29 de dezembro de 2007

A PROPÓSITO DE CRENTES

Admiro imensamente essas pessoas que atribuem tudo o que lhes acontece a propósitos divinos. Diante delas, levanto apenas uma suspeita: e se Deus estiver mal-intencionado?

28 de dezembro de 2007

PROCURA-SE

Jornalista de barba, saiu na noite de Natal para faturar um por fora como Papai Noel e até agora não foi encontrado. Deixou dois filhos, mulher e um blog ao abandono. Remunera-se bem.

ESCOLHA DIFÍCIL

E esses atendentes de loja que contam a vida toda para a gente na hora de fechar a venda de um produto? Granada ou bazuca?

OSCAR WILDE

.
"Um homem pode ser feliz com qualquer mulher, desde que não a ame."

OLHO CLÍNICO

"Ao ser interrogado, Khalid Sheikh Mohammed, o homem que sugeriu à Al-Qaeda a 'operação com os aviões', disse que, em apenas 10 minutos, Bin Laden era capaz de avaliar um candidato ao martírio nos campos de treinamento da Al-Qaeda, no Afeganistão. 'A maioria dos seqûestradores do 11 de Setembro foi escolhida assim', informa a investigação oficial sobre o atentado".

(Trecho do Dossiê História)

DO NECROLÓGIO DE LEON ELIACHAR


"Tive milhões de complexos e venci-os todos, um por um, com exceção do complexo de morrer: esse morre comigo".

***

"Me orgulho de ter vivido oitenta anos em apenas quarenta: finalmente me livrei dessa maldita insônia".

E ELE NÃO CONHECEU A PÓS-MODERNIDADE...

"Gosto sobretudo dos poetas que me transportam à mais alta antiguidade: a morte do ambicioso Agamenon, o furor de Orestes e toda a história trágica da família dos Atridas, perseguida pelo céu, me inspiram um terror que os eventos modernos não saberiam fazer nascer em mim."

("Voyage Autour de ma Chambre", Xavier de Maistre. Tradução minha.)

27 de dezembro de 2007

BIN LADEN, O JÂNIO QUADROS DO ORIENTE

"Parece que Osama Bin Laden tem uma queda pela Europa. Perguntei a ele: 'Por que todo esse ódio contra os Estados Unidos? Que tal a Europa?'. Bin Laden me respondeu: 'Não! Os europeus são diferentes. Respeitam nossas tradições. Quando os europeus invadiram a península Arábica, ficaram no sul. Não se aproximaram da terra santa de Meca e de Medina. Mas os americanos, quando resolveram enviar 500 mil soldados para tirar os iraquianos de Saddam Hussein do Kuwait, foram para lugares santos, Meca e Medina. Nunca respeitaram nossas tradições! Você via soldados americanos, mulheres, vestindo jeans ou usando shorts que deixavam as pernas de fora e mostravam o púbis. São atitudes que nos insultam!'"

(Trecho do Dossiê História, de Geneton Moraes Neto.)

H. P. BROUGHAM


O advogado é um cavalheiro educado que protege nossos bens de nossos inimigos e os guarda para si mesmo.

PORTUGAL

Soube que grande parte dos jornalistas de uma TV brasileira vai tirar férias em Portugal. Deve ser para aprender o idioma.

LOST IN TRANSLATION

Em Sevilha, Figaro é o factotum della città; no Rio, César Maia é o fucktotum.

26 de dezembro de 2007

DIRETO DA UTI :NOTÍCIAS DE 2007

Confirmado: 2007 entrou em coma. Vai morrer já, já. Não dou cinco dias a ele.

MEDITAÇÃO PROFUNDA SOBRE O PANACA SÊNIOR & O PANACA JÚNIOR

Preste atenção. Em noventa e cinco por cento dos casos, o Panaca Sênior ( aquele que, em noite de reveillon, desfila todo de branco - de bermuda - na areia da praia, com um copo de cerveja quente na mão e uns óculos de camelô com o aro em formato de 2008) vem sempre acompanhado de um Panaca Júnior. Ou dois. Ou três. Ou, quem sabe, quatro.

É incrível como eles se reproduzem em série.

Ao lado, a Matrona Sênior invariavelmente estará acompanhada de uma Matrona Júnior.

É assim. Os promotores dos shows de axé, especiais de Roberto Carlos e de Ivete Sangalo e espetáculos do Cirque du Soleil podem respirar aliviados: não faltará gente desse tipo para preencher os auditórios pelas próximas gerações.

É uma lei da natureza: o Panaca Júnior com toda certeza produzirá também Panaquinhas Júniores em série.

E assim por diante, por todos os séculos e séculos, amém.

GRANDES DEFINIÇÕES FREUDIANAS

Psicanalista é o sujeito que fala "preconceito" com uma pausa acentuada entre o prefixo e o radical da palavra, eventualmente segurando o aro dos óculos com dois dedinhos e levantando uma das sobrancelhas.

PERIGO NO SERTÃO

Certa vez caí na tolice de entregar a uma psicóloga um livro cujo título é "Perigo no Sertão". Fiz isso e me deitei, para iniciarmos a sessão. Primeira pergunta da anta de divã:

- Perigo no sertão, né? Sertão. Que perigo é esse, ahn? Ser... tão... Você sente perigo em ser tão o quê?

Um gênio, sem dúvida. Por essas e outras é que, atualmente, só entro em consultório terapêutico armado.

"NÃO PODEMOS BEBER PETRÓLEO"

Trecho de entrevista de Moraes Neto com Abdel Bari Atwan, jornalista palestino que entrevistou Bin Laden.

GMN: Qual foi a impressão pessoal mais marcante que Bin Laden deixou no senhor?

ABA: Bin Laden me impressionou por ser alguém muito, muito humilde. Modesto. Verdadeiro, fala pouco. Não é como nós, árabes do Oriente Médio, ou talvez latino-americanos, que são barulhentos e usam as mãos para falar. Não. Bin Laden é calmo. Raramente ri. Fala com suavidade. Jamais interrompe você. Espera que você termine de falar. Quando fala, usa poucas palavras. Não é como nós, que falamos sem parar. Ao mesmo tempo, tem senso de humor. Disse-me: "Precisamos da América. Queremos cooperar com eles. Precisamos vender o petróleo que temos. Não podemos beber petróleo. Não dá para beber..."

A íntegra da entrevista está no Dossiê História, de GMN, já nas livrarias.

FAÇA O QUE EU DIGO, NÃO O QUE EU FAÇO

Trecho de entrevista de Moraes Neto com Abdel Bari Atwan, jornalista palestino que entrevistou Bin Laden.

GMN: Que sentimento o senhor tem em relação aos Estados Unidos?

ABA: Amo os Estados Unidos. Amo a experiência americana. Imigrantes de todas as partes do mundo foram ao país. Criaram uma superpotência. (...) A igualdade, a democracia, os direitos humanos, a Constituição, tudo forma uma bela experiência. Gostaria que tivéssemos essa experiência em todo o mundo. Mas para nós, árabes, muçulmanos, povos do Terceiro Mundo, o problema é a política externa americana, que vem nos destruindo! (...) É esse o nosso problema com os Estados Unidos.

A íntegra da Entrevista está no Dossiê História, de GMN, já nas livrarias.

COLUCHE

Un pays neutre, c'est un pays qui ne vend pas d'arme à un pays en guerre, sauf si on paie comptant.

ATENÇÃO

Após uma série de indagações, achamos por bem vir a público e informar: ao contrário do que possa parecer, a lista de nomes que se encontra abaixo, do lado esquerdo, no menu do site, logo após a expressão "quem, por ordem alfabética" não é uma tentativa incipiente nossa de dar início a um romance russo. Obrigado.

O CH1 JÁ PASSOU. AGORA, PREPAREM OS CINTOS: VEM AÍ O CH2

O CH1 ( ou seja : Cortejo de Horrores do Natal) já passou. Agora, só falta o CH 2 ( Cortejo de Horrores do Reveillon, com suas legiões de panacas bêbados e matronas gordíssimas, ambos vestidos de branco, falando alto no meio da rua e pavlovianamente gritando "êêêêêêê!!!!" a cada vez que vêem fogos de artifício).

Deus do céu, por que não antecipas logo o Apocalipse ?

Depois, finalmente, há de vir a calmaria.

O CIRQUE DU SOLEIL CHEGOU ! ONDE FICA A SAÍDA, PELO AMOR DE DEUS ?

O Cirque du Soleil, com seus "números de platéia" feitos sob medida para constranger o pobre- diabo que pagou uma fortuna pelo ingresso, acaba de chegar ao Rio de Janeiro.

Socorro !!!!!!!!!

25 de dezembro de 2007

AVISO DE UTILIDADE PÚBLICA

O tamanqueiro Tom Carneiro já avisou num post anterior,mas o Serviço de Utilidade Pública do Sopa de Tamanco repete o alerta: todo cuidado é pouco, tirem as crianças da sala, tomem um calmante potente porque hoje, terça-feira, em torno das dez da noite, uma imagem assustadora tomará conta dos aparelhos de TV: com aquele cabelo estirado que cairia bem numa índia curandeira e ombreiras que parecem caroços escondidos sob o terno, Roberto Carlos cantará "quando eu estou aqui vivendo este momento lindo...", a platéia soltará um patético "êêêêêêêê!!!" - e ele seguirá pronunciando aqueles versos primaríssimos. É a mesmíssima cena de há trinta, trinta e cinco anos. Você se pergunta: ainda há quem aguente vê-la ? E, pela trilésima vez, concluirá que a espécie humana jamais terá solução.

24 de dezembro de 2007

SIMONE

Quando penso nos meus pecados, tenho medo da vida após a morte. Quando ouço aquele disco de Natal da Simone e comparo minhas penas futuras com as dela, fico mais aliviado.

DESPROGES

Les hémorragies cérébrales sont moins fréquentes chez les amateurs et les joueurs de football que chez le reste de la population. Les cerveaux aussi.

FINALMENTE ! ENCONTRADAS AS PROVAS DA INEXISTÊNCIA DE DEUS !

Se Deus realmente existisse, ele.....

criaria gente capaz de passar o dia inteiro se esbarrando em corredores de shoppings superlotados, às voltas com crianças chatas, idiotas de bermudas e mulheres tagarelas ?

Não!

preencheria o vídeo das TVs com a imagem de Roberto Carlos cantando "Emoções" pela trilionésima vez, com aquelas ombreiras patéticas e cabelo de índia velha ?

Não !

deixaria que aqueles corais ligeiramente ridículos entoassem musiquinhas piegas de Natal nas praças, e, pior, em restaurantes (!!!) ?

Não!

A lista daria para encher quarenta volumes de mil páginas cada. Mas, como é Natal, a gente faz de conta que é tudo lindo, para não estragar a festa.

MEUS SINCEROS CUMPRIMENTOS

Poucas vezes me vi tão feliz com um evento de arte moderna quanto com esta obra-prima que foi o roubo de um Picasso e um Portinari do Masp. Se o desfecho for a incineração dos quadros, dou minha mão à palmatória: será a primeira instalação perfeita da história da arte.

BUSH E BIN LADEN

Palavras de Bin Laden a Abdel Bari Atwan, jornalista palestino:

"Não posso combater os americanos nos Estados Unidos, porque é extremamente difícil. É algo que exige grande planejamento e grande esforço. Mas, se eu conseguir atrair os americanos para o Oriente Médio, para combatê-los em meu próprio terreno, em meu próprio chão, em meu próprio quintal, será perfeito. Prometo a você que farei maravilhas, porque essa será uma das melhores coisas que podem acontecer em minha vida: lutar contra os americanos em território islâmico, em terrritório árabe".

E o genial presidente americano fez justamente o que o lunático queria. Mais detalhes em Dossiê História, de GMN.

COISA INVESTIGATIVA

A redação acaba de entrar em festa ao saber que Joel Silveira chamava Geneton Moraes Neto de "coisa investigativa".

"Coisinha" é o novo apelido de Moraes por aqui.

POR FALAR EM GLORINHA KALIL...

O que será que ela acha daquele modelito "mamãe eu sou uma pêra" usado por Zeca Camargo?

PERGUNTA FEITA AOS CÉUS

De acordo com as regras de etiqueta, empalar Glorinha Kalil seria falta de educação?

