30 de novembro de 2007

Destino manifesto

E não é que o criador do clássico "2 girls, 1 cup" é fruto do ventre do nosso querido Brasil?

Marco Antonio Fiorito é o nome desse injustiçado Pasolini.

Está no Smoking Gun.

http://www.thesmokinggun.com/archive/years/2007/1130071onecup1.html

(O Blogger está bichado para fins de links.)

MORAES NETO, O UBERTOSO

Tendo colocado como meta para esta encarnação superar o pingue Balzac, eis que Geneton Moraes Neto, o popular Moraes Neto, lança mais um livro este ano (são seis, de acordo com minha última contagem).

Diferentemente do escritor francês, no entanto, Moraes, o popular Neto, não precisa escrever para ganhar dinheiro, já que tem o futuro garantido para mais sete gerações de sua descendência em função de deter onze por cento das ações com direito a voto das Organizações Globo.

Razão por que Neto, o popular Nê, pode se esmerar na escrita, gastando as horas do dia em que não está ocupado retocando a pintura da barba ou coçando com a unha do dedo mínimo partes pudendas de sua anatomia em exercícios de estilo de causar espanto a Bakhtin.

Por tudo o que deixo dito, vale comprar seu Dossiê História. Vão lá. Mulher feia paga e leva.

E se as razões acima não convenceram, que ao menos se faça por caridade: ajude N. a comprar mais um por cento da empresa do dr. Roberto. Ele detesta número ímpar.

LESSA

Ivan Lessa apud Moraes Neto:

"O QUE ACHO TRISTE É O FATO DE O MEU LIVRO SAIR!"

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CABRERA

Cabrera Infante apud Moraes Neto:

''Mas a adesão de García Márquez a Fidel Castro é posterior à leitura que fiz de 'Cem Anos de Solidão'! Se me interesso tanto por Jorge Luis Borges, não poderia me interessar por 'Cem Anos de Solidão', um livro folclórico. Se o problema é encontrar um livro que trabalhe com elementos sul-americanos surpreendentes, então prefiro 'Grande Sertão: Veredas.'"

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29 de novembro de 2007

ESPÍRITO

Com a aproximação da Guerra dos Trinta Anos, René Descartes decide alistar-se no exército bávaro. Faz muito frio no acampamento, e ele se enfurna num quarto quente feito estufa, onde se isola. Às voltas consigo mesmo, entretido com seus pensamentos, vive a experiência filosófica que descreveria mais tarde no Discurso do Método.

Quem lembra o fato, quatro séculos depois, é Bertrand Russell, que aproveita a ocasião para a tirada: "Sócrates costumava meditar um dia inteiro na neve, mas a mente de Descartes só funcionava quando ele estava aquecido."

DE RASPÃO

França, final da década de 30. Um pequeno e seleto grupo se dedica à leitura de textos de Kant. Entre eles, Alexandre Kojève e Eric Weil, que às vezes se estendem em controvérsias vagas. "Um ou outro, o que estava claramente sem razão, argumentava incansavelmente." Quem lembra é Raymond Aron, que fazia parte da turma.

No tabuleiro


'Loolah's Family Scolarship'


Quase 34% dos brazucas radicados nas terras que eram do Citibank - agora são um pouquinho de Abu Dhabi - estão na pobreza ou perto dela, diz o Centro para Estudos de Imigração.

Somos piores que os iranianos, os poloneses e os filipinos.

PRECONCEITO SEXUAL

— Ai, meu pé!
— Você diz isso por preconceito.
— Como? Você pisou no meu pé, Armina!
— Tudo bem. Mas precisava reagir desse jeito?
— Você preferia que eu dissesse “uh”, por acaso? Uh, continua doendo! Foi bem no ded...
— Não é o “ai”, Botero, é a maneira como você fala.
— Que é que você disse? Ai, digo, uh, essa agora foi...
— Eu disse que esse seu “ai” tá carregado de preconceito sexual.
— Se tem uma coisa contra a qual não tenho preconceito é sexo, Armina. Pelo contrário, gosto muito. Você é que às vezes...
— Preconceito contra o sexo! Machismo! Você é contra o meu sexo!
— Se é o que eu prefiro!

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28 de novembro de 2007

DESCULPAS...

... ou cada um tem o Renan que merece.

TV Tamanco - Ação afirmativa no tráfico

UM ANTI-PRÊMIO PARA NORMAN MAILER....

O site da BBC Brasil informa:

"Mailer ganha prêmio por pior descrição de sexo

O escritor americano Norman Mailer, morto no início deste mês, foi o vencedor do prêmio 'Bad Sex in Fiction Award', pela pior descrição de um ato sexual na literatura de ficção em inglês.
Mailer foi agraciado com o prêmio, distribuído pela revista de literatura britânica The Literary Review, por um trecho de sua última obra, The Castle in the Forest, ainda sem tradução no Brasil".

(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071128_mailersexo_ba.shtml)


Uma dúvida: o que aconteceria se o prêmio fosse estendido para autores de língua portuguesa ?

O CLUBE DOS PEZINHOS NAS POLTRONAS TENTA CONTATO COM TERRÁQUEOS

Assim falava Moraes Neto:

"Bato o olho na televisão. A participante de uma roda de conversa tira o sapato e põe os pés na poltrona, durante todo o programa. Meus botões me perguntam : 'É para parecer livre e informal'?"

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POBRES DE ESPÍRITO

Se tem uma passagem bíblica com que não posso concordar é aquela que afirma estarem salvos os pobres de espírito. Não caberia tanta gente no Céu.

(Mais, aqui)

REGINA CASÉ ( OU MELHOR: REGINA CASEBRE), EXPLORADORA DOS POBRES E OPRIMIDOS

Quando é que os pobres do mundo vão finalmente se unir par processar Regina Casebre (o apelido genial foi dado por Reinaldo Azevedo, no site da Veja) por exploração de imagem, demagogia baratíssima e apologia da péssima qualidade artística ?

COMO DIFERENCIAR XUXA DE SASHA: A QUE FALA COM VOZ DE RETARDADA É XUXA....

Do blog de Walter Carrilho:

"Sasha, a filha da Xuxa (atenção, esta frase é um ótimo trava-língua), deve ser o primeiro resultado do cruzamento entre um ser assexuado (Xuxa) e um animal acéfalo (Luciano Szafir). O cruzamento teve a participação providencial de uma Marlene Matos (um animal ainda não classificado pela biologia), mas isso não conta. Há boatos de que Sasha é, na verdade, uma boneca Barbie que adquiriu vida.Sasha é muito parecida com a mãe. Algumas pessoas acham difícil diferenciar uma da outra. É muito fácil: basta colocá-las lado a lado. A que fala com voz de retardada costuma ser a Xuxa. Sasha é uma celebridade precoce. Deu a sua primeira entrevista para a Revista Contigo quando ainda era um feto– a revista voltou a entrevistá-la aos 9 anos, momento em que revelou ter contado com a ajuda da mãe para comprar o seu primeiro sutiã. A mãe também pretende comprar dois diretores globais e um favelado para distrair a filha"

(aqui:http://waltercarrilho.blogspot.com/2007_09_01_archive.html)

IVAN LESSA: "NÃO É MAU TER UM ARCEBISPO. TIVEMOS DOM HÉLDER CÂMARA. DEPOIS, PASSOU"

Aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071128_ivanlessa_tp.shtml

TV Tamanco - A partir de hoy!

UM NOVO ESTAMENTO SOCIAL: OS RICOS POBRES

A Vila Madalena é o lugar freqüentado pelos pobres mais ricos de São Paulo. Por pobre rico, entenda-se aquele que trocaria seu loft e sua Mercedes do ano por uma bicicleta e um barraco na Zona Leste, desde que a Zona Leste fosse freqüentada por pobres tão ricos quanto ele.

O pobre rico não vai a Moema porque é bairro de burguês. Como não-burguês, ele prefere, por exemplo, pagar R$ 7,00 para entrar num fundo de quintal atulhado de gente (ou similar), onde o churrasquinho, pelo preço exorbitante, deveria ser feito de endríago.

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A CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO O PETISMO

E Marx suspirou e catou dois piolhos da barba para se acalmar. E em seguida, no escuro mesmo, fez uma parede. E separou uma parede da outra e ambas do teto. E, após alguma deliberação, fez o sindicato e achou bom. E foi este o milésimo primeiro dia da criação.

— Agorra, o luiz, porrr favorrr.

E lhe trouxeram o Lula. E Lula disse:

— Nunca antes na história desse país.

E Marx irritou-se:

— O luiz, apertem o interruptorr porr amorr de... do... Light! Turn the light on! Now! I’m loosing my opium of the people!

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ABORTO ESPONTÂNEO

A exemplo do papa, só aceito o aborto se for espontâneo. Ninguém deve forçar a mãe a ir à clínica sem que ela queira.

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27 de novembro de 2007

UM TRATO NA LÓGICA

Áustria, década de 40. Um grupo de universitários, Paul Feyerabend à frente, organiza seminários onde se discutem fundamentos de teorias científicas. Tema principal: o problema da existência do mundo exterior.

De passagem pela cidade, um filósofo muito influente nas rodas ilustradas da capital austríaca é convidado para ajudá-los na discussão. Ele é especial.

É chegada a hora. Feyerabend expõe para uma audiência de eminentes filósofos e cientistas um resumo das investigações em curso naquela sociedade estudantil , espécie de versão júnior do Círculo de Viena. Não satisfeito, dá algumas sugestões de como prosseguir com os trabalhos.

Ato contínuo, o convidado especial (que chegara com mais de uma hora de atraso) interrompe, da platéia, o palestrante. E exclama: "Pára! Assim não dá!" É Ludwig Wittgenstein, poucos minutos depois de chegar ao auditório.

DOSSIÊ HISTÓRIA, O LIVRO-REPORTAGEM: A PALAVRA DE TESTEMUNHAS E PERSONAGENS DE FATOS QUE ABALARAM O MUNDO!

O locutor-que-vos-fala interrompe a programação normal para dar uma notícia que parece movida por interesse próprio, mas não é. O leitor caridoso pode se interessar também!

Chega às livrarias esta semana o DOSSIÊ HISTÓRIA , um livro-reportagem que traz o que a TV, por absoluta falta de tempo, não mostra: depoimentos completos, na íntegra, sem qualquer corte. Cenas de bastidores. O que se esconde por trás das reportagens. Os personagens do livro-reportagem são testemunhas e personagens de acontecimentos que, literalmente, abalaram o mundo.

O DOSSIÊ HISTÓRIA - um lançamento da Editora Globo - traz depoimentos do professor de Mohammed Atta, o estudante de aparência pacata que viria a se transformar no chefe dos terroristas que perpetraram o maior ataque terrorista da história, o 11 de Setembro. Atta, um egípcio, chegou à Alemanha para estudar arquitetura. Terminou recrutado por um olheiro da Al-Qaeda. Virou um terrorista suicida. Além do professor, o livro publica entrevistas completas com gente que conviveu intimamente com Mohammed Atta: um retrato falado do super-terrorista.

Você vai encontrar também, no DOSSIÊ HISTÓRIA, um depoimento do palestino que ouviu os segredos de Bin Laden numa caverna no Afeganistão. O que Bin Laden terá dito a ele ? E mais: uma entrevista com o agente alemão que tentou mas não conseguiu salvar os atletas israelenses atacados por terroristas palestinos nas Olimpíadas de Munique; as confissões do ex-soldado nazista que, aos oitenta e cinco anos, fala sem meias palavras sobre as atrocidades que cometeu;
o desabafo do filho de um carrasco nazista que até hoje faz companha contra o pai; o drama da mulher que descobriu que tinha um criminoso de guerra na família. Também: a palavra do militante que causou escândalo na Europa ao declarar que estaria disposto a se sacrificar como homem-bomba. Por fim, o DOSSIÊ HISTÓRIA traz um capítulo extra com um personagem que dá um aula de jornalismo: o "jornalista que derrubou um presidente".

