16 de dezembro de 2007
DESPIDO DE RAZÃO
Do lado dos contestadores barulhentos, o autor da Crítica da razão dialética se junta a manifestações que fustigam o poder. Já seu antigo amigo e agora alvo de ataque representa a "maioria silenciosa". Aron também toma a palavra nesse período de turbulência que ele descreveria mais tarde como uma semana de algazarra de estudantes seguida de greves que paralisaram a vida econômica do país. Período de apreensão. Para o autor de O ópio dos intelectuais, quando a crise política de maio de 68 chegou ao clímax, pensou-se que o regime não resistiria às pancadas de Cohn-Bendit. "Nesse dia, em última análise, eu fui gaullista", diz Aron.
De volta ao ringue, ou melhor, ao artigo da revista. Nele, Sartre diz que, por nunca ter aceitado qualquer contestação de alunos, Aron é indigno de ser professor. E acusa o ex-professor da Sorbonne de exercer "um poder real" que "certamente não se baseia em um saber digno desse nome". Não satisfeito, sentencia ser necessário, "agora que a França inteira viu De Gaulle todo nu, que os estudantes possam encarar Raymond Aron todo nu".
"Não lhe serão devolvidas as roupas se ele não aceitar a contestação", conclui Sartre.
(Nota: Charles de Gaulle triunfou naquelas eleições. Mais do que isso: apurados os votos, seu partido tornou-se o primeiro na história da república francesa a obter maioria absoluta. Conquistou 358 das 485 cadeiras.)
14 de dezembro de 2007
DATA VENIA
Com a devida vênia... Deve haver nisso alguma raison d'état que escapa aos détraqués que visitam este blog, pois muitos deles afirmam tratar-se de mais uma lei que não vai pegar. Nonsense, dizem. Uns blasés. Um deles acaba de ler num site a expressão "fúria legiferante". Não sabe o que significa, mas acha que pode ser um novo super-herói.
E pergunta se é português. Ou brasileiro.
OS RUGIDOS DO FERA DO TÂMISA CONTRA O RELATIVISMO MORAL,CULTURAL E POLÍTICO, A GRANDE PRAGA DAS ÚLTIMAS DÉCADAS
"Paul Johnson é um caso clássico de intelectual que nunca teve medo de nadar contra a corrente. Minorias que se julgam perseguidas devem ou não ser criticadas ? Devem,sim,responde a Fera do Tâmisa. Picasso é um grande artista ? Não é não – brada Johnson,autor de um livro de ensaios chamado “To Hell With Picasso” (algo como “Que Picasso vá para o Inferno”).Picasso – garante ele - não passa de um stalinista que apoiou um regime totalitário. A flexibilidade de conceitos morais é uma conquista do pensamento do século XX ? Não é,nunca foi nem poderia ter sido – rebate o impaciente Johnson.O relativismo moral –diz ele - é uma praga que faz os ingênuos acreditarem que não existe nada que seja absolutamente condenável"
( a entrevista completa, aqui: http://www.geneton.com.br/archives/000026.html )
DOSSIÊ HISTÓRIA : OS BASTIDORES DO MAIOR ATAQUE TERRORISTA JÁ REALIZADO
Um dos capítulos traz a íntegra de uma reportagem feita em Hamburgo,na Alemanha, pelo locutor-que-vos-fala: lá, olheiros da Al-Qaeda recrutaram o estudante Mohammed Atta - que se transformaria em líder dos terroristas que executaram os atentados do 11 de Setembro. Atta assumiu o comando do primeiro dos dois aviões que foram jogados contra o World Trade Center. O capítulo traz os depoimentos do professor de Mohammed Atta na Faculdade de Planejamento Urbano da Universidade Técnica de Hamburgo; a tradutora que o ajudou a redigir em alemão a tese que ele defendeu sobre conservação de cidades históricas e, por fim, a palavra de um colega de turma e amigo - um alemão que viajou com ele pelo Oriente Médio. Os três traçam um retrato falado do super-terrorista. E tentam descobrir o que leva um estudante dedicado a fazer o que Mohammed Atta fez.
O primeiro capítulo do livro traz a entrevista com o palestino que teve uma série de encontros com Bin Laden numa caverna no Afeganistão. O que ele terá ouvido ?
ILÁ-ILÁ-ILÁ-RIÊ-RÔ-RÔ-RÔ
"A revista Contigo, essa “who´s-who” da boçalidade nacional, fez uma cobertura completa da primeira comunhão da Sasha *, a filha da Xuxa (meu trava-língua preferido). E com direito a descrição completa de cada detalhe – entrevistaram até o “banco de esperma ambulante” Luciano Szafir, coitado.Fico contente em ver que a Sasha tem fé. Ela vai precisar. Se eu fosse você, Sasha, começava a rezar pra valer. Inclua aí nas suas preces:
-Pedir para não ficar igual à sua mãe, que é católica, mas acredita em duendes.