21 de dezembro de 2007

UM PÁREO PARA A CHATICE DA RAINHA DA INGLATERRA, A JARARACA ENTEDIADA DO TÂMISA: O FRANCÊS MITTERRAND, A GRANDE MALA GAULESA!





O caro confrade Tom Carneiro só se esqueceu de citar uma coisa, ao escrever sobre a imensa chatice da Rainha Elizabeth, a Jararaca Entediada do Tâmisa : por uma questão de justiça histórica, deveria ter dito que logo ali, ao lado da Inglaterra, viveu um político tão chato, tão carrancudo e tão antipático quanto ela. Nome: François Mitterrand. Depois de finalmente conquistar a presidência, que disputara por décadas, passou a torrar a paciência do planeta com aquele ar de quem comeu e não gostou. Insuportavelmente tedioso e chato, chato, chato. Antipaticíssimo. Oh, Grande Mala Gaulesa, não fazes a menor falta à paisagem.

QUANTO CUSTA CRIAR UM FILHO - DO BERÇO AOS VINTE E UM ANOS

Ivan Lessa:

"Divulgaram quanto sai criar uma criança aqui por estas ilhas. Do berço aos 21 anos. Sem maiores rodeios: 186 mil libras esterlinas. Ou, para ser ridiculamente preciso (esse troço pega), R$ 676,247.45, ao câmbio desta semana que passou"


aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071221_ivanlessa_tp.shtml

IRAQUE

Os americanos estão revoltados. Descobriram um centro de tortura da Al Qaeda em pleno Oriente Médio. Pior: muito mais sofisticado que os deles.

MÁXIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ (V)

Pelos cálculos dos técnicos, o besouro não pode voar.

MÁXIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ (IV)

A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.

MÁXIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ (III)

O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

MÁXIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ (II)

Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.

MÁXIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ (I)

O Estado Novo é o estado a que chegamos.

FLAGRANTE JORNALÍSTICO: A REAÇÃO DO OMBUDSMAN DO SOPA DE TAMANCO DIANTE DE UMA NOTÍCIA SOBRE XUXA


Nosso ombudaman reagiu assim no exato momento em que soube que Xuxa ( sempre ela!!!) agora quer fazer filmes "de conteúdo".
Quá-quá-quá-quá-quá !!!!!

PODE EXISTIR COISA MAIS CHATA NO MUNDO DO QUE A ANTIPATICÍSSIMA RAINHA DA INGLATERRA ? NÃO HÁ QUEM AGUENTE A JARARACA DO TÂMISA !





Você já prestou um mínimo de atenção às feições da Rainha Elizabeth II ? A megera ocupa o trono desde 1952. Tudo pago: casa, comida e roupa lavada. É pararicada pelos súditos. Como se não bastasse, aparece em todos os rankings como uma das mulheres mais ricas do mundo. Dispõe de serviçais, palácios, carrões, iates, jatos, tudo à disposição com um estalar de dedos.

Mas.....preste atenção: a velhota vive sempre com ar carrancudo ( ver o Globo de hoje, sexta). São raríssimas as imagens em que a Jararaca do Tâmisa aparece esboçando um sorriso.

Conclusão: com todo respeito, Dona Rainha, quero declarar publicamente que, além de ser uma das figuras mais chatas da face da terra, és também uma completa, uma rematada idiota. Já que tens tudo,tudo, tudo, o mínimo que deverias fazer era transmitir aos súditos felicidade e alegria de viver a cada vez que enfeasses as páginas dos jornais e revistas com este focinho mal desenhado. Mas não. Fazes questão de ostentar mau humor. És horripilante, oh, Megera de Windsor; és desprezível, oh , Jararaca do Tâmisa ! Por que não vais lamber sabão no banheiro do palácio ou enxugar gelo no quinto dos infernos ? Mas, não, oh Inseto de Bughingham : ficas torrando nossa paciência anos após anos, décadas após décadas!

Por que não frequentas uma boa sessão de psicanálise, em vez de ficar insultando o planeta com essa carranca insuportável ?

És chata, idiota, feia, atravancada e mal resolvida, oh, Jararaca; oh, Inseto; oh, Megera sem solução!

20 de dezembro de 2007

EXCLUSIVO: POLÍCIA DIVULGA RETRATO FALADO DE CASAL QUE TERIA ASSALTADO MASP


CIRQUE DU SOLEIL ! NÃO DÁ PARA NÃO PERDER !!!

Grande concurso Sopa de Tamanco! O que é mais divertido ?

a) morrer numa câmara de gás num campo de concentração
b) ir a um espetáculo do Cirque du Soleil em que um mímico ( argh!!!!) transforma um espectador indefeso em vítima de suas gracinhas sem graça e faz o pobre-diabo pagar mico na frente dos outros. O pior é que o nome do show é "Alegria".....
c) sentar ao lado de um pagodeiro durante uma viagem de dez horas de avião

Respondeu "a" ?

Absolutamente certo !!!!!!!!!!!!!!!!!!

19 de dezembro de 2007

EIS UMA LEGÍTIMA ANTA LOURA ! ( OU MELHOR :JUMENTA )

OK, PASPALHOS, JÁ QUE 2008 É INEVITÁVEL QUE SEJA PELO MENOS NÃO TÃO ESTÚPIDO E NÃO TÃO MEDÍOCRE QUANTO 2007

O mundo será melhor em 2008 se:

1) aquela idiota alucinada, Britney Spears, se internar pelo resto da vida num sanatório do interior da Suíça, em vez de ficar enchendo a paciência da humanidade com suas farras patéticas;

2) se nunca,jamais, sob hipótese alguma, revistas de celebridades destacarem na capa declarações de atrizinhas e artistinhas grávidas e semi-analfabetas falando sobre o desafio de ser "mãe e mulher" ( um penico para o vômito, urgente!!);

3) se as TVs deixarem de exibir a imagem de jornalistas que provam comidinhas ou bebidinhas estranhas, olham para a câmera com ar de falsa surpresa e exclamam coisas do tipo "delícia..." ou "estranho....";

4) se grupos de pagodeiros pararem de fazer aquela coreografia coletiva patética com pandeiros na mão e cabelos entupidos de gel;

5) se a imprensa for proibida ad eternum de publicar declarações do tipo "tenho certeza de que, lá no céu, ele deve estar rindo" ou estultices parecidas, a cada vez que morre alguém famoso ( céu não existe, oh idiota. Ninguém ri depois de morto. Ninguém brinca. Ninguém fala. Ninguém respira. Cem por cento dos mortos ou se decompõem debaixo da terra ou viram pó depois de passar pelo forno crematório. Jamais houve exceção a esta regra. É uma lei irrevogável da natureza. Para que ficar "dourando a pílula" com frases bonitinhas sobre coisas que jamais acontecerão ?).

6) se os "livros de ouro" de Natal forem igualmente banidos para sempre;

7) e assim por diante.

"EU TAMBÉM DESCONFIO DE ÁRVORE DE NATAL"

Ivan Lessa:

"O mundo é estranho e perigoso. Eu também desconfio de árvore de Natal.
De tudo que tenha a ver com a data festiva"


aqui:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071219_ivanlessa_tp.shtml

UMA LINDA MULHER

Recitando mentalmente uma ode de Horácio, me afastei para me preparar para o encontro com minha musa. O que, saliente-se, não deixa de ser daqueles mistérios literários insondáveis, bem no estilo da dúvida sobre a fidelidade de Capitu: me preparava para Cloe, mas ia, curiosamente, ao encontro de Dulcinea.

(Mais, aqui)

UM PEDIDO SINCERO AOS EFOCs ( EQUÍVOCOS FEITOS DE OSSO E CARNE) NESTE MOMENTO DE CONGRAÇAMENTO UNIVERSAL: PAREM DE CANTAR EM ENTERROS!

2008 vem aí! "Grande coisa...", diria o espírito-de-porco que habita meu zoológico interior. "Pelo menos pode ser melhor do que este 2007 estúpido", declararia o anjo-da-guarda, num momento de desatenção.

Mas tenho uma esperança firme: a humanidade progredirá drasticamente se, em enterros de gente famosa, ninguém, nunca, jamais, sob hipótese alguma, começar a cantar.

É inapropriado, é patético, é ridículo, é constrangedor.

Pergunta-se: em nome de todos os santos, o que é que custa ficar calado num enterro ? É tão difícil assim manter o lábio superior colado ao inferior? Por que não dar um repouso merecido às cordas vocais ? Não se deve cantar Hino Nacional em cemitério nem, muitíssimo menos, músicas feitas pelo morto. Ou hinos de clube de futebol. Ou toda e qualquer combinação de notas musicais.

Cemitério é lugar de silêncio. Mas há sempre um EFOC ( Equívoco Feito de Osso e Carne ) que começa a cantar.

Forma-se, então, o grande coro dos EFOCs - que, à noite, viverão seus dois segundos de fama no penúltimo bloco do telejornal local.

DESCOBERTA A FÓRMULA DA FELICIDADE!(MAS,ANTES,EM UM SHOPPING PRÓXIMO DE VOCÊ: A GRANDE, INTERMINÁVEL, PATÉTICA E HORRIPILANTE PROCISSÃO DOS IDIOTAS !)

Quer assistir - de graça - a um filme de terror ? Vá para um shopping center esta semana. Fique num canto do corredor. Observe atentamente a Grande Procissão de Idiotas. Você assistirá - de graça! - ao desfile de uma interminável galeria de personagens e cenas aterrorizantes, só comparáveis aos da série Sexta-Feira 13:

*bobões de bermuda e tênis devidamente acompanhados de uma perua entupida de sacolas que, com toda certeza, o trata de "benzinho", "amoreco", "fofura" ou estupidez parecida. Você vai ver de perto : o ente chamado pelo diminutivo é um (ou uma) hipopótomo(a) de cem quilos, no mínimo.

*crianças correndo de um lado para outro e repetindo para pais apalermados o mantra mágico: "compra! compra! compra!"

*um Papai Noel empapado de suor e louco para ir para casa logo

*um jornalista famoso uma vez declarou, numa entrevista, que somente uma em cada mil mulheres pode mostrar os pés em público. O autor da descoberta aparentemente esdrúxula nunca teve tanta razão. O corredor do shopping é um excelente ponto de observação: se prestar atenção, você testemunhará um horripilante desfile de pés feíssimos . Se tivessem um mínimo senso estético, as donas de tais aberrações poderiam simplesmente cobrir os pés com um sapato. Tão fácil! Mas, não : elas os exibem com o orgulho e a cegueira típica dos estúpidos, aparentemente sem notarem a gravidade do atentado que estão cometendo contra os olhos alheios ao desnudaram seus pés cheios de calosidades, joanetes, dedos tortos, deformações de toda espécie - um catálogo de horrores rastejantes.

*vendedoras que abordam os compradores com um sorriso falso colado no rosto e a pergunta irritante: "posso ajudar ?". Não, anta! Não pode nem deve! Sou perfeitamente capaz de escolher uma camiseta sozinho!

*lojas de disco entopem os canais auditivos dos transeuntes com lixo de septuagésima categoria;
trinados de cantoras baianas histéricas; sons indescritíveis emitidos por sertanejos; versos vomitivos expelidos por sub-cantores de pagode, daqueles que usam gel no cabelo. Você tenta escapar, mas não consegue. logo ali, adiante, outra loja repete o vômito sonoro,como numa interminável sessão de tortura.

*depois de quatro horas de observação, você se retira silenciosamente, passa no banheiro para, inspirado na paisagem circudante, dedicar-se a uma discreta sessão de vômito e parte para o cinema. Mas desiste de entrar antes até de olhar os cartazes, porque não quer correr o risco de se expor a nova - e fatal - dose de estupidez: e se a atração oferecida for um filme da Xuxa ?

Tomado de uma discreta felicidade por estar abandonando aquele inominável espetáculo de terror, você se dirige à porta de saída, olha com cara de Jason para alguém que se aproxima com um folheto de propaganda e, finalmente, ao chegar à calçada, como se quisesse purificar os pulmões, aspira com toda força o ar de dezembro, não sem antes repetir para si mesmo em voz baixa: "Never more! Never more! Never more! Never more!".