Sou suspeitíssimo para falar, mas, dou um palpite: vale a pena embarcar nesta expedição rumo aos bastidores da história.

DOSSIÊ HISTÓRIA não é tese nem análise. É cem por cento reportagem. O jornalismo vive de quê ? De memória. O papel do repórter, como se sabe, é tentar reconstituir da melhor maneira possível o que aconteceu de importante. Não existe fonte melhor do que a palavra de quem viu e ouviu.

E a palavra de quem viu e ouviu é justamente o que você encontrará em DOSSIÊ HISTÓRIA - que começa a chegar agora às melhores casas do ramo.

Fim do intervalo.

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3223440

Agora vai!

'Brasil muda de patamar e ingressa em grupo de alto IDH, aponta ONU'

'"Nós somos abençoados por Deus", afirma Lula sobre PNUD

'Morador de rua pode ter sido atacado por rival, afirma polícia'

'Para delegado, garota presa com homens no PA "tem debilidade mental"'

'PM morre baleado durante operação em favela do Rio'

'Morre bebê abandonado em lata de lixo na Grande São Paulo'

TV Tamanco - Autoridades baianas promovem jogo pela paz nos estádios

Gross phrasen afacalhäden

'O ESTÁDIO DE FUTEBOL É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS.'

Jacques Richard Wagner, compositor de 'O baiano voador' ('Der fliegende Baiänen')

DEPOIMENTO

"Meus problemas começaram já na alfabetização, quando descobri que meu time se chamava Coritiba. O time ser ruim, tudo bem. O negócio é aquele 'o', pô."

Paulo Polzonoff Jr., atriz e modelo.

"OS INGLESES NÃO SÃO SÉRIOS"

Burgess apud Moraes Neto:

"A crítica é um negócio, uma ocupação, um metier, algo que os críticos fazem para viver. Sempre se esperou dos críticos da Inglaterra que divirtam os leitores e sejam "criativos" e destrutivos - não que eles façam o que deveriam fazer: estabelecer o que é um livro e examiná-lo seriamente. O que os críticos fazem não é sério.

Vou além: os ingleses não são sérios. Trocam qualquer coisa por uma boa risada, porque têm um grande senso de humor (Burgess fala dos ingleses na terceira pessoa do plural, sem se incluir). Acontece que este senso de humor é excessivo. Os franceses levam as coisas demasiadamente a sério. Já os ingleses não levam nada a sério o bastante."

(Mais, aqui)

NEGO E REPILO

A postagem anterior do sr. Polzonoff é uma mentira deslavada. Aqui em casa não tem telefone. Eu quero é ver sangue.

PITNAZIS

"Ninguém perguntou, mas declaro, diante deste egrégio tribunal, que tenho horror a cachorros. Os bichos só são toleráveis em cinema. Não existe nada pior que cachorro fungando a perna dos outros dentro de elevador. Se houvesse justiça neste planeta desperdiçado, quem botasse cachorro dentro de elevador pegaria cinco anos de cadeia automaticamente, sem direito a apelação."

(Mais, aqui)

A bipoladidade é uma merda

Há cinco minutos toca o telefone aqui em casa:

- Paulo?
- Eu, claro. Você ligou no meu celular, animal.
- Sou eu, Marconi.
- É o único animal com quem falo.
- Você tá chateado com o que eu escrevi? - pergunta ele. - Foi brincadeira!

Depois o cara me escreve isso daqui. Pode?

Caros leitores, tudo aqui é brincadeira. Nós nos amamos e vamos fundar uma comunidade hippie baseada nos preceitos da tamancada ética. Please. E sobre meu texto sobre o fim das amizades, caramba, não tem nada a ver com o Sr. Marconi Leal. O texto foi escrito há mais de uma semana.

Extra! Extra!

Fausto Wolff anuncia seu próximo lançamento. Vai se chamar O Subpensamento Vivo de Fausto Wolff. Imperdível!

"Realmente este livro é uma maravilha! Escrevê-lo foi muito fácil. Com este negócio de computador, basta usar três teclas, combinadas: ctrl, c e v.", declarou o monstro sagrado do jornalismo de esquerda brasileiro.

Melô do dia

(para Marconi Leal, claro)

Adocica,
meu amor,
adocica.
Adocica,
meu amor,
a minha vida
ô!

Reparem como, genialmente, adocica rima com adocica e, depois, com vida. E como amor rima com ô.

Doe agora ou cale-se para sempre

Queridos leitores,

Precisamos de sua contribuição financeira. Nosso querido colaborador, amigo e, infelizmente, humorista Marconi Leal precisa de tratamento médico. O pobre-diabo nasceu com uma doença incurável que só agora está se manifestando em sua forma mais agressiva. A doença, sem nome para os leigos, é causada por um vírus que se aloja na criança assim que ela vem ao mundo, o Burricis recifensis. O tratamento é feito à base de muito mandacaru e pau-do-índio. A chance de sucesso, infelizmente, é de 2%. Mas precisamos tentar.

Aceitamos cartões de crédito, claro.

COITADO

Só existe uma condição pior do que a do maníaco depressivo: a do sujeito que acha que tudo o que se escreve no mundo se relaciona com ele.

UIA! PAULO POLZONOFF DANDO UMA DE HUMORISTA!

Tendo escrito mais um de seus ““ensaios”” (as aspas a mais são necessárias, acredite, leitor), pérola do adocicamento digna de página da Veja, Polzonoff quer dar agora uma de humorista.

Na tentativa de ser engraçado, faz o que ele próprio condena: contextualiza. Respostas à altura da ignorância apontada? Pra quê, se a gente pode usar Chico Anysio como escora?

O homem-que-escreve-crônicas-que-chama-de-ensaios é superior a isso. Como não seria convincente se fazendo de inteligente, tenta o humor, com péssimas conseqüências para os leitores.

Te aquieta, Cotoco. Melhor voltar a publicar livros do Alexandre Silva.

Pesos & Medidas

Só tem uma coisa pior do que cara que escreve sombrancelha: cara que escreve estadunidense.

Brasil, um país livre como... a China

O MP está de olho no Programa do Jô. Não, não por causa da qualidade do programa, e sim porque Jô Soares, durante uma entrevista sobre alguma coisa que citava aquela delicada e linda operação a seco que se faz nas meninas negras da gráfica para remover o (inútil) clitóris, o apresentador aparentemente fez uma piada.

Sim, meus amigos, uma perigosa piada.

Pelo que li, o MP "investiga se houve preconceito". Caramba, eu não sabia que era proibido ter preconceito. Quero dizer, será que eu vou ter mesmo que ouvir o próximo disco da Maria Rita para dizer aos meus amigos que é uma porcaria? Sim, porque saber de antemão é um preconceito.

Ou melhor, pré-conceito, como preferiria Décio Pig-natari.

Está lançada a campanha: DEIXEM O JÔ EM PAZ.

(Por mais que eu, pessoalmente, não goste do Jô.)

Uia!

Marconi Leal dando uma de inteligente? Citando até o sábio filósofo Chico Anysio, quase tão grande em importante quanto Caetano Veloso. Tremei!

O contexto é a mais bela desculpa intelectual do século XX. Serve para tudo. O genocídio dos judeus na Segunda Grande Guerra? "Você tem que entender o contexto". A grande fome durante a Revolução Cultural na China? "Mas aquilo aconteceu em determinado contexto..."

Os modernistas de 22 eram uns ingênuos. Queriam a liberdade. Eu era assim também quando tinha 17 anos. Pré-hippies, eles achavam que tudo que fosse uma regra era um problema. Daí a frase de Mário de Andrade.

O problema, aliás, nem é a frase, e sim o uso que se faz dela para se justificar toda a liberalidade possível.

Mas é o que dá o cara ser alimentado com mandacaru quando é criança. Vira humorista. Coitado.

EUCLIDES INAUGURA CATEGORIA CORNOLÓGICA: CORNO-ESCRITOR

Do blog de Serbão:

"Não bastasse estudiosos revelarem que, na verdade, a imperatriz do Egito Cleópatra era uma baranga...que o Brasil iniciou sua Independência numa cagada imperial...e que, ao contrário da lenda urbana, não foi o presidente francês Charles de Gaulle que percebeu que o Brasil não é um país sério... ...agora o pessoal vem virar a história da morte do Euclides da Cunha. Recapitulando: o autor de "Os Sertões" era bom de pena, mas péssimo de pontaria. Quando passou a usar peruca de touro, pegou um revólver e foi vingar a honra."

(Mais, aqui)

REPÚBLICA

Tudo bem que na República de Platão não havia poetas. Mas também não havia jornalistas.

(Mais, aqui)

26 de novembro de 2007

ORDER AND PROGRESS

Só existe um tipo mais americano que o próprio estadunidense: o brasileiro em férias nos Estados Unidos.

POLÊMICA CASEIRA

Aqui, Polzonoff, com a costumeira habilidade, tenta estabelecer diferenças entre crônica e ensaio. Para mim – e exploro o sentimento de amizade que nutro por ele para dizê-lo –, trata-se de uma estupidez sem tamanho.

Antes de mais nada, para falar da definição marioandradiana seria preciso contextualizá-la. Não entender que Mário de Andrade está marcando espaço quando escreve isso em pleno Modernismo é falta grave e o infrator deveria perder quatorze pontos no diploma.

Pior, não perceber, por exemplo, que “Paulo Francis e eu no Metropolitan Museum of Art”, entre outros textos do seu livro "A face oculta de Nova York", enquadra-se no estilo elevado da crônica brasileira significa ao menos uma coisa: não ter lido “A Cidade Vazia” de Sabino. Além de me permitir citar Chico Anysio, que disse certa vez a respeito de Pelé: “Jamais vi alguém fazer tão bem aquilo de que entende tão pouco”.

Mas há quem concorde com Polzonoff. O leitor que julgue por si mesmo.

A CENA MAIS PATÉTICA DO MUNDO

A ex-"namorada" do ex-presidente do Senado publica um livro em que diz que um ficava olhando nos fundos dos olhos do outro, enquanto ouviam música:

"Nossa música marcante foi a do filme "Lisbela e o Prisioneiro". Misturávamos as nossas vozes com a do Caetano e cantávamos, baixinho, olhando no fundo dos olhos do outro: "Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer, e te querendo eu vou tentando me encontrar...".

Como diriam os ingleses num momento de espanto, "gosh!!!".

Independentemente de qualquer outro tipo de julgamento, a leitura deste parágrafo, reproduzido hoje em blogs e colunas, me trouxe à lembrança a cena mais patética que já presenciei desde que pus as patas neste planeta. Uma vez, num restaurante a quilo cheio de gente, um marmanjo e a acompanhante ficaram exatamente assim: um olhando nos olhos do outro, por intermináveis minutos, sem dizer palavra, com ar de pombinhos. ...

Se aquela menininha que fazia ponta antigamente nos Trapalhões reaparecesse ali, no restaurante, com toda certeza diria : "Bíiito....".

Se Nélson Rodrigues ressuscitasse, diria o que disse uma vez numa redação: "Patético!!!".

Garçons se movimentavam levemente constrangidos, ao redor da mesa, à espera de que o casal de pombinhos resolvesse parar a encenação para pedir um refrigerante, por exemplo.