-Pedir para conseguir arranjar um namorado logo, ao invés de ficar anos lamuriando na mídia, à procura de um príncipe encantado.
-Pedir para não ter que crescer ouvindo Ilariê. Até um disco dos “Rebeldes” é melhor.
-Pedir para aprender a falar normalmente, sem aderir ao xuxês.
-Pedir para poder viver sem ter que confiar até as mínimas decisões a uma nova Marluce.
-Pedir não se tornar uma neo-ambientalista-chata-de-butique como a mãe, que fala com bichinhos, mas que obviamente tem uns pares de sapatos de couro no armário.
Sugestão? Compre os cds dos Racionais, tatue um palavrão na nuca e infernize a vida da sua mãe. É isso ou virar uma Barbie animada pelo resto da vida"
(aqui: http://waltercarrilho.blogspot.com/)
"UM PERFEITO IMBECIL, DESSES QUE CITAM NELSON RODRIGUES..."
"Só um imbecil, e um perfeito imbecil, desses que citam Nelson Rodrigues, acredita em escrever português.
Ler? Um pouquinho e com moderação. O suficiente para passar os olhos pelos nossos 4 jornais e 1/3 e neles procurar a página com o resumo dos capítulos anteriores das telenovelas ou o palpite do colunista que seguimos. Detemos o comunismo. Contra o colunismo, nada pudemos fazer"
(aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071214_ivanlessa_tp.shtml)
A PROPÓSITO DE FRANCESES
Ninguém me contou, eu vi: não existe nada tão insuportável na face do planeta quanto intelectuais franceses cheios de caspa, com o cabelo oleoso, cachecol pendurado no ombro e pronúncia cheia de vícios horrorosos- como aqueles suspiros que disparam perdigotos rumo ao rosto de interlocutores indefesos. Jamais chegue a menos de um metro de um francês. Você será banhado por perdigotos voadores. Pausa para vômito. Parágrafo.
Passei um ano e meio à beira do Sena. Dezoito meses. Faço as contas: cerca de 540 dias e noites irremediavelmente jogados no lixo. Consegui uma vaga no DEA, Diplomas de Estudos Aprofundados em Cinema na Universidade de Paris 1, a celebérrima Sorbonne. O nome é pomposo. O curso é um festival de francesises inúteis : professores caspentos evocavam Platão para falar durante horas de uma cena perdida de um filme de Hitchock. Blá-blá-blá. Inutilidades. Coisa de sebosos entediados.
(Mais, aqui)
ZULEICA
A paráfrase de Bandeira pode não ser das melhores, leitor, mas nem por isso corresponde menos à verdade. A barriga de Zuleica tinha tal envergadura e se espalhava de tal maneira que por um momento cheguei a pensar que ela não andava — emitia pseudópodes.
(Mais, aqui)
13 de dezembro de 2007
SUPERLATIVO
CRISE AÉREA
Ao fim do primeiro trimestre em Cambridge, o futuro autor do Tractatus logico-philosophicus procura Russell para uma conversa. É Russell quem lembra o que o aluno Wittgenstein lhe perguntou nesse encontro: "Por favor, me diga: sou um idiota completo ou não?" O professor é direto: "Não sei." E pergunta por que o aluno quer saber aquilo. "Porque se eu for um completo idiota, vou virar aeronauta; do contrário, serei filósofo", responde Wittgenstein.
Russell sugere então que o pupilo escreva algo sobre um tema filosófico; assim o professor poderia dizer-lhe se era ou não um imbecil rematado. Vêm as férias. E o reinício das atividades acadêmicas. Wittgenstein entrega a Russell o que este lhe sugerira. A leitura da primeira frase do texto basta para o professor formar juízo. E proferir o veredicto: Wittgenstein deve desistir dos aviões.
FINALMENTE, UMA GRANDE NOTÍCIA PARA A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS BRASILEIRAS!
É sério: já se pode dizer, com toda certeza, que o risco de "estupidificação" (se a palavra não existe, que seja criada) das nossas crianças cairá drasticamente nos próximos anos.
O programa infantil de Xuxa saiu do ar !!!!!
Os "pais e mestres" deveriam ir para as ruas de todo o país para comemorar a boa nova com rojões, balões e foguetes.