Fica intimamente feliz por escapar da masmorra. Começa, então, a caminhar, discreta mas firmemente, para o mais longe possível daquele circo de horrores, rumo a um ponto que só você conhece, um porto precário mas, graças a Deus, inacessível aos outros, um ancoradouro onde tudo é silêncio, solidão e genuína felicidade, a dezenas, centenas, milhares, milhões de anos-luz de distância daquele espetáculo patético.

A felicidade - você aprende, tardiamente - pode ser simples assim, sem dramas nem atropelos. Você se lembra do personagem de um livro antigo que sonhava com "luz,altura, claridade".

Sem querer, como se fosse um turista desavisado que entra na rua certa sem saber, você descobre que acertou o caminho , sem precisar incomodar os outros com perguntas inúteis. É melhor assim. Sempre foi. E será.

E, ah, a maior de todas as conquistas : consegue caminhar aliviado em meio ao inferno de dezembro.

A LEITURA : "UM DOS ÚLTIMOS REFÚGIOS DA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL"

..."a leitura estará deixando de ser um hábito?
Há quem diga que ela está se tornando um vício solitário e – acima de tudo – um exercício de resistência.
Sou obrigado a concordar. Afinal, essa atividade silenciosa e meditativa, pautada na “interrupção temporária e corajosa de qualquer ligação com o mundo” (Santo Agostinho) talvez seja hoje um dos últimos refúgios da consciência individual"


aqui: http://antoniofernandoborges.com/

18 de dezembro de 2007

CHICO BUARQUE

“Talvez a música popular seja uma arte de juventude. Imagino que seja, porque o consumidor de música popular é, sobretudo, o adolescente, o jovem de vinte a trinta anos. Depois, começa a diminuir. Já o autor de música popular tende a ser mais seletivo com o tempo. Faz uma coisa ou outra, mas não com a exuberância que tinha aos vinte anos de idade. Quando você tem vinte anos, você tem um baú de música inéditas. Depois, as músicas vão escasseando. Você fica mais exigente. Chega, então, um tempo em que a gente começa a fazer música popular com o resto de juventude que se tem. Depois, o melhor a fazer talvez seja imitar Dorival Caymmi – que se recolheu aos seus pincéis e suas tintas. Talvez seja melhor procurar outro afazer, outra ocupação”.

Mais, aqui.

PÓS-MODERNIDADE

Odeio o pós-modernismo, ou antes, mais amplamente, a pós-modernidade tanto quanto é posível. Meu desprezo por ela só é comparável àquele que nutro pelas atendentes de telemarketing.

LITERATURA

Não era, acreditem, um espetáculo dos mais belos de se ver, ainda que em termos de apuro estético ganhasse da maior parte da produção literária contemporânea, se me permitem a contradição em termos dessa última expressão.

Mais, aqui.

É NATAL! OS IDIOTAS VIBRAM! OS BÊBADOS VOMITAM ! E A HUMANIDADE ESTAMPA UM SORRISO RIDÍCULO QUE DURA UM MÊS !

"Hoje as críticas ao Natal se concentram na perda do sentido religioso e no foco meramente comercial da data. Para isso eu dou de ombros. Continua me incomodando, contudo, certo ar de torpor que impera nesta época do ano. E a falsidade que faz das pessoas mais abjetas dignas de admiração – só porque é Natal.
Não me acho melhor por isso. Para ser sincero, até me acho um pouco pior. Eu gostaria de me sentir envolvido pela tal mágica do Natal. A fantasia que move pessoas a manterem um ridículo sorriso durante todo um mês. Mas, maldição ou não, o fato é que não consigo fingir certas coisas. Só me resta, pois, comer muita rabanada e rezar para que o tempo passe mais rápido. Rumo às resoluções de Ano Novo"

aqui:
http://www.polzonoff.com.br/odeio-natal.htm#more-942

17 de dezembro de 2007

XUXA ENLOUQUECEU ( OU: UM CASO CLÍNICO DE MAGALOMANIA )

O Estado de S.Paulo desta segunda-feira publica uma reportagem sobre o lançamento de um novo filme ( argh!!!!!!) da Xuxa - e, graças ao bom Deus, o fim do programa infantil diário da anta.

Lá pelas tantas, ela diz que a queda de audiência do tal programa infantil que ela comanda se deu porque ela passava pouco tempo no ar. A maior parte do horário era ocupada por desenhos. As crianças, assim, zarpavam para outros canais.

Eis um caso clínico de megalomania, doença, aliás, corriqueira em antas televisivas.

A audiência caiu porque ninguém aguenta ver e ouvir a anta loura falando idiotices com voz de menina de centro de espírita.

Xuxa provocou danos irreparáveis em gerações de crianças. Idiotizou-as.
Tratou-as como miniaturas de adultos consumistas. Há nove chances em dez de nunca ter aberto um bom livro na vida.

Numa reação típica de megalômanos cabeças-de-vento, diz que a audiência caiu porque ela passava pouco tempo no ar.

É exatamente o contrário: se ela passasse mais tempo no ar, a audiência cairia ainda mais.

Como se fosse pouco o que já fez, Xuxa acaba de ampliar as fronteiras da estupidez humana.

Enquanto isso, a 10 mil pés

Queria saber o nome do """"""""genial"""""""" publicitário que resolveu colocar um boneco do mascote das Casas Bahia - o Baianinho - dentro de um avião.

Pois é. Aconteceu no dia 9 de dezembro, num vôo da ponte aérea. Eu já estava ficando tenso com o pouso em Congonhas quando a aeromoça anuncia que o tal Baianinho iria passar pelo avião fazendo panfletagem das Casas da Bahia.

(Neste momento Regina Cazé tem um orgasmo: a periferia alcançou o último reduto da pequena burguesia: a aviação civil).

Mas o pior ainda estava por vir. Ao pousar em Congonhas, a aeromoça anuncia:

- Sejam bem-vindos ao Rio de Janeiro...

Diante do protesto da platéia, ela se desculpa.

- Ai, gente, desculpe. Mas o Baianinho tá aqui me atrapalhando.

E depois:

- Leidis en djentleman, sóri, de Baianinho...

O avião já estava no chão. Se não, eu pulava.

Diálogo recente

- Vou entrevistar o Niemeyer.
- Sério? Ele vai fazer 100 anos, né? Ele tá lúcido?
- Totalmente. Continua até trabalhando...
- Mas... ele continua comunista?
- Continua, continua.
- Mas você acabou de dizer que ele está lúcido...

Gente phina

Só mesmo no Brasil. O cara é preso com a cabeça cheia de crack, cocaína e maconha, morre na cadeia - e a culpa é do médico.

(!)

DOSSIÊ HISTÓRIA : UMA CENA NOS BASTIDORES

Cena de bastidor: segundos antes de ocuparem um lugar na primeira fila do auditório - e dali serem chamados ao palco pelo apresentador - os convidados do Programa do Jô ficam numa espécie de "cercadinho", longe dos olhos do distinto público.

Fui ao programa para falar sobre o DOSSIÊ HISTÓRIA. O livro traz a íntegra de entrevistas com gente que foi personagem e testemunha de acontecimentos que "abalaram o mundo", como o 11 de Setembro, o ataque terrorista nas Olimpíadas de Munique, o delírio nazista.

Quem estava lá, para falar do filme "O Amor nos Tempos do Cólera" ? Fernanda Montenegro. Enquanto esperava a hora de ser chamada, ela esfregava as mãos. Uma assistente pergunta: "Tensa?". A estrela responde: "A gente sempre fica um pouco....".

Uma dúvida devastadora agitou os meus botões: se Fernanda Montenegro, acostumadíssima a enfrentar platéias de todo tipo, fica tensa na hora de encarar um auditório, o que dizer de quem, como este locutor-que-vos-fala, só se sente cem por cento à vontade quando se vê a oito quilômetros de distância do bípede mais próximo?

Ainda assim, em nome do DOSSIÊ HISTÓRIA, a gente se esforça para falar.

aqui:
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM766306-7822-JORNALISTA+GENETON+MORAES+NETO+LANCA+DOSSIE+HISTORIA,00.html

UM SONHO IMPOSSÍVEL: A GRANDE GREVE DOS IDIOTAS EXIBICIONISTAS

Depois de publicamente admoestado por tentar erigir uma farsa neste blog (ou seja: escrever sobre ópera para dar a impressão de ser sabidinho), o sr. Nicomar Lael resolveu tirar férias, provavelmente numa clínica psiquiátrica lotada de velhos hippies drogados.

Que o eletrochoque lhe seja leve.

Corrigido o equívoco, é hora de voltar ao trabalho.

E dizer o que deve ser dito: se todos os idiotas exibicionistas que povoam a TV resolvessem fazer uma greve de vinte e quatro horas, a humanidade avançaria um século em um dia, em matéria de qualidade.

NADA MAIS RIDÍCULO DO QUE UM "TRINTÃO" QUE FUMA MACONHA E VAI A SHOW DE ROCK....

Do site de Paulo Polzonoff Jr:

"Agora, que a verdade seja dita: nada mais ridículo do que um trintão que acha que tem dezessete anos: faz implante de cabelos, aprende a surfar, fuma maconha (não raro com os filhos) e vai a show de rock"

http://www.polzonoff.com.br/magoas-de-um-trintao.htm#more-947

CHARLES BRONSON ESTAVA CERTO!

Do blog de Walter Carrilho:

"Sábado de madrugada. Passava das 3 horas. Chego em casa mortão. Tento dormir. De repente, as janelas do meu apartamento, localizado no sexto andar de um prédio antigo e sólido, começam a vibrar. Terremoto? Não. Era um sujeito que havia parado o seu carro em frente a um prédio do outro lado da rua para deixar um amigo em casa. Funk carioca no último volume. O nível de ruído perdia fácil para a passagem de um Boeing. O refrão, cantado com a característica voz de hiena estressada, era mais ou menos assim:
“FALA QUE EU TÔ CARENTE!
FALA QUE EU TÔ CARENTE!
SÓ NÃO VALE METER OS DENTES! “

*E aí eu pergunto: se eu falar em pena capital para casos desse tipo vão me chamar de “radical”.Vou comprar uma Uzi. Charles Bronson estava certo"


aqui:http://waltercarrilho.blogspot.com/

O BASTIDOR DE UM ENCONTRO NO EXÍLIO ENTRE JOÃO SALDANHA E JOÃO GOULART

João Saldanha, em entrevista gravada:

"Almocei também com João Goulart - que tinha convidado toda a imprensa para ir almoçar com ele. Ninguém foi. Havia uma mesa para trinta pessoas, mas ninguém apareceu. Só nos dois: eu e João Goulart.
Nós estávamos com uma seleção brasileira, em Montevidéu. João Goulart disse: "Vamos almoçar lá em casa!". Nunca tinha visto João Goulart na vida; nunca tinha falado com ele. Mas, como eu tinha dito a ele que ia, fui. Aquela foi a primeira vez em que falei com ele, quando fui almoçar, uma conversa trivial. Quando voltei, me botaram nuzinho no Aeroporto, no Brasil. Arrancaram a sola do sapato, descoseram minha camisa, mexeram numa maleta vagabunda que eu tinha levado. Como eu só ia passar dois, três dias, não tinha levado bagagens. E me puseram nu. Fiquei lá horas e horas; cinco ou seis horas"

aqui:http://www.geneton.com.br/archives/000171.html

NÃO SE DEVE CONFIAR NEM EM JORNALEIRO NEM EM JORNALISTA

Ivan Lessa:

"Nisso que dá, vim pensando no metrô olhando a cara estúpida das mocinhas dizendo inanidades em seus celulares. Nisso que dá se meter com jornaleiro. Mesma coisa que jornalista. Não se pode confiar nem um nem em outro. Quando menos se espera, passam-nos a perna"

aqui:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071217_ivanlessa_tp.shtml

OS JORNAIS : MUSEUS DE MINÚCIAS EFÊMERAS

Jorge Luis Borges, em Avelino Arredondo:

"Ávido leitor de jornais, custou-lhe renunciar a esses museus de minúcias efêmeras".

UM CLÁSSICO PODE SER UMA FAMOSA FORMA DE TÉDIO?