Vizinhos de mesa bem que tiveram vontade mas guardaram para si, educadamente, a vontade de dizer : "Já começou a ficar ridículo. Se não for incômodo, vocês poderiam, por favor, ligar para o Departamento de Senso de Ridículo para pedir que eles mandem socorro imediatamente ? ".

Mas não. Ficaram todos calados. Todo mundo olhando de lado e fazendo de conta que a cena não era patética.

A espécie humana - já disseram - é inviável.

Sempre foi.

E será.

Satã e Murdoch

Do Borowitz Report:

"The lawsuit filed yesterday by O.J. Simpson publisher Judith Regan against her former employer, Rupert Murdoch, has created a “difficult personal dilemma for me,” Satan said in a press conference today. For the Prince of Darkness, who has had longstanding ties to both Ms. Regan and Mr. Murdoch, the lawsuit “leaves me feeling very much caught in the middle,” Satan told reporters."

(Mais, aqui)

"JAMAIS TIVE A MENOR VONTADE DE POSSUIR UM QUADRO DE PICASSO"

Paul Johnson apud Moraes Neto:

“A nova forma de totalitarismo – a Mentalidade Politicamente Correta – é, inteiramente, uma invenção universitária”.

“O que me provoca reflexões sombrias é a lembrança de todo o desperdício produzido pelo modernismo. Perdemos duas gerações – meio-século - na busca pela feiúra. Talentos da pintura, desenho e escultura se perderam”.

“Nunca fui a um concerto de música pop ou a um jogo de futebol, nunca acompanhei novela de TV, nunca vi “A Ratoeira” ou “E o Vento Levou”, nunca concluí a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, nunca li a revista “The Economist” ou “Time Out”, nunca tive um carro,nunca passei do limite da conta bancária,nunca compareci a tribunal. Ninguém nunca me ofereceu drogas,convidou-me para uma orgia ou me vendeu um contraceptivo. Jamais tive a menor vontade de possuir um quadro de Picasso, ter uma Ferrari, vestir um Armani ou morar em Aspen”.

(Mais, aqui)

A INTIMIDADE DAS ATRIZES....

Do blog de Walter Carrilho, "Jornalismo Boçal":

"A revista Contigo colocou a Deborah Secco na capa para anunciar uma matéria que revela a “intimidade” da atriz. Pergunto: e ainda existe alguma intimidade para ser revelada? Em uma pessoa que aparece semanalmente nessas revistas e que estrelou duas edições da Playboy? Só se mostrarem um diagrama do sistema reprodutor"

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/voc-no-est-nem-mas-eles-publicam-assim.html)

O LESTE EUROPEU INVADE OS DOMÍNIOS DA RAINHA DA INGLATERRA...

Ivan Lessa dá notícias de Londres:

"As igrejas católicas britânicas, que andavam quase que às moscas (católicas, mas moscas), estão agora repletas de poloneses, lituanos, letões etc. Deve-se a eles também o aumento da extrema direita, o tráfico de armas baratas, a heroína barata, a proliferação de moedas falsas e, para encerrar com fecho de ouro, a paquera grossa, ou seja, eles passam a mão nas senhoras e senhoritas locais alegando, quando presos, que isso é um costume comum na terra deles.
Espero ter, se não esclarecido tudo, ao menos semeado mais confusão. Assim emigra a Humanidade"

(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071126_ivanlessa_tp.shtml)

"A BLOGOSFERA É FEITA DE MIRAGENS"

Do blog de Antonio Fernando Borges:

"Minha amiga mais paulista (embora já não more por lá) ligou-me bem cedo, um dia, trêmula com a novidade:
“Eu o encontrei, Borges. Quando menos esperava, eu o encontrei. Tudo misterioso, coisa do acaso, como eu prefiro.”
Contou-me, então: estava escolhendo livros num sebo da Cidade Velha quando o reconheceu (pela foto no site): ele mesmo!, ali, em pessoa! Seu blogueiro favorito. O autor daqueles textos exatos, tão cheios de informação e de estilo. Um modelo a seguir (repetiu três vezes), que ela ao menos tentaria seguir, assim que se animasse a entrar na grande festa virtual.
* * *
“Lá estava ele, Borges, fuçando as bandejas de ofertas, com seus olhos de lince — mais triste do que na foto do blog, é verdade. Mas fotos são só fotos, não é mesmo? E ele era ele, para quê exigir mais?”
Nem pensou duas vezes: tentou imediatamente a abordagem.
* * *
Mas quem reconhece seu ídolo quando o encontra ao acaso, sem máscara? Do moço risonho e de olhar inteligente da foto do blog, havia muito pouco ali, na figura tímida, assustada e enfermiça que fuçava no meio da poeira com olhos gulosos e infantis.
“Quanta decepção, Borges! A tal de blogosfera é feita de miragens…”

(aqui, o texto completo: http://antoniofernandoborges.com/)

PETISMO

No princípio era a mais-valia e Marx disse:

— Que la assemblée soit!

Porque vinha numa péssima tradução francesa. E ninguém entendeu, já que o lumpemproletariado estava falando muito alto e poucos dominavam o idioma.

E Marx impacientou-se:

— Ach! Hágase la cita, carajo!

E todos correram ao dicionário português-espanhol, mas a consulta demorou um pouco, pois houve alguma discussão sobre se a ordem alfabética deveria ser respeitada ou segui-la seria um passo neoliberal.

(Mais, aqui)

25 de novembro de 2007

VALE ESPANCAR?

Seus poemas, mais do que obra literária inspirada (pelas musas), serviam como manual de conduta — para quem não fosse bárbaro, claro. Quando se referem a ele, historiadores falam ora de "autoridade incontestada", ora de "enciclopedista tribal". Isso para não mencionar o talento narrativo. Mas, ao contar histórias, ele não fazia apenas descrever. Prescrevia. Noutras palavras: acima dele, ninguém; abaixo, todo um povo.

Persiste sua influência? Bem, ainda invocam seu nome ou de um seu personagem para descrever um perrengue que parece não acabar ou um porre daqueles.


De acordo com Platão, seu inimigo declarado, ele foi o educador dos gregos. E o que dizia Heráclito do Poeta? "Homero deveria ser expulso dos jogos públicos e castigado com bastonadas."

"VIAJAR É BEBER EM OUTRO LUGAR"

Do blog de Franciel:

"O jurista, filósofo e meu amigo Iuri Vasconcelos Barros de Brito desenvolveu o seguinte e abalizado axioma sobre a questão dos deslocamentos espaciais: 'Viajar é beber em outro lugar'."

(Mais, aqui)

MASOQUISMO

Cogitei aderir ao homossexualismo passivo, mas um problema de fundo me impediu de levar a empreitada adiante. Hemorróidas. E como sexo com outro homem poderia até encarar com naturalidade, mas sou contra o masoquismo — a não ser quando absolutamente obrigatório, como votar para deputado; ou por razões afetivas, como torcer pelo Sport —, a opção estava de antemão descartada.

(Mais, aqui)

24 de novembro de 2007

OUTRA COISA

O governo FHC era poliglota. Deixava roubar em seis línguas.

23 de novembro de 2007

Nome é destino (é o que eu sempre digo)

Vocês devem ter lido, mas, mesmo assim, passo aqui rapidamente, pois ainda estou de recesso devido a minha mudança para Lisboa, para comentar a seguinte matéria publicada na Folha (assinante) de quinta-feira:

Bolsistas brasileiros em ato pró-Chávez

A manifestação a favor da reforma constitucional teve ontem o reforço de um ruidoso grupo de universitários brasileiros que estuda na Venezuela com bolsas de estudos do governo Hugo Chávez. Com uma bandeira brasileira para se abrigar do sol e uma batucada improvisada, os cerca de 20 estudantes traziam também bonés, camisetas e bandeirolas dos movimentos sociais às quais pertencem, como o MST e o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), todos ligados à Via Campesina, movimento internacional que reúne organizações pró-reforma agrária. “Estamos aqui porque apoiamos o processo e vamos contribuir com o que for possível”, diz a estudante de medicina Lucicléia Soares, 21, de Conceição do Araguaia (PA), filiada ao Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). “A soberania tem de estar no povo. Se o povo quiser, tira o Chávez”, diz a colega Vaubéria Macêdo, 22, ao defender o ponto mais debatido da reforma, a reeleição indefinida para presidente. Originária de Nova Olinda (CE) e ligada à Pastoral da Juventude Rural, ela acha que o presidente venezuelano precisa de mais tempo: “As pessoas que apóiam o capitalismo ainda estão muito fortes, a revolução precisa de tempo”. Lucicléia e Vaubéria contam que chegaram a Caracas há sete meses para estudar medicina na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), projeto criado em Cuba. O grupo conta ao todo com 66 brasileiros. Todos recebem uma bolsa integral do governo venezuelano e devem ficar no país durante os sete anos do curso.

Nosso grande filósofo Nelson Rodrigues estava certíssimo: nome é destino. Eu fiquei tentado a simplesmente escrever: mas se eu me chamasse Lucicléia ou Vaubéria também devotaria minha vida a causas ignóbeis, como uma reação ao trauma de ter recebido tais nomes. Mas isso não seria justo com as outras Lucicléias ou Vaubérias (será que existem outras?) que nunca apoiariam um aspirante a ditador (”tá de sacanagem, aspira?”), mesmo que financiada por alguns tostões que lhes garantissem os estudos.

As duas moças recebem para estudar o que grande parte da população venezuelana não ganha trabalhando duro. O que é pior: essa parte da população que trabalha duro - e cujos filhos, muitas vezes, não pode freqüentar uma universidade por falta de grana - financiam as brasileirinhas que nunca pagaram um vintém na Venezuela. É justo?

O povo da Venezuela podia exigir que os estrangeiros que fossem no país estudar com bolsa dediquem alguns anos de suas vidas atendendo gratuitamente a população que bancou suas faculdades. Mas sabem o que vão fazer as brasileirinhas após a formatura? Voltar para o Brasil, certamente, abrir seus próprios consultórios e, horror! horror!, se integrarem ao capitalismo que tanto odeiam.

Lucicléias ou Vaubérias, tanto faz, se nome é destino, façam que seus destinos não sejam equivalentes a seus nomes.

(PS: Volto à labuta blogal no dia 1 de dezembro)

BENZETACIL

Segundo especialistas, a injeção de Benzetacil, quando devidamente aplicada, provoca a dor mais pungente e duradoura sobrelevada pelo homem desde a expulsão do Paraíso ou, pelo menos, a derrota para a Itália na Copa de 82.

Instrumento de tortura precito pela Corte Internacional de Haia, para alguns historiadores teria sido com uma seringa cheia da substância e não com o veneno de uma cobra que Cleópatra teria se suicidado. Para outros, foi a arma que Bruto e seus comparsas usaram para assassinar César no Senado. Ocasião em que, ao contrário do comumente divulgado, o imperador teria dito:

— Sem xilocaína, Bruto?

(Mais, aqui)

O GRANDE SHOW DO POLICE

Há uma grande promoção em andamento: "Quer assistir ao show do Police de graça ?".

Resposta: não!

Nem de graça nem pagando.

E AGORA, A ESCALAÇÃO COMPLETA DO SPORT CLUBE DO RECIFE DE 1968 !!


Sou capaz de citar de memória a escalação completa do time do Sport Clube do Recife de 1968: Miltão; Baixa, Bibiu, Gílson e Altair: Válter e Vadinho; Dema, Zezinho, Acelino e Fernando Lima.

Faz quase quarenta anos que tento encontrar algum uso para esta lista de nomes.

Não encontrei até agora.

