeto Que se Encerra"; buzinar em favor da "prosa clara e instruída".
Já posso voltar a relinchar e a comer farelo.
( aqui, um texto de Ivan Lessa sobre os dez anos sem PF:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070205_ivanlessa_tp.shtml)
Já avisei. Mas aperto a campainha de novo, para acordar os desavisados: o livro do ano, por enquanto, é um relançamento. Título do bicho: "O Afeto Que se Encerra", nova edição da quase autobiografia escrita por Paulo Francis em 1980.
Correi às livrarias, físicas ou virtuais, oh incréu! É tarefa urgente!
A maior contribuição de Paulo Francis ao jornalismo brasileiro não foram as tiradas politicamente incorretas, as pirraças, os ataques, os chiliques.
Era tudo ótimo.
Mas o "maior legado" de PF, como se diz na tribuna das câmaras de vereadores, foi ter dado uma grande contribuição para que se consolide no Brasil a tradição de uma "prosa clara e instruída".
Não é pouco, num país em que sempre houve confusão entre escrever bem e escrever difícil. Basta passar os olhos sobre os textos produzidos por nossos advogados: se esta república fosse realmente uma democracia, eles deveriam receber voz de prisão por agressões repetidas à comunicabilidade. Idem para noventa por cento dos autores de teses acadêmicas. Idem para críticos literários ilegíveis. Ia faltar espaço no Carandiru, se o presídio ainda existisse ( em tempo: a expressão "prosa clara e instruída" é da lavra de Francis).
A construção de uma "prosa clara e instruída" num país infestado de bacharelices é um trabalho lento, uma tarefa coletiva, um edifício que se ergue tilojo por tijolo, geração após geração.
Jovem jornalista, aliste-se no Exército dos Defensores do Texto Claro e Instruído.
Vista a farda. Estufe o peito. Bata continência para o general Francis ( e um punhado de outros).
A influência do texto de Francis sobre as novas gerações é cem por cento benéfica, portanto.
O que ele dizia sobre nossos jornais um dia pode deixar de ser verdade,
se os cultores da "prosa clara e instruída" se multiplicarem a cada geração:
"Nossa imprensa: empolada, previsível, chata. Como é chata, meu Deus".
Tomara que eu tenha citado certo.
Fiz minha boa ação do dia: recomendar "O Afeto Que se Encerra"; buzinar em favor da "prosa clara e instruída".
Já posso voltar a relinchar e a comer farelo.
( aqui, um texto de Ivan Lessa sobre os dez anos sem PF:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070205_ivanlessa_tp.shtml)
Carta de amor de Riad para Debora Secco
Toda carta de amor é ridícula, um dos homônimos dos homônimos do poeta já disse. As inúteis confissões, no estilo dos melhores blogueiros cabotinos que infestam a webrother. Mas Debora Secco continua sendo um dos mais belos animais sobre a terra devastada de Santa Cruz. Merece todos os poços de petróleo, fraudados ou não, corrompidos ou não, da Árabia Saudita, do Iraque, da Venezuela, do Irã, da Somália Tropical. E para a bela Debora Secco, neste petromomento tão delicado, o consolo de um dos mais belos e diáfanos poemas de amor da língua portuguesa. É claro que só poderia ser do grande poeta paraibano Augusto dos Anjos.
SONHO DE AMOR (Augusto dos Anjos)
Sobre o aromal e amplo coxim de Flora,
SONHO DE AMOR (Augusto dos Anjos)
Sobre o aromal e amplo coxim de Flora,
Que os vapores da tarde inda incensavam
E que um incenso tênue e bom vapora,
Os namorados lânguidos sonhavam.
A alma do Ocaso entrava o céu agora
E havia pelas tênebras que entravam
Ora estrangulamentos surdos, ora
Ruídos de carnes que se estrangulavam.
E sonharam assim durante toda
A noite, e toda a alva manhã durante!
- O Sol jorrava largos raios longos
E em roda víride e nevado, em roda,
Lembrava o campo um colorido ondeante
De vidros verdes e cristais oblongos!
Repertório imagético senatorial - O pirófilo
O senador Renan Calheiros se imagina ardendo numa pira.
Hmmm.
A fala tem até um eco de Tiradentes Redux: 'Vai ter de colocar uma forca lá fora, ou uma fogueira, e pegar o presidente do Senado, inocente, sem nenhuma prova contra ele, e colocar para arder, para queimar.'