Jorge Luis Borges, em "Nova Antologia Pessoal":

"Clássico é esse livro que uma nação ou um grupo de nações ou o longo tepo decidiram ler como se em suas páginas tudo fosse deliberado, fatal, profundo como o cosmos, permitindo interpretações sem fim. É de prever-se que essas decisões variem. Para os alemães e austríacos, o Fausto é uma obra genial ; para outros, uma das mais famosas formas de tédio, como o segundo Paraíso de Milton ou a obra de Rabelais. Livros como o de Jó, a Divina Comédia, Macbeth (e, para mim,algumas sagas do Norte) prometem uma longa imortalidade, mas nada sabemos do futuro, salvo que vai diferir do presente. Uma preferência pode muito bem ser uma superstição".

16 de dezembro de 2007

DESPIDO DE RAZÃO

Junho de 1968. Quatro dias antes das eleições para a Assembléia Nacional convocadas pelo presidente francês Charles de Gaulle em conseqüência daquele mês de maio que chacoalhou a Quinta República, Jean-Paul Sartre publica na revista Le Nouvel Observateur um artigo intitulado "As Bastilhas de Raymond Aron".

Do lado dos contestadores barulhentos, o autor da Crítica da razão dialética se junta a manifestações que fustigam o poder. Já seu antigo amigo e agora alvo de ataque representa a "maioria silenciosa". Aron também toma a palavra nesse período de turbulência que ele descreveria mais tarde como uma semana de algazarra de estudantes seguida de greves que paralisaram a vida econômica do país. Período de apreensão. Para o autor de O ópio dos intelectuais, quando a crise política de maio de 68 chegou ao clímax, pensou-se que o regime não resistiria às pancadas de Cohn-Bendit. "Nesse dia, em última análise, eu fui gaullista", diz Aron.


De volta ao ringue, ou melhor, ao artigo da revista. Nele, Sartre diz que, por nunca ter aceitado qualquer contestação de alunos, Aron é indigno de ser professor. E acusa o ex-professor da Sorbonne de exercer "um poder real" que "certamente não se baseia em um saber digno desse nome". Não satisfeito, sentencia ser necessário, "agora que a França inteira viu De Gaulle todo nu, que os estudantes possam encarar Raymond Aron todo nu".

"Não lhe serão devolvidas as roupas se ele não aceitar a contestação", conclui Sartre.



(Nota: Charles de Gaulle triunfou naquelas eleições. Mais do que isso: apurados os votos, seu partido tornou-se o primeiro na história da república francesa a obter maioria absoluta. Conquistou 358 das 485 cadeiras.)

14 de dezembro de 2007

DATA VENIA

A Agência Câmara informa que a Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania "aprovou o substitutivo do Senado ao Projeto de Lei do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que proíbe o uso de palavras ou expressões estrangeiras, salvo em casos excepcionais". De acordo com a agência, o "substitutivo também obriga os meios de comunicação de massa impressos a utilizarem apenas a versão aportuguesada de expressões técnicas, contidas em glossários publicados por comissões específicas". A reportagem anota o comentário do relator, deputado Flávio Dino (PCdoB-MA): "Fundamentalmente, o projeto força a utilização da língua portuguesa nos documentos emitidos pela administração pública." A Agência Câmara diz ainda que "o relator considerou inconstitucional o artigo que prevê o estabelecimento de sanções a partir da regulamentação da lei". E que Dino "explicou que as medidas punitivas devem ser estabelecidas em lei".

Com a devida vênia... Deve haver nisso alguma raison d'état que escapa aos détraqués que visitam este blog, pois muitos deles afirmam tratar-se de mais uma lei que não vai pegar. Nonsense, dizem. Uns blasés. Um deles acaba de ler num site a expressão "fúria legiferante". Não sabe o que significa, mas acha que pode ser um novo super-herói.

E pergunta se é português. Ou brasileiro
.

OS RUGIDOS DO FERA DO TÂMISA CONTRA O RELATIVISMO MORAL,CULTURAL E POLÍTICO, A GRANDE PRAGA DAS ÚLTIMAS DÉCADAS

Do site http://www.geneton.com.br/ :


"Paul Johnson é um caso clássico de intelectual que nunca teve medo de nadar contra a corrente. Minorias que se julgam perseguidas devem ou não ser criticadas ? Devem,sim,responde a Fera do Tâmisa. Picasso é um grande artista ? Não é não – brada Johnson,autor de um livro de ensaios chamado “To Hell With Picasso” (algo como “Que Picasso vá para o Inferno”).Picasso – garante ele - não passa de um stalinista que apoiou um regime totalitário. A flexibilidade de conceitos morais é uma conquista do pensamento do século XX ? Não é,nunca foi nem poderia ter sido – rebate o impaciente Johnson.O relativismo moral –diz ele - é uma praga que faz os ingênuos acreditarem que não existe nada que seja absolutamente condenável"

( a entrevista completa, aqui: http://www.geneton.com.br/archives/000026.html )

DOSSIÊ HISTÓRIA : OS BASTIDORES DO MAIOR ATAQUE TERRORISTA JÁ REALIZADO

Intervalo. Já chegou às livrarias o livro-reportagem "DOSSIÊ HISTÓRIA" ( Editora Globo). São entrevistas completas de personagens e testemunhas de acontecimentos que abalaram o mundo.

Um dos capítulos traz a íntegra de uma reportagem feita em Hamburgo,na Alemanha, pelo locutor-que-vos-fala: lá, olheiros da Al-Qaeda recrutaram o estudante Mohammed Atta - que se transformaria em líder dos terroristas que executaram os atentados do 11 de Setembro. Atta assumiu o comando do primeiro dos dois aviões que foram jogados contra o World Trade Center. O capítulo traz os depoimentos do professor de Mohammed Atta na Faculdade de Planejamento Urbano da Universidade Técnica de Hamburgo; a tradutora que o ajudou a redigir em alemão a tese que ele defendeu sobre conservação de cidades históricas e, por fim, a palavra de um colega de turma e amigo - um alemão que viajou com ele pelo Oriente Médio. Os três traçam um retrato falado do super-terrorista. E tentam descobrir o que leva um estudante dedicado a fazer o que Mohammed Atta fez.

O primeiro capítulo do livro traz a entrevista com o palestino que teve uma série de encontros com Bin Laden numa caverna no Afeganistão. O que ele terá ouvido ?

ILÁ-ILÁ-ILÁ-RIÊ-RÔ-RÔ-RÔ

Do blog de Walter Carrilho:

"A revista Contigo, essa “who´s-who” da boçalidade nacional, fez uma cobertura completa da primeira comunhão da Sasha *, a filha da Xuxa (meu trava-língua preferido). E com direito a descrição completa de cada detalhe – entrevistaram até o “banco de esperma ambulante” Luciano Szafir, coitado.Fico contente em ver que a Sasha tem fé. Ela vai precisar. Se eu fosse você, Sasha, começava a rezar pra valer. Inclua aí nas suas preces:
-Pedir para não ficar igual à sua mãe, que é católica, mas acredita em duendes.
-Pedir para conseguir arranjar um namorado logo, ao invés de ficar anos lamuriando na mídia, à procura de um príncipe encantado.
-Pedir para não ter que crescer ouvindo Ilariê. Até um disco dos “Rebeldes” é melhor.
-Pedir para aprender a falar normalmente, sem aderir ao xuxês.
-Pedir para poder viver sem ter que confiar até as mínimas decisões a uma nova Marluce.
-Pedir não se tornar uma neo-ambientalista-chata-de-butique como a mãe, que fala com bichinhos, mas que obviamente tem uns pares de sapatos de couro no armário.

Sugestão? Compre os cds dos Racionais, tatue um palavrão na nuca e infernize a vida da sua mãe. É isso ou virar uma Barbie animada pelo resto da vida"


(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/)

"UM PERFEITO IMBECIL, DESSES QUE CITAM NELSON RODRIGUES..."

Ivan Lessa:

"Só um imbecil, e um perfeito imbecil, desses que citam Nelson Rodrigues, acredita em escrever português.
Ler? Um pouquinho e com moderação. O suficiente para passar os olhos pelos nossos 4 jornais e 1/3 e neles procurar a página com o resumo dos capítulos anteriores das telenovelas ou o palpite do colunista que seguimos. Detemos o comunismo. Contra o colunismo, nada pudemos fazer"


(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071214_ivanlessa_tp.shtml)

A PROPÓSITO DE FRANCESES

Ninguém me contou, eu vi: não existe nada tão insuportável na face do planeta quanto intelectuais franceses cheios de caspa, com o cabelo oleoso, cachecol pendurado no ombro e pronúncia cheia de vícios horrorosos- como aqueles suspiros que disparam perdigotos rumo ao rosto de interlocutores indefesos. Jamais chegue a menos de um metro de um francês. Você será banhado por perdigotos voadores. Pausa para vômito. Parágrafo.

Passei um ano e meio à beira do Sena. Dezoito meses. Faço as contas: cerca de 540 dias e noites irremediavelmente jogados no lixo. Consegui uma vaga no DEA, Diplomas de Estudos Aprofundados em Cinema na Universidade de Paris 1, a celebérrima Sorbonne. O nome é pomposo. O curso é um festival de francesises inúteis : professores caspentos evocavam Platão para falar durante horas de uma cena perdida de um filme de Hitchock. Blá-blá-blá. Inutilidades. Coisa de sebosos entediados.

(Mais, aqui)

ZULEICA

A primeira vez que vi Zuleica, achei que ela não tinha pernas. Achei também que não tinha cara. Se havia algo de estúpido nela, era o estômago.

A paráfrase de Bandeira pode não ser das melhores, leitor, mas nem por isso corresponde menos à verdade. A barriga de Zuleica tinha tal envergadura e se espalhava de tal maneira que por um momento cheguei a pensar que ela não andava — emitia pseudópodes.

(Mais, aqui)

13 de dezembro de 2007

SUPERLATIVO

Aos que fazem de tudo por amor a Pluto, desejo que tenham as graças atendidas superlativamente, vendo-se cara a cara com Plutão.

CRISE AÉREA

Outono de 1911. Ludwig Wittgenstein chega a Cambridge para freqüentar as aulas do já mundialmente famoso Bertrand Russell. O jovem, então com 22 anos, despertara para os problemas de lógica e filosofia no curso de engenharia aeronáutica da Universidade de Manchester, onde realizava pesquisas e pensava em ser piloto.

Ao fim do primeiro trimestre em Cambridge, o futuro autor do Tractatus logico-philosophicus procura Russell para uma conversa. É Russell quem lembra o que o aluno Wittgenstein lhe perguntou nesse encontro: "Por favor, me diga: sou um idiota completo ou não?" O professor é direto: "Não sei." E pergunta por que o aluno quer saber aquilo. "Porque se eu for um completo idiota, vou virar aeronauta; do contrário, serei filósofo", responde Wittgenstein.

Russell sugere então que o pupilo escreva algo sobre um tema filosófico; assim o professor poderia dizer-lhe se era ou não um imbecil rematado. Vêm as férias. E o reinício das atividades acadêmicas. Wittgenstein entrega a Russell o que este lhe sugerira. A leitura da primeira frase do texto basta para o professor formar juízo. E proferir o veredicto: Wittgenstein deve desistir dos aviões.

CHATA, CHATA, CHATA

A música brasileira anda chata, chata, chata de marré deci.

Desaprenderam.

FINALMENTE, UMA GRANDE NOTÍCIA PARA A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS BRASILEIRAS!

Alvíssaras! Alvíssaras! Depois de séculos de más notícias, finalmente a educação das crianças brasileira dá um grande salto de qualidade.

É sério: já se pode dizer, com toda certeza, que o risco de "estupidificação" (se a palavra não existe, que seja criada) das nossas crianças cairá drasticamente nos próximos anos.

O programa infantil de Xuxa saiu do ar !!!!!

Os "pais e mestres" deveriam ir para as ruas de todo o país para comemorar a boa nova com rojões, balões e foguetes.

18 LIVROS LIDOS NUM MÊS! "EU ERA INFELIZ E NÃO SABIA"

Do blog de Paulo Polzonoff Jr:

"também já fiz listas de livros lidos por ano. Curioso: antigamente eu falava com orgulho de um mês (novembro de 2002, para ser mais exato) em que li 18 livros; hoje menciono este fato não só com vergonha como também com certo nojo. Eu era infeliz e não sabia"

(aqui:http://www.polzonoff.com.br/entressafra-e-bom-para-os-precos.htm#more-944)

QUEM ERA MESMO ?