Nunca apareceu a chance de ir a um programa de televisão para responder à pergunta fatal que me daria um milhão de reais em prêmio: quem era o ponta-esquerda do time do Sport que ganhou o Nordestão de 1968 ?

Eu diria, depois de uma pausa dramática de quinze segundos: "Fernando Lima!".

O apresentador exclamaria: "Absolutamente certo!!!".

Com o dinheiro do prêmio, eu iria morar numa casa de quarto e sala na zona rural de Santa Maria da Boa Vista, sem celular e, principalmente, sem televisão. Lá, passaria o resto dos anos à espera de uma visita da Charlotte Rampling dos anos setenta, miraculosamente rediviva.

Charlotte não apareceria, é claro. O dinheiro um dia iria se acabar.

E eu teria de me inscrever de novo num programa de perguntas-e-respostas,em que um apresentador faria a pergunta fatal:

quem era o médio-volante do time do Náutico que foi vice-campeão da Taça Brasil de 1967 ?

Depois de dezoito segundos de pausa, eu diria : "Rafael!".

O apresentador diria: "Absolutamente certo!".

E começaria tudo de novo.

QUANDO É QUE OS FILMES DE AÇÃO VOLTARÃO A SER APENAS FILMES DE AÇÃO ?

Do site de Paulo Polzonoff:

"Sem querer, Tropa de Elite me fez pensar na necessidade de despolitizar a vida cotidiana. O que deu margem para um sonho, um desejo, uma quimera (mas não uma utopia): a de que um filme de ação volte a ser – por Deus! – apenas um bom filme de ação. Com direito a pipoca, jujubas, beijo e risadas"


(aqui: http://www.polzonoff.com.br/o-tiro-que-saiu-pela-culatra-2.htm#more-912)

O APELIDO DO ANO: "REGINA CASEBRE". VIVE INCOMODANDO OS POBRES

"O bom-mocismo bocó na dramaturgia televisiva anda insuportável. Todo mundo quer ser Regina Casebre, a exaltar o saber natural e telúrico da periferia"


(aqui: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/11/um-texto-de-aguinaldo-silva-com-boca.html)

"ROCK STARS FICARIAM SOSSEGADOS NAS JAULAS - TOMANDO OVERDOSE PARA A DIVERSÃO DA GURIZADA. ISSO IMPEDIRIA QUE ELES COMETESSEM DESASTRES"

Do blog de Water Carrilho:

"A gente coloca macacos no zoológico para evitar que eles barbarizem por aí. Isso permite que as famílias possam observá-los em segurança, enquanto eles jogam bosta uns nos outros. Podíamos fazer o mesmo com alguns de nossos rock-stars. Eles ficariam sossegados nas jaulas, tomando overdose para a diversão da gurizada. Isso impediria que eles cometessem desastres como o filme “O Magnata”, que chegou aos cinemas na sexta-feira passada.O filme foi parcialmente escrito por Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr".

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/)

PAULO FRANCIS: "QUERO ESCREVER QUALQUER COISA QUE NÃO SE EVAPORE"

Paulo Francis:

"Continuo andando. Esse dia devo ter andando uns cinquenta quarteirões.Confesso um certo prazer de estar vivo, de ter sobrevivido aos horrores de imaginação que o contato com médicos sempre me provoca, em particular para operações. A morte deve ser como a anestesia geral. Estamos aqui um dia e de repente apagamos. That´s all, folks.

(...) Quero escrever qualquer coisa que não se evapore como as milhões de palavras escritas que já deitei mundo afora. Sabendo que cedo ou tarde vou desaparecer, ainda assim, paradoxalmente, quero de alguma forma deixar um traço da minha passagem, que honre o meu nome e de meus amigos e das pessoas que gostam de mim"


(aqui:http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/023386.html#more)

BATEU, LEVOU

Em "Mondo Cane" (ver post abaixo), vimos a porca torcer o rabo. Agora, as invectivas de parte a parte ameaçam descambar para o arranca-rabo propriamente dito. Xenófanes fez caricatura de Pitágoras, filósofo para quem os diálogos não deveriam transformar amigos em inimigos. Fazer, pela conversa, inimigos virarem amigos? É outro o papo que Heráclito procura. Para ele, Xenófanes merece o mesmo tratamento dado a Pitágoras: a erudição não os tornou inteligentes. Estúpidos — os dois.

CÍCERO

Disse Cícero em certa ansa: “A dor pode ser severa ou suave. Quando suave, é facilmente suportada. Quando severa, é sem dúvida breve”. Donde podemos tirar três conclusões. Em primeiro lugar, que eu preciso consultar o dicionário para descobrir o significado da palavra “ansa”. Em segundo lugar, que provavelmente o orador romano usou a frase na tentativa de convencer sua parceira a fazer sexo anal. E, por fim, que para ter uma idéia tão equivocada a respeito da dor, ele nunca havia tomado uma injeção de Benzetacil.

(Mais, aqui)

22 de novembro de 2007

MONDO CANE

Ao se referir a Pitágoras, a historiografia fala de um poder espiritual comparável ao de Sócrates. Antecipando o mestre de Platão, Pitágoras fez da alma a preocupação central da filosofia. A alma e seu destino depois da morte. Separada do corpo, ele acreditava, as almas podiam reencarnar em qualquer corpo, o que chamavam de "metempsicose". Conforme os méritos, voltava-se ao mundo material sob esta ou aquela pele, literalmente. Qualquer uma. A de um cão, por exemplo. Para Pitágoras, os animais teriam em comum com os homens a alma. Foi aí que o bicho pegou e a porca torceu o rabo.

Xenófanes, outro pré-socrático, achou graça da conversa. E ridicularizou Pitágoras, contando a história em que o super-sábio pede que parem de bater num pequeno cachorro ao reconhecer no ganido do bicho a voz de um... amigo. Digno de caricatura? Xenófanes parece dizer que sim.

GENETON É CO-RESPONSÁVEL PELO OBITUÁRIO DA VELHINHA DE TAUBATÉ

No dia 23 de dezembro de 1987, em pleno governo Sarney, o Jornal do Brasil publicava entrevista de Geneton Moraes Neto com Luis Fernando Verissimo sobre a futura “morte” da Velhinha de Taubaté, personagem do gaúcho.

A certa altura, o repórter pergunta:

— Por que você vai dar um sumiço na Velhinha de Taubaté?

Ao que o escritor responde:

— Nem a Velhinha de Taubaté acredita mais no governo. Vou aposentá-la. Ela não vem se manifestando porque já não acredita em nada.

Geneton insiste:

— A Velhinha de Taubaté vai se despedir do público ou vai sumir em silêncio?

E o humorista diz:

— Você acaba de me dar uma idéia. Talvez a Velhinha de Taubaté faça uma ultima aparição, para dizer que já não acredita em nada. Não sei ainda como será a despedida.

Quase vinte anos depois, a 25 de agosto de 2005, esquerda no poder com o ex-metalúrgico Lula presidente, Verissimo publicaria a crônica “Velhinha de Taubaté (1915-2005)”, em que, pondo em prática a idéia sugerida pela pergunta de Geneton, anuncia o falecimento da personagem.

A entrevista pode ser lida aqui. A crônica, apud Noblat, aqui.

MODINHA

Ao contrário dos outros, Astafânio Carlos aprendeu a tocar violão. Quando pediam Legião Urbana, atacava de Villa-Lobos, tendo sido expulso mais de uma vez pelo próprio dono do bar ao executar uma modinha que ficou popularmente conhecida na universidade como “Garçom, a Conta”.

(Mais, aqui)

A PRAGA INTERATIVA : CHEGA DE PESQUISAS INÚTEIS!

Meus neurônios, provavelmente combalidos por falta de uso, não retiveram a informação. "Falha nossa". Não me lembro onde, mas, com certeza, li há algum tempo o desabafo de um leitor/ telespectador que dizia o seguinte: não existe coisa mais chata do que este festival interminável
de pesquisas inúteis em todos os sites,todos os portais,em dezenas de programas de TV.

Ninguém consegue navegar tranquilo sem ser importunado por um chato invisível que quer saber: você passaria as férias na Nicarágua ? Você usa açúcar ou adoçante ? Quantos copos de água você bebe por dia ? Pais devem deixar os filhos saírem sozinhos de madrugada ? O presidente deve ter outro mandato ? A China deve mandar um astronauta para a lua ? Quantas horas por dia você dorme ? A ONU deve se mudar de Nova York ? E blá-blá-blá.

Qual é o valor dessas pesquisas ? Nenhum. O que significam ? Nada. Quem aprenderá alguma coisa com elas ? Ninguém.

Mas pode fazer o teste: dê uma passada num site qualquer de notícias. Lá estarão as tais enquetes, à espera de que algum desocupado as responda.

Perda de tempo.

Por falar em enquete: você acha que a Venezuela deve ou não entrar no Mercosul ? E Luana Piovani ? Deve ou não processar a turma do Pânico na TV ?

ENQUETE MUNDIAL DA BBC

O site da BBC faz uma enquete:

"Você deixaria de comer carne para beneficiar o meio ambiente ?"

É óbvio que não. Que pergunta !

Uma picanha bem passada, por favor.

ASTAFÂNIO CARLOS

Astafânio Carlos sempre foi uma figura tão macavenca que, ao nascer, em vez de chorar, ele olhou para o médico e ameaçou:

— Se tocar em mim, recorro ao Estatuto da Criança e do Adolescente, hein?

No colégio, enquanto todos os meninos seguravam a bolinha de gude entre o indicador e o polegar, ele a atirava pressionando o mínimo da mão esquerda sobre o médio da direita, e gritava:

— Curucucu, curucucu!

No futebol, rolava no chão às gargalhadas ao ver seu time perder um gol.

(Mais, aqui)

DEUS, PROTEGEI-NOS DAS LETRAS DE DJAVAN!

Do blog de Walter Carrilho:

"Djavan é o cara responsável por versos como “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã”, que geram dezenas de monografias em cursos de letras e algumas câimbras no meu duodeno. Pois ele está de disco novo: “Matizes”. E para homenagear esse “poeta”, escrevi este texto em Djavanês.Cacatua, sol da manhã, um suco de maçã. Neste novo disco, Djavan, este filho do luar, revoada de pombos, araçá, Zimbabwe, inovou. Na canção “Imposto”, ele mostrou o seu lado indignado e engajado, parangolê, maracujá, nuvem no céu, em uma crítica à carga tributária:“IPVA, IPTU / CPMF forever / É tanto imposto / Que eu já nem sei!. (...) Eles nem tchum”

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/search?q=djavan)

"Aquela voz de sub Nara Leão misturada com letras roubadas do diário de uma menina de 10 anos". Quem será ? Ora,Paula Toller!

"Pergunta aos leitores: uma pessoa que tem as manhas de cantar uma música com a frase “Quando ela cai no sofá, so far away” (sacou? So-fá = So-far... gênio, não?) merece continuar na carreira artística ou é melhor vender porta-incenso na esquina? As gravadoras preferem a primeira alternativa. Pior: ainda dão moral para a infeliz lançar um disco solo. É o caso da Paula Toller"

(aqui:
http://waltercarrilho.blogspot.com/2007/08/solta-mais-uma-sub-nara-leo-na-chapa.html)

21 de novembro de 2007

PROCURA-SE : O MAIOR INIMIGO DO JORNALISMO

Uma verdade cientificamente comprovada e facilmente demonstrável: o maior inimigo do Jornalismo é o jornalista.

Pelo seguinte: o jornalista é o único ser bípede capaz de jogar sistematicamente histórias interessantes no lixo.