Mas sobejamente 'dicidido', ele invoca o churrasquinho parlamentar para desenvolver a idéia do imolado - que nos amola - como se a Roma dele tivesse prestes a lamber qual balão junino. Ou qual um sabbath candango flagrado pela PF.
Diante de tal profusão de alusões embutidas, o SOPA DE TAMANCO pergunta: com que roupa o senador Renan Calheiros deveria ser queimado?
Uma toga virilis ou uma toga praetexta?
Hmmm.
A fala tem até um eco de Tiradentes Redux: 'Vai ter de colocar uma forca lá fora, ou uma fogueira, e pegar o presidente do Senado, inocente, sem nenhuma prova contra ele, e colocar para arder, para queimar.'
Mas sobejamente 'dicidido', ele invoca o churrasquinho parlamentar para desenvolver a idéia do imolado - que nos amola - como se a Roma dele tivesse prestes a lamber qual balão junino. Ou qual um sabbath candango flagrado pela PF.
Diante de tal profusão de alusões embutidas, o SOPA DE TAMANCO pergunta: com que roupa o senador Renan Calheiros deveria ser queimado?
Uma toga virilis ou uma toga praetexta?
Sugestões construtivas - Game show para a TV Lula
Como se sabe, aquele grande país do Leste não se desenvolve por causa da baixa qualidade da programação televisiva.
O que o menestrel diria numa hora dessas?
Se Alagoas é um estado praticamente sem senador, o que é quase bom, pode vir a ser um estado praticamente sem médico, o que é quase piada.
Da Agência Estado:
Os médicos da rede de saúde pública de Alagoas, em greve há mais de 40 dias, decidiram pedir demissão coletiva na quinta-feira caso o governo do Estado decida cortar dos salários dos grevistas os dias não trabalhados. A crise entre o Governo do Estado e a categoria se acirrou hoje com a confirmação do corte de até 90% nos salários dos médicos que estão em greve. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão, a categoria decidiu dar início à demissão coletiva, caso o governo não apresente uma contraproposta à reivindicação de reajuste salarial de 50% e não revogue a decisão de cortar os dias parados. O governo só aceita liberar um aumento salarial de no máximo 5%. "Diante da falta de sensibilidade do governo em resolver a questão, só nos resta cumprir o que foi estabelecido em assembléia e dar início às demissões coletivas, que deve ocorrer com o pedido de afastamento dos oito hematologistas do Hemocentro de Alagoas (Hemoal)", afirmou Galvão. "A partir daí outras especialidades deverão adotar a mesma medida, o que deve provocar o colapso total da saúde pública no Estado", avaliou.
Da Agência Estado:
Os médicos da rede de saúde pública de Alagoas, em greve há mais de 40 dias, decidiram pedir demissão coletiva na quinta-feira caso o governo do Estado decida cortar dos salários dos grevistas os dias não trabalhados. A crise entre o Governo do Estado e a categoria se acirrou hoje com a confirmação do corte de até 90% nos salários dos médicos que estão em greve. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão, a categoria decidiu dar início à demissão coletiva, caso o governo não apresente uma contraproposta à reivindicação de reajuste salarial de 50% e não revogue a decisão de cortar os dias parados. O governo só aceita liberar um aumento salarial de no máximo 5%. "Diante da falta de sensibilidade do governo em resolver a questão, só nos resta cumprir o que foi estabelecido em assembléia e dar início às demissões coletivas, que deve ocorrer com o pedido de afastamento dos oito hematologistas do Hemocentro de Alagoas (Hemoal)", afirmou Galvão. "A partir daí outras especialidades deverão adotar a mesma medida, o que deve provocar o colapso total da saúde pública no Estado", avaliou.
VERDADE CIENTÍFICA
Cientificamente comprovado: a taxa de vaidade de jornalistas é, em média, noventa vezes superior à taxa de talento.
Há anos venho dizendo que não se deve levar esta raça cem por cento a sério.
Depois não diga que não avisei.
POR FAVOR, O VETERINÁRIO PODE ME ATENDER HOJE ?
Uma das mais repetidas ( e justificadas ) críticas que se fazem aos blogs é que eles, com frequência, tornaram-se palco para desfile de confissões inúteis sobre a vida pessoal de blogueiros. A vida pessoal de cada um ( com exceção da de Hermila Guedes, musa informal deste blog ) não deve interessar a ninguém ( por falar em HG: o que será que ela tem feito? Qual é o batom que ela usa? Quanto tirou na prova de matemática no ginásio? )
Mas, para não quebrar uma tradição entre os blogueiros, abro uma exceção: vou descrever cinco minutos da vida pessoal do abaixo assinado.