Da coluna de Lucas Mendes no site da BBC Brasil:

"Francis Schaeffer morreu em 1984, mas, se não fosse por ele, George W. Bush não estaria na Casa Branca, não haveria guerra no Iraque e o mundo provavelmente estaria melhor"


(aqui:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071213_lucas_dg.shtml)

REUNIÃO DE CONSELHO

Ontem, como o dos aquivos de grevas bem-feitas em Tróia, o conselho deste Sopa de Tamanco reuniu-se extraordinariamente para julgar o "Caso Tom Carneiro" e decidir se as reiteradas aleivosias do pulha contra a minha pessoa o fariam ir para o chuveiro mais cedo, ainda que, como é notório, o indivíduo não goste de banho. A sra. Ovelha parecia Aquiles -- não pela bravura descomunal, evidentemente, mas por ter ficado isolada em sua defesa, além de ter um calcanhar dos mais fracos. Somente uma pessoa se levantou para defender o patife: Geneton Moraes Neto, vulgo Mito. Começo a achar que a relação entre os dois vai além desta redação e se estende por estabelecimentos de coito do Baixo Leblon.

CANTE COM TOM CARNEIRO, VULGO "DONNA MOBILE"

CABELO DE TÔNIA CARRERO

Diante daquela cena, Jesus, cujos recentes acontecimentos haviam deixado completamente confuso, se viu como se inteiramente dentro de um livro de Milton: no Paraíso, perdido. Estava certo de que através de algum processo taumatúrgico próprio dos deuses pagãos, o filósofo tinha se metamorfoseado no dramaturgo. Em profundo choque, parecia o governo ou o cabelo de Tônia Carrero: não conseguia se mexer.

(Mais, aqui)

POETA PRECISA SER CULTO. OU SEJA, NÃO NASCEM POETAS HÁ DÉCADAS NO BRASIL

Lêdo Ivo apud Moraes Neto:

"Sou um poeta que acha que a poesia é o uso supremo da linguagem. Bandeira fez esta descoberta em meu momento inicial. Deu-me lições perenes : por exemplo,a de que o poeta deve ser um intelectual culto. Só a cultura tem condições de abrir caminhos. Ao poeta, não basta apenas ter talento e vocação. Por que o poeta deve ser realmente um homem culto? Porque a poesia é um sistema milenar de expressão. É preciso conhecer os mestres. A criação poética não é, portanto,um problema só de sensibilidade. É um problema de cultura. Somente o vasto conhecimento da poesia e da literatura é que permite ao poeta exprimir-se".

(Mais, aqui)

12 de dezembro de 2007

SDT UTILIDADE PÚBLICA: UMA CAMPANHA NOBRE

Sou totalmente a favor, desde que para fins pacíficos e humanitários, da completa descriminalização do genocídio que almeje eliminar da face da Terra a raça dos donos de celulares com toque engraçadinho e que põem um meio-sorriso estúpido no rosto ao atender o aparelho.

Entre você também em mais esta cruzada cívica patrocinada pelo SDT, leitor.

O MEIO-SORRISO-ESTÚPIDO-DO-DONO-DE-CELULAR-ENGRAÇADINHO: PEQUENO INFORME SOBRE UMA EXPRESSÃO HUMANA QUE JAMAIS SERÁ REPRODUZIDA POR UM ROBÔ

A TV mostrou, não faz tempo, na série "Mundos Invisíveis", no Fantástico, o comovente esforço de cientistas japoneses que tentam reproduzir, na face de um robô, expressões humanas.

Digo "comovente" porque a causa é nobre: os cientistas estão, na prática, preparando robôs que, com toda certeza, serão uma companhia mais agradável, menos barulhenta e menos inconveniente do que noventa e oito vírgula nove por cento dos seres humanos.

Um mecanismo instalado dentro do robô distende ou retrai o rosto do bicho, feito de matéria plástica. Assim, o rosto passa a demonstrar "sentimentos" como espanto, alegria e tristeza.

Os cientistas podem suar seus jalecos durante décadas nos laboratórios de robótica, mas jamais conseguirão sucesso total na empreitada. Pelo seguinte: há uma expressão humana que é absolutamente irreproduzível por robôs.

Preste toda atenção. Há uma fila de espectadores esperando a hora de entrar na sala do cinema.
De repente, um celular começa a emitir musiquinhas engraçadinhas.

O dono do celular bota a mão no bolso e atende.

Aquela ar de completa idiotia que o dono do celular exibe enquanto tateia o aparelho no bolso jamais será reproduzido por um robô: é um meio-sorriso estúpido que desmente todas as teorias sobre a evolução da espécie.

O dono do celular que emite ruidinhos e musiquinhas supostamente engraçadinhos tenta mostrar, aos passantes, que é um sujeito esprituoso. Quá-quá-quá.

Podem juntar todos os PHDs do Japão, todos os gênios do MIT, todos os nerds de todas as escolas suíças: nunca, jamais, em tempo algum a ciência poderá reproduzir o meio-sorriso estúpido-dos-idiotas-donos-de-celulares-com-musiquinha-engraçadinha-na-fila-do-cinema.

Leonardo Da Vinci não ousaria reproduzir numa tela movimento tão perfeito. O sorriso da Monalisa é obra de amador.

O meio-sorriso-estúpido-dos-idiotas-donos-de-celulares-com-musiquinha-engraçadinha-na-fila-do-cinema é uma criação essencialmente humana; uma obra-de-arte perfeita porque retrata, sem retoques, a essência do espírito de quem o ostenta.

Nenhum artista, nenhum cientista jamais ousaria recriá-lo.

Cientistas, recolhei seus robôs. Pintores, aposentem seus pincéis. Não adianta: a originalidade da idiotia humana é irreproduzível.

E assim será, por séculos e séculos. Não há avanço possível: a civilização estancou ali, no meio-sorriso-do-idiota-do-celular-de-musiquinha-engraçadinha.

E dali não avançará.

PULHAS

Assim falava Moraes Neto:

"Conselho desinteressado de uma ruína quase cinquentenária (o locutor que vos fala): não levem a sério gente que, para parecer importante, vive arrotando suposta intimidade com personalidades importantes. São uns pulhas, na maioria dos casos. É melhor pedir a conta, dar uma gorjeta ao pianista, fechar a porta e ir embora em silêncio."

(Mais, aqui)

A PROPÓSITO DE DUCHAMP

Fico imaginando a máxima duchampiana de que arte é tudo aquilo que se chama de arte - peça de engodo que faz a cabeça vazia de onze em cada onze artistas plásticos e subletrados em geral - aplicada ao humor. “Humor é tudo aquilo que o sujeito chama de humor”, diria um seguidor do homem do penico, caso soubesse o que significa a palavra.

Então, estudantes de sociologia com suas bolsas de couro e sandálias de dedo entrariam numa galeria repleta de pedaços de lixo, garrafas, vibradores enfiados em torradeiras enferrujadas, anões mancos copulando com obesas paralíticas e outras atrações comumente expostas em bienais, mas em vez de porem caras de mais burros tentando parecerem eruditos, cairiam no chão, embolando de rir. E comentariam ao final: “Aquele acordeão furado sobre o banquinho com pintas roxas estava hilário".

(Mais, aqui)

11 de dezembro de 2007

BEÓCIO DE PAI E MÃE

Atenção! Mais um gigante da cultura grega vai virar alvo fácil. Não pela estatura, e sim pela pequenez...

Ele cantou as origens e dinastias dos deuses; descreveu a criação do universo; honrou o esforço no trabalho. Mostrou isso e aquilo e mais aquilo outro: um catálogo de lições. Didáticos, seus poemas eram reverenciados como manuais de conduta e logo viraram uma espécie de suma do saber prático.


Versado em assuntos humanos e divinos, ele figura, ao lado de Homero, entre os educadores do povo grego. Fato raro, alcançou fama e respeito em vida.

Nada disso, porém, importava para Heráclito, para quem "o mestre da maioria" era... curto de inteligência. De que gigante estamos falando? Dele mesmo: Hesíodo, o beócio. As pessoas o tomavam como o grego que mais coisas sabia. "Ele que nem sabia distinguir o dia da noite", diz Heráclito.

Porque é Natal

O MUNDO É DOS IDIOTAS - 3

A frase predileta de onze entre dez idiotas é : "Como este ano passou depressa...."

Não passou. Os ponteiros andaram em 2007 com a mesmíssima velocidade do ano passado e do ano que vem.

Mas eles insistem em dizer, em coro, que o ano passou depressa. Vão terminar nos convencendo.

O MUNDO É DOS IDIOTAS - 2

É uma lei da natureza: telefone celular programado para tocar musiquinha engraçadinha não existe sozinho.

Vem sempre acompanhado de um idiota.

O MUNDO É DOS IDIOTAS - 1

Quem foi o idiota que inventou a festinha de "amigo oculto" ?

A MEDIDA DE DECADÊNCIA DE UM BLOG

A decadência de um blog mede-se pela qualidade dos autores convidados: custa-me a crer que alguém do CCST ( Comitê Central da Sopa de Tamanco) tenha em algum momento imaginado
que os textos do sr. Nicomar Lael iriam acrescentar brilho, vivacidade, humor e esperteza a este espaço. Não acrescentaram.

Como se fosse um jogador que tropeça espetacularmente assim que pisa no gramado, o sr. Nicomar escolheu ópera como assunto de suas primeiras investidas, porque queria parecer culto e ilustrado.

Capotou.

Por que ele não discorre, por exemplo, sobre os acordes primários do baião ou os versos toscos das emboladas, dois ritmos primitivos que ele se habituou a ouvir desde os tempos em que, bebê, comia macaxeira pensando que estava bebendo leite ?

O nome - Nicomar - denuncia a origem. Deve ser um daqueles híbridos que misturam nome do pai e nome da mãe, um tipo de "poesia concreta" que viceja nos bolsões mais pobres e mais áridos do Brasil nordestino.

Imagino que o nome do pai do sr. Nicomar seja o sr. Nico. E a mãe, a sra. Mar.
Peço, então, ao sr. Nico e à sra. Mar que impeçam o sr. Nicomar de cometer vexames como o que cometeu ao escrever estultices sobre ópera.

Declaro encerrada a polêmica. E repito que não há nomes intocáveis neste espaço. A cada ação deletéria do sr. Nicomar haverá uma reação à altura.

O Sopa de Tamanco não merece tal destino: o de ir para o brejo guiado pelo passo vacilante de um neologismo chamado Nicomar.

ATENÇÃO, SENHORES PAIS, PELO AMOR DE DEUS, TODO CUIDADO É POUCO,PROTEJAM AS CRIANÇAS: VEM AÍ UM FILME DA XUXA, CHEIO DE MENSAGENS "ECOLÓGICAS"!


Do blog de Walter Carrilho:

"Xuxa, mensagens ecológicas e atores mirins. Você consegue imaginar programa melhor para se fazer em um domingo? Eu pensei em velório, e você?"

(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com)

"MONSTRUOSA, INFINITA, ILÓGICA, ABRUPTA, LANCINANTE"

Robert Louis Stevenson, citado por Antonio Fernando Borges:

“A vida é monstruosa, infinita, ilógica, abrupta e lancinante. Uma obra de arte, em comparação, é uma coisa bem-feita, finita, contida em si própria, racional, fluida e transfigurada. A vida se impõe pela sua energia bruta, inarticulada como a de um trovão. A arte seduz o nosso ouvido, por entre os ruídos mais altos de nossa experiência diária, como os sons produzidos por um músico discreto"

(aqui: http://antoniofernandoborges.com/)

ZEUS E DEUS

Sócrates se levantou, repôs a túnica no corpo e, apertando a mão de Jesus, se preparava para retirar-se quando se ouviu um grito:
.
— Olha a cabeça!
.
Pensando que era Deus com sua mania de se disfarçar de nuvem e lançar raios sobre os outros em momentos de raiva, Jesus se atirou de lado e rolou pelo chão. Sócrates, por sua vez, permaneceu no mesmo lugar.
Talvez por estar acostumado, afinal Javé pode até ser um tanto ou quanto irado, mas em matéria de lançar raios, como é notório, não há páreo para Zeus.