Quem achar que é exagero que pergunte a qualquer terráqueo que tenha passado quinze minutos numa redação.

Em breve, detalhes.

PERGUNTA FEITA AOS CÉUS

Ivete Sangalo continua solta ?

PRÍNCIPES SAUDITAS: OS ÚNICOS QUE AINDA CULTIVAM A GRANDE ARTE DA OSTENTAÇÃO !

"Fale-se o que se falar do islamismo, mas os saudi-sunitas são praticamente o único grupo humano que ainda cultiva a quase desaparecida arte de ser nababesca e acintosamente rico. Abandonada pelas pressões do politicamente correto e para não açular a inveja das massas, a antiqüissíma tradição da ostentação sem limites, que nos legou grandes obras de arte, como o Taj Mahal, já teria sumido da face da Terra se não fosse o esforço solitário e comovente de um pequena penca de biliardários príncipes sauditas que honram a máxima de que o show não pode parar. O mais notável deles, o príncipe Alwaleed bin Talal bin Abudulaziz al-Saud (Alá seja louvado!), acaba de adquirir - no maior astral, tranqüilãozinho da silva - um Airbus-A380, o maior avião do mundo, só para ele. A idéia é fazer um palácio voador - se achar clichê é porque você está com inveja"

(aqui: http://atorredemarfim.apostos.com/)

13 LIVROS QUE JÁ ELOGIEI, MAS.....

Do site de Paulo Polzonoff :

"Antes da lista, um aviso. Não se trata de nada pessoal, ok? A gente passa por mudanças, ainda bem. E eu já estou cansado de dizer que, por causa destas mudanças, o gosto da gente muda. Além do mais, os livros que figuram nesta lista eu não os considerado necessariamente ruins. Só são livros pelos quais eu, sei lá por quê, perdi o interesse. Ou que eu, na época, elogiei por motivos errados. Aconteceu alguma coisa. Sempre acontece"


(aqui:
http://www.polzonoff.com.br/13-livros-que-eu-ja-elogiei-mas-que-hoje-sei-nao.htm#more-901)

RUI BARBOSA

— Boas tardes. Com quem poderia ter o prazer de estar a falar neste aprazível lar? E já me adianto a pedir perdão pela péssima e involuntária rima. Encontrar-se-á o dono da residência nela, hodiernamente?
— Quê?
— Pergunto se Vossa Senhoria acaso não saberia dizer-me se há alguém na habitação?
— Que habitação?
— Esta em que vos encontrais. Seria Vossa Senhoria o proprietário dela ou pertence a outrem tal prerrogativa?
— Depende. A senhora é da Receita?
— Não, porém, se me permite um rasteiro jeu de mot, como dizem os franceses, ou pun, caso Vossa Senhoria seja anglófila: possuo a receita para vosso sucesso. Isto, posto ser Vossa Senhoria o pater familias. Estou certa? É a Vossa Senhoria que procuro?
— Não, eu não sou o Rui Barbosa. A senhora pode me dizer do que se trata, hein?

(Mais, aqui)

LEI DA GRAVIDADE

Alcançada a segunda esquina, o placar era de seis a zero para a lei da gravidade e a força de atrito nem tinha entrado em campo ainda. Improperei Newton e o Parlamento inglês que aprovou medida tão arbitrária, sem a qual os objetos ainda hoje estariam todos flutuando por aí. E só não soltei um palavrão porque, exposta ao frio, minha língua estava tomada pela cãibra.

(Mais, aqui)

PENSAMENTO POSITIVO PARA ENFRENTAR A VOLTA DO FERIADÃO

Deus é apenas o Diabo sem superego.

20 de novembro de 2007

GEOGRAFIA HUMANA

O mundo é habitado por três tipos de pessoas: as que fazem amizades ou inimizades por motivos ideológicos, as que assumem ideologias em função de amizades ou inimizades e as adultas.

SOBRE O ABORTO

Sou a favor do aborto, mas com restrições. Para mim, o procedimento só deveria ser permitido nos casos de fetos maiores de vinte anos que escutam heavy metal.

(Mais, aqui)

CRÔNICA DE UM QUEIJO ANUNCIADO

Do blog de Araken Vaz Galvão:


"Para que as poucas iguarias não chegassem deterioradas, saímos às cinco da manhã e fomos a Salvador, mais de 270 km, com o objetivo de colocar no Correio antes das 10 horas, para que chegasse ao menor prazo de tempo possível. Agora aqui estou ansioso, aguardando a notícia do recebimento. Sabendo que proporcionei a Marconi uma das maiores felicidades que um desterrado pode sentir, porque eu também já vivi situações análogas...Por isso – em uma canhestra citação de John Donne – não me pergunte o porquê do meu gesto. Porque mandei para mim..."


(Texto completo, aqui: http://arakenvaz.blogspot.com/)

19 de novembro de 2007

CAMPANHA

Abraço a idéia de parar de tomar cerveja em protesto contra as propagandas idiotas das grandes cervejarias. Acho que a tomada de consciência por parte da sociedade começa com pequenos movimentos desse tipo. Em função do quê, anuncio: a partir de hoje, adeus cerveja, só bebo Nova Schin.

A regra de Goebbels

E aí, pessoal? Todo mundo vai comemorar o feriado racista amanhã? Ou será que eu, por ser branco, serei açoitado?

Hitler perdeu a guerra. Mas Goebbels não.

Zeca Hora

Alô, polícia!! O que vocês estão esperando para prender os publicitários que inventaram a tal Zeca Hora?

Foda. O cara não se contenta em ser cantor de pagode de péssima qualidade. Ainda invade a nossa casa com um termo de egoalcoólatra.

FATO CIENTÍFICO

Cientificamente comprovado: o mundo é dos idiotas !

DIZEI, NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO ESPANTO!

Uma dúvida irremovível: dizei, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto, o que é que leva um ser bípede e falante a posar para uma revista de "celebridades" diante de uma mesa de café-da-manhã fake ? Qual é a força que move aquele aglomerado de ossos e músculos a fazer este papel ?

Dou-lhe meio século para achar uma resposta razoável.

O SOPA DE TAMANCO SAI NA FRENTE: COMEÇA AQUI A GRANDE CAMPANHA "LEI SECA, JÁ!", EM PROTESTO CONTRA ANÚNCIOS IDIOTAS DE CERVEJA! ALISTE-SE AGORA!


Fiz um juramento inútil :nunca, jamais, sob hipótese alguma, comprarei uma garrafa de cerveja. É um protesto pessoal, inútil e intransferível contra a maciça campanha de idiotização coletiva movida pelos fabricantes de cerveja em conluio com publicitários metidos a engraçadinhos.

Não estou exagerando: os anúncios de cerveja são um insulto a tudo que possa parecer bom gosto, inteligência e humor.

Conselho às crianças: os melhores gestos são aqueles aparentemente inúteis. Em geral, são os únicos que valem a pena. Então, Lei Seca já ! Aliste-se agora!

O Sopa já fez a lista da estupidez. O Bar da Boa ( Deus do céu, o que é aquilo ?). "Zeca-Feira" ( ahg........). Quem foi o idiota que achou que alguém chamaria de "Zeca-Feira" o dia de beber cerveja ? Eis um exemplo clássico de publicitário tentando ( e não conseguindo) criar um bordão. Para dizer a verdade, criou: o bordão dos imbecis. Só um débil mental diplomado usaria a expressão "Zeca-Feira".

Agora, para acrescentar mau gosto à estupidez, uma nova peça da campanha da cerveja usa o ator de "Tropa de Elite" num trocadilho infame com o verbo "matar".

Justiça se faça: as agências que produzem estes anúncios de cerveja não são as únicas a chamar os leitores e telespectadores de idiotas.

Dou uma navegada em blogs. Há outros blogs chamando a atenção para um anúncio que já foi tema de um comentário aqui no Sopa de Tamanco: o da Toyota, em página dupla na "Veja" dessa semana.

O gênio que escreveu o texto disse lá que o importante é "encarar de frente".

Quantos mil dólares a Toyota terá pago por esta frase ?

Nós estamos todos enganados ou nunca, na história deste país, houve tantos anúncios estúpidos em série ?

O pior de tudo não são os anúncios em si. É ver publicitários falando como se fossem gênios.

( a luz amarela acendeu desde que, há algum tempo, vi um publicitário de blusinha justa passar uma hora e meia - verdade! - tentando demonstrar a um auditório de estudantes a genialidade de um anúncio em que uma tartaruga faz embaixadinha com uma lata de cerveja......Pensei com meus botões : eis o fim da civilização ocidental, tal como era conhecida até hoje). Tudo bem que, num momento de escassez de inspiração, um publicitário invente um anúncio em que uma tartaruga faz embaixada com a lata. Mas, em nome de Nossa Senhora do Perpétuo Espanto, por favor, não venham nos dizer que aquilo é uma obra de arte.

O tempo só veio confirmar que, desde então, as coisas pioraram sensivelmente.

DOM PEDRO II VAI PARA O TRONO OU NÃO VAI ?

Do site de Paulo Polzonoff Jr:

"A passagem que mais me impressionou no livro foi a descrição, por visitantes estrangeiros, do que era a Corte no Rio de Janeiro do século XIX. Não havia pompa. A segurança era precária. Os banquetes eram chinfrins. A família real vivia como uma família de classe média. Era, de fato, um casa imperial de terceiro mundo.
Não tenho qualquer inclinação monarquista. Mas não pude deixar de me enternecer pela figura de D. Pedro II"

aqui:
http://www.polzonoff.com.br/eu-e-pedro-pedro-e-eu.htm#more-906

O OLHAR ESTÚPIDO DOS PEIXES, A BOSTA DO CAMELO & O PETRÓLEO DO BRASIL....

Ivan Lessa:

"O Brasil acaba de descobrir petróleo. Muito petróleo. Para desgosto dos cínicos pouco patriotas. O petróleo da Arábia Saudita fica debaixo da areia, logo depois de quem passa pela bosta de camelo. O petróleo do Brasil fica no mar e, até agora, naquelas profundas próximas ao Rio de Janeiro, só os peixes o encaravam com aqueles olhões estúpidos sem nada entender"

aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071119_ivanlessa.shtml

Disseram que eu voltei americanizado...



O Brasil seria assim se nossos grevistas tivessem criatividade. Enquanto isso não acontece, vagabundos ocupam o Planalto.

16 de novembro de 2007

MUNDO ANIMAL

O crítico literário é o único bípede autotrófico de óculos de que se tem notícia: alimenta-se do próprio ego. Seu habitat artificial são as mesas de discussão, as noites de autógrafo e outros ambientes inóspitos. Tem o corpo dividido em língua, tronco e membros.

(Mais, aqui)

GALA RALA

A revista British Journal of Medicine divulgou que o estado dos espermatozóides dos europeus deixa muito a desejar. Um estudo feito com amostras de esperma de milhares de habitantes do Velho Continente revela que não só existem menos gâmetas masculinos - a redução é já de metade (de 113 milhões por litro passou-se para 66 milhões), como a sua qualidade tem vindo a piorar, com resultados visíveis nas taxas de infertilidade.

14 de novembro de 2007

SOCIOLOGIA

O único mérito da sociologia, a meu ver, foi ter impulsionado o comércio de boinas.

(Mais, aqui)

DICA DE LEITURA: "AFINAL, O QUE VIEMOS FAZER EM PARIS ?" ACABA DE CHEGAR ÀS LIVRARIAS

Acaba de sair do forno uma delícia de livro. Título: "Afinal, o que Viemos Fazer em Paris ?". Autor: Alberto Villas. Editora: Globo. Para quem não ligou o autor à obra: Alberto Villas, jornalista, revelou-se um memorialista "de mão-cheia" em "O Mundo Acabou". Ali, ele mistura memória pessoal com memória social com talento, leveza, humor - e competência.