18 LIVROS LIDOS NUM MÊS! "EU ERA INFELIZ E NÃO SABIA"
"também já fiz listas de livros lidos por ano. Curioso: antigamente eu falava com orgulho de um mês (novembro de 2002, para ser mais exato) em que li 18 livros; hoje menciono este fato não só com vergonha como também com certo nojo. Eu era infeliz e não sabia"
(aqui:http://www.polzonoff.com.br/entressafra-e-bom-para-os-precos.htm#more-944)
QUEM ERA MESMO ?
"Francis Schaeffer morreu em 1984, mas, se não fosse por ele, George W. Bush não estaria na Casa Branca, não haveria guerra no Iraque e o mundo provavelmente estaria melhor"
(aqui:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071213_lucas_dg.shtml)
REUNIÃO DE CONSELHO
CABELO DE TÔNIA CARRERO
(Mais, aqui)
POETA PRECISA SER CULTO. OU SEJA, NÃO NASCEM POETAS HÁ DÉCADAS NO BRASIL
"Sou um poeta que acha que a poesia é o uso supremo da linguagem. Bandeira fez esta descoberta em meu momento inicial. Deu-me lições perenes : por exemplo,a de que o poeta deve ser um intelectual culto. Só a cultura tem condições de abrir caminhos. Ao poeta, não basta apenas ter talento e vocação. Por que o poeta deve ser realmente um homem culto? Porque a poesia é um sistema milenar de expressão. É preciso conhecer os mestres. A criação poética não é, portanto,um problema só de sensibilidade. É um problema de cultura. Somente o vasto conhecimento da poesia e da literatura é que permite ao poeta exprimir-se".
(Mais, aqui)
12 de dezembro de 2007
SDT UTILIDADE PÚBLICA: UMA CAMPANHA NOBRE
Entre você também em mais esta cruzada cívica patrocinada pelo SDT, leitor.
O MEIO-SORRISO-ESTÚPIDO-DO-DONO-DE-CELULAR-ENGRAÇADINHO: PEQUENO INFORME SOBRE UMA EXPRESSÃO HUMANA QUE JAMAIS SERÁ REPRODUZIDA POR UM ROBÔ
Digo "comovente" porque a causa é nobre: os cientistas estão, na prática, preparando robôs que, com toda certeza, serão uma companhia mais agradável, menos barulhenta e menos inconveniente do que noventa e oito vírgula nove por cento dos seres humanos.
Um mecanismo instalado dentro do robô distende ou retrai o rosto do bicho, feito de matéria plástica. Assim, o rosto passa a demonstrar "sentimentos" como espanto, alegria e tristeza.
Os cientistas podem suar seus jalecos durante décadas nos laboratórios de robótica, mas jamais conseguirão sucesso total na empreitada. Pelo seguinte: há uma expressão humana que é absolutamente irreproduzível por robôs.
Preste toda atenção. Há uma fila de espectadores esperando a hora de entrar na sala do cinema.
De repente, um celular começa a emitir musiquinhas engraçadinhas.
O dono do celular bota a mão no bolso e atende.
Aquela ar de completa idiotia que o dono do celular exibe enquanto tateia o aparelho no bolso jamais será reproduzido por um robô: é um meio-sorriso estúpido que desmente todas as teorias sobre a evolução da espécie.
O dono do celular que emite ruidinhos e musiquinhas supostamente engraçadinhos tenta mostrar, aos passantes, que é um sujeito esprituoso. Quá-quá-quá.
Podem juntar todos os PHDs do Japão, todos os gênios do MIT, todos os nerds de todas as escolas suíças: nunca, jamais, em tempo algum a ciência poderá reproduzir o meio-sorriso estúpido-dos-idiotas-donos-de-celulares-com-musiquinha-engraçadinha-na-fila-do-cinema.
Leonardo Da Vinci não ousaria reproduzir numa tela movimento tão perfeito. O sorriso da Monalisa é obra de amador.
O meio-sorriso-estúpido-dos-idiotas-donos-de-celulares-com-musiquinha-engraçadinha-na-fila-do-cinema é uma criação essencialmente humana; uma obra-de-arte perfeita porque retrata, sem retoques, a essência do espírito de quem o ostenta.
Nenhum artista, nenhum cientista jamais ousaria recriá-lo.
Cientistas, recolhei seus robôs. Pintores, aposentem seus pincéis. Não adianta: a originalidade da idiotia humana é irreproduzível.
E assim será, por séculos e séculos. Não há avanço possível: a civilização estancou ali, no meio-sorriso-do-idiota-do-celular-de-musiquinha-engraçadinha.
E dali não avançará.