Querido diário: acordei. Relinchei três vezes. Vomitei sobre uma página de jornal que falava das maracutaias do Senado. Relinchei de novo. Comi um pouco de farelo. Confirmei por telefone a hora de minha consulta no veterinário. Acessei o Sopa de Tamanco.
É simples assim.
Como diria Jack Palance naquele programa da TV Manchete, acredite......
(faz pausa; olha para a câmera dois)....se quiser!
Senador paga meia entrada
O senador Renan Calheiros tem pautado, com sua fixação glútea pela cadeira da presidência, e até com criatividade, o noticiário político dos últimos dois meses. O que não se esperava é que, com a referência às "mãos sujas", o senador se tornasse, involuntariamente, animador cultural. É preciso reconhecer que Renan desafiou, também involuntariamente, os grupos teatrais de Brasília (existem?) a montar a peça escrita por Sartre em 1948: "As Mãos Sujas". Aquela que fala que fazer política é meter as mãos mais atrevidas na merda, no sangue, no lobby, no pasto, na graminha etc. Como Renan vai permanecer pregado na cadeira da presidência do Senado por muito tempo, dá tempo ensaiar e estrear a peça. Sucesso de público garantido. Por gratidão, senador paga meia entrada.
A saudade mata a gente, morena!
Bons tempos aqueles em que, com empáfia, reclamávamos de que o Brasil era administrado por analfabetos funcionais. E hoje o que dizer do país que é governado por analfabetos disfuncionais?
Programação visual do terror

Os terroristas de São Sebanistão de há muito precisam de uma repaginada. Não postam vídeos na internet, não divulgam áudios de comunicados, sequer têm um designer para lhes conferir uma programação visual.
Aqui vai uma página de "referência".
Aqui vai uma página de "referência".
Grandes frases já avacalhadas
"Se quiserem a minha cadeira, vão ter de sujar as mãos."
Fabiana Spears e Felipe Rogério Andrade Silva, para Rômulo Arantes Neto
Departamento de recuperação de velhas palavras:"deforete"
Dizei uma só palavra e a alma do Senado será salva. Que palavra é essa? Deforete. Veja o que ela significa no Houaiss:
Deforete
substantivo de dois gêneros
1 Regionalismo: Pernambuco, Alagoas.
descanso na hora do trabalho; folga
Deforete
substantivo de dois gêneros
1 Regionalismo: Pernambuco, Alagoas.
descanso na hora do trabalho; folga
Houaiss comete um pequeno equívoco. A expressão é usada com freqüência e apenas na Paraíba, por gente que come várias vezes por dia e entende de licitação. Se usa desta forma: "vamos ali tomar um deforete". Ou seja, cair fora do batente, ir passear. Para os mais afetados, pode significar "tomar uma fresca".
O que se precisa fazer no caso Renan? Simples, o deputado Clodovil, com a saúde já recuperada, convida Renan para tomar um deforete, ou seja, tomar uma fresca. Os senadores se aproveitam da situação e, nem precisam sujar ainda mais as mãos, não mais permitem Renan ocupar a cadeira de presidente do Senado. Quando a Imprensa perguntar por onde anda o senador Renan, se responde: ele foi com Clodovil tomar uma fresca, um deforete.
E a "aparente tranqüilidade" volta a reinar em todo o país.
Grandes frases já avacalhadas
"Pra me tirar daqui vocês vão ter de sujar os irmãos."
Malcolm e Donalbain Calheiros
Não se fazem mais tupamaros como antigamente
O melhor homem em campo, mais uma vez e sem dúvida, foi o juiz, o colombiano, que levou à final os eurochupetinhas contra o time de Perón. Fora de campo, foi Romário, que, entre mil besteiras na nova profissão de comentarista da TV Globo, ensinou a Arnaldo César Coelho o que é um pênalti. Se já não perdeu o novo emprego, vai ser divertido ouvir os comentários de Romário sobre as falhas claras de arbitragem de Arnaldo Cesar Coelho. Os uruguaios decepcionaram, parecia que Dunga era o treinador deles. E, contrariando a tradição, ameaçaram, no final da partida, ir para o pau e amarelaram (sem trocadilho). Não se fazem mais tupamaros como antigamente. O que esperar da Argentina? O que se deve esperar, sempre: as mulheres são lindíssimas e, diante delas, todo macho que se preze se torna uma chupetinha.
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