Agora, em "Afinal, o Que Viemos Fazer em Paris", ele parte para uma nova empreitada memorialística sobre um período riquíssimo que viveu: um exílio voluntário em Paris, a partir do início dos anos setenta, época em que os militares diziam para o Brasil o que o Rei da Espanha disse para o presidente da Venezuela outro dia: "Por que não te calas ?".

O projeto gráfico do livro é um show. Os textos, divididos em blocos, fluem sem atropelo. Bom livro, afinal de contas, é o que dá prazer de ler. "Afinal, o que Viemos Fazer em Paris? " dá. É o que basta. Comecei a ler. Não dá vontade de parar.

O livro funciona como uma "madeleine", aquele gatilho que desperta imediatamente uma fileira de lembranças. Em um minuto, volto no tempo para 1980, ano em que o locutor que vos fala embarcou, também em "exílio" voluntário, rumo a Paris.

Eu me lembro do primeiro choque térmico e cultural: um amigo - que morava com a namorada australiana no terceiro andar de um prédio em ruínas desprovido de chuveiro num ruela sem movimento - organizava, uma vez por semana, uma "expedição" rumo aos chuveiros públicos. Íamos a pé. Cada um levava uma toalha, o sabonete, o desodorante e uma muda de roupa embrulhados num saco plástico. Lá, em troca de um punhado de francos, o forasteiro podia tomar banho cronometrado: dez minutos depois de ligado o chuveiro, o fiscal batia na porta para avisar que chega, a fila estava grande, era preciso dar lugar ao africano que esperava a hora de mergulhar na ducha.

Eu me lembro de Manoel, um brasileiro que passava doze horas por dia trancado num quarto insalubre de hotel tocando num fagote as Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos. Uma vez, ele bateu na porta do meu quarto de madrugada para avisar que conseguira o grande feito: tinha finalmente descoberto como fazer os telefones públicos da Place D´Italie ligarem de graça para o Brasil. Corremos para as cabines telefônicas na madrugada gelada. Passamos seis horas usando o orelhão. Só saímos quando o dia amanhecia. Merci bien, France Telecom! Deus te pague! Um brasileiro descarado ainda tentava teorizar sobre o absurdo que cometíamos nas cabines telefônicas : "Os países ricos vivem explorando o Terceiro Mundo. É hora de a gente receber alguma coisa de volta!".

Eu me lembro de ter visto Bob Dylan cantando "Like a Rolling Stone" num estádio enquanto um grupo de holandeses incendiava os pulmões de haxixe a um passo de onde eu estava, no meio do gramado, assustado com a desfaçatez. A polícia não notou a fumaça dos holandeses. Gravei imagens mudas e tremidas de Bob Dylan com uma câmera Super-8. Nunca as usei para nada.

Eu me lembro de ter visto Pelé dando a volta olímpica no estádio para agradecer o título de Atleta do Século, antes de um jogo da seleção brasileira contra a da França. O Brasil ganhou.

Eu me lembro de ter testemunhado a aparição de um Glauber Rocha com rosto inchado e cara de sono, numa sala de cinema perto da Gare de Lyon, para uma sessão privê de A Idade da Terra, numa manhã de sábado de inverno.

Eu me lembro de ter olhado com algum deslumbramento para o festival de pichações políticas nas paredes da Universidade de Nanterre, no meu primeiro dia de aula de um curso de Cinema que jamais concluí. Uma das pichações mais visíveis convocava: "Aliste-se no Partido Comunista!". Naquela época, o Partido Comunista ainda era clandestino no Brasil. Eu nunca tinha visto algo assim numa universidade brasileira. Pensei: "Democracia!".

Eu me lembro de um brasileiro que não sabia quase nada de francês comentando, espantado, que nunca tinha visto tanta escola de garçom como em Paris. "Não é à toa que os restaurantes franceses são tão badalados. Com tanta escola de garçom desse jeito...". O brasileiro só não sabia que aquilo era Escola para Meninos ( "garçons", em francês). Nada a ver com garçom de restaurante.

Eu me lembro de ter arranjado dois empregos, ambos, claro, clandestinos: o primeiro como camareiro de um hotel numa rua chamada Champollion, ao lado da Sorbonne, no coração do Quartier Latin. Era duro fazer vinte e seis camas nos dias azuis de verão, em que o hotel ficava lotado de americanos e japoneses que comiam pão nos quartos e, para meu desespero, espalhavam farelo pelo carpete, o que exigia um trabalho extra com o aspirador de pé.Uma semana depois de me aceitar como camareiro, o dono de hotel, um homem chamado Ortega, fez uma confissão inconfessável: disse-me que, se o hóspede só passasse uma noite no hotel, eu não deveria trocar o lençol da cama. Bastava inverter o lado do lençol, esticá-lo ao máximo para dar ao próximo hóspede a impressão de limpeza e pronto. O dono queria economizar energia da máquina de lavar. O segundo emprego foi como motorista de uma família rica que tinha um filho "excepcional", Douglas. Já era um rapaz. Não falava nem andava. Meu trabalho era embrulhar Douglas num saco de dormir para protegê-lo do frio, carregá-lo nos braços dentro de um elevador minúsculo e levá-lo de carro até a um hospital que ficava a uns quarenta minutos de Paris. A rua em que a família morava se chamava Yvette. O metrô: Jasmin. Nem carteira de motorista internacional eu tinha. Só a brasileira - que não valia na França. Um dia, a polícia se aproximou do carro. Gelei até a alma. Mas, quando viram o menino, os guardas se retiraram, sem nos importunar. Intimamente, eu vibrava: "Deus é brasileiro!". Se um guarda cismasse de me pedir a carteira de motorista, era problema na certa.

Eu me lembro de ter visto um bêbado anunciando, sozinho, para os frequentadores de um café, perto do Boulevard Saint Michel : "O grande ator americano Steve McQueen morreu!". O bêbado tinha acabado de ler a notícia num jornal. Eram sete da manhã. Eu estava lá para tomar um café apressado, porque pouco depois teria de me apresentar à "Prefeitura de Polícia" para tentar renovar meu visto. Fiquei lembrando das velhas sessões no Cinema da Torre,no Recife: a platéia batia palmas a cada vez que Steve McQueen escapava de soldados nazistas.O filme se chamava "Fugindo do Inferno". Agora, um bêbado me dava a notícia de que o meu ídolo das matinês estava morto.

O café estava mergulhado em fumaça. Lá fora, fazia um frio de rachar. Era novembro, se não engano.

Eu sabia o que estava fazendo em Paris: sem imaginar, tinha viajado doze horas de avião para, meses depois, ouvir um bêbado me dizer que Steven McQueen tinha morrido. C´est la vie.

O que é que o livro "Afinal,o que Viemos Fazer em Paris? " tem a ver com essas cenas todas ?

Tudo e nada. Livro bom é o que acende um rastilho de lembranças. É o que a nova investida memorialística de Villas acaba de fazer.

Bola na rede.

UM NOVO ESPORTE OLÍMPICO PODE ESTAR NASCENDO!

"Como qualquer head shrinker recomendaria, tenho resolvido de maneira criativa uma das minhas grandes pequenas irritações. Sabem aquelas gentes que, logo após descer pela escada rolante, ficam paradas na frente, ponderando o Grande Mistério da Existência, de costas para a legião de pessoas que vem descendo? Sim, vocês sabem -e certamente já se esgueiraram por aquela ínfima fresta entre o imbecil parado no final da escada (identificado, deste ponto em diante, pela sigla IPFE) e o corrimão rolante, para evitar um desastroso efeito dominó de grandes proporções.
Para evitar isso, concebi um novo esporte, saudável e divertido, que consiste em: a) aprender a identificar um IPFE em segundos, tão logo ele se poste à sua frente na escada rolante; b) descer a escada com a perna esquerda reta e a direita flexionada num ângulo de no mínimo 45 graus, de modo a aterrissar com o pé exatamente no meio das costas do IPFE. O efeito plástico é coisa linda de ver, digna de filme do Bruce Lee -e, modestamente, estou ficando tão bom nesse negócio que outro dia, num desses xópins, fiz strike numa família inteira de IPFEs. Em verdade vos digo: se em 2028 isso virar esporte olímpico, não terei vivido em vão"

(aqui: http://puragoiaba.apostos.com/)

13 de novembro de 2007

INFORMAÇÃO MÉDICA SOBRE MEIO SÉCULO DE CIGARRO NA BOCA

Ivan Lessa:

"Em novembro de 2001, parei de fumar, após uns bons (ou maus) 50 anos, de cigarrinho no canto da boca"

(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071112_ivanlessa_tp.shtml)

"ERA FÁCIL E BOM SER MEDÍOCRE"

Do site de Paulo Polzonoff:

"Naquele tempo havia ídolos. Simplesmente porque os ídolos são peça fundamental do delicioso mundo medíocre. Em Pasárgada morarão Marisa Monte e Geraldo Vandré. Ao lado há a casinha dos poetas: Manuel Bandeira afaga um porquinho da índia; Drummond admira as pedras no meio do caminho; Vinícius tem seus versos declamados eternamente por Camila Morgado; Quintana passa o dia entre o passarão e o passarinho. Todos eles fazem parte de um bairro todo especial deste lugar onde moram todos os ídolos das multidões.

Não pense que os condeno. Sou sincero: sinto saudades. Era fácil e bom ser medíocre"

(aqui: http://www.polzonoff.com.br/simplicidade-mediocridade-felicidade.htm)

DIABO

O diabo não é páreo para Deus. Trata-se de uma criatura ainda muito humanizada. Em termos de mal absoluto, aposto mais nos vilões de telenovela.

(Mais, aqui)

12 de novembro de 2007

ENGANAÇÃO


No último round, vimos Heráclito chamar o célebre Pitágoras de erudito sem inteligência. Aprender muitas coisas, advertiu, não dá inteligência a ninguém. Ocorre que nenhum grego praticara a investigação científica tanto quanto Pitágoras, que, tendo lido muito e de grandes sábios, reclamou para si mesmo sabedoria maior que a de qualquer um. Quem conta a história é o próprio Heráclito, para quem essa sabedoria não passava de... fraude.

PERGUNTA FEITA AO HADES

Quantos quilos de Will Self, Brad Buchanan, Don DeLillo, Pat Barker, Tim O’Brian, Kazuo Ishiguro, Philip Roth e congêneres valem um hexâmetro de Ovídio?

(Mais, aqui)

REMUNERA-SE BEM

Sumiu desta redação há alguns dias o jornalista Tony Marques. Quem tiver alguma informação que ajude a encontrá-lo, por favor, pedimos que se cale. Remunera-se bem.

BOLSA-LIVRO

Segundo Polzonoff, o governo do Chile tem um programa de fornecimento gratuito de livros para seus cidadãos. Proponho medida semelhante aos comentaristas do SDT. Distribuiremos àqueles que vierem à redação, livros de autores anônimos ou sem sobrenome. Permitiremos o uso de máscaras.

NO ÔNIBUS

-- Expõe o analfabetismo funcional dele por aí.
-- Como assim?
-- Lê textos, não entende e comenta.
-- Uhm. E não tem vergonha?
-- Não, faz isso anonimamente.

DEMOCRACIA

Sexta-feira assisti à entrevista de Arnaldo Jabor no Jô Soares. Sim, às vezes também assisto ao Amaury Jr., caros leitores. E não perco o Roda Viva. Trata-se de um ato sagrado para mim: a autoflagelação.