(Mais, aqui)

PELA VOLTA DO SEGUNDO ESTADO

Aqui:

http://antimarconileal.wordpress.com/2007/12/11/contra-revolucao-ja/

SILÊNCIO DA OVELHA

Depois de uma estréia patética, em que tentou provar ridiculamente que ouvinte de ópera é metido a erudito, e de levar umas boas tamancadas, o sr. Tom Carneiro, vulgo Dona Ovelha, sumiu. Permanece calada, em local ignoto,a estranha e saltitante criatura, para alegria dos amantes do raciocínio lógico e do português escorreito.

10 de dezembro de 2007

SÓCRATES, JESUS E O PREPÚCIO

Chegando à praia, Sócrates tirou a túnica e se jogou na areia, resfolegando. O Filho do homem juntou-se a ele pouco depois, algo irritado:

— Por que vocês gregos têm essa mania de tirar a roupa o tempo todo, hein? Será possível que vou ser obrigado a ficar vendo o teu não-circuncidado aí?

— Grande coisa!

— Grande? É fácil dizer isso quando se tem prepúcio. Queria ver você diante de São Serapião.

(Mais, aqui)

CAUSA MORTIS: PIOLHOS

Qualquer criança remelenta matava a charada. Mas não o grande Homero, a quem alguns fedelhos teriam ludibriado — logo a ele, tido como o mais sábio dos gregos.

O que é, o que é? Tudo o que vemos e pegamos nós deixamos para trás; tudo o que não vemos nem pegamos carregamos conosco.

Interpelado, o maior dos poetas, educador dos helenos, calou. E não porque quisesse, pode-se especular. Teria tentado, até não mais poder, decifrar o enigma. Mas, se quebrou a cabeça, a história não registrou que de sua cachola tenha saído qualquer deusa da sabedoria. Se ficou com uma pulga atrás da orelha, não se sabe. Mas dizem que a incapacidade de descobrir o que era claro para qualquer garoto desencadeou no Poeta uma angústia tão... homérica, que ele morreu.

Quase dá para ouvir o desdém de Heráclito: “Os homens se enganam no reconhecimento do que é óbvio, como Homero.”

SERIA MACHADO DE ASSIS INGLÊS?

Nada há de mais difícil para a filárgira compreensão do escritor brasileiro que a ironia. Para a maioria deles, trata-se de figura tão complexa quanto a anáfora ou a epístrofe: tem a intimidade defesa para além do conceito exposto num livro - não lido - de retórica ou teoria literária. Coisa espantosa para quem nasceu na terra de Machado de Assis. Se é que o velho não era inglês, bem entendido.

(Mais, aqui)

SÓCRATES E JESUS

— Alguém me ajude! Socorro! Por favor, alguém me ajude! — expunha silogisticamente sua posição Sócrates.

Mas, experimentado em dialética desde os tempos de Ulisses, o mar o envolvia com líquidos argumentos por todos os lados e o fazia debater em vão. Ao final da peleja oratória, teria findado fatalmente por calar o filósofo. Isso, caso Jesus, que via a cena de longe, não tivesse falado:

— Levanta-te e anda!
— Ha! — respondeu o filósofo, ainda se afogando. — Pra você é fácil falar. Mas eu sou cético.
— Não, sua besta! Não se trata de milagre. É que a gente tá no raso. Já dá pé.
— Ah... — sorriu amarelo o zetético, cessando o desespero e fazendo em seguida o que o Mestre lhe havia dito.

(Mais, aqui)

9 de dezembro de 2007

Rauschenberg: o picareta!

Mês passado, no Porto, fui com um amigo na Fundação de Serralves. Lá estava sendo realizada aexposição de Robert Rauschenberg. Dizer que aquele senhor é um picareta é usar eufemismo. O sujeito distribui um monte de caixa de papelão suja pelas paredes e chão, ora com uma corda enrolada, ora com uma bicicleta recém-saída de um atropelamento sério, e diz que aquilo é arte. As outras pessoas, estranho, concordam. O pior: tem gente que compra aquela bobagem.

Numa das salas vi um objeto e pensei, uau!, pelo menos algo se salvou, está bem torneado e pintado. Chego perto. Era um extintor de incêndio. Perguntei à moça que lá trabalhava. Não, não fazia parte da exposição. Eu: ah, bem, está explicado.

Deve ter algo de muito errado numa exposição de arte cuja melhor obra é o extintor de incêndio do local.

Impressões de Lisboa

Estou em Lisboa desde 17 de outubro. Constato: há muitos brasileiros em Portugal. Não, mais: há brasileiros em excesso em Portugal. Vê-se o brasileiro imigrante há quilômetros de distância: é o que fala e ri mais alto; e o que cheira a Leite de Rosas. Conversei com alguns imigrantes que reclamaram de preconceito dos portugueses. O português médio e mais velho é tão preconceituoso e chato como o dos demais países. Ou você nunca teve um vizinho intolerável? De um sensanto imigrante brasileiro ouvi a seguinte sentença: “boa parte dos preconceitos contra os brasileiros foram provocados pelos próprios imigrantes brasileiros. Daí sofre todo mundo”.

Mas, divago. Voltando à vaca fria, o grande problema dos imigrantes brasileiros que vêm para cá ganhar a vida e mandar dinheiro para o Brasil é não estarem nem aí para a própria educação numa fase em que poderiam fazê-lo. Passam a ganhar melhor, trazem os filhos, compram carro novo e nada de se educarem. Nem digo educação formal. Falo de aprender sobre o país, provar novas comidas, bebidas, conhecer outros países, pessoas, culturas. Nadica de nada.

O que se faz, normalmente, é tentar criar um Brasil virtual em seus guetos, mesmo que os guetos sejam as próprias casas. Investem tempo e rendimentos nos famigerados churrascos de fim de semana em que o pagode é consumido em abundância com carne e cerveja. Falo dos imigrantes brasileiros em Portugal, mas lembro dos imigrantes brasileiros nos EUA, por exemplo, que sequer aprendem o inglês. E se você entra no perfil do Orkut estão todos lá exibindo seus carros novos e fotos de… churrascos com outros brasileiros. A Europa está muito preocupada com o avanço dos muçulmanos no Ocidente e se esquecem o grande perigo representado pelos imigrantes brasileiros que fazem churrasco com pagode no fim de semana. Imagine se esse negócio contamina toda a sociedade e, daqui a dois séculos, a Europa vire um grande pandeiro fedendo a carne queimada. Deus seja louvado.

Há imigrantes de outros países que se comportam de maneira bárbara? Sim, claro, já ouvi falar, mas não os conheço. E não os quero conhecer, ok?

8 de dezembro de 2007

ÓBITO

Stockhausen morreu. Ufa! Já não era sem tempo.

(Mais, aqui)

HAVIA UM COTOCO NO MEIO DO CAMINHO

Na minha época, SEIKEN JODAN ZUKI tinha outro nome e era muito praticado por meninos criados por vó e pessoas com sobrenome de caprinos em geral. Desprovido de massa encefálica -- além de estrias em local recôndito de sua anatomia--, a sra. Ovelha parte agora para outro exepediente: segundo entendi, me ameaça com um golpe de bunda. Não se emocione, dona Ovelha, a sra. não corre o menor risco, pois não vou revidar suas investidas. Caso queira um troca-troca de golpes do tipo, talvez seja melhor falar com Paulo Polzonoff Jr., também nosso colaborador, que atende pela carinhosa e significativa alcunha de Cotoco.

7 de dezembro de 2007

DOSSIÊ HISTÓRIA : JÁ NAS LIVRARIAS

Pausa para um anúncio. A causa é nobre.

Quer saber o que Bin Laden disse ao palestino que foi convocado por ele para uma série de encontros numa caverna no Afeganistão ? Quer saber como é que um insuspeito estudante de planejamento urbano, chamado Mohammed Atta, se transforma no chefe dos terroristas que cometeram o mais devastador ataque da história, no 11 de Setembro ? Quer saber o que dizem professores e colegas que conviveram com ele ? "E muito mais".

Acaba de chegar às livrarias "DOSSIÊ HISTÓRIA", livro-reportagem publicado pela Editora Globo: entrevistas publicadas na íntegra, sem cortes. Cenas de bastidores. A palavra de testemunhas e personagens de acontecimentos que abalaram o mundo.

CORRA, NICOMAR, CORRA, PARA ESCAPAR DE UM SEIKEN JODAN ZUKI

Depois de recorrer ao fracassado expediente de escrever sobre ópera apenas para parecer culto e profundo e,assim, enganar moçoilas incautas, o sr. Nicomar Lael não suportou o peso da admoestação pública a que foi submetido aqui, nesta Sopa.

Botou o rabo entre as pernas e sumiu do mapa, silente como uma hematita.

Fez bem.

Deve estar se preparando para ir ver o show do Police, porque sabe que é o único lugar do planeta em que não correrá o risco de se encontrar com o abaixo assinado.

O Maracanã será cenário da grande procissão dos idiotas - tanto no palco quanto na platéia.

É bom que o sr. Nicomar escolha ir ao estádio, como medida extrema de proteção.

Se circular pelas ruas, correrá riscos.

Porque, caso ocorra um encontro entre o abaixo assinado e o malfadado impostor, já não haverá ofensas verbais a trocar : o sr. Nicomar correrá o risco de sentir na pele a tradução literal da expressão SEIKEN JODAN ZUKI.

Para quem não sabe: um golpe certeiro de karatê.


(maiores informações aqui: http://www.kyokushinkaikan.com.br/v2007/br/kihongeiko.htm)

FELICIDADE É COMER PÃO COM MUITA MANTEIGA E FALAR BESTEIRA SEM QUERER PARECER INTELIGENTE E PROFUNDO

Do site de Paulo Polzonoff Jr. :

"Sinto confessar, mas me falta a convivência com pessoas cujo único objetivo na vida é esta felicidade pequena e adorável. Uma felicidade que não busca se explicar com referências poéticas ou filosóficas. Uma felicidade que simplesmente é. Não éramos pessoas idiotas naquela casa. Cada qual, eu podia perceber, sabia-se dono de uma existência única, marcada por opiniões também únicas. Eram todas admiráveis por sua individualidade. Eram todas louváveis porque não procuravam o prazer pelo massacre do diverso.
Naquela noite, fui feliz. Falei o que pensava sem medo do julgamento. Melhor: muitas vezes falei o que nem pensava. Ninguém levantou a voz. Ninguém fez cara feia. Ninguém engoliu uma opinião por medo. Ninguém emitiu sua opinião para se provar inteligente"


http://www.polzonoff.com.br/uma-genuina-e-destemida-felicidade.htm#more-920

INJUSTIÇA CONTRA O TALENTO BRASILEIRO

Oswaldo Montenegro deveria protestar veementemente. Vivem dizendo que ele é chato.
Mas o que dizer do insuportabilíssimo Police, este grupelho de senhores que, às portas da terceira idade, insistem em se comportar como se fossem idiotas de vinte ?

Aliás, o que é pior? Roqueiro em fim de carreira ou quarentões e cinquentões que estacionaram na adolescência e tentam escrever e falar, a sério, sobre idiotas como os do Police?

É difícil saber.

Em todo caso, há uma certeza: a idade mental dessa gente é, no máximo, dezessete.

O número diz tudo.

UMA ENTREVISTA COM O MINOTAURO

— Mino, independentemente do resultado do jogo de hoje, o fato é que você tem fãs espalhados por todas as ilhas, todo o mundo te teme. Tenho impressão de que o público se interessaria por ver seu lado mais humano...
— Bom, Apô, meu lado mais humano tá aqui, ó: ali temos os pés, aqui as coxas, o pinto...
— Não, não! Quer dizer, gostaria de saber o que você faz nos momentos de folga, por exemplo.
— Ah, eu gosto de comer uma virgem. Ou melhor, sete virgens.
— Assim, de cara? Você não toca uma lira, não toma uma cratera de vinho de Falerno, não passa uma cantada...?
— Bom, cantar eu canto. Veja bem, gosto muito daquela música do Monsueto: (cantando) “Mora... na mitologia...”
— Sei. E você curte a night?
— Não, prefiro curtir pela manhã. Abro meu coração com você, Apolodoro, que é um homem que tem história. Ultimamente, não tenho visto a luz no fim do túnel, sabe?

(Mais, aqui)

6 de dezembro de 2007

POLÊMICA ACABADA???

Sendo um animal de cultura inferior à de uma ostra partida em três pedaços, a sra. Ovelha acha que qualquer referência cultural é semostrismo. Fala-se em ópera e ela imagina ser isso o cúmulo da erudição. Ora, ora, dona Ovelha, que dirá a senhora quando começarmos a discutir a Escola de Frankfurt em alemão medieval? A quadrúpede ficou tão nervosa que se apressou a encerrar a contenda que estou tendo a generosidade de manter com ela, uma vez que só me permito entreveros com seres que dominem, ao menos razoavelmente, cinco línguas, além do português, dialeto nosso e dos macacos. Abaixo, em homenagem à senhora, posto a letra de "La donna è mobile". Caso queira a tradução, vá ao Google. Caso queira ouvir a letra que tão bem a descreve, aconselho a ária cantada pelo semi-alfabetizado Pavarotti. Assim, a senhora vai se sentir em casa.

"La donna è mobile
Qual piuma al vento,
Muta d'accento
— e di pensiero.
Sempre un amabile,
Leggiadro viso,
In pianto o in riso,
— è menzognero.
È sempre misero
Chi a lei s'affida,
Chi le confida
— mal cauto il cuore!
Pur mai non sentesi
Felice appieno
Chi su quel seno
— non liba amore!"

EM NOME DA VERDADE, DENUNCIO O MIOLO MOLE

O acadêmico Merchior uma vez acusou o cantante Caetano Veloso de ser um sub-intelectual de miolo mole.

É uma lástima que ele, o acadêmico, tenha morrido, porque, se vivo fosse e se frequentasse blogs estúpidos como este, certamente se animaria a usar o apodo para definir, com toda propriedade, o sr. Nicomar Lael.

Por quê ? Por um motivo: assim como acontece com todos os moluscos anencéfalos dados a chiliques, o sr. Nicomar prefere recorrer a ofensas de natureza sexual para desqualificar aqueles que, como o abaixo assinado, ousam criticá-lo.

É um recurso baixo.

Ora, o sr. Nicomar publicou uma resenha estapafúrdia sobre um cantor de ópera porque queria,sim, parecer culto, esperto e cosmopolitano.

Debalde.

Não pareceu. Conseguiu apenas demonstrar aos frequentadores do Sopa de Tamanco o que sempre foi: um pavão multicolorido que passa a vida saracoteando para iludir incautos.

"Não passará!".

Não aqui.

Quanto às insinuações sexuais, declaro que venho de uma região macha.

O pernambucano mais afrescalhado que já existiu atendia pelo nome de Virgulino Ferreira, o Lampião.

Por aí dá para imaginar o resto.

Em minha terra, criança aprende a escovar dente assim: esfregando a ponta de uma faca peixeira no dente-de-leite.

Aos três anos de idade, já mamam em onça.

É assim que aprendem a exercer a pernambucância pelo resto da vida.

TRIREITO DE RESPOSTA

No próximo churrasco que fizer, não esquecerei de colocar, além das carnes tradicionais, chorrilhos. Antes, ababosarei-os e os passarei no sal, claro.

FIM DE POLÊMICA COM O TAMANQUEIRO ESTREANTE

O sr. Nicomar Lael, novo e desastrado colaborador desta Sopa, padece do mal que acomete nove e meio entre dez supostos intelectuais brasilíndios: a incapacidade de receber críticas, por mais justas que sejam.

Como se fosse o cachorro de Pavlov, o sr. Nicomar saliva - mas de raiva - a cada vez que alguém faz o mínimo reparo ao que ele escreveu.

Decerto, ele não entendeu que não há nomes intocáveis na redação do Sopa de Tamanco, ao contrário do que acontece em outros covis habitados por jornalistas.

Demonstrações gratuitas de erudição,como a que ele tentou fazer ao apreciar o desempenho de um cantor de ópera, soam descabidas neste espaço - que deve ser usado para tarefas mais nobres e honestas, como, por exemplo, chamar Xuxa de débil mental; Renan Calheiros de pulha; Lucélia Santos de sub-atriz; José Wilker de hiper-canastrão e o próprio Nicomar Leal de molusco de sexualidade indefinida.

Como se dizia no século passado, tenho dito.

DIREITO DE RESPOSTA

Não bastasse este Sopa de Tamanco ter um nome dos mais ridículos, uma audiência das mais insignificantes e contar com um colaborador ababosado da monta do sr. Marconi Leal, eis que agora surge um tal de Tom Carneiro a escrever chorrilhos por aqui. Antes de mais nada, indico ao senhor Tom (de um sujeito que usa cognome desses, que esperar?) recente postagem do sr. Soares Silva a respeito de hierarquias e da inânia mental de alguns. Isso, quanto à palurdice. No que tange à falta de cultura, o máximo que posso dizer é que, dada a sua ignorância, o sr. Carneiro (não seria parente do Zé do Sítio do Picapau?) tem no máximo um escrínio cultural. O terrível, contudo, no caso de nosso apedeuto é sua tendência à prática homoerótica ou à pederastia passiva de baixo impacto, para usarmos de expressão politicamente correta. Sim, a verdade é que o sr. Carneiro, senhores, está mais para sra. Ovelha. Fiquem, portanto, os mais chegados convidados a fazer o papel de lobo. No que se refere a mim, vou-me embora, deixando apenas uma pergunta: se era para contratar estúrdio dessa espécie, por que não fomos atrás do Artur da Távola ou do Arthur Virgílio?

.....E O REI PELÉ ESTAVA NU

Pelé estava nu quando finalmente consegui vê-lo.


( relato completo aqui: www.geneton.com.br )

A ESSÊNCIA DO ÂMAGO DO ÍNTIMO DO JORNALISMO

Jornalismo é literatura feita por e para analfabetos.

... E TEM MARCA DE BATOM ?

Na semana em que editorias de esporte desperdiçam horas preciosas com uma cueca, vale a pena lembrar uma época em que o negócio dos pilotos era ganhar tempo, ainda que para isso precisassem correr riscos. Destemidos, eles tinham, no entanto, um grande medo, hoje meio sumido: o do ridículo.

Abaixo, um retrato dessa época.






Noite de sábado. À mesa de um restaurante carioca na Avenida Atlântica, com as mãos espalmadas para baixo, ele desenha no ar, com um movimento ondulado e firme, o relevo de uma região paulistana que marcou sua vida. E explica como, toda madrugada, baixava sobre essa região localizada entre duas represas uma neblina densa, muito densa. Ele então fala da pista de corrida que deu fama ao lugar. Quem o ouve viaja no tempo e no espaço: autódromo de Interlagos, final da década de 50. E presta atenção ao que ele vai começar a contar. Trata-se de saber como ele conseguia abrir caminhos tão velozes através da cerração que tapava a vista de todos os pilotos, menos a dele. Bird Clemente: eis o nome do comandante daqueles vôos noturnos e quase cegos.

Ídolo de campeões como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, Bird marcou época no automobilismo brasileiro. Veloz, arrojado, habilidoso, dedicado, talentoso, audaz... A crônica esportiva enfileirava adjetivos para fazer jus ao volante campeão, enquanto ele deixava atrás de si filas de carros, alguns até mais potentes do que seu DKW ou sua berlineta Interlagos. “Berlinette”, como Bird prefere chamar.

Bird Clemente prepara para 2008 um livro. É garantia de boas e bem contadas histórias, por quem as viveu e construiu. Mas nosso piloto não é só passado. Ainda ligado ao automobilismo e atento, ele acompanha, por exemplo, o desenvolvimento tecnológico na Fórmula 1. Mas lamenta o fato de muitos dos pilotos dessa categoria terem se transformado em meros “operadores de instrumentos”. “Hoje, muitos se escondem atrás do equipamento”, diz. E critica a ausência de risco nos autódromos muito travados, a falta de emoção. “Ninguém vai a uma tourada para ver o toureiro enfrentar um touro sem chifre”, conclui.

De volta à beira-mar. Muitos causos, dois chopes e um espaguete à bolonhesa depois, Bird deixa o restaurante Fiorentina. Já passa da meia-noite; logo mais, ele será homenageado no Alto da Boa Vista pelos 70 anos de idade que completa em 23 de dezembro. Precisa descansar: menos de 12 horas atrás, encarou a Via Dutra em direção ao Rio. Mas o papo ainda continua, enquanto Bird caminha pelas calçadas do Leme até o carro estacionado junto à praia. Ele fala de motores e saudades, camaradagem e truques, pilotos e pistas.

Bird Clemente entra no carro, mas é de carona que ele vai até o hotel, no Posto 6. Nada de punta-taccos ou derrapagens controladas – os power slides em que era mestre. Segue na frente. E, na madrugada que avança, Copacabana parece cobrir-se de uma neblina densa, muito densa. Como naquele autódromo paulistano.

(Na foto, o volante Bird Clemente toca um Bino Mark I no autódromo de Jacarepaguá no final da década de 60.)

O ESPÍRITO DA COISA

O sr.Nicomar Lael, recém-contratado por esta Sopa, talvez não tenha entendido o espírito da coisa.

Ao invés de distribuir tamancadas a torto e a direito no cocuruto dos impostores que povoam as telas de TV, as páginas de jornais e os sulcos dos CDs produzidos nesta república, o sr. Nicomar Lael prefere arrotar erudição divagando sobre a performance de remotos cantores de ópera.

"Não passará!".

O que é que ele quer, com esta exibição de suposto refinamento? Insinuar que seria capaz de dirigir um espetáculo de ópera ?

Imagino o que ele pretende: conseguir pela Lei Rouanet uma verba que deveria ser usada para financiar um espetáculo de ópera mas que, na verdade, terminaria financiando a compra de um apartamento na praia

(Por uma questão de justiça, diga-se que,para não despertar suspeitas sobre o desvio, o sr. Nicomar usaria as sobras da compra do apartamento para montar um patético espetáculo de ópera em que ele próprio,para economizar verba de produção,desfilaria durante quatro horas ininterruptas pelo palco do Municipal berrando feito louco de hospício frases ininteligíveis em aramaico).

A única crítica possível de um espetáculo de ópera é a seguinte: "Quando acabar o espetáculo, me acordem, porque não posso perder o último metrô".

Desvios de conduta como o exibido pelo recém-contratado explicam a crise sem precendentes que se abate sobre o Sopa de Tamanco.

Mas providências enérgicas serão tomadas.

SEMIÓLOGOS CHATÍSSIMOS, CORREI !

Os apocalípticos diziam que a palavra escrita estava morrendo, porque a pobre espécie humana estaria vivendo na civilização da imagem.

Mas aí surgiu a internet.

A boa notícia: nunca se escreveu tanto em tantos blogs, sites, portais, comunidades, chats.

A má notícia: nunca se escreveu tanta tolice, tanto lixo, tanta idiotice, tanta estupidez.

Semiólogos chatíssimos, correi! Há um assunto à espera de uma tese: valeu a pena a ressureição da escrita?

A PROPÓSITO DE CÉTICOS

Assim falava Moraes Neto:

"Céticos, tremei. Quem se recusa terminantemente a dar um mínimo crédito de confiança a ciganas ,videntes,adivinhos e outros habitantes da Terra da Premonição deve ficar longe da fita de vídeo que uma cigana chamada Esmeralda gravou,em dezembro de 1993,para o Fantástico. Porque esta fita pode ter o poder de abrir uma fresta no paredão de descrença que os céticos profissionais erguem em torno de si".

(Mais, aqui)

ROCKWELL BLAKE

Assim falava Nicomar Lael:

"Gosto da interpretação que Rockwell Blake dá à “Dalla sua pace”, precisamente por tudo aquilo que os críticos nela detestam: o riso estúpido no rosto, o exagero, a voz vacilante. Quem quer que queira interpretar Don Ottavio tem que se equilibrar entre a parvoíce, a pusilanimidade do personagem e a sublimidade do sentimento que ele expressa naquele instante. Sem dúvida há vozes melhores para a ária. Também a interpretação de Winbergh tangencia esse equilíbrio, sem cometer os excessos. Mas o excedente, no caso de Blake, parece indicar o caminho. Por isso fico com ele".