Jabor comunga com Caetano Veloso de uma característica ímpar, que sempre me impressionou: ambos são capazes de dizer algo absolutamente genial num instante e, no seguinte, a maior idiotice jamais ouvida. Talvez o fato se relacione aos hemisférios cerebrais. No caso de Jabor, claro, pois, como se sabe, o baiano nasceu desprovido deles.

Na entrevista de que falo, Jabor estava muito agradável e teve um gesto dos mais dignos quando disse não ter opinião formada sobre a obrigatoriedade do imposto sindical. “Não sei”, falou, coisa que jamais escutei na televisão, lugar por excelência de gênios conhecedores de Tudo, a Enciclopédia do Conhecimento.

(Aliás, o próprio Jabor faz parte de um fenômeno cultural mais amplo e bastante disseminado atualmente na imprensa. Na Renascença e na Antiguidade, a polimatia era regra entre sábios. A modernidade trouxe a figura do cientista especializado no seu ramo científico. A pós-modernidade, por sua vez, estimula a polidoxia: o sujeito é especialista em tudo, ainda que não saiba de nada.)

A dada altura da entrevista, o comentarista político soltou uma daquelas inverdades que, de tão repetidas, acabam perdendo o prefixo: o governo FHC enfrentou ferrenha oposição do PT, enquanto a oposição ao atual governo é pífia.

Minha memória não é boa, caros... caros... Enfim, minha memória não é boa, mas eu me lembro, por acaso, de que foi no período FHC que se cunhou a expressão “rolo compressor do governo” para a aprovação pura e simples das matérias de interesse do Planalto no Congresso. Afinal, a base governista contava nada menos que com os três maiores partidos da Casa. Podia aprovar o que bem queria, inclusive enterrar uma série de CPIs.

Por outro lado, o PT não tinha o tamanho que tem hoje. Fazia barulho, mas o resultado prático de sua oposição era praticamente nulo. A não ser em matérias de interesse do governo que se encontravam mais à esquerda no espectro ideológico e não encontravam eco na base aliada, o governo não era forçado a conversar com a oposição.

No governo FHC se aprovou pelo menos uma aberração política e jurídica: a reeleição para beneficiar políticos no exercício do cargo, coisa que até o faxineiro do Congresso sabe inconstitucional. Isso, para não se falar na suposta compra de votos para aprová-la. Suposta, claro, pois não houve CPI. Tampouco o assunto foi aprofundado pela mídia.

A mídia, em tempos de democracia, talvez nunca tenha sido tão condescendente com um governante. FHC encantava os jornalistas. Um ou outro colunista, sim, descia a lenha no Príncipe. Nos artigos de opinião, permitia-se. Nas matérias, no entanto... Basta dizer que até hoje é tabu nas redações um simples caso extraconjugal que FHC teve com uma jornalista.

Ora, alguém é tão ingênuo a ponto de achar que mensalão ou coisa que o valha é obra deste governo? O que este governo tem de diferente do de FHC, além do pouco domínio do idioma, é justamente aquele que talvez seja seu único mérito: é investigado. Exaustivamente investigado. Pelo Congresso, pela mídia.

A partir de matérias aprofundadas, por exemplo, a imprensa transformou a denúncia inicial de Roberto Jefferson em um escândalo sem precedentes. Sem precedentes, porque jornais e revistas fizeram seu papel: investigaram, denunciaram, aproveitaram-se do operoso trabalho parlamentar, que conseguiu criar uma CPI.

Aliás, neste governo foram criadas várias. No governo FHC, a impressão é de que nada se investigava: nem o Congresso, nem a imprensa, nem o Ministério Público. O Procurador-Geral da República então tinha a alcunha de “engavetador-geral”. Ou a memória de vocês é pior do que a minha?

Paremos, portanto, de repetir tolices — não é preciso, o atual presidente já as diz em abundância — e sejamos honestos: apesar do PT e a despeito da inoperância, o governo petista é garantia, ao menos, de que nem toda a sujeira endêmica que atravanca o país há séculos será empurrada para debaixo do tapete. Ainda que isso independa de sua vontade, claro.

(Comentários sobre como esta postagem é petista ou direitista, por favor, encaminhem ao nosso editor.)

LITERATURA NOVA

Para agradar a amigos que reclamam da minha neofobia literária, resolvi comprar os últimos romances publicados. E confesso que gostei. Aliás, não foi surpresa. Sempre fui fã da literatura do século XIX.

(Mais, aqui)

10 de novembro de 2007

CRISE SEM PRECEDENTES NA PUBLICIDADE BRASILEIRA

O Sopa de Tamanco já escreveu que a publicidade brasileira enfrenta uma crise sem precedentes - que se arrasta por anos e anos. Parece exagero. Não é não.
É só ligar a TV, abrir os jornais ou passar os olhos nos anúncios das revistas.

Um anúncio do jornal o Estado de S.Paulo, publicado faz anos, trazia uma vírgula entre sujeito e verbo, erro inadmissível em redatores que, com certeza, se julgam gênios. O texto dizia algo como "e o Estadão, continua....".

Tempos depois, a agência que atende ao mesmíssimo Estado de S.Paulo lança um dos slogans mais idiotas de todos os tempos - aquele que elogia quem "pensa Ão". É o tipo da tentativa fracassadíssima e pouco inspirada de criar um bordão. Mas somente idiotas seriam capazes de dizer coisas como :"Vou ler um livro de fulano. Deve ser bom, porque ele pensa Ão".

Ah, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, rogai por nós todos.

O que dizer dos anúncios dessas campanhas de cervejas ? O que é o "Bar da Boa"? Que coisa estúpida, falsa e artificialíssima! E o "Zeca-Feira" ? Eis outra tentativa de criar um bordão que nem o mais rematado dos idiotas seria capaz de repetir.

Agora, as revistas semanais expõem um anúncio de página dupla da fábrica de automóveis Toyota.
O texto do anúncio, publicado em espaço nobilíssimo da revista Veja dessa semana :"Determinação é encarar os obstáculos de frente"

Encarar de frente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Há alguma outra maneira de encarar qualquer coisa - que não seja de frente ?

O Dicionário Aurélio informa : "encarar: olhar de frente".

Custava tanto o redator dar uma checada no Nosso Pai, o dicionário?

Qualquer aluno de primeiro grau que escrevesse algo como "encarar de frente" seria repreendido pela professorinha.

Quantos mil dólares a agência terá cobrado para conceber frase tão brilhante ?

O princípio se aplica aos anúncios de cerveja, à campanha do jornal etc.etc.

O pior é que há quem pague por estes anúncios.

Quem disse que nasce um otário a cada minuto no planeta nunca teve tanta razão.


O MAL QUE O ALCOOLISMO CAUSA AO JORNALISMO AMERICANO

O alcoolismo continua fazendo mal ao jornalismo.
Exemplo: o crítico da revista Time que elogiou um disco do cantor Max de Castro com toda certeza estava sob influência de doses maciças de álcool.

Só pode ter sido.

A NOITE EM QUE NORMAN MAILER CONSTATOU A VITÓRIA DA IMAGEM SOBRE A PALAVRA. E FEZ UMA CONFISSÃO: ACREDITAVA EM REENCARNAÇÃO!

Aqui, o locutor-que-vos-fala descreve aquela que foi uma das últimas aparições públicas de Norman Mailer- que morreu,hoje, em Nova York. A notícia da morte,por insuficiência renal, foi divulgada faz poucos minutos:

http://www.geneton.com.br/archives/000174.html

Faltam fuzil e êxtase no Desfile das Vacas


9 de novembro de 2007

TV É ASSIM: QUANTO MAIS BOBA, MELHOR. AQUI, UM SUCESSO DA TV INGLESA....

NOTÍCIAS DA ILHA DE EDIÇÃO: PAULO FRANCIS RECLAMA DA SÍNDROME DA BANDA DE MÚSICA, UM DOS MALES DO BRASIL

Vejo uma fita antiga na ilha de edição.Data da gravação: 1980. Em visita ao Rio, Paulo Francis grava uma entrevista:

"Sempre houve no Brasil uma tendência ao conformismo e à "banda de música" em torno de celebridades. Mas toda cultura precisa é de um grande conflito. É preciso haver grandes críticos - pessoas que realmente ataquem os autores, ataquem os atores, por exemplo. Eu era "comprador de brigas" pelo seguinte: ia ver uma peça de teatro, não gostava, dizia que era uma porcaria. E o autor brigava comigo...."

EXCLUSIVO: ENCONTRADO FILHO BASTARDO DE GENETON MORAES NETO E YOKO ONO

Novamente com exclusividade, nos adiantamos a todos os outros órgãos de imprensa e publicamos ao lado a imagem que, nos meios jornalísticos, era mais aguardada que a do filho bastardo de FHC. Com vocês, o filho bastardo de Geneton Moraes Neto e Yoko Ono: Geneton Moraes Neto Jr.

Notem a mistura de traços da mãe e do pai. Sobretudo a barba, que não nega a origem paterna. Quem escutou o garoto, disse que ele fala japonês com sotaque pernambucano. Em vez de “arigatô”, por exemplo, diz “arigató”.
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A foto foi tirada no cativeiro onde o rapaz é mantido, em péssimas condições de higiene, de maneira a preservar a fama do casal. Nela, vemos o momento em que um médico contratado especialmente para o serviço, após entrar de olhos vendados no recinto, examina o jovem Moraes. Pedimos desculpas aos leitores pela baixa qualidade da imagem, mas foi o que conseguimos, acreditem, em situação tão precária.

EXTRA! EXTRA! REPÓRTER DO SDT É ASSEDIADO SEXUALMENTE POR YOKO ONO!!!

A verdade só veio à tona agora. A viúva negra dos Beatles é uma caçadora voraz. Em uma entrevista realizada em Brasília, há alguns anos, Yoko Ono tentou conquistar Geneton Moraes Neto.

Isto mesmo. Geneton, ingênuo, fez apenas uma pergunta à Super Viúva sobre John Lennon. Ela, sentindo nas partes pudentas saudades do marido, não hesitou: meteu a mão na coxa do repórter.

Estavam numa suíte decadente do Hotel Nacional. Cenário perfeito para este tipo de atentado ao pudor.

Acham que eu minto? Pois então leia o relato pela boca do assustado e ingênuo repórter:

- "Quando toquei no assunto John Lennon, ele pousou delicadamente a mão sobre minha coxa e disse: 'Quem sabe, em outra oportunidade falamos deste assunto- que é muito vasto'."

Depois, falaram da floresta, numa clara alusão às matas fechadas nipo-japonesas! Orgulhoso mas tímido, GMN não quis se pronunciar sobre a vastidão do seu assunto pernambucano.

FOFOCA POLÍTICA, A SER CHECADA DAQUI A DOIS ANOS

O Sopa de Tamanco não é blog de fofoca política. Mas vale o mero registro, a ser conferido daqui a dois anos, em 2009,quando a campanha para a sucessão presidencial de 2010 estiver pegando fogo.

Uma figura que sempre teve acesso do sr.Luiz Inácio Lula da Silva desde os tempos em que o dito era sindicalista em São Bernardo do Campo nos disse, num jantar, em São Paulo, no ano passado, o seguinte:

"Pelo amor de Deus, o que vou dizer eu não ouvi da boca de Lula. Mas, pelo que observei nos últimos tempos, se ele for escolher dentro do PT um candidato a presidente, ele apostará em Dilma Roussef".

Eu me lembrei desse comentário quando vi nos jornais que Lula escalou a ministra para anunciar a descoberta de uma reserva gigante de petróleo no Brasil. O objetivo da escalação: dar "visibilidade" à Dona Dilma.