(Mais, aqui)

5 de dezembro de 2007

TESEU X MINOTAURO

— Muito bem, amigos helenos, eu sou Hesíodo e você está ligado na Rádio Atlas. (entra vinheta da rádio) “Rádio A-tla-tla-tlas. Levamos o mundo do esporte greco-romano até você. E levamos sobre os ombros”. (voltando a falar) Estamos aqui hoje em mais uma epopéia esportiva para transmitir direto de Creta aquele que é um clássico da mitologia contemporânea. Nesta tarde, a equipe de Teseu enfrenta a do Minotauro. Irá o herói ático derrotar a fera insular e interromper sua seqüência de vitórias que já dura anos? É o que todos se perguntam. Aqui, ao meu lado, o comentarista do hexâmetro abalizado, Eurípides. E então, Eurípides, que você acha do enfrentamento de logo mais?

(Mais, aqui)

ANALFABETISMO CLÁSSICO

Existe o analfabetismo propriamente dito, o analfabetismo funcional e o analfabetismo clássico. Este último, categoria em que se encaixam os que pensam ter a literatura surgido a partir do “Ulisses” de Joyce.

(Mais, aqui)

4 de dezembro de 2007

THIS IS THE END

O ano agoniza. A MPB também. Qual foi a última bela música nova que você ouviu ?

A curto prazo, não há salvação para os dois.

O PROBLEMA SÃO OS OUTROS SEIS BILHÕES

Do blog de Walter Carrilho:

"Um amigo meu cunhou uma frase ótima: “Tem um milhão de pessoas que eu gosto e admiro. O problema são os outros 6 bilhões. Esses atrapalham.” Concordo. Esses outros humanos estão aumentando exponencialmente. Por mais que eu tente ser otimista, há sempre cretinos se esforçando para que eu perca a esperança na humanidade"


aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com

PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE CELEBRIDADES: TAGUE, JAMES

Assim falava Moraes Neto:

"O assassinato do presidente John Kennedy, ao meio-dia e meia da sexta-feira 22 de novembro de 1963, teve uma vítima desconhecida: um passante – que só parou para ver a passagem da comitiva porque o trânsito estava engarrafado – foi ferido na bochecha pelo estilhaço de uma das balas disparadas pelo ex-fuzileiro naval Lee Oswald contra o presidente. Nome da vítima: James Tague. É citado no relatório oficial sobre a morte do Presidente.
Hoje, ele é comerciante de carros usados. Dá uma resposta afirmativa ao meu pedido de entrevista, feito por telefone. O encontro fica marcado para o único endereço que conheço em Dallas: o célebre Depósito de Livros Escolares do Texas. De uma janela, no sexto andar do Depósito de Livros, Lee Oswald esperou com um rifle nas mãos a passagem da comitiva presidencial.
Chego ao encontro na hora marcada. Como identificar James Tague?
Noto que um texano típico – devidamente paramentado com botas de cowboy – caminha de um lado para outro na calçada do Depósito de Livros. De vez em quando, me olha, como se quisesse adivinhar quem sou. Fico imaginando se aquele cowboy é o meu personagem.
Faço a pergunta: “Mister Tague?”
O cowboy estende a mão, abre o sorriso, diz que estava desconfiado de que eu era o tal repórter brasileiro que marcara o encontro por telefone.
Depois de apontar para a janela de onde saíram os tiros, caminha até uma cerca – que, segundo os crentes em teorias conspiratórias, serviu de esconderijo para o segundo atirador, jamais encontrado.
O cowboy vendedor de carros usados engrossa o coro dos que dizem que Lee Oswald foi o único assassino, mas deixa em aberto um pequeno espaço para a dúvida.
Quando pergunto se ele acha que um dia o “Crime do Século” será definitivamente esclarecido, o cowboy responde com uma palavra: “Não”.
Depois, troca cumprimentos, diz que precisa voltar ao trabalho e desaparece no começo da tarde de Dallas. Por um desses acasos que só acontecem uma vez num século, o anônimo cowboy texano foi testemunha e coadjuvante de um dos maiores crimes da história".

(Mais, aqui)

MANICÔMIO

Trata-se o dr. Nicomar Lael de gente de hábitos os mais esquisitos, ainda que o leitor encontre quem diga ser eu o estranho e o dr. Nicomar Lael, pelo contrário, a mais normal das criaturas — coisa que contesto veementemente, só não tomando as medidas cabíveis porque a esta hora os portões do manicômio já estão fechados.

(Mais, aqui)

SUBDESENVOLVIDO

Que esperar de um país onde Marcelino Freire, Mirisola e Carpinejar são levados a sério?

(Mais, aqui)

PEQUENA ENCICLOPÉDIA DE CELEBRIDADES: ALLEN, WOODY

Assim falava Moraes Neto:

"A máquina de relações públicas da distribuidora encarregada de lançar um filme de Woody Allen oferece uma entrevista exclusiva com o ator e diretor, na suíte de um hotel plantado às margens do Hyde Park, em Londres. Tento ser britanicamente pontual: chego na hora. A assessora me leva para uma ante-sala. Vai embora. Um minuto depois, chega o astro. É igual ao que se vê no cinema: tímido, esfrega as mãos enquanto fala, olha para o chão, solta tiradas geniais. É pálido como um boneco de cera. Pergunto se ele admira algum brasileiro. Tenho certeza de que Woody Allen – fanático por esportes – vai citar Pelé ou Romário ou Ronaldinho. Quebro a cara. Allen se declara apaixonado por Machado de Assis. Ganhou de presente uma versão inglesa de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Lá pelas tantas, diz que precisa fazer um filme atrás do outro, para não olhar para a “nuvem negra” que paira vinte e quatro horas sobre seus ombros – a morte. Tento consolá-lo. Digo que os filmes que ele faz serão estudados daqui a 50 anos, nas cinematecas. Woody Allen responde que não quer a imortalidade no futuro. “Quero agora, já, no meu apartamento”. Infelizmente, não posso ajudar".

(Mais, aqui)

POLIDOXIA

Na Renascença e na Antiguidade, a polimatia era regra entre sábios. A modernidade trouxe a figura do cientista especializado no seu ramo científico. A pós-modernidade e, especialmente, as revistas semanais, por sua vez, estimulam a polidoxia: o articulista é especialista em tudo, ainda que não saiba de nada.

(Mais, aqui)

3 de dezembro de 2007

AS OITO LETRAS LETAIS : DEZEMBRO

Pensei em me apresentar aos caros internautas tamanqueiros.

Não consigo articular sequer uma frase legível.

Motivo: faz setenta e duas horas que o peso de oito letras terríveis começou a esmagar o planeta. Oito letras letais: dezembro. O único consolo é que a desgraça se extingue em trinta e um dias.

Respiro fundo, faço de conta que não é comigo e saio latindo pela avenida, para ver se espanto as festinhas de amigo secreto, as listas de fim de ano e outros pequenos horrores da temporada.

Os latidos,como sempre,não surtem qualquer efeito sobre a realidade. Mas não há nada de mais útil a fazer, além de latir, latir, latir.


PS: Um desocupado me convidou a ficar escrevendo para este blog, quando me sobrasse tempo. Não sobra. Ainda assim, tentarei, entre três e quatro da manhã. Acionei meus informantes para descobrir qual era a audiência do blog. Disseram-me que algo em torno de duzentas almas diárias passam e penam por aqui. Há quem ache pouco. Ou pouquíssimo. Considero que duzentas almas penadas formam uma multidão incalculável. Decido, então, que, sempre que possível, subirei num tamborete imaginário, empunharei meu megafone enferrujado e bradarei a plenos pulmões nesta praça pública contra a irrevogável, a irrecorrível,a lastimável idiotia dos seres bípedes que entopem as lojas de dezembro e as mesas de restaurante para falar alto e brincar de amigo secreto.

BRASIL NA GUERRA DO VIETNÃ?

Assim falava Moraes Neto:

'"Não contei esta história no meu livro”, diz Gordon, autor do recém-lançado “A Segunda Chance do Brasil a Caminho do Primeiro Mundo”. Ao final de um depoimento gravado durante três horas ininterruptas no quarto 904 do Hotel Glória, no Rio, o ex-embaixador revelou detalhes inéditos sobre o dia em que entrou no Palácio do Planalto, em nome do presidente Lyndon Johnson, para pedir ao marechal Castelo Branco que o Brasil se engajasse numa guerra no sudeste asiático. Lincoln Gordon volta esta noite aos Estados Unidos, depois de cumprir um périplo por São Paulo,Rio de Janeiro,Brasília e Recife'.

(Mais, aqui)

PAUSA NAS TAMANCADAS. UM BELO E IMPRESSIONANTE BILHETE DE SUICÍDIO DEIXADO POR BYRON SARINHO

Byron Sarinho era um advogado e militante político. Combateu o regime militar. Era um dos principais articuladores de campanhas eleitorais da oposição. Comunista, elegeu-se vereador e deputado estadual depois da redemocratização do país. Eu o conheci. Impressionava pela vivacidade, pelo senso de comandoo, pelo ardor com que discutia política num Estado dividido entre esquerda e direita, como era Pernambuco.

Num gesto que até hoje causa perplexidade em quem o conheceu, ele preparou - na surdina, é óbvio - cada detalhe do suicídio: pagou todas as contas, transferiu bens para o nome de familiares, dispensou a visita da empregada,
sentou-se no sofá da sala do apartamento em que vivia sozinho, no décimo sexto andar de um edifício chamado Caeté, na rua da Aurora, no centro do Recife - e deu um tiro na boca,por volta das nove da manhã do dia doze de novembro de 2002. Tinha duas filhas. Não estava doente. Não enfrentava problemas financeiros. Não sofria de depressão ou algo parecido.

O motivo do suicídio: Byron tinha resolvido estabelecer para si um limite máximo de idade: sessenta anos. Não queria envelhecer. Não tinha disposição para enfrentar a decadência física.

Eis o texto que ele escreveu:

"Recife, novembro de 2002


Peço mil perdões a papai, às filhotas Ciça e Vic, a irmãs e demais parentes, amigos/as, companheiros/as, colegas. Sei que estou lhes causando perplexidade, aflição, dores, saudades. Mil perdões, repito. Mas tenho certeza de que, superado este choque de agora, todos compreenderão que fiz o melhor para vocês e para mim.

Um apelo: não procurem chifre em cabeça de cavalo, não há, no meu gesto, decepção, drama, loucura ou tragédia. Não existem problemas ou fatores específicos, em qualquer campo – profissional, afetivo, político, financeiro, de saúde, etc.. Não estou agindo movido por qualquer acontecimento súbito ou isolado. Trata-se, muito pelo contrário, do desfecho lógico de um longo processo, de uma atitude racional, tranqüilamente amadurecida e planejada.

Minha motivação é somente uma, e sobre ela já venho lhes falando/escrevendo há muito tempo: não quero, não devo e nem posso ficar (mais) velho. Não pela idade em si, mas pelo inevitável cortejo de privações, desconforto e sofrimento que ela traz particularmente para alguém como eu, que vive (e ainda vivo) sem suportar limites e restrições.

Vejam, por favor, as coisas por outro ângulo. Pensem no que todos estamos evitando: um velho pobretão, irritadiço e nostálgico da juventude. Na melhor hipótese, cheio de achaques; na pior, dependente ou até inválido. Vade retro! Este transtorno de agora, acreditem, é bem menor e mais passageiro do que o monumental estorvo que estou lhes poupando.

A verdade é que nunca me preparei para ser idoso. E se minha vida ainda está bem razoável – para um sessentão, óbvio – por que tenho que esperar o pior, para mim e para as pessoas queridas? A saída tem que ser agora, antes que eu ultrapasse a marca dos 60 anos.

Pensemos positivo, então. E aceitem um saudoso adeus, milhões de beijos do BYRON SARINHO.


Ps. Se, mesmo com os pouquíssimos bens que tenho, for imprescindível um inventariante, proponho que seja Sônia, minha irmã e comadre"



(aqui, outro texto em que Byron especula sobre as possíveis agruras da idade:

http://www.byronsarinho.com/byr-morte/morte-index.html)