A fofoca faz sentido.

OFÍCIO

Não tenho aptidão ou habilidade para coisa alguma, nada. Qualquer dia, em nome da sobrevivência, serei forçado a abraçar a carreira de artista plástico contemporâneo.

EM BRASÍLIA, COM A VIÚVA ONO

Carecem de qualquer fundamento os boatos de que este tamanqueiro vai entrevistar a septuagenária viúva Ono durante a passagem da dita cuja por terras paulistanas.

Já entrevistei, uma vez, em Brasília. Eu me lembro de que ela disse platitudes sobre a paz e a harmonia universais. Não quis falar do ex-beatle. Quando toquei no assunto John Lennon, ele pousou delicadamente a mão sobre minha coxa e disse: "Quem sabe, em outra oportunidade falamos deste assunto- que é muito vasto". Declarou-se preocupada com a Amazônia.

A viúva Ono ocupava a suíte meio decadente do Hotel Nacional. Lá pelas tantas, foi à janela, para contemplar Brasília.

O que mais ?

Quando desci, vi a mãe de Glauber Rocha tomando suco numa mesa à beira da piscina.

Corri para o aeroporto para pegar o avião. Como sempre acontece quando me dirijo a qualquer aeroporto, tinha certeza absoluta de que iria morrer num desastre aéreo.

Não morri, pelo visto.


Grandes slogans avacalhados

'O PETRÓLEO É POÇOS.'

Dilma Flintstone

ULYSSES

Homem usado a esportes radicais — entre eles, beber leite diariamente no Brasil —, avancei, intrépido. Dado meu empenho, tudo levava a crer que ao fim da caminhada me caberia o sucesso obtido, no mar, por Ulysses. Não o herói épico, mas o Guimarães.

(Mais, aqui)

NINGUÉM VAI FICAR MENOS INTELIGENTE SE PERDER O ÚLTIMO LANÇAMENTO....

Do site de Paulo Polzonoff:

"Ao ler a famosa lista de livros recomendados por Paulo Francis, por exemplo, saí praguejando contra tudo e contra todos porque, ora, porque aos catorze anos eu não tinha lido Crime e Castigo. E também porque não existia (não existe ainda hoje) uma edição completa de Ascensão e Queda do Império Romano. Como eu poderia viver sem isso? Como um dia eu poderia alcançar o Nirvana sem esta base?
Hoje eu passo incólume pela prateleira dos lançamentos nas livrarias. Gostaria muito de ler As Benevolentes, mas, quer saber?, fica para a próxima encarnação. Ou para quando e se eu tiver uma hepatite ou coisa do gênero. Até que me dá uma vontadezinha de ir ao cinema ver a mais recente produção franco-indiana, mas, só de pensar na fila e no preço e na falta de educação das pessoas… Melhor esperar o DVD. Continuo gostando de balé contemporâneo e é mesmo bem legal assistir ao Grupo Corpo, mas, sinceramente, não vou ficar menos inteligente (ou mais burro – uma questão de perspectiva) por causa disso"


(aqui, o texto completo:
http://www.polzonoff.com.br/o-mau-legado-de-paulo-francis.htm#more-895)

CONFIRMADO

GMN, o popular Greenwich Mean Neto, repórter e mito, já confirmou entrevista com Yoko Ono, ex-esposa e fanha.

O SDT apurou e revela agora com exclusividade aos seus leitores qual será a primeira pergunta do jornalista-mor da nação para a mulher que tenta — e consegue — vender gato por arte.

— Na opinião da senhora, jacaré no seco anda? — perguntará Moraes Neto que, poliglota, além do idioma de Akira Kurosawa, domina ainda as 59 línguas faladas pelo falecido João Paulo II, mais o swahili, o aramaico, o enxacoco e o lulês.

Aguardem. A entrevista será de arregalar os olhos. Menos os da Yoko, claro.

POLIMATIA

Bom de briga, Heráclito chamou Pitágoras de príncipe dos impostores.

O “rei dos tagarelas” acusou o golpe? Não é de Heráclito a acusação de impostor? Tampouco se refere ela ao “ancestral dos charlatães”?

Pitagóricos de todas as tendências, defendei a memória de vosso mestre – cuja autoridade de sábio invocais com o apaziguador “ele disse”, que põe fim a debates e acaba com as dúvidas. Roma locuta?

Para Heráclito, a causa não é finda: “Ter um saber extenso e variado não instrui a inteligência. Do contrário, teria instruído Pitágoras.”

A TAÇA DO MUNDO É NOSSA. COM EMPREITEIRA, NÃO HÁ QUEM POSSA

Faz três semanas que faço e refaço as contas: dá para calcular qual vai ser o tamanho da roubalheira das empreiteiras na construção dos estádios para a Copa do Mundo brasileira ? Dá para imaginar o que será pago de propinas a administradores, políticos e apaniguados corruptos ? Quantas amantes receberão dinheiro vivo em envelopes pardos ?

Não é implicância nem delírio: um levantamento superficial revelará que as empreiteiras estão envolvidas em dez em cada dez escândalos de roubalheira cabeluda acontecida nas últimas décadas.

Corrupto é ladrão. Corruptor também.

Não há máquina de calcular que dê conta do trabalho.

DA GENEROSIDADE DIVINA

Se Deus fosse realmente generoso como dizem os crentes, teria ao menos caprichado mais na produção de endorfinas.

Será?

!!!!!!Depois de entrevisar o bêbado loser que deixou de ser um Beatle. Depois de entrevistar o homem que derrubou um presidente. Depois de acompanhar Gorbachev em seu (dele, Gorbachev) ocaso, Geneton Moraes Neto, ao saber que Yoko Ono está no Brasil, prometeu cantar Ne Me Quitte Pas para a viúva de John Lennon!!!!!!!

Em retribuição, Yoko Ono prometeu fazer uma performance envolvendo maracatus e Imagine, do finado.

- Vai ser uma coisa linda - profetizou Caetano Veloso.

Fundo do poço

Yoko Ono está no Brasil para fazer uma exposição de arte vagabunda, digo, contemporânea.

É o fundo do poço. Para ela e para nós.

Das ambições nacionais

Ontem, durante o anúncio de um super campo de petróleo, o presidente da Petrobrás fez previsões sobre a posição do Brasil no ranking mundial.

- Algo entre a Venezuela e a Nigéria.

Maravilha, hein?

ALGUMA COISA ACONTECE NO MEU PULMÃO

Em São Paulo, saber se o céu existe não é uma questão metafísica, mas puramente astronômica. De um lado, somos beneficiados pelo fato de uma agência estadual regular rigidamente a qualidade desse elemento imprescindível, evitando que não entre muito oxigênio em sua composição. De outro, contamos com um fator econômico ancilar: o oxigênio paulista é tão pobre que não consegue passar no pedágio da Dutra.

(Mais, aqui)

8 de novembro de 2007

VIOLÊNCIA ANTIGA

fALAM MUITO DA violência que impera na Cidade Maravilhosa - o Rio de Janeiro. Esse assunto é coisa antiga e vem de muito longe. Em 1900, o poeta Raimundo Correia, em carta dirigida ao escritor Assis Brasil, escrevia: «A estatística criminal do Rio de Janeiro aterroriza. Todos os dias são portas arrombadas, assaltos em pleno dia, roubos, assassinatos. Nunca se viu tão grande falta de segurança pessoal, de justiça e de moralidade pública. Os cidadãos precisam andar armados para se defenderem já que a polícia não os defende, e fazer justiça por suas próprias mãos já que não podem contar com a dos tribunais do país, que é demorada e tão cara e dispendiosa, que só os ricos e poderão obter». Fim de citação.

DOS MISTÉRIOS DA FÉ

Sou agnóstico, com alguma — pouca — propensão à crença. Isso, se a televisão estiver desligada.

ESCONDIDO TU ESTÁS

Deus está em tudo, é verdade. Mas confesso que gosto mais dele quando vem em cápsulas de 20 mg de Fluoxetina.

AOS MAGISTRADOS DO BRASIL, A SINGELA HOMENAGEM DO SDT

"Marchands de grec! marchands de latin! cuistres! dogues!
Philistins! magisters! je vous hais, pédagogues!
Car, dans votre aplomb grave, infaillible, hébété,
Vous niez l'idéal, la grâce et la beauté!
Car vos textes, vos lois, vos règles sont fossiles!
Car, avec l'air profond, vous êtes imbéciles!"

(V. Hugo em "Les Contemplations", XIII)

A NETA DE TOLSTOI, AOS NOVENTA ANOS, REMAVA TODO DIA - E DIZIA QUE O PAI ACHAVA "GUERRA E PAZ" UMA INFANTILIDADE.....

Lucas Mendes sobre um encontro surrealista com a neta de Leon Tolstoi:


"Depois de muita relutância, concordou em me dar uma entrevista na casa onde ficava a Fundação Tolstói, a 60 quilômetros ao norte de Nova York. Ela estava com 90 anos (morreu com 95) e remava todos os dias.
Eu me sentei na proa do barco, a presidente da Fundação, Tatiana, na popa, e ela, no banco do meio, remava e contava histórias.
Neste momento há uma batalha nos Estados Unidos sobre duas novas traduções de Guerra e Paz. Os críticos e acadêmicos têm debates apaixonados, mas o velho Tolstói não entraria nesta briga.
"Papai tinha 40 anos e se entusiasmou quando escreveu Guerra e Paz, mas achava que não era um romance como Anna Karenina que escreveu depois, com quase 50 anos. A partir daí se interessou por pacifismo e filosofia e perdeu completamente o interesse pela literatura. Vinha gente de toda Rússia e de outros países falar com ele sobre Guerra e Paz e ele não tinha o menor interesse, paciência, nem lembrava dos personagens. Achava aquilo uma infantilidade e apagou tudo da memória."

aqui, o texto completo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071108_lucasmendes_ac.shtml

....OS QUE ESCREVEM LIVROS E ARRISCAM A VIDA EM VIAGENS DE AVIÃO PARA DIVULGÁ-LOS....

Do site de Paulo Polzonoff:

"O que mais admiro nos ateus é que eles têm diante de si este cenário funesto e mesmo assim continuam a viver suas vidas medíocres. Alguns até mesmo trabalham doze ou catorze horas por dia. Outros escrevem livros e arriscam suas existências em viagens de avião para divulgá-los"

Texto completo aqui:
http://www.polzonoff.com.br/remotamente-ateu.htm#more-891

CARY GRANT E RANDOLPH SCOTT

Calma, patrulha politicamente pink. Não estou fazendo julgamento de valor, mas apenas dizendo: depois que foi publicado que Cary Grant, o galã conquistador, tinha um romance com Randolph Scott, aquele caubói dos faroestes (!), passei a achar que tudo era possível sob o sol.

Nem o filho de Wilson Simonal cantando é capaz de me assustar.

BAIXA FILOSOFIA

Já disse, volto a confessar: jamais me recuperei do impacto causado pela descoberta de que cerca de oitenta por cento do corpo humano é água pura.

Água!

Quem seria capaz de levar a sério uma água falante ?

É o que somos: águas falantes.

Não há filósofo que dê jeito nesta precariedade líquida.

Desisto.

Vou passear. É melhor.

Quando passar em frente a uma delegacia, aproveitarei para fazer as perguntas que realmente importam : o senhor sabe dizer se Fábio Júnior continua solto ? E aquela locutora que anuncia os horários de vôo no aeroporto com voz suspirante de paciente na UTI pensando que é sensual? Continua solta ?

Dizei, Nossa Senhora do Perpétuo Espanto !